Díli, 29 Fev (Lusa) - O chefe do Estado-Maior-general das Falintil-Forças de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL), brigadeiro-general Taur Matan Ruak, afirmou hoje que "quem não investiga, não tem direito a falar", referindo-se ao chefe da missão da ONU no país.
Taur Matan Ruak referia-se a declarações que terão sido proferidas pelo representante especial do secretário-geral das Nações Unidas em Timor-Leste, Atul Khare, sobre um incidente no aeroporto internacional de Díli.
"Atul Khare ouviu uma parte. Devia ouvir a outra", afirmou Taur Matan Ruak em resposta à agência Lusa numa conferência de imprensa do Comando Conjunto da operação "Halibur" de captura do ex-tenente Gastão Salsinha.
Em causa está o incidente, noticiado pela Lusa, entre elementos da Polícia das Nações Unidas e militares das F-FDTL, quarta-feira.
Militares das F-FDTL retiraram à UNPol um elemento do antigo grupo de Alfredo Reinado que se tinha rendido no enclave de Oécussi, na parte oeste da Ilha de Timor, e que foi transportado para Díli num helicóptero ao serviço da Missão Integrada da ONU em Timor-Leste (UNMIT).
O episódio foi considerado "muito grave" pela missão internacional, segundo fontes ouvidas pela Lusa, e foi objecto de várias "reuniões de crise", em torno da preocupação com as garantias de segurança e legalidade dos suspeitos que se renderam ou poderão render à UNPol.
No entanto, nem as F-FDTL nem a UNMIT comentaram oficialmente o incidente durante três dias.
A situação foi ultrapassada com o próprio processo dos cinco elementos do antigo grupo de Alfredo Reinado, em que se inclui o prisioneiro que a UNPol trouxe de Oécussi.
Os cinco elementos, co-arguidos no processo em que o principal acusado era Alfredo Reinado, foram entregues quinta-feira à noite à UNPol pela Polícia Nacional (PNTL), segundo explica um comunicado emitido hoje pela UNMIT.
"A UNPol deteve formalmente os cinco elementos e apresentou-os ao Tribunal Distrital de Díli", acrescenta o comunicado, o primeiro da UNMIT na sequência do incidente de quarta-feira.
"O tribunal ordenou que os elementos ficassem durante a noite à guarda da UNPol e que fossem presentes ao tribunal de novo às 10:00 da manhã de hoje", afirmou a UNMIT.
"A PNTL e a UNPOl, assim como as F-FDTL e as Forças de Estabilização Internacionais (ISF), estão todos a desempenhar um papel nas operações para apreender as pessoas envolvidas nos ataques de Reinado e seus homens", afirmou Atul Khare no comunicado da UNMIT.
Atul Khare aplaude, de resto, "os esforços da PNTL e de todos os outros envolvidos que tornaram possível esta rendição pacífica à justiça".
Os cinco elementos (e mais dois co-arguidos que estavam na prisão de Becora) vão aguardar em liberdade o julgamento, marcado para 02 de Abril, depois de o juiz do processo ter hoje revogado a prisão preventiva que tinha imposto anteriormente, decidindo por uma medida de coacção mais leve, o termo de identidade e residência.
Falando sobre os resultados da operação "Halibur", o comandante-interino da PNTL, inspector Afonso de Jesus, renovou o apelo a Gastão Salsinha e seus homens "para se juntarem aos camaradas e amigos que já se encontram no campo de Aitarak Laran", em Díli.
O número oficial de peticionários acantonados em Díli é de 550, segundo divulgou hoje o porta-voz do Governo e secretário de Estado do Conselho de Ministros, Hermenegildo "Agio" Pereira.
Questionado sobre o tratamento a dar a Gastão Salsinha e a Kaer Susar, outro elemento do antigo grupo do major Reinado, Taur Matan Ruak deixou clara a distinção entre a operação "Halibur" e os processos judiciais que existem contra os dois fugitivos.
"Uma coisa são as mensagens dirigidas a Salsinha e os outros. Outra coisa é aquilo por que ele tem que responder perante a justiça. Isso é competência da justiça e não tenho que adiantar nada", afirmou o brigadeiro-general Ruak na conferência de imprensa.
"Não lhe peço que se renda. Peço-lhe que reconsidere a sua posição e coopere", explicou o general timorense.
Taur Matan Ruak declarou que "o Comando Conjunto só tem a agradecer aos peticionários acantonados".
"Foram magníficos, foram corajosos e estamos muito sensibilizados", frisou.
"Os outros, já não têm mais tempo a perder. E Timor também não", concluiu o CEMGFA timorense.
PRM
Lusa/Fim
NOTA DE RODAPÉ:
Apesar de não termos ficado esclarecidos sobre o incidente entre militares das FDTL e polícias da UNPOL, relativamente à situação de Gastão Salsinha e do seu grupo, o General Matan Ruak mostrou bem o sentido de Estado que tem.
A cada um sua responsabilidade.
Muito bem, General.
sábado, março 01, 2008
Quem não investiga, não tem direito a falar" - CEMGFA Taur Matan Ruak
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550 peticionários acantonados em Díli - Governo
Díli, 29 Fev (Lusa) - O número oficial de peticionários acantonados em Díli subiu hoje para 550, segundo o porta-voz do Governo timorense e secretário de Estado do Conselho de Ministros, Hermenegildo "Agio" Pereira.
"Hoje chegaram mais vinte peticionários à zona de acantonamento de Aitarak Laran, em Díli, que se vêm juntar aos 530 que já se encontravam ali" ao final de quinta-feira, afirmou o porta-voz do Governo em comunicado.
"Eleva-se assim para 550 o número total de peticionários acantonados", num processo iniciado a 07 de Fevereiro, e que fez afluir a Díli centenas de peticionários das Forças Armadas nos últimos dias.
"Da parte da manhã chegaram dez peticionários, com um segundo grupo de igual número a fazer a viagem para Díli de tarde. Na sua maioria, os peticionários que chegaram hoje a Aitarak Laran são provenientes de Ermera", explica o mesmo comunicado.
"Em Aitarak Laran prosseguem os trabalhos visando a ampliação e a melhoria das instalações e dos cuidados prestados, de modo a responder ao número crescente de peticionários que continuam a chegar ao longo desta semana", refere o secretário de Estado.
"O Governo está a fazer todos os esforços no sentido de garantir uma solução justa e duradoura para todos os peticionários", afirma também "Agio" Pereira.
O acantonamento dos chamados peticionários foi acelerado esta semana pela operação "Halibur" de captura do ex-tenente Gastão Salsinha, o oficial mais graduado entre os 592 signatários de uma petição levada ao Presidente da República em Fevereiro de 2006.
Os signatários da petição alegavam discriminação no seio das Falintil-Forças de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL), contra os militares originários dos distritos ocidentais, ou "loromonu".
Depois de saírem dos quartéis e de serem expulsos das F-FDTL, em Março de 2006, a situação dos peticionários arrastou-se durante quase dois anos, com o major fugitivo Alfredo Reinado a reivindicar a "causa" dos antigos militares.
O acantonamento dos peticionários proposto pelo Governo, a partir de dia 07 de Fevereiro, acelerou-se após a morte de Alfredo Reinado no ataque que fez à residência do Presidente da República, quatro dias depois, e à fuga de Gastão Salsinha com o que restava do seu grupo.
O brigadeiro-general Taur Matan Ruak, chefe do Estado-Maior-general das F-FDTL, agradeceu hoje aos peticionários acantonados em Aitarak Laran e apelou para Gastão Salsinha "se juntar aos camaradas e amigos" que já se encontram em Díli.
PRM
Lusa/Fim
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A nation caught under the barrel
Paul Toohey March 01, 2008
The Australian
HOW do three or four generations of East Timorese who have grown up knowing violence take another path?
At this time, the question is the same as the answer: with more violence or the promise of it. In Dili, the capital, the symbol of peace is the gun.
Young children on their daily rounds routinely see hundreds of men - their own people or those wearing the uniforms of different nations - standing on street corners, or on patrol, or guarding important people, with automatic weapons at the ready. They are learning the same lessons as their parents and grandparents.
East Timor is riddled with all forms of weaponry, the kind held by legitimate forces and the clandestine. In Timor, the AK47, the FN and the Steyr automatic rifles form the coalition ruling party, along with the big, white, crowd-controlling, water-blasting monster with UN markings that has been prowling the streets of Dili.
A Pakistani soldier stands guard in Ermera, a district to the west of Dili, on a busy Sunday morning market scene. His AK47 - the people's gun - is old and battered and has been handed down to him like an older brother's school clothes. It has seen service in many battles in many countries. It's still a reliable weapon, fitted with a fold-out bayonet for close encounters. He says he hasn't used it in East Timor and he's glad for that. It's a shame that he needs to stand ready to use it in an otherwise pretty hilltop market scene.
A Timorese army guard shows the special trick he has fashioned for his weapon: he has one full 30-round magazine in the chamber and has sticky-taped another loaded magazine to it, upside down. This is so when he uses his 30 rounds he can quickly rip out the old magazine, turn it around and have another 30 shots instantly at his disposal. He is ready for trouble.
The F-FDTL, the East Timorese army, which for a long time has been confined to guarding government offices after losing the nation's trust by firing on peaceful protesters in 2006 - which led to the Alfredo Reinado debacle - moves freely through the city with its automatics. Up in the hills, the International Stablisation Force, made up of Australians, conducts sweeps of outlying villages as camouflage-painted choppers hover above in support.
Even Australian Federal Police officers in East Timor are wearing dark-blue, action-ready overalls. They also have automatic rifles.
Amid this menacing picture, people conduct their un-normal lives. They are subject to a national 8pm curfew. No one knows for sure when and from where trouble will come, but everyone expects it.
On liberation in 1999, it was thought there would be an intense show of aggressive, protective force that would lead to stability. It was thought the country would eventually fall in line behind genuine, passionately peace-oriented leaders such as Xanana Gusmao and Jose Ramos Horta. It didn't happen that way. Instead, Ramos Horta, the President, lies recuperating in the Royal Darwin Hospital, having been shot down in cold blood. And Reinado, the rebel who had a reasonable cause - at least until he became too demanding and unreliable - is buried in a Dili front yard after copping a spray of machinegun fire in the face, neck and chest.
Having known Reinado, I found it a strange thing to stand in a heaving crowd as his family opened the lid on his coffin. There he was, one patch over his eye, dressed in white gloves and dark blue suit, having gone the way of the gun. He had always said he would. But I never believed him. I'm not sure if he really believed it himself.
Yet like many Timorese, Reinado, dead at 42, was born to violence, as was his 56-year-old adoptive father, Victor Alves. Alves, a dignified man, has been chain-smoking cigarettes and taking a constant stream of visitors in the wake of his son's death on February 11. He tells something of his own life. His story, like his country's, is written in blood.
Alves's father was a Portuguese man who came to the Portuguese colony, as it then was, in 1948, after the Japanese occupiers had cleared out. He married a local Timorese woman from Maubisse, above Dili. Alves took on that classic Timorese-Portuguese appearance that can also be seen in the make-up of Gusmao, now the Prime Minister. Under the Portuguese, mixed blood gave him status and opportunity above the ordinary people of full Timorese caste.
Alves became a soldier in 1973 when the motherland, Portugal, was beginning to be dominated by leftists. By 1974, they were in control and had begun a rapid, dysfunctional decolonisation process of their African colonies and in Timor.
