quinta-feira, fevereiro 21, 2008

UN guards `scared to help shot president'

The Australian - Thursday, February 21, 2008
Paul Toohey

AS Jose Ramos Horta regains consciousness and breathes without the assistance of machines in a Darwin hospital, his most senior adviser has told for the first time of his anger at armed UN guards for refusing to assist the East Timor President after he had been shot.

Paolo Remedios missed a call from Mr Ramos Horta at 6.55am on the day the President was shot. At 6.58am, Mr Ramos Horta's brother Arsenio, who was hiding inside the compound, called Mr Remedios to say he had heard his brother had been shot.

At 7.04am, the President called Mr Remedios again as he lay face down on the ground outside his compound. This time he got through. He asked to be rescued.

Mr Remedios said the President's voice was clear and firm. The adviser immediately called the Australian-led International Stabilisation Force and spoke to ``a very senior person'' asking for a helicopter and support but ``they didn't ever show up''.

Mr Remedios left home at 7.07am and came upon two UN vehicles parked several hundred metres from the compound, in earshot of the firing.

He said he asked the UN officers to accompany him to the President but ``they refused to follow me''.

``There were several officers of different nationalities, sitting there, talking on their radios, afraid to go in with me,'' Mr Remedios said. ``They were cowards.''

Mr Remedios arrived at Mr Ramos Horta's villa to find the President lying face down and Arsenio holding the wound on his brother's right side. There was one F-FDTL (army) guard standing by the President, but otherwise the vicinity was quiet.

Mr Remedios, Arsenio Horta and the President's niece Ducle Horta Lemos began trying to shift the President into his vehicle. At that point, a Portuguese GNR (riot police) squad, followed by an ambulance and Timorese police, arrived. The UN police had still not come.

Mr Remedios questioned why the ISF never showed up at the scene, given its job was to provide security and stability.

Ms Horta Lemos said the President remained conscious the whole time. She travelled with him in the ambulance where he said twice: ``Why did you shoot me?''

Mr Remedios said Mr Ramos Horta was now ``in very good condition''.

``He has opened his eyes and he's conscious, moving in and out of sleep,'' he said.



Tradução:

Guardas da ONU `com medo de ajudar o presidente baleado'

The Australian – Quinta-feira, Fevereiro 21, 2008
Paul Toohey

Enquanto José Ramos Horta re-ganha a consciência e respire sem a assistência de máquinas num hospital em Darwin, o seu conselheiro de topo falou pela primeira vez da sua raiva por guardas armados da ONU se terem recusado assistir o Presidente de Timor-Leste depois dele ter sido baleado.

Paulo Remédios falhou uma chamada do Sr Ramos Horta às 6.55 am no dia em que o Presidente foi baleado. Às 6.58 am, o irmão do Sr Ramos Horta, Arsénio, que estava Escondido dentro do complexo, ligou ao Sr Remédios a dizer que tinha ouvido dizer que o irmão tinha sido baleado.

Às 7.04 am, o Presidente ligou outra vez ao Sr Remedios quando estava deitado de cara para o chão no exterior do seu complexo. Desta vez ele recebeu a chamada. Ele pedia para ser salvo.

O Sr Remédios disse que a voz do Presidente era clara e firme. O conselheiro ligou imediatamente para a chamada Força Internacional de Estabilização liderada pelos Australianos e falou com ``uma pessoa de topo'' pedindo um helicóptero e apoio mas ``eles nem sequer apareceram''.

O Sr Remédios saiu da casa às 7.07 am e chegou até dois veículos da ONU estacionados a várias centenas de metros do complexo, donde se podia ouvir os tiros.

Disse que pediu aos oficiais da ONU para o acompanharem até ao Presidente mas ``eles recusaram-se a acompanhar-me''.

``Havia vários oficiais de nacionalidades diferentes, lá sentados, a falar nos seus rádios, com medo de irem comigo,'' disse o Sr Remédios. ``Eles foram cobardes.''

O Sr Remédios chegou à casa do Sr Ramos Horta e encontrou o Presidente deitado de cara para o chão e Arsénio a segurar os ferimentos do lado direito do seu irmão. Havia um guarda das F-FDTL (forças armadas) em pé ao lado do Presidente, mas nas proximidades tudo estava quieto.

O Sr Remédios, Arsénio Horta e a sobrinha do Presidente Ducle Horta Lemos começaram a tentar mudar o Presidente para dentro do seu veículo. Nessa altura, chegou uma equipa da GNR Portuguesa (polícia anti-motin), seguida por uma ambulância e a polícia Timorense. A polícia da ONU não tinha ainda vindo.

