domingo, julho 16, 2006

Entrevista Expresso - Mari Alkatiri

Enviado por um leitor:

Ex-primeiro-ministro de Timor-Leste, Mari Alkatiri diz que, apesar do novo Governo, não é possível falar-se de um novo ciclo no país

«Na raiz do conflito está o petróleo»

(VERSÃO INTEGRAL)

Luísa Meireles

ÀS PERGUNTAS sobre a crise recente, o ex-primeiro-ministro timorense Mari Alkatiri diz que ainda «não chegou o momento para escrever as memórias». É cauteloso com a Austrália e acha que o novo Governo tem pouco tempo para mudar políticas.

Sábado , 15 JUL 06


Vai prestar declarações como arguido na próxima semana, pelo seu alegado envolvimento na entrega de armas à população e a alguns grupos organizados, entre eles o de Vicente da Conceição, o Railos?

Fui eu próprio que solicitei essa audiência o mais cedo possível para esclarecer todo o assunto, devido ao grande número de alegações existentes. Tão logo pude constituir a minha defesa, ela foi marcada. Toda a minha resposta vai ser baseada na lei e na verdade.

Não tenho interesse em estar a comentar as alegações que têm sido feitas, que são tudo menos a verdade.

Mas o seu ex-ministro do Interior, Rogério Lobato, confessou que se encontrou com o grupo do Railós e que distribuiu armas...

Eu também recebi o Railós no dia 8 de Maio, mas noutro contexto completamente diferente.

Qual contexto?

Não tinha nada a ver com armas, mas com a organização do Congresso do Partido e com a actividade deles, antigos combatentes, apoiarem o Governo no sentido de diluir a contradição que estava já a esboçar-se entre os chamados Lorosae e Loromonu.

E como justifica a iniciativa do ex-ministro, para mais alto quadro da Fretilin?

Ele só foi eleito vice-presidente da Fretilin depois disso. Mas ele já fez os seus depoimentos junto do tribunal e eu não os vou comentar.

Mas o que estava a acontecer em Timor que justificava a distribuição de armas na Fretilin e a constituição de grupos armados?

Desafio quem quer que seja que prove que havia armas na Fretilin por todo o lado. Não havia, nem há. Isso é uma alegação que tem a conotação de difamação. A Fretilin nunca distribuiu armas nem nunca distribuirá. É uma tentativa de manchar a imagem do partido maioritário para fins eleitorais.

E como surgem esses grupos, nomeadamente o de Railós?

Esses grupos existem. As armas que lhes foram dadas são da Polícia. O ex-ministro já reconheceu que participou nessa distribuição com o fim, como ele próprio disse, de apoiar unidades de reserva da Polícia. Eu estou a fazer estas declarações com base nos depoimentos do ex-ministro Rogério Lobato.

A esta distância, acha que poderia ter agido de outra maneira em relação aos peticionários?

Se não tivesse havido outras instituições, outros órgãos de soberania a envolver-se em primeiro plano nesta questão, se desde o início ela tivesse sido entregue ao Governo para ser resolvida, eu tenho a certeza que sim.

Está a referir-se ao Presidente da República?

A história dirá.

Acha que desde o princípio houve algum aproveitamento?

Este é um país jovem onde as instituições de Estado às vezes extravasam as suas competências, muitas vezes com a melhor das intenções de resolver problemas. Eu não estou a dizer que as pessoas o fazem com a intenção de complicar, mas sim de resolver. E até às vezes com a intenção de se solidarizar com outros órgãos, mas a verdade é que as boas intenções nem sempre dão bons resultados.

Durante toda a crise, o senhor sempre disse que estava em curso um golpe constitucional contra o seu governo. Pensa que hoje está consumado esse golpe?

Está em marcha.

Ainda está em marcha?

Digo que está em marcha porque ainda há a exigência da dissolução do Parlamento e de realizar eleições antecipadas, exigências essas que vêm dos mesmos autores das manifestações.

Como é que fundamenta a existência deste golpe?

Ainda não é tempo para eu escrever as minhas memórias.

Considera que o Presidente Xanana foi subjectiva ou objectivamente mentor desse golpe?

Não comento sobre isso.

Nem terá sido aproveitado?

Não comento.

Então interpreta o facto de, desde a primeira hora, aqueles que reclamavam a sua substituição de armas na mão, nomeadamente o major Reinado, se terem colocado à disposição do Presidente Xanana?

Melhor do que eu deverá ser eles a justificar isso. E talvez o próprio Presidente Xanana.

Mas, a si, não lhe merece uma reflexão?

Estou a reflectir, mas volto a dizer que ainda não é o momento para escrever sobre as minhas memórias.

Durante a crise, alguma vez se sentiu em risco de vida?

Sim. Mesmo agora sinto que a minha vida está a ser defendida por protecção australiana. Naturalmente que o risco vai diminuindo mas não me sinto ainda completamente livre num país que eu gostaria que fosse democrático e um Estado de direito.

Quem faz a sua escolta?

Eu tenho uma parte da escolta que é timorense e que restou da escolta inicial (eram 14, agora são 6), que continuam comigo, e tenho a escolta australiana.

Sabemos as razões oficiais pelas quais se demitiu, nomeadamente para evitar uma eventual resignação do presidente da República, contribuir para a paz e tranquilidade, assumir a sua parte de responsabilidade na crise. Mas sentiu-se forçado a demitir-se porque as manobras políticas dos seus adversários tiveram êxito? Sentiu-se derrotado?

Eu estou convencido de que, com a posse do novo Governo amanhã, poderá chegar à conclusão de que os próprios adversários se sentem frustrados, o que significa que não tiveram sucesso.

Liga esses adversários ao golpe que está em marcha, que ainda não foi totalmente consumado?
Uns adversários são os autores reais e activos deste golpe que está em marcha, e outros assistiam ao andamento do processo sempre na esperança de que fosse 100% bem sucedido.

Mas sentiu que perdeu essa «guerra»?

Perder uma batalha não significa perder a guerra. Mas eu não considero isto uma guerra. O mais importante é conseguir aquilo que se conseguiu: voltar ao clima de esperança, paz e estabilidade. Isto foi o mais importante para abrir uma nova página na nossa história.

E foram essas mesmas razões também que o levaram a desmobilizar os militantes da Fretilin que queriam entrar em Díli para o apoiar?

Foi uma contribuição que achei que devia dar para não piorar ainda mais a situação. Todos os dias passo ao lado de alguns campos de deslocados e vejo crianças, velhos e mulheres, cidadãos inocentes sofrendo, e acho que já é tempo de nós, como responsáveis, contribuirmos para fazer com que essas pessoas também ganhem esperança e confiança e voltem a suas casas.

A tomada de posse do novo primeiro-ministro Ramos-Horta abre um novo ciclo político em Timor?

Ainda não é possível falar de um novo ciclo com um Governo que só vai durar nove meses. Espero que seja uma gravidez bem sucedida e que o parto não seja tão doloroso.
Pensa que vai mudar alguma coisa nos objectivos estratégicos da política timorense?

O Governo vai implementar e executar o plano anual de acção e o orçamento que já tinham sido aprovados pelo Governo por mim chefiado.

No seu discurso de tomada de posse, Ramos-Horta apela a que a Igreja reassuma o seu papel na educação, considerando que a sociedade timorense rejeita a interpretação de modelos seculares. Não é um sinal de mudança em relação à sua política relativamente à Igreja?

Se tivesse havido alguma vez alguma tendência para retirar à Igreja o seu papel, poder-se-ia pensar que existe uma mudança. Agora, quando se tenta atribuir ao Governo por mim chefiado alguma intenção de reduzir o papel da Igreja, isso eu recuso-me a aceitar. A Igreja nunca deixou de trabalhar na área da educação, na saúde, na área social e também religiosa, atravessou as mesmas dificuldades que o povo, em termos económicos, financeiros e institucionais. A Igreja é parte da sociedade. Agora, estamos em melhores condições de podermos, todos nós, encontrar plataformas de acção mais sólidas, e isso está no plano de acção do Governo por mim chefiado para o ano de 2006/2007, onde eu defini claramente a necessidade de novas parcerias. Portanto, não é nada de novo.

Acha que é um «mal-amado» da Igreja Católica?

Eu sou mal-amado por muitos, ou porque não sou entendido, ou porque, realmente, não sou um técnico de relações públicas, reconheço-o. Sou uma pessoa fria, alguns chamam-me sisudo. São os meus defeitos, mas eu desafio quem quer que seja que me diga que, durante estes quatro anos, não dei contribuições positivas para este Governo. Recebi a governação de um país com défice orçamental. Deixo-o com um «superavit» bastante grande.

Mas, todavia, mergulhado ainda em grandes problemas internos...

Talvez por causa disso mesmo. Se continuasse um país com défice orçamental, se calhar, ninguém ambicionaria vir para o poder.

A raiz deste conflito tem a ver com a riqueza que se supõe haver, nomeadamente com o petróleo?

Não tenho dúvidas. Eu vejo até grandes analistas, que trabalham com dados que não são correctos quando dizem que eu me aproximei da China, que havia um acordo com a China sobre a área do petróleo. A China não tem uma única concessão neste país na área do petróleo. Primeiro, porque nunca participou nos concursos públicos, segundo, porque não há nenhum acordo com a China nessa área. O único acordo que se fez foi de pesquisa geológica, não de exploração.

Mas porque fala da China?

Porque todos dizem que a Austrália não veria com bons olhos o facto de eu estar a aproximar-me da China na área do desenvolvimento no sector do petróleo. Há realmente um país que nos apoiou e continua a fazê-lo, mas desinteressadamente, no sector do petróleo. Mas é a Noruega, não a China.

Há muita gente que faz a ligação destes acontecimentos a um interesse australiano de o afastar a si para melhor controlar ou conformar Timor às suas pretensões. Com Xanana ou com Ramos-Horta, será diferente?

Não sei. Eu como primeiro-ministro, procurei defender até às últimas consequências os interesses do meu povo. Liderei as negociações sobre as riquezas e os recursos do mar de Timor-Leste, que ninguém pode negar que foram negociações bem sucedidas para o meu país, e estou orgulhoso disso. Consegui fazer de Timor-Leste, tido como inviável, um país que todos sabem que é absolutamente viável, um Estado sustentável, e isto em apenas quatro anos de governação. Tenho a certeza que Timor-Leste iria arrancar, a partir do último ano do meu mandato, 2006/2007, para a fase real de desenvolvimento humano e económico, porque já há condições para o fazer. E mais ainda: no caso de vitória da Fretilin em 2007, o próximo mandato será para pôr este país num patamar ainda mais elevado. O plano era esse.

Então como encara então as declarações do primeiro-ministro australiano, John Howard, de que Timor não é um Estado viável?

Prefiro não comentar, até porque John Howard também está a enfrentar problemas no seu país. Eu não quero repetir aquilo que ele fez, dizer que eu deveria realmente demitir-me.

Pensa que a Austrália pretende fazer de Timor um protectorado?

Nunca acusei o Governo australiano de nada, nem pretendo fazê-lo. Agora, ninguém pode negar que, nos últimos dois ou três meses, toda a comunicação social australiana se esforçou por me demonizar. Parecia tudo concertado, parecia haver uma política bem definida e planificada com o objectivo único de me demonizar. É só fazer a leitura daquilo que saiu até hoje.

Fazendo essa leitura, acha que existe algum tipo de influência da Austrália sobre o Presidente Xanana ou sobre o agora primeiro-ministro Ramos-Horta?

A exigência da minha demissão por parte do Presidente Xanana teve como base um programa da televisão australiana.

Portanto, acha que a Austrália tem, na verdade, uma grande influência sobre o Presidente Xanana...

Eu só estou a apresentar os factos.

E é também um mero facto ter sido a esposa (australiana) do Presidente Xanana a tomar posição pública sobre o que devia fazer o Presidente?

Isso é uma inovação nossa, as esposas dos titulares de órgãos de soberania terem opinião (sobre aquilo que eles deveriam fazer.

Quando a crise começou, quem autorizou os australianos a entrar no país? Quer dizer, eles já estavam embarcados ao largo de Timor antes de haver essa autorização...

Quando a crise interna começou a agudizar-se, havendo já combates entre elementos da Polícia Nacional e das Forças Armadas, a única hipótese era, realmente, ter uma força ou forças estrangeiras a ajudar a estabilizar o país. E isso foi iniciativa minha, como primeiro-ministro, de propor ao Presidente da República, com a participação do Presidente do Parlamento Nacional, que solicitássemos a intervenção de quatro países, que são os mesmos países que ainda cá estão.

Mas tinha conhecimento de que havia tropas australianas que já estavam embarcadas?

Naturalmente, um mês ou dois meses antes.

Não é estranho?

A Austrália estava a acompanhar o desenvolvimento da situação em Timor-Leste, achava que era o país mais próximo, que poderia, a todo o momento, intervir no sentido de apaziguar. E sempre disse, naquela altura, que só interviria a pedido do governo de Timor-Leste. De facto, a intervenção mesmo foi feita depois do pedido, mas claro que é sempre muito estranho quando, antes do pedido do Governo, estejam forças preparadas para intervir à volta de outro país. Mas talvez isso seja também parte da experiência da Austrália. Aconteceu em 1999 também, quando a Austrália estava preparada três meses antes para poder intervir em tempo oportuno para parar as matanças e a violência em Timor.

