terça-feira, janeiro 22, 2008

Teenage street kids among victims of ETimor turmoil

21.01.2008
18 hours ago

DILI (AFP) — Fifteen-year-old Dominggos Obe hawks colourful shaved ices from a three-wheeled cart in East Timor's capital, one of a stream of youths arriving here from his poor hometown seeking a better life.

Obe, who sports dyed yellow hair and gaudy earrings, left his home in Oecussi, about 12 hours by ferry or bus from Dili, in July 2006 after his labourer father said he could no longer support him.

"'Later, when you have money, you can continue your schooling,' my father told me," Obe tells AFP.

Obe's boss is an Indonesian in West Timor who pays him 40 dollars a month, but charges him eight dollars a day to rent the cart.

"If I am lucky and can get more than that, the rest is for me," says the teenager, who sleeps in a tent at a church, one of the camps for displaced people set up after East Timor's 2006 unrest.
The exodus from Oecussi began in earnest after the unrest in April and May 2006, which saw East Timor, already one of the world's poorest nations, suffer further as rival security factions clashed and spilled blood on the streets.

The violence killed 37 and forced more than 150,000 people to flee their homes, with most still living in camps despite the presence of international peacekeepers and UN police deployed to restore and maintain calm.

Oecussi is an impoverished area of some 2,700 square kilometres (1,080 square miles) surrounded by Indonesia's West Timor province.

The quirk of its existence is historical: Oecussi was the arrival point of Portuguese Dominican missionaries to Timor in the middle of the 16th century, from where they spread their Roman Catholic religion.

Though the colony was integrated into Indonesia without protest in 1976, politically it remained closely connected to East Timor and became part of it upon independence in 2002.

Rice is more expensive in the enclave -- 25 dollars a sack compared to 10 dollars in Dili, the children say -- because of transportation costs. Importing is difficult as nearby countries also seek to buy rice, UN officials have said.

-- 'I hope one day we can return to school'

In the sleepy seaside city of Dili, the scores of Oecussi teens are easy to find. Many pass in front of the seafront palace of Prime Minister Xanana Gusmao by day, and groups sleep by the national police headquarters by night.

Octo Tout, 15, left high school in Oecussi last September and says he wants to "make it" in Dili, though he clings to the hope that one day he can return to school, and then become a soldier.
"I hope that one day someone from the government will come, give us attention and help us to return to school," he says.

Tout arrived here with two brothers and together they ply the streets daily selling snacks, soft drinks, cigarettes and sweets. Tout's 17-year-old brother completed primary school but his younger brother, 14, had no schooling at all.

The three came to Dili with 60 dollars from their widowed mother and a three-wheeled cart, and rent a room for 15 dollars a month.

"My mother wasn't able to pay for our school anymore," Tout says.

"I'm sad, because I can't continue my education like other children and so I've lost the chance for a better future, but I have no other choice," he says.

With a profit of 10 to 15 dollars each day, the three can send around 150 dollars home to their mother each month.

Typically the money children send home supports not just their immediate but also extended families, which tend to be large in the mainly Catholic nation.

The pressure they feel to send all available cash is great and though the amount they earn can be high by national levels, it does not go far in Dili, where expenses quickly add up.

Justinho Babo Soares, from the Oratori Dom Bosco Catholic foundation, the only organisation focused on helping street children here, says the government should pay more attention to their plight and help them get back to school.

The children from Oecussi, however, pose a special challenge, he says.

"With children from Oecussi... we have tried to put them in school or give them training but it doesn't work because they are already too used to having money and so they go back to selling on the street," Soares says.

"This is because of the condition of their families, which are so poor that (the teenagers) feel they have to help support them," he says.

East Timor's President Jose Ramos-Horta says parents should play a role in bringing their children in from the streets, but he was working on the issue.

"Tomorrow and in the future, I will continue to look out for them and tell these children that the president will do his best so that they will no longer be on the streets," he tells AFP.

