quarta-feira, agosto 09, 2006

Primeiro-ministro elogia GNR

REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DE TIMOR-LESTE

GABINETE DO PRIMEIRO-MINISTRO
INFORMAÇÃO À IMPRENSA

Primeiro-ministro elogia GNR

O primeiro-ministro, José Ramos-Horta, visitou esta quarta-feira, 9 de Agosto, em Díli, o quartel da GNR em Timor-Leste, onde elogiou o trabalho desenvolvido pelos militares portugueses no esforço para garantir segurança na cidade de Díli.

No final de uma visita às instalações, o primeiro-ministro destacou a importante acção que a GNR está a desempenhar em Timor-Leste: “Os militares portugueses, como os das restantes forças internacionais, estão a ter um papel decisivo na reposição da ordem e da segurança.”

O chefe do Executivo lembrou que as forças de segurança internacionais estão em Timor-Leste a pedido dos líderes timorenses: “Os polícias e militares estão a actuar em Timor-Leste a pedido expresso do Presidente da República, do presidente do Parlamento Nacional e do Governo, e actuam sob indicações expressas do chefe de Estado e de mim próprio.”

Ramos-Horta salientou o papel específico dos militares portugueses no quadro das forças internacionais em Timor-Leste: “A GNR é uma força policial de intervenção, só actuando nos casos em que as outras polícias regulares não conseguem por si só controlar a situação. Não está ao serviço de alguém em particular, está ao serviço do povo timorense, não olhando, naturalmente, à origem geográfica dos cidadãos envolvidos nos incidentes.”

O primeiro-ministro aproveitou a oportunidade para agradecer “a pronta resposta de Portugal num momento difícil para Timor-Leste, que foi dada com o envio destes excelentes militares”.

Ramos-Horta fez-se acompanhar pela ministra da Administração Estatal, Ana Pessoa, pelo ministro do Interior, Alcino Baris, e pelo ministro do Trabalho e da Reinserção Comunitária, Arsénio Bano.

A receber a delegação do primeiro-ministro encontravam-se 50 militares da GNR, de um efectivo de 127 que compõem o sub-agrupamento Bravo, mais três elementos do Instituto Nacional de Emergência Médica de Portugal, comandados pelo Capitão Gonçalo Carvalho.

Na visita ao quartel, antigas instalações do Centro de Estudos Aduaneiros de Timor-Leste que estão a sofrer obras de melhoramento para funcionar como comando operacional e de alojamento dos militares, o chefe do Governo foi informado sobre o balanço da actividade operacional de dois meses da GNR em Timor-Leste.


Díli, 9 de Agosto de 2006

ETimor's parliament passes delayed 315 mln dlr budget

TODAYonline
Wednesday • August 9, 2006

East Timor's parliament has passed the 2006-7 fiscal year budget, the young nation's largest ever at 315 million dollars, after a delay caused by violence and political upheaval in May.

East Timor's fiscal year began on July 1, days after Mari Alkatiri stepped down as prime minister in the wake of deadly unrest sparked by the dismissal of some 600 soldiers who deserted complaining of discrimination.

Nobel peace laureate Jose Ramos-Horta was sworn in to replace him last month and is leading a government that will rule until elections in May next year.

Ramos-Horta has already presented the government's planned program to parliament, which focuses on stimulating Asia's poorest economy through infrastructure projects.

Sixty-six members of the 88-seat parliament voted in favour of the budget, which is 121 percent higher than last year. Two voted against.

The government will also tap into 100 million dollars provided by international donors, an increase of 300 percent on 2005-6.

"With the 66 votes for, two against and zero abstaining, it was a true, good process and the prime minister has already said that the government promised to implement this budget," deputy prime minister Rui Araujo told reporters.

Of the expenditure, 122 million will be for goods and services and 120 million is slated for capital development, a government statement said.

Ramos-Horta plans a meeting with all district and subdistrict heads at the end of August to discuss kickstarting the economy.

East Timor's economy grew by 2.3 percent last year, up from 0.4 percent in 2004. About 40 percent of the population lives below a poverty line set at 55 cents a day, according to United Nations figures.

Despite the millions of dollars expected to flow from its rich reserves of oil and gas in the coming years, the UN has warned that the income is fraught with uncertainties and the country still needs financial support from donors.

May's violence left at least 21 people dead and forced 150,000 to flee their homes. The refugees remain in camps, too afraid to return home despite the presence of some 3,000 international peacekeepers in the nation.

It was the worst unrest to hit East Timor since it gained independence in 2002, after a 1999 vote to breakaway from neighbouring Indonesia which ruled it for 24 years. — AFP

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Composição do II Governo Constitucional

Díli, 09 Ago (Lusa) - Com a posse conferida hoje pelo Presidente Xanana Gusmão a mais oito membros do II Governo Constitucional de Timor-Leste, liderado por José Ramos-Horta, falta apenas designar dois titulares para que o executivo, de 40 elementos, fique completo.

Falta designar um vice-ministro (Transportes e das Comunicações) e um secretário de Estado (Cultura).

Com a posse de José Ramos-Horta e dos dois vice-primeiro- ministro, a 10 de Julho, o II Governo Constitucional tem a seguinte composição:

Primeiro-Ministro e Ministro da Defesa - José Ramos-Horta.
1º Vice PM e Ministro da Agricultura, Florestas e Pescas - Estanislau Aleixo da Silva.
2º Vice PM e Ministro da Saúde - Rui Maria Araújo.

Ministros:

Ministro dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação - José Luís Guterres.
Ministra do Plano e das Finanças - Madalena Brites Boavida.
Ministra da Administração Estatal - Ana Pessoa.
Ministro do Interior - Alcino Barris.
Ministro na Presidência do Conselho de Ministros - Antoninho Bianco.
Ministro dos Transportes e das Comunicações - Inácio Moreira.
Ministra da Educação e da Cultura - Rosália Corte-Real.
Ministro do Trabalho e da Reinserção Comunitária - Arsénio Paixão Bano.
Ministro da Justiça - Domingos Sarmento.
Ministro do Desenvolvimento - Arcanjo da Silva.
Ministra das Obras Públicas - Odete Victor.
Ministro dos Recursos Naturais, Minerais e da Política Energética - José Teixeira.

Vice-Ministros:

Vice-Ministra dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação - Adalgisa Magno.
Vice-Ministra do Plano e das Finanças - Aicha Bassarewa.
Vice-Ministro da Administração Estatal - Valentim Ximenes.
Vice-Ministro da Administração Estatal - Filomeno Aleixo.
Vice-Ministro do Interior - José Agostinho Sequeira "Somotxo".
Vice-Ministro dos Transportes e das Comunicações - ainda sem titular designado.
Vice-Ministro da Agricultura, Florestas e Pescas - Francisco Tilman de Sá Benevides.
Vice-Ministro da Educação para o Ensino Técnico e Superior - Vítor da Conceição Soares.
Vice-Ministra para o Ensino Primário e Secundário - Ilda da Conceição.
Vice-Ministro da Saúde - Luis Lobato.
Vice-Ministra da Justiça - Isabel Ferreira.
Vice-Ministro das Obras Públicas - Raul Mousaco.
Vice-Ministro do Desenvolvimento - António Cepeda.

Secretários de Estado:

Sec. de Estado do Conselho de Ministros - Gregório de Sousa.
Sec. de Estado para a Coordenação Ambiental, Ordenamento do Território e Desenvolvimento Físico - João Batista Alves.
Sec. de Estado da Juventude e Desporto - José Manuel Fernandes.
Sec. de Estado da Cultura - ainda sem titular designado.
Sec. de Estado dos Assuntos dos Veteranos e Antigos Combatentes - David Ximenes.
Secretários de Estado Regionais.
Sec. de Estado para a Coordenação da Região I - José Reis.
Sec. de Estado para a Coordenação da Região II - Adriano Corte- Real.
Sec. de Estado para a Coordenação da Região III - Carlos da Conceição de Deus.
Sec. de Estado para a Coordenação da Região IV - Lino Torrezão.
Sec. de Estado Residente em Oe-cusse - Albano Salem.
EL.

De um leitor

Algumas questoes que ficam no ar.

Quem mandou os peticionarios sairem em massa?
Quem mandou Alfredo e seus majores abandonarem a cadeia de comando e se refugiarem em Aileu?
Quem transportou Paulo de Fatima Martins para sair de Dili em direccao a Laulara?
Quem mandou Railos atacar a F-FDTL em Tasi Tolu?
Quem mandou Alfredo ocupar casa em Matadouro?
Quem mandou Abilio atacar a casa do Ruak?
Quem entregou arma ao Leandro Isac no ataque a casa do Ruak?

Enfim muitas mais questoes estao ainda no ar.

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Porque nao se ouve mais a voz do Salsinha?
Porque nao ouve a versao de Abilio Mausoko?
Porque nao se deixa falar o Alfredo Reinado?
E porque o PR de Timor-Leste esta neste silencio hermetico?

Empossados mais oito membros do II Governo Constitucional

Díli, 09 Ago (Lusa) - O Presidente timorense Xanana Gusmão empossou hoje em Díli mais oito membros do II Governo Constitucional, entre os quais Ana Pessoa, reconduzida na Administração Estatal, dois vice-ministros e cinco secretários de Estado do executivo liderado pelo primeiro-ministro José Ramos-Horta.

Na ocasião, Xanana Gusmão, interpretando o que disse ser o sentimento do povo, manifestou a esperança que o executivo "possa responder cabalmente às prioridades mais urgentes e necessárias para suplantar esta crise, incluindo a reactivação da Comissão dos Notáveis, que deverá iniciar as suas actividades imediatamente, no sentido de apurar a legitimidade das reclamações dos peticionários".

Xanana Gusmão referia-se à crise político-militar, desencadeada em finais de Abril, na sequência de uma manifestação patrocinada por centenas de ex-militares e que degenerou em actos de violência.

Aqueles ex-militares, subscritores de uma petição dirigida à hierarquia das forças armadas e posteriormente submetida ao chefe de Estado, alegam terem sido alvo de tratamento discriminatório, de natureza étnica, no seio da instituição.

Com a cerimónia de posse, realizada hoje no Palácio das Cinzas, Presidência da República, só ficarão por preencher dois cargos, o de vice-ministro dos Transportes e das Comunicações e o de secretário de Estado da Cultura.

Além de Ana Pessoa foram empossados Vítor Conceição Soares, como vice-ministro da Educação para o Ensino Técnico e Superior, e Isabel Ferreira, como vice-ministra da Justiça, duas estreias em governos constitucionais.

José Reis e Albano Salem foram reconduzidos nos cargos de secretário de Estado para a Coordenação da Região I (Lautém, Viqueque e Baucau) e secretário de Estado residente em Oecusse, respectivamente.

Outras estreias a nível do governo central são as de Adriano Corte-Real, secretário de Estado para a Coordenação da Região II (Manatuto, Manufahi e Ainaro), Carlos da Conceição Deus, para a Região III (Díli, Aileu e Ermera) e Lino Torrezão para a Região IV (Liquiçá, Bobonaro e Covalima).

José Ramos-Horta foi empossado, juntamente com os dois vice- primeiro-ministro, Estanislau da Silva e Rui Araújo, no passado dia 10 de Julho.

Quatro dias depois foi empossada a maior parte dos 40 membros do executivo e a 21 de Julho foram empossados o ministro dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, José Luís Guterres, e o vice-ministro do Interior, José Agostinho Sequeira "Somotxo".