Este novo Governo pode ter uma política com repercussões nas relações com Portugal e na participação timorense na CPLP? A posição do português como língua oficial em Timor pode estar em risco?

Este Governo terá nove meses de vida. Não é em nove meses que se fazem mudanças estruturais em qualquer país, portanto não creio que isso seja possível em termos práticos.

Também não creio que as pessoas que estão no Governo, incluindo o Presidente da República, sejam anti-portuguesas. Naturalmente que, quando se quer avançar com um projecto de reintrodução da língua portuguesa, de generalização do seu uso, de afirmação de uma língua oficial, não chega dizermos que somos favoráveis; é preciso ter a coragem de enfrentar todos os obstáculos e de, a cada momento, afirmarmos isso mesmo.

Está a preparar o seu regresso ou a preparar-se para as próximas eleições?

Já o disse, a minha função agora é reforçar o partido, reorganizá-lo e prepará-lo para 2007.

Vai candidatar-se de novo?

Nunca me candidatei, portanto não tenho de me recandidatar. O mais importante é o partido voltar a ganhar, e o partido depois decidirá como governar. Alguém já levantou a hipótese de eu vir a candidatar-me à Presidência da República. Posso dizer: «tirem o cavalo da chuva», porque eu não serei nunca candidato a Presidente.

Ex-primeiro-ministro de Timor-Leste, Mari Alkatiri diz que, apesar do novo Governo, não é possível falar-se de um novo ciclo no país

«Na raiz do conflito está o petróleo»

(VERSÃO INTEGRAL)

Luísa Meireles

ÀS PERGUNTAS sobre a crise recente, o ex-primeiro-ministro timorense Mari Alkatiri diz que ainda «não chegou o momento para escrever as memórias». É cauteloso com a Austrália e acha que o novo Governo tem pouco tempo para mudar políticas.

Sábado , 15 JUL 06


Vai prestar declarações como arguido na próxima semana, pelo seu alegado envolvimento na entrega de armas à população e a alguns grupos organizados, entre eles o de Vicente da Conceição, o Railos?

Fui eu próprio que solicitei essa audiência o mais cedo possível para esclarecer todo o assunto, devido ao grande número de alegações existentes. Tão logo pude constituir a minha defesa, ela foi marcada. Toda a minha resposta vai ser baseada na lei e na verdade.

Não tenho interesse em estar a comentar as alegações que têm sido feitas, que são tudo menos a verdade.

Mas o seu ex-ministro do Interior, Rogério Lobato, confessou que se encontrou com o grupo do Railós e que distribuiu armas...

Eu também recebi o Railós no dia 8 de Maio, mas noutro contexto completamente diferente.

Qual contexto?

Não tinha nada a ver com armas, mas com a organização do Congresso do Partido e com a actividade deles, antigos combatentes, apoiarem o Governo no sentido de diluir a contradição que estava já a esboçar-se entre os chamados Lorosae e Loromonu.

E como justifica a iniciativa do ex-ministro, para mais alto quadro da Fretilin?

Ele só foi eleito vice-presidente da Fretilin depois disso. Mas ele já fez os seus depoimentos junto do tribunal e eu não os vou comentar.

Mas o que estava a acontecer em Timor que justificava a distribuição de armas na Fretilin e a constituição de grupos armados?

Desafio quem quer que seja que prove que havia armas na Fretilin por todo o lado. Não havia, nem há. Isso é uma alegação que tem a conotação de difamação. A Fretilin nunca distribuiu armas nem nunca distribuirá. É uma tentativa de manchar a imagem do partido maioritário para fins eleitorais.

E como surgem esses grupos, nomeadamente o de Railós?

Esses grupos existem. As armas que lhes foram dadas são da Polícia. O ex-ministro já reconheceu que participou nessa distribuição com o fim, como ele próprio disse, de apoiar unidades de reserva da Polícia. Eu estou a fazer estas declarações com base nos depoimentos do ex-ministro Rogério Lobato.

A esta distância, acha que poderia ter agido de outra maneira em relação aos peticionários?

Se não tivesse havido outras instituições, outros órgãos de soberania a envolver-se em primeiro plano nesta questão, se desde o início ela tivesse sido entregue ao Governo para ser resolvida, eu tenho a certeza que sim.

Está a referir-se ao Presidente da República?

A história dirá.

Acha que desde o princípio houve algum aproveitamento?

Este é um país jovem onde as instituições de Estado às vezes extravasam as suas competências, muitas vezes com a melhor das intenções de resolver problemas. Eu não estou a dizer que as pessoas o fazem com a intenção de complicar, mas sim de resolver. E até às vezes com a intenção de se solidarizar com outros órgãos, mas a verdade é que as boas intenções nem sempre dão bons resultados.

Durante toda a crise, o senhor sempre disse que estava em curso um golpe constitucional contra o seu governo. Pensa que hoje está consumado esse golpe?

Está em marcha.

Ainda está em marcha?

Digo que está em marcha porque ainda há a exigência da dissolução do Parlamento e de realizar eleições antecipadas, exigências essas que vêm dos mesmos autores das manifestações.

Como é que fundamenta a existência deste golpe?

Ainda não é tempo para eu escrever as minhas memórias.

Considera que o Presidente Xanana foi subjectiva ou objectivamente mentor desse golpe?

Não comento sobre isso.

Nem terá sido aproveitado?

Não comento.

Então interpreta o facto de, desde a primeira hora, aqueles que reclamavam a sua substituição de armas na mão, nomeadamente o major Reinado, se terem colocado à disposição do Presidente Xanana?

Melhor do que eu deverá ser eles a justificar isso. E talvez o próprio Presidente Xanana.

Mas, a si, não lhe merece uma reflexão?

Estou a reflectir, mas volto a dizer que ainda não é o momento para escrever sobre as minhas memórias.

Durante a crise, alguma vez se sentiu em risco de vida?

Sim. Mesmo agora sinto que a minha vida está a ser defendida por protecção australiana. Naturalmente que o risco vai diminuindo mas não me sinto ainda completamente livre num país que eu gostaria que fosse democrático e um Estado de direito.

Quem faz a sua escolta?

Eu tenho uma parte da escolta que é timorense e que restou da escolta inicial (eram 14, agora são 6), que continuam comigo, e tenho a escolta australiana.

Sabemos as razões oficiais pelas quais se demitiu, nomeadamente para evitar uma eventual resignação do presidente da República, contribuir para a paz e tranquilidade, assumir a sua parte de responsabilidade na crise. Mas sentiu-se forçado a demitir-se porque as manobras políticas dos seus adversários tiveram êxito? Sentiu-se derrotado?

Eu estou convencido de que, com a posse do novo Governo amanhã, poderá chegar à conclusão de que os próprios adversários se sentem frustrados, o que significa que não tiveram sucesso.

Liga esses adversários ao golpe que está em marcha, que ainda não foi totalmente consumado?
Uns adversários são os autores reais e activos deste golpe que está em marcha, e outros assistiam ao andamento do processo sempre na esperança de que fosse 100% bem sucedido.

Mas sentiu que perdeu essa «guerra»?

Perder uma batalha não significa perder a guerra. Mas eu não considero isto uma guerra. O mais importante é conseguir aquilo que se conseguiu: voltar ao clima de esperança, paz e estabilidade. Isto foi o mais importante para abrir uma nova página na nossa história.

E foram essas mesmas razões também que o levaram a desmobilizar os militantes da Fretilin que queriam entrar em Díli para o apoiar?

Foi uma contribuição que achei que devia dar para não piorar ainda mais a situação. Todos os dias passo ao lado de alguns campos de deslocados e vejo crianças, velhos e mulheres, cidadãos inocentes sofrendo, e acho que já é tempo de nós, como responsáveis, contribuirmos para fazer com que essas pessoas também ganhem esperança e confiança e voltem a suas casas.

A tomada de posse do novo primeiro-ministro Ramos-Horta abre um novo ciclo político em Timor?

Ainda não é possível falar de um novo ciclo com um Governo que só vai durar nove meses. Espero que seja uma gravidez bem sucedida e que o parto não seja tão doloroso.
Pensa que vai mudar alguma coisa nos objectivos estratégicos da política timorense?

O Governo vai implementar e executar o plano anual de acção e o orçamento que já tinham sido aprovados pelo Governo por mim chefiado.

No seu discurso de tomada de posse, Ramos-Horta apela a que a Igreja reassuma o seu papel na educação, considerando que a sociedade timorense rejeita a interpretação de modelos seculares. Não é um sinal de mudança em relação à sua política relativamente à Igreja?

Se tivesse havido alguma vez alguma tendência para retirar à Igreja o seu papel, poder-se-ia pensar que existe uma mudança. Agora, quando se tenta atribuir ao Governo por mim chefiado alguma intenção de reduzir o papel da Igreja, isso eu recuso-me a aceitar. A Igreja nunca deixou de trabalhar na área da educação, na saúde, na área social e também religiosa, atravessou as mesmas dificuldades que o povo, em termos económicos, financeiros e institucionais. A Igreja é parte da sociedade. Agora, estamos em melhores condições de podermos, todos nós, encontrar plataformas de acção mais sólidas, e isso está no plano de acção do Governo por mim chefiado para o ano de 2006/2007, onde eu defini claramente a necessidade de novas parcerias. Portanto, não é nada de novo.

Acha que é um «mal-amado» da Igreja Católica?

Eu sou mal-amado por muitos, ou porque não sou entendido, ou porque, realmente, não sou um técnico de relações públicas, reconheço-o. Sou uma pessoa fria, alguns chamam-me sisudo. São os meus defeitos, mas eu desafio quem quer que seja que me diga que, durante estes quatro anos, não dei contribuições positivas para este Governo. Recebi a governação de um país com défice orçamental. Deixo-o com um «superavit» bastante grande.

Mas, todavia, mergulhado ainda em grandes problemas internos...

Talvez por causa disso mesmo. Se continuasse um país com défice orçamental, se calhar, ninguém ambicionaria vir para o poder.

A raiz deste conflito tem a ver com a riqueza que se supõe haver, nomeadamente com o petróleo?

Não tenho dúvidas. Eu vejo até grandes analistas, que trabalham com dados que não são correctos quando dizem que eu me aproximei da China, que havia um acordo com a China sobre a área do petróleo. A China não tem uma única concessão neste país na área do petróleo. Primeiro, porque nunca participou nos concursos públicos, segundo, porque não há nenhum acordo com a China nessa área. O único acordo que se fez foi de pesquisa geológica, não de exploração.

Mas porque fala da China?

Porque todos dizem que a Austrália não veria com bons olhos o facto de eu estar a aproximar-me da China na área do desenvolvimento no sector do petróleo. Há realmente um país que nos apoiou e continua a fazê-lo, mas desinteressadamente, no sector do petróleo. Mas é a Noruega, não a China.

Há muita gente que faz a ligação destes acontecimentos a um interesse australiano de o afastar a si para melhor controlar ou conformar Timor às suas pretensões. Com Xanana ou com Ramos-Horta, será diferente?

Não sei. Eu como primeiro-ministro, procurei defender até às últimas consequências os interesses do meu povo. Liderei as negociações sobre as riquezas e os recursos do mar de Timor-Leste, que ninguém pode negar que foram negociações bem sucedidas para o meu país, e estou orgulhoso disso. Consegui fazer de Timor-Leste, tido como inviável, um país que todos sabem que é absolutamente viável, um Estado sustentável, e isto em apenas quatro anos de governação. Tenho a certeza que Timor-Leste iria arrancar, a partir do último ano do meu mandato, 2006/2007, para a fase real de desenvolvimento humano e económico, porque já há condições para o fazer. E mais ainda: no caso de vitória da Fretilin em 2007, o próximo mandato será para pôr este país num patamar ainda mais elevado. O plano era esse.

Então como encara então as declarações do primeiro-ministro australiano, John Howard, de que Timor não é um Estado viável?

Prefiro não comentar, até porque John Howard também está a enfrentar problemas no seu país. Eu não quero repetir aquilo que ele fez, dizer que eu deveria realmente demitir-me.

Pensa que a Austrália pretende fazer de Timor um protectorado?

Nunca acusei o Governo australiano de nada, nem pretendo fazê-lo. Agora, ninguém pode negar que, nos últimos dois ou três meses, toda a comunicação social australiana se esforçou por me demonizar. Parecia tudo concertado, parecia haver uma política bem definida e planificada com o objectivo único de me demonizar. É só fazer a leitura daquilo que saiu até hoje.

Fazendo essa leitura, acha que existe algum tipo de influência da Austrália sobre o Presidente Xanana ou sobre o agora primeiro-ministro Ramos-Horta?

A exigência da minha demissão por parte do Presidente Xanana teve como base um programa da televisão australiana.

Portanto, acha que a Austrália tem, na verdade, uma grande influência sobre o Presidente Xanana...

Eu só estou a apresentar os factos.

E é também um mero facto ter sido a esposa (australiana) do Presidente Xanana a tomar posição pública sobre o que devia fazer o Presidente?

Isso é uma inovação nossa, as esposas dos titulares de órgãos de soberania terem opinião (sobre aquilo que eles deveriam fazer.

