quarta-feira, junho 06, 2007

Timor-Leste: PR Ramos-Horta em Jacarta com estudantes e um rochedo na agenda

Lusa – 4 Junho 2007
Jacarta, Pedro Rosa Mendes, da Agência Lusa - José Ramos-Horta chegou hoje a Jacarta, Indonésia, para a sua primeira visita ao estrangeiro como Presidente da República timorense, com a delimitação das fronteiras terrestres e a situação dos estudantes na agenda de encontros bilaterais. O Presidente da República de Timor-Leste, que chegou a Jacarta cerca das 16:30 (09:00 em Lisboa), foi directamente para o Cemitério dos Heróis de Kalibata, onde estão sepultados aqueles que receberam uma das condecorações nacionais da República - incluindo os militares indonésios mortos durante a ocupação de Timor-Leste.

O cemitério foi inicialmente construído em 1953.

José Ramos-Horta encontrou-se depois com a comunidade timorense na capital indonésia, oportunidade para contactar e ouvir alguns dos muitos estudantes timorenses em Jacarta.
Há actualmente 1646 estudantes timorenses na Indonésia, sobretudo nas áreas de Engenharia, Economia e Agronomia, segundo o adido de Educação da embaixada de Timor-Leste em Jacarta, Paulino Henrique Ribeiro.

Na terça-feira, José Ramos-Horta abordará no encontro bilateral com as autoridades indonésias, a simplificação da concessão de vistos e a atribuição de bolsas aos estudantes timorenses, explicou o adido de Educação timorense.

Não existe nenhum programa específico de bolsas para timorenses na Indonésia, desde que terminou em 2005 o apoio concedido durante cinco anos pela Fundação Calouste Gulbenkian a 150 estudantes, explicou Paulino Henrique Ribeiro à Lusa.

"Os estudantes sobrevivem pelos seus próprios meios", acrescentou o adido, sublinhando que a primeira despesa é com o visto indonésio.

O visto ordinário para seis meses na Indonésia custa cerca de 250 dólares e a renovação, com a obtenção de uma autorização de residência pelo ministério da Educação indonésio, custa mais o equivalente a 60 dólares, uma soma avultada para o rendimento médio das famílias timorenses.
Outro assunto nas discussões bilaterais durante a visita oficial de José Ramos-Horta é a delimitação das fronteiras terrestres, um processo negocial e de trabalho técnico, iniciado ainda antes da independência de Timor-Leste, em 2002.

"Falta apenas chegar a acordo sobre um por cento das fronteiras terrestres com a Indonésia", declarou à Lusa o principal negociador timorense, Arcanjo Leite, director nacional da Administração do Território.

"Existem condições para que durante esta visita terminemos a questão do ponto de vista político, para depois definir no terreno", no âmbito da subcomissão técnica de delimitação e regulação de fronteiras.

As negociações da definição das fronteiras terrestres entre Timor-Leste e a Indonésia estiveram paradas quase um ano, em parte devido à crise política e militar de 2006, explicou Arcanjo Leite.

Em Dezembro de 2005, delegações dos dois países encontraram-se em Surabaia, Indonésia. No seguimento dessa reunião, um outro encontro bilateral devia ter acontecido em Díli, mas nunca chegou a realizar-se.

Nessa altura, havia desacordo sobre quatro por cento da extensão das fronteiras comuns e a reunião de Surabaia permitiu um acordo político sobre três por cento.

"Tecnicamente, no entanto, não se fez nada mesmo quanto à parte que foi resolvida politicamente", explicou Arcanjo Leite.

"Politicamente não há desacordo, há apenas diferenças de interpretação da aplicação dos tratados de 1904 e de 1915" entre Portugal e a Holanda, as antigas potências coloniais das duas partes da ilha de Timor.

Um dos últimos pontos de discórdia na delimitação fronteiriça entre os dois países é no enclave timorense de Oécussi, onde a Indonésia disputa o ilhéu de Fatu Sinai ("Pedra Sinai", traduzindo à letra da língua tétum), a que os indonésios chamam Batek.

"É um rochedo do tamanho de um campo de futebol, desabitado mas onde desde sempre as populações baiqueno de Oécussi realizam todos os anos cerimónias tradicionais em Fatu Sinai", explicou Arcanjo Leite.
O ilhéu fica muito perto da costa, num ponto do litoral de Oécussi entre dois braços de uma ribeira que faz a fronteira entre Indonésia e o enclave. Na altura da assinatura do tratado sobre a fronteira de Oécussi, em 1915, existia apenas uma ribeira.

Outra vertente da fixação das fronteiras é a sua marcação, com novecentos pilares ao longo de toda a extensão da fronteira principal e no enclave de Oécussi. Em 2005, foram colocados cinquenta marcos, afirmou Arcanjo Leite. O resto está por colocar, o que em muitas áreas não é tarefa fácil.

A delimitação da fronteira terrestre tem também consequências com a posterior definição da fronteira marítima, um assunto sensível porque, como acontece com a Austrália, envolve o acesso e a partilha de recursos do Mar de Timor.

A visita de José Ramos-Horta, que regressa quarta-feira a Díli, prevê um encontro com o Presidente indonésio, Susilo Bambang Yudhoyono, com os embaixadores dos países lusófonos em Jacarta e com potenciais investidores indonésios.
Lusa/Fim

Timor-Leste: "Não podemos ser reféns do passado" - Ramos Horta com PR indonésio

Lusa – 5 Junho 2007 - 07:14

Jacarta - O presidente de Timor-Leste, José Ramos Horta, declarou hoje em Jacarta estar satisfeito com o trabalho da comissão mista sobre a violência de 1999, cujo mandato foi alargado por seis meses por acordo entre os dois países.

"Não podemos ser reféns do passado", afirmou o Presidente da República timorense no Palácio Presidencial, na conferência de imprensa conjunta com o chefe de Estado indonésio, Susilo Bambang Yudhoyono, integrada na visita oficial à Indonésia, a primeira viagem ao estrangeiro desde a posse, em Maio.

"Elogio a coragem, o profissionalismo e a integridade dos comissários dos nossos dois países que tomaram em mãos a tarefa que lhes foi atribuída", afirmou José Ramos Horta sobre a Comissão da Verdade e Amizade (KKP).

"Os nossos dois países concordaram em resolver os nossos problemas passados dentro dos princípios de amizade e da reconciliação e não através da justiça, neste contexto", declarou Susilo Bambang Yudhoyono quando questionado pela Lusa sobre se concorda com as amnistias previstas para os culpados de crimes cometidos em Timor-Leste.

"Foi dentro desse espírito que decidimos criar a KKP para lidar com o assunto", acrescentou o Presidente indonésio.