Three groups within Timor fought for control, leading to civil war. They were the pro-independence, communist-backed Fretilin; UDT, which wanted gradual independence in association with Portugal; and the lesser Apodeti party, which wanted an autonomous Indonesian state. Alves declines to say where his loyalties lay at that time; he says it's better forgotten. But he gives a clue when he says: "When people say to me, today, 'Hey, comrade,' it doesn't sit well with me." The point he makes is that whichever side he was on, he ended up fighting the Indonesians after they invaded in 1975.
"A lot of people were the same as me. It wasn't a matter of taking political sides. It was about fighting for East Timor. I once probed about 6km into Indonesia (West Timor) and didn't even know where I was. I was 23 or 24. I have many regrets. I went in and shot civilian Indonesian people. I do not want to tell these stories to my own children, I want them to go forth with a good life."
Alves was arrested in a battle with the Indonesians in 1977 and taken to the prison on Atauro island, just off Dili. After declining overtures from a charming Kopassus (Indonesian commando) leader to be released in exchange for joining the Indonesian army, he was freed in 1983 and lived a reasonable life in Dili, while being part of the resistance network.
In 1999, during the lead-up to the disastrous autonomy vote, Alves shot dead a pro-Indonesian militiaman. He served only six months on a negligence charge. No witnesses could be found to say that Alves had acted with intent against the militia. By widespread agreement, he should never have served a day.
That the Indonesians were able to recruit East Timorese as militia to rape and kill their own people in 1999 has never been resolved, despite the truth commissions and Ramos Horta's repeated pleadings that people just move on. It is the sickness in Timor's heart.
Alves's nephew Alfredo was born in 1966 and grew up between Victor's and his mother's households. Alfredo was separated from his mother and went to work as a go-getter for an Indonesian battalion, which required him to assist in the subjugation of his own people, witnessing rape and murder. An Indonesian soldier rotating with his battalion out of East Timor home to Sulawesi took young Reinado with him as his house boy.
Reinado returned to East Timor as a teenager while it was still under Indonesian control. His later life story - of captaining a boat to Australia with 18 people in 1995, including his wife and young child, of working on the Australian wharves and of being trained by the Australian military, and his return to Timor after liberation in 1999 - is well known. His story is just a variation of the tales of many East Timorese, who have come to associate politics with blood.
Now, the Australian peacekeeping force finds itself in a difficult spot in Timor. It came (again) in 2006 at the request of the East Timorese Government to bring stability. It engaged and killed five of Reinado's rebels in Same, then backed off once the Government feared Dili street people, who are deeply divided along east-west ethnic lines, would react badly. As they did.
Then prime minister John Howard refused to put the Australian force under UN control, which on the one hand was a realistic reflection on the UN's overall incompetence but on the other allowed our force to be answerable to an equivocating East Timorese Government that desperately wanted action but was too afraid of the fall-out were it to ask Australia to use its full strength.
Absurd deals were struck whereby Reinado and 16 of his band, after being caught and charged with murder, and having escaped from Dili prison in 2006, were permitted to roam at will for two years with weapons.
Late last year, Ramos Horta and the head of the Australian force, Brigadier John Hutcheson, issued "comfort" letters reconfirming that Reinado and his men would not be apprehended. Whether or not Reinado had a justifiable cause, it was a mistake for Australia to agree to this.
Our soldiers became politicised in a way that never should have been permitted. Yet when Timorese leaders blame the International Stabilisation Force for failing to stop Reinado's men from entering Dili on February11, they ought to reflect on the situation in which they put Australia.
Ramos Horta was Reinado's only real hope. Reinado had slagged off Gusmao in propaganda DVDs, but Ramos Horta had always kept his line open to the rebel. And most everyone in East Timor agrees there's a bigger story behind his murderous visit to the President's compound.
There is no clarity in East Timor, but this much is known: Reinado was due to face murder charges in the Dili court on March 3. Reinado didn't want to turn up, fearing he might be locked up for a long time. But Ramos Horta was always prepared to cut him some slack. Inquirer can reveal some detail of the offer to Reinado.
Reinado wanted a full pardon and a good military job. A joint working party made up of the alliance Government and the Fretilin Opposition were debating on what to give Reinado. It was explained to Reinado that it was possible to pardon a person only after they had been convicted.
Then he wanted a full amnesty. But with Reinado facing eight counts of murder, the reasonable view was that he should stand trial. But it would only be for appearances' sake, after which he would be pardoned. Ramos Horta tried to reassure him of his goodwill, reminding Reinado that he had given 38 such pardons to prisoners on December 28. It was on the table for him to take. He just had to face court.
The working party was all set to approve this, along with other important matters, such as compensation to the many internally displaced people, to bring the hundreds of ex-army petitioners in from their isolation and to arrange for early elections. It was all to be signed off on May 20. Reinado knew it. Either Reinado did not trust submitting himself to the court process or other people got inside his head, telling him Ramos Horta was going to trick him.
After two weeks of deep fog in Timor - to which I have found myself on occasion susceptible - it is clear: it was Reinado's mob that attacked the President and PM. The outstanding questions are why he went there and why he was told he ought not believe Ramos Horta.
East Timor has opened a door that should have stayed locked: assassination. Speaking last week at a joint press conference with Kevin Rudd, Gusmao said: "A bullet can wound a person but never can penetrate the values of democracy."
The problem, however, is that in a small country, a bullet can do precisely that. Especially when one aimed at the only two figures in East Timor with any hope of bringing lasting stability.
Paul Toohey covered the aftermath of the assassination attempt in East Timor.
TRADUÇÃO:
Uma nação sob um cano de arma
Paul Toohey Março 01, 2008
The Australian
Como é que duas ou três gerações de Timorenses que cresceram a conhecer a violência tomam outro caminho?
Nesta altura, a pergunta é igual à resposta: com mais violência ou promessa de mais violência. Em Dili, a capital, o símbolo da paz é uma pistola.
Crianças jovens nas suas voltas do dia-a-dia rotineiras vêem centenas de homens – do seu próprio povo ou de nações diferentes a usar uniformes - em pé nos cantos das ruas, ou em patrulhe ou a guardar pessoas importantes, com armas automáticas prontas a disparar. Estão a aprender a mesma lição dos seus pais e avós.
Timor-Leste está cheio de todos os tipos de armas, usadas pelas forças legítimas e pelas clandestinas. Em Timor a coligação reinante usa as espingardas automáticas AK47, FN e Steyr juntamente com os monstruosos canhões de água enormes, para controlo de multidão, brancos com as marcas UN que circulam pelas ruas de Dili.
Um soldado Paquistanês está de guarda em Ermera, um distrito a oeste de Dili, numa movimentada cena de mercado numa manhã de Domingo. A sua AK47 – a pistola do povo – está velha e gasta e foi-lhe dada como se fosse roupa de dum irmão mais velho. Tem sido usada em muitas batalhas em muitos países. É ainda uma arma fiável, equipada com uma baioneta retráctil para encontros mais próximos. Diz que não a usou em Timor-Leste e que está contente por isso. É uma vergonha que precise de estar pronto para a usar numa de outra maneira bonita cena de mercado no cimo dum monte.
Um guarda das forças armadas Timorenses mostra o truque especial que fabricou para a sua arma: ele tem um tambor com 30 balas e colou com fita cola um outro tambor cheio de cima para baixo. Assim quando gastar 30 balas pode rapidamente tirar o tambor velho, virá-la e ter instantaneamente outras 30 balas à sua disposição. Está pronto para sarilhos.
As F-FDTL, as forças armadas Timorenses, que durante muito tempo estiveram confinadas a guardar edifícios do governo depois de terem perdido a confiança da nação ao dispararem contra manifestantes pacíficos em 2006 – o que levou à fuga de Alfredo Reinado - movimenta-se livremente através da cidade com as suas armas automáticas. Lá em cima nos montes, a Força Internacional de Estabilização, feita de Australianos, conduz operações de limpeza nas aldeias enquanto helicópteros pintados com tinta de camuflado pairam por cima a protegê-los.
Mesmo os oficiais da Polícia Federal Australiana em Timor-Leste estão a usar fatos-de-macaco de serviço azuis escuros. Usam também espingardas automáticas.
No meio desta imagem ameaçadora as pessoas conduzem as suas vidas não normais. Estão sujeitas a um recolher obrigatório desde as 8 pm. Ninguém tem a certeza quando e donde virão os problemas, mas toda a gente espera isso.
Na libertação em 1999, pensava-se que haveria uma enorme prova de força agressiva, protectora que levaria à estabilidade. Pensava-se que eventualmente o país cairia em linha por detrás de líderes genuínos, apaixonadamente orientados para a paz como Xanana Gusmão e José Ramos Horta. Isso não aconteceu dessa maneira. Em vez disso, Ramos Horta, o Presidente, está a recuperar deitado no Royal Darwin Hospital, depois de baleado a sangue frio. E Reinado, o amotinado que tinha uma causa razoável - pelo menos até se tornar demasiado exigente e não confiável – está enterrado num pátio da frente de Dili depois de ter recebido disparos de armas automáticas na face, pescoço e peito.
Tendo conhecido Reinado, achei uma coisa estranha estar no meio duma grande multidão quando a família abriu o caixão. Lá estava ele, um penso no olho, vestido num fato azul escuro e com luvas, tendo partido por causa duma pistola. Tinha sempre dito que assim iria. Mas nunca acreditei nele. Não tenho a certeza que ele realmente acreditasse nisso .
Contudo como muitos Timorenses, Reinado, morto aos 42 anos, nascera para a violência, como acontecera com o seu pai adoptivo de 56 anos, Victor Alves. Alves, um homem digno, tem estado a fumar cigarro após cigarro a receber uma corrente constante de visitas desde o princípio da morte do seu filho em 11 de Fevereiro. Conta algumas coisas da sua própria vida. A sua história, como a do seu país, está escrita com sangue.
O pai de Alves era um Português que veio para uma colónia Portuguesa, como isso era em 1948, depois da saída dos ocupantes Japoneses. Casou com uma Timorense de Maubisse, acima de Dili. Alves tem aquele aspecto clássico Timorense-Português que também se pode ver na aparência de Gusmão, agora Primeiro-Ministro. Sob os Portugueses, o sangue misto deu-lhe estatuto e oportunidade superiores às pessoas vulgares de casta Timorense.
Alves tornou-se soldado em 1973 quando a pátria-mãe, Portugal, estava a começar a ser dominada por esquerdistas. Em 1974, eles estavam no controlo e começaram um processo de descolonização rápido e disfuncional das suas colónias Africanas e em Timor.
Dentro de Timor três grupos lutaram pelo controlo, levando a uma guerra civil. Foram os pró-independência da Fretilin apoiada pelos comunistas; UDT, que queria uma independência gradual em associação com Portugal; e o mais pequeno partido Apodeti que queria um estado autónomo da Indonésia. Alves declina dizer quais foram as suas lealdades nessa altura; diz que é melhor esquecer. Mas deixa uma pista quando diz: "Quando as pessoas me dizem, hoje, 'Olá, camarada,' isso não me agrada." O ponto que ele faz é, fosse qual fosse o lado em que esteve, acabou a lutar contra os Indonésios depois deles terem invadido em 1975.
"Muita gente foi como eu . Não era uma questão de escolher lados políticos. Era lutar por Timor-Leste. Uma vez experimentei entrar 6 km dentro da Indonésia (Oeste Timor) e nem sequer sabia onde estava. Tinha 23 ou 24 anos. Tenho muitos remorsos. Fui lá e disparei contra pessoas civis Indonésias. Não quero contar estas histórias aos meus filhos, quero que eles avancem com uma boa vida."
