quarta-feira, abril 02, 2008

Australia accused of helping spark Fiji coup

ABC Radio Australia 2.4.08

A new report has accused Australia of helping spark the December 2006 coup in Fiji by sending military forces to the country and has raised questions about possible plans for an invasion.

The report by the Fiji Human Rights Commission is into events leading up to the coup, with a particular focus on Australia's deployment of ships to nearby waters, and an alleged contingent of Special Air Service soldiers who flew in on a commercial flight.

Fiji Human Rights Commission chair Dr Shaista Shameem told Radio Australia's Pacific Beat program that SAS troops were detected in the country by Fiji's military forces, when commander Commodore Frank Bainimarama was threatening to take over the government from former prime minister, Laisenia Qarase.

Dr Shameem has stopped short of accusing Australia of planning to invade Fiji.

The Australian Defence Force confirmed at the time that Defence Supplementation Force staff were sent to assist the High Commission in Suva with communications, as part of what were described as routine precautionary measures.

Mr Qarase has denied seeking foreign military intervention in 2006 to protect his government.

Australia also maintains its navy presence was intended to help evacuate Australians if the coup became violent, but Dr Shameem told Radio Australia she does not believe that claim.

"The mixed messages that were being reported in the press in Brisbane, I think it was, but also in Canberra prior to the vessels being sent out - and in fact I think [Prime Minister] Kevin Rudd was the first person who introduced the idea of invoking or activating, as he called it, the Biketawa Agreement," she said.

"He kept saying 'let's get on with it', he said that phrase at least twice in two different interviews, and it was the same evening that one of the ships actually left for Fiji waters and it was joined later on by [two other ships].

"So there were a lot of things being said which were quite different from the official position that the Australian government was maintaining throughout, that it was in relation to the evacuation of Australian nationals."

Dr Shameem counters Australian claims that the ships stayed outside Fijian waters.

"That's what they said officially, that they were outside Fiji territory, and I think there was a lot of insistence on that point," she said.

"But in fact when civilian aircraft were sent to find them, they were found inside Fiji waters."

SAS in Fiji

Dr Shameem says the report also highlights the alleged presence of SAS forces in Fiji.

"They arrived quite clandestinely and had not gone through customs procedures," she said.

"The Australians first denied the SAS forces were there, but the army here has its own intelligence sources, so they found them out," she said.

"Then the Australian Defence Advisory and the Australian High Commission here denied the presence of those forces, so the RFMF (Republic of Fiji Military Forces) commander said that he would treat them as mercenaries.

"And it was at that point that the Chief of Defence in Australia rang him up and said, 'No, they're SAS forces, they're mine,' and they then withdrew to the Australian embassy."

Australian invasion?

Dr Shameem says she has "no idea" why SAS forces might have been sent to Fiji.

"You need to ask the Australians that," she said.

"But what we do know is that they had brought with them more than 400 kilograms of something in big sealed silver boxes, which (former foreign minister Alexander) Downer said was communication equipment, but the RFMF said were weapons and ammunition."

Dr Shameem stopped short of explicitly accusing Australia of planning to invade Fiji.

"But I think the evidence is all there, and people can put a different light on that; what we are really looking at is the inconsistency in their statements," she said.

Dr Shameem also hinted that the coup might not have taken place if Australian forces had not been in the region.

"The interesting question is, if the Australians hadn't been there, and if this hadn't been a threat, as the RFMF saw it, would December 5 have happened anyway? Or how did it instigate what happened on December 5?" she said.

No comment

The Australian Defence Forces (ADF) says it has no comments to make in relation to the Fiji Human Rights Commission's report.

In a statement, the ADF says at no time did Australia plan to use military force to prevent or reverse a coup.

It says Australia's deployment of naval forces in Fiji at the time of the coup was purely a precautionary measure in case Australians needed evacuation.

The ADF says Chief of Defence Force Air Chief Marshal Angus Houston did call Commodore Bainimarama to strongly discourage him from deposing the Fiji government.

Foreign Affairs Minister Stephen Smith has also rejected the report and says Australian troops did nothing wrong.

"The best thing that could happen in Fiji is not spurious suggestions about Australian activity, but having an election, returning Fiji to democracy, respecting human rights and democracy and allowing a potentially very prosperous nation to get on with the job of providing for its citizens," he said.

