sábado, novembro 17, 2007

Alguns deputados timorenses consideraram inconstitucional mobilizar militares para a luta contra a pobreza

© 2007 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.
2007-11-16 21:35:01

O presidente de Timor-Leste contou hoje a compatriotas em Portugal que alguns deputados consideraram inconstitucional que ele tivesse mobilizado os militares timorense, ingleses e australianos para a luta contra a pobreza.

"Houve deputados a avaliar esta medida como inconstitucional mas eu considero que se a luta contra a pobreza é inconstitucional, então esta Constituição tem de mudar", acrescentou o estadista.

No encontro com a comunidade timorense, ao final da tarde, na Fundação Cidade Lisboa, José Ramos-Horta garantiu que a crise no seu país "está a ser ultrapassada".

Acompanhado por vários membros do seu governo - vice-ministro da Educação, ministro dos Negócios Estrangeiros, embaixador de Timor-Leste em Portugal e secretário de Estado para a Formação Profissional e Emprego - o diplomata finalizou a sua visita oficial a Portugal com uma mensagem de optimismo para os seus conterrâneos que se encontram em Portugal.

Os temas principais do discurso do presidente centraram-se nas relações externas, na educação e no sistema de saúde timorenses.

Segundo Ramos-Horta, Timor-Leste desenvolve relações diplomáticas com todos os países do continente asiático, com os Estados Unidos e com vários países da América do Sul.

Adiantou que, em 2008, Timor-Leste irá abrir uma embaixada em Brasília.

"No encontro com [Luís Inácio] Lula, em Nova Iorque, o presidente do Brasil perguntou-me quando é que eu tencionava abrir uma embaixada no Brasil. Fiquei embaraçado com a sua pergunta e respondi: Para o ano!".

No plano da educação, assegurou que o actual governo irá tratar o assunto com especial atenção em 2008.

Referiu os bons resultados dos estudantes timorenses de Medicina em Cuba, adiantando que, "se houver um aproveitamento [dos alunos de saúde] de cem por cento, teremos um médico por cada mil pessoas, dentro de cinco ou seis anos".

Referiu, também, que a língua portuguesa irá continuar a ter a mesma importância que tem hoje naquele país.

Garantiu que "os erros cometidos no passado, ficaram no passado" e não se irão repetir.

"Não se esqueçam de que somos um país jovem, com apenas cinco anos de existência e um estado moderno não se cria em tão pouco tempo", lembrou Ramos-Horta.

Limitado por "constrangimentos de tempo", José Ramos-Horta não pôde dialogar com o público, maioritariamente timorense mas disponibilizou o seu endereço electrónico para possíveis questões por parte dos que participaram no encontro.

2 comentários:

Anónimo disse...

"Não se esqueçam de que somos um país jovem, com apenas cinco anos de existência e um estado moderno não se cria em tão pouco tempo", lembrou Ramos-Horta.

O Zezinho: Tu nao dizias destas coisas na altura que andavas a derrubar o governo do Alkatiri! Nao passas de um grande HIPOCRITA ALDRABAO!

CHA NA NA

h correia disse...

"Não se esqueçam de que somos um país jovem, com apenas cinco anos de existência e um estado moderno não se cria em tão pouco tempo"

Não. Não foi Alkatiri quem disse isto (pelo menos agora). Foi, pasme-se, Ramos Horta. Mas quem é que, em 2006, criticou Alkatiri por não ter resolvido os problemas do país em 5 (4) anos, e por isso devia demitir-se?

Confrangedor foi também o elogio à governação de Alkatiri, pelo regozijo em poder contar com centenas de médicos timorenses. Agora, pelos vistos, já não é ruim enviar estudantes para Cuba, país comunista.

Quanto à embaixada em Brasília... já não bastava fazer promessas dentro do seu próprio país? Ou quer fazer concorrência à “obra de santa Engrácia” da embaixada portuguesa em Dili?

Por último, não posso deixar de comentar a seguinte frase:

"Houve deputados a avaliar esta medida como inconstitucional mas eu considero que se a luta contra a pobreza é inconstitucional, então esta Constituição tem de mudar."

Enquanto esta Constituição não mudar e estiver em vigor, tem que ser respeitada por TODOS, incluindo o Presidente da República. Doa a quem doer.

Quanto a mudanças, só o PN é soberano para as fazer, por maioria de 2/3.

Portanto, quem tem que mudar não é a Constituição. É o senhor, Dr. Ramos Horta.

Traduções

Todas as traduções de inglês para português (e também de francês para português) são feitas pela Margarida, que conhecemos recentemente, mas que desde sempre nos ajuda.

Obrigado pela solidariedade, Margarida!

Mensagem inicial - 16 de Maio de 2006

"Apesar de frágil, Timor-Leste é uma jovem democracia em que acreditamos. É o país que escolhemos para viver e trabalhar. Desde dia 28 de Abril muito se tem dito sobre a situação em Timor-Leste. Boatos, rumores, alertas, declarações de países estrangeiros, inocentes ou não, têm servido para transmitir um clima de conflito e insegurança que não corresponde ao que vivemos. Vamos tentar transmitir o que se passa aqui. Não o que ouvimos dizer... "
 

Malai Azul. Lives in East Timor/Dili, speaks Portuguese and English.
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