segunda-feira, janeiro 28, 2008

Terrible cost of growth under Suharto

By Edward Aspinall
January 28, 2008 12:00pm
Article from: Daily Telegraph

THE death of former President Suharto is both a momentous occasion and a non-event for Indonesians.

It's a chance to reflect on the progress Indonesia has made since he was forced from office almost 10 years ago, as well as to confront many areas of unfinished business.

Yet it won't change the country he ruled for 32 years.

Suharto's death also recalls one of the most difficult and contentious foreign policy challenges that Australian governments have confronted over recent decades: how to deal with a large and important neighbour ruled by a non-democratic and military-based regime.

Australian governments faced a dilemma. On the one hand, most leaders from Gough Whitlam onward wanted to bring Australia closer to Asia.

They believed that doing so would help Australia's search for a post-colonial identity and that it was crucial for the country's economic future.

Indonesia was important because of its size, its proximity and its powerful influence in ASEAN, the Association of Southeast Asian Nations.

Australian governments, like those of other Western countries, also saw much to admire in Suharto. They viewed him as a Cold War ally against communism. They liked the stability he brought, his economic policies, and the way that he opened his country up to foreign investment.

Tim Fischer, the former deputy prime minister in the Howard government, went so far as to publicly laud Suharto as "perhaps the world's greatest figure in the latter half of the 20th century".

On the other hand, the Suharto regime was repressive and military-based. Suharto was re-elected every five years by a showcase parliament, most members of which he appointed.

He came to power in 1966, after he put down a coup attempt the previous year which he blamed on the communist party.

Over the next two years, an estimated 500,000 Indonesians accused of being communists or sympathisers died in a series of massacres in which the army played a leading role.

Tens of thousands of leftist political prisoners including Indonesia's best known author Pramoedya Ananta Toer were detained in prison camps until the late 1970s.

Although his regime had many supporters who appreciated the economic growth it brought, it also continued to repress critics throughout the country.

It was especially brutal in provinces like Aceh, Papua and East Timor where there were independence movements. In East Timor, many thousands of people died as a result of war and famine after Suharto's army invaded the territory in 1975.

Elsewhere in the thousands of islands which make up Indonesia, repression was less intense but it also was an ever-present possibility which stifled creativity and gave rise to deadening conformity.

Suharto's domestic critics accused him and his family of amassing a huge fortune, estimated at being up to $US35 billion ($39 billion).

However, nobody knows for sure the extent of his wealth. Much of the money Suharto amassed was not for his personal use but was instead kept in private foundations which he used as slush funds to reward supporters and buy off critics.

East Timor was especially important for many Australians, not least because of the killing of five Australian journalists in 1975 during the Indonesian invasion.

Successive Australian governments resolved this dilemma by putting pragmatism first.

Beginning with Gough Whitlam, they strove to develop close and supportive relationships with Suharto and his government.

The relationship reached its peak when Paul Keating was prime minister. Mr Keating developed a close personal relationship with the Indonesian ruler.

It was said that he succeeded in part because he treated Suharto with deference and respect. In 1995 the two leaders agreed to a security pact: this angered many Australians who saw it as a betrayal of East Timor, but it was no less surprising in Indonesia. It seemed to contradict Indonesia's strong tradition of non-alignment.

Indonesia today has changed almost beyond recognition: it has a democratically-elected government, the political role of the military is much reduced, and dramatic progress has been made in basic political freedoms. But Suharto continues to cast a long shadow, and the legacies of his rule include pervasive corruption and military impunity for past human rights abuses.

Edward Aspinall is a researcher at the Australian National University and editor of the web magazine Inside Indonesia.

Tradução:

Terrível custo do crescimento sob Suharto Por Edward Aspinall

Janeiro 28, 2008 12:00pm
Artigo de: Daily Telegraph

A morte do antigo Presidente Suharto é tanto uma ocasião muito importante como um não-evento para os Indonésios.

É uma oportunidade para reflectirem sobre o progresso que a Indonésia tem feito desde que foi forçado a sair do cargo há quase dez anos, bem como a confrontar muitas áreas de questões por resolver.

Contudo isso não mudará o país que ele governou durante 32 anos.

A morte de Suharto lembra um dos desafios mais difíceis e contenciosos da política estrangeira com que governos Australianos se confrontaram nas décadas recentes: como lidar com um vizinho grande e importante governado por um regime não-democrático e com base nos militares.

Os governos Australianos enfrentavam um dilema. Por um lado, a maioria dos líderes desde Gough Whitlam queriam levar a Austrália mais próxima da Ásia.

Eles acreditavam que agindo assim eles ajudariam à busca da Austrália duma identidade pós-colonial e que isso era crucial para o futuro económico do país.

A Indonésia era importante por causa do seu tamanho, da sua proximidade e da sua influência poderosa na ASEAN, a Associação das Nações do Sudeste Asiático.

