terça-feira, maio 06, 2008

EAST TIMOR: No Solution in Sight for Army Deserters

DILI, May 5 (IPS) - While Gastao Salsinha -- leader of the group of renegades accused of attempting to assassinate President Jose Ramos-Horta on Feb. 11 -- has surrendered, there is little sign of amicable rehabilitation for some 600 army deserters.

Most of the deserters, called petitioners, reject the solution offered by the government to reapply to join the Falintil-Forças de Defesa de Timor Leste (F-FDTL) as fresh recruits.

"All of us want to go back to F-FDTL but we don't want to reapply, otherwise it is better for all of us to be out of there. They (authorities) need to understand that there are 600 of us and our families,'' Roberto (not real name), a 25-year-old petitioner who now resides with the other renegades in their cantonment in Ai-Tarak Laran in Dili, told IPS in a secret interview.

The Dili government had earlier decided to sack the renegade soldiers, most of whom had deserted their barracks in 2006 after claiming to have been discriminated against in the matter of promotion and benefits.

Until now there has been no satisfactory solution to the serious internal rift within the army running along regional lines. The sacking of the deserters had triggered violence that left 37 people dead and caused 150,000 others to flee their homes.

Many see the attempt on Ramos Horta's life as one more episode in a bitter dispute between the government and the renegades over perceptions of regional discrimination. Salsinha had taken over command of the rebels after their leader, Alfredo Reinado, was killed in the attempt on the President’s life, but has since been negotiating the surrender that took place on Tuesday.

But the government has not taken kindly to the petitioners’ demand for unconditional rehabilitation within the F-FDTL. ''The government is not open for negotiation," Joaquim Fonseca, advisor to East Timor's prime minister, told IPS.

The petitioners' demand has been reiterated by Salsinha after his surrender, according to a source in the United Movement for National Justice (MUNJ), which backed the petitioners through the 2006 political conflict. "They deserted their barracks because they wanted to help fix problems within their institution,'' the MUNJ source told IPS, asking not to be named.

“I ran away from the barracks not to be sacked. I did it because I was discriminated against and I wanted to help solve the problems within F-FDTL," said Roberto angrily.

The government's decision has turned Roberto's life upside down. As the only son of a poor farmer family, Roberto has to support his aged parents as also five sisters.

Like others in the barracks, Roberto blamed politicians for ''exploiting the problems of the petitioners'' and then leaving them in the lurch.

Allegations of discrimination within the F-FDTL were a contentious political issue in 2006, and one of the parties that harped on the issue during the presidential and parliamentary elections is the Democratic Party (PD) that is headed by Fernando Lasama de Araujo, a leading politician.

Through its youth wing, Pemuda Demokrat (Democratic Youth), the petitioners’ issue was used to mobilize people from districts to come to Dili and demonstrate against the government, then run by the Fretilin party.

"Pemuda Demokrat used the petitioners’ issue to consolidate and mobilize the masses to support Fernando Lasama for president and to vote for PD during the national parliament election,’’ said Mateus Xavier, a PD advocacy coordinator.

PD had also asked the petitioners to lend their support to Horta for the 2007 - 2012 presidential terms. One of the points of political agreement that was signed between Horta and Fernando Lasama during the second round of the presidential election campaign was that petitioners would continue to be recognized as members of the F-FDTL.

That agreement was subsequently forgotten and the government later decided to formally sack the petitioners.

"It is a major concession on F-FDTL (offer to allow the petitioners to reapply as fresh recruits). They are now flexible. Discipline in the army is strict, you cannot go in and out as you please,'' said Ramos Horta at a press conference on his return to Dili after undergoing surgery in Australia for gunshot wounds.

Vital dos Santos, PD parliamentarian, sympathized with the petitioners' grievances. He told IPS that the "petitioners have become victims of the political leaders' ambitions... it is not fair. They don't have the motivation to launch a coup’’.

That the petitioners' problems were politicized was acknowledged in the draft report of a high-level commission that was set up to inquire into the 2006 events. The report states: "The petitioners feel that the situation (in F-FDTL) is not in their favour, so they tried to find a solution, but outside political intervention provoked a bigger crisis. This was aggravated by political actions (demonstrations), military actions (shoot outs), organized violence that affected peoples' lives."

Tiago Sarmento, a former member of the commission, told IPS that the ''discrimination and indisciplinary acts within the institution (F-FDTL) were often politicized".

As a member of the Majority Parliament Alliance, East Timor's ruling coalition, PD cannot escape blame, Sarmento said. ‘’PD actively used petitioners to garner support and come to power.’’