Quando a crise começou, quem autorizou os australianos a entrar no país? Quer dizer, eles já estavam embarcados ao largo de Timor antes de haver essa autorização...

Quando a crise interna começou a agudizar-se, havendo já combates entre elementos da Polícia Nacional e das Forças Armadas, a única hipótese era, realmente, ter uma força ou forças estrangeiras a ajudar a estabilizar o país. E isso foi iniciativa minha, como primeiro-ministro, de propor ao Presidente da República, com a participação do Presidente do Parlamento Nacional, que solicitássemos a intervenção de quatro países, que são os mesmos países que ainda cá estão.

Mas tinha conhecimento de que havia tropas australianas que já estavam embarcadas?

Naturalmente, um mês ou dois meses antes.

Não é estranho?

A Austrália estava a acompanhar o desenvolvimento da situação em Timor-Leste, achava que era o país mais próximo, que poderia, a todo o momento, intervir no sentido de apaziguar. E sempre disse, naquela altura, que só interviria a pedido do governo de Timor-Leste. De facto, a intervenção mesmo foi feita depois do pedido, mas claro que é sempre muito estranho quando, antes do pedido do Governo, estejam forças preparadas para intervir à volta de outro país. Mas talvez isso seja também parte da experiência da Austrália. Aconteceu em 1999 também, quando a Austrália estava preparada três meses antes para poder intervir em tempo oportuno para parar as matanças e a violência em Timor.

Este novo Governo pode ter uma política com repercussões nas relações com Portugal e na participação timorense na CPLP? A posição do português como língua oficial em Timor pode estar em risco?

Este Governo terá nove meses de vida. Não é em nove meses que se fazem mudanças estruturais em qualquer país, portanto não creio que isso seja possível em termos práticos.

Também não creio que as pessoas que estão no Governo, incluindo o Presidente da República, sejam anti-portuguesas. Naturalmente que, quando se quer avançar com um projecto de reintrodução da língua portuguesa, de generalização do seu uso, de afirmação de uma língua oficial, não chega dizermos que somos favoráveis; é preciso ter a coragem de enfrentar todos os obstáculos e de, a cada momento, afirmarmos isso mesmo.

Está a preparar o seu regresso ou a preparar-se para as próximas eleições?

Já o disse, a minha função agora é reforçar o partido, reorganizá-lo e prepará-lo para 2007.

Vai candidatar-se de novo?

Nunca me candidatei, portanto não tenho de me recandidatar. O mais importante é o partido voltar a ganhar, e o partido depois decidirá como governar. Alguém já levantou a hipótese de eu vir a candidatar-me à Presidência da República. Posso dizer: «tirem o cavalo da chuva», porque eu não serei nunca candidato a Presidente.

Sobre a recondução do Procurador-Geral

Dos leitores:

A "reconciliação" é só para um lado. Quando são investigados os desertores?

...

O PGR AFIRMA, viola o SEGREDO DE JUSTIÇA e desconhece lei aplicável

Algumas das dclarações do Procurador-Geral

“ABC News
By Anne Barker in Dili

Mr Monteiro does say that more charges will be laid against Colonel Railos and his militia group, for possessing illegal weapons.

Fonte LUSA. Notícia SIR-8161387
Milhares de pessoas testemunharam entrega armas em Liquiçá

Milhares de pessoas testemunharam hoje em Liquiçá, 35 quilómetros a oeste de Díli, a entrega de armas ao Ministér io Público pelo alegado "esquadrão da morte"

Ou seja milhares de pessoas são testemunhas do crime de posse ilegal de armas.

E o que faz o Ministério Público?

Díli, 26 Jun (Lusa) - O primeiro-ministro demissionário de Timor-Leste, Mari Alkatiri, foi notificado hoje à tarde (hora local) pelo Ministério Público para prestar declarações, sexta-feira, sobre o processo de distribuição de arma s a civis, disse à Lusa o Procurador-Geral da República timorense.

Liquiçá, Timor-Leste, 11 Jul (Lusa) - O ex-primeiro-ministro de Timor-Leste Mari Alkatiri foi notificado como arguido pelo Ministério Público para prestar declarações no próximo dia 20, por alegada participação na distribuição de armas a civis, disse hoje à Lusa o Procurador-Geral da República.
Longuinhos Monteiro acrescentou à Lusa que no próximo dia 20 o Ministério Público vai querer saber qual o grau de conhecimento de Mari Alkatiri dos factos que lhe são imputados nas declarações, quer de Vicente da Conceição "Railos" quer do próprio Rogério Lobato.
"O primeiro ponto que queremos esclarecer é o conhecimento dos factos. Quando teve conhecimento. Temos declarações de Rogério Lobato e outros depoimentos e temos o encontro do dia 08 (de Maio)", precisou.
"É isso que queremos saber", vincou.”

Estas declarações violam o segredo de justiça e a obrigação de imparcialidade do Procurador-Geral.

Diz o Código de Processo Penal:

O Procurador / Juiz é suspeito quando existem fortes motivos que possam abalar a confiança na sua imparcialidade nomeadamente ter expressado opiniões reveladoras de um pré-juízo em relação ao objecto do processo.

Segredo de Justiça - Todos os participantes processuais e quaisquer pessoas que por qualquer título tomarem contacto com o processo e conhecimento total ou parcial do seu conteúdo ficam impedidos de o divulgar.
O processo é público a partir da acusação.

O que se espera para abrir um inquérito ao Procurador-Geral?!

“Alkatiri foi notificado como ARGUIDO pelo Ministério Público... disse hoje à Lusa o Procurador-Geral da República.”

Diz o Código de Processo Penal:

Considera-se suspeito toda a pessoa relativamente à qual exista indicio de que cometeu ou se prepara para cometer um crime, ou nele participou ou se prepara para participar.

Assume a qualidade de arguido todo aquele contra quem for deduzida acusação num processo penal.

Ora que se saiba ainda não foi deduzida qualquer acusação seja contra quem fôr encontrando-se o processo na fase de investigação e no caso Alkatiri poderá ser ouvido pelo Ministério Público na qualidade de suspeito mas nunca de arguido.

Para a opinião pública em geral tudo não passam de meras designações técnicas e de menos importância.

O grave é que Longuinhos Monteiro continue a violar a lei de forma clara e evidente e que demonstre uma total ignorância quanto à lei aplicável em Timor e se mantenha em funções como Procurador-Geral.

Como é possivel credibilizar a Procuradoria Geral ou qualquer investigação com um Procurador-Geral que desconhece a lei que está obrigado a aplicar e à qual deve obediência??????

...

DÚVIDA

Como é possivel nomear para o cargo de Procurador-Geral uma pessoa que chumbou no curso que dá acesso à carreira de Procurador?!

...

PROCURADOR-GERAL???

Uma das competências do Procurador-Geral é a de promover a defesa da legalidade democrática dar pareceres quando a lei o exigir ou o Governo o solicite

Como pode promover a defesa da legalidade ou dar pareceres juridicos alguém que chumba num curso de acesso a procurador e tem demonstrado publicamente o desconhecimento ou antes ignorância sobre a lei aplicável em Timor?

...

SOBRE A LEGALIDADE DA NOMEAÇÃO DO PG

O estatuto do Ministério Público foi aprovado pelo Parlamento Nacional em 25 de Julho de 2005 e promulgado em 3 de Setembro de 2005 pelo Presidente da República.

Diz o art. 83º do Estatuto do Ministério Público

Enquanto não houver nacionais que preencham os requesitos do art. 12º, o Procurador-Geral da República pode ser nomeado de entre agentes do Ministério Público de categoria inferior à de Procurador da República ou juizes estagiários ou de entre procuradores não timorenses, com pelo menos 10 anos de experiência, provenientes de sistema judiciário civilista.

Longuinhos Monteiro foi recrutado e nomeado Procurador-Geral pela UNTAET.

Não possui qualquer habilitação como Procurador possuindo apenas uma licenciatura em Direito da Indonésia, segundo o próprio Longuinhos, mas nunca ninguém viu o seu diploma de licenciatura.

Não passou na avalliação que foi feita ao desempenho dos Procuradores nomeados pela UNTAET.

Não passou no curso que dá acesso à carreira de Procurador.

Assim Longuinhos Monteiro não é Procurador ou de categoria inferior, por exemplo Procurador estagiário, juiz ou jurista de reconhecido mérito.

O mesmo não se passa com Ivo Valente que já tomou posse como Procurador estagiário após ter passado no curso que dá acesso à carreira de Procurador e de acordo com o art. 84º do Estatuto do Ministério Público.

Não há qualquer dúvida sobre a ILEGALIDADE da nomeação de Longuinhos Monteiro para o cargo de Procurador-Geral.

O Presidente da República viola claramente o Estatuto do Ministério Público ao nomear para o cargo de Procurador-Geral Longuinhos Monteiro.

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PEDIDO DE INFORMAÇÃO

Antes de nomear o Procurador-Geral o Presidente da República tem que ouvir o Governo.

Qual é a posição do governo quanto à nomeação de Longuinhos Monteiro para Procurador-Geral?

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RECTIFICAÇÃO

Longuinhos Monteiro foi nomeado Procurador-Geral pela UNTAET com efeitos a partir de 16 de Outubro de 2001.

NOTIFICAÇÃO N. 2001/21 – UNTAET

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PROCURADOR-GERAL EM TIMOR PODE SER QUALQUER UM....

É grave que o Presidente da República viole de forma tão clara a lei com a nomeação anunciada de Longuinhos Monteiro, e que o governo, o parlamento e a oposição se mantenham em silêncio.

E estranho é que ninguém se mostre preocupado com as acusações e suspeitas de corrupção quanto a Longuinhos Monteiro que foram publicadas em toda a imprensa nacional.

Ou só estão preocupados com a ilegalidade da direcção da FRETILIN?

Ou nem sequer fazem ideia da importância do cargo de Procurador-Geral?

Então mas se o homem frequenta a Presidência porque é que não pode passear-se por Dili?
Honestidade politica é o que é.

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Interinidade no cargo????

Qual a fundamentação legal?

A nomeação da UNTEAT foi por um periodo probatório máximo de três anos após o que deveria ser feita uma avaliação de desempenho.

Essa avaliação foi feita e Longuinhos Monteiro CHUMBOU.

Servindo-me das suas próprias palavras use de "honestidade politica" Senhor Presidente e diga ao País que Longuinhos Monteiro que há muito se encontra numa situação de ilegalidade e que a sua nomeação, que é ilegal, só vai ser consumada porque Longuinhos Monteiro é um amigo da sua confiança.

Chega de "cerimónias" e "teatros"!

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http//www.unotil.org/legal/UNTAET-Law/index-p.htm


Regulamento 200/16 - UNTAET
Art. 6.3
No final do periodo probatório e feita a avaliação e se esta fôr insatisfatória o funcionário em questão será demitido da Procuradoria Pública.

Como Longuinhos Monteiro chumbou na avaliação o Presidente da República teria que o ter demitido.

Não o fez.

Longuinhos Monteiro concorreu à formação para acesso à carreira de magistrado.

Mais uma vez chumbou.

Assim, não é procurador estagiário.

E no final de tão brilhante carreira é nomeado sem reunir os requisitos impostos pela lei pelo Presidente da República para Procurador-Geral.

Brilhante Senhor Presidente da República!!!

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Timor’s crisis analysed

Emma Brown & Marcus Greville, Melbourne

Alex Tilman, a representative of Fretlin, the largest political party in East Timor, and Vannessa Hearman, an Asia-Pacific journalist and solidarity activist, addressed a July 13 Green Left Weekly-organised public meeting on East Timor’s crisis.

The 40 people in attendance heard an up-to-the-minute account of events in East Timor and a strong critique of the role of Australia and the UN in holding back East Timor’s reconstruction — the real cause of the country’s current problems.

Tilman gave a speech on the military crisis that forced the elected prime minister of East Timor, Mari Alkatiri, to resign, and which precipitated the present crisis. Tilman highlighted the role the international media has played in polarising opinion both within East Timor and in Australia. He characterised the charges that have been levelled against Alkatiri as a “trial by media”.

Hearman’s presentation compared the role Australia played in 1999 after East Timor’s independence referendum, when its military intervention halted a wave of violence sponsored by the Indonesian military, with its interference in national reconstruction over the last few years. East Timor has received worthless financial advice from the Australian government, along with the Asian Development Bank and International Monetary Fund, on how the East Timorese should manage their affairs.

In one case, such “advice” resulted in an expensive study on electricity provision that led to poor households having to install pre-paid electricity meters.

Finally both speakers highlighted the politicised role the Australian forces are now playing, including reports of soldiers approaching East Timorese, telling them not to support Alkatiri.

From Green Left Weekly, July 19, 2006.

Justiça. Urgente.

De um leitor:

A população só poderá sentir segurança se como disse o Presidente houver honestidade politica.

E honestidade politica também significa que ninguém está acima da lei.

Enquanto se vir apenas o ex-PM e o ex-Ministro a responder em Tribunal e os militares desertores e os autores de violência e destruição a não serem apresentados em Tribunal e pelo contrário a terem direito a tratamento especial e quase de figuras de Estado não haverá nenhum cidadão que confie no Presidente ou no Governo.

A população não confiará nunca em líderes que protegem uns e atacam outros.

