O timor-online terá uma pausa.
Mas há-de voltar. E quando voltar não pára mais.
sábado, setembro 26, 2009
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quarta-feira, agosto 19, 2009
Gripe A chega a Timor
4 casos de gripe A foram descobertas em Timor. Os doentes estão sob observação no Hospital de Dili. A infecção veio de um timorenense que voltou da Indonésia.
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terça-feira, agosto 11, 2009
PM Xanana Gusmao: Australia Stole Oil so Should Yell About Corruption in Timor-Leste
Jornal Diario Nacional, Dili, Monday 10 August 2009
Timor-Leste (TL) will not surrender in the tussle over oil with Australia, because of this, Australia should not yell about corruption in the Parliamentary Majority Alliance (AMP) Government led by Prime Minister Kay Rala Xanana Gusmao.
“Six Australian journalists died here and yet they want to keep lying, why? Because they want to steal our oil, it’s this that Australian journalists should also look at, they should not come and criticize my government, I Xanana, I have already said, don’t think that I am afraid, the Indonesian generals are all generals because they fought with me, we had great difficulties during 24 years, but we did not surrender, so in this tussle over oil don’t come and yell about my government, this I am saying don’t do it boy, you will not win boy,” the head of the government Xanana Gusmao said angrily last Friday (7/8) at Bairro Central, Dili, in relation to reporting in the Australian media that PM Xanana had awarded rice supply contracts to his daughter.
PM Xanana underscored that, he fought in the jungles, all the Indonesian generals are all gone, but he is still here. “So I warn Australian Journalists that they should not tamper with my government, during 24 years, they signed to steal Timor-Leste’s oil, now they come with a lot of talk, continuing to say that we are a good for nothing people, no, you don’t play with me, sometimes we smile with one another, but don’t play with Xanana, as far as I am concerned, it is we who are governing better,” said the head of the AMP government.
Xanana Gusmao declared that they can all say what they like but he does not care, because his goals are the well being of the people and their future. He added that the FRETILIN opposition can also scream all they like at his government, asking that PM Xanana sack Minister Lucia Lobato and Minister Emilia Pires because they are not performing or because there are indications of corruption, but he is not startled by these accusations.
“I myself have been accused of favoring this person or that, I am not startled, because whichever member of my government is accused, I have to defend them. I have already said often , if there is a concrete case that has filed in Court, and the court notifies me of such, and a member of this government has this problem to come and answer in court, it will be I who will go and arrest that Minister, if he is proved to be wrong I will get someone to replace him or her, but if it is proved he or she is right, then I go back, and it is this that is the duty of the leader of the team, otherwise if I listen that this one is corrupt and I sack him or her, and that one is corrupt, but corrupt of what, if it is with me myself then I will go,” PM Xanana Gusmao said.
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sexta-feira, julho 24, 2009
Preservativos e Latifundiários
Governo devia promover uso de contraceptivos e legalizar aborto
- relatório dee Paula Almeida (LUSA)
– 11 de Jun de 2009
O governo timorense devia promover o uso de contraceptivos e legalizar o aborto para evitar a morte de mulheres devido a complicações por abortos ilegais, recomenda um relatório de uma fundação de Timor-Leste divulgado quarta-feira.
"A experiência internacional indica que a criminalização do aborto torna-o perigoso e que é aconselhável em termos de saúde pública não criminalizar, mas regular o acabar com a gravidez", indica o relatório, financiado pelo Fundo das Nações Unidas para a População.
O trabalho, realizado pela Fundação Alola (organização para os assuntos da mulher criada por Kirsty Sword-Gusmão, mulher do primeiro-ministro de Timor-Leste), foi divulgado uma semana depois de o Parlamento ter aprovado uma lei permitindo o aborto quando está em risco a saúde da mulher. Nos restantes casos, as mulheres que abortam podem ser condenadas a até três anos de prisão.
Díli, 13 Jun (Lusa) - Lei das Terras - Xanana Gusmão contra latifundiários
O primeiro-ministro timorense frisou hoje que a Lei das Terras, por critério político do governo, evita os latifundiários, motivando antes a população a possuir um pequeno pedaço de terreno como garantia de um futuro melhor.
Xanana Gusmão falava à Agência Lusa à margem da apresentação e abertura da fase de consulta pública do ante-projecto de lei que estabelece o Regime Especial para a Definição da Titularidade de Bens Imóveis, vulgo Lei das Terras, realizada em Becora, arredores de Díli.
Conclusão: Vamos ter muitos filhos e um bocadinho de terra onde os criar: pobres mas felizes!
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segunda-feira, julho 20, 2009
Timor e eu
A primeira vez que fui a Timor deparei-me com uma realidade nova. Um país brilhante, de areias brancas e águas azuis como o céu. Pensei para mim mesmo, enquanto dava uma volta pela marginal quando cheguei, que era um sortudo. Sorte de estar na outra ponta do mundo. Sorte de conhecer outro mundo. Fiz uma viagem de uma vida, e várias vezes fiz essa viagem.
Aprendi, cresci, tive os meus bons e maus momentos, e sobretudo, comecei a pensar de outra forma.
Até então nunca me tinha faltado nada, nunca tinha presenciado miséria com os meus olhos, nunca tinha visto ódio, tristeza sincera, desespero, aflição e falta de esperança. E isso fez-me pensar. Fez-me questionar, fez-me ter um rumo.
Porque é que eu tenho e eles não?
Porque é que eu posso e eles não?
Não gostei da resposta. E decidi ajudar.
Até agora, a verdade é que não fiz nada. Não ajudei a construir uma casa, não ensinei nada a ninguém, não salvei ninguém...
Mas quem me levou a Timor fez isso. Quem me levou a Timor mostrou-me que afinal ajudar não é difícil, basta preserverança.
Vi, ouvi e senti horrores. Mas nunca me chocaram. Irritaram-me. E é essa raiva que eu uso todos os dias contra o que acontece e está mal.
Nunca me escondi e agora estou aqui a começar a minha vida. A que eu quero:
Vou começar neste blog em homenagem à pessoa que me levou a Timor, que me ensinou, que me trouxe ao mundo e que partiu cedo demais.
É este o meu maior elogio à minha Mãe. Continuar a sua atitude, transformando-a na minha.
Do fundo do coração, Obrigado.
''Muda que quando a gente muda
O mundo muda com a gente.