Um grupo alargado de organizações de direitos humanos pediu recentemente aos dois chefes de Estado que encerrem a KKP, que acusam de não ter nem credibilidade nem legitimidade.

"É óbvio pelo seu mandato e pelo seu desempenho que a KKP não é um mecanismo credível para a procura de justiça nem sequer da verdade sobre os acontecimentos em Timor-Leste em 1999, muito menos entre 1975 e 1999", acusa uma plataforma de 30 organizações timorenses, indonésias e internacionais.

PRM-Lusa/Fim

Timor-Leste: Ramos Horta e Susilo alargam mandato da Comissão da Verdade

Lusa – 5 Junho 2007 - 08:52

Jacarta - Timor-Leste e Indonésia alargaram o mandato da Comissão da Verdade e Amizade (KKP) por mais seis meses, anunciaram hoje em Jacarta os dois chefes de Estado.

O anúncio foi feito após uma reunião bilateral em que a educação, o investimento e a delimitação de fronteiras estiveram também na agenda.

"Não podemos ser reféns do passado e temos que seguir em frente com coragem", afirmou José Ramos Horta na conferência de imprensa conjunta após a reunião com o Presidente indonésio, Susilo Bambang Yudhoyono, na sua primeira viagem oficial ao estrangeiro desde a eleição para a chefia do Estado, em Maio.

A KKP, que tem comissários de ambos os países, foi criada em Agosto de 2005 para apurar as responsabilidades na violência em Timor-Leste antes do referendo pela independência e nas semanas após o anúncio da vitória do "sim", que terão provocado mais de mil vítimas e a destruição de grande parte da capital timorense.

A KKP decidiu, em Janeiro de 2007, deixar ao critério dos governos de Díli e de Jacarta a concessão de amnistias para quem for considerado culpado desses crimes.

Questionado pela Lusa sobre esta amnistia, o Presidente indonésio declarou que Timor-Leste e Indonésia "concordaram em resolver os problemas do passado dentro dos princípios de amizade e da reconciliação e não através da justiça, neste contexto", declarou Susilo Bambang Yudhoyono.

"Foi dentro desse espírito que decidimos criar a KKP para lidar com o assunto", acrescentou o Presidente indonésio na conferência de imprensa no Palácio Presidencial.

José Ramos Horta concordou com a posição do chefe de Estado indonésio e elogiou "a coragem, o profissionalismo e a integridade dos comissários” que tomaram em mãos a tarefa que lhes foi atribuída por Susilo Susilo Bambang Yudhoyonon e pelo ex-Presidente Xanana Gusmão.

"Acredito que a KKP vai satisfazer as pessoas de ambos os lados e criará um precedente para outros países lidarem com situações semelhantes", acrescentou José Ramos Horta.

"Apoiei a KKP desde o início no sentido de que os dois países têm que olhar em frente. Nas relações entre países através da História, em qualquer lado, há lições positivas, há experiências positivas, há também experiências negativas e dramáticas que acontecem", sublinhou o Presidente timorense.

"É o caso da própria Indonésia, onde há uma diversidade de experiências por que as pessoas passaram através de gerações", referiu.

"No meu país sabem que nunca escondi os meus pontos de vista sobre este aspecto e ainda assim fui eleito com quase setenta por cento dos votos", explicou José Ramos Horta.

"A recepção entusiasta ao Presidente Susilo na visita do ano passado a Timor-Leste não foi uma manifestação organizada, foi espontânea, expressão genuína do povo timorense, melhor do que qualquer coisa que tenha sido dito ou feito", notou ainda o Nobel da Paz.

Um grupo alargado de organizações de direitos humanos pediu recentemente numa carta aberta aos dois chefes de Estado que encerrem a KKP, acusando a comissão de falta de credibilidade e de legitimidade.

"É óbvio pelo seu mandato e pelo seu desempenho que a KKP não é um mecanismo credível para a procura de justiça nem sequer da verdade sobre os acontecimentos em Timor-Leste em 1999, muito menos entre 1975 e 1999", acusou a plataforma de trinta organizações timorenses, indonésias e internacionais.

Dos dezoito acusados na Indonésia de envolvimento nos acontecimentos de 1999, apenas um foi condenado e os outros foram sendo absolvidos em diferentes instâncias.

A única condenação é a do ex-comandante de todas as milícias integracionistas de Díli, Eurico Guterres, que testemunhou também perante a KPP.

"Desde a sua criação, a KKP tem muitos problemas, incluindo falta de legitimidade, ausência de qualquer método claro para análise de provas existentes sobre a violência de 1999, sérias deficiências nas audiências públicas, falta de transparência e clareza", acusa a carta aberta divulgada no final de Maio.
PRM- Lusa/Fim

Timor-Leste: PR indonésio quer mais investimento em Timor-Leste

Lusa – 5 Junho 2007 - 10:45

Jacarta - O Presidente indonésio, Susilo Bambang Yudhoyono defendeu hoje "o reforço do investimento e da cooperação da Indonésia com Timor-Leste", após um encontro com o seu homólogo timorense, José Ramos-Horta.

"As relações entre os dois países são boas mas nós queremos reforçar a cooperação em várias áreas", afirmou Susilo Bambang Yudhoyono, durante a conferência conjunta dos dois chefes de Estado. Os dois Presidentes tiveram durante a manhã uma reunião de trabalho, principal ponto da agenda da primeira visita ao estrangeiro do novo chefe de Estado timorense.

"O comércio com Timor-Leste é bom mas gostaríamos de reforçar esta relação", acrescentou o Presidente indonésio, citando o exemplo dos principais investidores da Indonésia no país, como a companhia aérea Merpati, a empresa de combustíveis Pertamina ou o banco Mandiri.

"Queremos que mais empresas indonésias invistam em Timor-Leste e sugeri ao Presidente Ramos-Horta que os empresários timorenses e indonésios deviam ter uma relação mais próxima".

Como lembrou o Presidente timorense, "entre setenta a oitenta por cento do comércio externo de Timor-Leste é com a Indonésia".

Susilo Bambang Yudhoyono referiu saber que o bahasa indonésio "é uma língua de trabalho em Timor-Leste" e defendeu a criação, em breve, de um departamento de língua na Universidade Nacional timorense.

Sobre a situação de segurança na fronteira entre os dois países, o Presidente indonésio explicou que a decisão de a Indonésia fechar os postos da fronteira terrestre, que aconteceu duas vezes este ano, tem por objectivo "evitar que as relações bilaterais sejam afectadas".

Yudhoyono adiantou que os dois países estão a estudar mecanismos que permitam manter o controlo apertado das fronteiras sem impedir o trânsito "tradicional" da fronteira comum.
O traçado das fronteiras terrestres de Timor-Leste com a Indonésia foi um dos pontos na agenda do encontro bilateral de hoje.