E mais grave ainda que ache normal que violadores da lei fiquem impunes.

Alfredo Reinado passeia-se por Dili

Testemunhas afirmam que Alfredo Reinado se passeia por Díli à vontade. Sexta-feira à noite foi visto num restaurante/bar no centro de Díli.

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Sobre os peticionários

Posted por Margarida

Já que alguns aqui tanto falam dos “massacres” de 28 de Abril, vejamos como a UNOTIL, na sua revista dos media falou do assunto. As primeiras notícias saíram a 2 de Maio. Vejamos algumas:

Daily Media Review
Terça-feira, 2 de Maio 2006

A Polícia chama os peticionários à responsabilidade
Salsinha: ainda estamos no mato + A Polícia chama os peticionários à responsabilidade + Mari apela aos peticionários para regressarem + Se Xanana ainda está calado, não me renderei

Em relação à violência na última Sexta-feira, o Comandante da PNTL Sr. Paulo Martins pediu aos 594 peticionários para assumirem a responsabilidade pelo que aconteceu em Dili. O Sr. Martins disse aos repórteres que foi encontrar-se com os peticionários para lhes pedir para se manterem calmos mas que eles se tornaram violentos e começaram a queimar carros no Palácio do Governo.

“Queimaram um motociclo mesmo à minha frente, vi com os meus próprios olhos” disse o Sr. Martins. “Tínhamos um acordo com os peticionários na semana passada que não podia haver violência mas eles quebraram as suas promessas por isso devem ser responsabilizados pelo que fizeram”. Em resposta à declaração do Sr. Paul, o porta-voz dos peticionários, o Sr. Gastão Salsinha, disse a um repórter do TP via telefone que ele culpa os líderes porque não tinham vontade de resolver os problemas. “Só quero dizer que estamos no mato porque já ninguém quer encontrar uma solução” disse o Sr. Salsinha.

O Primeiro-Ministro Mari Alkatiri tem apelado pelos media para os peticionários regressarem a Dili para resolverem os problemas. O Sr. Alkatiri disse, “Em nome do Governo, apelo aos peticionários para regressarem, especialmente aos líderes dos peticionários. Pedi-lhes para regressarem para podermos encontrar a melhor solução juntos e mantermos a nossa unidade nacional.” O Diário National quota o Sr. Salsinha a dizer, “Se o Xanana ainda está calado, não me renderei porque só confio no Presidente Xanana visto que ele é o nosso Comandante Supremor” disse. (DN TP, STL))


Apresentador/Entrevistador: Sen. Lam
Entevistado: Ministro dos Estrangeiros de Timor-Leste José Ramos-Horta


RAMOS-HORTA: Deixe-me pôr as coisas no contexto. Dos quase 600 soldados despedidos, nunca houve mais de duzentos ou trezentos a participarem nas manifestações. E o seu comportamento da maioria foi pacífico. O resto nunca participou nas manifestações; já estavam nas suas aldeias há algumas semanas. E é isto que tenho tentado dizer aos media há muitos, muitos dias – a maioria dos soldados regressaram pacificamente às suas aldeias.

Portanto, por outro lado, dos que ficaram, por alto duzentos ou trezentos, mais de cem disseram ontem, que se querem entregar eles próprios à polícia.

LAM: Então o governo está num modo conciliatório? Tivemos relatos que as tropas do governo podem estar a persegui-los nas montanhas?

RAMOS-HORTA: É um absolute disparate. As tropas do governo já saíram, já entregaram o controlo dos subúrbios da cidade à polícia e as forças armadas estão acantonadas agora mais longe do distrito de Dili, somente para evitar qualquer possível regresso dos hooligans que foram responsáveis pelos estragos na Sexta-feira. Outra vez, enfatizo, os ex-militares, a grande maioria, com talvez muito poucas excepções, estiveram envolvidos nas pilhagens na capital.

LAM: E ministro, o governo no mês passado prometeu fazer qualquer coisa sobre as queixas dos soldados, mas falhou a resposta numa hora limited das 3 pm na Sexta-feira. Porque é que o governo até agora não foi capaz de arranjar uma resilução?

RAMOS-HORTA: Isso, outra vez, é um disparate absoluto. Era eu o líder da parte do governo encarregado de falar com os soldados despedidos, durante alguns dias. Tive conversas muito productivas com os soldados.

Contudo, naquele ponto percebi que os soldados tinham perdido o controlo da manifestação. Tinham permitido aquele grupo que liderou a violência de tomar o controlo da agenda. No dia antes da violência, tínhamos chegado a um acordo, tínhamos esboçado um comunicado, e o comunicado tinha já sido emitido, anunciando o estabelecimento de uma comissão de investigação, que tinha sido acordada comigo, pelos soldados despedidos. Contudo, na Sexta-feira, de manhã, somente 200 soldados permaneciam na área, a maioria já tinha partido. Os jovens, particularmente alguns hooligans, e os seus líderes, tinham tomado o controlo da manifestação, e foram eles os responsáveis pela violência. Portanto é um disparate absoluto dizer-se que o governo não tinha tomado uma decisão em relação às suas queixas. Uma comissão de investigação é uma comissão para investigar as alegações, e não para tomar uma decisão antes de ouvir todos os lados. (ABC net.au)

Ramos-Horta quer que a presença da ONU se mantenha

Timor-Leste quer que a Austrália faça lobby na ONU para se manter em Dili depois da missão corrente acabar.
O Ministro dos Estrangeiros de Timor-Leste José Ramos-Horta voará para New York esta semana para tentar convencer o conselho de segurança da ONU a manter a presença em Dili depois da sua presente missão politica chegar ao fim em 20 de Maio.
O pedido segue-se a motins na capital na semana passada, que deixaram cinco pessoas mortas.
O Dr Ramos-Horta tentou alistar o apoio da Austrália num telefonema com o Ministro dos Estrangeiros Alexander Downer.
"(Pedi-lhe) como amigo de Timor-Leste, como amigo pessoal para falar com a ONU em New York, com os Americanos para termos um esforço concertado," disse aos repórteres em Sydney.
Mr Downer indicou que a Austrália estava aberta para ajudar Timor-Leste a manter uma presença da ONU depois da operação corrente, conhecida como UNOTIL, terminar.
A Austrália tem correntemente três oficiais militares de ligação e quarto policies civis na operação da ONU.
“É uma decisão do conselho de segurança da ONU, apesar de irmos ter – sendo vizinhos da porta ao lado de Timor-Leste – um país que tem um peso considerável," contou Mr Downer à ABC Radio.
"Mas repare, há talvez um caso para a continuação da presença da ONU lá por mais algum tempo que de outro modo não haveria."
Mr Downer disse que a Austrália estaria disponível para discutir a situação com os USA e a Grã-Bretanha, e outros membros do conselho de segurança da ONU.
O SG da ONU Kofi Annan apoia a permanência de um pequeno gabinete da ONU em Timor por mais 12 meses, após o fim desta missão.
Apesar dos violentos ataques na semana passada, o governo Timorense não acredita que sejam necessários capacetes azuis – que saíram no ano passado - para garantir a segurança da nação.
"Não precisamos de nenhuma força policial maior, do que precisamos é da continuação dos conselheiros policiais para a nossa polícia," disse o Dr Ramos-Horta.
"Precisamos de forte assistência eleitoral, técnica e ... apoio legal porque temos uma eleição no próximo ano."
O Dr Ramos-Horta desvalorizou o significado dos motins na Sexta-feira.
O desassossego rebentou durante uma marcha de apoio aos quase 600 soldados despedidos em Março por terem desertado com queixas sobre discriminação entre os do leste e os do oeste de Timor-Leste.
"Temos que ver as coisas na perspectiva, apesar de tudo a violência durou não mais que uma tarde," disse à ABC Radio.
Confirmou que cinco pessoas morreram mas disse que a calma regressara à capital.
"A informação que obtive esta manhã é que mais de 100 dos jovens envolvidos na violência renderam-se à polícia," disse.
"Muitos dos soldados despedidos regressaram às suas aldeias e foram às autoridades locais da sua área.
"A situação hoje é absolutamente calma." (AAP)

Nove advogados, incluindo 4 portugueses, na defesa de Alkatiri

Lisboa, 14 Jul (Lusa) - Quatro advogados portugueses e cinco da Ásia e Austrália vão assegurar a defesa do ex-primeiro-ministro timorense Mari Alkatiri no processo sobre distribuição de armas a civis, disse hoje à Lusa Arnaldo de Matos.

Este advogado parte sábado, com José António Barreiros, para Díli, para acompanharem pessoalmente Mari Alkatiri à Procuradoria- Geral da República timorense, onde será ouvido no dia 20.

Segundo Arnaldo de Matos, ficam em Lisboa, para apoio, os advogados Germano Marques da Silva, penalista, e Miguel Galvão Telles, constitucionalista.

Após a chegada a Timor-Leste dos dois advogados portugueses, serão recrutados um advogado de Macau, um da Indonésia, um da Malásia, um da Austrália e um de Timor-Leste para integrarem a equipa jurídica, acrescentou.

Esta equipa jurídica tem como objectivo "ilibar o nome de Mari Alkatiri das atoardas que foram lançadas contra ele", disse Arnaldo de Matos, referindo-se às suspeitas levantadas sobre a responsabilidade do ex-primeiro-ministro timorense na distribuição de armas a civis, por ocasião dos incidentes violentos de Abril e Maio.

"Timor-Leste, como jovem Nação cujo nascimento teve a simpatia do mundo inteiro, decerto não levantará entraves a que a defesa de Mari Alkatiri seja acompanhada por advogados internacionais", disse ainda o advogado.

Também José António Barreiros, em declarações anteriores, mostrou-se esperançado em que "a justiça possa funcionar de modo independente".

"(Ó) Timor, como jovem democracia que é, só se prestigiará aos olhos do mundo se demonstrar que é um Estado de Direito, para isso terá que deixar a justiça funcionar de modo independente", disse o advogado, realçando que se trata de "um processo judicial e não um processo político".

Mari Alkatiri demitiu-se de primeiro-ministro no dia 26 de Junho, no termo de um "braço-de-ferro" com o Presidente timorense Xanana Gusmão.

A crise política e militar de Timor-Leste começou com a deserção de um terço do exército, por alegada discriminação da hierarquia, a que se seguiu a desorganização das forças de defesa e de segurança, que chegaram a confrontar-se violentamente, suscitando a necessidade de entrada no país de forças militares e policiais estrangeiras.

OM/AR Lusa/Fim

À volta do Golpe com a trombeta de Miles Davis

Tradução da Margarida:

http://www.parasindonesia.com/read.php?gid=386

Naquela noite aprendi a deixar de lado os meus blues. A trombeta de Miles Davis enche o ar, "Song Of Our Country" (canção do nosso país) do album SKETCHES OF SPAIN. Então subitamente através de SMS, Rico Aditjondro, editor de Paras Indonesia, "Amigo, podias escrever qualquer coisa acerca do PM José Ramos-Horta, por favor!".


Nos dois últimos meses de confusão que caiu neste pequeno país, só consegui escrever dois artigos, gravar algumas filmagens em mini-DV e escrever algumas palavras que ainda estão para ser um poema.


O silêncio escorrega do tambor duma pistola / Sombras escuras caem sobre Ponte Cais / Cada um carrega o seu próprio esquife / Para Santa Cruz.


E lá, em 1991, no Cemitério de Santa Cruz, Max Stahl gravou um evento. Soldados Indonésios atacaram brutalmente centenas de jovens que queriam Timor-Leste independente. Agora no muro do cemitério perto do Cemitério dos Heróis abandonado pela Indonésia, há um graffiti a desaparecer, “quando é que acaba o sofrimento dos Timorenses,” e numa pedra tumular, "Viva Alfredo e Salsinha", "Alfredo Loromonu". Obrigada Mbak Ati Nurbaiti do The Jakarta Post e Nug Katjasungkana que fotografaram ambos.


O major Alfreido Reinado é um seguidor de Xanana e um dos líderes rebeldes que forçaram Mari Alkatiri a resignar. O Tenente Gastão Salsinha é o porta-voz dos 591 soldados peticionários que foram despedidos pelo comandante das Falintil-FDTL por razões disciplinares, por se ausentarem sem licença oficial.


"Não acredito em democracia. Quero uma ditadura como a do tempo de Salazar," disse Antero Rodrigues a semana passada quando o visitámos em Lospalos para se livrar de rumores e mentiras que proliferavam em Dili. Dois dos seus filhos, Paula e Nuno Rodrigues, tornaram-se alvos de multidões furiosas que conspiravam para derrubar o Primeiro-Ministro Mari Alkatiri.


Com certeza que não há nada de errado com a democracia. E Antero Rodrigues é um dos da geração de 75 que viveu três eras diferentes – o colonialismo Português, a ocupação Indonésia e o Timor-Leste independente. A sua filha é uma produtora executiva na estação nacional de rádio e televisão RTTL. Juntamente com os seus repórteres, foram procurados por um grupo de pessoas por causa de terem emitido uma manifestação da Fretilin pro-Alkatiri.