A gente muda o mundo na mudança da mente,
E quando a gente muda, a gente anda para a frente''
Gabriel, O Pensador - ''Até Quando''
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UN experts to review 11 countries' records on discrimination against women
Jamaica Observer
DOMESTIC violence, political participation, discriminatory family law, eliminating stereotypes and preventing trafficking will be some of the areas explored by a committee of 23 experts charged with ensuring that governments eliminate discrimination against women, when it meets in New York from July 20 to August 7 at United Nations Headquarters.
The Committee on the Elimination of Discrimination against Women (CEDAW) will also hear information from non-governmental organisations and UN entities about protecting the rights of older women and about the economic consequences of divorce.
CEDAW will review 11 countries - four for the first time (Guinea-Bissau, Liberia, Timor-Leste and Tuvalu) - and then will make recommendations to each government about what more it should do to eliminate discrimination against women.
The 23 experts will be looking at the situation of women in Azerbaijan, Bhutan, Denmark, Guinea Bissau, Lao People's Democratic Republic, Japan, Liberia, Spain, Switzerland, Timor Leste and Tuvalu.
The committee regularly reviews each country once it becomes a party to CEDAW. Currently, 186 countries have accepted the Convention, which was adopted 30 years ago.Government representatives of each country will be questioned by the experts about how they are ensuring that women are able to fully exercise their rights under each of the 16 substantive articles of the 30-article Convention.
All the sessions are public meetings; however, the Committee will also meet in private to consider complaints from individuals or groups of individuals claiming to be victims of a violation of their rights.
Currently, Naela Gabr (Egypt) is the committee chairperson.
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domingo, julho 19, 2009
Antiga secretária particular de Xanana está a responder em tribunal no caso do atentado contra Ramos-Horta
Público - 18 de Julho de 2009
Angelita Pires é a única mulher entre os 28 réus de um processo em curso em Díli pela tentativa de assassínio de José Ramos-Horta. Era namorada do major Alfredo Reinado, que liderava o grupo que quase matou o Presidente de Timor-Leste, em 2008.
De nome próprio Ângela, mais conhecida por Angelita, por vezes também referida como Angie, teve "muitos namorados", segundo dizem os que com ela privaram de perto, e pode reivindicar três nacionalidades: a timorense, a australiana (por naturalização) e até a portuguesa.
Os avós paternos desta cidadã mestiça eram portugueses, mas, na abertura do julgamento, dia 13, era preferiu optar pela "autenticidade" maubere, apresentando-se em traje tradicional... e descalça, para maior efeito mediático.
"Vou lutar pelo major Alfredo Reinado. Jamais o deixarei!", proclamou a ré, referindo-se ao mais conhecido dos seus amores, o líder rebelde que no dia 11 de Fevereiro de 2008 apareceu baleado à entrada da residência de Ramos-Horta, pouco antes de este ter sido gravemente ferido a tiro.
"Nunca me confessarei culpada e nunca aceitarei um perdão. Por que haveria de o fazer?", disse ela à rádio pública australiana ABC. "Se tiver de ir para a cadeia devido ao meu amor por Alfredo, e pelo povo, irei", acrescentou a mulher a quem no ano passado Ramos-Horta chamou "uma tarada". Já o antigo candidato presidencial Manuel Tilman, secretário-geral do partido monárquico KOTA, refere-se a Angelita como uma "pessoa divertida e simpática".
O Chefe de Estado tem dito que poderá perdoar aos antigos soldados desertores que estão a ser julgados juntamente com Angelita Pires, reservando para ela as suas mais duras palavras de condenação.
Se bem que todo o noticiário das últimas semanas se centre no relacionamento da ré com o chefe dos rebeldes, a verdade é que este caso amoroso era recente; só teria começado em 2007, quando ele andava a monte, fugido à justiça.
Muitos anos antes disso, Angelita Pires foi secretária particular do mítico guerrilheiro Xanana Gusmão, quando este saiu da prisão indonésia de Cipiang e foi passar um mês na Austrália, antes de se encaminhar para Timor-Leste, onde em 2002 viria a ser eleito Presidente da República.
"A minha cliente está inocente. Não existem provas que a associem a qualquer conspiração para matar ou a acontecimentos verificados no 11 de Fevereiro", disse numa entrevista ao Tempo Semanal, de Díli, o seu advogado australiano, John Tippet.
"Quem é que na verdade esteve envolvido? Que espécie de conspiração é que esteve por trás de Alfredo Reinado?", perguntou o causídico, usando a argumentação de que a ré estaria a servir de bode expiatório.
"Creio que o que aconteceu não foi inteiramente da responsabilidade timorense; mas em certa medida cometido pela comunidade internacional", disse Angelita, que é prima da ministra das Finanças, Emília Pires, e que tem a sua defesa financiada pela Procuradoria-Geral da Austrália.
Segunda esta defesa, Reinado e o seu camarada Leopoldino Exposto teriam ido à residência de Ramos-Horta, no Boulevard John Kennedy, para se reunir com o Presidente, e foram mortos, antes de ele regressar do passeio matinal.
Depois desse incidente, o ex-tenente Gastão Salsinha assumiu o comando das forças rebeldes que andavam nas montanhas, e é agora um dos réus; tal como Marcelo Caetano, do qual se alega ter sido quem disparou contra o Presidente da República, deixando-o em perigo de vida. Prevê-se que o julgamento dure meses.
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Afinal Reinaldo não tentou matar o Presidente
Mais uma vez, a informação vinda de Timor e Austrália não se mostra fiável. Desde há muito, diga-se.
A 11 de Fevereiro de 2008, estipulou-se uma tentativa de assassinato de Ramos-Horta e Xanana Gusmão por parte de Alfredo Reinado, quando este se deslocou a residência do Presidente a convite do PM.
No entanto, a ordem era para matar Reinado. Como aconteceu.
Reinado foi baleado à queima-roupa tendo a bala perfurado a palma da mão em sinal de protecção.
Xanana Gusmão afirmou que o seu jipe esteve sobre fogo cruzado e foram chamados especialistas australianos (noutras palavras, uns CSI).
O artigo segue:
World Socialist Web Site
- 18 July 2009
East Timor: Trials begin over 2008 Horta-Gusmao “assassination attempt”
By Patrick O’Connor
Dual East Timorese and Australian citizen Angelita Pires is now on trial, facing a series of charges relating to last year’s so-called assassination and coup attempt against the country’s Prime Minister Xanana Gusmao and President Jose Ramos-Horta. The court, which convened last Monday, has heard the prosecution allege that Pires is guilty of attempted murder and conspiring to kill the president on the grounds that she was the “indirect author” of these events.
Initial proceedings have underscored the numerous unanswered contradictions and far-reaching political interests involved in the events of February 11, 2008.
