terça-feira, abril 08, 2008

U.S. support, Guterres' release called 'face-saving'

April 08, 2008
Abdul Khalik, The Jakarta Post, Jakarta

U.S. support for the final report of the Indonesia-Timor Leste Commission for Truth and Friendship (CTF) and the release of a former Timor Leste militia leader are face-saving efforts, says an expert.

University of Indonesia international relations expert Hariyadi Wirawan said Indonesia and the United States apparently wanted to say there were no gross human rights violations before and after the 1999 referendum in the then Indonesian province of East Timor, and all incidents from 1975 onward were not by design but by default.

"These are face-saving efforts of Indonesia and the United States. By saying the incidents were by default, they mean to say 'There's no one to blame, so let's just forget it and move on,'" he told The Jakarta Post on Monday.

U.S. Assistant Secretary of State Christopher Hill met last Friday with President Susilo Bambang Yudhoyono during his tour of Southeast Asia, which included stops in Indonesia and Timor Leste.

After the meeting, he said the United States would accept the findings of the commission probing killings by Indonesian troops during Timor Leste's break from Jakarta, despite a boycott of the process by the United Nations and criticism by rights groups.

"If it's good enough for East Timor and Indonesia, it should be good enough for us. What we want to see is reconciliation between Indonesia and East Timor. This is the way to go. If you look at East Timor's future, it needs a good relationship with Indonesia," Hill said.

After months of delay, the CTF is expected to present its final report to the presidents of both Indonesia and Timor Leste next week.

Presidential spokesman Dino Patti Djalal confirmed that Timor Leste was one of the topics, besides North Korea, Myanmar and the Middle East, discussed by the President and Hill. However, he stressed the independence of the CTF, saying the commission's work was an effort to seek truth so the two countries could work together in the future.

"The long delay of the commission to issue its final report shows there is genuine debate among its members. It shows they are independent," he said.

Hariyadi, however, questioned the coincidence of Hill's visit to Jakarta and Dili and the release of Eurico Guterres ahead of the release of the CTF's final report.

The Supreme Court cleared Guterres, the only person jailed over the violence surrounding East Timor's 1999 vote for independence, after it found he was not proven to have structural command to coordinate attacks.

"I think the events are all connected. If it is true, then the CTF's final credibility is under question as many will see there has been general pre-negotiation between the United States and Indonesia on the results," he said.

Hariyadi said the United States had an interest in speeding up the commission's work as many have accused it of pushing Soeharto to invade East Timor to stop the spread of communism in Southeast Asia after it couldn't prevent the fall of Vietnam to communism in 1975.

Many observers have suggested the United States would not allow the lack of justice over past rights abuses to hurt its growing ties with Indonesia, a nation seen as a counterbalance to China's growing clout in Asia.

"I am afraid the CTF final report will be designed to just make everybody happy," Hariyadi said.

International law expert at the University of Indonesia Hikmahanto Juwana said the CTF's final report would determine the fate of the human rights cases and future Indonesia-Timor Leste relations.

Tradução:

Apoio dos USA e libertação de Guterres chamados 'para salvar a face'

Abril 08, 2008
Abdul Khalik, The Jakarta Post, Jakarta

Apoio dos USA ao relatório final da Comissão Indonésia-Timor- Leste para a Verdade e a Amizade (CVA) e a libertação dum antigo líder das milícias de Timor-Leste são esforços para salvar a face, diz um perito.

O perito de relações internacionais da Universidade da Indonésia Hariyadi Wirawan disse que a Indonésia e os Estados Unidos queriam aparentemente dizer que houve grandes violações de direitos humanos antes e depois do referendo de 1999 na então província Indonésia de Timor-Leste, e que todos os incidentes desde 1975 não foram determinados mas por defeito.

"Estes são esforços para salvar a face da Indonésia e dos Estados Unidos. Ao dizerem que os incidentes foram por defeito eles querem dizer 'Não há ninguém a culpar, então vamos esquecer simplesmente e andar para a frente,'" disse na Segunda-feira ao The Jakarta Post.

