sexta-feira, fevereiro 22, 2008

TEMOS DE DAR TEMPO AO TEMPO MAS SABER A VERDADE

Blog Timor Lorosae Nação
Quinta-feira, 21 de Fevereiro de 2008
ACREDITEMOS QUE SOMOS CAPAZES, PORQUE SOMOS

Klaudio Berek

Felizmente nem tudo é ruim no que diz respeito a notícias relacionadas com Timor. Uma das boas notícias chegou-nos de Darwin e foi das melhores que nos últimos tempos os timorenses e o mundo receberam: Ramos Horta saiu do coma induzido e falou com a família!

Agora, menos preocupados, temos de dar tempo para que recupere absolutamente, de acordo com as perspectivas dos médicos e dos nossos desejos.

Uf, foi cá um susto!

Para além desta boa notícia ainda há outra: não se têm registado incidentes violentos de maior notoriedade em Timor. Isso é também é uma muito boa notícia.

Infelizmente tudo o resto é uma grande confusão. Ela ficou bem patenteada ontem na RTP quando o Presidente da República interino, Fernando Lasama Araújo, afirmou desconhecer a suspensão das actividades das FDTL no âmbito da “caça aos rebeldes”. Lamentável e inconcebível.

Evidentemente que a quem pertencia dar tal ordem era ao Comandante em Chefe das Forças Armadas, o PR interino, a mais ninguém. Então como é possível que ele, Presidente da República interino desconheça? Quem deu a ordem? Porque motivo as FDTL obedeceram a quem não tem poderes para lhes ordenar tal?

É grave, muito grave. Era bom que este assunto fosse esclarecido e que cada um se restringisse às suas competências, para não haver dúvidas. Sim, porque alguém extrapolou as suas competências e alguém obedeceu a quem não devia. Isso é indubitável e muito grave, repito.

Consta que quem deu a ordem foi o primeiro-ministro, por acumular a pasta da defesa… Mas não pode. Xanana tem de saber quais as suas competência ou continua a expor-se a que por todas estas acções indevidas o acusem por outras a que possa ser estranho, mas que encaixam perfeitamente no perfil.

Timor-Leste tem de ter nas suas mais altas hierarquias indivíduos que dêem o exemplo ao respeitarem o Estado de Direito e as regras constitucionais e democráticas, mesmo quando está sob a declaração de Estado de Sítio.

Xanana deve rever os seus impulsos e moderar os seus excessos no uso das competências que a Constituição lhe confere. É imprescindível que essa seja a prática e não o contrário, como está a ocorrer, como foi público, até com a PNTL. O abuso dos poderes é punível, está previsto na lei e não há PM ou PR que resista se não der o exemplo. Observância pela Constituição e contenção é o que importa praticar, jamais a violação das regras por parte das entidades constituintes dos órgãos governativos.

Isso será o garante da saída da maldita crise, caso contrário… adeus!

Não é por acaso que se estão a provar casos de abuso de responsáveis da PNTL, claro. O exemplo vem de cima!

O relatório preliminar da UNMIT foi ontem divulgado – só ontem! – e as conclusões a que podemos chegar é que houve efectivamente uma tentativa de emboscada a Xanana Gusmão.

Apesar de não haver testemunhas, o que é péssimo, estou crente que houve de facto “qualquer coisa”. O que foi, não conseguimos perceber. Até é muito provável que se destinasse só a pressionar Xanana.

Sinceramente, não estou a ver que o quisessem abater só com um atirador – como consta no relatório.

Este relatório é preliminar, temos de esperar por algo mais consistente. Contudo, é extemporâneo que façam as mais torpes acusações a Xanana sem que se saiba exactamente o que se passou naquela estrada. Há, de facto, certas coisas estranhas e alguns desacertos relativos às primeiras declarações do PM, mas o momento era de muita tensão e há que saber esperar por um relatório conclusivo, que não nos deixe em dúvidas.

Já no caso do presidente Ramos Horta tudo foi muito diferente, pelo que consta no relatório.

Pelos vistos havia mesmo a intenção de o matar. Quem tinha essa intenção, é que não está claro, naquele relatório.

Compete à balística proceder às peritagens que se impõem. Compete apreender a arma que alegadamente atingiu Reinado, assim como é importantíssimo encontrar a arma que disparou e ia matando o PR.

Cá está mais uma situação que dá lugar a termos muitas dúvidas: porque não foi logo apreendida e preservada a bom recato a arma que disparou e matou Alfredo Reinado? Compreende-se? As autoridades no local não sabiam que isso era importante?

Depois admiram-se que haja quem “imagine coisas”.

Sem precipitações, o melhor será aguardar. Depois cá estaremos.

Em relação ao desempenho dos senhores da ONU, penso que ninguém tem dúvidas sobre as incompetências reveladas. Então que coloquem em Timor quem seja competente.

Também o desempenho das ISF e UNPOL foram lastimáveis. Desempenho igual ou pior que o de um exército de segunda-linha, dos tempos coloniais.

Como sempre valeu-nos a competência da GNR. Daqueles é que deviam de estar lá mil!

Arsénio Horta, irmão do Presidente Horta, chamou-lhes cobardes. Diria mais, são autênticos vermes que estão em Timor para rechear as suas contas bancárias e nada mais.

Que alguém lhes ensine o caminho de regresso aos seus países, mas muito rapidamente, e que se encontre outra solução para a constituição de forças internacionais de segurança no nosso país, que inclua as nossas FDTL e PNTL para que de modo faseado se consiga a normalização dos seus desempenhos.

Fazendo uma auto-apreciação daquilo que constitui este pequeno texto considero que ainda há razões para admitir que um dia em Timor haverá paz e que vale a pena acreditar que somos capazes, apesar das interferências estrangeiras – cada vez mais flagrantes.

1 comentário:

h correia disse...

Eu diria que temos esperança de que chegue o dia em que não tenhamos de escrever mais comentários destes. Seria sinal de que finalmente Timor teria encontrado o caminho da paz e da estabilidade.

Traduções

Todas as traduções de inglês para português (e também de francês para português) são feitas pela Margarida, que conhecemos recentemente, mas que desde sempre nos ajuda.

Obrigado pela solidariedade, Margarida!

Mensagem inicial - 16 de Maio de 2006

"Apesar de frágil, Timor-Leste é uma jovem democracia em que acreditamos. É o país que escolhemos para viver e trabalhar. Desde dia 28 de Abril muito se tem dito sobre a situação em Timor-Leste. Boatos, rumores, alertas, declarações de países estrangeiros, inocentes ou não, têm servido para transmitir um clima de conflito e insegurança que não corresponde ao que vivemos. Vamos tentar transmitir o que se passa aqui. Não o que ouvimos dizer... "
 

Malai Azul. Lives in East Timor/Dili, speaks Portuguese and English.
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