terça-feira, novembro 20, 2007

Timorenses em Coimbra preocupados com futuro dos licenciados

Diário de Coimbra - 18 Novembro 2007
Ana Margalho

Estudantes timorenses em Coimbra não sabem ainda o que fazer pelo seu país quando acabarem os seus cursos. A preocupação foi levantada por Félix Jesus, presidente da ATC, durante a visita a Coimbra de três elementos do Governo timorense

O presidente da Associação Académicos Timorenses de Coimbra (ATC) mostrou-se ontem preocupado com o futuro dos estudantes e recém-licenciados, nascidos em Timor, que frequentam a Universidade e o Ensino Politécnico em Coimbra, criticando o facto de não haver, por parte do Governo do seu país, «qualquer iniciativa concreta no sentido de, juntamente com os finalistas, encontrarem um projecto comum para o futuro de Timor».

«Nem eu sei, nem eles sabem, para onde irão trabalhar quando tiverem os diplomas nas mãos», desabafou Félix Jesus, recordando que a pobreza de Timor «não está na falta de petróleo, mármore ou café», mas sim «na falta de cérebros». O responsável da ATC falava ontem no Pavilhão Centro de Portugal (PCP), durante a cerimónia de recepção de Zacarias da Costa, Paulo Assis Belo e Bendito dos Santos Freitas, três elementos do Governo timorense que estão de visita a Portugal.

Congratulando-se com o facto de, dos 65 associados da ATC, 14 serem finalistas nas mais diversas áreas como Relações Internacionais, Geologia, Engenharia de Minas ou Mecânica, Direito, Ciências da Educação ou Medicina, Félix Jesus questionou os governantes timorenses sobre o nível de cooperação existente, neste momento, entre Timor e Portugal nesta área.

Isto porque, conforme anunciou, o número de caloiros na Universidade de Coimbra «teve uma descida drástica» nos últimos anos. Se em 2001 os alunos no primeiro ano eram 40, este ano apenas entrou um estudante timorense no Ensino Superior em Coimbra. «O que se passa com a cooperação entre Timor e Portugal nos últimos anos?», questionou o responsável, aproveitando para deixar uma sugestão ao ministro da Educação timorense, para que «desenvolva esforços para conhecer os finalistas, em Coimbra, um a um, para evitar a “fuga de cérebros” para outros países, quando eles são tão necessários em Timor».

Dois biliões de dólares nos cofres de Timor

O ministro dos Negócios Estrangeiros timorense concordou com a necessidade do Governo, em funções há pouco mais de três meses, apostar fortemente nos recursos humanos. Concordando com o presidente da ATC, Zacarias da Costa deixou claro que o problema de Timor «não é o dinheiro. Somos um país pobre, mas não nos falta dinheiro», afirmou, confirmando que o mais novo país do Mundo recebe mensalmente 100 milhões de dólares pela exploração do petróleo, tendo já nos seus cofres qualquer coisa como dois biliões de dólares.

«O mais importante é a capacidade de aplicar o dinheiro», continuou o fundador do PSD de Timor, deixando claro, no entanto, que mais do que formar pessoas, «é preciso incutir nelas a vontade de participarem activamente na reforma do seu país». «Só assim daremos um passo significativo no sentido da qualidade», afirmou. Zacarias da Costa avisou ainda as dezenas de estudantes presentes no PCP de que «a integração no mercado de trabalho em Timor não pode ser só no sector público», e que «é preciso dar prioridade ao desenvolvimento do sector privado».

Uma questão que obteve a concordância de Bendito dos Santos Freitas, secretário de Estado da Educação e Formação Profissional timorense, que reforçou a necessidade de não se olhar para o Estado como «a única garantia de trabalho para todos». De tal maneira, que o Governo de Timor se prepara para criar incentivos para jovens que promoverem o auto-emprego e que criarem novos postos de trabalho para outros cidadãos timorenses.

A sessão contou ainda com a presença do vice-ministro da Educação timorense, Paulo Assis Belo, que confirmou a aposta do Governo no cumprimento da Constituição e, portanto, em fazer da Língua Portuguesa a língua oficial de Timor. Na área da Educação, e no que diz respeito ao emprego, o governante confirmou a existência de necessidades concretas de professores na área da Matemática, Física e Química e Biologia. «Se há finalistas nestas áreas, dou a garantia que serão recebidos pelo Ministério da Educação, porque precisamos deles», rematou.

1 comentário:

Margarida disse...

As contradições de três governantes:

Diz o Zacarias “que o problema de Timor «não é o dinheiro. Somos um país pobre, mas não nos falta dinheiro», pois TL “recebe mensalmente 100 milhões de dólares pela exploração do petróleo, tendo já nos seus cofres qualquer coisa como dois biliões de dólares”. «O mais importante é a capacidade de aplicar o dinheiro».

Replica o Bendito, “que reforçou a necessidade de não se olhar para o Estado como «a única garantia de trabalho para todos». De tal maneira, que o Governo de Timor se prepara para criar incentivos para jovens que promoverem o auto-emprego e que criarem novos postos de trabalho para outros cidadãos timorenses”.

Conclui o Belo, “«Se há finalistas nestas áreas, dou a garantia que serão recebidos pelo Ministério da Educação, porque precisamos deles»”.

Claro que o Zacarias se esqueceu de dizer que os 100 milhões de dólares são receitas do Fundo do Petróleo que ele tanto criticou na campanha eleitoral e que este governo do Xanana prometeu dar cabo, mas agora afinal são o único trunfo que mostram com orgulho no estrangeiro, a obra do Alkatiri, o 3º melhor fundo do mundo e o 2º em transparência. E que as suas receitas seriam para aplicar nos 400 projectos do Plano de Desenvolvimento Nacional aprovados igualmente no tempo do I Governo da Fretilin e que estão há ano e meio parados por causa da violência que eles desencadearam.

Igualmente o Bendito se esqueceu que quer o Fundo quer o Plano de Desenvolvimento foram aprovados colectivamente e que isso mesmo prova a vantagem do trabalho da colectividade, da comunidade sobre iniciativas dispersas e individuais.

E o Belo afinal acaba por confirmar que há áreas cruciais como a educação, a saúde, a luta pelo desenvolvimento e contra a pobreza onde o papel do Estado é não apenas crucial como essencial e donde o Estado não deve largar a liderança.


Para alguma coisa serviu a visita a Portugal. Finalmente perceberam o alcance destas medidas históricas tomadas pelo I Governo da Fretilin: o Fundo do Petróleo e o Plano de Desenvolvimento Nacional.

Traduções

Todas as traduções de inglês para português (e também de francês para português) são feitas pela Margarida, que conhecemos recentemente, mas que desde sempre nos ajuda.

Obrigado pela solidariedade, Margarida!

Mensagem inicial - 16 de Maio de 2006

"Apesar de frágil, Timor-Leste é uma jovem democracia em que acreditamos. É o país que escolhemos para viver e trabalhar. Desde dia 28 de Abril muito se tem dito sobre a situação em Timor-Leste. Boatos, rumores, alertas, declarações de países estrangeiros, inocentes ou não, têm servido para transmitir um clima de conflito e insegurança que não corresponde ao que vivemos. Vamos tentar transmitir o que se passa aqui. Não o que ouvimos dizer... "
 

Malai Azul. Lives in East Timor/Dili, speaks Portuguese and English.
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