Tradução:

Austrália acusada de ajudar a desencadear o golpe nas Fiji

ABC Radio Australia 2.4.08

Um novo relatório acusou a Austrália de ajudar a desencadear o golpe de Dezembro de 2006 nas Fiji enviando forças militares para o país e levantou questões acerca de possíveis planos para uma invasão.

O relatório da Comissão de Direitos Humanos das Fiji é sobre eventos que levaram ao golpe, com um foco particular no estacionamento de navios da Austrália nas águas próximas, e de um alegado contingente de soldados do Special Air Service que voaram num voo comercial.

O Presidente da Comissão dos Direitos Humanos das Fiji Dr Shaista Shameem disse ao programa Pacific Beat da Radio Australia que tropas SAS foram detectadas no país pelas forças militares das Fiji quando o comandante Comodoro Frank Bainimarama ameaçava tomar o governo do antigo primeiro-ministro, Laisenia Qarase.

O Dr Shameem parou imediatamente antes de acusar a Austrália de ter planeado invadir as Fiji.

A Força da Defesa Australiana confirmou na altura que pessoal da Força Suplementar da Defesa foi enviado para assistir a Alta Comissão em Suva com comunicações, como parte do que foi descrito como medidas de precaução de rotina.

O Sr Qarase tem negado ter procurado uma intervenção militar estrangeira em 2006 para proteger o seu governo.

A Austrália mantém também que a presença da sua marinha tinha a intensão de ajudar a evacuar os Australianos se o golpe se tornasse violento, mas o Dr Shameem disse à Radio Australia que não acredita nessa afirmação

"As mensagens mistas que foram publicadas na imprensa em Brisbane, penso, mas também em Canberra antes dos barcos terem sido enviados – e de facto penso que o [Primeiro-Ministro] Kevin Rudd foi a primeira pessoa que introduziu a ideia de invocar ou activar, como lhe chamout, o Acordo Biketawa," disse.

"Ele continuava a dizer 'vamos despachar isso', ele disse pelo menos essa frase duas vezes em duas entrevistas diferentes, e isso foi na mesma noite em que de facto um dos barcos partiu para as águas das Fiji e a que se juntou mais tarde [dois outros navios].

"Por isso estavam a ser ditas muitas coisas que eram bastante diferentes da posição oficial que o governo Australiano estava a manter por toda a parte, que isso tinha a ver com a evacuação dos nacionais Australianos."

Dr Shameem reage às afirmações Australianas que os bascos ficaram fora das águas Fijianas.

"Foi isso que eles disseram oficialmente, que estavam fora do território das Fiji , e penso que houve muita insistência nesse ponto," disse ela.

"Mas de facto quando aviões civis foram enviados à sua procura, encontrara-nos no interior das águas das Fiji."

SAS nas Fiji

Dr Shameem diz que o relatório também faz luz sobre a alegada presença das forças SAS nas Fiji.

"Chegaram de maneira bastante clandestina e não seguiram os procedimentos alfandegários," disse.

"Primeiro, os Australianos negaram que as forças SAS estavam lá, mas as forças armadas de cá têm as suas fontes de informações próprias, e assim acabaram por os encontrar," disse.

"Depois a Autoridade de Aconselhamento da Defesa Australiana e a Alta Comissão Australiana negaram a presença dessas forças por isso o comandante das RFMF (Forças Militares da República das Fiji) disse que os trataria como mercenários.

"E foi nessa altura que o Chefe da Defesa na Austrália lhe telefonou e disse, 'Não, são forças SAS, são meus,' e depois retiraram-se para a embaixada Australiana."

Invasão Australiana?

A Dr Shameem diz que não tem "nenhuma ideia" porque é que as forças SAS podem ter sido enviadas para as Fiji.

"Têm de perguntar isso aos Australianos," disse.

"Mas o que nós sabemos é que tinham levado com eles mais de 400 quilogramas de alguma coisa em grandes caixas prateadas seladas, que (o antigo ministro dos estrangeiros Alexander) Downer disse que era equipamento de comunicações, mas que as RFMF disseram ser armas e munições."

A Dr Shameem parou imediatamente antes de acusar explicitamente a Austrália de planear invadir as Fiji.

"Mas penso que a evidência está lá toda, e que podem pôr uma luz diferente nisso; aquilo a que nós estamos a olhar são às inconsistências nas declarações deles," disse.

