sexta-feira, maio 09, 2008

East Timor: Govt jeopardising country's rice reserves says analyst

Dili, 9 May (AKI) – The government's attempt to hold on to power is dangerously depleting the country’s reserve of rice and could lead to social disorder, claimed an analyst.

Loro Horta said prime minister Xanana Gusmao should immediately create a more effective food distribution system and change the way he is managing the emergency stock of rice.

Gusmao’s decision to distribute 35 kilogrammes of rice every month to the country's 3,700 military and police personnel and its 17,000 public servants, is a sign of “incompetence and irresponsibility,” Horta argued an analysis for the ‘International Relations and Security Network’ website.

East Timor, one of Asia's poorest nations, relies on imports to meet almost 60 percent of its rice needs.

Horta said the government's decision is “aimed at holding on to power” but is depleting the national rice emergency stock and “has increased the country's vulnerability to the volatility of international markets.”

To the list of the government mistakes, Loro Horta added the granting of rice import monopolies to well-connected people, “such as, in one instance, the wife of a government minister who now directs all rice imports into the country.”

The government said that it would draw on the two billion dollars deposited in an American bank to ensure there is enough rice for the the country's one million people. The so-called Oil Fund was created to save money for future generations of Timorese to prevent funds being squandered.

Rice prices have almost trebled this year in Asia. Countries including India, Vietnam, Indonesia and Brazil have restricted food exports in a bid to secure domestic supplies and limit inflation, but such moves have helped fuel price rises.

The price of rice has already risen dramatically in the former Portuguese colony. In February, a 35-kilogramme bag of rice was being sold in East Timor for 13 dollars. By April, the price had risen to 20 dollars.

“In the rural areas, high transport costs resulting from the country's dismal roads has led prices there to reach 27 dollars per 35-kilogramme bag of rice,” said Loro Horta.

East Timor's average annual rice consumption is between 90,000-100,000 tonnes, while the national rice stock currently stands at less than half the desired safety level of 8,000 tonnes and just enough to feed the country for a month.

Skirmishes broke out repeatedly among East Timorese during the acute rice shortages in 2007 in the capital Dili.

“There is no reason to think the same will not happen again,” Horta concluded.

He is a research associate fellow at the S Rajaratnam School of International Studies and the son of East Timor’s president Jose Ramos-Horta.


Tradução:

Timor-Leste: Governo põe em perigo reservas de arroz do país, diz analista

Dili, 9 Maio (AKI) – A tentativa do governo de se agarrar ao poder está a a empobrecer perigosamente as reservas de arroz do país e pode levar a desordem social, afirmou um analista.

Loro Horta disse que o primeiro-ministro Xanana Gusmão deve criar imediatamente um sistema de distribuição de alimentos mais eficaz e mudar a maneira como está a gerir o estoque de emergência de arroz.

A decisão de Gusmão de distribuir 35 quilogramas de arroz por mês aos 3,700 membros das forças militares e policiais e aos seus 17,000 funcionários públicos, é um sinal de “incompetência e irresponsabilidade,” argumentou Horta numa análise para o website ‘International Relations and Security Network’.

Timor-Leste, uma das mais pobres nações da Ásia, apoia-se nas importações para responder a quase 60 por cento das suas necessidades de arroz.

Horta disse que a decisão do governo tem “o objectivo de se agarrar ao poder” mas está a empobrecer o estoque nacional de emergência do arroz e “aumentou a vulnerabilidade do país à volatilidade dos mercados internacionais.”

Á lista dos erros do governo, Loro Horta acrescentou a doação do monopólio da importação do arroz a pessoas bem-conectadas, “tais como, por exemplo, à mulher dum ministro do governo que dirige agora todas as importações de arroz para o país.”

O governo disse disse que iria retirar os dois biliões de dólares depositados num banco Americano para assegurar que há arroz suficiente para o milhão de habitantes do país. O chamado Fundo do Petróleo foi criado para poupar dinheiro para as gerações futuras de Timorenses para prevenir que os fundos fossem desviados.

Os preços do arroz quase triplicaram este ano na Ásia. Países incluindo a Índia, Vietname, Indonésia e Brasil restringiram as exportações de alimentos numa tentativa de garantir o abastecimento doméstico e limitar a inflação, mas tais gestos ajudaram a alimentar a subida dos preços.

O preço do arroz já subiu dramaticamente na antiga colónia Portuguesa. Em Fevereiro, uma saca de 35 quilogramas de arroz estava a ser vendida em Timor-Leste por 13 dólares. Em Abril, o preço tinha subido para 20 dólares.

