quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Displacement in the 2006 Dili crisis - dynamics of an ongoing conflict

Refugee Studies Centre, Oxford University
Date: 28 Feb 2008

Introduction

The island of Timor is split in two. The eastern half gained independence in 2002 and became Timor-Leste. In April 2006 a group of disaffected army personnel called 'the petitioners' gathered outside the capital's government palace to protest alleged discrimination. This protest culminated in an outbreak of violence and confrontation within and between security forces. By May two-thirds of the capital Dili's residents were displaced.

Displacement and violence play a particular role in Timor-Leste's history. The aim of this paper is to explore displacement as a dynamic in its own right. Standard accounts take a different perspective (see COI 2006, ICG 2006). They focus attention on a divided leadership, weak institutions, and proximate and underlying causes. In such accounts, displacement is a consequence of these greater circumstances. Such accounts address the questions What went wrong? and How to proceed from here? By contrast, this paper attempts to map crisis dynamics, displacement in particular, and their greater significance. This is a necessary exercise if one is to explain, and not just identify, the ongoing crisis. (1)

This paper explores the relationship between conflict and displacement as dynamics of social change. It does not pay particular attention to factors leading to the attack on the government palace on 28 April 2006, which is generally seen as the start of the crisis. Instead it seeks to show how the Timorese population negotiates new, at times devastating, realities. One expression of this is the adoption of regional identities during the crisis. (2) This paper attempts to explore the key defining features of the crisis – displacement, regional identities, and repertoires of low-level violence. The thesis of this paper is that the sometimes violent 'crisis dynamics' will bring about profound societal changes that are likely to outlive any political deadlock at the top. This deadlock is usually understood as defining the 'crisis'. In opening up the scope of what the crisis is about, this paper simultaneously attempts to highlight particular dynamics that have not been given enough attention in standard accounts, embedded as they are in a liberal framework.

Note:

(1) This paper was originally submitted in May 2007, approximately a month before Timor-Leste's general elections.

(2) This paper has opted to discuss cleavages as regional rather than ethnic for the reasons discussed in Section

Full_Report (pdf* format - 378 Kbytes)



TRADUÇÃO:

Deslocamento na crise de 2006 em Dili – dinâmicas de um conflito em curso

Refugee Studies Centre, Oxford University
Data: 28 Fev 2008

Introdução

A ilha de Timor está dividida em duas partes. A metade do leste ganhou a independência em 2002 e tornou-se Timor-Leste. Em Abril 2006 um grupo de pessoal descontente das forças armadas chamados 'os peticionários' juntou-se no exterior do palácio do governo na capital para protestar contra alegadas discriminações. Este protesto culminou numa explosão de violência e de confrontos entre forças de segurança. Em Maio dois terços dos habitantes da capital Dili estavam deslocados.

Deslocamento e violência têm um papel particular na história de Timor-Leste. O objectivo deste estudo é explorar o deslocamento como uma dinâmica de direito próprio. Explicações normais usam uma perspectiva diferente (ver COI 2006, ICG 2006). Focam a atenção numa liderança dividida, instituições fracas, e causas próximas e subjacentes. Em tais explicações o deslocamento é uma consequência dessas circunstâncias maiores. Tais relatos respondem às questões O que é que correu mal? e Como prosseguir a partir daqui? Por contraste, este estudo tenta mapear as dinâmicas da crise, o deslocamento em particular, e o seu significado maior. Este é um exercício necessário se se quer explicar, não apenas identificar, a crise em curso. (1)

Este estudo explora a relação entre conflito e deslocamento como dinâmicas de mudança social. Não dá atenção particular aos factores que levaram ao ataque contra o palácio do governo em 28 de Abril 2006, o que é geralmente visto como o início da crise. Em vez disso procura mostrar como é que a população Timorense negocia novas realidades às vezes destruindo. Uma expressão disto é a adopção de identidades regionais durante a crise. (2) Este estudo tenta explorar as características definidoras chave da crise – deslocamento, identidade regional e repertório de violência de baixo nível. A tese deste estudo é que as por vezes violentas 'dinâmicas de crise' trarão profundas mudanças societais que provavelmente sobreviverão a qualquer beco sem saída político no topo. Este beco sem saída é geralmente entendido como o definidor da 'crise'. Ao alargar o escopo acerca do que é a crise, este estudo tenta simultaneamente iluminar dinâmicas particulares a que não se deu suficiente atenção nas explicações normais, embutidos como estão numa moldura liberal.

