terça-feira, abril 01, 2008

Indonésia vai treinar comandantes da Polícia Nacional

Díli, 31 Mar (Lusa) - A Indonésia vai treinar os oficiais superiores da Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL), afirmou hoje à agência Lusa o secretário de Estado da Segurança timorense, Francisco Guterres.

"Os comandantes terão treino na Indonésia", anunciou Francisco Guterres na Academia de Polícia, em Díli, à margem da cerimónia de início da formação de instrutores da PNTL pela GNR.

A formação de cem oficiais superiores timorenses na Indonésia, com a duração de meio ano, será feita em Jacarta ou em Bali, após uma certificação de qualidade do curso feita por assessores de segurança australianos.

"Queriam mandar os líderes da PNTL para Portugal mas eles não falam a língua (portuguesa). Falam mais o indonésio e por isso discutimos com a Indonésia para organizar o curso", explicou o secretário de Estado da Segurança timorense.

Segundo Francisco Guterres, já existe um memorando de entendimento entre os governos timorense e indonésio e o acordo definitivo para a formação dos oficiais deverá ser concretizado em Abril.

O curso permitirá a escolha dos futuros comandantes da PNTL, que, desde a crise de 2006 e a implosão da instituição, tem uma estrutura de comando interina que depende da Polícia das Nações Unidas e da Missão Integrada da ONU em Timor-Leste (UNMIT).

"Será um curso de liderança para tomarem decisões efectivas em situações difíceis", explicou Francisco Guterres. "Se os comandantes da Polícia não tiverem essa capacidade de tomada de decisões, estragamos toda a instituição".

"Agora temos um comandante interino", explicou o secretário de Estado quando questionado sobre a possibilidade da efectivação do inspector Afonso de Jesus como comandante da PNTL.

"Um comandante interino não faz nada. Só fica lá e não pode tomar decisões. Queremos apressar isto para ter uma estrutura definitiva", acrescentou Francisco Guterres, aludindo ao processo de certificação e formação da PNTL pela UNPol.

"No final do ano 2008, teremos a estrutura da PNTL completa. Se o processo de 'mentoring' (acompanhamento) se estende por mais meio ano ou até para além disso, a estrutura pode ficar paralisada".

Francisco Guterres ressalvou que "o Governo está satisfeito com o actual processo de certificação mas temos que apressá-lo, porque às vezes a resolução de problemas cria novos problemas".

"O processo é bom e pode ajudar a uma reconstrução da PNTL. Mas não podemos ficar parados à espera de pessoas para colocar nas estruturas que estamos a organizar", explicou Francisco Guterres.

O governante timorense sublinhou que "o 'mentoring' não é muito efectivo e é muito demorado. Há polícias que estão em subdistritos onde não há UNPol e que podem lá ficar para sempre à espera de acompanhamento".

Neste momento, o Governo timorense discute com as chefias da UNPol em Díli e com o Departamento de Operações de Manutenção de Paz da ONU, em Nova Iorque, a alteração do modelo de certificação da PNTL.

A formação de instrutores pela GNR, segundo Francisco Guterres, insere-se no novo rumo que o Governo pretende imprimir à reconstrução e reforma da PNTL.

A GNR iniciou hoje a formação do primeiro curso de 31 elementos e fará a formação directa de um segundo grupo.

Os 62 instrutores timorenses serão responsáveis pela instrução de todos os elementos da Polícia, afirmou o secretário de Estado da Segurança.

"É uma instrução de instrutores, um curso de três meses em que o objectivo é incutir o espírito de corpo e disciplina nos elementos e prepará-los para dar instrução futura na PNTL", afirmou à agência Lusa o tenente Luís Fernandes da GNR.

Instrutores da GNR deram, anteriormente, formação em ordem pública a 60 elementos da Unidade de Intervenção Rápida (UIR) da PNTL.

Francisco Guterres rejeitou qualquer conflito de competências entre a UIR e a Task Force, uma unidade especial da PNTL criada em Dezembro para o distrito de Díli.

"Ao nível do Comando Geral (da PNTL) temos a UIR. Ao nível dos distritos, temos a Task Force. Se a UIR não pode resolver, chamamos a Polícia Militar. É um mecanismo claro.

O comandante do distrito (da PNTL) vai ser o coordenador no terreno desta actuação", explicou Francisco Guterres.