Os serviços de informações também mandaram alguns ‘sms’ ao Primeiro-Ministro quando descobriram que alguns jovens no Farol olhavam umas coisas. Hoje em dia, por causa da falta de emprego, todos tentam safar-se na vida. Tentamos aproximarmo-nos dos que têm dinheiro. Todos podem ver que isto acontece no nosso país.
- O discurso de Xanana em 22 de Junho, 2006


O filho de Antero, o activista e escritor Nuno Rodrigues, é o director de um instituto de educação popular em Farol, Dili que apoiou políticas de Alkatiri. Foi mais tarde acusado de dar dinheiro a manifestantes pro-Alkatiri. Dois colegas da Fretilin de Lospalos que trabalham com o grupo de ambiente Haburas (também localizado no Farol) - Pedrito Vieira e Maleve – foram acusados de possuírem armas. O indonésio Nug Kantjasungkana, um activista do Forum da Solidariedade para Timor-Leste, na Indonésia (Fortilos) que tem residido permanentemente em Dili, foi acusado de guardar a arma de Maleve no seu quarto em Farol, arrendado para ele pela Associação HAK.


A ditadura é algo aterrorizador, e Alkatiri foi forçado a resignar através de meios não democráticos. Há duas semanas, quando entravam em Dili, perto de Bidau, grupos de apoiantes de Alkatiri foram esperados por uma manifestação rival. "Eles trazem armas e vão matar-nos," disseram os membros do grupo anti-Fretilin aos soldados Australianos. Em Becora, um gang anti-Fretilin armava-se com flechas.


A caravana pro-Alkatiri acenava as mãos por cima dos autocarros e camiões que os transportavam de Metinaro. Um grupo de jovens anti-Fretilin começou a arrasar os quiosques ao longo da Estrada de Bidau. A alguns deitaram fogo. Antes, gritavam, "Viva Xanana Gusmão!"


Sim, não há nada de errado com a democracia, e a ditadura é algo de aterrorizador. Porque Alkatiri é um árabe e um muçulmano, os manifestantes anti-Fretilin gritavam "Alkatiri terrorista". Porque durante 24 anos Alkatiri esteve no exílio em Moçambique para angariar apoio para a independência de Timor-Leste de países da África e do Médio Oriente, Alkatiri foi denunciado como sendo "Comunista Moçambicano " e "Alkatiri não é Timorense". Mas, Alkatiri permanece Alkatiri – fundador da Fretilin que nos anos 1970 com José Ramos-Horta criou o movimento clandestino para se opor ao colonialismo Português. Esteve com os que formularam a Magna Carta do CNRT.


Nessa noite, antes de Rico ter mandado o seu SMS e antes da trombeta de Miles Davis ter enchido o ar, vi a cerimónia de tomada de posse de José Ramos-Horta no noticiário da RTTL. "Não sou um Primeiro-Ministro eleito pelo povo. Fui nomeado pelo Presidente e pelo partido maioritário, a Fretilin," disse o Primeiro-Ministro José Ramos-Horta no seu discurso de tomada de posse no Palácio das Cinzas. Entre os que participaram estavam membros do Parlamento, personalidades estrangeiras, e o Comandante Railos (que acusou Alkatiri de lhe dar armas para matar os rivais políticos do antigo PM).


A esta cerimónia contudo só foram alguns dos grupos da oposição (além de pedirem a resignação de Alkatiri, também pediram que o Presidente Xanana Gusmão dissolvesse o parlamento e imediatamente formasse uma 'junta' , um parlamento de Unidade Nacional).


A nomeação do PM José Ramos-Horta, um laureado do Nobel e um apoiante da Guerra do Iraque, foi um compromisso político entre a maioritária Fretilin e o Presidente Xanana Gusmão. Ramos-Horta governará oito meses para continuar o governo de Alkatiri; o que recusou a dívida ao Banco Mundial; o que foi inflexível com a Austrália sobre as riquezas do petróleo e do gás no Timor Gap; o que embarcou numa cooperação bilateral com Cuba trazendo médicos Cubanos para Timor-Leste e enviando centenas de estudantes para estudar medicina em Cuba. Alkatiri também aborreceu a pequena comunidade pequeno-burguesa de Timor-Leste que queria que o sector privado fosse considerado como uma prioridade de desenvolvimento, e que por isso os fundos do petróleo fossem canalizados para os seus interesses.


"Consultarei o Presidente e a Fretilin que me propuseram," disse Ramos-Horta mais adiante no discurso. Quanto ao orçamento entregue no parlamento, foi o orçamento feito por Alkatiri antes de ser forçado a sair. Ramos-Horta será assistido por dois vices, Estanislau da Silva (Fretilin) e Rui Maria de Araújo (independente), que também foram sugeridos pela Fretilin.


Como foi dito por muitos, Ramos-Horta é na verdade o favorito da Austrália, do Banco Mundial e do FMI. Inicialmente, grupos da oposição e soldados rebeldes também apoiaram a sua nomeação. Seria talvez um movimento demasiado arriscado para Xanana Gusmão dissolver o Parlamento e formar uma junta. È mesmo imaginável o que poderia ter acontecido se Xanana tivesse decidido rasgar a constituição, formar um governo da junta e deixar de lado a Fretilin que controla mais de metade dos lugares no Parlamento – como o Chile na era de Pinochet?


Desculpa, amigo, não quero escrever muito acerca deste novo primeiro-ministro. Por agora prefiro ficar calado e ouvir mais. Porque há duas semanas atrás os soldados rebeldes e os círculos da oposição cantavam que "somente o Presidente Xanana Gusmão e José Ramos-Horta são capazes de resolver esta crise!"


Mas a maré mudou. Mesmo agora, os media de massas, os grupos de aposição (através do líder do Partido Democrata, Fernando 'Lasama' de Araújo) e os soldados rebeldes (Major Tara e companhia) dizem que o governo de Ramos-Horta é ilegal e inconstitucional porque é simplesmente a continuação do governo de Alkatiri. Alguns até dizem que Ramos-Horta é também membro da clique de Maputo (Moçambique). Grupos de empresários também já exprimiram o seu desgosto a Estanislau da Silva que foi nomeado vice-primeiro-ministro.


Entretanto, dezenas de milhares de pessoas que deixaram as suas casas (algumas queimadas e pilhadas) continuam deslocadas em campos de refugiados. Os grupos que conspiraram para derrubar Alkatiri enfrentam agora uma nova realidade: há uma bala a fazer ricochete?


Realmente, amigo! Conheço muito pouco sobre a continuação deste novo regime. Só quero aprender como manter longe os meus blues, apaixonar-me outra vez e pensar nos nossos amigos enquanto escuto a trombeta de Miles Davis. Esta vez do KIND OF BLUE, "So What?" (E então?).


Rahung Nasution

Poema triste

Por que calcas meu solo ?
Por que matas minha gente ?

Meus verdes alcantilados,
minhas azuis montanhas
querem a paz,
a paz que todos queremos.

Minha aldeia sossegada beija os aromas puros das minhas humildes montanhas que querem a paz,para no silêncio e na paz construir a paz.

Porque tu,
com tanto progresso técnico,
tens inveja daquilo
que eu não tenho,
não possuo,
mas quero ser.

Ser como o Senhor me fez,
nascer com a paz,
viver na paz
e dormir sonhando a paz ! ...

Quem acredita que eles não matam,
não assassinam !

Quem crê que eles querem construir na guerra,
com o cano das suas armas,
a minha aldeia.

Minha natureza contempla,
em silêncio, suas obras.
As cascatas das águas nascentes
das minhas montanhas levam os males

que eles cometeram,
para assim dar ao mundo,
aos fortes,
a honra e a glória !

Eu, no meu silêncio, choro
para que meus choros não ultrajem
a honra dos grandes.
Falo sem nada dizer
para que meus vizinhos me não gritem.
Acredito que a Paz existe para mim,
morrendo ! ...

Fitun Fuik

.

Um minuto de silêncio

Calai

Montes

Vales e fontes
Regatos e ribeiros
Pedras dos caminhos
E ervas do chão,

Calai
Calai

Pássaros do ar
E ondas do mar
Ventos que sopram
Nas praias que sobram
De terras de ninguém,

Calai
Calai

Canas e bambus
Árvores e "ai-rús"
Palmeiras e capim
Na verdura sem fim
Do pequeno Timor,

Calai
Calai
Calai-vos e calemo-nos

POR UM MINUTO

É tempo de silêncio
No silêncio do tempo
Ao tempo de vida
Dos que perderam a vida

Pela Pátria
Pela Nação
Pelo Povo
Pela Nossa
Libertação

Calai - Um minuto de silêncio...

Francisco Borja da Costa (1946-1975).

Entrevista Expresso - Mari Alkatiri

Transcrição (pela Margarida) do Expresso, por não estar on-line:

Ex-primeiro-ministro de Timor-Leste, Mari Alkatiri diz que, apesar do novo Governo, não é possível falar-se de um novo cicço no país

“NA RAIZ DO CONFLITO ESTÁ O PETRÓLEO”

Luísa Meireles, Expresso, 15/07/06

Às perguntas sobre a crise recente, o ex-primeiro-ministro timorense Mari Alkatiri diz que ainda “não chegou o tempo para escrever as memórias”. È cauteloso com a Austrália e acha que o novo Governo tem pouco tempo para mudar políticas.

Luísa Meireles: Vai prestar declarações na próxima semana pelo seu alegado envolvimento na entrega de armas à população e a alguns grupos organizados, entre eles o de Vicente da Conceição o Railós?

Mari Alkatiri: Fui eu próprio que solicitei essa audiência o mais cedo possível para esclarecer todo o assunto. A minha resposta será baseada na lei e na verdade. Não tenho interesse em comentar alegações, que são tudo menos a verdade.

Luísa Meireles: Mas o seu ex-ministro do Interior, Rogério Lobato, confessou que se encontrou com o grupo do Railós e que distribuiu armas…

Mari Alkatiri: Eu também recebi o Railós no dia 8 de Maio, mas noutro contexto completamente diferente. Não tinha nada a ver com armas, mas com a organização do Congresso do Partido e com a actividade deles, antigos combatentes, apoiarem o Governo no sentido de diluir a contradição que já estava a esboçar-se entre os chamados Lorosae e Loromonu.

Luísa Meireles: E como justifica a iniciativa do ex-ministro?

Mari Alkatiri: Ele fez os seus depoimentos junto do tribunal, não os comento.

Luísa Meireles: Mas o que justificava a distribuição de armas na Fretilin e a constituição de grupos armados?

Mari Alkatiri: Desafio quem quer que seja que prove que havia armas na Fretilin por todo o lado. Não havia, nem há. A Fretilin nunca distribuiu armas nem nunca distribuirá.

Luísa Meireles: Poderia ter agido de outra maneira em relação aos “peticionários”?

Mari Alkatiri: Se não tivesse havido outras instituições, órgãos de soberania a envolver-se em primeiro plano nesta questão, se desde o início ela tivesse sido entregue ao Governo para ser resolvida, tenho a certeza que sim.

Luísa Meireles: Está a referir-se a Xanana?

Mari Alkatiri: A história dirá.

Luísa Meireles: Durante a crise, sempre disse que estava em curso um golpe constitucional contra o seu Governo. O golpe consumou-se?

Mari Alkatiri: Está em marcha, porque ainda há a exigência de dissolução do Parlamento e de realizar eleições antecipadas, exigências essas que vêm dos mesmos autores das manifestações.

Luísa Meireles: Como fundamenta a existência deste golpe?

Mari Alkatiri: Ainda não é tempo de escrever as minhas memórias.

Luísa Meireles: Alguma vez se sentiu em risco de vida?

Mari Alkatiri: Sim, mesmo agora sinto que a minha vida está a ser defendida por protecção australiana. Naturalmente que o risco vai diminuindo.

Luísa Meireles: Ao demitir-se, sentiu que perdeu uma “guerra”?

Mari Alkatiri: Perder uma batalha não significa perder a guerra. Mas eu não considero isto uma guerra. O mais importante é conseguir o que se conseguiu, voltar ao clima de esperança, paz e estabilidade.

Luísa Meireles: A tomada de posse do novo primeiro-ministro abre um novo ciclo político em Timor?

Mari Alkatiri: Ainda não é possível falar de um novo ciclo com um Governo que só vai durar nove meses. Espero que seja uma gravidez bem sucedida e que o parto não seja tão doloroso.

Luísa Meireles: Os objectivos estratégicos da política timorense vão mudar?

Mari Alkatiri: O Governo vai implementar e executar o plano anual de acção e o orçamento que já tinham sido aprovados pelo meu Governo.

Luísa Meireles: No seu discurso de tomada de posse, Ramos-Horta apela a que a Igreja reassuma o seu papel na educação. É um sinal de mudança em relação à sua política.

Mari Alkatiri: Se tivesse havido alguma vez alguma tendência para retirar à Igreja o seu papel, poder-se-ia pensar que existe uma mudança. Agora, quando se tenta atribuir ao meu Governo alguma intenção de reduzir o papel da Igreja, isso eu recuso-me a aceitar.

Luísa Meireles: Acha que é um “mal-amado” da Igreja?

Mari Alkatiri: Eu sou mal-amado por muitos, ou porque não sou entendido, ou porque, realmente, não sou um técnico de relações públicas. Sou uma pessoa fria, alguns chamam-me sisudo. São os meus defeitos. Mas recebi a governação de um país com déficeorçamental e deixo-o com um “superavit” Bastante grande.

