sexta-feira, janeiro 16, 2009

Mortalidade infantil quase duplicou num ano em Timor-Leste

Lisboa, 15 Jan (Lusa) - A mortalidade infantil em Timor-Leste quase duplicou num ano, revela o relatório anual da UNICEF, que aponta Angola como país lusófono com maiores progressos nesta matéria e a Guiné-Bissau como o pior.

Em Timor-Leste, o número de crianças que não atingem os cinco anos de idade passou de 55 por mil em 2006 para 97 por mil em 2007, de acordo com o relatório anual sobre a situação das crianças no mundo da Agência das Nações Unidas para a infância (UNICEF), divulgado hoje.

Com estes indicadores, Timor-Leste subiu 26 posições no ranking da mortalidade infantil, sendo actualmente o 39º Estado com pior taxa de mortalidade infantil no mundo.

Entre os membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Timor-Leste apresenta o quinto pior resultado.

O ranking tem indicadores de 194 países e territórios classificados em ordem decrescente da sua taxa de mortalidade (os países mais acima na lista são os que apresentam piores resultados).

Em Timor-Leste, 12 por cento das crianças nascem com baixo peso e das 48 mil nascidas em 2007, 77 em mil tinham probabilidade de morrer antes de completarem um ano de idade.

Apenas 53 por cento das crianças estão registadas e as que têm entre cinco e 14 anos e que trabalham rondam os quatro por cento.

A Guiné-Bissau é o país lusófono pior classificado, tendo passado da 11ª para a quinta posição, apesar de ter conseguido reduzir ligeiramente o número de mortes infantis.

Neste país africano nascem anualmente cerca de 80 mil crianças, sendo que 198 em cada mil correm o risco de morrer antes do primeiro ano de vida e 47 em mil nos primeiros 28 dias de vida.

O relatório refere ainda que a mutilação genital afecta 45 por cento das mulheres guineenses, principalmente das zonas rurais, e, destas, 35 por cento têm pelo menos uma filha vítima desta prática.

Em Moçambique, 168 crianças em cada mil morrem antes de atingir os cinco anos de idade, mais 30 mortes por cada mil do que no ano anterior, indica ainda o relatório, que aponta este Estado lusófono como 14º país com pior taxa de mortalidade infantil em todo o mundo e o segundo pior na CPLP.

Neste país, 35 em cada mil crianças correm o risco de morrer nos primeiros 28 dias de vida, um valor que em Angola sobe para as 54 por mil.

Estima-se que cerca de 100 mil crianças menores de 14 anos estejam infectadas com o VIH, que mais de 800 mil mulheres sejam portadoras do vírus e que existam 400 mil órfãos devido à sida.

Também São Tomé e Príncipe apresenta resultados negativos na luta contra a mortalidade infantil, registando um aumento de 96 para 99 mortes infantis por cada mil crianças com menos de cinco anos.

Angola, Brasil, Cabo Verde e Portugal conseguiram melhorar os respectivos indicadores de mortalidade infantil, embora Angola se mantenha entre os 20 países pior classificados neste indicador.

O país, que passou do segundo pior a nível mundial em 2006 para o 16º em 2007, regista agora menos 100 mortes por mil do que no ano anterior.

Entre os países lusófonos, Angola apresenta a terceira pior classificação.

Segundo o relatório, em 2007, 9,2 milhões de crianças morreram antes de atingir cinco anos de idade, 50 por cento das quais em África, que, segundo a UNICEF, "permanece como a região mais difícil do mundo para a sobrevivência de uma criança até aos cinco anos de idade".



CFF.

Lusa/Fim

1 comentário:

h correia disse...

É revoltante ler estes números e saber que o governo só quer gastar o dinheiro do petróleo em jipes de luxo para os deputados e negociatas sem concurso ou com concurso viciado, em benefício dos amigos.

Traduções

Todas as traduções de inglês para português (e também de francês para português) são feitas pela Margarida, que conhecemos recentemente, mas que desde sempre nos ajuda.

Obrigado pela solidariedade, Margarida!

Mensagem inicial - 16 de Maio de 2006

"Apesar de frágil, Timor-Leste é uma jovem democracia em que acreditamos. É o país que escolhemos para viver e trabalhar. Desde dia 28 de Abril muito se tem dito sobre a situação em Timor-Leste. Boatos, rumores, alertas, declarações de países estrangeiros, inocentes ou não, têm servido para transmitir um clima de conflito e insegurança que não corresponde ao que vivemos. Vamos tentar transmitir o que se passa aqui. Não o que ouvimos dizer... "
 

Malai Azul. Lives in East Timor/Dili, speaks Portuguese and English.
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