Os governos Australianos, como os dos outros países Ocidentais, viram também muito para admirar em Suharto. Viram-no como um aliado na Guerra Fria contra o comunismo. Gostavam da estabilidade que ele trouxe, das suas políticas económicas, e da maneira como ele abriu o seu país ao investimento estrangeiro.

Tim Fischer, o antigo vice-primeiro-ministro no governo de Howard, foi tão longe quanto a elogiar publicamente Suharto como "talvez a maior figura mundial na última metade do século vinte ".

Por outro lado, o regime de Suharto foi repressivo e com base nos militares. Suharto foi re-eleito todos os cinco anos por um parlamento fantoche, cujo maioria dos membros ele nomeou.
Ele chegou ao poder em 1966, depois de esmagar uma tentativa de golpe de Estado no ano anterior de que ele culpou o partido comunista.


Nos dois anos seguintes, uma estimativa de 500,000 Indonésios acusados de serem comunistas ou simpatizantes morreram numa série de massacres nos quais as forças militarem tiveram um papel de topo.

Dezenas de milhares de presos políticos de esquerda incluindo o mais conhecido autor da Indonésia Pramoedya Ananta Toer estiveram detidos em campos-prisões até ao fim dos anos 1970s.

Apesar do seu regime ter muitos apoiantes que apreciam o crescimento económico que trouxe, ele continuou também a reprimir críticos através do país.

Foi especialmente brutal nas províncias como Aceh, Papua e Timor-Leste onde havia movimentos de independência. Em Timor-Leste, muitos milhares de pessoas morreram em resultado da guerra e da fome depois dos militares de Suharto invadirem o território em 1975.

Noutros sítios nas milhares de ilhas que formam a Indonésia, a repressão foi menos intensa mas era uma possibilidade sempre presente que abafou a criatividade e fez crescer uma conformidade mortal.

Os críticos domésticos de Suharto acusaram-no a ele e à família de juntarem uma enorme fortuna, estimada em $US35 biliões ($39 biliões).

Contudo, ninguém tem a certeza do tamanho da sua riqueza. Muito do dinheiro que Suharto juntou não foi para o seu uso pessoal mas foi guardado em fundações privadas que ele usou como fundos sujos para premiar apoiantes e comprar críticos.

Para muitos Australianos, Timor-Leste foi especialmente importante, não apenas por causa da morte dos cinco jornalistas Australianos em 1975 durante a invasão Indonésia.

Sucessivos governos Australianos resolveram este dilema pondo em primeiro lugar o pragmatismo.

A começar com Gough Whitlam, esforçaram-se por desenvolver relações próximas e apoiar as relações com Suharto e o seu governo.

A relação atingiu o seu ponto mais alto quando Paul Keating foi primeiro-ministro. O Sr Keating desenvolveu uma estreita relação pessoal com o governante Indonésio.

Foi dito que o seu sucesso se deveu em parte ao facto dele tratar Suharto com deferência e respeito. Em 1995 os dois líderes concordaram num pacto de segurança: isto enraiveceu muitos Australianos que o viram como uma traição a Timor-Leste, mas isso não foi menos surpreendente na Indonésia. Isso parecia entrar em contradição com a longa tradição da Indonésia de não-alinhaento.

Hoje a Indonésia mudou quase para além do reconhecimento: tem um governo eleito democraticamente, o papel político dos militares está muito reduzido, e tem feito progressos dramáticos nas liberdades políticas básicas. Mas Suharto continua a ter uma sombra comprida, e as heranças da sua governação inclui a corrupção penetrante e a impunidade dos militares pelos abusos de direitos humanos do passado.

Edward Aspinallé um investigador da Australian National Universit ye editor do web magazine Inside Indonesia.

1 comentário:

Margarida disse...

Tradução:
Terrível custo do crescimento sob Suharto
Por Edward Aspinall
Janeiro 28, 2008 12:00pm
Artigo de: Daily Telegraph

A morte do antigo Presidente Suharto é tanto uma ocasião muito importante como um não-evento para os Indonésios.

É uma oportunidade para reflectirem sobre o progresso que a Indonésia tem feito desde que foi forçado a sair do cargo há quase dez anos, bem como a confrontar muitas áreas de questões por resolver.

Contudo isso não mudará o país que ele governou durante 32 anos.

A morte de Suharto lembra um dos desafios mais difíceis e contenciosos da política estrangeira com que governos Australianos se confrontaram nas décadas recentes: como lidar com um vizinho grande e importante governado por um regime não-democrático e com base nos militares.

Os governos Australianos enfrentavam um dilema. Por um lado, a maioria dos líderes desde Gough Whitlam queriam levar a Austrália mais próxima da Ásia.