Susilo Bambang Yudhoyono declarou que apenas resta chegar a acordo sobre três por cento do traçado, embora parte desta linha esteja politicamente resolvida, faltando concretizá-la no terreno, conforme explicou à Lusa o principal negociador timorense na matéria, Arcangelo Leite.

"Falta apenas chegar a acordo sobre um por cento das fronteiras terrestres com a Indonésia", afirmou Arcangelo Leite, director nacional da Administração do Território.

As negociações da definição das fronteiras terrestres entre Timor-Leste e a Indonésia estiveram paradas quase um ano, após uma ronda negocial em Dezembro de 2005, em parte devido à crise política e militar de 2006 em Timor-Leste, explicou Arcangelo Leite.

"Tecnicamente, não se fez nada mesmo quanto à parte que foi resolvida politicamente" na negociação anterior, em Surabaia, afirmou o responsável.

Um dos últimos pontos de discórdia na delimitação fronteiriça entre os dois países é no enclave timorense de Oécussi, onde a Indonésia disputa o ilhéu de Fatu Sinai ("Pedra Sinai", traduzindo à letra da língua tétum), a que os indonésios chamam Batek, no subdistrito de Pessabe.

Na conferência de imprensa de hoje, nenhum dos chefes de Estado fez referência ao esperado acordo sobre Fatu Sinai, "um ilhéu do tamanho de um campo de futebol", como diz Arcangelo Leite. PRM-Lusa/fim

Timor-Leste renews bid for ASEAN membership

Xinhua – June 05, 2007 - 17:48

Jakarta - Timor-Leste President Jose Ramos Horta Tuesday reiterated his country's call to become a member of the Association of Southeast Asian Nations (ASEAN) during his first overseas trip as president to Indonesia.

"Joining with the ASEAN will make our regional diplomacy complete," he told a press conference after a meeting with his Indonesian counterpart Susilo Bambang Yudhoyono at the Merdeka Palace here.

Horta also thanked the Indonesian government for persuading fellow ASEAN members to accept Timor-Leste's entry.

The Asia's newest country has openly expressed willingness to become the 11th member of the regional grouping since the ASEAN Summit in Malaysia in 2005.

ASEAN comprises Brunei, Cambodia, Indonesia, Laos, Malaysia, Myanmar, Singapore, Thailand, the Philippines and Vietnam.

Violência pré-eleitoral deixa três mortos no Timor-Leste

EFE – 5 Junho 2007 - 02:04

Díli - Pelo menos três pessoas morreram nos violentos incidentes entre militantes do partido governamental Fretilin e do Conselho Nacional de Reconstrução do Timor (CNRT), os dois favoritos nas eleições legislativas de 30 de junho, informou hoje a Comissão Nacional Eleitoral (CNE).

O sacerdote Martinho Gusmão, porta-voz da CNE, disse à imprensa que dois membros do Fretilin, de 18 e 24 anos, foram mortos a tiros por um policial no domingo. Os dois estavam bloqueando uma estrada em Viqueque, 250 quilômetros a leste de Díli.

Gusmão confirmou além disso que a terceira vítima, Alfonso Guterres, um encarregado da segurança do CNRT, foi baleado por dois policiais fora de serviço durante um ato de campanha eleitoral no domingo, também em Viqueque.

"Isto não é uma campanha parlamentar, e sim uma campanha criminal. Pedimos ao Procurador-geral que investigue os incidentes", disse Gusmão.

O religioso denunciou que "alguns policiais não são imparciais e se tornaram militantes do Fretlin, usando as armas do Estado para assassinar seu povo".

Gusmão acrescentou que a tensão em Viqueque e em vários distritos da cidade aumentou após as três mortes. Além disso, militantes do Fretilin teriam organizado um desfile para celebrar a morte de Alfonso Guterres.

No entanto, o porta-voz do Fretilin, José Texeira, disse à Efe que não houve o desfile. Ele também negou qualquer participação de seu partido no assassinato de Guterres.

Horta começa a pagar a conta...

Susilo pleased with Indonesian language use in Timor-Leste



The Indonesian government was grateful and delighted with the use of Bahasa Indonesia as one of the official languages in neighboring Timor-Leste, President Susilo Bambang Yudhoyono said Tuesday.

"I really appreciate and welcome the use of Bahasa Indonesia as an official language in Timor-Leste," he said in a joint conference with his Timor-Leste counterpart Jose Ramos Horta here.

"We hope universities in Timor-Leste will open Bahasa Indonesia department to help strengthen bilateral ties," he said.

Horta at the end of his remarks said he hoped he would be able to deliver speeches fully in the Indonesian language in his next visits to the neighbor.

Most of the people in Timor-Leste understand and still use Bahasa Indonesia in daily lives.

Timor-Leste was under the Jakarta rule for 24 years before it gained independence following a UN-sponsored referendum in 1999. The half-island country officially proclaimed independence in May 2002.

Source: Xinhua

terça-feira, junho 05, 2007

DIZ COM QUEM ANDAS DIR-TE-EI QUEM ÉS!

Blog timor-lorosae-nacao
por: Ana Loro Metan
MARTINHO Germano da Silva GUSMÃO

PORTA-VOZ DA CNE É RESPONSAVEL DA CAMPANHA DO CNRT!

A falta de isenção da Comissão Nacional de Eleições timorense está seriamente posta em causa uma vez mais. Durante as eleições presidenciais deparámos com o ineditismo do porta-voz da CNE tomar posição preferencial por determinado candidato – Lasama - em vez de manter a sua isenção por respeito ao cargo que desempenha.

Desta vez a realidade veio demonstrar a impunidade com que Martinho Gusmão, aliás, Germano da Silva, aliás, sacerdote e docente da diocese de Baucau, aliás, responsável de campanha do CNRT, aliás, porta-voz da CNE de Timor-Leste, acumula todos estes cargos e faz da trapaça, da ocultação e deslealdade o seu oficio.

Em declarações prestadas à Lusa, em Viqueque, após os incidentes, Martinho Gusmão tinha vestido a pele de Germano da Silva, sendo referido pelo repórter assim: «O polícia acertou primeiro numa perna e depois deu três tiros na cabeça do segurança», relatou à Lusa, poucos minutos após o incidente, Germano da Silva, um dos organizadores da campanha do CNRT em Viqueque.”

Um dia depois, na qualidade de porta-voz da CNE, sobre este endiabrado sacerdote constava de um despacho da Efe o seguinte: ”O sacerdote Martinho Gusmão, porta-voz da CNE, disse à imprensa que dois membros do CNRT, de 18 e 24 anos, foram mortos a tiros por um polícia no domingo. Os dois estavam bloqueando uma estrada em Viqueque, 250 quilómetros a leste de Díli.” E mais à frente: "Isto não é uma campanha parlamentar e sim uma campanha criminal. Pedimos ao Procurador-geral que investigue os incidentes", disse Gusmão. ”E ainda: “O religioso denunciou que "alguns policias não são imparciais e tornaram-se militantes da Fretilin, usando as armas do Estado para assassinar o povo".