Alves foi preso numa batalha com os Indonésios em 1977 e levado para uma prisão na ilha Atauro, mesmo em frente a Dili. Depois de negar aberturas dum encantador líder Kopassus (comando Indonésio) para ser libertado em troca de se juntar às forças armadas Indonésias, foi libertado em 1983 e viveu uma vida razoável em Dili, enquanto participava na rede da resistência.
Em 1999, na aproximação do desastroso referendo para a autonomia, Alves matou a tiro um homem das milícias pró-Indonésia. Cumpriu apenas seis meses por acusação de negligência. Não se conseguiu encontrar nenhuma testemunha que dissesse que Alves tinha actuado com intenção contra o homem da milícia. Por acordo alargado, nunca devia ter estado um dia na cadeia.
A questão dos Indonésios terem sido capazes de recrutar Timorenses para as milícias para violar e matar o seu próprio povo em 1999 nunca foi resolvida, apesar das comissões da verdade e dos repetidos apelos de Ramos Horta para as pessoas avançarem. Isso é a doença que está no coração de Timor.
O sobrinho de Alves, Alfredo nasceu em 1966 e cresceu entre a casa de Victor e a da sua mãe. Alfredo foi separado da sua mãe e foi trabalhar como moço de recados para um batalhão Indonésio, que o levou a assistir na subjugação do seu próprio povo, testemunhando violações e homicídios. Um soldado Indonésio que saíu com o seu batalhão de Timor-Leste para Sulawesi levou o jovem Reinado com ele como seu criado de casa.
Reinado regressou a Timor-Leste adolescente quado estava ainda sob controlo Indonésio. A história da sua vida depois – de dirigir um barco para a Austrália com 18 pessoas em 1995, incluindo a mulher e um filho pequeno, de trabalhar nas docas Australianas e de ser formados pelos militares Australianos, e o seu regresso a Timor depois da libertação em 1999 – é bem conhecida. A sua história é apenas uma variação das histórias de muitos Timorenses, que associaram política com sangue.
Agora, as tropas Australianas encontra-se numa situação difícil em Timor. Veio (outra vez) em 2006 a pedido do governo Timorense para trazer estabilidade. Engajou-se e matou cinco dos amotinados de Reinado em Same, depois recuou logo que o Governo receou que as pessoas de rua de Dili, que estão profundamente divididas em linhas étnicas leste-oeste, reagissem mal. Como reagiram
O então primeiro-ministro John Howard recusou pôr a força Australiana sob controlo da ONU, o que por um lado foi uma reflexão realista sobre a incompetência geral da ONU mas por outro lado permitiu que a nossa força respondesse por um equivocado Governo Timorense que queria desesperadamente acção mas estava com demasiado receio de das consequências para pedir à Austrália que usasse toda a força.
Foram feitos acordos absurdos pelos quais Reinado e 16 do seu bando, depois de terem sido apanhados e acusados de homicídio, e de terem escapado da prisão de Dili em 2006, foram autorizados a adar à vontade durante dois anos com armas.
No fim do ano passado, Ramos Horta e o chefe da força Australiana, Brigadeiro John Hutcheson, emitiram cartas de "livre trânsito" re-confirmando que Reinado e os seus homens não seriam detidos. Tivesse ou não tivesse Reinado uma causa justificável, foi um erro da Austrália ter concordado com isso.
Os nossos soldados tornaram-se politizados duma maneira que nunca devia ter sido permitida. Contudo quando líderes Timorenses acusam a Força Internacional de Estabilização pelo falhanço em evitarem a estrada dos homens de Reinado em Dili em 11 de Fevereiro, eles deviam reflectir na situação em que colocaram a Austrália.
Ramos Horta era a única esperança real de Reinado. Reinado tinha gozado com Gusmão num DVD de propaganda, mas Ramos Horta tinha deixado sempre a sua linha aberta para o amotinado. E quase toda a gente em Timor-Leste concorda que há uma história maior por detrás da sua visita assassina ao complexo do Presidente.
Não há nenhuma claridade em Timor-Leste, mas isto é conhecido: Reinado estava prestes a enfrentar acusações de homicídio no tribunal de Dili em 3 de Março. Reinado não queria comparecer, receando ficar preso durante muito tempo. Mas Ramos Horta estava sempre preparado para o libertar de certo modo. Inquirições podem revelar alguns detalhes da oferta a Reinado.
Reinado queria um perdão total e um bom emprego militar. Um grupo de trabalho conjunto formado entre o Governo da aliança e a Fretilin da Oposição estava a debater o que dar a Reinado. Fora explicado a Reinado que apenas é possível perdoar uma pessoa depois dela ter sido condenada.
Depois ele queria uma amnistia completa. Mas com Reinado a enfrentar oito casos de homicídio , a visão razoável é que ele devia ser julgado. Mas isso era apenas em nome das aparências, depois do que seria perdoado. Ramos Horta tentou descansá-lo sobre a sua boa vontade, lembrando a Reinado que tinha dado 38 perdões desse tipo a presos em 28 de Dezembro. Era a vez dele aceitar. Tinha apenas de enfrentar um tribunal.
O grupo de trabalho estava pronto para aprovar isso, juntamente com outras questões importantes, tais como compensações para os deslocados, trazer centenas de peticionários ex-soldados do seu isolamento e tratar de eleições antecipadas. Estava previsto ser tudo assinado em 20 de Maio. Reinado sabia disso. Ou Reinado não confiou entregar-se ao processo judicial ou outra gente o influenciou, dizendo-lhe que Ramos Horta ia enganá-lo.
Depois de duas semanos de grande nevoeiro em Timor – para o qual por vezes me senti susceptível – é claro: foi gente de Reinado que atacou o Presidente e o PM. As questões importantes são porque é que foi lá e porque é que lhe disseram para não acreditar em Ramos Horta.
Timor-Leste abriu uma porta que devia ter ficado fechada: assassínio. Falando na semana passada numa conferência de imprensa conjunta com Kevin Rudd, Gusmão disse: "Uma bala pode ferir uma pessoa, mas nunca pode penetrar nos valores da democracia."
O problema, contudo, é que num pequeno país, uma bala pode fazer precisamente isso. Especialmente quando visa as duas únicas figuras em Timor-Leste com alguma esperança de trazer estabilidade duradoura.
Paul Toohey cobriu o período após a tentativa de assassínio em Timor-Leste.
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Dos leitores
H. Correia deixou um novo comentário na sua mensagem "Correcção à notícia da LUSA:":
Com efeito, e como eu já referi algumas vezes neste blog, qualquer revogação das medidas de coacção aplicadas anteriormente aos arguidos é da competência exclusiva do juíz titular do processo.
Neste caso concreto, a prisão preventiva justificava-se enquanto Reinado era vivo e representava uma ameaça à segurança do Estado, de bens e de vidas.
Do mesmo modo, a recente revogação ou substituição da prisão preventiva por uma medida menos restritiva é perfeitamente adequada às novas circunstâncias, visto que Reinado morreu e os seus cúmplices se entregaram pacificamente à polícia, não revelando intenção de continuar as acções criminosas de que são acusados.
Ao contrário do que apregoavam certos profetas da desgraça, não houve nenhum levantamento popular nem guerra civil. O povo está farto de guerras e estes aventureiros não têm nenhum apoio.
Está é por descobrir quem manipulou estes desgraçados para obter dividendos políticos e os abandonou quando as coisas começaram a dar para o torto.
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sexta-feira, fevereiro 29, 2008
Sete co-arguidos do "caso Reinado" aguardam julgamento em liberdade (ACTUALIZADA)
Díli, 29 Fev (Lusa) - Sete co-arguidos no caso em que era acusado Alfredo Reinado vão aguardar julgamento em liberdade, com termo de identidade e residência, após uma decisão do juiz do processo proferida hoje em Díli, Timor-Leste.
Cinco co-arguidos no processo em que Alfredo Reinado era o principal acusado foram hoje ouvidos pelo juiz internacional Ivo Rosa no Tribunal de Recurso (uma vez que o Tribunal Distrital está em obras).
O interrogatório resultou na revogação da medida de prisão preventiva a que estavam sujeitos os arguidos e que tinha sido imposta pelo mesmo magistrado.
O juiz Ivo Rosa aplicou uma medida de coacção mais leve aos cinco co-arguidos, fugidos à justiça desde 30 de Agosto de 2006 e que esta semana se entregaram às autoridades.
A rendição voluntária e pacífica dos cinco elementos do grupo de Alfredo Reinado aconteceu na semana em que a maioria dos chamados peticionários das Forças Armadas entrou no acantonamento de Aitarak Laran, Díli, enquanto continua uma operação militar para a captura do ex-tenente Gastão Salsinha.
"O tribunal entendeu, e bem, que as circunstâncias que permitiram na altura a medida de prisão preventiva mudaram, isto é, com a morte do seu líder Alfredo Reinado, as coisas mudaram completamente", explicou o procurador internacional Felismino Cardoso.
A revogação da medida de prisão preventiva implicou também um despacho idêntico do juiz aplicando o termo de identidade e residência a outros dois co-arguidos, que se encontravam no Estabelecimento Prisional de Becora, em Díli.
Estes dois elementos, detidos na sequência do cerco e ataque a Alfredo Reinado na vila de Same, em Março de 2007, foram os únicos que estiveram presentes nas duas audiências do julgamento realizadas até agora.
A próxima audiência do julgamento estava marcada para 04 de Março mas o juiz Ivo Rosa marcou nova data, 02 de Abril, para que, na sequência da notificação dos arguidos, os prazos de contestação possam ser cumpridos.
Os dois arguidos que estavam presos deviam sair hoje mesmo de Becora.
Quanto aos cinco co-arguidos ouvidos no Tribunal de Recurso, foram conduzidos a Aitarak Laran por elementos da Polícia das Nações Unidas, "mas são livres de sair de lá para onde quiserem, ninguém os pode impedir", explicou o procurador Felismino Cardoso.
O interrogatório conduzido hoje no Tribunal de Recurso referiu-se à acusação proferida a 24 de Agosto de 2007, em despacho assinado também por Ivo Rosa, centrada em acontecimentos de Maio de 2006, em Fatuahi, e em Same, em Março de 2007.
De qualquer modo, os cinco elementos do antigo grupo de Alfredo Reinado afirmaram não ter participado nos ataques contra o Presidente da República, José Ramos-Horta, e o primeiro-ministro, Xanana Gusmão, a 11 de Fevereiro.
O despacho de acusação inicial contra Alfredo Reinado indicava 17 nomes, incluindo o ex-comandante da Polícia Militar, considerado "desertor" e "chefe do grupo".
Com a morte de Alfredo Reinado e de Leopoldino Mendonça Exposto, a 11 de Fevereiro, e sete elementos com termo de identidade e residência, continuam fugidos à justiça oito elementos do grupo inicial do major.
PRM.
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Correcção à notícia da LUSA:
Apesar do interrogatório ter ocorrido nas instalações do Tribunal de Recurso, foi o Juiz Ivo Rosa, que revogou a prisão preventiva dos cinco co-arguidos do processo de Alfredo Reinado, assim como aos outros dois que estavam em prisão preventiva na prisão de Becora.
É que o Tribunal de Díli está em obras e a audiência fez-se no Tribunal de Recurso. Mas não foi uma decisão do Tribunal de Recurso, que revogou as prisões preventivas, como afirma a LUSA.
