quinta-feira, fevereiro 07, 2008

MULHERES GNR ESTREIAM-SE EM TIMOR-LESTE

Lusa / SOL

Depois do Iraque, onde aprendeu a dar valor aos «pequenos nadas», Sandra Fernandes partiu hoje para Timor-Leste para cumprir nova missão. Com ela seguiram mais seis mulheres que integram o quinto contigente de militares da GNR que estará seis meses naquele território.

«Batalhei um bocadinho por isso. Afinal, quando entramos para a Guarda Nacional Republicana, entramos em pé de igualdade com os homens» , recordou Sandra Fernandes, em declarações, hora e meia antes de partir para a capital timorense, Díli, num voo comercial português fretado pelas Nações Unidas.

A jovem, de 31 anos, esteve no Iraque em 2004 e 2005. Partiu para Timor, deixando «família e amigos», com o sentimento de que será "uma missão que se passa melhor".
«É uma missão completamente diferente. No Iraque a preparação era mais rígida, intensiva, direccionada para um teatro de guerra» , precisou, acrescentando que em Timor estará vocacionada para fazer patrulhamentos na rua, conter eventuais manifestações ou agitações populares.

Para Timor, leva a experiência humana que se «engrandeceu» com «pequenos nadas» no Iraque.

«Nas missões aprendemos com as pessoas, valores, culturas, queremos ajudar» , sustentou, recordando que no Iraque ficou sensibilizada com crianças que queriam uma garrafa de água em vez de um brinquedo.
Pela primeira vez numa missão no estrangeiro, Nádia Batista, de 25 anos, partiu para Timor-Leste com a convicção de ser uma «experiência única».
«É bom para o nosso currículo, mas também é bom a nível monetário» , acabou por confessar, rodeada pela sobrinha e pelo irmão.

Nádia vai fazer o patrulhamento das ruas de Díli, tarefa que, no início, poderá causar estranheza entre os timorenses, um povo ainda muito machista, defende.
«Não sei o que esperam de nós, mulheres. Poderá parecer-lhes estranho uma mulher dar ordens... é uma questão de tempo» , avançou.
«Estou preparada para qualquer cenário» , garantiu, por sua vez, Ana Vaz, de 26 anos, comandante de um dos pelotões de manutenção da ordem pública.

Apesar de ser uma estreante em serviço fora de Portugal, a jovem tenente não tem medo, apenas «receio».

Não é o facto de Timor-Leste estar «mais calmo» que «me vai sossegar», sublinhou.
O quinto contigente do subagrupamento BRAVO da GNR, integrado na missão das Nações Unidas para Timor-Leste e que vai render 140 militares estacionados no território, inclui sete mulheres: uma oficial e seis praças.
Depois dos habituais beijos e abraços a familiares e amigos, os 128 militares, que se vão juntar a outros 12 que já se encontram em solo timorense, embarcaram no Boeing 757-200, da euroAtlantic, a primeira companhia portuguesa a ganhar um concurso da ONU para transporte de tropas para missões internacionais.
Antes de aterrar em Díli, o avião fará escala no Egipto e no Sri Lanka.

À saída do Aeroporto Militar de Figo Maduro, já passava da meia-noite, os militares em fila embarcavam mudos, discretos, enquanto cumprimentavam individualidades.
Com a habitual boina azul, que os identifica como tropas ao serviço das Nações Unidas, e mochila às costas, apenas destoavam num pormenor: quase todos levavam na mão uma malinha com o computador portátil que, afinal, os manterá ligados a Portugal até ao Verão.

1 comentário:

Anónimo disse...

É com tristeza que leio o que disse a GNR Nádia, pelos vistos vai para TL sem saber nada do país. A PNTL sempre teve mulheres policias e algumas são graduadas.
Era bom que se preparassem melhor.

Traduções

Todas as traduções de inglês para português (e também de francês para português) são feitas pela Margarida, que conhecemos recentemente, mas que desde sempre nos ajuda.

Obrigado pela solidariedade, Margarida!

Mensagem inicial - 16 de Maio de 2006

"Apesar de frágil, Timor-Leste é uma jovem democracia em que acreditamos. É o país que escolhemos para viver e trabalhar. Desde dia 28 de Abril muito se tem dito sobre a situação em Timor-Leste. Boatos, rumores, alertas, declarações de países estrangeiros, inocentes ou não, têm servido para transmitir um clima de conflito e insegurança que não corresponde ao que vivemos. Vamos tentar transmitir o que se passa aqui. Não o que ouvimos dizer... "
 

Malai Azul. Lives in East Timor/Dili, speaks Portuguese and English.
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