terça-feira, fevereiro 12, 2008

Pedro Bacelar de Vasconcelos fala em incompetência do aparato militar internacional

Atentados contra Presidente e primeiro-ministro

11.02.2008 - 11h53 PÚBLICO
Pedro Bacelar de Vasconcelos, antigo conselheiro da ONU junto da presidência timorense, afirma que “a facilidade com que Reinado e os seus homens chegaram à casa do Presidente” de Timor-Leste “indiciam uma grande incompetência e a inutilidade do aparato militar internacional”.

Este professor de Direito Público, ex-governador civil de Braga, fez esta afirmação num depoimento escrito enviado ao PÚBLICO, ressalvando que “há muitos factos que carecem de esclarecimento” relativamente aos dois atentados, em que o Presidente da República, José Ramos-Horta, Prémio Nobel da Paz em 1996, foi ferido no estômago, na sua residência, tendo ficado em estado crítico. O primeiro-ministro, Xanana Gusmão (ele próprio ex-presidente de Timor), escapou ileso da emboscada à sua coluna de veículos.

Lembra contudo que foram elementos das F-DTL (Forças de Defesa de Timor-Leste) “que defenderam Ramos-Horta e foi a GNR – a quem Ramos-Horta terá ele próprio telefonado, segundo foi noticiado – quem salvou o presidente, indo a sua casa e procedendo ao seu transporte, através do INEM, para o hospital [de campanha do contingente australiano]. Também “foi a GNR quem colocou a família do primeiro-ministro a salvo”.

Bacelar de Vasconcelos diz ainda que os atentados contra o Presidente José Ramos-Horta e contra o primeiro-ministro Xanana Gusmão “demonstram a insensatez da posição da Fretilin em não reconhecer a legitimidade e em persistir em declarar a inconstitucionalidade do Governo timorense”.

Considera no entanto “reconfortantes” as “declarações de repúdio proferidas por Mari Alkatiri [secretário-geral da Fretilin e antigo primeiro ministro] e por Lu-Olo [presidente da Fretilin e antigo presidente do Parlamento Nacional]” face aos atentados de hoje, porque “mostram que há uma fronteira entre democracia e instituições do Estado, por um lado, e a acção de um grupo de rebeldes insensatos e criminosos”.

“Só a psicologia poderá explicar este acto de loucura por parte de Reinado e (embora sem confirmação), de Salsinha os quais, ao longo deste processo, que se iniciou ainda durante o Governo da Fretilin, têm sido tratados com infinita paciência”, diz Bacelar de Vasconcelos.

1 comentário:

h correia disse...

"a facilidade com que Reinado e os seus homens chegaram à casa do Presidente” de Timor-Leste “indiciam uma grande incompetência e a inutilidade do aparato militar internacional"

Isto estamos nós fartos de dizer há muito tempo neste e noutros blogues (e não só).

Vai-se fazendo luz em certas cabeças... é pena é ser preciso haver mortes para que isso aconteça.

Que diz a isto o comandante de brigada australiano?

O PM OZ já disse que vai aumentar o efectivo em Timor-Leste. Mais do mesmo para quê?

Aussies, go home!

Traduções

Todas as traduções de inglês para português (e também de francês para português) são feitas pela Margarida, que conhecemos recentemente, mas que desde sempre nos ajuda.

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Mensagem inicial - 16 de Maio de 2006

"Apesar de frágil, Timor-Leste é uma jovem democracia em que acreditamos. É o país que escolhemos para viver e trabalhar. Desde dia 28 de Abril muito se tem dito sobre a situação em Timor-Leste. Boatos, rumores, alertas, declarações de países estrangeiros, inocentes ou não, têm servido para transmitir um clima de conflito e insegurança que não corresponde ao que vivemos. Vamos tentar transmitir o que se passa aqui. Não o que ouvimos dizer... "
 

Malai Azul. Lives in East Timor/Dili, speaks Portuguese and English.
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