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(tem erros) Sete co-arguidos do "caso Reinado" aguardam julgamento em liberdade
Díli, 29 Fev (Lusa) - Sete co-arguidos do processo em que era acusado Alfredo Reinado vão aguardar julgamento em liberdade, com termo de identidade e residência, depois de o Tribunal de Recurso de Timor-Leste ter revogado hoje a medida de prisão preventiva.
Cinco co-arguidos no processo em que Alfredo Reinado era o principal acusado foram hoje ouvidos no Tribunal de Recurso, em Díli, e o interrogatório resultou na revogação da medida de prisão preventiva a que estavam sujeitos.
O juiz aplicou uma medida de coacção mais leve aos cinco co-arguidos, fugidos à justiça desde 30 de Agosto de 2006 e que esta semana se entregaram às autoridades.
A rendição voluntária e pacífica dos cinco elementos do grupo de Alfredo Reinado aconteceu na semana em que a maioria dos chamados peticionários das Forças Armadas entrou no acantonamento de Aitarak Laran, Díli, enquanto continua uma operação militar para a captura do ex-tenente Gastão Salsinha.
"O tribunal entendeu, e bem, que as circunstâncias que permitiram na altura a medida de prisão preventiva mudaram, isto é, com a morte do seu líder Alfredo Reinado, as coisas mudaram completamente", explicou o procurador internacional Felismino Cardoso.
A revogação da medida de prisão preventiva implicou também um despacho idêntico do juiz Ivo Rosa aplicando o termo de identidade e residência a outros dois co-arguidos, que se encontravam no Estabelecimento Prisional de Becora, em Díli.
Estes dois elementos, detidos na sequência do cerco e ataque a Alfredo Reinado na vila de Same, em Março de 2007, foram os únicos que estiveram presentes nas duas audiências do julgamento realizadas até agora.
A próxima audiência do julgamento estava marcada para 04 de Março mas o juiz do processo marcou nova data, 02 de Abril, para que, na sequência da notificação dos arguidos, os prazos de contestação possam ser cumpridos.
Os dois arguidos que estavam presos deviam sair hoje mesmo de Becora.
Quanto aos cinco co-arguidos ouvidos no Tribunal de Recurso, foram conduzidos a Aitarak Laran por elementos da Polícia das Nações Unidas, "mas são livres de sair de lá para onde quiserem, ninguém os pode impedir", explicou o procurador Felismino Cardoso.
O interrogatório conduzido hoje no Tribunal de Recurso referiu-se à acusação proferida a 24 de Agosto de 2007, centrada em acontecimentos de Maio de 2006, em Fatuahi, e em Same, em Março de 2007.
De qualquer modo, os cinco elementos do antigo grupo de Alfredo Reinado afirmaram não ter participado nos ataques contra o Presidente da República, José Ramos-Horta, e o primeiro-ministro, Xanana Gusmão, a 11 de Fevereiro.
O despacho de acusação inicial contra Alfredo Reinado indicava 17 nomes, incluindo o ex-comandante da Polícia Militar, considerado "desertor" e "chefe do grupo".
Com a morte de Alfredo Reinado e de Leopoldino Mendonça Exposto, a 11 de Fevereiro, e sete elementos com termo de identidade e residência, continuam fugidos à justiça oito elementos do grupo inicial do major.
PRM
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EAST TIMOR: 'Joint Police-Military Action On Rebels a Mistake'
IPS
Analysis by Setyo Budi
DILI, Feb 29 (IPS) - A joint police and military operation mounted against renegade soldiers, following the Feb. 11 shooting of President Jose Ramos-Horta, has been condemned as a ‘mistake’ and one that could compound the serious dissensions that plague the two forces.
"The crisis started with petitioners within the F-FDTL (army) and PNTL (police) complaining of (discrimination between) easterners and westerners... although the case is dying it is like rekindling the embers,’’ said Mario Carascallao, head of the Democratic Socialist Party (PSD) that is a member of the ruling alliance.
While the role of the F-FDTL (Falintil-Forças de Defesa de Timor Leste) is primarily to protect East Timor against external threats, it does have an internal security role mandate that overlaps with the functions of the Policia National de Timor Leste (PNTL). This has led to friction and serious clashes between the two forces that already have to deal with problems between personnel from the eastern region and those from the west of the country.
Carascallao is angry that his party was not consulted when the decision to have a joint operation against the rebels was made. He said the PSD will "never accept any violence to solve a political problem" and that the government "doesn’t have real evidence’’ about the Feb. 11 incident. Renegade leader Alfredo Reinado was killed in the incident which is alleged to have been a coup attempt.
There appears to be prevarication on the part of the government on joint- operations too. A military parade involving troops of the F-FDTL and the PNTL was organised on Feb. 22, but this came a day after Brig. Gen. Taur Matan Ruak, the F-FDTL commander, announced there would be no joint operations.
Carascallao observed that the sudden change showed lack of coordination among government institutions that had the potential of raising ‘’suspicions and undermining people’s confidence in the government.’’
There is much speculation in Dili on how the Timorese president ended up being shot. Legislators and officials, including the F-FDTL commander, have pointed to the failure of the International Stabilisation Force (ISF) to detect and stop Reinado from entering Dili.
Consisting of Australian-led peacekeepers and United Nations police, the ISF was deployed in East Timor in May 2006 after factional fighting broke out among sections of the security forces that left 37 people dead and forced 150,000 others to flee their homes.
Claiming discrimination against officers from the eastern districts, a 600-strong group of rebels led by Reinado, a major in the military police, took to the mountains. He successfully evaded attempts by the ISF, particularly troops of the Australian Defence Forces (ADF), to capture or eliminate him.
Last week, Jean- Marie Guehenno, head of the U.N. peacekeeping operations, said at a U.N. Security Council debate that some 100,000 people continue to remain displaced. He called for the grievances of the rebels to be addressed in order to avoid further unrest.
The Security Council has extended by a year the world body's mission in East Timor to help stabilise the situation in the impoverished country. The U.N. has appealed to the renegades to give up their struggle and special envoy in Dili, Atul Khare, has said that if they surrendered their rights would be protected.
While the exact circumstances of the Feb. 11 shooting are still unknown, it took place amidst a serious attempt at reconciliation. On Feb. 7, a meeting initiated and facilitated by Horta and attended by top political leaders -- including Prime Minister Xanana Gusmao -- discussed solutions to the rebel soldiers’ issue, including peaceful reinstatement and the calling of early elections in 2009.
East Timor last held general elections in 2007. The ruling Alliance Majority Parliament (AMP) was formed after the election, but the powerful Fretilin party, which was ousted from power in the elections, challenged the new formation as unconstitutional.
The all-party meeting was initiated by Horta and based on a proposal by U.N. Secretary General Ban Ki-moon that Fretilin be involved in solving the renegade soldiers’ issue and other problems of East Timor.
Even before the meeting, friction had developed between Reinado’s group and the ADF. A meeting that involved three parliamentarians and Reinado and his group was apparently disrupted by the ADF.
Among those who attended that meeting with Reinado was Adriano Nascimento, a Democratic Party legislator, who told IPS that the priority now is to find out the real truth of what happened on Feb. 11.
‘’A commission formed to investigate the incident must answer questions on ADF’s knowledge on Reinado’s whereabouts as it monitored his movements round-the-clock,’’ Nascimento said.
(END/2008)
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Zona de acantonamento de Aitarak Laran acolhe já um total de 550 peticionários
REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DE TIMOR-LESTE
SECRETARIA DE ESTADO DO CONSELHO DE MINISTROS
COMUNICADO À IMPRENSA
Díli, 29 de Fevereiro de 2008
Zona de acantonamento de Aitarak Laran acolhe já um total de 550 peticionários - hoje chegaram mais vinte
Hoje chegaram mais vinte peticionários à zona de acantonamento de Aitarak Laran, em Díli, que se vêm juntar aos 530 que já se encontravam ali ao final do dia de ontem.
Elevam-se assim para 550 o número total de peticionários acantonados.
Da parte da manhã chegaram dez peticionários, com um segundo grupo de igual número a fazer a viagem para Díli de tarde. Na sua maioria, os peticionários que chegaram hoje a Aitarak Laran são provenientes de Ermera.
Em Aitarak Laran prosseguem os trabalhos visando a ampliação e a melhoria das instalações e dos cuidados prestados, de modo a responder ao número crescente de peticionários que continuam a chegar ao longo desta semana.
O Governo está a fazer todos os esforços no sentido de garantir uma solução justa e duradoura para todos os peticionários.
O Secretário de Estado do Conselho de Ministros
Porta-voz do Governo
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La Sama" e Alkatiri visitam Ramos-Horta
Díli, 29 Fev (Lusa) - O Presidente da República interino de Timor-Leste, Fernando "La Sama" de Araújo, e o secretário-geral da Fretilin, Mari Alkatiri, visitam sábado o chefe de Estado timorense, José Ramos-Horta, que está hospitalizado em Darwin, Austrália.
O chefe de Estado timorense recebe também a visita de Atul Khare, representante especial do secretário-geral das Nações Unidas em Timor-Leste.
Mari Alkatiri declarou hoje à agência Lusa que vai a Darwin "visitar um velho amigo e velho camarada".
O ex-primeiro-ministro timorense, agora líder da oposição, afirmou que "é uma coincidência" que o Presidente interino viaje para Darwin no mesmo dia.
José Ramos-Horta foi atingido a tiro a 11 de Fevereiro, durante um ataque à sua residência em Díli.
Nesse mesmo dia foi transferido para o Hospital Real de Darwin, onde foi assistido e continua a recuperação.
O Presidente da República saiu hoje alguns minutos da unidade de cuidados intensivos, em cadeira-de-rodas, para o corredor do hospital, afirmou a sua irmã Romana Horta, contactada por telefone pela Lusa a partir de Díli.
José Ramos-Horta "já comeu melhor hoje. Está a recuperar bem mas continua a sentir dores das feridas", acrescentou Romana Horta.
PRM
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Reinado death prompts East Timor rebel rethink
ABC Radio Australia
Last Updated 29/02/2008, 11:54:38
As the hunt for the East Timorese rebels responsible for the February 11 attacks on the President and Prime Minister continues, hundreds of petitioning soldiers linked to rebel leader Alfredo Reinado are beginning talks with authorities in dili.
Alfredo Reinado was killed on February 11 during attempts to assasinated East Timor's president and prime minister.
Radio Australia's Stephanie March reports that hundreds of the petitioning soldiers linked with Reinado and his cause have now come to Dili to begin talks about a peaceful reinstatement to the military.
Joaquim Fornseca, an adviser to East Timor's Prime Minister Xanana Gusmao told Radio Australia a lot of the rebel soldiers have had a rethink after Reinado's death.
"I think that the death of Alfredo Reinado made a lot of them think, the way in which Alfredo died made them think war is not so much of the best way to follow to achieve their objectives especially as the government is open to talking with them," Mr Fornseca said.
Reinado's death sparks rethink
Alfredo Reinado considered himself the leader of the group of around 600 petitioning soldiers from the West of the country, who defected from their military barracks in 2006 because of discrimination from higher ranking officers from the Eastern districts.
The petitioners were subsequently fired by following their desertion which caused the crisis that left 37 people dead, and over 100,000 forced to flee their homes.
But after almost two years of waiting for Alfredo Reinado to resolve their problem, 490 of the petitioning soldiers have decided to come to a make shift encampent called Aitak Laran in Dili, and begin talks with the government about being reinstated to the military.
The government sees the developments at Aitak Laran as positive, but says the situation with the petitioners remains fragile.