Santos however rejected the accusation. ‘’Their (petitioners’’) problems cannot be solved only by the PD. We want the government and petitioners to have dialogue.’’

While the government has rejected any dialogue, the petitioners have strong backers within the PD. ''We still demand that the petitioners go back to F-FDTL, otherwise the crisis will not be over soon,'' Xavier told IPS.

Tradução:

TIMOR-LESTE: Não há solução à vista para desertores das forças armadas

DILI, Maio 5 (IPS) – Enquanto Gastão Salsinha – líder do grupo de desertores acusados de tentativa de assassínio do Presidente José Ramos-Horta em 11 de Fevereiro – se rendeu, há poucos sinais de re-habilitação amigável para alguns 600 desertores das forças armadas.

A maioria dos desertores, chamados peticionários, rejeitaram a solução oferecida pelo governo para se re-candidatarem à Falintil-Forças de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL) como novos recrutas.

"Todos nós queremos regressar às F-FDTL mas não queremos re-candidatarmos, doutro modo é melhor para todos nós estar fora daqui. Eles (autoridades) precisam de entender que somos 600 e que temos famílias,'' disse Roberto (não é nome verdadeiro, um peticionário de 25 anos que reside agora com os outros desertores no acantonamento em Ai-Tarak Laran em Dili, à IPS numa entrevista secreta.

O governo de Dili tinha antes decidido despedir os soldados desertores, a maioria dos quais tinham desertado dos seus quartéis em 2006 depois de se queixarem terem sido discriminados na questão das promoções e benefícios.

Até agora não houve solução satisfatória no sério conflito dentro das forças armadas que corre ao longo de linhas regionais. O despedimento dos desertores desencadeou violência que deixou 37 pessoas mortas e fez com que 150,000 outras fugissem das suas casas.

Muitos vêem o atentado contra a vida de Ramos Horta como mais um episódio numa amarga disputa entre o governo e os desertores sobre a percepção da discriminação regional. Salsinha tinha tomado o comando dos amotinados depois do antigo líder, Alfredo Reinado, ser morto num atentado à vida do Presidente, mas tem andado a negociar a rendição que ocorreu na Terça-feira.

Mas o governo não aceitou bem o pedido dos peticionários de re-habilitação incondicional dentro das F-FDTL. ''O governo não está aberto para negociar," disse à IPS Joaquim Fonseca, conselheiro do primeiro-ministro de Timor-Leste.

O pedido dos peticionários tem sido reiterado por Salsinha depois da rendição, de acordo com uma fonte do Movimento de Unidade Nacional e Justiça (MUNJ), que apoiou os peticionários através do conflito político de 2006. "Eles desertaram dos quartéis porque queriam resolver os problemas dentro das suas instituições,'' disse a fonte do MUNJ à IPS, pedindo para não ser identificado.

“Eu fugi do quartel para não ser despedido. Fiz isso porque estava a ser discriminado e queria ajudar a resolver os problemas dentro das F-FDTL," disse Roberto zangado.

A decisão do governo virou a vida de Roberto de cima abaixa. Como único filho duma pobre família de agricultores, Roberto tem de ajudar os seus pais idosos e cinco irmãs.

Como outros nos quartéis, Roberto culpou políticos por ''explorarem os problemas dos peticionários'' e depois deixaram-nos ao abandono.

Alegações de discriminação dentro das F-FDTL foram uma questão política contenciosa em 2006, e um dos partidos que fez barulho com a questão durante as eleições presidenciais e parlamentares é o Partido Democrático (PD) que é liderado por Fernando Lasama de Araújo, um político de topo.

Através da sua ala juvenil, Pemuda Demokrat (Juventude Democrática), a questão dos peticionários foi usada para mobilizar pessoas dos distritos para virem para Dili e manifestarem-se contra o governo, então conduzido pela Fretilin.

"Pemuda Demokrat usou a questão dos peticionários para consolidar e mobilizar as massas para apoiar Fernando Lasama para presidente e para votar no PD nas eleições nacionais para o parlamento,’’ disse Mateus Xavier, um coordenador de apoio do PD .

O PD tinha também pedido aos peticionários para darem apoio a Horta para o periodo presidencial 2007 - 2012. Um dos pontos do acordo político que foi assinado entre Horta e Fernando Lasama durante a segunda volta da campanha das eleições presidenciais era que os peticionários continuariam a ser reconhecidos como membros das F-FDTL.

Esse acordo foi subsequentemente esquecido e o governo mais tarde decidiu despedir formalmente os peticionários.