Afinal, como se pode acreditar num aldrabão tão multifacetado, de tripla personalidade, que tenta enganar tudo e todos trocando os seus nomes e apelidos, exercendo cargos partidários ao mesmo tempo que pertence à CNE. Onde estará a isenção deste grande aldrabão? E da CNE?

Quem põe cobro a isto?Xanana Gusmão poderá dizer, com verdade, que não sabe desta tramóia? Que não sabe que existem armas automáticas na sua campanha? Que não sabe que as verdades são como o azeite e que ele já não pode fazer que ignora que o CNRT está repleto de facínoras e aldrabões? Não basta ter razão quando aponta defeitos e erros cometidos pelos seus adversários políticos, Fretilin. Xanana e o CNRT têm de dar provas que estão de boa fé, que são gente de bem, patriotas e que os interesses dos timorenses estão acima dos interesses e promoções pessoais. Assim não acontece, estando Xanana e o CNRT a mostrar aquilo que pretendem para Timor: instabilidade, dependência, miséria!

Diz-me com quem andas dir-te-ei quem és!

Indonesia, East Timor extend truth panel, say no to prosecutions

Posted : Tue, 05 Jun 2007 08:08:01GMT
Author : DPA

Earthtimes.org

Jakarta - Indonesia and its former colony East Timor agreed Tuesday to extend by six months the work of a joint truth commission tasked at gathering the facts surrounding Indonesia's military rampage ahead of East Timor's 1999 vote for independence. The commission's mandate now extends until February.

At a joint press conference in Jakarta after holding talks with East Timor President Jose Ramos Horta, Indonesian President Susilo Bambang Yudhoyono said the two countries also agreed that the truth and friendship commission would not prosecute anyone found guilty of human-rights abuses surrounding the balloting eight years ago.

Human-rights groups have criticized the commission because it lacks the ability to bring senior members of the Indonesian Armed Forces to justice for ordering military-backed militias to massacre Timorese civilians and raze villages.

"Both of our governments - East Timor and Indonesia - agreed and are committed to solving our past problems based on the principle of truth, friendship and reconciliation, not through the judicial system," Yudhoyono said.

The Indonesia-East Timor Commission of Truth and Friendship, similar to South Africa's post-apartheit Truth and Reconciliation Commission, had been scheduled to conclude its job in August after it was extended for one year in 2006.

"The important things is that we do not allow ourselves to be held hostage by the past," Ramos Horta said. "It will set a precedent for other countries to deal with similar situations."

Indonesia invaded East Timor in 1975 and occupied the former Portuguese colony for 24 years. As many as 200,000 civilians died during that period.

In 1999 in a UN-sponsored referendum, East Timor voted to become independent and became a nation in 2002 after being administered by the United Nations for more than two years.

In addition to bilateral economic issues, Yudhoyono and Ramos Horta also discussed education and border problems.

Nobel laureate Ramos Horta arrived in Jakarta Monday for a three-day visit to Indonesia, his first overseas trip after he was sworn in as president May 20.

Ramos Horta won a landslide presidential election last month, replacing former rebel fighter Xanana Gusmao.

NOTA DE RODAPÉ:

Com que autoridade Ramos-Horta fala em nome do Governo (cujo partido acabou de fazer um comunicado a dizer que os crimes de 1975 a 1999 não ficariam impunes)?

Video da SBS do incidente de Viqueque

Veja aqui.


E pode constatar:

1. A vítima estava a agredir ao soco e a pontapé várias pessoas e tinha atirado ao chão e estava a agredir o homem que disparou contra ele, que se consegue levantar do chão e dispara seis tiros.

2. Que aparece um civil armado com uma automática a falar para a camara, que não está fardado e parece um segurança do CNRT.


O que nos faz perguntar quem estava a provocar quem e porque razão é que existem civis armados com automáticas como seguranças de um partido...

Police are failing us: Horta

Worldnewsaustralia.com
5.6.2007. 17:59:43


East Timor's president Jose Ramos Horta says people have lost faith in the police force following a fatal shooting at a political rally, an incident that has been captured on film obtained by SBS.

The man was shot in Viqueque, a Fretilin-stronghold southeast of Dili, during a rally for the National Congress for Reconstruction of Timor-Leste (CNRT), the new party headed by former president Xanana Gusmao.

RAW VIDEO: Viqueque shooting

It was not clear whether the man who was shot was a CNRT supporter or a security guard at the rally.

Reports emerged that the shooter was an off-duty policeman and Fretilin supporter.

The incident happened on Sunday afternoon near Viqueque market.

UN Police fired warning shots and tear gas after fighting broke out between CNRT supporters and opponents following a CNRT rally.

One man, Alfonso "Kuda Lay" Guterres, died after he was allegedly shot by an off-duty Timorese police officer.

Another CNRT supporter, 24, was shot dead and a 16-year-old youth injured shortly later, as a group of CNRT supporters, accompanied by the former president, attempted to return the dead man's body to Ossu.

"Initial reports indicate that PNTL (East Timor police) fired shots to control a crowd at a roadblock near Ossu," the acting head of the UN's mission in East Timor, Eric Tan said.

United Nations personnel stepped up security in Viqueque amid rising tensions after the deaths of the two men.

The Australian-led international stabilisation force has deployed a platoon to the region.

'Discipline lax'

President Ramos Horta said the deaths have embarrassed East Timor and said those responsible for the shootings should receive "severe punishment".

He says the nation's police force still suffers from a lack of discipline.

Mr Ramos Horta, who was due to fly to Jakarta this afternoon for his first official visit as president, said the police entrusted to safeguard the elections had failed in their duty.

"Several members of the PNTL have engaged in crime ... We see that indiscipline is still very strong within the PNTL," he said.

He warned: "There is no impunity in this country".

Reform of East Timor's security sector is considered key to the country's future, after clashes between elements of the police and defence forces sparked last year's crisis, resulting in 37 deaths.

'Sad day for democracy'

Former president Xanana Gusmao, meanwhile, declared it a "sad day" for democracy in East Timor.

The CNRT party is likely to pose a major challenge to East Timor's ruling Fretilin party in the June 30 poll, and Mr Gusmao will become Prime Minister if it wins.

Yesterday he joined other leaders in calling for peace, warning that those responsible didn't want a peaceful election process.

"I again call on all people of our young nation to give up violence. With violence we only hurt ourselves, our country, and those that we love."