“Nas áreas rurais, os altos custos do transporte que resultam das estradas em mau estado elevaram os preços para 27 dólares por uma saca de 35 quilogramas de arroz,” disse Loro Horta.

O consumo médio anual de arroz em Timor-Leste é entre 90,000-100,000 toneladas, enquanto o estoque nacional de arroz está correntemente a menos de metade do nível de segurança desejável de 8,000 toneladas e o suficiente para apenas alimentar o país durante um mês.

Repetidamente rebentaram lutas entre os Timorenses durante a grave carência de arroz em 2007 na capital Dili.

“Não há nenhuma razão para pensar que isso não aconteça mais uma vez,” concluiu Horta.

É um investigador na S Rajaratnam Escola de Estudos Internacionais e filho do presidente de Timor-Leste José Ramos-Horta.

1 comentário:

Margarida disse...

Tradução:
Timor-Leste: Governo põe em perigo reservas de arroz do país, diz analista
Dili, 9 Maio (AKI) – A tentativa do governo de se agarrar ao poder está a a empobrecer perigosamente as reservas de arroz do país e pode levar a desordem social, afirmou um analista.

Loro Horta disse que o primeiro-ministro Xanana Gusmão deve criar imediatamente um sistema de distribuição de alimentos mais eficaz e mudar a maneira como está a gerir o estoque de emergência de arroz.

A decisão de Gusmão de distribuir 35 quilogramas de arroz por mês aos 3,700 membros das forças militares e policiais e aos seus 17,000 funcionários públicos, é um sinal de “incompetência e irresponsabilidade,” argumentou Horta numa análise para o website ‘International Relations and Security Network’.

Timor-Leste, uma das mais pobres nações da Ásia, apoia-se nas importações para responder a quase 60 por cento das suas necessidades de arroz.

Horta disse que a decisão do governo tem “o objectivo de se agarrar ao poder” mas está a empobrecer o estoque nacional de emergência do arroz e “aumentou a vulnerabilidade do país à volatilidade dos mercados internacionais.”

Á lista dos erros do governo, Loro Horta acrescentou a doação do monopólio da importação do arroz a pessoas bem-conectadas, “tais como, por exemplo, à mulher dum ministro do governo que dirige agora todas as importações de arroz para o país.”

O governo disse disse que iria retirar os dois biliões de dólares depositados num banco Americano para assegurar que há arroz suficiente para o milhão de habitantes do país. O chamado Fundo do Petróleo foi criado para poupar dinheiro para as gerações futuras de Timorenses para prevenir que os fundos fossem desviados.

Os preços do arroz quase triplicaram este ano na Ásia. Países incluindo a Índia, Vietname, Indonésia e Brasil restringiram as exportações de alimentos numa tentativa de garantir o abastecimento doméstico e limitar a inflação, mas tais gestos ajudaram a alimentar a subida dos preços.

O preço do arroz já subiu dramaticamente na antiga colónia Portuguesa. Em Fevereiro, uma saca de 35 quilogramas de arroz estava a ser vendida em Timor-Leste por 13 dólares. Em Abril, o preço tinha subido para 20 dólares.

“Nas áreas rurais, os altos custos do transporte que resultam das estradas em mau estado elevaram os preços para 27 dólares por uma saca de 35 quilogramas de arroz,” disse Loro Horta.

O consumo médio anual de arroz em Timor-Leste é entre 90,000-100,000 toneladas, enquanto o estoque nacional de arroz está correntemente a menos de metade do nível de segurança desejável de 8,000 toneladas e o suficiente para apenas alimentar o país durante um mês.

Repetidamente rebentaram lutas entre os Timorenses durante a grave carência de arroz em 2007 na capital Dili.

“Não há nenhuma razão para pensar que isso não aconteça mais uma vez,” concluiu Horta.

É um investigador na S Rajaratnam Escola de Estudos Internacionais e filho do presidente de Timor-Leste José Ramos-Horta.

Traduções

Todas as traduções de inglês para português (e também de francês para português) são feitas pela Margarida, que conhecemos recentemente, mas que desde sempre nos ajuda.

Obrigado pela solidariedade, Margarida!

Mensagem inicial - 16 de Maio de 2006

"Apesar de frágil, Timor-Leste é uma jovem democracia em que acreditamos. É o país que escolhemos para viver e trabalhar. Desde dia 28 de Abril muito se tem dito sobre a situação em Timor-Leste. Boatos, rumores, alertas, declarações de países estrangeiros, inocentes ou não, têm servido para transmitir um clima de conflito e insegurança que não corresponde ao que vivemos. Vamos tentar transmitir o que se passa aqui. Não o que ouvimos dizer... "
 

Malai Azul. Lives in East Timor/Dili, speaks Portuguese and English.
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