"É uma grande concessão às F-FDTL (a oferta de autorizar os peticionários a re-candidatarem-se como novos recrutas). Eles agora são flexíveis. A disciplina nas forças armadas é estrita, não se pode entrar e sair conforme os apetites,'' disse Ramos Horta numa conferência de imprensa no seu regresso a Dili depois de ter sido operado na Austrália por feridas de balas.

Vital dos Santos, deputado do PD, simpatizou com as queixas dos peticionários. Disse à IPS que os "peticionários se tornaram vítimas das ambições dos líderes políticos... isso não é justo. Eles não têm motivação para lançar um golpe’’.

Que os problemas dos peticionários foram politicizados foi reconhecido no relatório da comissão de alto nível que foi montada para investigar os eventos de 2006. O relatório afirma: "Os peticionários sentem que a situação (nas F-FDTL) não os favorecia, então tentaram encontrar uma solução, mas a intervenção política externa provocou uma crise maior. Isso foi agravado por acções políticas (manifestações), acções militares (tiroteios), violência organizada que afectou as vidas das pessoas."

Tiago Sarmento, um antigo membro da comissão, disse à IPS que os 'actos de 'discriminação e de indisciplina dentro da instituição (F-FDTL) foram muitas vezes politicizados".

Como membro da Aliança da Maioria Parlamentar, a coligação no poder em Timor-Leste, o PD não pode escapar da culpa, disse Sarmento. ‘’O PD usou activamente os peticionários para ganhar apoio e vir para o poder.’’

Santos contudo rejeitou a acusação. ‘’Os problemas deles (peticionários’’) não podem ser resolvidos apenas pelo PD. Queremos que o governo e os peticionários tenham diálogo.’’

Ao mesmo tempo que o governo rejeitou qualquer diálogo, os peticionários têm forte apoio dentro do PD. ''Continuamos a pedir que os peticionários regressem às F-FDTL, de outro modo a crise não acaba em breve,'' disse Xavier à IPS.

1 comentário:

Margarida disse...

Tradução:

TIMOR-LESTE: Não há solução à vista para desertores das forças armadas
DILI, Maio 5 (IPS) – Enquanto Gastão Salsinha – líder do grupo de desertores acusados de tentativa de assassínio do Presidente José Ramos-Horta em 11 de Fevereiro – se rendeu, há poucos sinais de re-habilitação amigável para alguns 600 desertores das forças armadas.

A maioria dos desertores, chamados peticionários, rejeitaram a solução oferecida pelo governo para se re-candidatarem à Falintil-Forças de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL) como novos recrutas.

"Todos nós queremos regressar às F-FDTL mas não queremos re-candidatarmos, doutro modo é melhor para todos nós estar fora daqui. Eles (autoridades) precisam de entender que somos 600 e que temos famílias,'' disse Roberto (não é nome verdadeiro, um peticionário de 25 anos que reside agora com os outros desertores no acantonamento em Ai-Tarak Laran em Dili, à IPS numa entrevista secreta.

O governo de Dili tinha antes decidido despedir os soldados desertores, a maioria dos quais tinham desertado dos seus quartéis em 2006 depois de se queixarem terem sido discriminados na questão das promoções e benefícios.

Até agora não houve solução satisfatória no sério conflito dentro das forças armadas que corre ao longo de linhas regionais. O despedimento dos desertores desencadeou violência que deixou 37 pessoas mortas e fez com que 150,000 outras fugissem das suas casas.

Muitos vêem o atentado contra a vida de Ramos Horta como mais um episódio numa amarga disputa entre o governo e os desertores sobre a percepção da discriminação regional. Salsinha tinha tomado o comando dos amotinados depois do antigo líder, Alfredo Reinado, ser morto num atentado à vida do Presidente, mas tem andado a negociar a rendição que ocorreu na Terça-feira.

Mas o governo não aceitou bem o pedido dos peticionários de re-habilitação incondicional dentro das F-FDTL. ''O governo não está aberto para negociar," disse à IPS Joaquim Fonseca, conselheiro do primeiro-ministro de Timor-Leste.

O pedido dos peticionários tem sido reiterado por Salsinha depois da rendição, de acordo com uma fonte do Movimento de Unidade Nacional e Justiça (MUNJ), que apoiou os peticionários através do conflito político de 2006. "Eles desertaram dos quartéis porque queriam resolver os problemas dentro das suas instituições,'' disse a fonte do MUNJ à IPS, pedindo para não ser identificado.