Search for shooter

Meanwhile, the UN's Mr Tan said police were still searching for the off-duty police officer believed responsible for Mr Guterres' death and the motive was unknown.

"We are treating both shootings seriously," he said.

"Neither incident suggests an attempt on Mr Gusmaos life."

Mr Tan said East Timor's leaders had met and urged political supporters to remain calm ahead of the June 30 poll.

Fretilin condemned the violence and called for a full investigation, saying the dead man had been armed, although this has been denied by other witnesses.

"There also needs to be an inquiry to explain why a campaign member of a political party was armed with a gun and to determine the person that provided him with that weapon," Fretilin secretary general Mari Alkatiri said.



SOURCE: SBS, AAP

UNMIT - Security Situation - Monday, 4 June 2007

This is a broadcast of the UN Police in Timor-Leste to provide you with information about the security situation around the country.

The security situation in the country as a whole has been stable. However, Viqueque remains a trouble-spot after a series of shootings yesterday in which two men were killed.


The first incident occurred one hour after the completion of a campaign rally in Viqueque town.

A man from the nearby town of Ossu was fatally shot in a marketplace at 15.45, following an altercation between rival supporters. UNPol responded quickly and brought the situation under control with the use of tear gas and warning shots to disperse the crowd.

The man was believed to have been shot by an off-duty PNTL officer and a search is underway to apprehend the suspected person.

The second incident occurred when a group of supporters returned the body of the deceased man to Ossu. Initial reports indicate that PNTL fired shots to control a crowd at a roadblock near Ossu. A 24 year old man was fatally shot and a second 16 year old youth was injured.

UNMIT’s senior leadership attended a meeting convened by President José Ramos-Horta, with Prime Minister Estanislau da Silva, Minister of the Interior Alcino Barris, the International Stabilisation Forces and the F-FDTL in Dili this morning.

Timor-Leste’s most senior leadership also insisted in today’s meeting that retaliation for yesterday’s event will not be tolerated and have again urged political supporters to remain calm and abide by democratic principles to ensure a free and fair election process.

Security in Viqueque has now been boosted. The ISF has deployed a platoon to the region and UNMIT will reinforce its security plan ahead of the June 30 election.

There have been no other significant security incidents reported in the last 24 hours.

The Police advise to avoid traveling during the night to the most affected areas. Report any suspicious activities and avoid traveling the areas affected by disturbances. Call 112 or 7230365 to contact the police 24 hours a day, seven days a week.

This has been a daily broadcast of the UN Police in Timor-Leste, for the people of Timor-Leste

Dos Leitores

H. Correia deixou um novo comentário na sua mensagem "PRESIDENTE RAMOS-HORTA: MEDIDAS IMEDIATAS E FIRMES...":

"Parece que estas acções por elementos radicais da Fretilin na PNTL e no funcionalismo público em Viqueque"

"Parece"... que RH está mesmo decidido a seguir as pisadas de Xanana. Em vez de ser um factor de estabilidade num momento muito conturbado, o Presidente opta por juízos precipitados baseados em "parecenças".

Não há melhor gasolina do que esta para incendiar ainda mais os antagonistas.

Tal como Xanana, RH tem vocação para juiz instantâneo, cometendo a proeza de, à distância e em poucas horas, produzir um veredicto-relâmpago que já apontou os culpados: a Fretilin e a PNTL.

Xanana, enquanto Presidente, ajudou RH. Este, agora, retribui-lhe a gentileza. Nada mais normal, para uma pessoa bem-educada que sabe agradecer.

Se este é que é o papel de um Presidente da República, mais valia extiguirem o cargo - sempre se poupavam uns dolarezitos - e adoptarem a rainha da Inglaterra como Chefe de Estado.

Dos Leitores

H. Correia deixou um novo comentário na sua mensagem "INCIDENTE DE VIQUEQUE":

Curioso é que quando há uns tempos dois "seguranças" de Xanana mataram um desgraçado qualquer em Vila Verde ou no bairro Pité, não houve nem uma fracção do barulho que se está a verificar com este incidente.

Dos Leitores

Margarida deixou um novo comentário na sua mensagem "Ramos-Horta lamenta falta de disciplina da polícia...":

O novo PR disse que a morte de dois Timorenses «embaraçou o país», que os responsáveis serão «duramente punidos» que a polícia timorense «falhou» na sua missão de proteger e garantir a segurança da população« durante o período eleitoral das legislativas», que “Vários membros da PNTL estão envolvidos em actos criminosos e que “podemos, assim, constatar que a indisciplina é ainda muito grande dentro da corporação. Mas não haverá impunidade”.

Mas nem lamentou a morte dos dois cidadãos, nem condenou a violência e nem sequer respondeu se se quer associar ao inquérito para apuramento das responsabilidades. Isto é, para o novo PR de Timor o que o Germano da Silva e a Ângela Freitas contam é pelos vistos a “verdade” a que ele acha que os Timorenses têm direito. Pelo menos a eles basta a “verdade” destes dois ajudantes do XG e nem sequer reparou que a versão deles não é sequer a versão da UNPOL.

E já nem sequer comento os dois pesos e duas medidas que usou em relação com as mortes e violências anteriores. Simplesmente lamentável!

Timor-Leste: Chefe missão ONU prevê coligações pós-eleitorais

Diário Digital / Lusa
04-06-2007 18:45:00

O chefe da missão das Nações Unidas em Timor-Leste (UNMIT) afirmou hoje que deverá ser necessária uma coligação pós-eleitoral após o sufrágio de 30 de Junho no país, dada a improbabilidade de uma maioria clara de um partido.

«Para mim é claro que, com 14 partidos políticos na disputa [das eleições parlamentares], as possibilidades de formar um governo de coligação têm de ser examinadas muito cautelosamente», afirmou hoje Atul Khare, numa conferência de imprensa em Nova Iorque, citado pela agência de informação das Nações Unidas.

«Parece praticamente descartado que qualquer partido político tenha uma maioria clara», adiantou o mesmo responsável, que salientou ainda a necessidade de fortalecer os sectores da Justiça, Governo e Segurança, tendo em conta o papel futuro do exército e da polícia.

«Acreditamos que o novo governo, os novos líderes, estejam numa posição de fazer face a estes desafios, com o apoio das Nações Unidas, tal como têm sido nos últimos anos», disse Atul Khare.
Para o responsável da UNMIT, o acordo recentemente assinado entre as diferentes forças políticas, em que se comprometem a aceitar os resultados e a seguir um código de conduta na campanha, vai facilitar o processo eleitoral.

O acordo, disse Khare, «é um bom augúrio para o desenvolvimento de uma democracia liberal e genuinamente multipartidária em Timor-Leste».

O responsável afirmou que as eleições parlamentares deverão correr de forma pacífica, tal como as presidenciais, das quais fez um balanço positivo.

