sexta-feira, fevereiro 22, 2008

Parlamento Europeu condena eventuais "tentativas de aproveitamento da situação frágil"

Estrasburgo, França, 21 Fev (Lusa) - O Parlamento Europeu exortou hoje "todas as partes" em Timor-Leste a trabalhar em conjunto para restaurar a estabilidade social e política, condenando "quem tente tirar proveito da situação frágil" resultante dos ataques do passado dia 11.

A assembleia aprovou hoje à tarde, em Estrasburgo, uma moção conjunta, apresentada por cinco grupos políticos do hemiciclo - incluindo os dois principais, Partido Popular Europeu e Socialistas Europeus -, depois de um debate sobre a situação em Timor-Leste, em que os eurodeputados reclamaram uma investigação profunda ao sucedido.

A discussão no hemiciclo de Estrasburgo, realizada no quadro de debates sobre direitos humanos, democracia e Estado de Direito, foi agendada de urgência na semana passada, após o duplo atentado do passado dia 11, em que o chefe de Estado de Timor-Leste, José Ramos-Horta, foi gravemente ferido, enquanto o primeiro-ministro, Xanana Gusmão, saiu ileso de uma emboscada.

Na resolução hoje aprovada (por braço no ar), da autoria, entre outros, dos eurodeputados portugueses Ana Gomes e Emanuel Jardim Fernandes (ambos do PS) e José Ribeiro e Castro (CDS-PP), o Parlamento Europeu manifesta a sua preocupação pela "mensagem de impunidade e desrespeito pelo Estado de Direito" que poderá ter sido passada em nome da reconciliação nacional e levado a esta situação.

Desse modo, a assembleia "recomenda que as decisões e ordens dos tribunais sejam prontamente respeitadas e aplicadas pelas autoridades timorenses, com o apoio, sempre que necessário, das forças internacionais no país".

O Parlamento Europeu solicita também um inquérito aprofundado, no quadro da moldura constitucional e legal de Timor-Leste, com o necessário apoio e cooperação internacional, com vista a "clarificar todos os pormenores da aparente tentativa de golpe de Estado e falha do sistema de segurança" e levar à Justiça os autores dos ataques.

Reiterando a sua solidariedade às autoridades timorenses, a assembleia insta a União Europeia e comunidade internacional a manterem e reforçarem o seu apoio ao país e sublinha o papel "de importância vital" das Nações Unidas no processo de consolidação do Estado, bem como "a importância da conduta dos países vizinhos de Timor-Leste", dos quais espera que "respeitem a favoreçam a estabilidade" da sociedade timorense.

A assembleia "condena quem, em Timor-Leste, tentar tirar proveito da situação frágil" no território, ainda em estado de sítio, exortando todas as partes a cooperarem com os órgãos políticos que saíram das eleições presidencial e legislativas de 2007.

No debate participaram quatro deputados portugueses - Ana Gomes, Ribeiro e Castro, Carlos Coelho (PSD) e Pedro Guerreiro (PCP) - tendo o eurodeputado comunista explicado que o Grupo de Esquerda Unitária não subscreveu a moção conjunta dos restantes por esta "escamotear toda a ingerência externa que tem visado condicionar e moldar as livres escolhas do povo timorense" e por a própria resolução em si constituir "um repositório de ingerência nos assuntos internos deste país".

José Ramos-Horta foi ferido a tiro na sua residência, num ataque em foi morto o major Alfredo Reinado, antigo comandante da Polícia Militar e que estava fugido à Justiça, enquanto Xanana Gusmão escapou ileso a uma emboscada quando se deslocava entre Balíbar e Díli.

O presidente timorense encontra-se hospitalizado em Darwin, norte da Austrália, e já foi submetido a cinco intervenções cirúrgicas.

Na sequência dos ataques, as autoridades timorenses decretaram o estado de sítio no país, com recolher obrigatório entre as 20:00 e as 06:00, tendo hoje mesmo o Governo solicitado o seu prolongamento.

ACC.
Lusa/fim

2 comentários:

h correia disse...

BRAVO! Por esta tomada de posição do PE.

Este aviso claro e muito directo impunha-se para que a Austrália não pense que tem carta branca para fazer gato-sapato de Timor-Leste.

A partir de agora a UE, com todo o seu peso, está atenta ao que se passa e não permitirá (espero) abusos de potências estrangeiras.

Estam moção foi uma bofetada de luva branca aos "ISF" e aos políticos timorenses que pensam que podem obstruir a Justiça para cuidar dos seus interesses pessoais ou políticos.

Este é um exemplo de como Ana Gomes pode ser verdadeiramente útil a Timor. Assim, sim.

Anónimo disse...

Claro que o PCP nao subscreveu a mocao porqu o PCP sabe que agora e' a altura mais propicia para os seus camaradas da Fretilin aproveitarem a oportunidade para tirarem o maximo proveito politico da situacao trazendo mais uma vez a instabilidade ao pais para forcar a queda do governo da AMP.

Traduções

Todas as traduções de inglês para português (e também de francês para português) são feitas pela Margarida, que conhecemos recentemente, mas que desde sempre nos ajuda.

Obrigado pela solidariedade, Margarida!

Mensagem inicial - 16 de Maio de 2006

"Apesar de frágil, Timor-Leste é uma jovem democracia em que acreditamos. É o país que escolhemos para viver e trabalhar. Desde dia 28 de Abril muito se tem dito sobre a situação em Timor-Leste. Boatos, rumores, alertas, declarações de países estrangeiros, inocentes ou não, têm servido para transmitir um clima de conflito e insegurança que não corresponde ao que vivemos. Vamos tentar transmitir o que se passa aqui. Não o que ouvimos dizer... "
 

Malai Azul. Lives in East Timor/Dili, speaks Portuguese and English.
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