Displaced prepare to return home
There are also positive signs that some of the 100,000 people displaced by the 2006 violence are preparing to leave their make shift residences in internally displaced people camps and return home.
Many of those living in the camps have cited the petitioners and Alfredo Rienado as the reasons they don't feel safe to move back to their homes.
Now that Reinado is dead and that a resolution to the petitioners problems is imminent, the International Organisation for Migration says some of the IDPs are looking at taking up the offer of a government relocation package and going back to their homes.
You can find the full story at the Connect Asia website: http://radioaustralia.net.au/connectasia
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UNMIT – MEDIA MONITORING - Friday, 29 February 2008
"UNMIT assumes no responsibility for the accuracy of the articles or for the accuracy of their translations. The selection of the articles and their content do not indicate support or endorsement by UNMIT express or implied whatsoever. UNMIT shall not be responsible for any conseque6nce resulting from the publication of, or from the reliance on, such articles and translations."
National Media Reports
TVTL News Coverage
PM: those who submit weapons are acting in good conscience: Prime Minister Xanana Gusmão has said that he believes that those members of Salsinha’s group who have already surrendered have shown commitment to peace and are acting in good conscience. The PM has also given his gratitude to the petitioners and former veterans who handed in their weapons to the F-FDTL and PNTL Joint Operation. The PM has appealed to Salsinha and Susar’s group to surrender either to the State or the Church.
6 rebels surrender: Six members of Susar’s group surrendered to the F-FDTL and PNTL Joint Operation on Thursday (28/2) in Memorial Hall, Dili. The six men were led by Bernardo da Costa ‘Cris’, a veteran from Manatuto. The group also surrendered one AK-33.
“The nation’s problems should be solved by mouth, not with weapons as weapons always provoke war,” said Mr da Costa in Memorial Hall, Dili. “This weapon belongs not to me and my parents; it is the nation’s weapon,” he said.
RTL News Coverage
Brazilian Govt welcomes UNMIT extension: The Government Brazil has welcomed the decision of the Security Council to extend UNMIT mandate in Timor-Leste to February 29, 2009.
Print Coverage
Rebels may surrender to leaders: The Joint Operation of the F-FDTL and PNTL has asked rebels to submit themselves to leaders or organizations they trust, if they do not wish to surrender themselves to the Joint Operation. The Joint Operation forces are currently spread around the country and are urging rebels to surrender. (STL)
No consensus between Fretilin and Govt over IICI: The issue of whether to establish an International Independent Commission of Inquiry (IICI) is still creating controversy between the Government and the opposition parties of Fretilin, KOTA and PPT. Government members are arguing that an IICI may be established once the investigations being conducted by the Federal Bureau of Investigation and Australian Federal Police end. “They [FBI/AFP] are still working. There will be overlap if we create another commission so soon to do similar work,” said Pedro da Costa, an AMP member in the NP.
Fretilin is instead arguing that an IICI is imperative as all parts of civil society are calling for one to be established. “The idea (of creating IICI) is coming from parts of civil society, political parties, PR Ramos-Horta and Commander TMR. They all want to discover the truth,” said Francisco Branco, Fretilin MP. (TP)
TRADUÇÃO:
UNMIT – MONITORIZAÇÃO DOS MEDIA – Sexta-feira, 29 Fevereiro 2008
"A UNMIT não assume qualquer responsabilidade pela correcção dos artigos ou pela correcção das traduções. A selecção dos artigos e dos seus conteúdos não indicam apoio ou endosso pela UNMIT seja de forma expressa ou implícita. A UNMIT não será responsável por qualquer consequência resultante da publicação, ou da confiança em tais artigos e traduções."
Relatos dos Media Nacionais
TVTL Cobertura de Notícias
PM: os que entregam as armas actuam em boa consciência: O Primeiro-Ministro Xanana Gusmão disse que acredita que os membros do grupo de Salsinha que já se entregaram mostraram comprometimento com a paz e estão a agir com boa consciência. O PM mostrou também a sua gratidão aos peticionários e antigos veteranos que entregaram as armas à Operação Conjunta da F-FDTL e PNTL. O PM apelou ao grupo de Salsinha e Susar para se entregarem quer ao Estado quef à Igreja.
6 amotinados entregam-se: Seis membros do grupo de Susar entregaram-se à Operação Conjunta da F-FDTL e PNTL na Quinta-feira (28/2) no Memorial Hall, Dili. Os seis homens eram liderados por Bernardo da Costa ‘Cris’, um veterano de Manatuto. O grupo entregou também uma AK-33.
“Os problemas da nação devem ser resolvidos com a boca, não com armas, porque as armas provocam sempre a guerra,” disse o Sr da Costa no Memorial Hall, Dili. “Esta arma não pretence a mim nem aos meus pais, é uma arma da nação,” disse.
RTL Cobertura de Notícias
O Governo Brasileiro sauda o prolongamento da UNMIT: O Governo do Brasil saudou a decisão do Conselho de Segurança de prolongar o mandato da UNMIT em Timor-Leste até 29 de Fevereiro de2009.
Cobertura impressa
Amotinados podem entregar-se aos líderes: A Operação Conjunta da F-FDTL e PNTL tem pedido aos amotinados para se entregarem aos líderes ou às organizações em que confiam, se não se quiserem entregar à Operação Conjunta. As forças da Operação Conjunta correntemente estão espalhadas através do país e estão a urgir os amotinados para se renderem. (STL)
Não há consenso entre a Fretilin e o Governo acerca da CIII: A questão de ser estabelecida uma Comissão Internacional Independente de Inquérito (CIII) está ainda a criar controvérsia entre o Governo e os partidos da oposição Fretilin, KOTA e PPT. Os membros do Governo estão a argumentar que se pode estabelecer uma CIII se acabarem as investigações que estão a ser conduzidas pelo FBI e Polícia Federal Australiana. “Eles [FBI/PFA] estão ainda a trabalhar. Serão sobrepostos se criarmos uma outra comissão tão cedo para fazer um trabalho similar,” disse Pedro da Costa, um deputado da AMP.
Porém a Fretilin argumenta que é imperativo haver uma CIII dado que todas as partes da sociedade civil estão a reclamar que seja estabelecida. “A ideia (de criar a CIII) vem de partes da sociedade civil, partidos políticos, PR Ramos-Horta e Comandante TMR. Todos querem descobrir a verdade,” disse Branco, Fretilin MP. (TP)
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Co-arguidos vão aguardar julgamento em liberdade
O interrogatório no Tribunal de Díli, aos cinco co-arguidos do processo de Alfredo Reinado, acabou cerca das 16:00.
O Juiz decidiu deixar os arguidos sair em liberdade e aguardar o julgamento apenas com a medida de coacção, Termo de Identidade e Residência.
Supostamente nenhum deles terá participado nos ataques de dia 11 de Fevereiro ao PR e ao PM.
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ETIMOR: Petitioners seek reinstatement to military
ABC Radio Australia - 29/02/2008
As the hunt for the East Timorese rebels responsible for the February 11 attacks on the President and Prime Minister continues, several positive effects of the death of rebel leader Alfredo Reinado are beginning to appear.
Hundreds of the petitioning soldiers linked with Reinado and his cause have come to Dili to begin talks with the country's leaders about a peaceful reinstatement to the military, and some of the country's 100,000 displaced people are talking about leaving the IDP camps and going home.
Presenter - Stephanie March Speaker - Joaquim Fornseca, adviser to the Prime Minister; Sofia Cason from the International Crisis Group; Arsenio Bano, vice president of Fretilin party.
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MARCH: In the weeks following the attacks on East Timor's leaders by Alfredo Reinado and his followers that left the President wounded and Alfredo Reinado dead, many feared the incidents would cause further instability in the fledgling nation.
But it seems there are some positive effects arising from the death of Reinado on his followers and the group of petitioning soldiers.
Joaquim Fornseca is an adviser to East Timor's Prime Minister Xanana Gusmao and is in charge of resolving the problem of the petitioners.
FORNSECA: 142 I think that the death of AR made a lot of them think, the way in which Alfredo died made them think war is not so much of the best way to follow to achieve their objectives especially as the government is open to talking with them.
MARCH: Alfredo Reinado considered himself the leader of the group of around 600 petitioning soldiers from the West of the country, who defected from their military barracks in 2006 because of discrimination from higher ranking officers from the Eastern districts.
The petitioners were subsequently fired by following their desertion which caused the crisis that left 37 people dead, and over 100,000 forced to flee their homes.
But after almost 2 years of waiting for Alfredo Reinado to resolve their problem, 490 of the petitioning soldiers have decided to come to a make shift encampent called Aitak Laran in Dili, and begin talks with the government about being reinstated to the military.
FORNSECA: they want their allegation of discrimination to be addressed, and their protest be respected - their right to protest to be respected, and the decision of the command of FFDTL to dismiss them to be revoked.
MARCH: Whilst the government sees the developments at Aitak Laran as positive, the situation with the petitioners remains fragile.
Joaquim Fornseca admits that not all the petitioners are coming willingly from their hiding places in the districts to engage in the dialogue.
He says the joint military and police operation targeted at catching the rebels responsible for the attacks on February 11 has made some of the petitioners nervous they will be unfairly targeted by the FFDTL and police.
FORNSECA: Because of the operation they cannot just stay at home and be passive, they have to come down.
Analysts agree that bringing the petitioners together for dialouge is a step in the right direction, but striking a deal that both the petitioners and the military agree on could be a challenge.
Sofia Cason is from the International Crisis Group in Dili
CASON: I think there may be problems when deals start to be done with petitioners because if you are a current serving FDTL member and you see that these people who deserted or who went AWOL during 2006 or before or after the crisis you may start to think "what is the point of me being in the FDTL if people are going to get rewarded for this kind of behaviour?"
MARCH: There are also positive signs that some of the 100,000 people displaced by the 2006 violence are preparing to leave their make shift residences in IDP camps and return home.
Many of those living in IDP camps have cited the petitioners and Alfredo Rienado as reasons they don't feel safe to move back to their homes.
Now that Reinado is dead and that a resolution to the petitioners problems is imminent, the International Organisation for Migration says some IDPs are looking at taking up the offer of a government relocation package and going back to their homes.
But Sofia Cason from ICG says there has been a mixed reaction among IDPs to the death of the rebel leader.
CASON: Some are worried about reactions from Alfredo supporters particularly some Easteners they think that some of the Westerners in their community will react badly so it will actually put them off returning home for a while because they are worried about repercussions.
Others think that the death of A has removed the major symbol of the East/West divide and that problem will sort of die away now and they can go home.
MARCH: Meanwhile, the AMP government led by Xanana Gusmao has used the progress being made with both the petitioners and the IDP's, to slam the former Fretilin government, for being responsible for the collapse of law and order in 2006.
In a press statement, the Minister for Economic Development Joao Gonsalves said the nation has paid a heavy price for the ineptitude and self-interest of Fretilin, and that they have now had enough.
Arsenio Bano is the vice president of the Fretilin party and a member of the parliament committee for defence, security and forigin affairs.
BANO: I think he should focus on the solution because we still see uncertainty about the solution of the petitioners and we still are very uncertain about the peaceful sustainability of the country and it is not time for them to blame Fretilin because they know very well they were also contributing to the crisis.
TRADUÇÃO:
TIMOR-LESTE: Peticionários procuram re-integração nas forças militares
ABC Radio Australia - 29/02/2008
Enquanto continua a caça aos amotinados Timorenses responsáveis pelos ataques de 11 de Fevereiro ao Presidente e Primeiro-Ministro, começam a aparecer vários efeitos positivos da morte do líder amotinado Alfredo Reinado.