The official account, first promoted by the Timorese government and the Australian media and now advanced by Pires’s prosecutors, is that Alfredo Reinado—Pires’s partner and former military-police commander—had led his men in an unsuccessful coup attempt and was killed after attacking Ramos-Horta and his security detail. Along with Pires, 23 ex-soldiers and 4 of their associates, including Reinado’s senior colleague Gastao Salsinha, are on trial. President Ramos-Horta has suggested that he may pardon the men. (Tem piada, não tem?)
The official account is unsupported by the evidence and believed by virtually no-one in East Timor. Based on what is now known, it is almost certain that Reinado and his men were lured into Dili, after being told they had an appointment for a discussion with Ramos-Horta, in order to be executed. The World Socialist Web Site was alone in raising this possibility immediately after the February 11 events.
Pires has rejected the charges laid against her. Her Australian barrister Jon Tippett, QC has said that the trial highlights the disastrous state of the Timorese legal system, which he described as “one of the most substantial failures that the United Nations has ever engaged in”.
Pires’s legal team received access to the prosecution’s voluminous files just days before the trial opened, rather than the months normally granted to allow adequate preparation. “I’m very concerned about it being a fair trial,” Tippett told the ABC, “because I’ve now had complete access to 25 volumes of the prosecution case and there is no substantive evidence or properly admissible evidence that could possibly support any of the charges that have been brought against her. Now in those circumstances I would expect any responsible prosecuting authority to withdraw these charges against her at the earliest opportunity. The fact that the case is still going to trial gives me concern that this is not a legal case, it’s a political case.”
Significantly, Tippett has indicated that he intends to prove Pires’s innocence by demonstrating that Reinado was killed after attending what he believed was a meeting arranged with Ramos-Horta. “The evidence seems to point to a different story to the one which people have been receiving through the media and certainly from sources in the government of Timor-Leste to date,” the lawyer told Timorese newspaper Tempo Semanal. “The [real] story seems to be one of Reinado coming to meet the president and in the course of that event he’s shot at extremely close range ... in what appears to be an assassination.”
Prosecutors last week attempted to have Tippett and Pires’s other senior counsel, Brazilian Zeni Arndt, thrown out of court on the grounds of their alleged lack of standing in Timor’s legal system. The two lawyers were told to sit in the viewing gallery for part of the first day’s proceedings, but the presiding judge ultimately decided to permit them to participate.
Pires’s defence lawyers have said they may call 150 witnesses, likely resulting in court proceedings lasting several months.
The trial has the potential to prove highly damaging to both the Timorese and Australian governments. The immediate questions raised by the charge that Reinado was set up for assassination is: who was responsible and what was the motivation? In line with the legal adage cui bono?—who benefits—suspicion must firstly fall upon forces around Gusmao as well as Australian personnel in Dili and Canberra.
Reinado, Gusmao, and the Australian governmentBorn in 1967, Reinado fled Indonesian-occupied East Timor for Australia in 1995. He returned during the country’s transition to formal independence and joined the newly created armed forces; from 2003 to 2005 he spent several months studying and training with the Australian army in Canberra. Then in May 2006, as commander of a platoon of military police, Reinado and his men joined the mutiny of a section of the army known as the “petitioners”, who had rebelled against the Fretilin government led by Prime Minister Mari Alkatiri.
The exact circumstances leading up to the split in the military remain unclear, but there is evidence suggesting that then President Xanana Gusmao was centrally involved in preparing the provocation as a means of destabilising the Alkatiri administration. Gusmao had been openly siding with the most right-wing sections of the Timorese elite, who were opposed to the Fretilin government—including former Indonesian militia members, criminal gangs, larger landowners, and the powerful Catholic Church.
The Australian government was also a leading participant. It seized upon the petitioners’ uprising to dispatch more than one thousand Australian and New Zealand soldiers to the impoverished state as part of a calculated regime-change operation. The media played an especially foul role, with the ABC’s “Four Corners” program promoting baseless accusations that the prime minister had formed a hit squad to assassinate his opponents. Alkatiri eventually acquiesced to the pressure, and chose to hand over power in June rather than risk a popular movement against the coup plotters developing beyond Fretilin’s control.
Reinado enjoyed close relations with both Gusmao and the Australian forces. After he had taken up arms against the elected government, and killed several security force personnel in a vicious ambush in Dili, Gusmao wrote Reinado a friendly letter encouraging him to withdraw his men from the capital. The president subsequently paid for Reinado’s hotel bill when the soldier stayed in the central town of Ailieu for six weeks. During this time the “rebel” held talks with high-ranking Australian military personnel and was feted in the Australian media as a “folk hero” heading a popular movement against the government.
What followed was a series of murky episodes that pointed to the close ties between Reinado and Australian military and intelligence personnel. In July 2006, Portuguese police arrested the former soldier in a Dili house, which he had used to store weapons and which was located directly opposite an Australian military base. A few weeks later Reinado was somehow able to walk out of a prison that Australian and New Zealand troops were responsible for guarding. In March 2007, shortly after a proposed deal on Reinado’s surrender—negotiated with Gusmao and Ramos-Horta—fell through, the Australian government deployed 100 elite SAS troops to lead a raid on Reinado’s base in the central mountain town of Same. The former major was again somehow able to evade detention, walking away from the clash unscathed. Later, after Gusmao and Ramos-Horta called off the official manhunt, Reinado and the Australian army exchanged information about each other’s movements—using Angelita Pires as the go-between.
The turning point in Reinado’s various manoeuvres came in January 2008, when he released a DVD accusing Gusmao of being behind the 2006 crisis, and threatened to provide additional details in future statements. Reinado’s damning allegation, apparently triggered by a breakdown in negotiations with Gusmao over the terms of his surrender, exacerbated the crisis of the prime minister’s unstable coalition government.
On February 7 last year, President Ramos-Horta convened a meeting of parliamentarians from both government and opposition parties to announce his support for Fretilin’s demand for new elections, which Gusmao was bitterly resisting. Canberra no doubt also viewed with extreme alarm the prospect of another national vote, having expended significant resources, firstly in ousting Alkatiri in 2006, and then in assisting the coming to power of the Gusmao government through the 2007 parliamentary elections held under Australian military occupation.
Ramos-Horta scheduled further discussions on the question of a fresh election—but these were never held. Reinado was killed just four days after the initial meeting. His death fortuitously eclipsed the threat that Gusmao’s true tole in the 2006 crisis would emerge. Moreover, Gusmao seized on the so-called coup attempt to announce a “state of siege”, under which he assumed sweeping authoritarian powers. Prime Minister Kevin Rudd meanwhile rushed to dispatch another 190 soldiers and federal police, bolstering the increasingly unpopular Australian occupation force.