O Sr Remédios questionou porque é que a ISF nunca foi ao local, dado que o seu trabalho é providenciar segurança e estabilidade.

A Srª Horta Lemos disse que o Presidente se manteve consciente todo o tempo. Ela viajou com ele na ambulância onde ele disse duas vezes: ``Porque é que disparas contra mim''

O Sr Remédios disse que agora o Sr Ramos Horta estava ``numa condição muito boa''.

``Ele abriu os olhos e está consciente, entrando e saindo do sono,'' disse.

NOTA DE RODAPÉ:

Quando ouvimos o relato da equipa do INEM, o enfermeiro disse terem encontrado uma pessoa no chão ferida, que lhe deram os primeiros cuidados e que só depois o viraram e se aperceberam que se tratava do Presidente Ramos-Horta.

Como seria isso possível se quer o irmão e a sobrinha de Ramos-Horta lá estavam, assim como Paulo Remédios e um militar das FDTL?

Ou chegaram depois da GNR?

5 comentários:

Margarida disse...

Tradução:

Guardas da ONU `com medo de ajudar o presidente baleado'
The Australian – Quinta-feira, Fevereiro 21, 2008
Paul Toohey

Enquanto José Ramos Horta re-ganha a consciência e respire sem a assistência de máquinas num hospital em Darwin, o seu conselheiro de topo falou pela primeira vez da sua raiva por guardas armados da ONU se terem recusado assistir o Presidente de Timor-Leste depois dele ter sido baleado.

Paulo Remédios falhou uma chamada do Sr Ramos Horta às 6.55 am no dia em que o Presidente foi baleado. Às 6.58 am, o irmão do Sr Ramos Horta, Arsénio, que estava Escondido dentro do complexo, ligou ao Sr Remédios a dizer que tinha ouvido dizer que o irmão tinha sido baleado.

Às 7.04 am, o Presidente ligou outra vez ao Sr Remedios quando estava deitado de cara para o chão no exterior do seu complexo. Desta vez ele recebeu a chamada. Ele pedia para ser salvo.

O Sr Remédios disse que a voz do Presidente era clara e firme. O conselheiro ligou imediatamente para a chamada Força Internacional de Estabilização liderada pelos Australianos e falou com ``uma pessoa de topo'' pedindo um helicóptero e apoio mas ``eles nem sequer apareceram''.

O Sr Remédios saiu da casa às 7.07 am e chegou até dois veículos da ONU estacionados a várias centenas de metros do complexo, donde se podia ouvir os tiros.

Disse que pediu aos oficiais da ONU para o acompanharem até ao Presidente mas ``eles recusaram-se a acompanhar-me''.

``Havia vários oficiais de nacionalidades diferentes, lá sentados, a falar nos seus rádios, com medo de irem comigo,'' disse o Sr Remédios. ``Eles foram cobardes.''

O Sr Remédios chegou à casa do Sr Ramos Horta e encontrou o Presidente deitado de cara para o chão e Arsénio a segurar os ferimentos do lado direito do seu irmão. Havia um guarda das F-FDTL (forças armadas) em pé ao lado do Presidente, mas nas proximidades tudo estava quieto.

O Sr Remédios, Arsénio Horta e a sobrinha do Presidente Ducle Horta Lemos começaram a tentar mudar o Presidente para dentro do seu veículo. Nessa altura, chegou uma equipa da GNR Portuguesa (polícia anti-motin), seguida por uma ambulância e a polícia Timorense. A polícia da ONU não tinha ainda vindo.

O Sr Remédios questionou porque é que a ISF nunca foi ao local, dado que o seu trabalho é providenciar segurança e estabilidade.

A Srª Horta Lemos disse que o Presidente se manteve consciente todo o tempo. Ela viajou com ele na ambulância onde ele disse duas vezes: ``Porque é que disparas contra mim''

O Sr Remédios disse que agora o Sr Ramos Horta estava ``numa condição muito boa''.

``Ele abriu os olhos e está consciente, entrando e saindo do sono,'' disse.

NOTA DE RODAPÉ:

Quando ouvimos o relato da equipa do INEM, o enfermeiro disse terem encontrado uma pessoa no chão ferida, que lhe deram os primeiros cuidados e que só depois o viraram e se aperceberam que se tratava do Presidente Ramos-Horta.

Como seria isso possível se quer o irmão e a sobrinha de Ramos-Horta lá estavam, assim como Paulo Remédios e um militar das FDTL?

Ou chegaram depois da GNR?

Margarida disse...

Tradução:

Condutor de Gusmão conta fuga precipitada depois da emboscada
The Australian – Quinta-feira, Fevereiro 21, 2008
Paul Toohey

DILI -- ADOLFO Suarez dos Santos, condutor de Xanana Gusmão desde 2002, não tem dúvidas que os homens que emboscaram o seu patrão na semana passada tinham intenções letais. As duas balas alojadas nas traseiras do seu assento provam isso mesmo.

