segunda-feira, fevereiro 18, 2008

Reforço dos efectivos da GNR em Timor obrigaria a uma reorganização na guarda

Público, 18.02.2008
David Andrade

Actualmente existem três companhias do Batalhão Operacional. Seria necessário criar mais uma através de outros meios da Guarda Nacional Republicana

O eventual reforço dos efectivos da GNR actualmente presentes em Timor-Leste obrigaria à criação de mais uma companhia do Batalhão Operacional da Guarda (Bop) através de outros meios da força militar. Neste momento, apenas existem três companhias desta força de elite da GNR, sendo que uma dessas companhias já se encontra em Timor-Leste, outra está de férias após ter terminado a sua missão no mesmo país e a terceira garante a ordem pública a nível interno.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, afirmou sexta-feira, à margem de uma conferência sobre o Tratado de Lisboa, que não seria tomada "qualquer decisão precipitada" sobre um possível envio de mais militares da GNR para Timor-Leste, na sequência dos ataques sofridos pelo Presidente timorense, Ramos-Horta, e pelo primeiro-ministro, Xanana Gusmão. Porém, se for requisitado a Portugal, no âmbito da missão das Nações Unidas, o reforço dos meios já existentes em Timor-Leste, será necessário, segundo o coronel Costa Cabral, porta-voz da GNR, criar uma quarta companhia do Bop (formada por três pelotões com cerca de 25 efectivos cada), através de outros meios da força militar.

O Bop é, recorde-se, uma força de elite do Regimento de Infantaria integrado no Sistema de Forças da GNR e, segundo o site oficial da Guarda, "todo o militar que manifeste interesse em integrar o Batalhão Operacional é sujeito a um conjunto de provas de selecção onde são avaliadas componentes físicas, psicológicas e biométricas". Actualmente, 438 homens fazem parte dessa força, após terem sido sujeitos a apertados e exigentes testes. Testes esses que não seria possível realizar num curto espaço de tempo.

No final do mês de Janeiro, Portugal enviou para Timor-Leste 128 militares do quinto contigente do Subagrupamento Bravo da GNR que se foram juntar a outros 12, que já se encontravam no país. Destes elementos, cerca de 75 fazem parte do Bop, a força que actua no terreno, como no caso da operação de socorro a Ramos-Horta. Os restantes efectivos da GNR presentes em Timor-Leste dedicam-se, quase na sua totalidade, a operações de logística e apoio. Com apenas três companhias formadas, o eventual envio de mais uma para Timor-Leste acabaria por avolumar ainda mais os problemas já existentes actualmente devido à falta de efectivos operacionais.

Com o envio, no final de Janeiro, de uma das companhias do Bop para Timor-Leste e a entrada em férias dos elementos que regressaram do mesmo país, apenas uma companhia está operacional a nível interno. Ou seja, até o regresso das férias da companhia que prestou serviço em Timor-Leste, apenas três pelotões garantem a segurança a nível interno - é necessário que fique todos os dias um pelotão de prevenção.

Contactado pelo PÚBLICO, o coronel Costa Cabral começou por afirmar que "ainda não foi pedido qualquer reforço" dos efectivos. No caso de tal vir a acontecer, o porta-voz da GNR garante que tal "é possível", através da formação de uma quarta companhia do Bop. Para a formação dessa nova companhia, Costa Cabral afirmou que poderiam ser recrutados elementos ao Regimento de Infantaria - que de momento se dedica apenas a missões de segurança na Assembleia da República ou no Ministério da Administração Interna (MAI), por exemplo - ou ao Grupo de Intervenção de Protecção e Socorro (tem como missão principal o ataque inicial a incêndios). Outra possibilidade avançada seria o regresso imediato dos efectivos do Batalhão Operacional que já estiveram em missão em Timor-Leste e se encontram neste momento de férias.

Em resposta ao PÚBLICO, o gabinete de imprensa do MAI afirmou, igualmente, que, "se essa for a decisão política , a GNR tem meios para reforçar o contingente em Timor".

A presença de uma companhia do Bop em Timor-Leste e o período de férias da que esteve em missão no mesmo país obrigou a que os efectivos da companhia que actua neste momento em Portugal alterassem o seu período de folgas, de modo a que fosse possível estar sempre um pelotão operacional.

2 comentários:

h correia disse...

Assim está bem. Gostei da sinceridade com que foram explicadas as limitações que impedem a satisfação do pedido de Lasama.

Cabe agora a Portugal pensar em alternativas para solucionar o problema, que podem incluir outro tipo de incremento na ajuda a TL, sem passar necessariamente pelo reforço da GNR.

Anónimo disse...

Pois se quando dizem " os efectivos do Batalhao Operacional que actua neste momento em Portugal obrigou que alterassem o seu periodo de folgas " a verdade e que ficam com menos 2 folgas em vez de 7 teem 5 e teem que fazer no minimo cada pelotao 260 horas mensais ai sim estavam a dizer a verdade e nao a ocultar informaçao pertinente 260 horas mensais e nem um obrigado.

Traduções

Todas as traduções de inglês para português (e também de francês para português) são feitas pela Margarida, que conhecemos recentemente, mas que desde sempre nos ajuda.

Obrigado pela solidariedade, Margarida!

Mensagem inicial - 16 de Maio de 2006

"Apesar de frágil, Timor-Leste é uma jovem democracia em que acreditamos. É o país que escolhemos para viver e trabalhar. Desde dia 28 de Abril muito se tem dito sobre a situação em Timor-Leste. Boatos, rumores, alertas, declarações de países estrangeiros, inocentes ou não, têm servido para transmitir um clima de conflito e insegurança que não corresponde ao que vivemos. Vamos tentar transmitir o que se passa aqui. Não o que ouvimos dizer... "
 

Malai Azul. Lives in East Timor/Dili, speaks Portuguese and English.
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