There was, therefore, ample reason for both Gusmao and Canberra to want Reinado eliminated. On the other hand, no-one has ever provided a plausible explanation as to why Reinado would want to kill Ramos-Horta. Certainly prosecutors in the Pires trial have so far provided no motive. The president had visited Reinado in mid-January and agreed to a secret amnesty deal that would see the former major avoid imprisonment in return for surrendering his arms and returning to Dili. Ramos-Horta, in other words, was Reinado’s best—and last—hope of securing his freedom.
Prosecution contradictions: There are countless outstanding questions regarding the events of February 11. How did Reinado and his men avoid detection by Australian troops and police as they travelled as an armed convoy up to President Ramos-Horta’s residence? Did Australian intelligence agencies have prior knowledge of what has being planned, given that Reinado made dozens of mobile phone calls, including to Australia and Indonesia, in the days before his death? Did the alleged ambush on Gusmao’s vehicle, led by Reinado’s associate Gastao Salsinha, actually take place, or was it a staged fraud, as Fretilin leader Mari Alkatiri has alleged?
A full and comprehensive account of what happened may never emerge; critical evidence was deliberately sabotaged in the aftermath of Reinado’s shooting. The bodies of Reinado and Leopoldino Exposto were moved and tampered with by Timorese police and soldiers, Reinado’s clothing was removed, his mobile phone used, and his weapon interfered with. The rifle used to shoot Reinado and Leopoldino from point-blank range has never been properly examined.
The prosecution’s case has already begun to unravel, after just five days of court proceedings.
Reinado’s fellow “rebel”, Marcelo Caetano is accused of shooting President Ramos-Horta. This is despite Ramos-Horta himself previously telling the media that Caetano was not responsible. “Marcelo Caetano was wrongly accused,” the president told the Age in October last year. “I never said it was him. It was a media beat-up.”
This “media beat-up” is now the central pivot upon which the prosecution apparently hopes to build its case. Two of Ramos-Horta’s guards testified this week that the gunman who shot Ramos-Horta was wearing a balaclava at the time. One, Pedro Soares, said he could not identify the man because his face was hidden, but the other, Isaac da Silva, insisted that the attacker was definitely Caetano and that he recognised him, “from the way he was standing and his attitude”. Lawyers for the accused noted that da Silva’s testimony contradicted his earlier statement to investigators in which he said that he had not recognised the gunman. Also unexplained is the contradiction between the prosecution’s charge that Ramos-Horta’s attacker was wearing a balaclava with the president’s statement, again made to the Age last year, that he had seen the gunman’s “face and eyes” immediately before the shooting.
Ramos-Horta, who has issued numerous statements against Pires in the lead up to the trial, is now remaining silent.
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A corrupção em Timor
East Timor's President Jose Ramos Horta has conceded there's a chance of making mistakes when multimillion dollar contracts are signed by government officials.
Mr Ramos Horta has once again defended Prime Minister Xanana Gusmao who signed off on a multimillion dollar contract for Prima Food - a company in which his daughter was a shareholder.
Last month, Radio Australia's parent company the ABC obtained documents which suggested Mr Gusmao had awarded 3.5 million dollars to the company Prima Food, to import rice last year.
Mr Ramos Horta says he has confidence in the Prime Minister
"I think corruption is serious in Timor Leste but I reject the charges that top government officials are involved like the prime minister," he said. "The prime minister is a very very honest person. He wants to do things fast."
Mr Gusmao has also rejected the allegations, and says he welcomes an investigation by the country's newly formed anti corruption commission.
Noutras palavras, eu lavo-te as mãos e tu lavas as minhas, quando eu precisar...
Principalmente quando o concurso público nem sequer estava já decidido, nem que seja que a filha do PM assinou a proposta com apenas o primeiro nome.
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East Timor advances despite Australian aid failures
This week, Australian citizen Angelita Pires was one of 27 people brought to trial for the attempted assassination of East Timor's President José Ramos-Horta on 11 February 2008. Pires, who insists she is innocent, is the former lover of rebel leader Alfredo Reinado, who was killed in the attack.
Next month will mark ten years since Indonesia agreed to a plebiscite. Four out of five Timorese voted for independence. The assassination attempt was undoubtedly the low point of the decade.
There have been many other setbacks, including the current destabilising accusations against Prime Minister Xanana Gusmao for his role in authorising a multi-million dollar contract for a company part-owned by his daughter.
But life in Dili has improved greatly over the last 18 months. The government has injected large amounts of money into the local economy, much of it directly into the hands of the poor. On the main road through Dili, stacks of government-subsidised rice are for sale. The camps of internally displaced persons have gone, although some claim they have gone only from public view. In their place are restored buildings and new public spaces. Opposite the main hotel in Dili, where a crowded camp for displaced persons once stood, a well-equipped playground is now full of children.
In Australia, a younger generation will have the chance to learn anew about the origins of Timorese independence with the release of the major film, Balibo. It re-enacts the tragic events of 1975. Journalist Tony Maniaty's book, based on his reporting from Dili at the time of the murder of the Balibo Five, will also add to many Australians' knowledge of these events.
So what progress has Timor Leste, as the country prefers to be called, made over the last decade? In particular, how effective has the Australian Government assistance been over this period?
Contrary to many Australians' expectations, the Australian Government has a low profile in East Timor. Despite its large troop presence of up to 800, its influence often appears passive, reactive and disjointed in its dealings with the Timorese Government. Australia's three main arms in East Timor the diplomatic mission, AusAID and the International Stabilisation Force operate as separate entities. This lack of an integrated presence is one reasons for Australia's limited success in fostering the institutions and capacities of the new state.
In addition, there is little evidence that the Australian aid program has been effective, especially in reducing poverty. The World Bank, in a recent assessment, concedes that 'despite concerted efforts by government and development partners, human development outcomes remain low'.
Australia is the largest donor to East Timor, its aid program amounting to $117 million. But the aid funds are spread thinly across a broad range of activities. It has programs in security and justice, and public sector management. It also funds the delivery of services in health care, water and sanitation, vocational education and food security. Most expenditure is on security and governance, with less than a third allocated to health, water/sanitation, rural development and education.