José Ramos-Horta substituiu Mari Alkatiri na sequência da demissão de Alkatiri, a 26 de Junho, após um "braço de ferro" com o Presidente Xanana Gusmão e no âmbito da crise político-militar desencadeada em finais de Abril.

EL.

Dos leitores

The question is not whether Xanana was instrumental in Timor’s liberation, what is being questioned is his ability to lead Timor Leste as President.

His speeches to the nation during this term as President have been inflammatory and provocative, and failed to promote unity in Timor Leste. The President always looked for some point of conflict to which he can exploit to discredit the Mari led Government. He has been a President of little principle.

His handling of the crisis has been disastrous. He trusted an outlandish media report from an Australian over any legal principles in his insistence for the removal of a legitimate Prime Minister. His failure to understand the constitution or his ignorance of it during the crisis only perpetuates an image of an individual hungry for power.

The President’s lack of impartiality during the crisis was the catalyst for all the problems in Timor Leste now. It is interesting that the President fails to show his face in the refugee camps, it was interesting that as Supreme Commander of the Armed Forces he was not present in the burial of soldiers at Metinaro.

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Deputados aprovaram OE na generalidade

Díli, 09 Ago (Lusa) - O Parlamento de Timor-Leste aprovou hoje, por expressiva maioria, o Orçamento de Estado para o ano fiscal iniciado a 01 de Julho, e que prevê uma verba total de 315,537 milhões de dólares (246,8 milhões de euros).

Dos 69 deputados presentes, 66 votaram favoravelmente a proposta de lei governamental, os dois deputados do partido KOTA votaram contra e a única abstenção proveio de Vicente Guterres, o único deputado eleito pela coligação União Democrata-Cristã/Partido Democrata Cristão (UDC/PDC).

Os deputados do PSD, a terceira maior força partidária representada no parlamento (cinco deputados efectivos) repetiram o gesto de há cerca uma semana, aquando do debate e votação do programa do governo, não participando nos trabalhos.

O PSD não reconhece a legitimidade do II Governo Constitucional, liderado pelo primeiro-ministro José Ramos-Horta, por considerar que a formação do executivo resultou de um acordo entre o Presidente Xanana Gusmão e a actual direcção da FRETILIN, o partido maioritário.

Aquando da posse de Ramos-Horta como primeiro-ministro, a 10 de Julho, Mário Carrascalão, presidente do PSD, em declarações à Lusa, criticou a decisão de Xanana Gusmão de ter optado pela formação de um novo executivo, em vez de antecipar as eleições.

"Anunciou um governo constitucional, que resultou de negociações com um grupo que ele (Xanana Gusmão) disse ser ilegítimo, enquanto representante da FRETILIN. Se a direcção da FRETILIN é ilegítima, como ele o afirmou na mensagem à nação, quaisquer actos deste grupo são ilegais", vincou.

Mário Carrascalão referia-se à alegada ilegitimidade da actual direcção da FRETILIN, eleita em congresso pelo método de braço no ar, facto denunciado por Xanana Gusmão na mensagem que dirigiu à nação, a 22 de Junho.

Também à semelhança do que aconteceu durante o debate e votação do programa do governo, aos deputados da FRETILIN juntaram-se parlamentares de partidos da oposição.

Terça-feira, no discurso de apresentação da proposta de OE, o primeiro-ministro José Ramos-Horta destacou o período de crise por que passa Timor-Leste no momento em que submeteu o documento aos deputados.

"Este orçamento é apresentado numa ocasião em que tentamos sair de momentos difíceis, momentos que afectaram e continuam a afectar particularmente a nossa capital. Retrocedemos alguns bons anos por causa desta crise. Perdemos em muito pouco tempo o que, a muito custo, construímos durante os primeiros anos após a independência", disse.

Considerando que se trata de um orçamento "virado para a luta contra a pobreza", o primeiro-ministro destacou que a proposta representou "um grande esforço para a economia timorense".

"A despesa pública aumentará de 142 milhões de dólares para 315 milhões de dólares, representando um aumento de 122 por cento", afirmou Ramos-Horta.

O primeiro-ministro reconheceu que o aumento previsto da despesa pública acarreta riscos.

"Pode aumentar os níveis de inflação. A inflação afecta particularmente os pobres e o alto nível de desemprego é uma realidade", acrescentou.

O primeiro-ministro timorense frisou ainda que este OE é o primeiro em que as receitas petrolíferas "começam a ter um impacto directo na economia do país".

O debate e a votação na especialidade terá de se realizar antes de 15 de Agosto, data que marca o início das férias parlamentares.

EL.

Dos leitores

GNR, continua o seu trabalho nao preocupe com os boatos...
que sao falsos........
Forca GNR!!!

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A pergunta que deveria ser feita, não é sobre o futuro dos jovens que a GNR detém em flagrante, mas antes qual o futuro de todos os timorenses enquanto perdurar o comportamento imbecil desses jovens.

Que género de timorenses são esses que vandalizam, queimam e atiram pedras só para receberem uns pacotes de Supermim, ou umas míseras notas de dólar.

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A GNR deve continuar a desempenhar o seu papel pois foi a pedido do estado timorense que esses senhores se encontram aqui em Timor-Leste para ajudar a manter a ordem. Sao realmente profissionais por isso eh que os boateiros, os bandidos, os vandalos, etc., os atacam. Eh apenas uma minoria.

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Quem cala consente, não posso estar mais de acordo. Mas pelo que li hoje no site da Unotil quem está à frente desta campanha contra a GNR é nada mais nada menos que o parceiro do Xanana nos comícios, o Tara. Junto o texto que traduzi do site da UNOTIL:

"Parem com a missão da GNR em TL
A Frente Nacional Justiça e Paz (FNJP) pede à Guarda Nacional Republicana (GNR) para acabar a sua missão em Timor-Leste porque a sua presença aqui não está a trazer a paz ao país.

O coordenador da FNJP Augusto Araújo Tara declarou no seu comunicado à imprensa de ontem que todos os juízes de Portugal e a GNR não têm mostrado a sua imparcialidade e compromissos para levar a justiça ao povo de Timor-Leste. “Como todos sabemos o caso do antigo Primeiro-Ministro Alkatiri não foi trazido à justiça e também (há) juízes no Tribunal de Recurso que são controlados pelos Portugueses e podem manipular o regulamento da UNTAET No 1/1999, secção 3 de modo que Mari Alkatiri não seja trazido à justiça” diz o comunicado de imprensa.

Tara declarou ainda que quando a GNR capturou Alfredo detiveram-no numa prisão mas que Mari Alkatiri e Rogério Lobato ainda estão em casa como se nada lhes acontecesse. (STL)"

http://www.unotil.org/UNMISETWebSite.nsf/cce478c23e97627349256f0a003ee127/a64d40a5dc2df5aa492571c40028278d?OpenDocument

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Engraçada a manipulação dos amigos do PR, de que foi a GNR e não os australianos que prenderam o Reinado. E Xanana? Cala e consente!

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Senhores da GNR continuem a cumprir o vosso dever, pois tirando meia duzia de intriguistas, a maioria esmagadora de Timorenses que anseiam pela paz e harmonia, esta convosco e agradece-vos!...

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Moro em Bebonuk onde tem havido conflitos todos os dias. Hoje assisti a uma tentativa de reconcializacao de dois grupos por parte da GNR. Cada vez os admiro mais. Obrigado.

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Mais ainda sobre silêncio PR

From Sister Anne Forbes:

President Xanana, the charismatic leader of Timor-Leste can put a stop toall this with another hour and a half speech to the nation. But the factthat he is not doing anything to prevent this kinds of attack make mesuspicious about his integrity. Xanana could be the person behind thetrouble. If not where is the national unity he has been preaching?...

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Mais sobre o silêncio presidencial

De um leitor:

O silêncio do Presidente da República é sem dúvida mais um dado acrescido à incompetência de Xanana.

Um Chefe de Estado não pode manter o silêncio perante ataques de violência generalizada à segurança dos cidadãos.
Um Chefe de Estado não pode interferir no sistema judicial.
Um Chefe de Estado não pode ter na lista protocolar de convidados da Presidência violadores da lei.
Um Chefe de Estado não pode nem deve incitar a violência e a desestabilização do país e por isso "premiar espertezas" e declarar ao lado de criminosos "guerras ganhas".

Mas Xanana pode e por isso o seu silêncio actual não é surpreendente é sim previsivel.

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Sobre o silêncio do PR

De um leitor:

Relativamente aos supostos esforços do PR para "apaziguar" os jovens, gostaria de dizer o seguinte:

1. Quando convocou os mesmos jovens para desestabilizar, manifestarem-se conflituosamente e fazer a tal gerra "esperta" a qual "ganharam", segundo as suas palavras, que levou à demissão de Mari Alkatiri, foi mais convincente, não?

2. Se está tão interessado nesse apaziguamento, porque não começa por desmentir publicamente todos os boatos sobre a GNR? Ou a GNR é uma força de bloqueio às suas intenções?

3. Quem se deu ao ridículo de fazer aquele discurso de lavagem de roupa suja contra a Fretilin e Mari Alkatiri, não podia fazer uma declaração pública com a mesma indignação, agora que o povo marterizado continua a sofrer afinal? E a tal frase do "se isto não pára demito-me? Talvez funcionasse.

4. E como justifica que os homens da sua confiança, como o Tara façam declarações a caluniar e a lançar boatos sobre a GNR, sem que o PR os trave?

5. É este o preço que tem de pagar a quem usou, pelos favores que lhe fizeram?

6. A falta de solidariedade do PR com Ramos-Horta começa já a sentir-se. Ainda vamos assistir a Mari Alkatiri e à Fretilin a ajudarem Ramos-Horta contra manobras do PR.

7. QUEM CALA CONSENTE.

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Jovens presos numa onda de violência através de Dili

Tradução da Margarida:

Fiarfax Digital
Lindsay Murdoch
Agosto 8, 2006

Várias pessoas feridas e seis casas queimadas no pior ataque na cidade desde que o primeiro-ministro, Mari Alkatiri, saiu forçado do seu gabinete em Junho. Num incidente, jovens membros dum gang entraram à força numa igreja gritando “Matem todos os do leste!”. Polícias Australianos e outros internacionais dispersaram entre 300 e 400 pessoas na Sexta-feira, dias depois da Austrália ter anunciado que se preparava para reduzir ainda mais o número das suas tropas e equipamentos no país.

O comandante do contingente policial de 200 elementos da Austrália, Tim Dahlstrom, disse ontem à noite que a polícia em três dias tinha feito mais de 40 prisões.

Disse que a polícia estava a investigar o que tinha despoletado a violência depois de semanas de calma.

Acredita-se que alguns dos membros do gang são apoiantes do amotinado oficial militar Alfredo Reinado, que foi preso recentemente por acusações de armas por tropas Australianas, disseram observadores em Dili.

Acredita-se que outros são do oeste de Timor-Leste que juraram forçar os do leste para fora da cidade. Vários Australianos que moram em Dili disseram ontem que desde Sexta-feira tem havido violência esporádica, com gangs de até 100 pessoas vistos em diferentes locais. Foi chamada polícia extra para dispersar jovens a atirar pedras no distrito de Comoro e perto da Embaixada Australiana nas primeiras horas de ontem.

Entretanto, O Secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, apoiou tentativas para levar à justiça centenas de pessoas, a maioria delas Indonésias, responsáveis por atrocidades cometidas em Timor-Leste em 1999. Recomendou o estabelecimento de um novo programa da ONU para ajudar o país a atingir a justiça e a reconciliação. Incluiria uma Unidade para crimes sérios financiada pela ONU que teve o seu financiamento retirado em Maio do ano passado.