O Secretário de Estado Assistente dos USA Christopher Hill encontrou-se na passada Sexta-feira com o Presidente Susilo Bambang Yudhoyono durante a sua viagem pela Ásia do Sudeste, que incluiu paragens na Indonésia e Timor-Leste.

Depois do encontro, disse que os Estados Unidos aceitariam as conclusões da comissão à investigação dos assassínios por tropas Indonésias durante a separação de Timor-Leste de Jacarta, apesar do boicote ao processo pelas Nações Unidas e de críticas por grupos de direitos.

"Se é suficientemente bom para Timor-Leste e Indonésia, deve ser suficientemente bom para nós. O que queremos ver é a reconciliação entre a Indonésia e Timor-Leste. Este é o caminho a seguir. Se olhar ao futuro de Timor-Leste, ele precisa duma boa relação com a Indonésia," disse Hill.

Depois de meses de atrasos, a CVA espera apresentar o seu relatório final aos presidentes da Indonésia e de Timor-Leste na próxima semana.

O porta-voz presidencial Dino Patti Djalal confirmou que Timor-Leste foi um dos tópicos para além da Coreia do Norte, Myanmar e o Médio Oriente, discutidos pelo Presidente e Hill. Contudo, ele sublinhou a independência da CVA, dizendo que o trabalho da comissão foi um esforço para procurar a verdade para que os dois países possam trabalhar juntos no futuro.

"A longa demora da comissão para emitir o relatório final mostra que há um debate genuíno entre os seus membros. Isso mostra que são independentes," disse.

Hariyadi, contudo, questionou a coincidência da visita de Hill a Jacarta e Dili e a libertação de Eurico Guterres antes da emissão do relatório final da CVA.

O Tribunal Supremo inocentou Guterres, a única pessoa que esteve presa por causa da violência que rodeou o referendo de Timor-Leste em 1999 para a independência, depois de ter concluído que não ficou provado que ele tinha o comando estrutural para coordenar ataques.

"Penso que os eventos estão todos ligados. Se isso é verdade então a credibilidade final da CVA sob questão, como muitos podem ver houve uma pré-negociação geral entre os Estados unidos e a Indonésia sobre os resultados," disse.

Hariyadi disse que os Estados Unidos tinham interesse em apressar o trabalho da comissão dado que muitos o têm acusado de empurrar Soeharto para invadir Timor-Leste para travar o espalhar do comunismo no Sudeste Asiático depois de não ter conseguido impedir a queda do Vietname para o comunismo em 1975.

Muitos observadores têm sugerido que os Estados Unidos não iriam permitir que a falta de justiça aos abusos de direitos no passado prejudicasse os seus laços crescentes com a Indonésia,uma nação vista como um contra-peso à crescente influência da China na Ásia.

"Receio que o relatório final da CVA foi feito de modo a deixar toda a gente feliz," disse Hariyadi.

O perito de lei internacional na Universidade da Indonésia Hikmahanto Juwana disse que o relatório final da CVA determinará o destino dos casos de direitos humanos e o futuro das relações Indonésia-Timor-Leste.

1 comentário:

Margarida disse...

Tradução:
Apoio dos USA e libertação de Guterres chamados 'para salvar a face'
Abril 08, 2008
Abdul Khalik, The Jakarta Post, Jakarta

Apoio dos USA ao relatório final da Comissão Indonésia-Timor- Leste para a Verdade e a Amizade (CVA) e a libertação dum antigo líder das milícias de Timor-Leste são esforços para salvar a face, diz um perito.

O perito de relações internacionais da Universidade da Indonésia Hariyadi Wirawan disse que a Indonésia e os Estados Unidos queriam aparentemente dizer que houve grandes violações de direitos humanos antes e depois do referendo de 1999 na então província Indonésia de Timor-Leste, e que todos os incidentes desde 1975 não foram determinados mas por defeito.

"Estes são esforços para salvar a face da Indonésia e dos Estados Unidos. Ao dizerem que os incidentes foram por defeito eles querem dizer 'Não há ninguém a culpar, então vamos esquecer simplesmente e andar para a frente,'" disse na Segunda-feira ao The Jakarta Post.

