quarta-feira, abril 02, 2008

A “ressurreição” de José Ramos-Horta

A Semana Online
02-04-08

Tratado das suas feridas, o Presidente volta para junto de um povo marcado pelo desemprego e pelas redes de jogo e prostituição manipuladas a partir de Jacarta.

Por: Jorge Heitor

José Manuel Ramos-Horta é um homem de muitos talentos e o seu regresso a Díli, para reassumir as funções de Presidente da República de Timor-Leste, depois de um longo calvário de mais de dois meses na cidade australiana de Darwin, vai ser como que uma ressurreição de alguém que de há muito acalentava o sonho de vir a ser Chefe de Estado.

Alguns tiros que o deixaram em estado muito grave no dia 11 de Fevereiro e seis intervenções cirúrgicas mantiveram o mundo em suspense sobre se este político tão peculiar conseguiria ou não regressar ao exercício de funções ao mais alto nível.Ele que já foi músico, actor de teatro, representante diplomático em Nova Iorque, ministro e chefe de Governo, antes de haver chegado à suprema magistratura da nação.

Como foi?

Aliás, o que ocorreu em Díli, naquela manhã de Fevereiro, foi uma das situações mais extraordinárias que se possa imaginar: um antigo major que andava na clandestinidade apareceu morto na residência de Ramos-Horta e depois foi este mesmo que quase morria à porta de casa, no Boulevard John F. Kennedy.

Nome anunciador de tragédia e de sangue. Não foi propriamente um golpe de Estado o que aconteceu, mas também ninguém sabe muito bem dizer o que teria sido, este aparente acto de loucura em que intervieram Alfredo Alves Reinado e o ex-tenente Gastão Salsinha, dois homens que do mato vinham e com o destino se cruzaram.

O cinematográfico major Reinado, de óculos escuros e chinela no pé, era uma personagem de filme de aventuras, que durante um ano e meio fez as delícias de muitas equipas de televisão e jornalistas de vários países, ao passear-se impune pelas montanhas, enquanto proferia impropérios contra as autoridades.

O grande erro

O grande erro de Ramos-Horta e do Primeiro-Ministro Xanana Gusmão foi terem-lhe dado corda, terem-lhe permitido andar durante tanto tempo à solta, de forma a quase se transformar num herói, pelo menos para uma parte daqueles 50 porcento de timorenses que se encontram no desemprego.

E só depois o Presidente, já em convalescença, veio dizer que por ali andavam muito álcool e droga, bem como a influência nefasta de uma mulher bela, a timorense e também australiana Angelita Pires, com a qual o chefe dos rebeldes mantinha uma relação muito íntima.

Aliás, drogas é o que não faltará em Timor-Leste, que pelos vistos se encontra na mira de grandes sindicatos do crime, que a partir de Jacarta e de outras partes da Indonésia lançam as suas vistas para Díli e aí procuram instaurar redes de jogo e de prostituição.

Tudo é triste e doloroso, por vezes até algo sórdido, o que diz respeito aos caminhos de sofrimento que os timorenses têm percorrido nestes últimos dois ou três anos, quando se esperava que estivessem a conseguir consolidar a sua independência.

Ramos-Horta ressuscitou da poça de sangue em que esteve deitado no dia 11 de Fevereiro, à porta de casa. Mas os sonhos de vida feliz da nação timorense... irão eles conseguir ressuscitar?

4 comentários:

Anónimo disse...

Ele que já foi músico, actor de teatro...Da para perceber que o conhece muito bem ...que filme!

h correia disse...

"O grande erro de Ramos-Horta e do Primeiro-Ministro Xanana Gusmão foi terem-lhe dado corda, terem-lhe permitido andar durante tanto tempo à solta"

Estou absolutamente de acordo. E pensar que há gente que acha que esses erros devem continuar...

Anónimo disse...

O jorge Heitor gosta de escrever sem conhecer a historia de queescreve. O Alfredo nao foi quase um heroi. O Alfredo foi um Heroi e isso ameacava o Xanana e o Horta. Os dois usaram o homem para alcancar os seus objetivos mas nunca pensaram que as verdades que iam ser reveladas.

Para proximo, consulta o pvinho que conhece o Alfredo. Eles nao foram comprados pelo Alfredo para o apoiarem. Apoiaram-no porque viram as boas intencoes dele. E assim e que sao os timorense. nao vende a alma por dinheiro.Sao como os afganistao que nao vende o Binladan. Assin, vossa tecnologia nao vale nao?

Anónimo disse...

Tanta parvoice junta !Grande heroi que mata a traiçao .Vai por ai que deves ter um grande futuro!
Agora nao se concorda ..mata-se!
E somos todos uns grandes herois... hahah por amor de DEUS !

Traduções

Todas as traduções de inglês para português (e também de francês para português) são feitas pela Margarida, que conhecemos recentemente, mas que desde sempre nos ajuda.

Obrigado pela solidariedade, Margarida!

Mensagem inicial - 16 de Maio de 2006

"Apesar de frágil, Timor-Leste é uma jovem democracia em que acreditamos. É o país que escolhemos para viver e trabalhar. Desde dia 28 de Abril muito se tem dito sobre a situação em Timor-Leste. Boatos, rumores, alertas, declarações de países estrangeiros, inocentes ou não, têm servido para transmitir um clima de conflito e insegurança que não corresponde ao que vivemos. Vamos tentar transmitir o que se passa aqui. Não o que ouvimos dizer... "
 

Malai Azul. Lives in East Timor/Dili, speaks Portuguese and English.
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