sábado, janeiro 19, 2008

PORQUE EM PORTUGAL QUASE NADA SE SABE DE TIMOR-LESTE?

Blog Timor Lorosae Nação
Sexta-feira, 18 de Janeiro de 2008

LUSA - PERITA NAS NOTÍCIAS DO SILÊNCIO
Klaudio Berek


No final do ano de 2007 Reinado falou o que falou e que aqui, no TLN, está mais que falado, mas a prova de que em Portugal quase ninguém sabe o que se passa em Timor-Leste - apesar de se interessarem - tive-a agora com esta peripécia de Alfredo Reinado. O que não significa que já anteriormente o mesmo não tenha pressentido relativamente a outros casos que em Portugal não foram noticiados.

Considero-me insuspeito de ser um radical critico do que quer que seja. Sou daqueles que procura sempre os motivos porque acontece isto ou aquilo, ou então admito que os que parecem culpados podem ter as suas razões e procuro entender. Sou tolerante, creio eu.

O facto de o ser não significa que seja de todo parvo e não perceba que se isto ou aquilo acontece constantemente e é prejudicial para a maioria deve ser corrigido. Se não o fazem, se não corrigem, então é porque sempre o fizeram intencionalmente. A seguir deve-se procurar as causas, as vantagens, o porquê das aparentes más intenções.

Mas este individuo está a falar de quê? Perguntarão.

Estou a falar do trabalho, ou não trabalho, da Agência Lusa em Timor-Leste. Do seu sistemático silenciamento sobre o que em Timor se passa, a quase todos os níveis. A sua falta de cobertura do que ocorre no país, de como vivem, ou sobrevivem os timorenses.

Que coisa, não poderiam fazer umas reportagens que nos fizessem perceber melhor como é o quotidiano dos timorenses? Não dará para saírem de Díli e do Hotel Timor?

Mesmo em Díli, há campos de deslocados, há miséria, há quotidiano... E então, porque não?

Porque nada nos mostram e quando algo mostram é sobre os privilegiados políticos ou os privilegiados da ONU e... quase mais nada. Porque será?

Certamente que as causas não terão por responsável o jornalista da Lusa. Ele recebe ordens, como todos os outros. Se recebe ordens é para não trabalhar e estar no Hotel? Na praia? Que mistério.

Não irei tão longe quanto outros, que afirmam que a Lusa está em Timor-Leste para entrevistar políticos de vez em quando, principalmente Xanana e Horta. Já disse, não sou radical. Mas olhem que por vezes até parece que sim.

Neste caso das declarações de Alfredo Reinado, que os timorenses e os da blogosfera conhecem há duas semanas. Que os australianos interessados também o sabem há imenso tempo através da sua comunicação social, etc., só hoje chegou a Portugal, quero dizer, a um maior número de portugueses através de alguma comunicação social...

Porquê? Porque a Lusa de dignou trabalhar um pouco no calor húmido de Díli e entrevistou Mari Alkatiiri sobre Alfredo Reinado e as declarações em que acusa Xanana Gusmão de ter muitas responsabilidades pelos males acontecidos em Timor desde 2006. Responsabilidades na terrível crise.

Mesmo assim, veio aquela espécie de entrevista e caiu em seco. Compreenderíamos tal entrevista depois de os portugueses saberem mais em pormenor de que Reinado acusa Xanana, então a Lusa deveria procurar esclarecer com Xanana e só depois poderia ir onde quisesse recolher opiniões. Foi assim que aprenderam na universidade... ou não?!

Pois se Xanana não quisesse esclarecer, então sim, dir-se-ia da sua recusa em ser entrevistado sobre o assunto e lá viria Alkatiri e quem mais a Lusa considerasse de interesse.

Isto é fácil de entender. O difícil é perceber porque tal não acontece. Porquê Lusa? Porque os portugueses e os timorenses aqui vivendo, em Portugal, não têm direito de saber o que se passa em Timor-Leste se não tiverem internet?

Haverá quem, compreenda? Então expliquem-me, se fizerem o favor. Palavra que estes silenciamentos, para mim, são um mistério.

1 comentário:

Margarida disse...

“Haverá quem, compreenda? Então expliquem-me, se fizerem o favor. Palavra que estes silenciamentos, para mim, são um mistério.”

Se o Klaudio entender a Lusa como uma empresa que é perceberá então que a Lusa é uma das máquinas de condicionamento das opiniões, dos comportamentos e dos valores do Dr. Balsemão (e da sua classe de grandes patrões) que extravasa Portugal pois que actua também nos PALOP. E consultando a sua ficha técnica é a própria Lusa que informa que são seus clientes “todos os jornais, rádios e canais de televisão de expansão nacional. Subscrevem também os serviços da Agência mais de uma centena de jornais e rádios regionais e locais. Fornece ainda um serviço noticioso e fotográfico diário aos media das comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo. Também disponibiliza um serviço noticioso às Agências de notícias dos Países Africanos de língua oficial portuguesa (PALOP). São ainda subscritores de serviço noticiosos e fotográficos da LUSA empresas e instituições públicas e privadas. É um universo de cerca de um milhar de subscritores permanentes, incluindo 'sites', portais e edições "on-line" portugueses, brasileiros e europeus e africanos a que se juntam também milhares de utilizadores individuais.”

A Lusa, a exemplo dos grandes jornais, estações de rádio e televisão que o Dr. Balsemão tem é simultaneamente um produto de negócio e um instrumento de dominação de classe.

Revela-se um verdadeiro instrumento de dominação, quer de dominação política (com maior ou menor subtileza promove ou despromove determinados partidos, organizações, personalidades, grupos sociais) quer de dominação ideológica (através da subreptícia presença quotidiana, invisível e indolor, de ideias, valores, comportamentos e normas, cujos efeitos se fazem sentir a médio e longo prazo, por acção prolongada e persistente).

Daí o silenciamento, a deturpação e a caricatura das posições umas vezes, mas também outras vezes a prolongada difusão de opiniões e conceitos de natureza antagónica e, no caso de Timor, anti-Fretilin tantas vezes.

Na sociedade capitalista e em Timor (tal como em Portugal), os grandes media funcionam através dos seus efeitos – a curto, médio e longo prazo -, como um instrumento de controlo social e de manutenção, legitimação e reprodução da ordem económica e social estabelecida. E a Lusa é um formidável instrumento de controlo social e de manutenção, legitimação e reprodução da ordem económica e social estabelecida.

Traduções

Todas as traduções de inglês para português (e também de francês para português) são feitas pela Margarida, que conhecemos recentemente, mas que desde sempre nos ajuda.

Obrigado pela solidariedade, Margarida!

Mensagem inicial - 16 de Maio de 2006

"Apesar de frágil, Timor-Leste é uma jovem democracia em que acreditamos. É o país que escolhemos para viver e trabalhar. Desde dia 28 de Abril muito se tem dito sobre a situação em Timor-Leste. Boatos, rumores, alertas, declarações de países estrangeiros, inocentes ou não, têm servido para transmitir um clima de conflito e insegurança que não corresponde ao que vivemos. Vamos tentar transmitir o que se passa aqui. Não o que ouvimos dizer... "
 

Malai Azul. Lives in East Timor/Dili, speaks Portuguese and English.
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