But depite the breadth of its programs, AusAID is floundering. Unlike its practice in other countries, it has failed to produce a country strategy for East Timor, despite repeated statements that it is about to do so. AusAID's ad hoc and fragmented approach to delivering aid has been driven from Canberra. Until this year, when staffing has been upgraded, only a small number of staff were on the ground in Dili.
Many complain that AusAID staff spend too much time closely monitoring programs, and too little time attending to the big picture or improving program performance. AusAID has no capacity on the ground to collect or analyse data. It cannot focus on delivering outcomes or on finding out what has worked and what has not. AusAID lacks transparency. It does not provide progress indicators for specific programs. Nor does it publish evaluation studies to report successes or failures.
To forge a new basis for its relations with East Timor, a new bilateral agreement is needed, based on the strong common interest of both countries to reduce poverty on a large scale over an extended period.
Australia also needs to address the concern of the Timorese government to gain access to the Australian labour market for temporary work and on-the-job training. It also needs to help provide more local benefit to the Timorese economy from the exploitation of its only major economic asset: its oil and gas reserves.
A more effective aid program has to be a core element in a new relationship. Program funding should be for ten years or more. A much greater focus on reducing poverty at all levels is needed. Changes need to be made on the basis of published reports on the success of programs. If Australia is to have a greater impact in the second decade of East Timor's existence, it needs to develop a much stronger and integrated local capacity.
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Estreia mundial de filme sobre a invasão de Timor-Leste pela Indonésia
Público - 18 de Julho de 2009
Presidente Ramos-Horta é uma das figuras retratadas e vai estar no Festival de Cinema de Melbourne.
A estreia mundial do filme Balibó, que retrata um dos episódios mais dramáticos dos primórdios da invasão de Timor-Leste pela Indonésia, em 1975, vai ser a 24 de Julho, na inauguração do Festival Internacional de Cinema de Melbourne.
O Presidente timorense, José Ramos-Horta, é o convidado de honra desta estreia. Sentar-se-á ao lado dos actores australianos Anthony LaPaglia, Gyton Grantley e Nathan Phillips, para assistir à projecção deste thriller político.
Dirigido por Robert Connoly, o filme conta a forma como dois jornalistas australianos, um neozelandês e dois britânicos foram mortos por tropas indonésias na zona de Balibó, distrito de Bobonaro, na fronteira de Timor-Leste com o Timor indonésio. Balibó, que tem 90 minutos de duração, é contado pelos olhos de outro jornalista australiano, Roger East (LaPaglia), que chegou ao território para investigar a morte dos demais, e que acabou, também ele, assassinado pelos militares indonésios.
Roger East foi chamado a Timor-Leste pelo então jovem activista José Ramos-Horta, aqui interpretado pelo actor guatemalteco Oscar Isaac, de 29 anos, que em 2005 terminou o curso da Julliard School, em Nova Iorque.
Numa das sequências do filme, Ramos-Horta, que tinha 25 anos, dá a East um dossier com documentos secretos que a Austrália não gostaria que fossem divulgados - as autoridades de Camberra sabiam que a Indonésia ia invadir Timor-Leste, sem que tenham feito nada para o impedir.
As tropas indonésias, nas suas primeiras incursões em solo que então era formalmente português, justificaram o assassínio dos jornalistas da Austrália, do Reino Unido e da Nova Zelândia por serem "comunistas", simpatizantes da Frente Revolucionária de Timor-Leste Independente (Fretilin).
Mas a maior parte dos historiadores crê que os jornalistas anglófonos foram mortos para não revelarem ao mundo que a Indonésia começara a invadir uma colónia portuguesa na Oceânia.Um dos responsáveis pelas execuções, o capitão Yunus Yosfiah, viria a ser ministro indonésio da Informação em 1998 e 1999, apesar de entretanto também ter sido acusado de, em 1978, ter morto o então líder da Fretilin, Nicolau dos Reis Lobato.
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sexta-feira, julho 17, 2009
Telefonemas inundam base da GNR em Díli
O quartel de Caicoli – base militar de Díli, Timor-Leste, onde está sediado o subagrupamento Bravo da GNR – foi ontem inundado de telefonemas de familiares dos militares daquela unidade.
Fontes da GNR no território disseram ao CM que as famílias receiam pela segurança dos militares naquele país, que têm vindo a ser perseguidos e atacados por grupos de artes marciais dos quais fazem parte polícias timorenses.
Quase todas as agressões a elementos da GNR no território têm a assinatura de um elemento do Corpo de Segurança Pessoal do primeiro-ministro, Xanana Gusmão.
O agente da Polícia Nacional de Timor-Leste, conhecido em Díli como ‘senhor Gastão’, foi o autor dos seis disparos que, na madrugada de 28 de Junho, furaram os pneus de um jipe do subagrupamento Bravo.
Os incidentes, e a intervenção de ‘senhor Gastão’ nos mesmos, não se ficaram, no entanto, por aqui. Segundo várias fontes da GNR, o segurança pessoal do primeiro-ministro terá ainda estado presente nas agressões, à catanada e à facada, perpetradas contra militares da GNR em Março, junto a um restaurante de Díli.
No mês seguinte, o mesmo agente da polícia timorense envolveu-se num conflito com outro guarda, que descambou em agressões. As famílias dos 140 militares do subagrupamento Bravo pouco sabiam sobre isto. Em Díli, ontem, muitos foram os pedidos de explicação. A todos, a GNR respondeu com garantias de tranquilidade, assegurando não haver conflitos com quaisquer instituições timorenses.
INTENDENTE NÃO COMENTA
O intendente Luís Carrilho, responsável máximo da polícia da ONU em Timor-Leste, não quis ontem comentar ao ‘CM’ os relatos de ataques sistemáticos à GNR em Díli. "Existe apenas a situação de 28 de Junho, que está a ser investigada disciplinarmente e pela procuradoria timorense", referiu o oficial da PSP.
O comissário Longuinhos Monteiro, comandante da polícia timorense, já exigiu celeridade nos inquéritos.
PORMENORES
1600 HOMENS EM TIMOR
A polícia das Nações Unidas em Timor-Leste, e o seu comandante, o intendente da PSP Luís Carrilho, comandam 1600 agentes de quatro nacionalidades, entre as quais a portuguesa. PNTL ASSUMEA Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL) já assumiu, da UNPOL (Polícia das Nações Unidas), responsabilidades de patrulhamento em algumas zonas do país.
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Malai Azul 2
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22:14
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Desemprego em Timor chega aos 20%
Timor tem 1,1 milhões de habitantes.
90% trabalha numa agricultura sazonal.