Tradução:

Adolescentes meninos de rua entre as vítimas da desordem em Timor-Leste

21.01.2008
18 horas atrás

DILI (AFP) —Dominggos Obe de quinze anos, vende pelas ruas cubos de gelo coloridos numa carreta com três rodas na capital de Timor-Leste, um dos muitos jovens que lá chegaram da sua pobre cidade natal à procura duma vida melhor.

Obe, que usa o cabelo pintado de amarelo e brincos berrantes, deixou a sua casa em Oecussi, acerca de 12 horas por ferry ou autocarro d Dili, em Julho de 2006 depois do seu pai trabalhador ter dito que já não podia apoiá-lo mais.

"'Mais tarde, quando tiveres dinheiro, podes continuar os teus estudos,' disse-me o meu pai," diz Obe à AFP.

O patrão de Obe é um Indonésio no Timor Oeste que lha paga 40 dólares por mês, mas que lhe leva oito dólares por dia pelo aluguer da carreta.

"Se tiver sorte e fizer mais do que isso, o resto é para mim," diz o adolescente, que dorme numa tenda numa igreja, num dos campos de deslocados montados depois do desassossego de 2006 em Timor-Leste.

O êxodo de Oecussi começou a sério em Abril e Maio de 2006, que viu Timor-Leste, já uma das nações mais pobres do mundo, a sofrer mais, quando facções rivais das forças de segurança se confrontaram e derramaram sangue nas ruas.

A violência matou 37 e forçou mais de 150,000 pessoas a fugirem das suas casas, com a maioria a viver ainda nos campos apesar da presença de tropas internacionais e da polícia da ONU destacada para restaurar e manter a calma.

Oecussi é uma área empobrecida de alguns 2,700 quilómetros quadrados (1,080 milhas quadradas) cercada pela província Indonénia do Timor Oeste.

O costume da sua existência é histórico: Oecussi foi o ponto de chegada dos missionários Dominicanos a Timor em meados do século 16t, a partir de onde espalharam a sua religião Católico Romana.

Apesar da colónia ter sido integrada na Indonésia sem protesto em 1976, politicamente manteve-se ligada a Timor-Leste e manteve-se parte dele quando da independência em 2002.

O arroz é maia caro no enclave -- 25 dólares a saca comparado com os 10 dólares em Dili, dizem as crianças – por causa dos custos dos transportes. A importação é difícil dado que os paízes vizinhoa tentam também comprar arroz, têm dito funcionários da ONU.

-- 'Tenho esperança que um dia possa voltar à escola'

Na cidade à beira mar ensonada, Dili, os bandos de adolescentes de Oecussi são fáceis de encontrar. Muitos durante o dia passam pelo palácio frente ao mar do Primeiro-Ministro Xanana Gusmão, e os grupos dormem à noite no quartel da polícia nacional.

Octo Tout, de 15 anos, deixou o liceu em Oecussi em Setembro ultimo e diz que quer "fazer-se " em Dili, apesar de se agarrar à esperança de um dia poder voltar à escola e depois tornar-se soldado.

"Tenho esperança que um dia venha alguém do governo, que nos dê atenção e que nos ajudem a voltar para a escola," diz.

Tout chegou aqui com dois irmãos e juntos brincam nas ruas e juntos correm as ruas diariamente a vender snacks, refrigerantes, cigarros e doces. O irmão de 17 anos de Tout completou a escola primária mas o seu irmão mais novo, não fez estudos nenhuns.

Os três vieram para Dili com 60 dólares da sua mãe viúva e uma carreta de três rodas, e alugaram um quarto por 15 dólares por mês.

"A minha mãe já não conseguia mais pagar a nossa escola," diz Tout.

"Estou triste porque não posso continuar a minha educação como as outras crianças e por isso perdi a oportunidade de um futuro melhor, mas não tenho outra escolha," diz.