O Primeiro-Ministro Timor-Leste, José Ramos Horta, e o Presidente, Xanana Gusmão, disseram que processar Indonésios não é do melhor interesse do seu país.

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terça-feira, agosto 08, 2006

Observação e cronologia da crise de Timor-Leste em 2006 (X) - trad.

Tradução da Margarida:

Observação e cronologia da crise de Timor-Leste em 2006 (X) - FIM
Análise dos Media Timorense e Regional (CONT)


Maio 2006

Em 2 de Maio, o Presidente Gusmão apelou a todos os que apoiaram a independência para Timor-Leste para se unirem outra vez. Disse que a calma foi restaurada e que a Polícia e as forças armadas tinham regressado para os seus quartéis. O deputado do PD José Nomiado alegou que a utilização das forças armadas em 28 de Abril foi ilegal e inconstitucional. O deputado da FRETILIN Francisco Miranda declarou o contrário.

Falando dum local secreto fora de, o Tenente Salsinha focou o seu criticismo no governo de Alkatiri, mas disse que não queria derrubar o governo.

O Presidente Gusmão quer saber quantos moros houve em Tasi Tolu em 28 de Abril, e o Governo criou uma Comissão composta pela Cruz Vermelha, o Departamento da Saúde, a Polícia e o Administrador da Polícia de Dili para identificar os que foram mortos e feridos e para ajudar o Ministro Bano a identificar as famílias que necessitam de ajuda a reconstruir casas e propriedades destruídas.

O Ministro Horta acusou outros de terem tomado o controlo do protesto de 28 de Abril, rejeitou as queixas de que o governo falhou no atendimento das queixas dos soldados, e declarou que não houve apoio popular para o grupo do Tenente Salsinha montar uma guerrilha de resistência.

Pela primeira vez os media relataram que o Tenente Salsinha foi um contrabandista de sândalo e que foi por isso que ele não foi promovido, não por questões étnicas. Rumores de que ex-soldados se estavam a juntar em Ermera para atacar Dili foram contrariados pelo Ministro Lobato, Dudu, polícia e deputados de Ermera, que disseram que havia calma lá e que muitos dos soldados têm lá as suas casas. O académico Australiano Damien Kingsbury disse que estas declarações e similares do Ministro Horta eram evasivas e que a situação estava pior. O porta-voz dos negócios estrangeiros do Labor Kevin Rudd disse que era importante que a Austrália permanecesse engajada e que pressionasse por uma extensão da presença da ONU.

Continuou a controvérsia sobre quantos foram mortos em Tasi Tolu e porque é que os militares bloquearam a investigação do Vice Ombudsman lá.

Em 4 de Maio, a Ministra Ana Pessoa tomou medidas para a nova comissão de investigação ter começado o seu trabalho e que começasse a ser compilado um registo de todos os peticionários de modo a que todos pudessem receber o seu pagamento e se pudesse identificar qualquer morto ou ferido. O Presidente e o Primeiro-Ministro deram uma conferência de imprensa conjunta para apelar à calma e denunciar rumores. Com os Ministros Lobato e Rodrigues, ordenaram o regresso aos quartéis das patrulhas das forças armadas e a retirada das ruas dos polícias armados com armas automáticas, visto que estas podiam aumentar o medo do público. Cerca de 8,000 pessoas, principalmente crianças abrigavam-se no Dom Bosco. Relatos indicaram que entre 14,000 e 21,000 pessoas fugiram de Dili.

O governo Australiano avisou os seus cidadãos em Dili para permanecerem em casa e para outros para não viajarem para Timor-Leste. Rumores de maior violência motivou um grande êxodo de mulheres e crianças durante a Quarta e a Quinta-feira. O Ministro dos Estrangeiros Downer disse que pode ser necessário estender a missão da ONU, que Kofi Annan tinha proposto mas a que os USA se têm oposto.

O Primeiro-Ministro Howard disse que a Austrália estava preparada para enviar tropas para assistir Timor-Leste se tal fosse requerido pelo país.

O Ministro dos Estrangeiros Horta numa declaração para os media disse que Dili estava calma, sem incidentes desde os distúrbios de 28 de Abril, e que os media deviam confirmar se os rumores eram factos antes de os relatarem.

Disse que houve cinco mortes confirmadas, 45 casas destruídas e 116 com estragos. O Ministro Horta estava no Conselho de Segurança da ONU em 5 de Maio para o informar dos distúrbios correntes e apelar para uma nova missão de 12 meses com polícia, com o foco nas eleições de 2007. Pediu apaixonadamente mais polícias na missão da ONU do que fora proposto por Kofi Annan. Reassegurou o Conselho que os líderes do povo destes últimos 30 anos estavam a trabalhar juntos e determinados a ultrapassar esta última crise.

O Primeiro-Ministro também emitiu uma declaração para os media similar, fazendo notar que o sistema dos telefones móveis tinha colapsado devido aos rumores, também apelando para os funcionários civis regressarem ao trabalho em 8 de Maio, e relatando sobre o trabalho da comissão para investigar o distúrbio de 28 de Abril e o da mais alta comissão para investigar as reclamações dos peticionários, que tem três meses para o fazer.

O governo reconstruirá as 45 casas destruídas e os mercados de Taibesse.

Durante o fim de semana continuou a controvérsia sobre o uso das forças armadas em 28 de Abril, com o KOTA a declarar que fora errado porque não fora autorizada pelo Presidente.

A RTTL relatou em 6 de Maio que um Major Alfredo Fernandes tinha deixado Dili com três dúzias de soldados e polícias armados para as montanhas. O major disse à RTTL que não tinha intenções violentas, mas que só regressaria que fosse feita justiça aos peticionários. O Presidente Gusmão apelou a este grupo para regressar a Dili. Este era o Major Reinado e o seu grupo da Polícia Militar. O Primeiro-Ministro teve que emitir uma declaração para os media negando os rumores da sua resignação como totalmente infundados e que continuava a exercer todas as suas funções.

Em 7 de Maio, o Primeiro-Ministro emitiu outro comunicado para a imprensa, realçando que sete dos membros da Unidade de Destacamento Rápido da PNTL que tinham saído de Dili tinham regressado, e saudou outros sinais de acalmia. Apontou que a Embaixada dos USA tinha cancelado um voo charter para repatriar os seus cidadãos.

Em 8 de Maio, o General Matan Ruak chamou o Tenente Salsinha e pediu ao seu grupo para repensar e trabalhar por uma solução pacífica. Matan Ruak disse que os soldados não tinham uma visão clara do que querem, e realçou que tinham politicizado uma questão das forças armadas apelando ao Presidente para dissolver o Parlamento e convocar eleições nacionais.

Disse que não havia discriminação nas forças armadas e que aguardava as conclusões da investigação. O Primeiro-Ministro Alkatiri disse que não havia necessidade para a vinda de tropas Australianas, porque a situação agora estava calma e as pessoas começavam a regressar a Dili. Mas disse que queria manter aberta a opção por tropas Australianas.

Nesse dia em Gleno, Distrito de Ermera, houve um confronto trágico entre jovens apoiantes dos peticionários e um Ministro do Governo e 6 polícias da UIR que foram lá para proteger o gabinete do governo ameaçado durante um boicote. Houve uma situação tensa quando a multidão exigiu a morte dos seis por vingança pela violência contra os manifestantes em Dili em 28 de Abril. No fim houve uma negociação para o desarmamento dos polícias e a sua remoção pacificamente, mas dois foram esfaqueados, um fatalmente.

Em 9 de Maio, o Primeiro-Ministro deu uma conferência de imprensa para condenar os eventos negativos em Gleno, mas também passos positivos para lidar com os ex-soldados. Pediu-lhes para continuarem a não usar as armas. Reafirmou a política do governo de não usar a força, como ficou demonstrado em Gleno no dia anterior, e o seu desejo de normalizar a vida. Alegou que enfrentava uma tentativa de golpe constitucional, onde um grupo tinha usado as queixas de soldados para tentar paralisar o governo, dirigindo-se ao Presidente para dissolver o parlamento e o governo e realizar novas eleições. Aconselhou os oponentes políticos a usarem eleições e não golpes para mudar o governo. Disse que forças internacionais não eram necessárias agora, mas que estava pronto a pedi-las se for necessário.

José Ramos Horta regressou da ONU e relatou que decidiram prolongar o mandato da UNOTIL por mais um mês e depois de 20 de Maio rever a situação.

Em 10 de Maio, o funeral do polícia assassinado foi muito emotivo. Os seus familiares estão zangados por ter sido morto por causa da política. Era muito respeitado também na FRETILIN. O Presidente e o Primeiro-Ministro estiverem presentes no funeral. Os polícias estão zangados com os seus comandantes por terem permitido que fossem desarmados na situação de Gleno.

O Primeiro-Ministro acusou o Presidente do PD, Fernando de Araújo Lasama e a sua mulher de envolvimento com os peticionários, e por propagandearem que nem 60 ou mesmo 100 foram mortos em 28 de Abril.

O General Taur Matan Ruak explicou os esforços das forças armadas para resolver as questões com os peticionários. O Departamento dos Negócios Estrangeiros da Austrália renovou o aviso de não viajarem aos Australianos, alertando ainda da possibilidade de violência em Ermera, Aileu, e Liquica.

O Embaixador na ONU e nos USA, José Luis Guterres, começou uma série de encontros para tentar restaurar a unidade e salvar a reputação internacional de Timor-Leste. O Ministro dos Estrangeiros começou a culpar o governo pela crise, por não ter resolvido a questão mais cedo. Em consulta com o Primeiro-Ministro começou com apelos e esforços para se encontrar com os soldados nas montanhas.

O Comentador político local Júlio Pinto argumentou que o Primeiro-Ministro não tinha o direito de ter chamado as forças armadas em 28 de Abril, e questionou a competência dos Ministros da Defesa e do Interior.

Em 10 de Maio, a declaração para os media do Primeiro-Ministro indicou progresso nos contactos com os ex-soldados em Maliana e noutros locais, e em providenciar-lhes apoio financeiro. Espera-se que os soldados colaborem com a Comissão dos Notáveis. Foi aprovado o financiamento para reparar as propriedades destruídas em 28 de Abril. Mantém-se presas sete das 90 pessoas detidas depois do assassinato do oficial de polícia em Gleno, e irão a tribunal. Não houve peticionários envolvidos no homicídio em Gleno, mas alguns manifestantes estiveram.

Muitas pessoas estão a regressar a Dili.

Em 11 de Maio, a declaração aos media do Primeiro-Ministro indicava mais esforços para lidar com a crise dos soldados, e que havia esperança do Major Reinado e dos seus 20 soldados e polícias regressarem em breve a Dili. Não foi proposta nenhuma acção disciplinar contra eles. A investigação sobre quantos foram mortos e feridos em 28 de Abril completou-se, mas o Primeiro-Ministro pediu para o seu relatório ser adiado mais uns dias porque surgiram novos rumores sobre o que tinha acontecido. O Ministro dos Estrangeiros Horta encontrou-se com o Major Reinado em Aileu, onde ele estava em paz.

O Ministro fará um relato ao Presidente e ao General Ruak. O Major Reinado prometeu que não haveria guerra. O Ministro dos Estrangeiros Horta requisitou ao Alto Comissário dos Direitos Humanos da ONU para investigar a violência de 28 de Abril.

