quarta-feira, maio 14, 2008

INTERVIEW: Ramos-Horta looks to the future after near-fatal shooting

Posted : Wed, 14 May 2008 04:31:00 GMT
Author : DPA
Australasia World News

Díli - Three months after a near-fatal assassination attempt, East Timor President and Nobel Peace Prize laureate Jose Ramos-Horta is back in his office and full of plans. Still pale, Ramos-Horta lays out his work schedule from his home in the capital, Dili, in an interview with Deutsche Presse-Agentur dpa:

"I have three priorities for the next two years: first, the reorganization of the police force and Army. Second, serious efforts to alleviate poverty with cash for the most vulnerable, like old people and veterans. They should get 100 US dollars monthly. Third, to invest in infrastructure projects that create a lot of jobs."

The president receives guests in his elegant wood and bamboo house on Kennedy Boulevard. His office there is only a stone's throw away from the street where on February 11 rebels fired the gunshots that nearly cost him his life.

Ramos-Horta doesn't talk about the attack that saw him hospitalized in Australia for two months. Earnest and wearing a blue T-shirt that reads "Presidente," the 58-year-old sits at his desk and prefers to talk about the rosy future he sees for his 1 million countrymen and -women
Most of them live in poverty in the tiny South-East Asian nation that was shaken in early 2006 by civil unrest, largely blamed on high unemployment among East Timor's young people.

Ramos-Horta, who won the 1996 Nobel for leading the diplomatic campaign for East Timor's independence from Indonesia, advised the East Timorese to let his government have time to make improvements.

"The problem is that people are too impatient," he says. "This country is only six years old. I have travelled and seen developing countries all over the world. I hope that we can do better than Guatemala in 20 years, and that country has been independent for 200 years."

East Timor was a Portuguese colony for 400 years before neighbouring Indonesia invaded it in 1975 and occupied it for 24 years. In a 1999 UN-supervised referendum, the East Timorese voted for independence in polling that was preceded and followed by pro-Indonesian militias running amok. A thousand people were killed, and 70 per cent of East Timor's infrastructure was destroyed.

An Indonesia-East Timor Commission of Truth and Friendship has finished three years of investigations and public hearings, at which witnesses testified that they saw Indonesian soldiers and Timorese militiamen killing scores of unarmed civilians. The panel's final report was expected at the end of this month.

"I am disappointed that many of the senior Indonesian military officers involved did not seize the opportunity to confess and apologize for their failure to control the situation," Ramos-Horta says.

The divorced president lives alone on the edge of Dili and is reading Nelson Mandela's book From Freedom to Future as he recovers from the assassination attempt. It lies on a table on his terrace next to a stack of magazines, which include Men's Health.

On the wall hangs pictures of Che Guevara, John F Kennedy and Mao alongside movie posters of Casablanca and The Godfather. A plush Santa Claus dangles in the window.

An affluent East Timor is only a question of time for Ramos-Horta.

"We have enough money," he says. "We have enormous resources in oil and gas."
Money from the sale of those resources has put 2.6 billion dollars in East Timor's oil fund, and Ramos-Horta says he wants to invest that money for his country and also use 100 million dollars of it to set up an investment bank in East Timor that would help small businesses.

"We could charge 7-per-cent interest, which is less than half of what the other banks charge here," he says. "That would give us a good return and help the community."

The president has become more serious than in years past, but his winning smile and easy charm, which won the world over to his land's cause, are still there.

He is also thinking about the time after he leaves the presidency. He says he finds that he, as a Nobel laureate and experienced diplomat, would still have an indispensable, if diminishing, role to play for his country.

"East Timor is so small - it is of no consequence to the world, so individuals may have a greater impact because of their personality," he says. "But in a few years, this country will be peaceful and prosperous. By then it will not matter so much if we have a new generation of leaders who do not know how to play on the international stage."

http://www.earthtimes.org/articles/show/205273,interview-ramos-horta-looks-to-the-future-after-near-fatal-shooting.html

Tradução:

ENTREVISTA: Ramos-Horta olha para o futuro depois de baleado quase fatalmente

Postado : Quarta-feira, 14 Maio 2008 04:31:00 GMT
Autor : DPA
Australasia World News

Díli – Três meses depois duma quase fatal tentativa de assassínio, o Presidente de Timor-Leste e laureado do Nobel da Paz José Ramos-Horta está de volta ao seu gabinete e cheio de planos.

ainda pálido, Ramos-Horta desenrola a sua agenda de trabalhp da sua casa na capital, Dili, numa entrevista à Deutsche Presse-Agentur dpa:

"tenho três prioridades para os dois próximos anos: primeira, a reorganização da força da polícia e das Forças Armadas. Segunda, esforços sérios para aliviar a pobreza com dinheiro para os mais vulneráveis, como idosos e veteranos. Eles devem receber 100 US dólares mensalmente. Terceira, investir em projectos de infraestruturas para criar muitos empregos."

O presidente recebe convidados na sua elegante casa de madeira e bamboo no Kennedy Boulevard. O seu gabinete lá está apenas na distância duma pedrada da rua onde em 11 de Fevereiro amotinados dispararam os tiros que quase lhe custaram a vida.