Com um lucro de 10 a 15 dólares por dia, os três podem enviar à volta de 150 dólares para casa, para a mãe, todos os meses.

Habitualmente o dinheiro que as crianças mandam para casa apoio não apenas a sua família mais próxima mas também a mais afastada, que têm tendência a serem grandes em muitas nações Católicas.

É grande a pressão que sentem para enviarem todo o dinheiro disponível e apesar da quantia que ganham ser elevada de acordo com os níveis nacionais, isso não os leva longe em Dili, onde as despesas se acumulam rapidamente.

Justinho Babo Soares, da fundação Católica Oratori Dom Bosco, a única organização que se dedica a ajudar os meninos da rua aqui, diz que o governo devia prestar maior atenção à sua luta e ajudá-las a voltar à escola.

As crianças de Oecussi, contudo, colocam um desafio especial, diz.

"Com as crianças de Oecussi... tentámos pô-las na escola ou dar-lhes formação mas isso não resulta porque já se habituaram a ter dinheiro e por isso voltam para a venda nas ruas," diz Soares.

"Isso acontece por causa da condição das suas famílias, que são tão pobres que (os adolescentes) sentem que têm que os apoiar," diz.

O Presidente de Timor-Leste José Ramos-Horta diz que os pais devem ter um papel em trazer essas crianças das ruas, mas que está a trabalhar no assunto.

"Amanhã e no futuro, continuarei a olhar por eles e digo a essas crianças que o presidente fará o seu melhor para que não precisem mais de estar nas ruas," diz à AFP.

1 comentário:

Margarida disse...

Tradução:
Adolescentes meninos de rua entre as vítimas da desordem em Timor-Leste
21.01.2008
18 horas atrás

DILI (AFP) —Dominggos Obe de quinze anos, vende pelas ruas cubos de gelo coloridos numa carreta com três rodas na capital de Timor-Leste, um dos muitos jovens que lá chegaram da sua pobre cidade natal à procura duma vida melhor.

Obe, que usa o cabelo pintado de amarelo e brincos berrantes, deixou a sua casa em Oecussi, acerca de 12 horas por ferry ou autocarro d Dili, em Julho de 2006 depois do seu pai trabalhador ter dito que já não podia apoiá-lo mais.

"'Mais tarde, quando tiveres dinheiro, podes continuar os teus estudos,' disse-me o meu pai," diz Obe à AFP.

O patrão de Obe é um Indonésio no Timor Oeste que lha paga 40 dólares por mês, mas que lhe leva oito dólares por dia pelo aluguer da carreta.

"Se tiver sorte e fizer mais do que isso, o resto é para mim," diz o adolescente, que dorme numa tenda numa igreja, num dos campos de deslocados montados depois do desassossego de 2006 em Timor-Leste.
O êxodo de Oecussi começou a sério em Abril e Maio de 2006, que viu Timor-Leste, já uma das nações mais pobres do mundo, a sofrer mais, quando facções rivais das forças de segurança se confrontaram e derramaram sangue nas ruas.

A violência matou 37 e forçou mais de 150,000 pessoas a fugirem das suas casas, com a maioria a viver ainda nos campos apesar da presença de tropas internacionais e da polícia da ONU destacada para restaurar e manter a calma.

Oecussi é uma área empobrecida de alguns 2,700 quilómetros quadrados (1,080 milhas quadradas) cercada pela província Indonénia do Timor Oeste.

O costume da sua existência é histórico: Oecussi foi o ponto de chegada dos missionários Dominicanos a Timor em meados do século 16t, a partir de onde espalharam a sua religião Católico Romana.

Apesar da colónia ter sido integrada na Indonésia sem protesto em 1976, politicamente manteve-se ligada a Timor-Leste e manteve-se parte dele quando da independência em 2002.