Em 12 de Maio, o Primeiro-Ministro Australiano Howard anunciou que dois navios de guerra Kanimbla e Manoora seriam colocados em standby nas águas do norte para o caso de Timor-Leste pedir ajuda. Disse que não tinha recebido tal pedido.

Durante o fim de semana de 13-14 de Maio, o Major Reinado visitou o Presidente Gusmão na sua residência em Balibar, e o Presidente disse que o Major Reinado deixou Dili para ajudar a manter a calma em Aileu. Foi relatado que o Major disse que respeita a autoridade do General Ruak e quer encontrar-se com ele para explicar o passo que deu e que reconhece o Presidente Gusmão como seu Comandante Supremo.

O General Ruak falou na TV dizendo que a deserção dos peticionários desarmados já era suficientemente má, mas que a partida do Major Reinado com armas era muito pior. Disse que estava a tentar contactar o Major para não usar as armas e para as devolver para as F-FDTL.

Continuou a controvérsia sobre o papel do PD no incidente de 28 de Abril, com o seu líder a rejeitar as alegações do Primeiro-Ministro. Mas o Ministro dos Estrangeiros disse à imprensa do fim de semana que o Presidente do PD e a sua mulher estavam a contribuir para a instabilidade ao afirmarem que 100 foram mortos em 28 de Abril.

No Domingo 14 de Maio, houve um concerto para a paz na igreja Motael, onde o Presidente Gusmão apelou aos jovens para usarem o diálogo para resolver as questões pacificamente.

Em 15 de Maio, o Embaixador nos USA e na ONU, José Luis Guterres, e o Ministro para a Região III Egídio de Jesus anunciaram numa conferência de imprensa a sua candidatura contra Mari Alkatiri e Lu-Olo para a liderança da FRETILIN. Esta conferência de imprensa foi convocada pelo 'Grupo da Reforma', incluindo o resignado Ministro do Desenvolvimento Able Ximenes, o antigo Embaixador na Austrália George Teme, e Vicente Guterres. Criticaram o estilo dos líderes como demasiado confrontacional, a sua falta de resultados no país, e a política estrangeira 'não neutra'. Os líderes responderam dizendo estarem felizes por enfrentarem concorrentes.

Lu-Olo rejeitou rumores de que nem todos os delegados estariam presentes no Congresso da FRETILIN, e apelou aos membros do Comité Central para acalmarem a situação nos seus Distritos.

O Parlamento recebeu o relatório da investigação sobre o 28 de Abril, que afirma que a intervenção das forças armadas foi dentro da lei, que duas pessoas foram mortas, quatro mortas, e sete presas. O Vice Ombudsman relatou que a alegação de 60 mortes em Tasi Tolu era questionável e que queria investigar mais.

A imprensa de Segunda-feira continuou o debate sobre 28 de Abril, com o Ministro Horta a dizer que o governo tinha de assumir a responsabilidade, e que a polícia e as forças armadas precisavam de apoio moral por causa de todo o criticismo. Rejeitou a ideia do leste-oeste e avisou contra qualquer divisão nos serviços de segurança. Lu-Olo e outros apontaram que os problemas na polícia e nas forças armadas datam desde a sua criação pela UNTAET e UNAMET.

O Townsville Bulletin de 16 de Maio relata que o Tobruk se juntará ao Kanimbla e Manoora na construção duma força militar para estar disponível para intervir em Timor-Leste. O cenário avançado foi que o Congresso dividirá a FRETILIN, o Primeiro-Ministro Alkatiri ordenará uma repressão militar, e a ONU pedirá uma intervenção militar Australiana.

O Ministro Bano respondeu ao criticismo da igreja sobre a sua resposta aos deslocados com a contabilidade de todos os esforços para fornecer alimentação e outros apoios. Relatou que o governo tem a situação sob controlo e pode fazer mais se for necessário.

O representante da ONU Hasegawa encontrou-se com o Tenente Salsinha em 16 de Maio em Ermera. Salsinha exigiu que as forças do governo fossem desarmadas, que investigadores internacionais se juntassem à Comissão dos Notáveis, e que forças militares internacionais fornecessem a segurança do povo, se o processo é para ter qualquer sucesso. Disse que a Comissão dos Notáveis veio tarde de mais, e que não houve terceiras partes envolvidas com os peticionários. Mr Hasegawa disse que relataria estas ideias ao Presidente Gusmão.

O Ministro Horta encontrou-se com alguns peticionários liderados pelo Major Tara em Suai, onde disse que havia paz. Pediu-lhes que cooperassem com a Comissão.

Em 17 de Maio abriu o Congresso da FRETILIN com quase todos os partidos a declarar desejo de sucesso e a apontar a importância do seu papel. O Ministro Horta rejeitou completamente a nova exigência de Salsinha para o desarmamento das forças armadas. L-7 e veteranos da resistência declararam o seu apoio completo ao processo da Comissão dos Notáveis. Os peticionários continuam a recusar cooperar com a Comissão. Salsinha estava perto de Atsabe com 200 deles, mas queria que todos os 500 se concentrassem em Ermera.

Ambos o HAK e o PSD rejeitaram o processo do relatório sobre a intervenção das F-FDTL em 28 de Abril. O Bispo retirado Belo apelou aos líderes políticos para falarem com simpatia ao povo e para o ouvir, para ajudar a resolver todas as questões acerca de 28 de Abril.

O Major Reinado acusou o Primeiro-Ministro de ordenar às forças armadas para abrirem fogo sobre os manifestantes em 28 de Abril, dizendo que ele testemunhou as ordens a serem dadas. A Lusa contactou o Vice-Chefe das forças armadas o Coronel Lere, que confirmou ter recebido ordens orais do Primeiro-Ministro depois de uma reunião do gabinete de crise que incluiu o chefe da polícia. O Coronel Lere disse que deu a ordem para disparar quando as suas tropas foram atingidas com pedras, duas granadas de mão e quatro tiros.

No Congresso, o Primeiro-Ministro Alkatiri lançou uma nova causa nacional para lutar contra a pobreza e o progresso feito para criar estruturas municipais efectivas.

Em 20 de Maio, depois do Congresso, o Primeiro-Ministro Mari Alkatiri declarou que algumas pessoas estavam a tentar dividir a nação ao dividirem a FALINTIL e a FRETILIN, as duas estruturas com mais confiança. Prometeu que falhariam em dividir as FALINTIL, que já estavam a tentar fazer, e que nunca dividiriam a FRETILIN. Apelou a todos os membros da FRETILIN para trabalharem contra a divisão 'leste-oeste'.

L-7 rejeitou rumores que ele e outros veteranos se preparavam para atacar Ermera.

Na Segunda-feira, 22 de Maio, o Ministro dos Estrangeiros Horta discordou acaloradamente com a recusa dos peticionários em cooperarem com a Comissão dos Notáveis, e exigirem o desarmamento das F-FDTL. Disse que mantinha o contacto com o Tenente Salsinha e que o encontraria emm breve.

Mark Dodd relatou no Sydney Morning Herald que o Presidente Gusmão participaria num retiro com soldados peticionários no Seminário em Dare, para ajudar a resolver a crise essa semana. O Primeiro-Ministro e o Ministro dos Estrangeiros também tomariam parte, e não acabaria enquanto a questão não fosse resolvida. Isto foi arranjado pelo Ministro dos Estrangeiros Horta. A solução envolveria melhor disciplina e procedimentos de promoção e mais subsídios para visitas a casa de posições distantes. Pode também envolver re-estruturação das forças armadas.

Dodd também relatou que José Luis Guterres tinha planeado oferecer o posto de Primeiro-Ministro a Horta se tivesse derrotado Mari Alkatiri no Congresso, e que Horta tinha considerado a ideia.

Declarações da HAK e do advogados dos direitos humanos Adérito de Jesus indicam que continua a crescer o medo público ao mesmo tempo que o governo diz haver mais calma. De Jesus acusa o governo por não resolver a crise.

O Major Reinado deu uma entrevista em Aileu saudando o dialogo que está a ser organizado mas dizendo que o tempo está a acabar, as Comissões não tinham punido ninguém, e que se as pessoas em Dili se sentem inseguras devem partir, porque a curto prazo ninguém pode garantir a sua segurança. Pediu ao Presidente, Ministro dos Estrangeiros e aos dois bispos para se encontrarem e dialogarem para resolver o problema rapidamente. Lu-Olo criticou o Major Alfredo por se mudar para a política.

O Ministro Horta clarificou que não tinha dito que o governo tinha perdido a sua credibilidade, somente que tinha de trabalhar mais para ganhar a confiança das pessoas depois da crise se ter desenvolvido. Congratulou Mari Alkatiri e Lu-Olo pela re-eleição no congresso da FRETILIN, dizendo que tinham a confiança das pessoas e que fora um processo democrático.

Na Terça-feira 23 de Maio houve relatos de tiroteios perto de Dili e de um confronto entre soldados e amotinados. O Ministro dos Estrangeiros Downer contou no parlamento de relatos de violência e de estragos em propriedades em partes de Dili, e re-declarou a prontidão da Austrália em intervir se fosse requerido.

No mesmo dia, o governo de Timor-Leste entregou a autorização de exploração em cinco blocos offshore para a Italiana ENI Spa, e a um bloco à Indiana Reliance Industries. Lucros destas áreas serão divididos 60-40 entre o operador e o governo, que receberá ainda 5% de royalty.

A Nova Zelândia relatou que tinha 30 tropas em standby em Christchurch, se o governo de Timor-Leste requerer ajuda.

Nesse dia, tropas comandadas pelo Major Reinado atacaram alguns soldados desarmados que regressavam do Banco Ultramarino em Dili onde foram receber o seu salário, e atacaram soldados armados num posto de observação, ambos em Fatu Ahi perto de Becora. Do lado das F-FDTL, houve um soldado morto e cinco feridos e um polícia gravemente ferido. Do lado de Reinado um soldado ficou gravemente ferido. As F-FDTL e a polícia perseguiram os amotinados. O Primeiro-Ministro, Ministros da Defesa e do Interior, chefes das forças armadas e da polícia fizeram uma reunião de urgência. Relataram o incidente ao público e apelaram à calma, dizendo que apanhariam os perpetradores que tinham identificado. O amotinado ferido foi levado para o hospital em Aileu, e dois amotinados foram capturados.

Gente não identificada queima outra vez o mercado de Taibesse.

O Ministro Bianco disse que a polícia providenciará segurança em Dili 24 horas por dia e que não há ainda necessidade de pedir assistência internacional.

Às 7 am na Quarta-feira de manhã, amotinados desceram das montanhas para atacar a base das forças armadas em Tasi Tolu, e foram usadas no confronto metralhadoras e granadas de mão. Um soldado ficou ferido com estilhaços. Os residentes começaram a fugir da área, mas alguns ficaram bloqueados num bloqueio das forças armadas no caminho de Liquica.

O Presidente Gusmão ordenou às forças do governo para perseguirem os amotinados, liderados pelo Major Reinado, que atacou as forças armadas no dia anterior.

A Austrália ordenou a evacuação de funcionários civis não essenciais em Dili. Os media relatam a expectativa de que o governo de Timor-Leste peça assistência militar hoje.

A ONU restringiu os movimentos do seu pessoal em Dili, subindo o seu alerta de segurança. A maior parte de Dili estava normal, mas o nível de preocupações das pessoas era elevado.

O Presidente Gusmão cancelou a sua visita planeada à China.

O jornalista Australiano da SBS Dateline, David O'Shea, estava a filmar uma entrevista com o Major Reinado mesmo antes do tiroteio ter rebentado. O Major Reinado ordenou às suas tropas para abrir fogo e gabou-se perante a câmara que tinha matado um. Também disse para a câmara enquanto recuava que este incidente traria forças internacionais.