“Eu fugi do quartel para não ser despedido. Fiz isso porque estava a ser discriminado e queria ajudar a resolver os problemas dentro das F-FDTL," disse Roberto zangado.

A decisão do governo virou a vida de Roberto de cima abaixa. Como único filho duma pobre família de agricultores, Roberto tem de ajudar os seus pais idosos e cinco irmãs.

Como outros nos quartéis, Roberto culpou políticos por ''explorarem os problemas dos peticionários'' e depois deixaram-nos ao abandono.

Alegações de discriminação dentro das F-FDTL foram uma questão política contenciosa em 2006, e um dos partidos que fez barulho com a questão durante as eleições presidenciais e parlamentares é o Partido Democrático (PD) que é liderado por Fernando Lasama de Araújo, um político de topo.

Através da sua ala juvenil, Pemuda Demokrat (Juventude Democrática), a questão dos peticionários foi usada para mobilizar pessoas dos distritos para virem para Dili e manifestarem-se contra o governo, então conduzido pela Fretilin.

"Pemuda Demokrat usou a questão dos peticionários para consolidar e mobilizar as massas para apoiar Fernando Lasama para presidente e para votar no PD nas eleições nacionais para o parlamento,’’ disse Mateus Xavier, um coordenador de apoio do PD .

O PD tinha também pedido aos peticionários para darem apoio a Horta para o periodo presidencial 2007 - 2012. Um dos pontos do acordo político que foi assinado entre Horta e Fernando Lasama durante a segunda volta da campanha das eleições presidenciais era que os peticionários continuariam a ser reconhecidos como membros das F-FDTL.

Esse acordo foi subsequentemente esquecido e o governo mais tarde decidiu despedir formalmente os peticionários.

"É uma grande concessão às F-FDTL (a oferta de autorizar os peticionários a re-candidatarem-se como novos recrutas). Eles agora são flexíveis. A disciplina nas forças armadas é estrita, não se pode entrar e sair conforme os apetites,'' disse Ramos Horta numa conferência de imprensa no seu regresso a Dili depois de ter sido operado na Austrália por feridas de balas.

Vital dos Santos, deputado do PD, simpatizou com as queixas dos peticionários. Disse à IPS que os "peticionários se tornaram vítimas das ambições dos líderes políticos... isso não é justo. Eles não têm motivação para lançar um golpe’’.

Que os problemas dos peticionários foram politicizados foi reconhecido no relatório da comissão de alto nível que foi montada para investigar os eventos de 2006. O relatório afirma: "Os peticionários sentem que a situação (nas F-FDTL) não os favorecia, então tentaram encontrar uma solução, mas a intervenção política externa provocou uma crise maior. Isso foi agravado por acções políticas (manifestações), acções militares (tiroteios), violência organizada que afectou as vidas das pessoas."

Tiago Sarmento, um antigo membro da comissão, disse à IPS que os 'actos de 'discriminação e de indisciplina dentro da instituição (F-FDTL) foram muitas vezes politicizados".

Como membro da Aliança da Maioria Parlamentar, a coligação no poder em Timor-Leste, o PD não pode escapar da culpa, disse Sarmento. ‘’O PD usou activamente os peticionários para ganhar apoio e vir para o poder.’’

Santos contudo rejeitou a acusação. ‘’Os problemas deles (peticionários’’) não podem ser resolvidos apenas pelo PD. Queremos que o governo e os peticionários tenham diálogo.’’

Ao mesmo tempo que o governo rejeitou qualquer diálogo, os peticionários têm forte apoio dentro do PD. ''Continuamos a pedir que os peticionários regressem às F-FDTL, de outro modo a crise não acaba em breve,'' disse Xavier à IPS.

Traduções

Todas as traduções de inglês para português (e também de francês para português) são feitas pela Margarida, que conhecemos recentemente, mas que desde sempre nos ajuda.

Obrigado pela solidariedade, Margarida!

Mensagem inicial - 16 de Maio de 2006

"Apesar de frágil, Timor-Leste é uma jovem democracia em que acreditamos. É o país que escolhemos para viver e trabalhar. Desde dia 28 de Abril muito se tem dito sobre a situação em Timor-Leste. Boatos, rumores, alertas, declarações de países estrangeiros, inocentes ou não, têm servido para transmitir um clima de conflito e insegurança que não corresponde ao que vivemos. Vamos tentar transmitir o que se passa aqui. Não o que ouvimos dizer... "
 

Malai Azul. Lives in East Timor/Dili, speaks Portuguese and English.
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