O arroz é maia caro no enclave -- 25 dólares a saca comparado com os 10 dólares em Dili, dizem as crianças – por causa dos custos dos transportes. A importação é difícil dado que os paízes vizinhoa tentam também comprar arroz, têm dito funcionários da ONU.

-- 'Tenho esperança que um dia possa voltar à escola'

Na cidade à beira mar ensonada, Dili, os bandos de adolescentes de Oecussi são fáceis de encontrar. Muitos durante o dia passam pelo palácio frente ao mar do Primeiro-Ministro Xanana Gusmão, e os grupos dormem à noite no quartel da polícia nacional.

Octo Tout, de 15 anos, deixou o liceu em Oecussi em Setembro ultimo e diz que quer "fazer-se " em Dili, apesar de se agarrar à esperança de um dia poder voltar à escola e depois tornar-se soldado.
"Tenho esperança que um dia venha alguém do governo, que nos dê atenção e que nos ajudem a voltar para a escola," diz.

Tout chegou aqui com dois irmãos e juntos brincam nas ruas e juntos correm as ruas diariamente a vender snacks, refrigerantes, cigarros e doces. O irmão de 17 anos de Tout completou a escola primária mas o seu irmão mais novo, não fez estudos nenhuns.

Os três vieram para Dili com 60 dólares da sua mãe viúva e uma carreta de três rodas, e alugaram um quarto por 15 dólares por mês.

"A minha mãe já não conseguia mais pagar a nossa escola," diz Tout.

"Estou triste porque não posso continuar a minha educação como as outras crianças e por isso perdi a oportunidade de um futuro melhor, mas não tenho outra escolha," diz.

Com um lucro de 10 a 15 dólares por dia, os três podem enviar à volta de 150 dólares para casa, para a mãe, todos os meses.

Habitualmente o dinheiro que as crianças mandam para casa apoio não apenas a sua família mais próxima mas também a mais afastada, que têm tendência a serem grandes em muitas nações Católicas.

É grande a pressão que sentem para enviarem todo o dinheiro disponível e apesar da quantia que ganham ser elevada de acordo com os níveis nacionais, isso não os leva longe em Dili, onde as despesas se acumulam rapidamente.

Justinho Babo Soares, da fundação Católica Oratori Dom Bosco, a única organização que se dedica a ajudar os meninos da rua aqui, diz que o governo devia prestar maior atenção à sua luta e ajudá-las a voltar à escola.

As crianças de Oecussi, contudo, colocam um desafio especial, diz.

"Com as crianças de Oecussi... tentámos pô-las na escola ou dar-lhes formação mas isso não resulta porque já se habituaram a ter dinheiro e por isso voltam para a venda nas ruas," diz Soares.

"Isso acontece por causa da condição das suas famílias, que são tão pobres que (os adolescentes) sentem que têm que os apoiar," diz.

O Presidente de Timor-Leste José Ramos-Horta diz que os pais devem ter um papel em trazer essas crianças das ruas, mas que está a trabalhar no assunto.

"Amanhã e no futuro, continuarei a olhar por eles e digo a essas crianças que o presidente fará o seu melhor para que não precisem mais de estar nas ruas," diz à AFP.

Traduções

Todas as traduções de inglês para português (e também de francês para português) são feitas pela Margarida, que conhecemos recentemente, mas que desde sempre nos ajuda.

Obrigado pela solidariedade, Margarida!

Mensagem inicial - 16 de Maio de 2006

"Apesar de frágil, Timor-Leste é uma jovem democracia em que acreditamos. É o país que escolhemos para viver e trabalhar. Desde dia 28 de Abril muito se tem dito sobre a situação em Timor-Leste. Boatos, rumores, alertas, declarações de países estrangeiros, inocentes ou não, têm servido para transmitir um clima de conflito e insegurança que não corresponde ao que vivemos. Vamos tentar transmitir o que se passa aqui. Não o que ouvimos dizer... "
 

Malai Azul. Lives in East Timor/Dili, speaks Portuguese and English.
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