FIM.
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Mais um boato que desmentimos à nascença

Recebido de um intriguista do costume:

"Espero que o GNR sabe comportar como um membro de GNR professional. Lembre-se que os Timorenses sao tambem seres humanos como outros.Os GNR nao tem outro tipo de castigo eh (castigo com bloco de gelo). Como e o futuro destes jovens se os GNR continua com este tipo de castigo?..."

Resposta:

Mais do mesmo. Contra o interesse nacional, aparecem sempre uns intriguistas que não se poupam a esforços para inventar boatos e aumentar a instabilidade, principalmente contra quem luta para repor a ordem e a paz.

Está na altura do Governo e a Presidência da República acabarem com a cortina de silêncio e repudiarem a violência e os boatos contra as forças de segurança, como a GNR.

Quem cala consente.


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Dos leitores

Esta noite houve problemas em frente a minha casa. Apareceram imediatamente as forcas internacionais, desta vez em colaboracao, GNR, australianos e malaios. Da-me algum confronto saber que ha quem, desempenhando um trabalho arriscado, zela pela seguranca dos cidadaos. A GNR prima pelo profissionalismo, esta aqui a pedido das autoridades timorenses legitimas para ajudar a manter A LEI E A ORDEM. Nao esta aqui para ajudar nenhuma corrente politica (nem os pro nem os contra) e nao distingue entre "bandidos bons" e "bandidos maus" nem entre "bandidos do nosso lado" e "bandidos do lado deles".

Ainda no Domingo telefonamos para uma amiga nossa (natural de Baucau) para saber se estava tudo bem porque havia problemas no bairro dela, e ela atendeu em panico porque tinha bandidos bestas quadradas a atacaram-lhe a casa, mas logo a seguir disse com alivio "Espera, a GNR ja esta aqui a chegar!". A tarde telefonamos-lhe outra vez e ja estava em Baucau com familiares, tinha tido que fugir mais uma vez com medo que houvesse novos ataques. A rapariga e uma estudante da UNTL, que costuma trabalhar bastante com as freiras de uma ordem religiosa no apoio social que estas levam a cabo, ou seja, uma cidada que nada tem a ver com politica, nem com armas, nem com nada que possa fazer compreender - ainda que nao justificar - que os delinquentes piromanos a escolhessem como alvo.

Os cidadaos amantes da paz ficam muito contentes por saber que a GNR esta neste momento por ai pela cidade a fazer as suas patrulhas, e natural que os criminosos fiquem desassossegados.

João Paulo Esperança.
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Discurso do PM de apresentação do OE 2006/2007 ao PN

REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DE TIMOR-LESTE
Conselho de Ministros
GOVERNO
____________________

Orçamento Geral do Estado da República Democrática de Timor-Leste
para o Ano Fiscal de 2006-2007
Discurso do Primeiro-Ministro, José Ramos-Horta, no Parlamento Nacional,
Díli, 8 de Agosto de 2006

Sua Excelência o Presidente do Parlamento Nacional
Suas Excelências os Senhores Vice-Presidentes do Parlamento Nacional
Ilustres Deputados
Colegas do Governo
Minhas Senhoras e meus Senhores

Encontro-me aqui hoje para, em nome do Governo, apresentar ao Parlamento Nacional a proposta do Orçamento Geral do Estado para o Ano Fiscal 2006-07.

Este orçamento é apresentado numa ocasião em que tentamos sair de momentos difíceis, momentos que afectaram e continuam a afectar particularmente a nossa capital. Retrocedemos alguns bons anos por causa desta crise. Perdemos em muito pouco tempo o que, a muito custo, construímos durante os primeiros anos após a restauração da Independência.

Como disse aquando da apresentação do Programa do Governo nesta mesma sala magna, muitos perderam o pouco que tinham antes da crise, tornando-se mais pobres. O nosso povo perdeu confiança nas Instituições do Estado e nos dirigentes políticos. O Orçamento de Estado que vimos aqui hoje apresentar é crucial pois visa irá restaurar a confiança junto do nosso Povo, a esperança e o respeito pela nossa jovem democracia e pelo nosso jovem Estado. Devemos todos, com responsabilidade, enfrentar o grande desafio da reconciliação na base da justiça e da busca da verdade por forma a conseguirmos estabilidade e segurança duradoiras, por forma a que, particularmente o nosso povo possa merecidamente trabalhar e viver em paz.

Este Orçamento é virado para a luta contra à pobreza.

Pretendemos reforçar a nossa atenção às zonas rurais através da mobilização de recursos financeiros e humanos que garantam rapidamente a dinamização de actividades económicas nessas regiões, pela implementação de pequenos projectos de impacto rápido na vida das populações.

O Orçamento Geral do Estado que o Governo está a propor para a consideração do Parlamento Nacional é um grande esforço para a economia Timorense. A despesa pública aumentará de $142m para $315m representando um aumento de $173m ou de 122%.

Gostaria de informar ao Parlamento que este aumento das despesas públicas tem os seus riscos. Pode aumentar os níveis de inflação. A inflação afecta adversamente povo, particularmente os pobres. O alto nível de desemprego é uma realidade. As oportunidades são poucas.

O desafio que este governo enfrenta é, principalmente através dos projectos previstos, criar empregos, beneficiando indirectamente deste modo um grande número de timorenses e evitando inflacionar a economia. A execução de alguns projectos de construção por empresas estrangeiras resultará no aumento significativo da capacidade do sector de construção, na transferência de conhecimentos e no aumento de emprego neste sector.

Outras medidas a tomar dizem respeito ao processo de aprovisionamento. Um processo mais rápido e eficiente reduzirá os custos, provocará uma maior competitividade e consequentemente afectará os preços. Isto passa pela total implementação do pacote legislativo em vigor sobre aprovisionamento e outras medidas correlacionadas, com destaque para a capacitação de pessoal.

A par disso, o Governo tenciona rever, com vista a melhorar, a estrutura regulatória dos negócios.

Com estas medidas há razões para acreditarmos que com a proposta de aumento de despesas públicas que se propõe o aumento de preços se fará de forma contida.

O Governo permanecerá vigilante e analisará com cuidado os efeitos que possam surgir na economia.

Quanto à política fiscal o Governo está comprometido com o estabelecido na Lei do Fundo de Petróleo.

Nunca quisemos e continuamos a não querer que Timor-Leste seja um país dependente do petróleo. Os mecanismos do Fundo do Petróleo são importantes veículos para transformar a nossa riqueza petrolífera numa graça para todos o Timorenses a contar desta geração para o futuro e não numa grande calamidade.

Assim informo os ilustres deputados que o Orçamento Geral do Estado para 2006-07 é o primeiro orçamento em que as receitas petrolíferas começam a ter um impacto directo na economia do País.

Desde a o estabelecimento do Fundo temos estado a estabelecer as infra estruturas administrativas necessárias para gerir esta riqueza.

Isto leva-me em primeiro lugar à questão das receitas. As nossas receitas continuam a crescer de forma salutar. Este crescimento deve-se, em grande medida, a melhorias nos proveitos das receitas petrolíferas.

As receitas petrolíferas aumentaram como resultado de uma maior produção petrolífera e de preços do petróleo a nível mundial mais elevados. As receitas petrolíferas no presente ano fiscal serão superiores ao estimado aquando da apresentação no Ano Fiscal 2005-06 do Orçamento Rectificativo. Partindo do princípio que os preços do petróleo (West Texas Intermediate) vão rondar em média os $58 durante o ano fiscal de 2006/07, estima-se que as receitas petrolíferas estarão nos $643m, devendo permanecer elevadas nos quatro anos seguintes, como demonstrado no Documento Orçamental N.º 1.

Em 31 de Março de 2006 o valor de mercado do Fundo Petrolífero foi $508.1m. O saldo estimado do fundo em finais de 2005-06 está calculado nos $623.4m. O total da riqueza petrolífera proveniente do campo de Bayu Undan está estimado em $9.4 mil milhões.

Gostaria de chamar a atenção dos membros deste Parlamento para o nosso Plano de Desenvolvimento Nacional. O plano foi baseado numa visão a longo prazo, com alvos a serem alcançados até 2020, com prioridade para a educação, a saúde, a agricultura e infra estruturas e tendo sempre em consideração a sustentabilidade.

Recordo aos Ilustres Deputados que o plano mostra que o povo timorense tem muitas expectativas, mas que estas incidem sobretudo em duas metas abrangentes, nomeadamente:

· Redução da pobreza em todos os sectores e regiões da nação, e
· Promoção de um crescimento económico equitativo e sustentável, melhorando a saúde, educação e o bem-estar de todos os habitantes de Timor-Leste.

O orçamento do Governo para 2006-07 é consistente com estes ideais.

Sr. Presidente,
Excelências,

Há apenas dois anos os nossos parceiros de desenvolvimento financiavam quase um terço do Orçamento de Estado. Hoje, esse financiamento é de apenas 3%. A maior parte deste apoio foi feita inicialmente através do Programa de Apoio à Transição (PAT) e nos últimos tempos através do Programa de Apoio à Consolidação (PAC).

O nosso orçamento não afecta um só cêntimo para o pagamento de juros ou para a amortização de qualquer tipo de dívida. Muitos Governos por todo o mundo sofrem actualmente de elevados juros de dívida pública, sendo forçados a redireccionar recursos que de outro modo iriam para a construção de infra-estruturas e para o financiamento de serviços sociais tais como a saúde e a educação. Timor-Leste, porém, não sofre este fardo.

Nos primeiros anos da restauração da independência muitas instituições, particularmente as financeiras, recomendaram ao Governo que pedisse dinheiro emprestado. A contracção de dívidas nessa altura implicava, acima de tudo (1) capacidade em recursos humanos para gerir essas mesma dívida e (2) capacidade da economia absorver o montante da dívida. Nesse sentido um pedido de estudo de viabilidade sobre empréstimo foi pedido ao Banco Mundial. Um primeiro esboço foi apresentado já lá vão dois anos. Continuamos à espera dum esboço final.

Um pedido de empréstimo nessa altura e sem ter em conta as suas vantagens e desvantagens ter-nos-ia colocado num estado de incerteza e deixaria um passivo para os nossos filhos e netos. Ao invés disto deixamos-lhes uma base de rendimentos constantes. Todos nós nos podemos sentir orgulho nisto.

Ainda há bem pouco tempo o Presidente do Banco Mundial comentou de forma elogiosa o modo como Timor-Leste desenvolveu o seu quadro de finanças públicas.

Os anos iniciais em que evitámos a solução mais fácil – o de contrair empréstimos quando ainda tínhamos pouca experiência, foram difíceis para todos nós, mas actualmente deparamo-nos com desafios ainda maiores que importa saber superar.

Senhores Deputados,

O orçamento que o Governo apresenta hoje para vossa consideração diz respeito à consolidação da nossa jovem democracia, diz respeito à construção nacional.

Este orçamento irá assegurar o ímpeto que permitirá à nossa economia crescer, de modo a dar mais oportunidades de emprego ao nosso povo para que este possa trilhar o rumo da visão que tem sido a nossa desde a proclamação da independência em 1975.

O orçamento deste ano irá registar uma despesa programada de $315m e um aumento de $173m em relação aos valores finais do orçamento de 2005-06. O montante de $120 milhões é afectado para capital de desenvolvimento.