Ramos-Horta não fala do ataque que o levou a ficar hospitalizado na Austrália durante dois meses. Alerta e usando uma T-shirt azul onde se lê "Presidente,"o homem de 58 anos senta-se na sua secretária e prefere falar sobre o futuro cor-de-rosa que antevê para os seus 1 milhão de co-cidadões e co-cidadãsA maioria vive na pobreza na pequena nação do Sudeste Asiático que foi abalada no princípio de 2006 por desassossego civil, largamente causado pelo elevado desemprego entre os jovens de Timor-Leste.

Ramos-Horta, que ganhou o Nobel de 1996 por liderar a campanha diplomática pela independência de Timor-Leste da Indonésia, aconselhou os Timorenses a deixarem o seu governo ter tempo para fazer melhorias.

"O problema é que as pessoas são demasiadamente impacientes," diz ele. "Este país tem apenas seis anos. Eu viajei e vi países em via de desenvolvimento em todo o mundo. espero que possamos fazer melhor do que a Guatemala em 20 anos, e esse país é independente à 200 anos."

Timor-Leste foi uma colónia Portuguesa durante 400 anos antes da vizinha Indonésia o invadir em 1975 e o ocupar durante 24 anos. Em 1999 num referendo supervisionado pela ONU, os Timorenses votaram pela independência numa votação que foi precedida e seguida por milícias pró-Indonésias que desencadearam uma fúria. Mil pessoas foram mortas e 70 por cento das infraestruturas de Timor-Leste foram destruídas.

Uma Comissão Indonésia-Timor-Leste para a Verdade e Amizade acabou três anos de investigações e audições públicas, nas quais testemunhas testemunharam que viram soldados Indonésios e milicianos Timorenses a matar muitos civis desarmados. O relatório final do painel era esperado no fim deste mês.

"Estou desapontado por muitos dos oficiais militares Indonésios de topo envolvidos não terem agarrado a oportunidade para confessar e pedir desculpas pelo falhanço deles para controlar a situação," diz Ramos-Horta.

O presidente divorciado vive sozinho no topo de Dili e está a ler o livro de Nelson Mandela Da Liberdade Para o Futuro enquanto recupera da tentativa de assassínio. Está em cima duma mesa no seu terraço perto dum monte de revistas, que inclui Men's Health.

Na parede estão fotos de Che Guevara, John F Kennedy e Mao ao lado de cartazes de cinema de Casablanca e O Padrinho. Na janela está um gordinho Pai Natal.

Um afluente Timor-Leste é apenas uma questão de tempo para Ramos-Horta.

"Temos dinheiro suficiente," diz ele. "Temos enormes recursos em petróleo e gás."Dinheiro da venda desses recursos pôs no Fundo de Petróleo de Timor-Leste 2.6 biliões de dólares, e Ramos-Horta diz que quer investir esse dinheiro para o seu país e também usar 100 desses milhões de dólares para montar um banco de investimento em Timor-Leste que ajudaria os pequenos negócios.

"Podíamos cobrar 7 por cento de taxas, que é menos de metade do que os outros bancos cobram cá," diz. "Isso daria um bom retorno e ajudaria a comunidade."

O presidente tornou-se mais sério do que no passado, mas o seu sorriso vitorioso e charme fácil, que conquistaram o mundo para a causa do seu país, ainda estão lá.

Está também a pensar no tempo depois de sair da presidência. Diz que que acha que, como laureado Nobel e diplomata experiente, terá ainda um papel indispensável, se bem que diminuído a jogar pelo seu país.

"Timor-Leste é tão pequeno – não tem nenhuma consequência para o mundo, por isso os indivíduos podem ter um maior impacto por causa das suas personalidades," diz ele. "Mas em poucos anos, este país será pacífico e próspero. Então não interessará tanto se tivermos uma nova geração de líderes que não sabem como jogar na arena internacional."

http://www.earthtimes.org/articles/show/205273,interview-ramos-horta-looks-to-the-future-after-near-fatal-shooting.html

1 comentário:

Margarida disse...

Tradução:
ENTREVISTA: Ramos-Horta olha para o futuro depois de baleado quase fatalmente
Postado : Quarta-feira, 14 Maio 2008 04:31:00 GMT
Autor : DPA
Australasia World News

Díli – Três meses depois duma quase fatal tentativa de assassínio, o Presidente de Timor-Leste e laureado do Nobel da Paz José Ramos-Horta está de volta ao seu gabinete e cheio de planos. ainda pálido, Ramos-Horta desenrola a sua agenda de trabalhp da sua casa na capital, Dili, numa entrevista à Deutsche Presse-Agentur dpa:

"tenho três prioridades para os dois próximos anos: primeira, a reorganização da força da polícia e das Forças Armadas. Segunda, esforços sérios para aliviar a pobreza com dinheiro para os mais vulneráveis, como idosos e veteranos. Eles devem receber 100 US dólares mensalmente. Terceira, investir em projectos de infraestruturas para criar muitos empregos."