Luísa Meireles: Mas mergulhado em grandes problemas internos.

Mari Alkatiri: Talvez por causa disso mesmo. Se continuasse com défice, se calhar, ninguém ambicionava vir para o poder.

Luísa Meireles: A raiz do conflito tem a ver com com a riqueza que se supõe haver, o petróleo?

Mari Alkatiri: Não tenho dúvidas.

Luísa Meireles: Há quem faça a ligação destes acontecimentos ao interesse australiano de o afastar a si. Será diferente com Ramos-Horta?

Mari Alkatiri: Não sei. Como primeiro-ministro procurei defender até às últimas consequências os interesses do meu povo. Liderei as negociações sobre as riquezas e os recursos do mar de Timor-Leste, que ninguém pode negar que foram bem sucedidas e estou orgulhoso disso. Consegui fazer de Timor um país absolutamente viável, um Estado sustentável, em apenas quatro anos de governação.

Luísa Meireles: A Austrália pretende fazer de Timor um protectorado?

Mari Alkatiri: Nunca acusei o Governo australiano de nada, nem pretendo fazê-lo. Agora, ninguém pode negar, que nos últimos dois ou três meses, toda a comunicação social australiana se esforçou por me demonizar. Tudo parecia concertado.

Luísa Meireles: Pensa que há algum tipo de influência da Austrália sobre Xanana?

Mari Alkatiri: A exigência da minha demissão por parte do Presidente teve como base um programa da televisão australiana.

Luísa Meireles: Poderá haver mudanças de política nas relações com Portugal?

Mari Alkatiri: Este Governo terá nove meses de vida e não é em nove meses que se fazem mudanças estruturais. E não creio que as pessoas que estão no Governo, incluindo o Presidente da República, sejam antiportugueses.

Luísa Meireles: Está a preparar o seu regresso?

Mari Alkatiri: A minha função agora é reforçar o partido, reorganizá-lo e prepará-lo para 2007. Não tenho que me recandidatar e, “tirem o cavalo da chuva”, que nunca me candidatarei à Presidência da República.

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sábado, julho 15, 2006

Around Golpe In Miles Davis’ Trumpet

http://www.parasindonesia.com/read.php?gid=386

That night I was learning to keep my blues away. Miles Davis’ trumpet fills the air, "Song Of Our Country" from the album SKETCHES OF SPAIN. Then suddenly, "Coy, could u write smthn abt PM José Ramos-Horta, plz!" Rico Aditjondro, editor of Paras Indonesia, asked me through SMS.


For the last two months of the mess that befell this tiny country, I could only write two articles, record a few footage to mini-DV and write bits of words that are yet to form a poem.


Silence crawls down the barrel of a gun / Shades of dusk fade upon Ponte Cais / Each bears his own bier / Towards Santa Cruz.


And there, in 1991, in Santa Cruz cemetery, Max Stahl recorded an event. Indonesian soldiers brutally slaughtered hundreds of youths who wanted Timor-Leste independent. Now on the cemetery wall next to the Heroes Cemetery abandoned by Indonesia, there is a fading graffiti, “when will the Timorese suffering end,” and on a tombstone, "Viva Alfredo ho Salsinha", "Alfredo Loromonu". Thank you Mbak Ati Nurbaiti from The Jakarta Post and Nug Katjasungkana who photographed both.


Major Alfreido Reinado is a Xanana loyalist and one of the rebel leaders who forced Mari Alkatiri to resign. Lieutenant Gastão Salsinha is the spokeperson of 591 petitioner soldiers who were fired by the commander of Falintil-FDTL for disciplinary reasons, for being absent without official leave.


"I don't believe in democracy. I want a dictatorship like it was during the time of Salazar," says Antero Rodrigues last week when we visited him in Lospalos to stay clear of rumors and lies that proliferated Dili. Two of his children, Paula and Nuno Rodrigues, became targets of rampaging mobs who conspired to topple Prime Minister Mari Alkatiri.


Certainly there is nothing wrong with democracy. And Antero Rodrigues is a '75 generation who has lived three different eras – Portugese colonialism, Indonesian occupation, and independent Timor-Leste. His daughter is an executive producer at the national radio and television station RTTL. Along with her reporters, they were sought by a group of people for their public broadcast of a pro-Alkatiri Fretilin demonstration.


The intelligence services also sent ‘sms’ to Prime Minister when they found that some youths in Farol were looking at some things. Nowdays, because of the lack of employment, everyone tries hard to make ends meet. We try to get close those who have money. Every one can see that this happens in our country.
- Xanana's speech on June 22, 2006


Antero's son, activist and writer Nuno Rodrigues, is the director of a popular education institute in Farol, Dili who supported a number of Alkatiri's policies. He was later accused of giving money to pro-Alkatiri demonstrators. Two Fretilin colleagues from Lospalos who work with the environment group Haburas (also located in Farol) - Pedrito Vieira and Maleve - were accused of possessing guns. Indonesian Nug Kantjasungkana, an activist with the Solidarity Forum for East Timor in Indonesia (Fortilos) who has been residing permanently in Dili, was accused of keeping Maleve’s guns in his boarding room in Farol, lent to him by HAK Association.


Dictatorship is something frightening, and Alkatiri was forced to resign through non-democratic means. Two weeks ago, when entering Dili, around Bidau, groups of Alkatiri supporters were met by a rival demonstration. "They carry guns and will kill us," the anti-Fretilin group members told Australian soldiers. In Becora, an anti-Fretilin gang was arming itself with arrows.


The pro-Alkatiri convoy waved hands from above the buses and trucks transporting them from Metinaro. A group of anti-Fretilin youths started to ransack kiosks along Bidau roads. Some set fire. Earlier they were shouting, "Viva Xanana Gusmão!"


Yes, there is nothing wrong with democracy, and dictatorship is something frightening. Because Alkatiri is an Arab and a Muslim, the anti-Fretilin demonstrators shouted "Alkatiri terrorist". Because for 24 years Alkatiri was in exile in Mozambique to garner support for Timor-Leste independence from countries in Africa and the Middle East, Alkatiri was denounced as being "Mozambiquean Communist" and "Alkatiri is not Timorese". But, Alkatiri remained Alkatiri – founder of Fretilin who in the 1970s with José Ramos-Horta established an underground movement to oppose Portuguese colonialism. Has was among those who formulated the CNRT Magna Carta.


That night, before Rico sent his SMS and before Miles Davis’ trumpet filled the air, I watched the inauguration of José Ramos-Horta on television broadcast by RTTL. "I am not a Prime Minister elected by the people. I was appointed by the President and the majority party Fretilin," said Prime Minister José Ramos-Horta in his inauguration speech at Palácio das Cinzas (Palace of Cinders). Aming the attendees were Parliament members, foreign dignitaries, and Comandante Railos (who accused Alkatiri of giving him weapons to kill the former PM’s political rivals).


This inauguration however was attended by only a few from the oposition groups (besides demanding resignation of Alkatiri, they also demanded that President Xanana Gusmão dissolve the parliament and immediately form a 'junta' National Unity parliament).


The appointment of PM José Ramos-Horta, a Noble laureate and a supporter of the War in Iraq, was a political compromise between the majority Fretilin party and President Xanana Gusmão. Ramos-Horta will govern for eight months to continue Alkatiri’s government; who refused debt from the World Bank; who was adamant in his negotiations with Australia over oil and gas riches in Timor Gap; who embarked on a bilateral cooperation with Cuba by bringing in Cuban doctors to Timor-Leste and sent hundreds of students to study medicine in Cuba. Alkatiri also annoyed Timor-Leste small bourgeoisie community who wanted the private sector made as a development priority, thereby channeling oil funds for their interests.


"I will consult with the President and Fretilin who proposed me," Ramos-Horta said further in his speech. As for the budget submitted to the parliament, it was the budget prepared by Alkatiri before he was forced to step down. Ramos-Horta will be assisted by two deputies, Estanislau da Silva (Fretilin) and Rui Maria de Araújo (independent), who were also suggested by Fretilin.


As predicted by many, Ramos-Horta is indeed favored by Australia, the World Bank and the IMF. Initially, opposition groups and rebel soldiers also supported his appointment. But it would perhaps be too risky a move for Xanana Gusmão to dissolve the Parliament and form a junta. Is it even imaginable what is going to happen if Xanana decided to toss the costitution, form a junta government and put aside Fretilin that controls more than half the seats in the Parliament – like Chile in Pinochet era?


Sorry, coy, I cannot write much about this new prime minister. For the time being I would prefer to be silent and listen more. Because two weeks ago the rebel soldiers and opposition circles were chanting that "only President Xanana Gusmão and José Ramos-Horta are capable or resolving this crisis!"


But the tide has changed. Right now, in mass media, opposition groups (through the leader of Democrat Party, Fernando 'Lasama' de Araujo) and rebel soldiers (Major Tara and company) are saying that Ramos-Horta’s government is illegal and unconstitutional because it is merely a continuation of the Alkatiri government. Some even said that Ramos-Horta too is a member of the Maputo (Mozambique) clique. The entrepreneur groups have also expressed their dislike of Estanislau da Silva who was appointed the deputy prime minister.


In the meantime, tens of thousands of people who left their houses (some burned and looted) remain displaced in refugee camps. The groups who conspired to topple Alkatiri are now facing a new reality: is there a bullet taking a U-turn?


Really, coy! I know very little about the continuation of this new regime. I only want to learn how to keep my blues away, fall in love again and think about our friends while listening to Miles Davis' trumpet. This time from the album KIND OF BLUE, "So What?".


Rahung Nasution

sexta-feira, julho 14, 2006

De um leitor - Tradução da Margarida:

Penso que ambos concordamos num ponto que Mari tem o direito de continuar o seu trabalho na política dependendo dos resultados das investigações ou de qualquer acção do tribunal. Se a FRETILIN o escolhe como candidate nas próximas eleições é escolha deles. Acredito que ainda tem a confiança e que ganhou grande respeito de muitos membros da FRETILIN goste-se ou não.

Também gostava de realçar que as FFDTL têm estado engajadas na questão dos Peticionários desde Janeiro de 2006. As FFDTL depois de esgotarem todos os esforços para resolverem a questão despediram os Peticionários, citando muitas questões relevantes como a disciplina, envolvimento de alguns membros em actividades ilegais e a de maior importância que os Peticionários tinham abandonado os seus quartéis (deserção) o que está sujeito a penalizações sérias nas forças militares. Depois de ter considerado a tentativa das FFDTL para encontrar uma solução e a necessidade de preservar a autonomia da tomada de decisão no interior das forças armadas, o Governo apoiou a decisão das forças armadas.

A única pessoa que não apoiou essa decisão foi o Presidente, que também durante a crise desencadeou o desassossego étnico ao fazer observações inflamadas. O Presidente nunca agiu no interesse da nação ao nunca se engajar e participar em nenhuma das iniciativas para resolver a disputa. O Presidente permaneceu silencioso no período de desenvolvimento da questão apesar de ter sido ele quem primeiro recebeu da petição dos Peticionários e ser o "Comandante Supremo das Forças Armadas ".

O Presidente lidou com a questão precáriamente. Tentou lidar com as questões à margem dos limites da constituição e mesmo assim não teve êxito. Ele não podia demitir o Primeiro-Ministro (só recebeu a resignação de Mari), nem remover o Governo na sua totalidade, nem dissolver o Parlamento. O Presidente já não tem a imagem de símbolo de unidade que uma vez teve.

Talvez que você possa informar sobre as acções do Presidente durante a crise.

Major Alves Tara dá benefício da dúvida a novo governo

Díli, 14 Jul (Lusa) - O major Alves Tara, que prometeu uma manifestação nas ruas de Díli para exigir a dissolução do Parlamento, disse hoje à Lusa que vai dar o benefício da dúvida ao executivo hoje empossado, liderado por José Ram os-Horta.

"Gostei das palavras do primeiro-ministro em Liquiçá, e por isso vou da r o benefício da dúvida a este governo", afirmou.

O major Alves Tara, que abandonou a cadeia de comando das forças armada s timorenses no início de Maio, referia-se à intervenção de Ramos-Horta na cerim ónia realizada terça-feira em Liquiçá, onde um alegado "esquadrão da morte" entr egou armas automáticas ao Ministério Público.

Aquele oficial, que coordena a Frente Nacional Justiça e Paz, que patro cinou no final de Junho manifestações contra o I Governo Constitucional e a favo r da dissolução do Parlamento Nacional, ameaçou com novas manifestações quando o Presidente da República, Xanana Gusmão, anunciou ter optado pela nomeação de um II Governo.

"Desistimos, para já, de realizar novas manifestações, mas, se for prec iso, voltamos a Díli, se [o ex-primeiro-ministro] Mari Alkatiri não responder em tribunal", disse Alves Tara.

"Mas vamos estar atentos ao novo governo", acrescentou.

Mari Alkatiri, que se demitiu da chefia do governo no passado dia 26 de Junho, é acusado de ter ordenado ao então ex-ministro do Interior Rogério Lobat o a distribuição de armas a civis, veteranos da luta de resistência contra a ocu pação indonésia.