As duas voltas da eleição presidencial, afirmou, «correram muito melhor do que qualquer um de nós poderia ter esperado».

Xanana ainda em Baucau

Jornal de Notícias, 05/06/07

Xanana Gusmão vai continuar a campanha eleitoral no distrito de Baucau, apesar dos incidentes violentos de domingo de que resultou a morte de um elemento da comitiva, disse à Lusa, um responsável da candidatura.

José Luís Guterres, um dos 14 elementos da Fretilin-Mudança que integram as listas do Congresso Nacional de Reconstrução de Timor-Leste (CNRT), liderado pelo ex-presidente da República, disse que Xanana continua a campanha "a bem da democracia". Após os incidentes, em Viqueque, no centro leste do país, a caravana de Xanana retirou-se por precaução para Baucau.

Um segurança da campanha do CNRT, Afonso Kudelai, de Ossú, "foi morto à queima-roupa por um elemento não uniformizado e fora de serviço da Polícia Nacional de Timor-Leste" (PNTL), disse uma fonte oficial da missão das Nações Unidas. "O polícia acertou primeiro numa perna e depois deu três tiros na cabeça do segurança", relatou, poucos minutos após o incidente, Germano da Silva, um dos organizadores da campanha do CNRT em Viqueque.

Antes de fazer qualquer comentário, a candidatura de Xanana quer que seja investigado porque é que um polícia da esquadra de Uatulari se encontrava em Viqueque, sede do distrito, sem requisição e armado, disse José Luís Guterres. A Fretilin, adversária do CNRT nesta campanha para as legislativas, exige, por seu turno, saber porque é que o segurança de Xanana se encontrava armado.

A campanha eleitoral para as legislativas de 30 de Junho teve início a 29 de Maio e tanto o CNRT como o partido maioritário FRETILIN escolheram os distritos do leste do país para os primeiros dias de comícios. A FRETILIN tem uma forte implantação no distrito de Viqueque, onde Francisco Guterres "Lu Olo" obteve a 9 de Maio mais do dobro dos votos de Ramos-Horta, que venceu as eleições presidenciais.

Ontem, o presidente da República lamentou a "falta de disciplina" da polícia timorense. Para Ramos-Horta, a polícia "falhou na sua missão de proteger e garantir a segurança da população". "Vários membros da PNTL estão envolvidos em actos criminosos. Podemos, assim, constatar que a indisciplina é ainda muito grande dentro da corporação. Mas não haverá impunidade", avisou o novo chefe de Estado timorense.

A reforma das forças de segurança em Timor-Leste é considerada "vital" para o futuro do país, sobretudo depois dos confrontos e do clima de intimidação que, desde Maio de 2006, têm assolado o jovem Estado, que acedeu à independência há cinco anos.

Ramos-Horta em Jacarta com estudantes e fronteiras na agenda

Diário Digital / Lusa
04-06-2007 17:33:00

José Ramos-Horta chegou esta segunda-feira a Jacarta, Indonésia, para a sua primeira visita ao estrangeiro como Presidente da República timorense, com a delimitação das fronteiras terrestres e a situação dos estudantes na agenda de encontros bilaterais.

O Presidente da República de Timor-Leste, que chegou a Jacarta cerca das 16:30 (09:00 em Lisboa), foi directamente para o Cemitério dos Heróis de Kalibata, onde estão sepultados aqueles que receberam uma das condecorações nacionais da República - incluindo os militares indonésios mortos durante a ocupação de Timor-Leste.

O cemitério foi inicialmente construído em 1953.

José Ramos-Horta encontrou-se depois com a comunidade timorense na capital indonésia, oportunidade para contactar e ouvir alguns dos muitos estudantes timorenses em Jacarta.

Há actualmente 1646 estudantes timorenses na Indonésia, sobretudo nas áreas de Engenharia, Economia e Agronomia, segundo o adido de Educação da embaixada de Timor-Leste em Jacarta, Paulino Henrique Ribeiro.

Na terça-feira, José Ramos-Horta abordará no encontro bilateral com as autoridades indonésias, a simplificação da concessão de vistos e a atribuição de bolsas aos estudantes timorenses, explicou o adido de Educação timorense.

Não existe nenhum programa específico de bolsas para timorenses na Indonésia, desde que terminou em 2005 o apoio concedido durante cinco anos pela Fundação Calouste Gulbenkian a 150 estudantes, explicou Paulino Henrique Ribeiro à Lusa.

«Os estudantes sobrevivem pelos seus próprios meios», acrescentou o adido, sublinhando que a primeira despesa é com o visto indonésio.

O visto ordinário para seis meses na Indonésia custa cerca de 250 dólares e a renovação, com a obtenção de uma autorização de residência pelo ministério da Educação indonésio, custa mais o equivalente a 60 dólares, uma soma avultada para o rendimento médio das famílias timorenses.
Outro assunto nas discussões bilaterais durante a visita oficial de José Ramos-Horta é a delimitação das fronteiras terrestres, um processo negocial e de trabalho técnico, iniciado ainda antes da independência de Timor-Leste, em 2002.

«Falta apenas chegar a acordo sobre um por cento das fronteiras terrestres com a Indonésia», declarou à Lusa o principal negociador timorense, Arcanjo Leite, director nacional da Administração do Território.

«Existem condições para que durante esta visita terminemos a questão do ponto de vista político, para depois definir no terreno», no âmbito da subcomissão técnica de delimitação e regulação de fronteiras.

As negociações da definição das fronteiras terrestres entre Timor-Leste e a Indonésia estiveram paradas quase um ano, em parte devido à crise política e militar de 2006, explicou Arcanjo Leite.

Em Dezembro de 2005, delegações dos dois países encontraram-se em Surabaia, Indonésia. No seguimento dessa reunião, um outro encontro bilateral devia ter acontecido em Díli, mas nunca chegou a realizar-se.

Nessa altura, havia desacordo sobre quatro por cento da extensão das fronteiras comuns e a reunião de Surabaia permitiu um acordo político sobre três por cento.

«Tecnicamente, no entanto, não se fez nada mesmo quanto à parte que foi resolvida politicamente», explicou Arcanjo Leite.

«Politicamente não há desacordo, há apenas diferenças de interpretação da aplicação dos tratados de 1904 e de 1915» entre Portugal e a Holanda, as antigas potências coloniais das duas partes da ilha de Timor.

Um dos últimos pontos de discórdia na delimitação fronteiriça entre os dois países é no enclave timorense de Oécussi, onde a Indonésia disputa o ilhéu de Fatu Sinai («Pedra Sinai», traduzindo à letra da língua tétum), a que os indonésios chamam Batek.