Os princípios intergeracionais sobre os quais se baseia o Fundo Petrolífero têm início com a presente geração. Não é com a próxima, nem com a depois dessa, é com a geração actual.

O Orçamento do Estado para 2006-07 será o primeiro a utilizar os mecanismos legislados na Lei do Fundo Petrolífero. A Lei foi aprovada por unanimidade por este Parlamento em 22 de Junho de 2005.

Existe um défice fiscal de $259.7 em relação aos $315.5m de despesas. A estimativa de receitas não petrolíferas, das doações e das receitas próprias dos órgãos autónomos totalizam $55.8m.

O financiamento do défice fiscal para 2006-07 irá requerer uma transferência do Fundo Petrolífero para a conta do Tesouro (CFET) de $259.7m, ainda assim dentro do nosso nível sustentável de receitas petrolíferas de $283.3milhões.

O Governo está ciente que o povo timorense quer ver resultados e que pela primeira vez o Governo dispõe de recursos para dar resposta imediata de uma forma responsável em termos económicos e apropriada em termos sociais.

Senhores deputados, gostaria de incidir nos diferentes sectores em que o Governo está a operar e nas medidas que serão tomadas em 2006-07.

Educação do nosso povo

A meta deste Governo é conseguir educação pública universal para todo o nosso povo. O Plano de Desenvolvimento Nacional salienta este desejo, sendo que os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio estabelecem um alvo de 9 anos de ensino básico para todos até 2015.

A educação é o caminho do indivíduo para um maior envolvimento social, económico e cultural na comunidade. Um indivíduo sem instrução é como um agricultor sem sementes ou como um pescador sem rede, condenado a uma vida de miséria e sem oportunidades. Não há tragédia maior numa sociedade do que uma população ignorante e iletrada.

A educação é o nosso maior investimento. Este ano o orçamento para a educação será de $35 milhões.

Este Governo irá alocar verbas, através de Transferências, para as escolas públicas em todo o país com base em critérios estabelecidos pelo Ministério da Educação e da Cultura (MEC) ou sejam, no nível de ensino e no número de alunos matriculados por escola – a lista das escolas com o número de alunos e a verba por cada escola encontra-se anexa ao Documento Orçamental N.º 1. Estas verbas destinam-se a fazer frente a pequenas despesas tais como pequenas reparações e aquisição de materiais de pequeno valor (papel, giz, vassoura, etc). Não se destinam a pagar professores. O dinheiro será desembolsado trimestralmente directamente para as escolas. O MEC dispõe de informações sobre os processos de gestão e desembolso.

Este Governo irá continuar a assegurar um acesso amplo ao ensino básico, por via da construção e reabilitação de mais de 300 escolas ao longo dos próximos 3 anos. Poderão constatar no plano de capital de desenvolvimento anexado no Documento Orçamental N.º 1 que propomos, com o orçamento deste ano, reabilitar e construir, entre outros, de 87 Escolas Primárias, 24 residências para professores de ensino primário, 11 Escolas Pré-Secundárias, 8 Escolas Secundárias, 5 Escolas Técnicas e dois edifícios do ensino superior (UNTL).

O MEC está também dotado de uma verba destinada a fornecer uma refeição quente para crianças das escolas primárias. Este é um programa piloto, totalmente financiado pelo Orçamento de Estado e tem como alvo os alunos das escolas primárias públicas dos Distritos de Viqueque, Manatuto e Aileu. O objectivo é o alcançar um alvo de 300.000 alunos em todo de Timor-Leste nos próximos anos. O montante para cada escola está esboçado no Documento No. 1. Este programa visa evitar a desistência das aulas por falta de condições dos pais, garantir uma alimentação nutritiva que ajude no desenvolvimento das crianças e visa estimular a economia local com a compra de produtos à comunidade para confecção dos alimentos.

O Governo procura com urgência melhorar a eficiência interna das escolas, em especial para os 25% de crianças em idade escolar actualmente fora do sistema de ensino. Iremos fazer isto através dos nossos programas de educação, sendo que os nossos objectivos específicos são:

· melhorar a qualidade e os resultados pedagógicos, nomeadamente através de melhorias curriculares e de formação de professores;
· promover um ensino técnico, profissional e superior mais relevante;
· abordar o problema do analfabetismo, que afecta cerca de 50% da população adulta, por via de intervenções mais eficazes e intensivas; e
· regular e monitorizar os sistemas de educação público e privado, de modo a assegurar um nível mínimo de qualidade.

O Ministério do Trabalho e da Reinserção Comunitária irá receber financiamento continuado com vista a apoiar o Centro Nacional de Emprego e Formação Profissional em Tibar.

Redução da Doença, Melhoria da Saúde

Os doentes não conseguem aprender, os doentes não conseguem trabalhar, os doentes representam um fardo substancial para as famílias e comunidades. A isto tudo soma-se como é lógico a tristeza e o desespero causados pela morte, em especial quando morrem membros jovens da nossa população, que gostaríamos de ver levarem uma vida melhor do que a nossa, em virtude de doenças que podiam ter sido evitadas.

A estratégia do Governo na área da saúde visa reduzir as questões mais prementes no que toca à saúde e mais concretamente à mortalidade infantil e materna.

No âmbito da cooperação bilateral com Cuba, estudantes timorenses oriundos de todo o território nacional encontram-se a cursar medicina em Cuba. Outros seguirão o mesmo caminho. Este orçamento inclui bolsas para enviar jovens timorenses para Cuba e para lhes permitir regressarem e ajudarem os seus concidadãos.
Para lá disto o nosso acordo bilateral com Cuba resultou também na vinda para o nosso País de médicos e especialistas cubanos. Os mesmos encontram-se a prestar serviço em todo o território de Timor-Leste.
O orçamento irá permitir fazer a manutenção dos postos de saúde dos distritos, mas igualmente a construção de residências para médicos em quase todos os Distritos.
O orçamento para 2006-07 prevê a reabilitação de Postos de Saúde nos Distritos de Aileu, Baucau, Bobonaro, Ermera, Manatuto, Liquiçá, Lautém e Díli assim como o início da construção dos Hospitais de Referência de Baucau e Suai.
O fornecimento de electricidade aos postos de saúde nos distritos é um elemento essencial. Está previsto incorporar painéis solares em todos os Postos de Saúde nos 13 Distritos. Juntamente com os novos geradores, isto permitirá um fornecimento de electricidade 24 horas por dia, o que é vital para conservar vacinas e medicamentos e garantir o funcionamento do equipamento de comunicações.
Para garantir que mais partos possam ser assistidos por profissionais de saúde, irão ser adquiridas motorizadas para os assistentes de partos dos Centros e Postos de Saúde.

Segurança Alimentar e Melhoria da Nossa Produtividade Agrícola

Grande parte da nossa população trabalha na agricultura de subsistência. Queremos que os nossos agricultores produzam excedentes, que possam fornecer produtos agrícolas às suas comunidades locais e não só.
O programa piloto de uma refeição quente tem em vista confeccionar a refeição com ingredientes produzidos pela comunidade, pelos agricultores locais. Isto tem três benefícios imediatos: Em primeiro lugar há um benefício para a educação, visto constituir um incentivo adicional para ir à escola. Depois há um benefício para a saúde, que passa por termos as nossas crianças a receberem uma boa alimentação numa fase vital do seu desenvolvimento. Por fim temos um benefício económico, já que os agricultores recebem rendimentos que podem por sua vez ser investidos nas respectivas famílias ou negócios.
Esta é uma actividade simples que não requer grandes quantias de dinheiro, precisa apenas de uma forte liderança a nível local e de um esforço sustentado da parte de todos os envolvidos. Porém, uma vez tornada realidade, traduzir-se-á num enorme benefício para toda a comunidade local.

Com o intuito de melhorar os serviços prestados aos agricultores e pescadores, o orçamento para 2006-07 irá financiar mais 412 funcionários no Ministério da Agricultura, Florestas e Pescas, um dos alvos da onda de pilhagens e destruição de há algumas semanas.

O orçamento permitirá ao Ministério adquirir máquinas e equipamentos agrícolas para apoiar agricultores e a produção de alimentos; viaturas e equipamento laboratorial para apoiar no transporte e na formação dos alunos das escolas agrícolas de Maliana e Natarbora e ainda motores para barcos de pesca para apoiar os pescadores, Também irá permitir a aquisição de motorizadas para garantir uma melhor prestação de outros serviços a esses agricultores nos distritos.

O Ministério irá levar a cabo vinte e cinco projectos diferentes em todos os 13 distritos do território, incluindo a construção de edifícios e a reabilitação e manutenção de sistemas de irrigação, assim como a construção de um mercado de peixe na zona reabilitada do mercado de Taibessi.

A segurança alimentar é uma questão vital. O Ministério do Desenvolvimento está dotado de cerca de $7.5 milhões para garantir a existência de um stock permanente de produtos alimentares que possam satisfazer um mês de necessidades em períodos de crise.

Desenvolvimento do Sector Privado

Tenho reiterado continuamente que o futuro da nossa nação irá requerer um sector privado forte para acompanhar o sector público. O sector privado é a sala das máquinas da criação de emprego. A Administração Pública não pode ser o grande empregador. Há um limite para o número de empregos que a Administração Pública pode assegurar directamente. Precisamos de continuar a criar condições através das quais o sector privado possa crescer e criar os tão necessários postos de trabalho.

Medidas para maior envolvimento do sector privado, para a sua mobilização estão à vista. Por um lado o grande aumento na despesa pública resulta necessariamente na mobilização do sector privado, pois é o sector privado que terá de fornecer os bens, é o sector privado que irá construir/reabilitar estradas e edifícios. Por outro lado o Governo pretende reduzir os custos para as empresas, começando por reduzir a tarifa da electricidade que descerá para 12 cêntimos por kilowatt/hora. Isto irá melhorar a rentabilidade de muitas pequenas, médias e grandes empresas que dependem da electricidade para as suas operações quotidianas.

O Instituto de Apoio ao Desenvolvimento Empresarial (IADE) irá ajudar o Ministério do Desenvolvimento (MdD) a criar um ambiente propício para a promoção e desenvolvimento sustentável das empresas nacionais e do investimento nacional dentro de Timor-Leste, sendo que este instituto terá também presença nas regiões fora de Díli.

O MdM terá um aumento no financiamento para serviços diversos relacionados com a promoção do turismo assim como para a criação de um laboratório de metrologia plenamente equipado.

O Governo forneceu financiamento extra ao Ministério do Desenvolvimento a fim de este assegurar capacitação para pequenos empresários, comerciantes, industriais e operadores turísticos. Haverá formação básica em gestão e responsabilização para gestores de pequenas empresas de processamento de alimentos e, a médio e longo prazos, para operadores económicos, em especial gestores de cooperativas.

Propomos apoiar a criação de um Banco de Crédito Rural, com gestão privada. O objectivo é ajudar, através de pequenos créditos, os produtores das zonas rurais por forma a que possam sair do ciclo de produção de subsistência. O Governo irá contribuir com uma injecção inicial de $3.5 milhões para o seu financiamento.

Aumento do Nosso Papel no Plano Internacional

Timor-Leste continuará a trabalhar com a comunidade internacional. O nosso futuro passa pela manutenção de fortes laços sociais, económicos, históricos e culturais com várias nações.