A Dr Shameem sugeriu também que o golpe podia não ter ocorrido se as forças Australianas não estivessem na região.

"A questão interessante é, se os Australianos não tivessem lá estado, e se isto não tivesse sido uma ameaça , como as RFMF assim viram, teria acontecido o 5 de Dezembro? Ou como é que isso instigou o que ocorreu em 5 de Dezembro?" disse.

Não comento

As Forças de Defesa Australianas (ADF) dizem que não têm comentários a fazer em relação com o relatório da Comissão de Direitos Humanos das Fiji.

Numa declaração a ADF diz que em altura alguma a Austrália planeou usar força militar para evitar ou reverter um golpe.

Diz que o envio de forças navais da Austrália' para as Fiji nessa altura do golpe foi puramente uma medida de precaução no caso de ser preciso de evacuar os Australianos.

A ADF diz que o Chefe da Defesa Marechal da Força Aérea Angus Houston ligou ao Comodoro Bainimarama para o desencorajar fortemente a depor o governo das Fiji.

O Ministro dos Estrangeiros Stephen Smith rejeitou também o relatório e diz que as tropas Australianas não fizeram nada errado.

"A melhor coisa que podia acontecer nas Fiji não são sugestões espúrias acerca da actividade dos Australianos, mas terem uma eleições, Porem as Fiji de regresso à democracia, respeitarem os direitos humanos e a democracia e permitirem que uma nação potencialmente muito próspera continue com o trabalho em prol dos seus cidadãos," disse.

2 comentários:

Margarida disse...

Tradução:
Austrália acusada de ajudar a desencadear o golpe nas Fiji
ABC Radio Australia 2.4.08

Um novo relatório acusou a Austrália de ajudar a desencadear o golpe de Dezembro de 2006 nas Fiji enviando forças militares para o país e levantou questões acerca de possíveis planos para uma invasão.

O relatório da Comissão de Direitos Humanos das Fiji é sobre eventos que levaram ao golpe, com um foco particular no estacionamento de navios da Austrália nas águas próximas, e de um alegado contingente de soldados do Special Air Service que voaram num voo comercial.

O Presidente da Comissão dos Direitos Humanos das Fiji Dr Shaista Shameem disse ao programa Pacific Beat da Radio Australia que tropas SAS foram detectadas no país pelas forças militares das Fiji quando o comandante Comodoro Frank Bainimarama ameaçava tomar o governo do antigo primeiro-ministro, Laisenia Qarase.

O Dr Shameem parou imediatamente antes de acusar a Austrália de ter planeado invadir as Fiji.

A Força da Defesa Australiana confirmou na altura que pessoal da Força Suplementar da Defesa foi enviado para assistir a Alta Comissão em Suva com comunicações, como parte do que foi descrito como medidas de precaução de rotina.

O Sr Qarase tem negado ter procurado uma intervenção militar estrangeira em 2006 para proteger o seu governo.

A Austrália mantém também que a presença da sua marinha tinha a intensão de ajudar a evacuar os Australianos se o golpe se tornasse violento, mas o Dr Shameem disse à Radio Australia que não acredita nessa afirmação

"As mensagens mistas que foram publicadas na imprensa em Brisbane, penso, mas também em Canberra antes dos barcos terem sido enviados – e de facto penso que o [Primeiro-Ministro] Kevin Rudd foi a primeira pessoa que introduziu a ideia de invocar ou activar, como lhe chamout, o Acordo Biketawa," disse.

"Ele continuava a dizer 'vamos despachar isso', ele disse pelo menos essa frase duas vezes em duas entrevistas diferentes, e isso foi na mesma noite em que de facto um dos barcos partiu para as águas das Fiji e a que se juntou mais tarde [dois outros navios].

"Por isso estavam a ser ditas muitas coisas que eram bastante diferentes da posição oficial que o governo Australiano estava a manter por toda a parte, que isso tinha a ver com a evacuação dos nacionais Australianos."

Dr Shameem reage às afirmações Australianas que os bascos ficaram fora das águas Fijianas.

"Foi isso que eles disseram oficialmente, que estavam fora do território das Fiji , e penso que houve muita insistência nesse ponto," disse ela.

"Mas de facto quando aviões civis foram enviados à sua procura, encontrara-nos no interior das águas das Fiji."