«É um rochedo do tamanho de um campo de futebol, desabitado mas onde desde sempre as populações baiqueno de Oécussi realizam todos os anos cerimónias tradicionais em Fatu Sinai», explicou Arcanjo Leite.

O ilhéu fica muito perto da costa, num ponto do litoral de Oécussi entre dois braços de uma ribeira que faz a fronteira entre Indonésia e o enclave. Na altura da assinatura do tratado sobre a fronteira de Oécussi, em 1915, existia apenas uma ribeira.

Outra vertente da fixação das fronteiras é a sua marcação, com novecentos pilares ao longo de toda a extensão da fronteira principal e no enclave de Oécussi. Em 2005, foram colocados cinquenta marcos, afirmou Arcanjo Leite. O resto está por colocar, o que em muitas áreas não é tarefa fácil.

A delimitação da fronteira terrestre tem também consequências com a posterior definição da fronteira marítima, um assunto sensível porque, como acontece com a Austrália, envolve o acesso e a partilha de recursos do Mar de Timor.

Timor-Leste: partidários acusam Polícia de tentar matar Xanana Gusmão

EFE - 4 Junho 2007 - 23:33

Díli - Responsáveis da campanha de Xanana Gusmão, presidente do Congresso Nacional de Reconstrução do Timor (CNRT), acusaram hoje a Polícia de tentar assassiná-lo no ataque ocorrido no domingo contra uma caravana eleitoral, no qual morreu um membro dessa legenda e outros três ficaram feridos.

Os fatos aconteceram na localidade de Viqueque, quando vários desconhecidos apedrejaram e dispararam contra a caravana eleitoral de Gusmão, causando a morte de Alfonso Guterres, um dos encarregados da segurança do CNRT.

"É uma tentativa de assassinato da Polícia local contra Gusmão. Não usavam uniformes, mas os reconhecemos como policiais do distrito de Uatulari", disse por telefone à Efe Angela Freitas, porta-voz do presidente do CNRT.

O chefe da Polícia de Viqueque, José Casimiro, declarou à Efe que a comitiva de Gusmão foi atacada com pedras lançadas por um grupo de civis, e não descartou que policiais fora de serviço fossem os autores da morte de Guterres, que estava armado no momento do incidente.

Gusmão tinha participado de um ato nessa cidade, 100 quilômetros ao sudeste de Díli, como parte da campanha eleitoral para as legislativas de 30 de junho, das quais sairá um novo Governo e o primeiro-ministro.

Em comunicado divulgado hoje, Gusmão condenou os incidentes e apelou ao país para renunciar à violência e reconstruir a nação sob os princípios da paz e da tolerância.

O Fretilin, o partido governante, também se pronunciou contra a violência eleitoral, mas pediu ao Governo e à Polícia da ONU (Unpol) uma investigação para explicar o ocorrido e a razão pela qual Guterres estava armado.

As legislativas se apresentam como um duelo entre o Fretilin, partido que liderou a luta da independência, e o de Gusmão, o primeiro presidente do Timor-Leste.

Timor-Leste/Eleições: Viqueque, o país intacto da FRETILIN

Lusa - 03 Junho 2007 17:48

Díli, Pedro Rosa Mendes, da Agência Lusa - Há uma multidão à espera "do presidente" em Makadiki, na costa sul, suspensa da rota descendente dos dirigentes da FRETILIN no mapa, porque são raros os sítios com cobertura de telemóvel fora das capitais de distrito.

Em Makadiki, distrito de Viqueque, não há rede e as informações do avanço dos dirigentes chegam, por boca e em mão, pela guarda-avançada da campanha da FRETILIN.

São anúncios trazidos pela estrada que divide o mapa de Timor-Leste em ocidente e oriente, do Taci Fetu ("Mar Mulher", a norte) ao Taci Mane ("Mar Homem", costa sul), no coração da militância do partido maioritário.

"Saíram de Ossú", informa alguém, "saíram de Viqueque", ouve-se mais tarde e, depois disso, é a longa espera, "mais meia hora", diz um deputado nervoso durante várias meias horas, sorrindo, "o presidente não tarda".

A noite instala-se já quando o som de viaturas e sirenes põe Makadiki em histeria, "é ele! é ele! é o presidente!", a multidão precipita-se para a estrada que chega de oeste, há um barulho de buzinas, gritos, palmas, megafones, "segurança atenção! segurança atenção! segurança atenção!", os carros e camiões avançam lentamente, à velocidade dos guardas pedestres que, com camisas da FRETILIN, fazem um cordão de cada lado da estrada.

É a apoteose: "Lu-O-lo! Lu-O-lo! Lu-O-lo! Lu-O-lo!". O presidente que a multidão recebe em delírio é Francisco Guterres "Lu Olo", que, na manhã seguinte, lançou oficialmente em Makadiki a campanha para as legislativas de 30 de Junho.

"Lu Olo" é presidente da FRETILIN. Falhou ser Presidente da República, a 09 de Maio, perdendo as eleições para José Ramos-Horta.

"No plano pessoal, uma derrota é não conseguir a cadeira, é não vencer a cadeira do Presidente da República", afirma mais tarde "Lu Olo" à Lusa, na varanda da casa do administrador de Makadiki, onde ele e o secretário-geral da FRETILIN, Mari Alkatiri, passarão a noite.

"No plano político, a FRETILIN não tem que perder com tudo isso. Continuamos a batalhar para as parlamentares. Estou seguro, seguríssimo, que teremos maior margem para obtermos assentos" no Parlamento, afirmou "Lu Olo" à Lusa.

"Não perdemos completamente. Tivemos apenas um revés mas não perdemos completamente a batalha", acrescentou o presidente da FRETILIN.

"Lu Olo" está descontraído na sua figura pequena, com uma leveza acentuada pelo seu pólo branco, apertado num cinto discreto de cabedal. Mari Alkatiri e outros quadros da FRETILIN descansam, cumprimentam-se e conferenciam na sala atrás. Há uma euforia no ar, que o cansaço da estrada apenas acentua.

Díli, visto de Makadiki, é uma miragem a doze horas de autocarro ou sete horas de jipe. Díli fica, talvez, num outro país. Ou é Makadiki que vive outro tempo: o das lutas do passado e os medos do presente.

"Não vou lá desde 2004", conta Alito, deitado numa esteira, sobre um estrado coberto por um telhado de colmo, onde vai passar a noite com parte da família.

Outros homens, noutros estrados, dormem fora de casa. Em Makadiki "não há mosquitos".
"Não vou lá desde 2004 porque tenho medo", continua Alito, um homem que vive das várzeas férteis da costa sul, como a maior parte da população.

O seu irmão e o seu sobrinho concordam. Também eles não vão à capital desde os incidentes de 2006. "Em Díli não gostam de nós. É uma cidade perigosa para os 'lorosae'", ou timorenses oriundos do leste.