O Sr dos Santos revelou pela primeira vez como é que ele tirou o Primeiro-Ministro de Timor-Leste do caminho do perigo quando a sua caravana ficou debaixo de fogo pesado vindo de quarto ângulos ao bater no carro da frente, rasgando monte abaixo em três pneus e mais tarde encaminhando o seu patrão através do mato para a segurança.

Falando ao The Australian, ele disse que por volta das 6.15 am na última Segunda-feira, um dos conselheiros do Primeiro-Ministro, Joaquim Fonseca, lhe ligou a dizer que o complexo do Presidente José Ramos Horta estava sob ataque.

O Sr Fonseca, que vive perto da casa de Ramos Horta a leste de Dili, queria avisar o Sr Gusmão, que vive em Balibar, a cerca de 10 km por uma estrada sinuosa e estreita nos montes acima da capital. Mas o Sr Gusmão decidiu que iria para o seu gabinete em Dili, sem levar isso em consideração .

``Preparámos os carros para descer o monte,'' disse o Sr dos Santos.

``Ouvimos os tiros. O carro que estava à nossa frente parou e bloqueou a estrada para o carro do Primeiro-Ministro quando os guardas responderam com fogo da janela do seu lado. O Primeiro-Ministro estava apanhado numa cilada por detrás deste carro e não pode sair.''

O ataque visava principalmente o carro do Primeiro-Ministro, disse. ``Eu estava a trabalhar para sair de lá. Endireitei o meu carro (e) bati no veículo à frente, que estava a bloquear o meu caminho. Bati-lhe com força.''

O Sr dos Santos disse que o Sr Gusmão estava calmo. ``Ele apenas dizia, `Arranca, vai'. Os que faziam a emboscada estavam posicionados em quarto pontos em ambos os lados da estrada. Quando viram que não tinha morrido ninguém dentro do nosso veículo, começaram a disparar baixo. O pneu esquerdo da frente foi atingido quando ultrapassaram o carro à frente.

``Não podia saber quantos tiros atingiram o carro. Duas balas atingiram a parte detrás do meu assento mas não o atravessaram. O vidro detrás ficou partido. Estavam a tentar matar-me, mas não o conseguiram.''

O Sr dos Santos disse que o carro do Primeiro-Ministro não tinha janelas à prova de bala. Disse que o Sr Gusmão também nunca andava com telefone. A bateria do seu próprio telefone estava tão em baixo para ele ligar mas que mesmo que pudesse ter ligado, a sua prioridade era pôr o Sr Gusmão em Dili.

Eles guiaram o acidentado Toyota Prado cerca de 6 km para baixo até um local chamado Fatunabo, onde, declarou o Sr dos Santos o 4WD já não podia continuar. Ele mandou parar um camião cheio de gente. ``Disse ao motorista, `Por favor leve o Primeiro-Ministro e a nós para Dili','' disse.

Mas o Sr dos Santos estava ainda preocupado com a possibilidade duma emboscada numa curva mesmo à frente e percebeu que podia colocar em risco os passageiros do camião. Pediram ao camião para fazer a curva e que esperasse por eles no outro lado do vale.

O Sr Gusmão, o Sr dos Santos e o guarda armado caminharam durante cerca de 1 km através do mato enquanto pessoas emergiam de cabanas dispersas e começaram a segui-los. ``O Primeiro-Ministro disse-lhes para voltarem para as suas casas e ficarem lá,'' disse o Sr dos Santos.

``Disseram, `Sim, irmão'.''

O terceiro veículo na caravana tinha regressado para a residência do Primeiro-Ministro, onde a mulher Australiana do Sr Gusmão, Kirsty Sword-Gusmão, e os seus três filhos tinham estado também sob ataque.

O quarto veículo da caravana chegou e recolheu os três homens da beira da estrada. Disseram ao camião que esperava que não precisavam de ajuda e guiaram para Dili, onde o Sr Gusmão foi direito para encontros de segurança.

O Sr dos Santos não teve tempo de examinar quantas balas entraram no carro do Sr Gusmão.

The Australian examinou-o brevemente antes de ser mandado embora e ele não parecia ter sido perfurado. Mas o Procurador-Geral Longuinhos Monteiro disse que os veículos da caravana tinham sido perfurados por cerca de 45 balas, a maioria delas visando o carro do Sr Gusmão.

Ele disse que o segundo em comando do Major-General Alfredo Reinado, Tenente Gastão Salsinha, que negou fortemente qualquer envolvimento, tinha sido identificado positivamente, nos eventos em Balibar.