O presidente recebe convidados na sua elegante casa de madeira e bamboo no Kennedy Boulevard. O seu gabinete lá está apenas na distância duma pedrada da rua onde em 11 de Fevereiro amotinados dispararam os tiros que quase lhe custaram a vida.

Ramos-Horta não fala do ataque que o levou a ficar hospitalizado na Austrália durante dois meses. Alerta e usando uma T-shirt azul onde se lê "Presidente,"o homem de 58 anos senta-se na sua secretária e prefere falar sobre o futuro cor-de-rosa que antevê para os seus 1 milhão de co-cidadões e co-cidadãs
A maioria vive na pobreza na pequena nação do Sudeste Asiático que foi abalada no princípio de 2006 por desassossego civil, largamente causado pelo elevado desemprego entre os jovens de Timor-Leste.

Ramos-Horta, que ganhou o Nobel de 1996 por liderar a campanha diplomática pela independência de Timor-Leste da Indonésia, aconselhou os Timorenses a deixarem o seu governo ter tempo para fazer melhorias.

"O problema é que as pessoas são demasiadamente impacientes," diz ele. "Este país tem apenas seis anos. Eu viajei e vi países em via de desenvolvimento em todo o mundo. espero que possamos fazer melhor do que a Guatemala em 20 anos, e esse país é independente à 200 anos."

Timor-Leste foi uma colónia Portuguesa durante 400 anos antes da vizinha Indonésia o invadir em 1975 e o ocupar durante 24 anos. Em 1999 num referendo supervisionado pela ONU, os Timorenses votaram pela independência numa votação que foi precedida e seguida por milícias pró-Indonésias que desencadearam uma fúria. Mil pessoas foram mortas e 70 por cento das infraestruturas de Timor-Leste foram destruídas.

Uma Comissão Indonésia-Timor-Leste para a Verdade e Amizade acabou três anos de investigações e audições públicas, nas quais testemunhas testemunharam que viram soldados Indonésios e milicianos Timorenses a matar muitos civis desarmados. O relatório final do painel era esperado no fim deste mês.

"Estou desapontado por muitos dos oficiais militares Indonésios de topo envolvidos não terem agarrado a oportunidade para confessar e pedir desculpas pelo falhanço deles para controlar a situação," diz Ramos-Horta.

O presidente divorciado vive sozinho no topo de Dili e está a ler o livro de Nelson Mandela Da Liberdade Para o Futuro enquanto recupera da tentativa de assassínio. Está em cima duma mesa no seu terraço perto dum monte de revistas, que inclui Men's Health.

Na parede estão fotos de Che Guevara, John F Kennedy e Mao ao lado de cartazes de cinema de Casablanca e O Padrinho. Na janela está um gordinho Pai Natal.

Um afluente Timor-Leste é apenas uma questão de tempo para Ramos-Horta.

"Temos dinheiro suficiente," diz ele. "Temos enormes recursos em petróleo e gás."
Dinheiro da venda desses recursos pôs no Fundo de Petróleo de Timor-Leste 2.6 biliões de dólares, e Ramos-Horta diz que quer investir esse dinheiro para o seu país e também usar 100 desses milhões de dólares para montar um banco de investimento em Timor-Leste que ajudaria os pequenos negócios.

"Podíamos cobrar 7 por cento de taxas, que é menos de metade do que os outros bancos cobram cá," diz. "Isso daria um bom retorno e ajudaria a comunidade."

O presidente tornou-se mais sério do que no passado, mas o seu sorriso vitorioso e charme fácil, que conquistaram o mundo para a causa do seu país, ainda estão lá.

Está também a pensar no tempo depois de sair da presidência. Diz que que acha que, como laureado Nobel e diplomata experiente, terá ainda um papel indispensável, se bem que diminuído a jogar pelo seu país.

"Timor-Leste é tão pequeno – não tem nenhuma consequência para o mundo, por isso os indivíduos podem ter um maior impacto por causa das suas personalidades," diz ele. "Mas em poucos anos, este país será pacífico e próspero. Então não interessará tanto se tivermos uma nova geração de líderes que não sabem como jogar na arena internacional."

http://www.earthtimes.org/articles/show/205273,interview-ramos-horta-looks-to-the-future-after-near-fatal-shooting.html

Traduções

Todas as traduções de inglês para português (e também de francês para português) são feitas pela Margarida, que conhecemos recentemente, mas que desde sempre nos ajuda.

Obrigado pela solidariedade, Margarida!

Mensagem inicial - 16 de Maio de 2006

"Apesar de frágil, Timor-Leste é uma jovem democracia em que acreditamos. É o país que escolhemos para viver e trabalhar. Desde dia 28 de Abril muito se tem dito sobre a situação em Timor-Leste. Boatos, rumores, alertas, declarações de países estrangeiros, inocentes ou não, têm servido para transmitir um clima de conflito e insegurança que não corresponde ao que vivemos. Vamos tentar transmitir o que se passa aqui. Não o que ouvimos dizer... "
 

Malai Azul. Lives in East Timor/Dili, speaks Portuguese and English.
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