Nota:

(1) Este estudo foi entregue em Maio 2007, aproximadamente um mês antes das eleições gerais de Timor-Leste.

(2) Este estudo optou por discutir as segmentações como regionais em vez de étnicas por razões discutidas na Secção

1 comentário:

Margarida disse...

Tradução:
Deslocamento na crise de 2006 em Dili – dinâmicas de um conflito em curso
Refugee Studies Centre, Oxford University
Data: 28 Fev 2008

Introdução

A ilha de Timor está dividida em duas partes. A metade do leste ganhou a independência em 2002 e tornou-se Timor-Leste. Em Abril 2006 um grupo de pessoal descontente das forças armadas chamados 'os peticionários' juntou-se no exterior do palácio do governo na capital para protestar contra alegadas discriminações. Este protesto culminou numa explosão de violência e de confrontos entre forças de segurança. Em Maio dois terços dos habitantes da capital Dili estavam deslocados.

Deslocamento e violência têm um papel particular na história de Timor-Leste. O objectivo deste estudo é explorar o deslocamento como uma dinâmica de direito próprio. Explicações normais usam uma perspectiva diferente (ver COI 2006, ICG 2006). Focam a atenção numa liderança dividida, instituições fracas, e causas próximas e subjacentes. Em tais explicações o deslocamento é uma consequência dessas circunstâncias maiores. Tais relatos respondem às questões O que é que correu mal? e Como prosseguir a partir daqui? Por contraste, este estudo tenta mapear as dinâmicas da crise, o deslocamento em particular, e o seu significado maior. Este é um exercício necessário se se quer explicar, não apenas identificar, a crise em curso. (1)

Este estudo explora a relação entre conflito e deslocamento como dinâmicas de mudança social. Não dá atenção particular aos factores que levaram ao ataque contra o palácio do governo em 28 de Abril 2006, o que é geralmente visto como o início da crise. Em vez disso procura mostrar como é que a população Timorense negocia novas realidades às vezes destruindo. Uma expressão disto é a adopção de identidades regionais durante a crise. (2) Este estudo tenta explorar as características definidoras chave da crise – deslocamento, identidade regional e repertório de violência de baixo nível. A tese deste estudo é que as por vezes violentas 'dinâmicas de crise' trarão profundas mudanças societais que provavelmente sobreviverão a qualquer beco sem saída político no topo. Este beco sem saída é geralmente entendido como o definidor da 'crise'. Ao alargar o escopo acerca do que é a crise, este estudo tenta simultaneamente iluminar dinâmicas particulares a que não se deu suficiente atenção nas explicações normais, embutidos como estão numa moldura liberal.

Nota:

(1) Este estudo foi entregue em Maio 2007, aproximadamente um mês antes das eleições gerais de Timor-Leste.

(2) Este estudo optou por discutir as segmentações como regionais em vez de étnicas por razões discutidas na Secção

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Traduções

Todas as traduções de inglês para português (e também de francês para português) são feitas pela Margarida, que conhecemos recentemente, mas que desde sempre nos ajuda.

Obrigado pela solidariedade, Margarida!

Mensagem inicial - 16 de Maio de 2006

"Apesar de frágil, Timor-Leste é uma jovem democracia em que acreditamos. É o país que escolhemos para viver e trabalhar. Desde dia 28 de Abril muito se tem dito sobre a situação em Timor-Leste. Boatos, rumores, alertas, declarações de países estrangeiros, inocentes ou não, têm servido para transmitir um clima de conflito e insegurança que não corresponde ao que vivemos. Vamos tentar transmitir o que se passa aqui. Não o que ouvimos dizer... "
 

Malai Azul. Lives in East Timor/Dili, speaks Portuguese and English.
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