sábado, outubro 07, 2006

Voleibol - O desporto em resposta à crise timorense

Macau, China, 07 Out (Lusa) - Apesar de "faltar tudo", as atletas de voleibol feminino de Timor-Leste encararam hoje a participação nos Jogos da Lusofonia como uma ilha de normalidade na vida pessoal e familiar no meio da instabilidade política que afecta o país desde Abril.

Terolinda Varela Amaral faz parte da equipa de 10 jogadoras e dois treinadores que hoje perdeu contra a equipa portuguesa por 3-0, mas para Terolinda o resultado é o menos importante.

O que de facto importa é, com a participação em eventos desportivos internacionais, "mostrar à família e aos filhos que Timor- Leste está a voltar à normalidade".

Timor-Leste vive desde o passado mês de Maio uma situação de instabilidade política e social que causou a morte de pelo menos duas dezenas de pessoas e provocou a fuga de dezenas de milhares de pessoas para campos de refugiados e para as montanhas em redor da capital, Díli.

"Eu só quero participar, ganhar experiência, o objectivo não é ganhar", afirmou Terolinda, de 32 anos, que faz parte de uma equipa onde mais de metade das atletas vive em campos de refugiados e é obrigada a equilibrar a vida profissional, familiar e os treinos com as condições precárias da vida nos campos.

"Falta-nos tudo no voleibol feminino em Timor-Leste", afirmou Cândido da Silva, o treinador da equipa do país.

Muitas das atletas fugiram para as montanhas com medo dos conflitos étnicos, disse Cândido da Silva. Das atletas que sobraram "cerca de 50 por cento vivem nos campos de refugiados. Vêm treinar, mas voltam aos campos".

"Faltam-nos equipamentos, uniformes, bolas, redes. Os sapatos são as próprias atletas que compraram. Treinar é um sacrifício, mas vale a pena", afirmou Cândido da Silva, que deixou um pedido de auxílio à Federação Portuguesa de Voleibol.

Segundo o treinador, todas as famílias das jogadoras concordam com a participação das mães e mulheres nas provas de Macau e nos treinos regulares em Timor, em grande parte porque encaram o desporto como uma resposta às convulsões sociais que afectam Timor-Leste.

"Todos os familiares nos apoiam porque é a primeira vez que Timor-Leste participa em jogos internacionais, ainda mais no meio de uma crise como a actual", afirmou Terolinda.

"As jogadoras são todas casadas e têm filhos. É difícil relacionar famílias, trabalho e treinos", considerou o treinador timorense e adiantou: "a federação fala sempre com os maridos. Nós pedimos licença e eles dão sempre".

Em partida disputada no pavilhão polidesportivo do Instituto Politécnico de Macau, a equipa portuguesa de voleibol feminino venceu a equipa de Timor-Leste por 3-0, com os parciais de 25-5, 25-4 e 25- 14.

RBV-Lusa/fim

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2 comentários:

mário motta - lisboa disse...

Curioso, aqui não vejo comentários.
Vamos lá dar os PARABÉNS Á EQUIPA DE VOLEIBOL FEMININA DE TIMOR-LESTE!
Elas e as famílias merecem, pelo esforço e pelas vitórias.
PARABÉNS! FORÇA!
VIVA TIMOR-LESTE!

Anónimo disse...

Se estas bolas pudessem assim voar até o país Timor-Leste, a mim tão querido quanto diferente e distante, transformando miraculosamente as pedras em bolas, as pessoas atingidas por pedras em defesas e os atacantes em simples jogadores do ataque, não deixei de pensar para mim ao assisir no passado Sábado o jogo da selecção Portuguesa e do Azarbaijão.

Falarei não do jogo, mas das impressões, das reacções e emoções colectivas.

Ir à bola é algo de especial.
Torna-nos, de um modo geral, mais positivos, mais optimistas.
Dá-nos a impressão de sermos o 12º jogador, um companheiro da equipa.

Naquela noite de Sábado, numa noite de Outubro, no ar já se podia sentir o cheiro de castanhas assadas à volta do estádio, partilhar silenciosamente boa disposição com os adeptos de todas as idades, pousar os olhos sobre beleza natural.

As jogadas foram muitas, as bolas quase literalmente a voarem para a baliza foram também muitas.
Uma estrela num jogo de colectivo brilhou naquela noite mais que outras. Esta estrela, cada vez mais ascedente, chama-se Ronaldo, é um rapaz que sorri sempre. Quando ganha, sorri, quando perde, sorri, se as coisas lhe corram bem ou mal, sorri. Esta estrela brilhará ainda mais porque está a começar aperceber-se que o futebol é um jogo colectivo, e não individual.

Está a começar vislumbrar-se o brilho de uma outra estrela, de outro jovem jogador, Nani. Este no seu estilo de jogo próximo ao Ronaldo, mas no estilo pessoal mais discreto e sóbrio, parece ostentar o estilo de anti-estrela.

Os putos e adolescentes quase todos vestiam uma camisola com o número 17, alguns mais novos usam corte de cabelo igual, e as miúdas pareciam emagiadas desde o momento em que quando o Ronaldo pisa o relvado.

Assim é mesmo a glória, sobretudo quando misturada com a juventude.
O esforço de muitos anos está a ser recompensado.
E as mulheres gostam de desportistas.
Se isto for realmente verdade, os apedrejadores em Timor devem ser realmente pessoas tristes tornando-os a falta de atenção feminina em apedrejadores, e as mulheres não gostam dos apedrejadores.

É ambiente de festa, ambiente de agitação colectiva.
Os tambores e música que se ouvem no estádio agitam mais a adrenalina, parecem convidar o 12 jogador a entrar no relvado.

Portugal ganhou, mas o Azerbaijão mereceu também uma grande salva de palmas pela luta incessante, sobretudo durante a 2ª parte, nunca baixando os braços, nunca se dando por vencido, nem quando já não havia mais eperança de uma reviravolta.

Depois adormece-se tão bem, sobretudo se o jogo terminar com vitória.

Traduções

Todas as traduções de inglês para português (e também de francês para português) são feitas pela Margarida, que conhecemos recentemente, mas que desde sempre nos ajuda.

Obrigado pela solidariedade, Margarida!

Mensagem inicial - 16 de Maio de 2006

"Apesar de frágil, Timor-Leste é uma jovem democracia em que acreditamos. É o país que escolhemos para viver e trabalhar. Desde dia 28 de Abril muito se tem dito sobre a situação em Timor-Leste. Boatos, rumores, alertas, declarações de países estrangeiros, inocentes ou não, têm servido para transmitir um clima de conflito e insegurança que não corresponde ao que vivemos. Vamos tentar transmitir o que se passa aqui. Não o que ouvimos dizer... "
 

Malai Azul. Lives in East Timor/Dili, speaks Portuguese and English.
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