Centenas de soldados peticionários ligados a Reinado e à sua causa vieram para Dili para começar conversas com os líderes do país acerca da re-integração pacífica nas forças militares e alguns dos 100,000 deslocados do país estão a falar de deixarem os campos de deslocados e voltarem para casa.
Apresentador - Stephanie March
Orador - Joaquim Fonseca, conselheiro do Primeiro-Ministro; Sofia Cason do International Crisis Group; Arsénio Bano, vice-presidente da Fretilin.
MARCH: Nas semanas que se seguiram aos ataques aos líderes de Timor-Leste por Alfredo Reinado e seus seguidores que deixaram o Presidente ferido e Alfredo Reinado morto, muitos recearam que os incidentes pudessem causar mais instabilidade na jovem nação.
Mas parece que há efeitos positivos da morte de Reinado nos seus seguidores e no grupo dos soldados peticionários.
Joaquim Fonseca é um conselheiro do Primeiro-Ministro de Timor-Leste Xanana Gusmão e tem a seu cargo resolver o problema dos peticionários.
FONSECA: 142 Penso que a morte de AR fez muitos deles pensarem, o modo como Alfredo morreu fê-los pensar que a Guerra não é o melhor caminho a seguir para atingirem os seus objectivos especialmente porque o governo está aberto a falar com eles.
MARCH: Alfredo Reinado considerou-se ele próprio o líder do grupo de cerca de 600 soldados peticionários do Oeste do país, que desertaram dos seus quartéis em 2006 por causa de discriminação de oficiais de mais alta categoria dos distritos do Leste.
Subsequentemente os peticionários foram despedidos depois de desertarem o que causou a crise que deixou 37 pessoas mortas e mais de 100,000 foram forçadas a fugir das suas casas.
Mas depois de quase dois anos à espera que Alfredo Reinado resolvesse os seus problemas, 490 dos soldados peticionários decidiram vir para um acampamento improvisado chamado Aitak Laran em Dili, e começar conversações com o governo sobre a re-integração nas forças militares.
FONSECA: Eles querem que as suas alegações de discriminação sejam respondidas e que o seu protesto seja respeitado – os direitos deles a protestar serem respeitados e a decisão do comando da F-FDTL de os demitir ser revogada.
MARCH: Ao mesmo tempo que o governo vê como positive o desenvolvimento em Aitak Laran, a situação com os peticionários permanece frágil.
Joaquim Fonseca admite que nem todos os peticionários estão a vir de boa vontade dos seus esconderijos nos distritos para se engajarem no diálogo.
Diz que a operação militar e policial conjunta que visa apanhar os amotinados responsáveis pelos ataques de 11 de Fevereiro deixou nervosos alguns dos peticionários que receiam serem injustamente visados pela F-FDTL e polícia.
FONSECA: Por causa da operação não podem apenas ficar em casa passivamente, por isso vieram até cá.
Os analistas concordam que pôr os peticionários juntos para o diálogo é um passo na direcção certa, mas que chegar a um acordo com ambos peticionários e forças militares pode ser um desafio.
Sofia Cason é do International Crisis Group em Dili
CASON: Penso que pode haver problemas quando começarem a fazer acordos com os peticionários porque quem está correntemente a servir nas F-DTL e vê que essas pessoas que desertaram e que se comportaram mal durante 2006 ou antes ou depois da crise pode começar a pensar "qual é o ponto de estar nas F-DTL se essa gente vai ser premiada por este tipo de comportamento?"
MARCH: Há também sinais positivos de alguns dos 100,000 deslocados pela violência de 2006 estar a preparar-se para deixar os seus abrigos improvisados nos campos de deslocados e regressar a casa.
Muitos dos que vivem nos campos de deslocados citavam os peticionários e Alfredo Reinado como razões para não se sentirem seguros para voltar para as suas casas.
Agora que Reinado está morto e que está eminente a resolução dos problemas dos peticionários, a Organização Internacional das Migrações diz que alguns dos deslocados estão a pensar aceitar o pacote de re-localização do governo e voltar para as suas casas.
Mas Sofia Cason do ICG diz que tem havido uma reacção mista entre os deslocados à morte do líder amotinado.
CASON: Alguns estão preocupados com as reacções dos apoiantes de Alfredo particularmente alguns dos do Leste pensam que alguns dos do Oeste nas suas comunidades possam reagir mal e isso acabará actualmente por impedi-los de regressar a casa durante algum tempo porque estão preocupados com as repercussões.
Outros pensam que a morte de A removeu o símbolo maior da divisão Leste/Oeste e que o problema acabará por morrer e que podem voltar a casa.
MARCH: Entretanto o governo da AMP liderado por Xanana Gusmão tem usado o progresso que está a ser feito com ambos os peticionários e os deslocados para agredir o antigo governo da Fretilin, acusando-o de ser responsável pelo desmoronar da lei e da ordem em 2006.
Numa declaração à imprensa, o Ministro para o Desenvolvimento Económico João Gonçalves disse que a nação tinha pago um preço pesado pela inépcia e auto-interesse da Fretilin, e que agora estavam fartos.
Arséenio Bano é o vice-presidente da Fretilin e membro da comissão parlamentar para a defesa, segurança e assuntos estrangeiros.
BANO: Penso que ele se devia focar na solução porque vemos ainda incerteza na solução para os peticionários e estamos ainda muito incertos acerca da sustentabilidade pacífica do país e não é altura para eles acusarem a Fretilin porque eles sabem muito bem que contribuíram para a crise.
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Co-arguidos serão apresentados ao tribunal pelas 10:00 horas
Os cinco co-arguidos, que viram os seus mandados de captura executados, devem estar já no Tribunal de Díli para o interrogatório.
Começarão a ser ouvidos pelo Juiz do processo pelas 10:00 horas.
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É falso que os cinco co-arguidos já foram levados a tribunal
Ao contrário do que um blog publicou hoje, é FALSO que os cinco-arguidos do processo de Alfredo Reinado já tenham sido apresentados ao Juiz do processo, Ivo Rosa, que teria confirmado a sua prisão preventiva.
Os "fatos" de que falam nesses blogs com tantas certezas, são afinal totalmente falsos.
Os co-arguidos que se entregaram serão levados amanhã a tribunal pelas 10:30 da manhã.
Nesse blog pode ler-se ainda que teria sido "prometido" a estes elementos do grupo de Alfredo Reinado que seriam acantonados com os peticionários.
Em primeiro lugar, a Lei de Timor-Leste não permite acordos do Ministério Público ou de qualquer outra entidade com arguidos. Para quem não conhece a Lei, ao contrário do sistema legal anglo-saxónico (aquele que se vê nas séries americanas), a Lei de Timor-Leste, como a Portuguesa, garantem o princípio da igualdade para todos. Assim não pode haver arguidos com condições mais vantajosas que outros.
Portanto, se foi feita alguma promessa aos co-arguidos, foi ilegal e só serviu para os enganar. Apenas o tribunal pode decidir, depois de ouvidos os co-arguidos que medida deve aplicar.
E segundo lugar, o facto de os co-arguidos poderem ver a sua prisão preventiva confirmada, o que ao acontecer seria no mínimo uma questão de bom-senso, tendo em consideração o que aconteceu até aqui com esses arguidos, não impede de ficarem detidos no tal acantonamento dos peticionários, mesmo não sendo nenhum deles peticionário.
Só nos resta acrescentar, que é uma pena um blog que apareceu em Timor-Leste recentemente e que ia tão bem, dar ideia de que pôs uma notícia com o intuito de atingir o Juiz Ivo Rosa, com acusações "preconceituosas", tendo em conta as conhecidas quezílias do passado entre juízes portugueses e brasileiros...
Espero que se retratem e que confirmem melhor as vossas fontes no futuro, ou as intenções de quem vos dá essas notícias…
ACTUALIZAÇÃO:
Diz ainda a mesma notícia nesse blog que "Esta mesma proposta, vale lembrar, foi feita pelo Major Alfredo dias antes da sua morte e recusada pelo Juiz do caso.".
Pura mentira. Alfredo Reinado não fez quaisquer propostas ao Tribunal, que portanto também nunca se pronunciou sobre esta questão.
E o último parágrafo continua com disparates do género, que o Juiz quer fazer "uma justiça de gabinete", e questionam se 'ser legalista' é 'fazer justiça'. Nem comentamos...
Quanto a Timor-Leste ser um país onde a vaidade é vendida na feira, como diz o blog, não nos parece. Parece-nos mais que neste caso... é mais a inveja que está à vista.
Perderam uma oportunidade para estarem calados, como se diz em Timor-Leste.
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Espanha "com vontade política" de estar em Díli
Díli, 28 Fev (Lusa) - A Espanha "tem vontade política de estar em Timor-Leste" como parte da sua estratégia no Sudeste Asiático, afirmou hoje à agência Lusa o director-geral para a Ásia e Pacífico do Ministério dos Assuntos Exteriores espanhol.
"Não é que a Espanha queira alguma coisa de Timor-Leste. O que se passa é que a Espanha está a aumentar a sua presença na Ásia em geral e no Sudeste Asiático, de há quatro anos para cá", explicou José Eugenio Salarich.
O responsável pela política espanhola na Ásia está em Díli acompanhando a embaixadora de Espanha em Jacarta, Aurora Bernáldez Dicenta, que quarta-feira apresentou as credenciais ao Presidente interino de Timor-Leste, Fernando "La Sama" de Araújo.
José Eugenio Salarich salientou que a abertura de um gabinete de cooperação em Díli, em 2007, e o estudo de diferentes projectos de desenvolvimento no país acompanham a estratégia de implantação de Espanha na região.
Como resultado da "campanha política, económica, social e cultural" dos últimos quatro anos, a Espanha passou a ter 17 embaixadas onde tinha 12, oito centros do Instituto Cervantes onde apenas havia um e cinco gabinetes de cooperação, dos dois que existiam antes.
"Aumentámos entre 40 e 50 por cento a presença física de Espanha na Ásia", sublinhou José Eugenio Salarich.
A abertura de uma embaixada em Timor-Leste faz parte desta estratégia "mas não será realizável a curto prazo, não antes de dois ou três anos".
Apesar disso, salientou, "Timor-Leste é um país próximo de Espanha por ser um dos dois países latinos da Ásia, além das Filipinas".
"Além disso, a Espanha sempre apoiou o projecto de independência e, agora que foi alcançado, estamos em condições de contribuir para a consolidação do país", disse José Eugenio Salarich.
Timor-Leste é, aliás, um dos novos países que Espanha decidiu incluir no seu universo de interesses na região, além do Bangladesh e do Cambodja, por insistência da direcção-geral para Ásia e Pacífico.
Os dois Estados com que a Espanha iniciou relações privilegiadas no Sudeste Asiático são as Filipinas, que foram uma colónia espanhola entre os séculos XVI e XIX, e o Vietname.
"O Sudeste Asiático não está tão na moda como a China, o Japão, o Paquistão ou o Afeganistão", afirmou.
"Mas a Espanha tem interesses históricos na região, como é claro com as Filipinas, e há temas que consideramos mais ou menos de agenda global, não bilateral: a reforma da ONU, a aliança de civilizações, a mesma visão de luta contra o terrorismo e as oportunidades comerciais", explicou José Eugenio Salarich.
Salientando que Timor-Leste "é um país muito frágil", José Eugenio Salarich referiu que "a Espanha pode trazer um valor acrescentado, sem entrar em disfuncionalidades nem utilizações duplas dos recursos".