Eles acreditavam que agindo assim eles ajudariam à busca da Austrália duma identidade pós-colonial e que isso era crucial para o futuro económico do país.

A Indonésia era importante por causa do seu tamanho, da sua proximidade e da sua influência poderosa na ASEAN, a Associação das Nações do Sudeste Asiático.

Os governos Australianos, como os dos outros países Ocidentais, viram também muito para admirar em Suharto. Viram-no como um aliado na Guerra Fria contra o comunismo. Gostavam da estabilidade que ele trouxe, das suas políticas económicas, e da maneira como ele abriu o seu país ao investimento estrangeiro.

Tim Fischer, o antigo vice-primeiro-ministro no governo de Howard, foi tão longe quanto a elogiar publicamente Suharto como "talvez a maior figura mundial na última metade do século vinte ".

Por outro lado, o regime de Suharto foi repressivo e com base nos militares. Suharto foi re-eleito todos os cinco anos por um parlamento fantoche, cujo maioria dos membros ele nomeou.

Ele chegou ao poder em 1966, depois de esmagar uma tentativa de golpe de Estado no ano anterior de que ele culpou o partido comunista.

Nos dois anos seguintes, uma estimativa de 500,000 Indonésios acusados de serem comunistas ou simpatizantes morreram numa série de massacres nos quais as forças militarem tiveram um papel de topo.

Dezenas de milhares de presos políticos de esquerda incluindo o mais conhecido autor da Indonésia Pramoedya Ananta Toer estiveram detidos em campos-prisões até ao fim dos anos 1970s.

Apesar do seu regime ter muitos apoiantes que apreciam o crescimento económico que trouxe, ele continuou também a reprimir críticos através do país.

Foi especialmente brutal nas províncias como Aceh, Papua e Timor-Leste onde havia movimentos de independência. Em Timor-Leste, muitos milhares de pessoas morreram em resultado da guerra e da fome depois dos militares de Suharto invadirem o território em 1975.

Noutros sítios nas milhares de ilhas que formam a Indonésia, a repressão foi menos intensa mas era uma possibilidade sempre presente que abafou a criatividade e fez crescer uma conformidade mortal.

Os críticos domésticos de Suharto acusaram-no a ele e à família de juntarem uma enorme fortuna, estimada em $US35 biliões ($39 biliões).

Contudo, ninguém tem a certeza do tamanho da sua riqueza. Muito do dinheiro que Suharto juntou não foi para o seu uso pessoal mas foi guardado em fundações privadas que ele usou como fundos sujos para premiar apoiantes e comprar críticos.

Para muitos Australianos, Timor-Leste foi especialmente importante, não apenas por causa da morte dos cinco jornalistas Australianos em 1975 durante a invasão Indonésia.

Sucessivos governos Australianos resolveram este dilema pondo em primeiro lugar o pragmatismo.

A começar com Gough Whitlam, esforçaram-se por desenvolver relações próximas e apoiar as relações com Suharto e o seu governo.

A relação atingiu o seu ponto mais alto quando Paul Keating foi primeiro-ministro. O Sr Keating desenvolveu uma estreita relação pessoal com o governante Indonésio.

Foi dito que o seu sucesso se deveu em parte ao facto dele tratar Suharto com deferência e respeito. Em 1995 os dois líderes concordaram num pacto de segurança: isto enraiveceu muitos Australianos que o viram como uma traição a Timor-Leste, mas isso não foi menos surpreendente na Indonésia. Isso parecia entrar em contradição com a longa tradição da Indonésia de não-alinhaento.

Hoje a Indonésia mudou quase para além do reconhecimento: tem um governo eleito democraticamente, o papel político dos militares está muito reduzido, e tem feito progressos dramáticos nas liberdades políticas básicas. Mas Suharto continua a ter uma sombra comprida, e as heranças da sua governação inclui a corrupção penetrante e a impunidade dos militares pelos abusos de direitos humanos do passado.

Edward Aspinallé um investigador da Australian National Universit ye editor do web magazine Inside Indonesia.

Traduções

Todas as traduções de inglês para português (e também de francês para português) são feitas pela Margarida, que conhecemos recentemente, mas que desde sempre nos ajuda.

Obrigado pela solidariedade, Margarida!

Mensagem inicial - 16 de Maio de 2006

"Apesar de frágil, Timor-Leste é uma jovem democracia em que acreditamos. É o país que escolhemos para viver e trabalhar. Desde dia 28 de Abril muito se tem dito sobre a situação em Timor-Leste. Boatos, rumores, alertas, declarações de países estrangeiros, inocentes ou não, têm servido para transmitir um clima de conflito e insegurança que não corresponde ao que vivemos. Vamos tentar transmitir o que se passa aqui. Não o que ouvimos dizer... "
 

Malai Azul. Lives in East Timor/Dili, speaks Portuguese and English.
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