''According to the UN Development Programme, 50 percent of the population lives below the national poverty line of US$0.88 per day, despite oil-based GDP per capita of $4,500 for 2008''
E ainda,
''President Jose Ramos-Horta told IRIN the government would employ "thousands of people" to build 4,000km of new roads.''
Em que é que ficamos?
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Carta de Francisco Guterres ao Povo
''Bom dia aos Camaradas e compatriotas.
Por este meio de Globalização, gostaria de realçar a situação e a governação do governo AMP de Timor Leste.
A situação de Timor Leste actualmente está num estado anestésico mas por trás desta anestesia há piores situações do povo maubere que tem tido a enfrentar.A riquesa do Povo Maubere está mal distribuida e mal gasto.
O Povo Maubere é sofredor mas com o seu sofrimento está mais maduro e inteligente. Povo maubere está a fiscalizar e observar diariamente de que, a sua riquesa está mal distribuida, apenas usufruir por 7% dos timorenses.Estes 7% são individuos que estão no governo de AMP e os seus colegas, amigos e familiares.
Com todo este cenario, há descontetamento no seio do POVO MAUBERE.
O PORQUE? Porque o POVO sente falta JUSTIÇA e VERDADE depois de reconquistou da sua restaurauração da INDEPENDÊNCIA de Timor Leste.A Fretilin foi Único porta vós durante 27 anos a lutar pela Justiça, Verdade e Direito do Povo maubere e continua a ser guião do Povo maubere.
O governo de AMP não está a governar mas sim, está a destruir diariamente o sistema administrativo e a constituição de Timor Leste. O GOVERNO AMP de Timor Leste é um governo fantoche.
O governo que só sabe consumir e não sabe produzir.O governo de pendurador das pessoas de tacho. Os tachos estão a pendurar nos ramos do Pendurador. Todos os Ministérios deste governo estão a ser completamente minado pela corrupção praticado pelos ministros e directores deste governo fantoche.
N.B:
O povo está conciente de que, ele está a ser enganado, roubado e manipulado. Queremos valorizar e dignificar o povo maubere sem Mascáras. A aplicação da Justiça é Única para garantir o Direito Democratico do Povo timorense; sem manipulação; só assim, poderá garantis a união do povo maubere, a paz e o Progresso.
F. Guterres.
Bem Haja.''
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O porquê
Devo uma explicação aos seguidores deste blogue.
A pessoa por detrás de Malai Azul, infelizmente, faleceu.
Em homenagem a tal pessoa, encarregar-me-ei de continuar o seu trabalho de desmascar e informar o que realmente se passa em Timor-Leste, país esse que também a mim me marcou.
No entanto, ainda não tenho possibilidade para o fazer e como tal, venho por este meio pedir ajuda a quem se sensibiliza com este assunto. Se conheceram o Malai Azul 1, conhecem-me a mim e peço-vos que me enviem comentários a esta mensagem com os vossos dados (Nome e e-mail) de modo a poder contactar-vos.
Do fundo do coração, não deixarei este projecto morrer.
A todos, o meu obrigado.
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sábado, julho 11, 2009
Voltarei
O blogue voltará ao activo. Poderá não ser amanhã, nem daqui a um mês ou um ano. Mas voltará. Prometo.
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sexta-feira, março 06, 2009
“Sem medo da vida”
Expresso.pt
Fev 2009 (um ano após os atentados em Timor-Leste)
“ Sem medo da vida”
Sónia Neto
Esta é a história de uma tarde em que estive com J., que quis escapar à vida e com Ramos-Horta, que acabara de escapar à morte. Unia-os uma ideia de dever. Um, para com a sua família, o outro para com o seu povo. Desde a morte do meu pai, nunca tinha tido um dia assim tão forte.
Durante meia hora J., paquistanês, não largou a mão de Atul Khare, o indiano que o Secretário-Geral da ONU escolheu para seu Representante Especial em Timor-leste.
Deitado numa cama de hospital em Darwin, uma perna engessada, o corpo cheio de marcas, aperta a mão do seu chefe. J. está ao serviço da ONU. Pede perdão por ter querido morrer.
Foi para o Suai, um lugar isolado da ilha, está só e não fala a língua local. A mulher foi para as Filipinas com a filha e ele foi em missão proteger os timorenses de si mesmos e ganhar para sustentar a família, tentando sobreviver à solidão. Por pouco não conseguia.
A corda chegou a estar pendurada e presa ao pescoço, mas alguma coisa aconteceu, não interessa o quê, e ele está ali, na cama do hospital de Darwin. Vivo.
Meia hora depois, a mesma mão é de novo apertada, com a mesma força. Ramos- Horta está deitado numa cama do mesmo hospital. Não tem por que pedir perdão, é a si que devem um pedido de desculpas, mas está tão triste quanto J.
Nunca quis morrer, mas quiseram matá-lo e ele não percebe porquê. A ele, que era o mediador, que, tal como J. tentava proteger os timorenses de si próprios, do seu passado, do seu futuro por experimentar. Aperta com força a mão de Atul Khare, como se pudesse chorar, aperta com força a minha mão, como se soubesse que eu chorava por dentro, e ouve o relato do que aconteceu nas últimas semanas.
Ramos-Horta fora eleito presidente e Xanana Gusmão, embora não liderasse o partido mais votado, tinha reunido uma coligação e encabeçava agora o novo governo. Depois da tomada de posse a situação parecia ter acalmado. Durante vários meses não tinha havido nenhum incidente grave, mas havia tensão, havia dúvidas e havia a vontade de não repetir o erro de deixar a ONU sair antes do tempo. Por isso a ida a Nova Iorque. A ONU só podia sair de Timor quando os timorenses estivessem em paz consigo.
Trinta horas de voos de Díli até Nova Iorque, para participarmos numa reunião do Conselho de Segurança onde se ia discutir o prolongamento da missão da ONU em Timor e trinta horas de voos de regresso imediato. E foi então que chegaram as notícias, trinta horas depois de termos partido. Atentados em Timor. Tentaram matar o Presidente. A reunião do Conselho de Segurança que estava marcada foi cancelada mas imediatamente seguiu-se-lhe uma outra para se condenar os atentados, à qual assisti incrédula e sem querer acreditar no sucedido.
O Representante Especial do Secretário-Geral, sempre com sentido de missão, regressou ao seu posto, mas foi preciso quase um mês até que Ramos-Horta saísse do coma induzido e pudesse receber visitas oficiais.
Dia 3 de Março, embarcámos de Díli para Darwin. Depois de visitar J., atravessámos os corredores, até encontrarmos Ramos-Horta. Que alegria, que revolta, que tristeza.