SAS nas Fiji

Dr Shameem diz que o relatório também faz luz sobre a alegada presença das forças SAS nas Fiji.

"Chegaram de maneira bastante clandestina e não seguiram os procedimentos alfandegários," disse.

"Primeiro, os Australianos negaram que as forças SAS estavam lá, mas as forças armadas de cá têm as suas fontes de informações próprias, e assim acabaram por os encontrar," disse.

"Depois a Autoridade de Aconselhamento da Defesa Australiana e a Alta Comissão Australiana negaram a presença dessas forças por isso o comandante das RFMF (Forças Militares da República das Fiji) disse que os trataria como mercenários.

"E foi nessa altura que o Chefe da Defesa na Austrália lhe telefonou e disse, 'Não, são forças SAS, são meus,' e depois retiraram-se para a embaixada Australiana."

Invasão Australiana?

A Dr Shameem diz que não tem "nenhuma ideia" porque é que as forças SAS podem ter sido enviadas para as Fiji.

"Têm de perguntar isso aos Australianos," disse.

"Mas o que nós sabemos é que tinham levado com eles mais de 400 quilogramas de alguma coisa em grandes caixas prateadas seladas, que (o antigo ministro dos estrangeiros Alexander) Downer disse que era equipamento de comunicações, mas que as RFMF disseram ser armas e munições."

A Dr Shameem parou imediatamente antes de acusar explicitamente a Austrália de planear invadir as Fiji.

"Mas penso que a evidência está lá toda, e que podem pôr uma luz diferente nisso; aquilo a que nós estamos a olhar são às inconsistências nas declarações deles," disse.

A Dr Shameem sugeriu também que o golpe podia não ter ocorrido se as forças Australianas não estivessem na região.

"A questão interessante é, se os Australianos não tivessem lá estado, e se isto não tivesse sido uma ameaça , como as RFMF assim viram, teria acontecido o 5 de Dezembro? Ou como é que isso instigou o que ocorreu em 5 de Dezembro?" disse.

Não comento

As Forças de Defesa Australianas (ADF) dizem que não têm comentários a fazer em relação com o relatório da Comissão de Direitos Humanos das Fiji.

Numa declaração a ADF diz que em altura alguma a Austrália planeou usar força militar para evitar ou reverter um golpe.

Diz que o envio de forças navais da Austrália' para as Fiji nessa altura do golpe foi puramente uma medida de precaução no caso de ser preciso de evacuar os Australianos.

A ADF diz que o Chefe da Defesa Marechal da Força Aérea Angus Houston ligou ao Comodoro Bainimarama para o desencorajar fortemente a depor o governo das Fiji.

O Ministro dos Estrangeiros Stephen Smith rejeitou também o relatório e diz que as tropas Australianas não fizeram nada errado.

"A melhor coisa que podia acontecer nas Fiji não são sugestões espúrias acerca da actividade dos Australianos, mas terem uma eleições, Porem as Fiji de regresso à democracia, respeitarem os direitos humanos e a democracia e permitirem que uma nação potencialmente muito próspera continue com o trabalho em prol dos seus cidadãos," disse.

h correia disse...

Onde é que eu já ouvi esta história?

Traduções

Todas as traduções de inglês para português (e também de francês para português) são feitas pela Margarida, que conhecemos recentemente, mas que desde sempre nos ajuda.

Obrigado pela solidariedade, Margarida!

Mensagem inicial - 16 de Maio de 2006

"Apesar de frágil, Timor-Leste é uma jovem democracia em que acreditamos. É o país que escolhemos para viver e trabalhar. Desde dia 28 de Abril muito se tem dito sobre a situação em Timor-Leste. Boatos, rumores, alertas, declarações de países estrangeiros, inocentes ou não, têm servido para transmitir um clima de conflito e insegurança que não corresponde ao que vivemos. Vamos tentar transmitir o que se passa aqui. Não o que ouvimos dizer... "
 

Malai Azul. Lives in East Timor/Dili, speaks Portuguese and English.
This is my blogchalk: Timor, Timor-Leste, East Timor, Dili, Portuguese, English, Malai Azul, politica, situação, Xanana, Ramos-Horta, Alkatiri, Conflito, Crise, ISF, GNR, UNPOL, UNMIT, ONU, UN.