sábado, fevereiro 07, 2009

Antiga estância turística foi Timor por uma manhã

Correio da Manhã
Vítor Mota

Os militares de ordem pública da GNR enfrentaram o arremesso de cocktails molotov durante o exercício
07 Fevereiro 2009 - 00h30

GNR: Sétimo contingente do subagrupamento bravo treina no Seixal

No meio de protestos estridentes, uma alta entidade prepara-se, escoltada por militares da GNR, para discursar à multidão. O atirar da primeira pedra desencadeia o motim, que culmina com a tentativa de esfaqueamento do político. Controlados os distúrbios, a GNR depara-se com um engenho explosivo por inactivar e com uma refém tomada num edifício abandonado.


A manhã está chuvosa e húmida, num cenário semelhante ao que a GNR trabalha, desde 2006, em Timor-Leste. Mas não estamos em Timor. Sessenta militares do sétimo contingente do subagrupamento Bravo aproveitam as ruínas da antiga estância balnear do Muxito, na Cruz de Pau, Seixal, para aperfeiçoar procedimentos. O CM assistiu ao treino de anteontem, com a partida para Díli agendada para dia 26 deste mês.

Quase todos os militares que anteontem participaram no exercício são da recém-constituída Unidade de Intervenção. Alguns deles são ‘repetentes’ em missões no estrangeiro.

O resgate da ‘alta entidade’ recria, de resto, uma situação por que a GNR já passou. Em Fevereiro de 2008 a vida do presidente timorense Ramos-Horta foi salva, ajudando depois no controle dos tumultos que varreram o país.

No Muxito, a GNR voltou a ‘salvar’ uma alta entidade. "Recriámos um cenário com a utilização das quatro valências do contingente", descreveu o capitão Nuno Simões, comandante do contingente.

OPERAÇÕES ESPECIAIS SALVAM 'SECRETÁRIA'

Salva a ‘alta entidade’, um novo problema surge para a GNR resolver. A ‘secretária’ do político foi feita refém por um manifestante encapuzado, que grita exigências ao mesmo tempo que aponta uma arma à cabeça da vítima. A solução encontrada passa por uma intervenção das forças especiais. O sequestrador está no segundo piso de um prédio abandonado. Pelas escadas sobe uma equipa de ataque, que começa as negociações. Sem que o criminoso se aperceba, uma segunda equipa desce em rapel pelo telhado do edifício, preparando-se para surpreender o alvo. A intervenção final é conjunta, com os militares que entram pela janela a disparar uma Taser, que imobiliza o sequestrador. A refém é libertada e a detenção consumada.

PATRULHAS PORTUGUESAS FIZERAM 120 QUILÓMETROS EM 8800 HORAS

Em 2008, militares de dois contingentes distintos do subagrupamento Bravo efectuaram o equivalente a 120 mil quilómetros de patrulha em Timor-Leste. Perto de 300 militares da GNR trabalharam 8800 horas no país, efectuando 110 inactivações de engenhos explosivos. "A GNR é a única força em Timor com esta valência e o trabalho é muito, já que engenhos explosivos convencionais (granadas, morteiros e minas) estão ainda espalhados pelo país", disse ao CM o capitão Nuno Simões, comandante do sétimo contingente do subagrupamento Bravo. Ainda no ano passado, os militares da GNR efectuaram 47 buscas preventivas em território timorense, formando 200 agentes da Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL).

PORMENORES

ORDEM PÚBLICA

Enquanto militares de Ordem Pública dispersam os manifestantes, elementos com formação em segurança a altas entidades colocam o ‘político’ a salvo.

COCKTAILS MOTOLOV

O dramatismo do tumulto encenado é acentuado com o arremesso de cocktails molotov. A multidão quer agredir o político.

CONVULSÕES SOCIAIS

O capitão Nuno Simões adiantou que o ambiente em Timor é agora calmo. "Outros contingentes contribuíram para acalmar a sociedade", explicou.

INACTIVAÇÃO REGRESSA

O sétimo contingente do subagrupamento Bravo volta a ter militares especializados em inactivação de explosivos. De resto, a GNR é a única força estrangeira estacionada em Timor que tem esta valência e dá formação sobre ela.

Miguel Curado

1 comentário:

h correia disse...

O velho Muxito ainda serve para alguma coisa, depois de ter sido destruído pela incúria revolucionarista de 1975.

Boa sorte aos bravos da GNR. Que Deus os guie nessas terras de Timor.

Traduções

Todas as traduções de inglês para português (e também de francês para português) são feitas pela Margarida, que conhecemos recentemente, mas que desde sempre nos ajuda.

Obrigado pela solidariedade, Margarida!

Mensagem inicial - 16 de Maio de 2006

"Apesar de frágil, Timor-Leste é uma jovem democracia em que acreditamos. É o país que escolhemos para viver e trabalhar. Desde dia 28 de Abril muito se tem dito sobre a situação em Timor-Leste. Boatos, rumores, alertas, declarações de países estrangeiros, inocentes ou não, têm servido para transmitir um clima de conflito e insegurança que não corresponde ao que vivemos. Vamos tentar transmitir o que se passa aqui. Não o que ouvimos dizer... "
 

Malai Azul. Lives in East Timor/Dili, speaks Portuguese and English.
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