Em 2006-07 o Governo irá abrir quatro novas missões diplomáticas. Tendo orçamentado o estabelecimento de novas missões diplomáticas junto ao Vaticano, em Manila, no Kuwait e em Havana. A missão no Vaticano irá fortalecer os laços tradicionais que existem entre o nosso País e a Santa Sé, a missão em Manila irá ajudar o nosso objectivo de nos juntarmos à ASEAN num futuro próximo, a missão em Havana irá ajudar o nosso trabalho bilateral com Cuba, particularmente em algumas áreas da Saúde e da Educação, enquanto que a nossa missão no Kuwait irá ajudar ao fortalecimento dos nossos laços com outras nações produtoras de petróleo.

Homenagem aos que Lutaram

Excelências,
Durante vinte e quatro anos o nosso povo lutou em várias frentes para restaurar a nossa independência. Não nos podemos esquecer desses tantos e tantos que se envolveram nessa luta. Assim, estão alocadas verbas para pagar pensões e subsídios no âmbito do legalmente estabelecido. Os mesmos serão pagos,e de acordo com os critérios estabelecidos, logo que as listas definitivas derem entrada no Tesouro.

De igual modo serão realizadas várias cerimónias de reconhecimento ao longo do ano financeiro, em datas propostas por Sua Excia o Presidente da República, para honrar aqueles que serviram o país durante o período de luta. Verbas para o efeito estão inscritas no orçamento do Ministério do Trabalho e da Reinserção Comunitátia.

Este Ministério também está dotado de $1,000,000 em verbas públicas para construção de 100 casas para os veteranos já devidamente identificados. Estão feitas as concepções genéricas e as casas serão construídas no local de preferência dos beneficiários.

A construção do Jardim das Vítimas da Guera em Metinaro continuará em 2006-07.

Senhores Deputados,

O falecido Papa João Paulo II foi também um defensor da causa de Timor-Leste. A sua morte entristeceu em muito toda a nação. O compromisso de construção de uma estátua em sua homenagem vem do Governo anterior e propomos realizar com o orçamento deste ano fiscal

Prestação de Informações ao Nosso Povo

A saúde social, cultural e económica da nação requer o fornecimento de informações factuais, a troca de ideias, e a divulgação de eventos com importância a nível nacional.

O Governo pretende, com a assistência de parceiros de desenvolvimento, fazer emissões de rádio e televisão para todos os 13 distritos do País. E irá dotar $2.5 milhões em fundos de contrapartida para erguer torres de transmissão em todos os 13 distritos.
Para lá disto, o Governo está a aumentar substancialmente os recursos do Serviço Público da Rádio Difisão, nomeadamente fundos para a manutenção de equipamentos e torres de transmissão e para novos geradores para os alimentarem. Serão compradas viaturas especializados para coberturas em directo de eventos via televisão e rádio, assim como motorizadas para permitir aos jornalistas deslocarem-se a diferentes áreas.

Autonomização das Comunidades Locais

Têm havido muitas críticas aos processos “centralizadores” e “unitários” do Governo.

A descentralização implica responsabilização, implica recursos, implica capacidades. Temos vindo a avançar lentamente para um modelo de governação mais descentralizada. Este ano fiscal iremos registar várias iniciativas e medidas com a finalidade de transferir dinheiro para fora da Administração Pública.

Será disponibilizado um montante total de $5.787 milhões em verbas públicas para grupos organizados da sociedade civil, nomeadamente através do Fundo de Desenvolvimento Comunitário e do Fundo de Apoio a Actividades Sociais.

O objectivo do Fundo de Desenvolvimento Comunitário é financiar pequenos projectos (canalização de água, obras rodoviárias menores, pequenos sistemas de irrigação, etc.) executados principalmente por grupos organizados da sociedade civil (confissões religiosas, Organizações não governamentais nacionais, cooperativas, grupos comunitários, etc.).

A finalidade do Fundo de Apoio a Actividades Sociais é apoiar actividades em áreas como a educação (creches e escolas) e a saúde (clínicas,) executadas por grupos organizados da sociedade civil (igrejas, ONGs, cooperativas, grupos comunitários, etc.).

Para garantir uma melhor execução das suas funções dentro das comunidades que os elegeram, propomos construir sedes para todos os sucos e dotá-los de água e electricidade por forma a disporem de um local adequado para trabalhar e administrar o Suco, a aumentar o subsídio para o funcionamento dos sucos em 30%, assim com fornecer uma motorizada para cada chefe de suco para facilitar as suas deslocações no contacto com as suas comunidades. Os fundos correspondentes estão inscritos no Ministério da Administração Estatal.

Fundo de Solidariedade

Distintos Deputados,

O Governo não pode antever tudo. É a natureza da vida existirem sempre imprevistos.

Este Governo não dispõe de uma bola de cristal que lhe permita saber quando e de onde poderá vir a próxima crise humanitária, todavia pode implementar contingências para lhe dar resposta quando e se ela suceder.

O Fundo de Solidariedade introduzido no ano fiscal anterior foi vital para prestar assistência humanitária à comunidade em alturas de fome e para ajudar aqueles que sofreram durante as recentes perturbações. Através do Fundo de Solidariedade concederam-se bolsas de estudo, deu-se apoio no campo da saúde e da educação aos necessitados, deu-se apoio às populações afectadas por ventania, etc. Queremos continuar e alargar a base de utilização deste Fundo.

A Reserva de Contingência é uma reserva que visa que visa fazer frente a situações imprevistas sem que haja tempo para alterar o orçamento.

Construção das Nossas Instituições Democráticas e Fortalecimento das Instituições do Estado

O Presidente da República receberá mais $400,000, com o intuito de financiar os custos do funcionamento do Conselho de Estado e do Conselho de Segurança, bem como o aumento nas deslocações ao estrangeiro e na reserva de contingência do Presidente. Para o programa de reconciliação está estimada uma verba de $250 mil dólares.
Para garantir o financiamento operacional continuado, o Parlamento terá um aumento de $368,000 que se destinam especificamente aos subsídios diários acrescidos e ao aumento do Fundo de Viagens ao Exterior. Para lá disto foram destacados $1.5 milhões para a construção da primeira fase do novo complexo Parlamentar.

Estão previstas eleições legislativas e presidenciais para 2007. Para a implementação de todo o processo, o Ministério da Administração Estatal está dotado de mais de $1.8 milhão.

Garantia da Justiça e Direitos

A justiça não se faz com indivíduos a castigarem o que sentem ser injustiças para com eles. Qualquer país que queira ter uma sociedade moderna deve respeitar o primado do Estado de Direito.

A recente perturbação deixou bem nítidas as trágicas consequências da não implementação das leis, da falta de justiça. O Governo continuará a trilhar o caminho difícil rumo à garantia de um sistema de justiça que mereça a confiança do povo. O Governo continuará a financiar a formação de juízes, procuradores, advogados e juristas timorenses, independentemente do tempo que demore.
A recente desordem traduziu-se igualmente em várias detenções. As pessoas detidas serão julgadas e, caso sejam consideradas culpadas de alguma transgressão, serão condenadas. A este respeito as prisões de Baucau, Becora e Ermera serão reabilitadas. Será fornecido um financiamento acrescido com vista a dotar os guardas prisionais de fardas e os detidos de indumentária própria.
Todavia o Governo sente também a necessidade de assegurar aos detidos uma oportunidade para melhorarem as suas vidas, de modo a poderem eventualmente ser reintegrados na comunidade. Temos de aprender a perdoar aqueles que tenham cumprido as suas sentenças, conforme atribuídas pelo Estado, através dos Tribunais e a reintegrá-los nas nossas comunidades. O Governo dará apoio para formação vocacional aos detidos, através de vários cursos.

Propomos construir e reabilitar os edifícios do Registo Civil e Notariado nos Distritos de Díli, Baucau, Ainaro, Ermera e Oe-Cusse.

Os Tribunais terão um aumento significativo em termos de recursos, sendo assegurados fundos adicionais de forma a permitir o pagamento aos intérpretes a trabalharem nos Serviços de Tradução dos Tribunais. Há um aumento para garantir a manutenção dos edifícios de tribunal nos Distritos, e um financiamento acrescido para o pagamento de contas de electricidade e telefone.
O Provedor de Direitos Humanos e Justiça, um órgão separado do Estado, receberá fundos extra para que possa redigir códigos internos, manuais e normas de procedimento para o gabinete. O Provedor será também capaz de preparar e implementar um plano estratégico para a promoção de direitos humanos e para evitar a corrupção, assim como para fomentar uma boa governação e administração.
O Governo fornecerá financiamento acrescido ao Provedor para que este seja capaz de implementar o seu plano de educação a respeito de Direitos Humanos aos membros da PNTL e da F-FDTL, Guardas Prisionais e líderes comunitários.

Segurança da Nossa Nação

A segurança é a questão mais sensível a tratar aqui. Vamos continuar a tentar reorganizar as nossas forças de segurança, de modo a que as pessoas possam seguir as suas vidas com um sentimento de segurança e estabilidade. Custa-nos a todos ver que os campos de deslocados continuam cheios pois as pessoas com medo não regressam às suas casas ou do que delas resta.

A PNTL terá de ser toda ela reorganizada. O Governo irá aumentar o financiamento da PNTL para que esta possa recrutar até o nível máximo estabelecido de 3.500 elementos.

Em termos de capital de desenvolvimento prevê-se construir, entre outros, um novo centro de formação para a PNTL, um edifício para o Comando Operacional no Distrito de Suai, posto de Imigração em Batugade,e quatro novos postos de Imigração em Atauro, Lautém, Citrana-Oecusse e Tunubibi-Maliana, e pretende-se reabilitar 6 postos de segurança na Fronteira.

Os nossos bombeiros trabalharam arduamente e com grandes dificuldades durante as recentes perturbações. O Governo reconhece e aplaude o seu esforço. O Governo pretende empregar mais 54 bombeiros, e comprar 2 veículos de combate a incêndio.

Mais 119 funcionários temporários serão empregues para fortalecer o trabalho de segurança nos Gabinetes Administrativos nos Distritos que não Díli.

Fundos adicionais são alocados para construção do Quartel-General das F-FDTL, Também são aocados fundos para compra de um barco patrulha que visa garantir a vigilância nas áreas marítimas de Timor-Leste assim como para a sua manutenção e despesas com combustível.

Reabilitação das nossas infra-estruturas

O impulso económico de que o país necessita requer um investimento público substancial no que diz respeito a infra-estruturas, estradas, aeroportos, abastecimento de água e electricidade.

O orçamento para as Obras Públicas é superior a $40 milhões. Isto irá incluir a reabilitação das estruturas urbanas, tais como esgotos e passeios. Serão fornecidos mais de $18 milhões para a melhoria de estradas secundárias e rurais.

O Ministério irá iniciar um projecto plurianual que visará melhorar o muro de protecção entre a praia dos Coqueiros até à praia da Areia Branca. Serão assegurados fundos de contrapartida para a conclusão de 5 pontes, em ligação com a União Europeia, assim como mais fundos para melhorar o acesso rodoviário a postos de telecomunicações.

Este será um grande impulso para o emprego a nível local.

O Governo está ciente da falta de capacidade dentro do Ministério das Obras Públicas no que toca à concepção e supervisão adequadas de trabalhos capitais. Esta capacidade levará algum tempo a desenvolver, porém o país não se pode dar ao luxo de esperar de braços cruzados. Em resultado disto o Governo irá destacar $5 milhões com o intuito de permitir ao Ministério das Obras Públicas contratar consultores para ajudar com a concepção e supervisão particularmente das grandes obras.

Propomos reabilitar o porto de Com em Lautém.

