sábado, fevereiro 23, 2008

Atentado ou tentativa de Golpe de Estado?

Jornal Digital
Timor: Enigmas em torno do atentado a Ramos-Horta

2008-02-22 13:26:31

Díli – A 11 de Fevereiro o presidente timorense, Ramos-Horta, é baleado na sua residência na periferia de Díli. Na acção é abatido pelas forças de segurança o Major Alfredo Reinaldo, presumível estratega da operação. Quase em simultâneo, uma acção similar tenta, supostamente, eliminar o primeiro ministro, Xanana Gusmão. Uma dupla operação envolta de inúmeros enigmas.

Fonte da PNN próxima da Fretilin, que por motivos de segurança pediu anonimato, afirmou que a acção de Alfredo Reinaldo contra Ramos-Horta não tem credibilidade, nem lógica, dado que o presidente timorense estava em contacto directo, e mantinha boas relações, com Reinaldo e defendia a abertura oficial de diálogo com o intuito de pôr um termo ao diferendo. Vários compromissos teriam sido estabelecidos entre os dois em Dezembro de 2007, com o objectivo de serem aplicados no início de 2008. Situação abortada com os acontecimentos do 11 de Fevereiro.

A mesma fonte acredita que as reais razões de eliminar o presidente podem estar assentes também na intenção de Ramos-Horta convocar eleições legislativas, e presidenciais, antecipadas em 2009. A mesma fonte sustenta que Alfredo Reinaldo poderá ter sido apenas «um bode expiatório» de lutas internas emergentes nos círculos políticos, daí a complexidade de se conseguir criar uma comissão de inquérito «realmente independente»

A acção contra Ramos-Horta é encarada por alguns políticos timorenses como uma tentativa de «golpe de Estado camuflado». «Para mim, havia uma tentativa de decepar a liderança deste país» considera a fonte da PNN. «Há gente cá dentro», que se aproveita das crises para projectar as suas «ambições pessoais de chegar ao poder e governar este país», um factor que se tornou num motor de instabilidade, considerou a mesma fonte.

Mais de 10 dias após o atentado contra o presidente timorense Ramos-Horta nenhuma dúvida e suspeita foi esclarecida. A autoria do ataque foi imediatamente atribuída ao Major Alfredo Reinaldo que é abatido durante a acção.

No entanto várias dúvidas persistem levando a Fretilin a exigir uma comissão de inquérito independente e preferencialmente composta por nações que não estejam representadas nas forças militares internacionais presentes em Timor-Leste.

Uma posição que levanta ainda mais suspeitas sobre os reais objectivos da acção contra o presidente, e que pode pôr em causa a real intenção do presumível estratega da operação, Alfredo Reinaldo.

A chegada de agentes do FBI a Timor foi interpretada, pela mesma fonte, como um meio do Governo «entreter o povo com uma investigação encabeçada por uma polícia internacional reputada cinematograficamente».

PARADOXOS DE UM ATENTADO

Alfredo Reinaldo e os seus homens chegaram de carro à residência pessoal de Ramos-Horta sem encontrarem obstáculos e no momento em que nenhuma força internacional estava presente no local.

Com a chegada do comando a segurança presidencial abre fogo eliminando Alfredo Reinaldo e Leopoldo. Assim, quando Ramos-Horta é atingido o estratega da operação já estaria morto.

Tardiamente a ONU avança com uma segunda tese, na qual aponta que Reinaldo teria sido abatido após Ramos-Horta ser atingido.

Ferido, é Ramos-Horta que pede auxílio através do seu telemóvel, sendo socorrido apenas meia hora depois do ataque.

Apesar da importante presença militar estrangeira em Timor-Leste, militares e polícia da ONU, GNR, 1200 militares australianos além das forças de defesa timorenses, todos os operacionais da acção conseguiram «desaparecer» sem deixar rasto.

A mesma situação é repetida com o comando do tenente Gastão Salsinha que supostamente atacou o primeiro ministro, Xanana Gusmão, que sai ileso do atentado. Uma acção que Mari Alkatiri, secretário geral da Fretilin, qualificou à PNN como uma «má ficção».

Após o executivo timorense ter decidido suspender as acções militares para a captura de Gastão Salsinha na região de Ermera, e hoje o brigadeiro-general Taur Matan Ruak anunciar o reinicio da mesma operação, a PNN soube que as forças militares australianas já foram reforçadas na mesma região e prosseguem as acções para localização Salsinha e do seu grupo.

As expectativas concentram-se agora em saber se Salsinha será capturado vivo ou morto. Neste segundo cenário, seria eliminada uma testemunha vital dos atentados que, eventualmente, revelaria contornos incómodos da operação de 11 de Fevereiro.

Rui Neumann

5 comentários:

Anónimo disse...

As duas coisas é óbvio!
Ai TIMOR, como te amo!!!!!!!!!!!


Fítun Taci

Anónimo disse...

I do believe that everybody has rihts to express. The event of February of 11th was caused by Alfredo. Now peple are speculating who is behind it all. What is the purpose of such all speculations? Does it help Timorese? Would it buil up an everlasting peace in Timor?

Anónimo disse...

#The event of February of 11th was caused by Alfredo.#

Are you so sure? If you are, then you must be one of the FBI agents! jesus man, no wonder everybody admires your Organization!

Aren't you and the CIA the guys that showed the world that Saddam Hussein had WMD?

Anónimo disse...

Does it help Timorese?
Of course it does. The Timorese have the right to know the truth just like everybody else. The Timorese have the right to being informed just like everyone else does. The Timorese have the right to freedom and justice.

What is the world without justice like it has become?

h correia disse...

"as reais razões de eliminar o presidente podem estar assentes também na intenção de Ramos-Horta convocar eleições legislativas"
´
Curiosamente, a imprensa portuguesa não tem falado disto...

Traduções

Todas as traduções de inglês para português (e também de francês para português) são feitas pela Margarida, que conhecemos recentemente, mas que desde sempre nos ajuda.

Obrigado pela solidariedade, Margarida!

Mensagem inicial - 16 de Maio de 2006

"Apesar de frágil, Timor-Leste é uma jovem democracia em que acreditamos. É o país que escolhemos para viver e trabalhar. Desde dia 28 de Abril muito se tem dito sobre a situação em Timor-Leste. Boatos, rumores, alertas, declarações de países estrangeiros, inocentes ou não, têm servido para transmitir um clima de conflito e insegurança que não corresponde ao que vivemos. Vamos tentar transmitir o que se passa aqui. Não o que ouvimos dizer... "
 

Malai Azul. Lives in East Timor/Dili, speaks Portuguese and English.
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