O secretário de Estado mostrou-se "satisfeito" com a actuação da Task Force nos primeiros meses.

"A Task Force está a fazer um bom trabalho porque foi estabelecida para proteger os fracos e as vítimas. Não foi (criada) para proteger os bandidos", declarou Francisco Guterres.

"Antes da Task Force, uma pessoa ia com uma faca e matava uma pessoa sem protecção", exemplificou o secretário de Estado, citando um "caso chocante" ocorrido recentemente no centro da capital.

"Não há problemas com a Task Force, que ajudou muito a dar uma segurança à população", adiantou.

"O que vamos é melhorar as atitudes. Alguns gritam pelos direitos humanos. Vamos ver isto. Teremos treino especializado para isso. Mas precisamos de uma Task Force forte", disse também o secretário de Estado da Segurança.

"Estamos num estado de recuperação da confiança dos membros da PNTL entre si, que foi destruída em 2006, entre oficiais e agentes", afirmou Francisco Guterres sobre o actual momento da Polícia.

"Agora começam a ganhar confiança e a desenvolver o espírito de corpo e a pensar que a PNTL é uma instituição do Estado que tem que contribuir para a estabilidade do país", frisou

Para o secretário de Estado da Segurança, "a outra fase é mexer nas mentalidades e atitudes".


PRM.
Lusa/fim

3 comentários:

Anónimo disse...

Sera que isto e uma Brincadeira do 1 de Abril?

Se nao for so estamos a fazer mais uma vez salada Russa. Formar na Indonesia e aprender o curso de Oan Roko.

Tenham Juizoe aprenda mais e a falar a Lingua Oficial.

Anónimo disse...

Fantástico! A maior parte dos problemas da Polícia Nacional derivam do facto de muitos dos seus dirigentes e quadros virem do tempo da Indonésia.
Como é reconhecido de todos ( :-) ) o seu comportamento é sempre exemplar e um modelo de eficácia e respeito dos direitos dos cidadãos. E agora vão aprender na Indonésia o resto da lição que não aprenderam até 1999.
Triste o país que tem tais dirigentes!...Abençoados os pobres de espírito porque deles será o Reino dos Céus!...
E já agora: já que Mr. X aprecia tanto a política de desenvolvimento de Suharto porque não mandam para lá fazer um curso completo? Mas não o deixem voltar sem completar todo o plano de estudos... de 25 anos! É para aprender bem porque senão fica tudo "colado com cuspinho de cegonha"...

h correia disse...

Diz Lasama: "Será um curso de liderança para tomarem decisões efectivas em situações difíceis".

Meu caro Sr. "Presiden": "cursos de liderança" desses fartaram-se os timorenses de receber durante 24 anos. Mais ainda? É de masoquista. E que estão lá a fazer os australianos? A "certificação de qualidade"? Importa-se de explicar melhor?

A PNTL está "órfã", com um comandante interino que "só fica lá e não pode tomar decisões"???

Mas o comandante "não interino" está lá, no PN. E olhe que ele já tem o tal "curso de liderança" dos indonésios, tirado antes de 1999...

Quanto ao "problema" do desconhecimento de uma das línguas oficiais do país, não seria melhor ensiná-la? E como é que esses oficiais superiores vão depois emitir as decisões oralmente e por escrito? E como vão perceber as ordens superiores? Em Malaio indonésio? A GNR ou a tropa portuguesa poderiam facilmente tratar do ensino do Português sem problemas. A mim isso soa a desculpa esfarrapada.

Traduções

Todas as traduções de inglês para português (e também de francês para português) são feitas pela Margarida, que conhecemos recentemente, mas que desde sempre nos ajuda.

Obrigado pela solidariedade, Margarida!

Mensagem inicial - 16 de Maio de 2006

"Apesar de frágil, Timor-Leste é uma jovem democracia em que acreditamos. É o país que escolhemos para viver e trabalhar. Desde dia 28 de Abril muito se tem dito sobre a situação em Timor-Leste. Boatos, rumores, alertas, declarações de países estrangeiros, inocentes ou não, têm servido para transmitir um clima de conflito e insegurança que não corresponde ao que vivemos. Vamos tentar transmitir o que se passa aqui. Não o que ouvimos dizer... "
 

Malai Azul. Lives in East Timor/Dili, speaks Portuguese and English.
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