No seu quarto, ainda nos cuidados intensivos, conversámos pausadamente, muito pausadamente, como as batidas do seu coração. As nossas mãos, essas, estavam muito apertadas às suas, como se nós próprios lhe quiséssemos segurar a vida. Nesse dia, Atul Khare combinou que passaria a vir a Darwin reunir com o Presidente da República de Timor-Leste todas as semanas.
Nos dias seguintes voltei ao hospital, falámos de Timor, dos timorenses, das suas lutas. Ramos-Horta perguntou por Durão Barroso e pelas coisas na Europa e quis notícias das eleições na América. Que alivio o meu, o de sentir que as balas que o atravessaram, não lhe tinham levado o interesse natural e a astúcia politica de se manter informado acerca do que se estava a passar na cena internacional. Naquele momento estava perante o Ramos-Horta com quem trabalhei e convivi durante 6 anos. Momentos mais tarde, recordou-se o atentado, fez-se silêncio, li-lhe emails que lhe dirigiam de várias partes do Mundo, houve vontade de chorar e houve sorrisos. Mas nunca houve um riso aberto, sonoro, como os que Ramos-Horta costumava dar. Desde os atentados, nunca mais o vi rir como antes.
Passadas umas semanas J. voltou a Timor, sozinho, mas desta vez ficou em Díli. Afinal um soldado tem de sobreviver aos seus medos.
Mais tarde, Ramos-Horta regressou também a Díli, frágil mas com uma titânica determinação em prosseguir os seus ideais, os da paz e estabilidade do seu povo. Não estava só mas rodeado por uma multidão emocionada que o acompanhou até à porta da sua casa, na qual foi baleado e que, ironicamente, foi baptizada de Boulevard John Kennedy. Ramos-Horta sobreviveu.
(Sónia Neto exerceu funções de Chefe de Gabinete de Ramos-Horta entre 2001 e 2006 e foi Conselheira do Representante Especial do Secretário Geral da ONU de Abril de 2007 a Março de 2008, em Díli)
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Ex-governador da ocupação entra no Governo
Díli, 05 Mar (Lusa) - Mário Viegas Carrascalão, ex-governador de Timor-Leste durante a ocupação indonésia, tomou hoje posse em Díli como vice-primeiro-ministro.
Na cerimónia da tomada de posse, o Presidente da República, José Ramos-Horta, enalteceu a “integridade” do ex-governador e referiu “um trabalho de quarenta anos em favor de Timor-Leste”.
“A História faz-lhe justiça”, afirmou José Ramos-Horta à Agência Lusa após a cerimónia.
“Todos temos em conta a integridade da pessoa e por isso, dentro da política de reformas que estamos a fazer, a presença dele será benéfica, não para o Governo mas para todo o povo”, concordou o primeiro-ministro, Xanana Gusmão, em declarações à Lusa.
“Quando criticavam Mário Carrascalão como colaborador com a Indonésia, eu dizia o contrário”, salientou José Ramos-Horta sobre o ex-governador.
O novo vice-primeiro-ministro do IV Governo Constitucional timorense dirigiu o território sob ocupação indonésia entre 1982 e 1992.
“Mário Carrascalão salvou centenas de vidas, deu oportunidade a milhares de pessoas e, naquele mar de tragédia, era a única pessoa com força dentro do sistema que lutou pelos timorenses”, acrescentou José Ramos-Horta.
O Presidente da República referiu o ex-governador como um “nacionalista” timorense que “nunca abandonou o sonho da independência” de Timor-Leste.
“Ele trabalhou pelas caladas. Usou o sistema, preparando o futuro”, explicou José Ramos-Horta.
“Todos os que estão hoje no Governo e estudaram na Indonésia, devem-no a ele”, referiu também o chefe de Estado, apontando vários ministros que o rodeavam no “cocktail” que acompanhou a tomada de posse.
Fernando “La Sama” de Araújo, presidente do Parlamento Nacional, afirmou ser dessa geração que “sempre reconhece que conseguiu ir às universidades, naquela situação mesmo pobre (de Timor ocupado), graças ao governador Mário”.
“Nos primeiros tempos desconfiámos uns dos outros”, admitiu à Lusa o presidente do Parlamento, ex-líder da organização de juventude da resistência timorense nos anos 1990.
“Víamos as coisas muito curtas. Pensávamos que todos aqueles que trabalhavam com a Indonésia eram nossos inimigos, mas depois de nos conhecermos vimos que não era verdade”, afirmou Fernando “La Sama” de Araújo.
Mário Viegas Carrascalão, 71 anos, “vai ser o patriarca deste Governo”, notou José Ramos-Horta.
“Vai ser muito leal ao primeiro-ministro. Diz o que tem a dizer e não o diz nas costas”, referiu.
“Verificámos depois de 1999 que, apesar de ter servido dez anos como governador, (Mário Carrascalão) continuou uma vida extremamente modesta. Não se tornou milionário quando isso era muito fácil”, explicou o chefe de Estado.
“Como ele conhece todas as artimanhas dos que se envolvem na corrupção, é a pessoa indicada para a boa governação, a luta contra a corrupção, a reforma administrativa e a dinamização da nossa economia”, defendeu o Presidente da República.
É nessas áreas que Xanana Gusmão afirmou à Lusa pretender usar o seu segundo vice-primeiro-ministro, ao lado de José Luís Guterres, que é o número dois do Executivo para os assuntos sociais.
“Nós temos muito a corrigir e estamos a transformar as mentalidades. A figura de Mário Carrascalão dará uma imagem de credibilidade para as mudanças que queremos fazer”, acrescentou o primeiro-ministro.
Com Mário Viegas Carrascalão tomaram também posse Cristiano da Costa, novo vice-ministro da Economia e Desenvolvimento, e José Manuel Carrascalão, novo vice-ministro das Infra-estruturas.
PRM.
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Xanana Gusmão reforça Governo mas não remodela "ainda"
Díli, 05 Mar (Lusa) - O primeiro-ministro de Timor-Leste “ainda” não pretende remodelar o seu Governo, afirmou hoje Xanana Gusmão à Agência Lusa, explicando que decidiu reforçar o Executivo para “melhorar” o desempenho.
“Ainda não vamos remodelar. Vamos reforçar”, declarou Xanana Gusmão após a tomada de posse de três novos membros do Executivo.
“Todos os membros do Governo, novos como somos, ou como fomos, fomos postos à prova de fogo. Devo dizer que cumprimos”, acrescentou o primeiro-ministro.