Serão igualmente orçamentados fundos adicionais para obras a serem executadas no Aeroporto Internacional Presidente Nicolau Lobato. Os trabalhos irão incluir:
· melhoria das salas de chegadas e partidas;
· reabilitação das pistas e acessos;
· manutenção da rede de circulação, esgotos e reabilitação de sanitários.

Os Nossos Jovens, O Nosso Maior Activo

Os jovens da nossa nação são o nosso maior activo. Somos a nação com taxa de natalidade das mais elevada do mundo, e como tal temos uma população jovem e ansiosa, que requer uma liderança local construtiva.

O Governo estabeleceu a Secretaria de Estado da Juventude e Desporto para ouvir e encontrar soluções para as preocupações dos jovens. Foram prestados fundos adicionais a esta Secretaria de Estado para que possa ter assistência técnica. O Governo irá financiar a construção de Centros para Jovens, nos quais os jovens possam, entre outros, ter acesso a bibliotecas, centros culturais e desportivos e à Internet.

Conclusão

Senhores Deputados, Excelências

O Governo delineou um plano construtivo, transformado em números, para ser considerado pelo Parlamento Nacional.

Esperamos a melhor apreciação de Vossas Excelências e consequentemente a aprovação da proposta de Orçamento de Estado para o Ano Fiscal 2006-07 aqui acabado de ser apresentado.

Muito obrigado.

REPUBLICA DEMOCRATICA DE TIMOR LESTE
PARLAMENTO NACIONAL

Gabinete de Relações Publicas

Agenda Plenária n.º 430/I/4.ª
Terça-feira, 08 de Agosto de 2006


A sessão plenária do Parlamento Nacional de Timor-Leste do dia 08 de Agosto de 2006, foi presidida pelo seu Presidente, Sr. Francisco Guterres “Lu-Olo “, em conjunto com os Vice-Presidentes, Sr. Jacob Fernandes e Sr. Francisco Xavier do Amaral, o Secretário da Mesa, Sr. Francisco Carlos Soares, e as Vice-Secretárias, Sr.ª Maria Avalgiza Lurdes e Sr.ª Maria Terezinha Viegas.

O único assunto em debate foi a Proposta de Lei n.º 49/I/4.ª sobre o “Orçamento Geral do Estado para o Ano Fiscal de 2006/2007”, apresentada pelo Governo na pessoa do Sr. Primeiro-Ministro. Saliente-se que na referida apresentação estiveram presentes todos os membros do Governo.

A Proposta de Lei apresentada prevê uma verba total de 315.537 milhões de dólares, cuja verba se destina a diversas rubricas, nomeadamente:

· Salários e vencimentos........................................... 38.3 milhões de dólares
· Bens e serviços....................................................... 121.6 milhões de dólares
· Capital menor.......................................................... 17.6 milhões de dólares
· Transferências......................................................... 18.2 milhões de dólares
· Capital de desenvolvimento....................................19.7 milhões de dólares

Após a referida apresentação, o Relator da Comissão de Economia e Finanças (Comissão C), Sr. Miguel Soares, procedeu à leitura do relatório e parecer elaborado por esta Comissão relativamente à Proposta de Lei em apreço. O presente relatório foi aprovado com 13 votos a favor, nenhum voto contra e uma abstenção.

A discussão e votação na generalidade da Proposta de Lei sobre o Orçamento Geral do Estado para o Ano Fiscal de 2006/2007 irá continuar amanhã, dia 9 de Agosto.

Ressalve-se que nesta sessão plenária não estiveram presentes os Deputados da Bancada Parlamentar do PSD.
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Comunicado à Imprensa - PM

REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DE TIMOR-LESTE
GABINETE DO PRIMEIRO-MINISTRO

INFORMAÇÃO À IMPRENSA


Restantes membros do Governo empossados

Em cerimónia prevista para as 16h00 desta terça-feira, 8 de Agosto, no Palácio de Lahane, em Díli, será conferida posse pelo Presidente da República, Xanana Gusmão, aos seguintes membros do Governo:
- ministra da Administração Estatal, Ana Pessoa;
- vice-ministro da Educação para o Ensino Técnico e Superior, Vítor Conceição Soares; - vice-ministra da Justiça, Isabel Ferreira;
- secretário de Estado para a Coordenação da Região I (Lautém, Viqueque e Baucau), José Reis;
- secretário de Estado para a Coordenação da Região II (Manatuto, Manufahi e Ainaro), Adriano Corte-Real;
- secretário de Estado para a Coordenação da Região III (Díli, Aileu e Ermera), Carlos da Conceição de Deus;
- secretário de Estado para a Coordenação da Região IV (Liquiçá, Bobonaro e Cova-Lima), Lino Torrezão;
- secretário de Estado residente em Oe-Cusse, Albano Salem.

Da estrutura orgânica do II Governo Constitucional, ficam ainda por ser preenchidos os cargos de vice-ministro dos Transportes e das Comunicações e de secretário de Estado da Cultura.

Inspector-geral toma posse

O primeiro-ministro, José Ramos-Horta, confere posse esta terça-feira, 8 de Agosto, ao novo inspector-geral de Timor-Leste, Manuel Coutinho Bucar.

Licenciado em Economia pela Universidade de Udayana (Bali, Indonésia), Manuel Coutinho Bucar tem 38 anos, é desde 2001 decano da Faculdade de Economia da Universidade Nacional Timor Lorosa’e e já desempenhou funções de comissário na Comissão Nacional de Eleições.

O novo inspector-geral sucede no cargo a Mariano Lopes da Cruz, que faleceu a 5 de Maio.

A tomada de posse está marcada para o Palácio de Lahane, em Díli, devendo ocorrer a seguir à tomada de posse dos restantes membros do II Governo Constitucional de Timor-Leste.


Díli, 7 de Agosto de 2006

Confrontos entre grupos rivais em Díli, dezenas de detenções

Díli, 08 Ago (Lusa) - Confrontos entre grupos rivais em vários pontos de Díli continuam a marcar a vida na capital timorense, com cerca de meia centena de detenções desde a passada sexta-feira, disse hoje à Lusa fonte policial internacional.

Os incidentes mais recentes ocorreram cerca das 13:00 horas de hoje (05:00 horas em Lisboa) junto ao campo de deslocados situado entre o porto de Díli e o Hotel Timor, no centro da capital, com a polícia australiana e a GNR a efectuarem três detenções após lutas à pedrada entre dezenas de pessoas, jovens na sua maioria.

Os confrontos opõem grupos que se reclamam da parte leste do país por oposição aos da zona ocidental, e têm-se verificado em vários pontos da cidade, com destaque para os bairros de Comoro e de Bebonuk.

A Lusa percorreu hoje o bairro de Bebonuk, e testemunhou que os grupos rivais se controlam mutuamente, com contacto visual.

A situação de tensão tem levado as polícias da Austrália, Malásia e a GNR a acorrerem diariamente àquele bairro, onde duas instituições religiosas, as Carmelitas e Irmãs do Sagrado Coração de Jesus, voltaram de novo a acolher dezenas de populares que pretendem fugir dos confrontos, reeditando a situação registada em finais de Maio e Junho passado.

As autoridades timorenses acreditam que a chegada da força policial integrada na futura missão das Nações Unidas permitirá resolver rapidamente a situação de instabilidade que ainda se regista.

O primeiro-ministro, José Ramos-Horta, em declarações à imprensa nesta segunda-feira, proveniente de uma visita oficial ao Kuwait, salientou que o futuro contingente policial da ONU terá 1.600 efectivos.

"A força policial da ONU chega em finais de Agosto ou princípios de Setembro e será então possível implementar o que achamos que seria a situação ideal para assegurar a tranquilidade nos bairros, e que é a instalação de postos nos bairros e intensificação da frequência das patrulhas", anunciou Ramos-Horta.

Devido à continuação de incidentes opondo grupos rivais, o número de timorenses deslocados, que vivem em campos de acolhimento espalhados por Díli e no interior do país, aumentou, fixando-se agora em 152 mil.

Em declarações recentes à Lusa, Finn Reske-Nielsen, coordenador da ajuda humanitária das Nações Unidas, disse que em Díli estão registados 72 mil deslocados e os restantes 80 mil em campos situados fora da capital.

Para Reske-Nielsen, continua a ser difícil convencer os deslocados a regressar às suas casas.

"Esperamos que o problema possa ser resolvido, mas é difícil, porque as pessoas ainda têm medo. Mesmo com a melhoria da situação em Díli, as pessoas ainda estão assustadas e os problemas fundamentais ainda não estão resolvidos", acrescentou.

Reske-Nielsen considerou que persistem os problemas políticos que estão na base da crise político-militar desencadeada em finais de Abril.

"A divisão leste/oeste ainda é um grande problema", vincou.

A crise timorense iniciou-se com a violência registada no final de uma manifestação patrocinada em finais de Abril por ex- militares, maioritariamente provenientes dos distritos ocidentais do país e que alegaram ser perseguidos no seio da instituição por razões de ordem étnica.

A desintegração da Polícia Nacional e as divisões no seio das forças armadas, além da actividade de grupos de civis armados no saque e destruição de bens públicos e privados, contribuiu para o acentuar da crise, entretanto significativamente ultrapassada com a vinda de cerca de três mil militares e polícias enviados pela Austrália, Malásia, Nova Zelândia e Portugal, a partir de 25 de Maio, a pedido das autoridades timorenses.

EL.

Nova Zelância anuncia retirada das tropas no final do ano

Sidney, 08 Ago (Lusa) - O governo neozelandês anunciou hoje que começar á a retirar as tropas que enviou para Timor-Leste no final do ano, numa operação que será coordenada com a Austrália.

O ministro da Defesa, Phil Goff, lembrou em conferência de imprensa que os cerca de 200 soldados da Força de Defesa e os 25 polícias fizeram parte do c ontingente neozelandês que foi comandado pela Austrália, país que enviou para Ti mor-Leste cerca de 3.000 militares.

O ministro da Defesa da Austrália, Brandan Nelson, anunciou na semana p assada que Camberra começou a reduzir o seu dispositivo até chegar aos 2.000 hom ens, um número que poderá manter-se até que a situação em Timor-Leste esteja com pletamente estabilizada.

O governo de Timor-Leste pediu ajuda à Austrália, Nova Zelândia, Malási a e Portugal (que enviou cerca de 120 efectivos da GNR) para fazer face à onda d e violência que o país atravessou após uma crise política e militar iniciada em Abril/Maio deste ano, que começou com a expulsão de 600 militares que se revolta ram contra o que chamaram discriminação étnica dentro da hierarquia.

Confrontos em Díli, casas incendiadas, e mais de duas dezenas de mortos e de 100 mil desalojados foi o resultado da instabilidade criada. O primeiro-mi nistro, Mari Alkatiri, acabou por se demitir e foi substituído, no mês passado, por José Ramos-Horta.

FP.

Traduções

Todas as traduções de inglês para português (e também de francês para português) são feitas pela Margarida, que conhecemos recentemente, mas que desde sempre nos ajuda.

Obrigado pela solidariedade, Margarida!

Mensagem inicial - 16 de Maio de 2006

"Apesar de frágil, Timor-Leste é uma jovem democracia em que acreditamos. É o país que escolhemos para viver e trabalhar. Desde dia 28 de Abril muito se tem dito sobre a situação em Timor-Leste. Boatos, rumores, alertas, declarações de países estrangeiros, inocentes ou não, têm servido para transmitir um clima de conflito e insegurança que não corresponde ao que vivemos. Vamos tentar transmitir o que se passa aqui. Não o que ouvimos dizer... "
 

Malai Azul. Lives in East Timor/Dili, speaks Portuguese and English.
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