O Secretário de Estado Assistente dos USA Christopher Hill encontrou-se na passada Sexta-feira com o Presidente Susilo Bambang Yudhoyono durante a sua viagem pela Ásia do Sudeste, que incluiu paragens na Indonésia e Timor-Leste.

Depois do encontro, disse que os Estados Unidos aceitariam as conclusões da comissão à investigação dos assassínios por tropas Indonésias durante a separação de Timor-Leste de Jacarta, apesar do boicote ao processo pelas Nações Unidas e de críticas por grupos de direitos.

"Se é suficientemente bom para Timor-Leste e Indonésia, deve ser suficientemente bom para nós. O que queremos ver é a reconciliação entre a Indonésia e Timor-Leste. Este é o caminho a seguir. Se olhar ao futuro de Timor-Leste, ele precisa duma boa relação com a Indonésia," disse Hill.

Depois de meses de atrasos, a CVA espera apresentar o seu relatório final aos presidentes da Indonésia e de Timor-Leste na próxima semana.

O porta-voz presidencial Dino Patti Djalal confirmou que Timor-Leste foi um dos tópicos para além da Coreia do Norte, Myanmar e o Médio Oriente, discutidos pelo Presidente e Hill. Contudo, ele sublinhou a independência da CVA, dizendo que o trabalho da comissão foi um esforço para procurar a verdade para que os dois países possam trabalhar juntos no futuro.

"A longa demora da comissão para emitir o relatório final mostra que há um debate genuíno entre os seus membros. Isso mostra que são independentes," disse.

Hariyadi, contudo, questionou a coincidência da visita de Hill a Jacarta e Dili e a libertação de Eurico Guterres antes da emissão do relatório final da CVA.

O Tribunal Supremo inocentou Guterres, a única pessoa que esteve presa por causa da violência que rodeou o referendo de Timor-Leste em 1999 para a independência, depois de ter concluído que não ficou provado que ele tinha o comando estrutural para coordenar ataques.

"Penso que os eventos estão todos ligados. Se isso é verdade então a credibilidade final da CVA sob questão, como muitos podem ver houve uma pré-negociação geral entre os Estados unidos e a Indonésia sobre os resultados," disse.

Hariyadi disse que os Estados Unidos tinham interesse em apressar o trabalho da comissão dado que muitos o têm acusado de empurrar Soeharto para invadir Timor-Leste para travar o espalhar do comunismo no Sudeste Asiático depois de não ter conseguido impedir a queda do Vietname para o comunismo em 1975.

Muitos observadores têm sugerido que os Estados Unidos não iriam permitir que a falta de justiça aos abusos de direitos no passado prejudicasse os seus laços crescentes com a Indonésia,uma nação vista como um contra-peso à crescente influência da China na Ásia.

"Receio que o relatório final da CVA foi feito de modo a deixar toda a gente feliz," disse Hariyadi.

O perito de lei internacional na Universidade da Indonésia Hikmahanto Juwana disse que o relatório final da CVA determinará o destino dos casos de direitos humanos e o futuro das relações Indonésia-Timor-Leste.

Traduções

Todas as traduções de inglês para português (e também de francês para português) são feitas pela Margarida, que conhecemos recentemente, mas que desde sempre nos ajuda.

Obrigado pela solidariedade, Margarida!

Mensagem inicial - 16 de Maio de 2006

"Apesar de frágil, Timor-Leste é uma jovem democracia em que acreditamos. É o país que escolhemos para viver e trabalhar. Desde dia 28 de Abril muito se tem dito sobre a situação em Timor-Leste. Boatos, rumores, alertas, declarações de países estrangeiros, inocentes ou não, têm servido para transmitir um clima de conflito e insegurança que não corresponde ao que vivemos. Vamos tentar transmitir o que se passa aqui. Não o que ouvimos dizer... "
 

Malai Azul. Lives in East Timor/Dili, speaks Portuguese and English.
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