Salarich indicou três sectores da cooperação com Timor-Leste: a reforma rural e o apoio à agricultura; a governabilidade, o apoio ao Parlamento e à Polícia e outras instituições; e o apoio ao sector da justiça.
A reforma da Polícia Nacional timorense está na agenda da cooperação espanhola, aplicando em Timor-Leste os conhecimentos da Guarda Civil, "uma polícia muito versátil como a GNR", e a experiência na formação de polícias em Moçambique e em Angola.
José Eugenio Salarich recordou, aliás, que a cooperação na área da segurança entre Espanha e Moçambique aconteceu quando ele era o embaixador espanhol em Maputo, no final dos anos 1990.
Sobre o duplo ataque de 11 de Fevereiro contra o presidente e o primeiro-ministro timorenses, José Eugenio Salarich declarou que Espanha seguiu a situação e considera que o Governo timorense "reagiu bem, com maturidade e rapidez" aos acontecimentos.
PRM
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quinta-feira, fevereiro 28, 2008
Cinco co-arguidos do processo de Reinado serão apresentados amanhã em Tribunal
Os cincos co-arguidos do grupo de Alfredo Reinado que se entregaram, estão detidos no centro de detenções e serão apresentados amanhã ao Tribunal de Díli. Todos eles se entregaram voluntariamente.
Além destes cinco arguidos sobre os quais pendem mandados de captura, ainda existem mais oito do mesmo processo com mandados de captura que ainda não se entregaram.
Ainda estão a monte todos os oito suspeitos com mandados de captura, relativos aos ataques de 11 de Fevereiro a Ramos-Horta e Xanana Gusmão.
Ninguém foi capturado até à data. Só houve rendições voluntárias.
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Displacement in the 2006 Dili crisis - dynamics of an ongoing conflict
Refugee Studies Centre, Oxford University
Date: 28 Feb 2008
Introduction
The island of Timor is split in two. The eastern half gained independence in 2002 and became Timor-Leste. In April 2006 a group of disaffected army personnel called 'the petitioners' gathered outside the capital's government palace to protest alleged discrimination. This protest culminated in an outbreak of violence and confrontation within and between security forces. By May two-thirds of the capital Dili's residents were displaced.
Displacement and violence play a particular role in Timor-Leste's history. The aim of this paper is to explore displacement as a dynamic in its own right. Standard accounts take a different perspective (see COI 2006, ICG 2006). They focus attention on a divided leadership, weak institutions, and proximate and underlying causes. In such accounts, displacement is a consequence of these greater circumstances. Such accounts address the questions What went wrong? and How to proceed from here? By contrast, this paper attempts to map crisis dynamics, displacement in particular, and their greater significance. This is a necessary exercise if one is to explain, and not just identify, the ongoing crisis. (1)
This paper explores the relationship between conflict and displacement as dynamics of social change. It does not pay particular attention to factors leading to the attack on the government palace on 28 April 2006, which is generally seen as the start of the crisis. Instead it seeks to show how the Timorese population negotiates new, at times devastating, realities. One expression of this is the adoption of regional identities during the crisis. (2) This paper attempts to explore the key defining features of the crisis – displacement, regional identities, and repertoires of low-level violence. The thesis of this paper is that the sometimes violent 'crisis dynamics' will bring about profound societal changes that are likely to outlive any political deadlock at the top. This deadlock is usually understood as defining the 'crisis'. In opening up the scope of what the crisis is about, this paper simultaneously attempts to highlight particular dynamics that have not been given enough attention in standard accounts, embedded as they are in a liberal framework.
Note:
(1) This paper was originally submitted in May 2007, approximately a month before Timor-Leste's general elections.
(2) This paper has opted to discuss cleavages as regional rather than ethnic for the reasons discussed in Section
Full_Report (pdf* format - 378 Kbytes)
TRADUÇÃO:
Deslocamento na crise de 2006 em Dili – dinâmicas de um conflito em curso
Refugee Studies Centre, Oxford University
Data: 28 Fev 2008
Introdução
A ilha de Timor está dividida em duas partes. A metade do leste ganhou a independência em 2002 e tornou-se Timor-Leste. Em Abril 2006 um grupo de pessoal descontente das forças armadas chamados 'os peticionários' juntou-se no exterior do palácio do governo na capital para protestar contra alegadas discriminações. Este protesto culminou numa explosão de violência e de confrontos entre forças de segurança. Em Maio dois terços dos habitantes da capital Dili estavam deslocados.
Deslocamento e violência têm um papel particular na história de Timor-Leste. O objectivo deste estudo é explorar o deslocamento como uma dinâmica de direito próprio. Explicações normais usam uma perspectiva diferente (ver COI 2006, ICG 2006). Focam a atenção numa liderança dividida, instituições fracas, e causas próximas e subjacentes. Em tais explicações o deslocamento é uma consequência dessas circunstâncias maiores. Tais relatos respondem às questões O que é que correu mal? e Como prosseguir a partir daqui? Por contraste, este estudo tenta mapear as dinâmicas da crise, o deslocamento em particular, e o seu significado maior. Este é um exercício necessário se se quer explicar, não apenas identificar, a crise em curso. (1)
Este estudo explora a relação entre conflito e deslocamento como dinâmicas de mudança social. Não dá atenção particular aos factores que levaram ao ataque contra o palácio do governo em 28 de Abril 2006, o que é geralmente visto como o início da crise. Em vez disso procura mostrar como é que a população Timorense negocia novas realidades às vezes destruindo. Uma expressão disto é a adopção de identidades regionais durante a crise. (2) Este estudo tenta explorar as características definidoras chave da crise – deslocamento, identidade regional e repertório de violência de baixo nível. A tese deste estudo é que as por vezes violentas 'dinâmicas de crise' trarão profundas mudanças societais que provavelmente sobreviverão a qualquer beco sem saída político no topo. Este beco sem saída é geralmente entendido como o definidor da 'crise'. Ao alargar o escopo acerca do que é a crise, este estudo tenta simultaneamente iluminar dinâmicas particulares a que não se deu suficiente atenção nas explicações normais, embutidos como estão numa moldura liberal.
Nota:
(1) Este estudo foi entregue em Maio 2007, aproximadamente um mês antes das eleições gerais de Timor-Leste.
(2) Este estudo optou por discutir as segmentações como regionais em vez de étnicas por razões discutidas na Secção
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Veterano peticionário rendeu-se com cinco homens e uma arma
Díli, 28 Fev (Lusa) - Um veterano da guerrilha e elemento importante dos peticionários das Forças Armadas timorenses rendeu-se com cinco homens e uma arma, anunciou hoje o Comando Conjunto da operação de captura do ex-tenente Gastão Salsinha.
"É um dia de graças", afirmou o tenente-coronel Filomeno Paixão, 1º comandante do Comando Conjunto da operação "Halibur", ao apresentar os seis peticionários que se renderam às forças de segurança timorenses.
Trata-se de Bernardo da Costa "Cris", um veterano da guerrilha que teve um papel importante na dinamização da petição que, em Janeiro de 2006, recolheu assinaturas contra alegada discriminação no seio das Falintil-Forças de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL).
Bernardo da Costa "Cris" e o seu grupo, em pé atrás de Filomeno Paixão enquanto o oficial anunciava a sua rendição, entregaram-se às autoridades trazendo uma arma HK33 que tinha sido entregue ao veterano da guerrilha por Susar, um elemento do antigo grupo de Alfredo Reinado.
Desde a morte de Alfredo Reinado, durante o ataque à residência do Presidente da República, José Ramos-Horta, a 11 de Fevereiro, Susar está fugido com o que resta do grupo de Reinado, agora sob a chefia do ex-tenente Salsinha.
"Estava num esconderijo quando passou Susar e nos deu uma arma", explicou aos jornalistas o veterano peticionário.
"Não estava aliado a eles naquele momento mas como eles estavam armados não recusei a arma que me deram", disse Bernardo da Costa "Cris".
O veterano declarou também que não participou do ataque contra José Ramos-Horta nem contra o primeiro-ministro, Xanana Gusmão.
"Eu sabia que o Salsinha ia fazer uma operação e escondi-me com os rapazes", contou hoje o peticionário na conferência de imprensa, realizada na sede do Comando Conjunto, num salão de conferências no centro de Díli.
Todos os peticionários que entram no processo de acantonamento passam pelo salão do Comando Conjunto, onde são interrogados e assistidos com alimentação e bebidas.
"O melhor caminho não é a guerra. Durante 24 anos, lutámos e tivemos sofrimento e morte. Sentir que temos uma arma na nossa mão sempre vai provocar mais guerra. É melhor entregar a arma à nação", explicou Bernardo da Costa "Cris" sobre os motivos da sua rendição.
Sobre o grupo de Gastão Salsinha, o veterano afirmou ter visto que "andam armados" mas não sabe de quantos elementos e quantas armas dispõe o sucessor de Alfredo Reinado.
Na sua edição de hoje, o diário Timor Post refere uma reunião de duas horas que houve quarta-feira entre Xanana Gusmão, o bispo de Díli, D. Alberto Ricardo, e o chefe do Estado-Maior General das F-FDTL, brigadeiro-general Taur Matan Ruak, em torno de uma possível rendição de Gastão Salsinha à Igreja Católica.
Vários elementos do antigo grupo de Alfredo Reinado, que não pertencem aos quase 600 peticionários expulsos das F-FDTL em Março de 2006, entregaram-se nos últimos dias às autoridades timorenses ou à Polícia das Nações Unidas (UNPol).
Num incidente considerado "muito grave" por oficiais da UNPol ouvidos pela agência Lusa, as F-FDTL retiraram quarta-feira à polícia da ONU um elemento do grupo de Alfredo Reinado que se rendeu no enclave de Oécussi e que foi transportado de helicóptero para Díli.
A Missão Integrada das Nações Unidas em Timor-Leste (UNMIT) não reagiu oficialmente ao incidente, que no entanto foi objecto de várias "reuniões de crise", segundo fontes ouvidas pela Lusa.
A conferência de imprensa semanal da UNMIT, anunciada para as 11:00 de hoje como é habitual, foi adiada às 10:30 "até nova informação", que não chegou a acontecer.
PRM
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Ramos-Horta poderá mudar para hospital privado de Darwin
Díli, 28 Fev (Lusa) - O Presidente da República de Timor-Leste poderá mudar "dentro de 10 dias" para o hospital privado situado ao lado do Hospital Real de Darwin, Austrália, afirmou hoje a sua irmã Romana Horta à agência Lusa.
José Ramos-Horta "continua a recuperar muito bem e pode mudar dentro de 10 dias para o hospital privado de Darwin e depois para uma casa", explicou Romana Horta, contactada por telefone a partir de Díli.
O chefe de Estado timorense foi gravemente ferido a tiro num ataque à sua residência em Díli, a 11 de Fevereiro, feito por um grupo liderado pelo major Alfredo Reinado.
José Ramos-Horta, que foi submetido a várias intervenções cirúrgicas, "emagreceu bastante e está mais fraco", afirmou também Romana Horta.
"O tratamento das feridas é feito de dois em dois dias e pelo menos durante um mês ele não vai poder viajar de avião", pelo que a convalescença do Presidente terá que ser feita nas próximas semanas em Darwin, explicou Romana Horta.
José Ramos-Horta "ainda não começou a tratar de trabalho", ainda segundo Romana Horta.
"Por enquanto, vê televisão e ocupa o tempo com a família que está sempre com ele, os irmãos quase todos, sobrinhos, muita gente", acrescentou.