“Isso não é nenhum factor para nos vangloriarmos. Ficamos é apenas com a consciência de que temos que melhorar este ano”, explicou Xanana Gusmão sobre a necessidade de alargar o Executivo.
O chefe de Governo falou à Lusa após tomar posse um novo vice-primeiro-ministro, Mário Viegas Carrascalão, e os vice-ministros da Economia e Desenvolvimento, Cristiano da Costa, e José Manuel Carrascalão, das Infraestruturas.
“Depois de percorrer cinco ministérios em Setembro do ano passado, vi a necessidade de mais um vice-primeiro-ministro”, afirmou Xanana Gusmão, sobre a decisão de convidar Mário Viegas Carrascalão para o cargo.
O Governo tinha já um vice-primeiro-ministro, José Luís Guterres.
Cristiano da Costa é da Undertim (União Nacional Democrática da Resistência Timorense) e José Manuel Carrascalão era o líder da bancada parlamentar da ASDT (Associação Social Democrata Timorense), dois dos partidos que integram a Aliança para a Maioria Parlamentar (AMP).
Xanana Gusmão, que admitiu à Lusa não saber de memória o número exacto actual dos membros do Governo, citou o Presidente dos EUA, Barak Obama, a esse propósito.
“A questão não é se o Governo é grande ou pequeno mas se o Governo cumpre e se é eficiente ou não. É nesse sentido que estamos a meter mais pessoas para produzir resultados melhores dos que já obtivemos no ano passado”, afirmou o primeiro-ministro.
“Não aumentamos o Governo para dar lugar a amigos. É mesmo uma necessidade”, frisou Xanana Gusmão.
“Nós falhámos a promessa das campanhas (eleitorais) de um Governo pequeno, mas vimos depois que a reforma não se faz num dia e que necessita de mais esforço”, reconheceu o primeiro-ministro.
Xanana Gusmão adiantou que os dois vice-primeiros-ministros terão uma divisão de tarefas, com José Luís Guterres responsável pelos assuntos sociais e Mário Viegas Carrascalão envolvido na coordenação interministerial e luta contra a corrupção.
Questionado sobre a entrada do ex-governador da ocupação no Governo do ex-comandante das Falintil, Xanana Gusmão respondeu que “não se podem colocar as coisas nesses termos”.
“O engenheiro Mário fundou um partido, o partido fez parte da Assembleia Constituinte (em 2001), ele próprio foi um parlamentar constituinte, não se pode agarrar outra vez nessas coisas”, explicou o primeiro-ministro.
“Temos em conta a integridade da pessoa e dentro da política de reformas que estamos a fazer, a presença dele será benéfica”, sublinhou Xanana Gusmão.
Mário Viegas Carrascalão, ex-governador de Timor-Leste sob a ocupação indonésia entre 1982 e 1992, fundou, após 1999, o Partido Social-Democrata.
O partido detém no actual Governo as pastas da Justiça, Negócios Estrangeiros e Economia e Desenvolvimento.
PRM.
Lusa/fim
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Ramos-Horta reconhece Marcelo Caetano como atirador do 11 de Fevereiro
Díli, 05 Mar (Lusa) - O Presidente da República de Timor-Leste, José Ramos-Horta, disse hoje à Agência Lusa, em Díli, ter reconhecido o ex-militar Marcelo Caetano como o homem que atirou sobre ele.
"Reconheço Marcelo Caetano" como o atirador do 11 de Fevereiro de 2008, afirmou José Ramos-Horta.
"Hesitei muito durante meses", explicou o chefe de Estado, mas no último encontro que o Presidente da República teve com o ex-tenente Gastão Salsinha houve uma identificação positiva.
Nesse encontro, "o procurador-geral da República (Longuinhos Monteiro) trouxe também o Marcelo Caetano", contou José Ramos-Horta.
"Vendo com mais proximidade, reconheci que foi ele que fez os disparos, para além das provas deixadas no terreno", acrescentou o Presidente, corrigindo várias declarações em contrário feitas ao longo de 2008.
O chefe de Estado comentava a acusação formal do caso 11 de Fevereiro, entregue na terça-feira pelo Ministério Público no Tribunal de Díli.
"Aguardo pelo desfecho (do caso) que será no tribunal e ali é que as verdades serão ditas e encontradas e que a justiça será feita", declarou José Ramos-Horta.
O Ministério Públicou acusou 28 pessoas pelo duplo ataque ao Presidente da República e ao primeiro-ministro, Xanana Gusmão, quase todos ex-elementos das forças de segurança e também a ex-companheira do major Alfredo Reinado, Angelita Pires.
"Enquanto ser humano, cristão, eu os perdoo", respondeu José Ramos-Horta quando questionado sobre a possibilidade de um indulto presidencial para os acusados.
"Enquanto chefe de Estado, terei que pesar todos os elementos", ressalvou José Ramos-Horta.
"Eles, ao fim e ao cabo, são também vítimas da crise de 2006, provocada pela falha da liderança timorense, como eu sempre disse", sublinhou o Presidente timorense.
"Apesar de eu ter pago um preço elevado, não me move qualquer rancor em relação aos que dispararam sobre mim", disse.
"Pelo contrário, continuo a nutrir por eles total simpatia porque sei que é gente pequena que ficou embrulhada em toda essa tragédia por falhas da lidernça política", frisou.
As declarações de Ramos-Horta foram feitas no final de uma sessão pública em que o Presidente da República respondeu a questões da sociedade civil sobre paz e luta contra a pobreza.
José Ramos-Horta encerrou a sua intervenção recordando que o seu conceito de justiça desde 1999 para os crimes cometidos sob a ocupação indonésia.
O Prresidente da República negou que exista impunidade em Timor-Leste e reafirmou as razões que o levaram a indultar, em Maio de 2008, cerca de 90 presos, incluindo o último grupo de condenados por crimes contra a humanidade no país.
PRM.
Lusa/fim
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Malai Azul 2
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Traduções
Obrigado pela solidariedade, Margarida!
Mensagem inicial - 16 de Maio de 2006
"Apesar de frágil, Timor-Leste é uma jovem democracia em que acreditamos. É o país que escolhemos para viver e trabalhar. Desde dia 28 de Abril muito se tem dito sobre a situação em Timor-Leste. Boatos, rumores, alertas, declarações de países estrangeiros, inocentes ou não, têm servido para transmitir um clima de conflito e insegurança que não corresponde ao que vivemos. Vamos tentar transmitir o que se passa aqui. Não o que ouvimos dizer... "