Um dos grupos que alegou ter recebido armas, liderado por Vicente da Co nceição "Railos", entregou terça-feira as 11 armas automáticas que disse ainda d ispor ao Ministério Público, por constituírem prova do alegado crime cometido po r Alkatiri e Lobato.

Alkatiri vai prestar declarações sobre o assunto no próximo dia 20, e L obato, que já foi ouvido duas vezes pela juíza de investigação, encontra-se pres entemente em casa, sob a medida de coacção de interdição de se ausentar da resid ência, por razões de segurança pessoal, segundo determinou a juíza.

Segunda-feira, Xanana Gusmão deu posse ao novo primeiro-ministro, José Ramos-Horta, e aos vice-primeiros-ministros Estanislau da Silva e Rui Araújo.

A maioria do restante elenco foi hoje empossado por Xanana Gusmão, mas alguns dos membros do novo executivo assumirão funções nos próximos dias, como é o caso de José Luís Guterres, que vai assumir a pasta dos Negócios Estrangeiros .

EL.

Australian Travel Advice

"Aust travel advice for East Timor has changed. Overall level reduced to reconsider yournedd to travel at this time because of uncertain security situation"

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Governo de Ramos-Horta repete Executivo de Alkatiri

DN
14.07.2006
Armando Rafael

A esmagadora maioria dos ministros timorenses que hoje deverão tomar posse, e que integram o Executivo do primeiro-ministro Ramos-Horta, transita do elenco governativo liderado por Mari Alkatiri.

Ao que o DN apurou, as únicas novidades que estão previstas prendem-se com as pastas dos Negócios Estrangeiros (onde o embaixador José Luís Guterres deverá substituir o próprio Ramos-Horta), além dos Transportes e da Educação, uma vez que a Fretilin não aceitou a recondução dos anteriores titulares, sublinhando que eles se demitiram em ruptura com Mari Alkatiri.

É isso que explica que Ovídio Amaral seja substituído nos Transportes e Comunicações por Antoninho Bianco, que irá acumular com a Presidência do Conselho de Ministros, e que Armindo Maia ceda a Educação à vice-ministra, Rosália Corte-Real.

Situação diferente é a que se verifica nos Recursos Naturais, uma pasta que era anteriormente acumulada pelo próprio primeiro-ministro Mari Alkatiri. Com a sua saída, Ramos-Horta optou por promover também o anterior número dois do ministério, José Teixeira.

Com Ramos-Horta a acumular as suas novas funções com a pasta da Defesa, e com os vice-primeiros-ministros Estanislau da Silva e Rui Araújo a manterem também as pastas da Agricultura e da Saúde, o resto do elenco não sofre alterações.

Nas Finanças mantém-se Madalena Boavida e na Administração Estatal Ana Pessoa. À semelhança do que irá suceder nas pastas do Interior (Alcino Baris), Trabalho (Arsénio Bano), Justiça (Domingos Sarmento), Desenvolvimento (Arcanjo da Silva) e Obras Públicas (Odete Víctor).

Pelo que a presença de José Luís Guterres acaba por ter um significado especial, uma vez que o embaixador de Timor-Leste na ONU tentou, recentemente, candidatar-se à liderança da Fretilin, não tendo, depois, concretizado as suas intenções.

Embaixador na Austrália, Hernâni Coelho terá chegado a ser ponderado para o lugar, hipótese que não se confirmou.

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Xanana Gusmão quer mais solidariedade institucional e mais justiça


Díli, 14 Jul (Lusa) - A necessidade de reforçar a solidariedade institu cional e apostar na reconciliação nacional, partindo da verdade e da aplicação d a justiça, foram votos do Presidente timorense no discurso que proferiu hoje dep ois de empossar o II Governo Constitucional.

"Hoje, com a tomada de posse do II Governo Constitucional, encerramos u m ciclo da crise profunda que ameaçou as instituições do Estado de Direito Democ rático e sujeitou o nosso povo a sofrimentos e angustias imprevisíveis e injusta s", começou por afirmar o Presidente da República de Timor-Leste, Xanana Gusmão.

Depois de criticar os que "precipitadamente" anunciaram que Timor-Leste se iria transformar num Estado falhado e os que "choraram lágrimas de crocodilo ", insinuando que o país tinha ficado refém de "poderosos interesses globais, po líticos, militares ou económicos", Xanana destacou os "muitos que continuaram a acreditar" nos timorenses.

"Porém muitos continuaram a acreditar em nós porque sabem que um povo q ue resistiu mais de duas décadas a todas as formas de intimidação - desde a subj ugação mais brutal até à sedução mais maliciosa. Porque sabem que um povo como o nosso nunca desiste", afirmou.

Referindo-se aos milhares de deslocados provocados pela crise em Timor- Leste, "que ainda receiam regressar às suas casas, uns com medo de novas represá lias, outros, porque nada sobrou dos seus parcos haveres, destruídos e vandaliza dos, a não ser as paredes calcinadas", o Presidente disse que a posse do novo go verno constitui "um passo modesto" na resolução dessa mesma crise.

"Em definitivo só encontraremos resposta para esta crise tão grave e do lorosa quando devolvermos a voz ao povo soberano, para o povo se pronuncie sobre o modo como foi governado e escolha aqueles em quem pode confiar", salientou.

Para tal, importa antes socorrer as populações deslocadas, repor a orde m nas ruas e assegurar o funcionamento dos serviços públicos.

"Será então a hora de nos prepararmos para as eleições que são o meio a dequado para resolver pacificamente os conflitos e para vencer as crises, reforç ando o Estado de Direito e consolidando a democracia constitucional", frisou.

Xanana Gusmão considerou ainda que o governo hoje empossado "toma sobre os seus ombros um pesado fardo".

"Para reconciliarmos todos os timorenses e sararmos as feridas que nos dividiram, temos um enorme esforço a fazer. Mas não há reconciliação sem verdade e a verdade exige justiça para que o mal não se repita, confiante na impunidade ", defendeu.

A cerimónia decorreu no terraço do Palácio das Cinzas, sede da Presidên cia da República, perante dezenas de convidados, em que o Presidente da Repúblic a foi o único a discursar.

Na passada segunda-feira tinham já tomado posse o primeiro-ministro Jos é Ramos-Horta e dois vice-primeiro-ministros, Estanislau da Silva e Rui Araújo.

EL.

Honestidade política e cooperação institucional, pede Xanana Gusmão


Díli, 14 Jul (Lusa) - Xanana Gusmão pediu hoje ao novo governo timorens e "honestidade política" e "cooperação institucional" para se enfrentar e ultrap assar a actual crise político-militar.

Questionado sobre o que esperava do II Governo Constituconal, liderado por José Ramos Horta, em declarações à Lusa no final da cerimónia de posse do II Governo Constitucional, Xanana respondeu que tinha pedido "honestidade política ". "Pedi ao novo governo honestidade política para compreender que neste c urto período de tempo, para enfrentarmos o processo de solução da crise, tem de haver uma maior cooperação institucional", afirmou.

"Não significa interferência minha nos actos do governo, mas a crise me rece uma atenção especial de todos os órgãos de soberania. A Constituição diz qu e o governo responde perante o Presidente. Há maior necessidade de sermos guiado s pelo princípio da honestidade política, falarmos com franqueza uns com os outr os sobre problemas de interesse nacional e de haver maior interacção conjunta", acrescentou.

Para aumentar os níveis de confiança da população timorense, da qual 15 por cento do cerca de milhão de habitantes está deslocada em campos de acolhime nto, Xanana Gusmão lamentou o ainda reduzido número de polícias internacionais n o país.

"Segurança não é só colocar pessoas (nos locais). A segurança implica t ambém o esforço de criar nas comunidades um espírito de maior confiança. Não é f ácil", disse, referindo-se aos encontros que patrocinou quinta-feira com jovens ligados aos grupos de artes marciais e com as autoridades locais da capital timo rense.

"Temos problemas provocados pelo ainda pequeno número de polícias inter nacionais. Estamos à espera da polícia das Nações Unidas, que só chega talvez de ntro de mais de um mês", adiantou.

Xanana salientou ainda que nos encontros de quinta-feira lhe foi coloca do o problema que persiste na divisão no seio da Polícia Nacional.

"Há todo um processo para se rever, para se afinar, para que a presença da polícia internacional e timorense apoie e ajude no aspecto da segurança e au mente a confiança nas populações", vincou.

O novo governo timorense apresenta várias novidades, a começar pelo pre enchimento do cargo de vice-primeiro-ministro, que embora previsto na lei orgâni ca do governo, nunca tinham sido ocupados.

A chamada de José Luís Guterres, que integrou como vice-ministro dos Ne gócios Estrangeiros o I Governo Constitucional, criado em Maio de 2002, represen ta uma abertura da FRETILIN, partido maioritário e que indicou a esmagadora maio ria dos membros deste executivo.

José Luís Guterres, que depois de sair do governo foi colocado na embai xada de Washington e na chefia da missão timorense na ONU, foi o rosto do desafi o à liderança de Mari Alkatiri no recente congresso da FRETILIN, embora tenha de sistido de ir a votos, invocando as alterações estatutárias que permitiram a ree leição da anterior direcção partidária pelo método de braço no ar.

Relativamente ao anterior executivo de Mari Alkatiri, o governo hoje em possado apresenta ainda como novidades a entrada de Inácio Moreira, reitor da Es cola Politécnica, para a pasta dos Transportes e Comunicações, que substituiu no cargo Ovídeo Amaral.

Inácio Moreira é irmão de César Moreira, antigo vice-ministro das Obras Públicas de Mari Alkatiri até à remodelação de Julho de 2005, e que não foi rec onduzido no cargo.

Por outro lado, a não recondução de Armindo Maia, que tutelava a Educaç ão e Cultura no I Governo, implicou a promoção de Rosália Corte-Real, que era su a vice-ministra da Educação e Cultura.

Como o primeiro-ministro José Ramos-Horta anunciou que pretendia convid ar alguns dos anteriores ministros para postos diplomáticos, é de crer que Ovíde o Amaral e Armindo Maia venham a ser sondados para ocupar algumas das novas repr esentações diplomáticas que o governo pretende abrir, como são o caso do Vatican o e Banguecoque, além da rotação que deverá verificar-se nas embaixadas de Lisbo a, Washington, Bruxelas e Maputo.

Outra novidade do executivo hoje empossado foi a autonomização da pasta dos Recursos Naturais, Minerais e da Política Energética, que deixa de estar na dependência do chefe do governo, como sucedia com Mari Alkatiri, e passa a ter um ministro a tempo inteiro, cargo para o qual foi nomeado José Teixeira, que er a vice-ministro nessa área.

Finalmente, as restantes alterações dizem respeito ao grupo as cinco se cretarias de Estado regionais, criadas em Julho de 2005, e para as quais foram a penas reconduzidos dois responsáveis: José Reis e Albano Salém.

José Reis, que é secretário-geral adjunto da FRETILIN, vai continuar à frente da secretaria de Estado para a Coordenação da Região I, que engloba os tr ês distritos do leste, Lautém, Baucau e Viqueque, e Albano Salem mantém-se como secretário de Estado residente em Oecusse.

Nas restantes três pastas deste grupo de cinco, há dois novos secretári os de Estado para as regiões II (Manatuto, Manufahi e Ainaro) e IV (Liquiça, Bob onaro e Covalima), para as quais foram respectivamente empossados Adriano Corte- Real e Lino Torrezão.

Por preencher ficam apenas os cargos de vice-ministro do Interior, dos Transportes e Comunicações, da Educação para o Ensino Técnico e Superior e da Ju stiça, e os secretários de Estado da Cultura e de Coordenação da Região III (Díl i, Aileu e Ermera).

No total, o II Governo Constitucional, que tem o mandato de conduzir o país até às eleições de Abril ou Maio de 2007, passa a contar com 40 pastas, menos três que a anterior composição do I Governo.

EL.

Estado

De um leitor:

Será que um País com um Presidente da República que se tem revelado de forma peculiar, e uma oposição que pretende dissolver um parlamento num país que ainda não tem lei eleitoral tem alguma probabilidade de sobrevivência como Estado soberano?

Partindo é claro da própria definição de

Estado

é uma comunidade organizada politicamente, ocupando um território definido, normalmente aonde a lei máxima é uma Constituição escrita, e dirigida por um governo, também possuindo soberania reconhecida internamente e externamente. Um Estado soberano é sintetizado pela máxima "Um governo, um povo, um território". O Estado é responsável pela organização e pelo controle social, pois detem o monopólio legítimo do uso da força.

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Dos leitores

I think we both agree on one point that Mari has the right to continue his work in Politics pending the results of investigations or any court actions. Whether FRETILIN chooses him as a candidate in forthcoming elections it is as agreed ultimately their choice. I believe he still has confidence and has won greater respect from many members of FRETILIN whether any one likes it or not.

I also would like to point out that FFDTL had been engaged in the Petiosioner issue since January 2006. The FFDTL after exhausting all efforts to resolve the issue dismissed the Petiosioners, citing many relevant issues such as discipline, involvement of some members in illegal enterprises and most importantly that the Petitioners abandoned their barracks (desertion) that carries serious penalties in the Military. After considering the attempt of the FFDTL to find a solution and the need to preserve a form of autonomy within the army in its decision making the Government supported the decision of the Military.