PRM
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Concerns over emergency powers
DILI, 28 February 2008 (IRIN) - More than two weeks after the assassination attempts against Timor-Leste's president and prime minister, the security situation remains fragile, with a state of emergency continuing for another month and 18 arrest warrants issued in connection with the 11 February attacks. President José Ramos-Horta is still in a hospital in Darwin, Australia, but conscious and recovering slowly.
In recognition of the continuing unsettled political, economic and security climate in Timor-Leste, the UN Security Council mandated on 26 February a one-year extension of the UN Integrated Mission in East Timor (UNMIT).
According to UN officials, the hunt for the rebels involved in the assassination attempt continues but with a clear objective of avoiding confrontation and further violence. Members of the International Stabilization Force (ISF) have been handing out leaflets urging the 18 rebels suspected of being involved to peacefully surrender.
The UN Special Representative to the Secretary-General for Timor-Leste, Atul Khare, said: "I want to stress that those who follow my appeal … to surrender voluntarily to justice will be treated with dignity and according to the constitution and applicable laws of Timor-Leste."
By 28 February, 490 of some 600 petitioning soldiers, who were dismissed in 2006, had gone to Dili, the capital, for talks with the government regarding the possibility of reinstatement to the military or other options to reintegrate into the work force.
Joint military/police operation
While security has remained relatively stable, concerns have been raised regarding a government initiative to merge the police and military, particularly given their past animosities, in a campaign against the renegade petitioners.
A one-page resolution was issued that "mandates the general chief of the armed forces to create a joint command integrating PNTL [the police] and F-FDTL [the army] for the execution of security operations conducted during the declaration of the state of siege". There is also a worry that given the emergency status, such a force might overstep its authority.
Sofia Cason, the International Crisis Group representative in Dili, said the government resolution outlining the police/military merger was vague and did not clearly explain the distinction between the roles of the two forces.
"It could be interpreted much more broadly and then we may see FTDL doing what we presume are police functions and police doing what we presume are military functions and I think that's the danger of this," she said.
A UN spokeswoman, Allison Cooper, said the UN's Human Rights Unit (HRU) was monitoring the situation.
"Any concerns about breaches to human rights should be reported to the UN or to the Office of the Provider for Human Rights,” said Cooper. “Once the complaints are received by the HRU, they will be investigated and if found to be upheld, they will be dealt with accordingly," she said. The UN has not yet cited any specific complaints although the human rights unit is compiling the figures.
According to Timor Post editor Mouzinho Lopez de Aroujo, the security problems should not impact on the public's right to be treated with dignity and to be provided with access to critical information.
"The state of emergency doesn't mean there is no more human rights in East Timor,” he said. “It doesn't mean there is no more democracy."
sm/bj/mw
TRADUÇÃO:
Preocupações com os poderes de emergência
DILI, 28 Fevereiro 2008 (IRIN) – Mais de duas semanas depois das tentativas de assassínio contra o presidente e primeiro-ministro de Timor-Leste, a situação da segurança mantém-se frágil com um estado de emergência a continuar por outro mês e 18 mandatos de captura emitidos em conexão com os ataques de 11 Fevereiro. O Presidente José Ramos-Horta está ainda num hospital em Darwin, Austrália, mas consciente e a recuperar lentamente.
Em reconhecimento do clima continuado de inquietação política, económica e de segurança em Timor-Leste, o Conselho de Segurança da ONU mandatou em 26 de Fevereiro um prolongamento por um ano da Missão Integrada da ONU em Timor-Leste (UNMIT).
De acordo com funcionários da ONU, a caça aos amotinados envolvidos nas tentativas de assassínio continua mas com o objectivo claro de evitar confrontos e mais violência. Membros da Força Internacional de Estabilização (ISF) têm andado a distribuir panfletos a apelar aos 18 amotinados suspeitos de envolvimento para se entregarem pacificamente.
O Representante Especial do Secretário-Geral para Timor-Leste, Atul Khare, disse: "Quero sublinhar que os que seguirem o meu apelo … de se entregarem voluntariamente à justiça serão tratados com dignidade e de acordo com a constituição e as leis de Timor-Leste."
Em 28 Fevereiro, 490 de cerca de 600 soldados peticionários, que foram despedidos em 2006, tinham ido para Dili, a capital, para conversas com o governo relativas à possibilidade de re-instalação nas forças militares ou outras opções de re-integração na força de trabalho.
Operação conjunta militares/polícias
Ao mesmo tempo que a segurança se mantém relativamente estável, levantaram-se preocupações relativamente a uma iniciativa do governo de juntar polícias e militares, devido em particular à sua animosidade no passado, numa campanha contra os renegados peticionários.
Foi emitida uma resolução de uma página que "mandata o chefe geral das forças armadas a criar um comando conjunto integrando a PNTL [a polícia] e as F-FDTL [as forças armadas] para a execução de operações de segurança conduzidas durante a declaração do estado de sítio ".Há ainda a preocupação de, dado o estatuto de emergência, uma tal força possa ultrapassar a sua autoridade.
Sofia Cason, a representante do International Crisis Group em Dili, disse que a resolução do governo que esboçava a fusão da polícia/forças militares era vaga e não explicava claramente a distinção entre os papéis das duas forças.
"Isso pode ser interpretado duma maneira muito mais alargada e depois poderemos ver as FTDL a fazerem o que presumimos serem funções da polícia e a polícia a fazer o que presumimos serem funções das forças militares e penso que é aqui que está o perigo disso," disse.
A porta-voz da ONU, Allison Cooper, disse que a Unidade de Direitos Humanos da ONU (HRU) estava a monitorizar a situação.
"Quaisquer preocupações acerca de violações de direitos humanos devem ser dirigidas para a ONU ou para o Gabinete do Provedor dos Direitos Humanos,” disse Cooper. “Uma vez recebidas as queixas pela HRU, serão investigadas e se se concluir que têm base, serão tidas em consideração," disse. A ONU não citou ainda nenhumas queixas específicas apesar da unidade de direitos humanos estar a juntar os números.
De acordo com o editor do Timor Post, Mouzinho Lopez de Araújo, os problemas de segurança não devem ter impacto no direito da população a ser tratada com dignidade e ao direito e acesso a informação crítica.
"O estado de emergência não significa que deixou de haver direitos humanos em Timor-Leste,” disse. “Isso não significa que deixou de haver democracia."
sm/bj/mw
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TIMOR JÁ TEM GUARDA PRETORIANA?
Blog Timor Lorosae Nação
Quinta-feira, 28 de Fevereiro de 2008
FDTL AGORA TAMBÉM ADOPTA PRÁTICAS "NEBULOSAS"?
Gonçalo Tilman Gusmão
A vergonha assola quem tenha um pouco de consciência e saiba que as capacidades da UNPOL e as suas actuações têm sido quase exemplares para connosco e se há quem tenha vindo a demonstrar práticas irregulares, prepotência e animosidade têm sido os militares das ISF. Se bem contabilizarem já mataram e feriram à bala alguns dos nossos filhos mais exaltados e perdidos em toda esta agitação e instabilidade.
Enquanto isso temos assistido à ausência e inoperacionalidade da PNTL e das FDTL por motivos compreensivos, sabendo que aquilo que mais têm feito é exercitaremse e estarem em formação, ou andar integrados com as forças internacionais e acatarem os seus procedimentos. Quer parecer que tem sido assim.
Mas se foi assim, parece que de pouco serviu. Com os internacionais nada aprenderam ou se aprenderam não o demonstram, revelando comportarem-se como “animais de estimação” de comandos que nem a sua casa sabem comandar quanto mais elementos policiais e/ou militares.
As verdades são para se dizer e ainda mais por quem se sente envergonhado com os procedimentos cobardes e inusitados descritos pelos que assistiram e tiveram armas das FDTL apontadas ameaçadoramente, os UNPOL.
Tudo isto, conforme o descrito, para se apoderarem de um dos homens de Alfredo Reinado, com mandato de captura, mas que não apresentaram em tribunal, como mandam as leis, mas sim para o interrogarem. Parece que posteriormente acabaram por juntá-lo aos peticionários, do mesmo modo que têm feito com outros que têm mandatos de captura.
Seria muito interessante que fosse explicado convenientemente porque motivo os militares das FDTL procederam a uma acção intrusiva e de ataque À UNPOL, assim como explicar igualmente qual era a pressa e sob que ordens.
Lá vamos nós “especular”: será que as FDTL são agora a guarda pretoriana de alguém – do governo? Do PGR? - e têm ordens para não permitir que os Reinados prestem declarações em tribunal?
Quer parecer que sim.
Como a imaginação é fértil, será de bom-tom não nos surpreendermos se algum desses homens se “suicidar” ou aparecer “esticadinho” e “caladinho”…
Vamos ver e… entretanto especulemos, já que não se compreende porque motivo estão tão aflitos a açambarcar os rebeldes reinados que eram mais próximos de Alfredo.
Como diz Veríssimo: “tudo isto é muito confuso e só nos resta desconfiar dos chefes da orquestra”.
Podem crer que parece ser verdade. E eu estou cada vez mais de acordo.
Quanto ao procedimento dos elementos das FDTL que puseram sob mira das suas armas os militares da UNPOL seria pertinente perguntar-lhes quem lhes deu tais ordens e porquê, assim como se fossem elementos das ISF fariam o mesmo?
Que tem Matan Ruak a dizer sobre o que tem acontecido, sobre estes "nebulosos" excessos?
Ora, ora… Tudo indica que a acção enquadra-se nos procedimentos incompreensíveis que avassalam Timor todos os dias e quase a toda a hora. Porque será que anda tudo tão nebuloso?
Se não querem especulações expliquem-se, esclareçam, mas com lógica e verdade.
Parece que é impossível, não é?
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Quem tem medo de um inquérito independente?
The Acting President of the National Parliament (NP), Vicente Guterres, said that he does not agree with the idea to establish an International Independent Commission of Inquiry (IICI), as proposed by Fretilin, to investigate the attacks against PR Ramos-Horta and PM Xanana Gusmão.
“Let them (FBI and AFP) do their work. When the results are presented by the FBI, we may consider the need to establish an IICI or not … it’s conditional,” said Mr Guterres. (DN)
O Presidente interino do Parlamento Nacional (PN), Vicente Guterres, disse que não concorda com a ideia de se estabelecer uma Comissão Internacional Independente de Inquérito (CIII), conforme proposto pela Fretilin, para investigar os ataques contra o PR Ramos-Horta e PM Xanana Gusmão.
“Deixem-nos (FBI and AFP) fazerem o trabalho deles. Quando os resultados forem apresentados pelo FBI, podemos considerar a necessidade de estabelecer ou não uma CIII … é condicional,” disse o Sr Guterres. (DN)
Lasama prefere um inquérito não independente, levado a cabo por investigadores australianos e americanos.
Independentes? Não. Parte interessada? Sim.
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Traduções
Obrigado pela solidariedade, Margarida!
Mensagem inicial - 16 de Maio de 2006
"Apesar de frágil, Timor-Leste é uma jovem democracia em que acreditamos. É o país que escolhemos para viver e trabalhar. Desde dia 28 de Abril muito se tem dito sobre a situação em Timor-Leste. Boatos, rumores, alertas, declarações de países estrangeiros, inocentes ou não, têm servido para transmitir um clima de conflito e insegurança que não corresponde ao que vivemos. Vamos tentar transmitir o que se passa aqui. Não o que ouvimos dizer... "