A crise política e militar de 2006 rebentou num contexto de rivalidade entre "lorosae" e "loromonu", os timorenses dos distritos ocidentais.

Os resultados das recentes eleições presidenciais confirmam a divisão do país político: a FRETILIN ganhou nos três distritos do leste, Baucau, Lautem e, com mais do dobro de votos do adversário, em Viqueque, onde "Lu Olo" obteve a sua vitória mais expressiva.

Os dez distritos ocidentais foram ganhos, de forma dispersa, pela oposição.

"Aqui, no suco de Makadiki, tivemos cem por cento", comenta "Lu Olo". Um quadro local do partido adianta-se com os números exactos, esmagadores: 3084 votos para "Lu Olo", 36 para José Ramos-Horta.

Em Makadiki, como na sede do distrito ou em Ossú, a sua terra-natal, onde esperou por Mari Alkatiri, "Lu Olo" está entre os veteranos e os sobreviventes da luta de libertação.

"Vivi com eles, sofri com eles, lutei com eles nos primeiros anos da ocupação militar indonésia. Vi os filhos, os pais, as mães a morrer", diz o presidente da FRETILIN para explicar "a alegria misturada com emoção" da recepção apoteótica em Makadiki.

Muitos dos que, pouco depois, ouvirão os dirigentes da FRETILIN no primeiro "diálogo" de campanha estiveram com o jovem Francisco Guterres na retirada do Monte Matebian, na noite de 22 para 23 de Novembro de 1978, quando a montanha-base da resistência caiu e a população civil teve que ser deixada para trás.

"Lu Olo" refere uma das companhias em que esteve inicialmente no período das bases de apoio e onde "só de filhos desta terra aqui estavam 300 homens armados e 600 civis".

De Uatulari, a poucos quilómetros de Makadiki, "só duas secções sobreviveram até 1999, incluindo quatro mulheres, a senhora Saturnina. Caímos juntos numa emboscada dos indonésios em 1988", vai contando o presidente da FRETILIN.

"Ela está aqui nesta casa, hoje".

"Não há nenhuma família que não tenha perdido alguém e com quem eu não tenha partilhado a dor e o combate", acrescenta "Lu Olo".

É com esta intimidade que "Lu Olo" se lança com Mari Alkatiri no "diálogo" com o povo mais fiel da FRETILIN. Canta-se, de punho fechado em riste, o velho hino do partido, "Foho Ramelau", acompanhado ao sintetizador, numa batida de soldadinhos de chumbo.

"Lu Olo" e Alkatiri falam aos camaradas de desenvolvimento, de crescimento económico, de redução da pobreza, de infraestruturas, de rede escolar, "é preciso dar oportunidade a que o povo tenha acesso ao mercado", "atenção aos que querem vender o país aos estrangeiros!"
Qualquer promessa eleitoral soa redundante neste distrito, porque tudo parece estar por fazer.

A miséria é multiplicada pela distância. Makadiki fica num canto longínquo e, no entanto, fértil como poucos no país, com várzeas de arroz, de frutas, com florestas de teca e casuarinas, de campos com búfalos e cavalos.

Tudo, porém, parece faltar e pouco parece ter sido feito, com a excepção imponente das quatro pontes que estão a ser levantadas a leste de Uatulari, na área de Aliembata.

"Nós não queremos promessas", diz um eleitor da FRETILIN depois do comício da noite em Makadiki. "Só precisamos que o Governo nos faça uma estrada para o norte. Nós produzimos bom arroz aqui mas o Governo enche o mercado de arroz importado".

Para a parte sul do distrito de Viqueque, a nova luz nasce literalmente do chão: em Aliembata, passada a grande ribeira de Babui, já em suco Babulo, na estrada costeira para Iliomar, há uma nascente petrolífera no sopé da montanha, a céu aberto, a trinta metros do mar de coral.

Um projecto do Banco Mundial prevê o aproveitamento do petróleo "onshore" de Aliembata para alimentar a região em electricidade.

A crise de 2006 interrompeu a prospecção e as nascentes de Aliembata, durante décadas usadas pela população local, foram cimentadas "em Setembro ou Outubro" pela companhia estrangeira que fazia a prospecção.

O petróleo resta, portanto, uma miragem, tão próxima que se pode cheirar: as lamas espessas cheiram a gasóleo, um odor irreal no azul do banco de coral que acompanha a costa.

"Aliembata é a nossa grande esperança", diz um dos cinco polícias de Makadiki, Sebastião, que tem um irmão a estudar engenharia química na Índia.

Nas estradas de Viqueque, passa-se por muitas cruzes, etapas de vias-sacras erguidas à beira-caminho. Uma cruz deste género foi atirada para trás da mesquita de Uatulari em 1995, durante a ocupação indonésia, por muçulmanos de Sulawesi, conta o polícia Sebastião. Os católicos responderam, incendiando a mesquita.

"Apanharam seis responsáveis, entre os quais eu". Sebastião passou quatro anos numa cadeia indonésia. O passado anterior à independência é, no seu caso como no de muitos outros aqui, determinante nas escolhas do presente. No primeiro dia da campanha para as legislativas, 29 de Maio, Sebastião esteve no lançamento da campanha da FRETILIN - em trabalho ou em militância.

Muita gente caminhou horas até Makadiki, passando pelas cruzes da via-sacra. Em Viqueque, num país de muitos resistentes e de muitos católicos, a fé é imune ao calvário.

"Somos uma família política muito unida", resumiu "Lu Olo", tranquilo, antes do início de uma campanha crucial, onde a FRETILIN joga a cadeira do poder e os seus actuais dirigentes jogam a cadeira no partido.
PRM-Lusa/fim

Traduções

Todas as traduções de inglês para português (e também de francês para português) são feitas pela Margarida, que conhecemos recentemente, mas que desde sempre nos ajuda.

Obrigado pela solidariedade, Margarida!

Mensagem inicial - 16 de Maio de 2006

"Apesar de frágil, Timor-Leste é uma jovem democracia em que acreditamos. É o país que escolhemos para viver e trabalhar. Desde dia 28 de Abril muito se tem dito sobre a situação em Timor-Leste. Boatos, rumores, alertas, declarações de países estrangeiros, inocentes ou não, têm servido para transmitir um clima de conflito e insegurança que não corresponde ao que vivemos. Vamos tentar transmitir o que se passa aqui. Não o que ouvimos dizer... "
 

Malai Azul. Lives in East Timor/Dili, speaks Portuguese and English.
This is my blogchalk: Timor, Timor-Leste, East Timor, Dili, Portuguese, English, Malai Azul, politica, situação, Xanana, Ramos-Horta, Alkatiri, Conflito, Crise, ISF, GNR, UNPOL, UNMIT, ONU, UN.