The only person not supporting that decision was the President, who also during the crisis triggered the ethnical unrests by making inflammatory remarks. The President never acted in the interest of the nation by not engaging or participating in any dispute resolution initiatives. The President had remained silent over the course of the issue even though he was one of the first recipients of the Petition from the Petitioners and the "Supreme Commander of the Armed Forces".

The President has dealt with the issue precariously. He had tried to resolve the issues outside the confines of the constitution yet he was unsuccessful. He could not dismiss the Prime Minister (only received Mari's resignation), remove the whole Government from office nor dissolve the Parliament. The President is looking less like the unifying symbol that he once was.

Maybe you could shed some light into the Presidents actions during the crisis.

II Governo Constitucional

Primeiro-Ministro e Ministro da Defesa - José Ramos-Horta

1º Vice PM e Ministro da Agricultura, Florestas e Pescas - Estanislau Aleixo da Silva
2º Vice PM e Ministro da Saúde - Rui Maria Araújo

[Ministros]

Ministro dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação - José Luís Guterres (Toma posse posteriormente)
Ministra do Plano e das Finanças - Madalena Brites Boavida
Ministra da Administração Estatal - Ana Pessoa (Toma posse posteriormente)
Ministro do Interior - Alcino Barris
Ministro na Presidência do Conselho de Ministros - Antoninho Bianco
Ministro dos Transportes e das Comunicações - Inácio Moreira
Ministra da Educação e da Cultura - Rosália Corte-Real
Ministro do Trabalho e da Reinserção Comunitária - Arsénio Paixão Bano
Ministro da Justiça - Domingos Sarmento
Ministro do Desenvolvimento - Arcanjo da Silva
Ministra das Obras Públicas - Odete Victor
Ministro dos Recursos Naturais, Minerais e da Política Energética - José Teixeira

[Vice Ministros]
Vice-Ministra dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação - Adalgisa Magno
Vice-Ministra do Plano e das Finanças - Aicha Bassarewa
Vice-Ministro da Administração Estatal - Valentim Ximenes
Vice-Ministro da Administração Estatal - Filomeno Aleixo
Vice-Ministro do Interior - (Toma posse posteriormente)
Vice-Ministro dos Transportes e das Comunicações - (Toma posse posterio rmente)
Vice-Ministro da Agricultura, Florestas e Pescas - Francisco Tilman de Sá Benevides
Vice-Ministro da Educação para o Ensino Técnico e Superior - (Toma poss e posteriormente)
Vice-Ministra para o Ensino Primário e Secundário - Ilda da Conceição
Vice-Ministro da Saúde - Luis Lobato
Vice-Ministro da Justiça - (Toma posse posteriormente)
Vice-Ministro das Obras Públicas - Raul Mousaco
Vice-Ministro do Desenvolvimento - António Cepeda

[Secretarios de Estado]
Sec. de Estado do Conselho de Ministros - Gregório de Sousa
Sec. de Estado para a Coordenação Ambiental, Ordenamento do Território e Desenvolvmento Físico - João Batista Alves
Sec. de Estado da Juventude e Desporto - José Manuel Fernandes
Sec. de Estado da Cultura - (Toma posse posteriormente)
Sec. de Estado dos Assuntos dos Veteranos e Antigos Combatentes - David Ximenes

[Secretarios de Estado Regionais ]
Sec. de Estado para a Coordenação da Região I - José Reis (Toma posse posteriormente)
Sec. de Estado para a Coordenação da Região II - Adriano Corte-Real (T oma posse posteriormente) Sec. de Estado para a Coordenação da Região III - (Toma posse posterior mente)
Sec. de Estado para a Coordenação da Região IV - Lino Torrezão (Toma posse posteriormente)
Sec. de Estado Residente em Oe-cusse - Albano Salem (Toma posse posteriormente).

Quatro novos ministros e sete mulheres no novo governo

Díli, 14 Jul (Lusa) - O II governo constitucional de Timor-Leste tomou hoj e posse em Díli e terá 40 elementos, dos quais sete mulheres, e como novidade qu atro novos ministros.

O governo, dirigido por José Ramos-Horta, foi hoje empossado pelo Presiden te da República de Timor-Leste, Xanana Gusmão.

Além de José Luís Guterres, na pasta dos Negócios Estrangeiros, surgem no novo governo os ministros Inácio Moreira, nos Transportes e Comunicações, Rosáli a Corte-Real, na Educação e Cultura, e José Teixeira, como ministro dos Recursos Naturais, Minerais e Política Energética.

Os vice-primeiros-ministros Estanislau da Silva e Rui Araújo acumulam as p astas da Floresta e Pescas e Saúde, respectivamente.

O primeiro-ministro, José Ramos-Horta optou por reconduzir grande parte do executivo do I governo constitucional, chefiado por Mari Alkatiri, que se demit iu no final do mês passado na sequência de uma crise político-militar que se arr astava desde Abril.

Num comunicado de imprensa, o gabinete do primeiro-ministro salienta que o executivo "reflecte o talento e capacidades que já existem a nível ministerial, bem como a necessidade de manter no seu cargo ministros que já conhecem bem as suas pastas".

Referindo-se ao tempo que medeia entre a posse de hoje e as eleições de 20 07, Ramos-Hora acrescenta: "nove meses são um período muito curto para pôr em pr ática o plano de acção do meu governo, e assim sendo, quantas menos alterações m elhor".

"Estou seguro de que os novos ministros trarão novas competências para est e governo. Em conjunto com os seus colegas mais experientes são essenciais para a regeneração da administração e para a prossecução dos meus objectivos para Tim or-leste nos domínios da segurança nacional, desenvolvimento económico e estabil idade social", diz o comunicado.

O primeiro-ministro, José Ramos-Horta, e os dois vice-primeiros-ministros, Estanislau da Silva e Rui Araújo, foram empossados na passada segunda-feira. EL/FP.

Sem compromisso

Resposta da Margarida a um comentário de um leitor “...Quem foi que decidiu mandar fora 591 militares?”.

...Não quer mesmo perceber que quem se pôs fora foram os próprios e que a hierarquia castrense se limitou a sancionar essa decisão dos próprios.

...deixo o link ao site da UNOTIL onde encontrará lá esta notícia (nos relatos dos Media Nacionais de 18-20 de Março de 2006) que eu já traduzi e que aqui coloco:

“Não Compromisso na Decisão: Ruak

O Brigadeiro General das F-FDTL Taur Matan Ruak alegadamente disse aos media que não há mais compromissos no seguimento da decisão de despedir os 591 soldados mesmo que o Presidente Gusmão, Supremo Comandante das F-FDTL, discorde.

Taur disse que a decisão de não os aceitar de volta é para evitar abrir um mau precedente no futuro. “Reparem nas condições dos veteranos da guerra; muitos deles estão ainda mal. Se os admitíssemos de regresso, podiam repetir o mesmo. É melhor não os re-admitir, porque a nossa intenção é, seja quem for que se incorpore nas F-FDTL é para servir a nação e o povo. A posição nos altos cargos das F-FDTL não é adequada para quem quer enriquecer,” disse Ruak.

E sublinhou que os oficiais foram expulsos por terem saído do quartel-general da instituição e não por terem assinado a petição, acrescentando que as forças armadas são compostas por voluntários.

O brigadeiro general das F-FDTL explicou que em 11 de Janeiro recebeu uma petição anónima à qual o Presidente Gusmão por carta respondeu que o assunto devia ser resolvido tão cedo quanto possível.

De acordo com Rauk, em 2-3 de Feverero ele convocou um encontro com soldados e sargentos no quartel em Baucau para discutir a petição mas quando o assunto foi levantado alguns dos soldados disseram que era um assunto que somente o Presidente tinha competência para resolver.

O Chefe das Forças Armadas insistiu que o assunto fosse tratado no interior da instituição mas acrescentou que depois do seu regresso a Dili em 4 de Fevereiro, muitos dos membros tinham fugido do quartel de Baucau e do Centro de Treino de Metinaro para se encontrarem com o Presidente Gusmão em 8 de Fevereiro.

E acrescentou que desde então, ele fez várias propostas para os que tinham assinado a petição tais como estabelecer um batalhão ou um programa.
Ruak disse que eles recusaram cooperar com o processo de investigação e que quando foram autorizados a sair dos quartéis em 18 de Fevereiro e escalados para regressar em 20 de Fevereiro eles não regressaram.

STL relata o Brigadeiro General como tendo dito que os que foram demitidos devem evitar usar qualquer tipo de medidas para lhe porem pressão porque isso não resultará. Em vez disso, sugeriu que seria melhor que dessem ideias para uma solução.



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Quando deito a cabeça no teu colo, Camarada

Quando deito a minha cabeça no teu colo, Camarada,

A confissão que fiz eu reafirmo, o que eu te disse ao ar livre eu reafirmo:

Eu sei que sou inquieto e torno os outros assim;

Eu sei que minhas palavras são armas, cheias de perigo, cheias de morte;

(Na verdade eu próprio sou o verdadeiro soldado;
Não é ele, ali, com a sua baioneta, e não é o artilheiro enfaixado de vermelho;)

Pois eu enfrento a paz, a segurança, e as leis enraizadas para as desenraizar;

Eu sou mais determinado porque todos me negaram, mais do que teria sido se todos me tivessem aceite,

Eu não ligo, e nunca liguei, quer a experiências, cautelas, maiorias, ou ao ridículo;

E a ameaça a que chamam inferno é pequena ou nada para mim

E a promessa a que chamam paraíso é pequena ou nada para mim;

… Caro camarada! Eu confesso que te incitei a ir em frente comigo, e ainda te incito, sem a mínima ideia de qual é o nosso destino,

Ou se vamos sair vitoriosos, ou totalmente vencidos e derrotados.


Walt Whitman

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As I lay with Head in your Lap, Camerado

AS I lay with my head in your lap, Camerado,

The confession I made I resume—what I said to you in the open air I resume:
I know I am restless, and make others so;

I know my words are weapons, full of danger, full of death;

(Indeed I am myself the real soldier;
It is not he, there, with his bayonet, and not the red-striped artilleryman;)

For I confront peace, security, and all the settled laws, to unsettle them;

I am more resolute because all have denied me, than I could ever have been had all accepted me;

I heed not, and have never heeded, either experience, cautions, majorities, nor ridicule;

And the threat of what is call’d hell is little or nothing to me

And the lure of what is call’d heaven is little or nothing to me;

...Dear camerado! I confess I have urged you onward with me, and still urge you, without the least idea what is our destination,

Or whether we shall be victorious, or utterly quell’d and defeated.


Walt Whitman
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Parlamento Nacional adia férias devido crise institucional e social

Díli, 13 Jul (Lusa) - O Parlamento Nacional de Timor-Leste aprovou hoje , por maioria, o adiamento das férias parlamentares devido à "crise institucional e social" no país, prorrogando os trabalhos por mais um mês.

Segundo um comunicado do Parlamento enviado à Lusa, a decisão foi aprovada por 58 deputados, dois votaram contra e quatro abstiveram-se.

A decisão foi justificada por ainda se encontrarem pendentes iniciativa s legislativas em fase de discussão e se aguardar a entrada de outras, "essenciais para assegurar o regular funcionamento das instituições democráticas".

As férias parlamentares deveriam iniciar-se a 15 de Julho (sábado).

Os deputados decidiram ainda prorrogar novamente os trabalhos parlamentares se os 30 dias de trabalho suplementar hoje aprovados não forem suficientes.

A decisão foi tomada no plenário extraordinário de hoje, marcado pela descida à Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias dos projectos sobre legislação que regulamenta a eleição do Presidente da República e do Parlamento Nacional, escrutínios a realizar em 2007.

O anterior governo, liderado por Mari Alkatiri tinha já enviado ao Parl amento Nacional as suas propostas de lei sobre as duas eleições, mas a demissão do primeiro-ministro, a 26 de Junho, fez cair aquelas iniciativas, agora retomadas por um grupo de deputados.

Outra proposta de lei que caiu com a demissão do anterior governo foi a do Orçamento de Estado, que deverá ser entretanto recuperada, com algumas alterações, pelo II Governo Constitucional, liderado por José Ramos-Horta.

O novo executivo terá pela primeira vez dois vice-primeiros-ministro, Estanislau da Silva e Rui Araújo, que foram empossados segunda-feira passada, juntamente com o primeiro-ministro, pelo Presidente da República, Xanana Gusmão.

O restante elenco governativo será empossado sexta-feira de manhã.

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EL.

Traduções

Todas as traduções de inglês para português (e também de francês para português) são feitas pela Margarida, que conhecemos recentemente, mas que desde sempre nos ajuda.

Obrigado pela solidariedade, Margarida!

Mensagem inicial - 16 de Maio de 2006

"Apesar de frágil, Timor-Leste é uma jovem democracia em que acreditamos. É o país que escolhemos para viver e trabalhar. Desde dia 28 de Abril muito se tem dito sobre a situação em Timor-Leste. Boatos, rumores, alertas, declarações de países estrangeiros, inocentes ou não, têm servido para transmitir um clima de conflito e insegurança que não corresponde ao que vivemos. Vamos tentar transmitir o que se passa aqui. Não o que ouvimos dizer... "
 

Malai Azul. Lives in East Timor/Dili, speaks Portuguese and English.
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