O Sr Monteiro disse que minutos antes da emboscada, o Tenente Salsinha e um outro amotinado se tinham aproximado da residência do Sr Gusmão e apontado as suas armas ao guarda da polícia. O Sr Monteiro disse que o guarda disse a eles: ``Se tiram a minha arma, têm de me matar.''

``Eles perguntaram, `Onde está o Primeiro-Ministro?' Eles disseram que o Primeiro-Ministro já tinha partido. O Salsinha pareceu que queria ir à parte traseira da casa, perguntando onde estavam a mulher e os miúdos do Primeiro-Ministro. De repente, ele voltou para trás e disparou um tiro para o ar.

O que é que isto significa? Isto era um sinal para os homens em baixo (fazerem) a emboscada.

``A nossa conclusão é que se Salsinha tivesse encontrado o Primeiro-Ministro em casa, teria levado ele vivo. Mas como ele já tinha saído, a decisão foi matá-lo.''

O Sr Monteiro disse também que 11 homens, incluindo Reinado, tinham ido à casa do Sr Ramos Horta – sete com espingardas, um com uma pistola e três que possivelmente eram condutores. Disse que havia evidência de terem sido disparados 75 tiros no complexo presidencial mas que estavam ``ainda a contar''.

Reinado foi morto na troca de tiros que deixou o Sr Ramos Horta a lutar pela sua vida num hospital de Darwin.

NOTA DE RODAPÉ:

Engraçado o que Longuinhos Monteiro vê que os militares não conseguem ver... Tantos furos de balas "invisíveis"...

E afinal Salsinha foi antes da emboscada a casa de Xanana? Mas afinal não foi ele que atacou Xanana?...

Anónimo disse...

parece muito confusso cada um escreve o que quer;
veja só o enfermeiro diz que eles que chegam primeiro e que encontrou ramos horta deitado com decubito ventral e o sr remedio diz que ele que chegou primeiro e encontrava se sobrinha e irmaão e mais um soldado fdtl .quem grande mitiroso de scnario ? o enfermeiro e GNR ou O sr remedio ?

Anónimo disse...

Esse Paulo Remédios é o maior aldrabão do mundo. É tão aldrabão que tem a cabeça a prémio em Macau. Por isso é que se refugiou em Timor-Leste.

Anónimo disse...

"The adviser immediately called the Australian-led International Stabilisation Force and spoke to ``a very senior person'' asking for a helicopter and support but ``they didn't ever show up''
[...]
Mr Remedios questioned why the ISF never showed up at the scene, given its job was to provide security and stability."

Que dizem a isto os responsáveis australianos? Nada. Este caso gravíssimo de negligência vai juntar-se aos outros: cairá no esquecimento.

Enquanto isso, os jornais australianos continuarão a reproduzir que nem uns papagaios os slogans do brigadeiro que dizem sempre o mesmo: as "ISF" estão em TL para manter a "estabilidade" e zelar pela segurança.

Estas declarações de Paulo Remédios, juntando-se a episódios anteriores, demonstram claramente que as "ISF" não estão nada preocupadas com a "estabilidade" nem com a segurança. Fazem o jogo de Xanana e passam a vida a intimidar e a espiar o povo timorense.

Tanto eles como a UNPOL são UMA CÁFILA DE COBARDES, com a diferença de que a UNPOL é só uma força policial. As "ISF", força militar, têm blindados, helicópteros e armamento pesado. Não hesitaram em atirar a matar contra civis no aeroporto; não tiveram pudor em deter o brigadeiro TMR e em revistá-lo. Mas não foram capazes de socorrer o PR. Se calhar, a ideia era mesmo deixá-lo morrer.

Estes tristes acontecimentos só vêm confirmar cada vez mais que as "ISF" são apenas uma força de ocupação.

Traduções

Todas as traduções de inglês para português (e também de francês para português) são feitas pela Margarida, que conhecemos recentemente, mas que desde sempre nos ajuda.

Obrigado pela solidariedade, Margarida!

Mensagem inicial - 16 de Maio de 2006

"Apesar de frágil, Timor-Leste é uma jovem democracia em que acreditamos. É o país que escolhemos para viver e trabalhar. Desde dia 28 de Abril muito se tem dito sobre a situação em Timor-Leste. Boatos, rumores, alertas, declarações de países estrangeiros, inocentes ou não, têm servido para transmitir um clima de conflito e insegurança que não corresponde ao que vivemos. Vamos tentar transmitir o que se passa aqui. Não o que ouvimos dizer... "
 

Malai Azul. Lives in East Timor/Dili, speaks Portuguese and English.
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