terça-feira, fevereiro 10, 2009

Balística contradiz relato da segurança de Ramos Horta

Díli, 10 Fev (Lusa) - O resultado dos testes de balística não confirmam o relato da segurança do Presidente da Repúllica de Timor-Leste sobre o 11 de Fevereiro de 2008, afirmaram hoje à Agência Lusa em Díli fontes envolvidas na investigação.

A análise balística efectuada na Austrália, após testes a várias armas usadas nos acontecimentos de há um ano, indicou que o major Alfredo Reinado e o soldado Leopoldino Exposto não foram mortos com a mesma arma, segundo essas fontes.

A balística não foi conclusiva sobre o tipo ou tipos de arma com que Alfredo Reinado e Leopoldino Exposto foram atingidos, dado que os fragmentos de bala recuperados nos corpos não permitem esse nível de informação.

Os testes efectuados em Novembro indicam, no entanto, que nenhuma das armas peritadas foi a usada para disparar sobre Alfredo Reinado nem a que matou o soldado Leopoldino, ainda segundo informações coincidentes recolhidas pela Lusa.

As autoridades judiciais timorenses perceberam também que nem todas as armas que deviam ser peritadas foram entregues à Procuradoria-geral da República pelas Forças Armadas timorenses, ainda segundo fontes envolvidas no processo.

A implicação principal das muitas questões levantadas pelos testes balísticos é contradizer o relato repetido até agora pela segurança de José Ramos Horta, quer nos meios de comunicação social quer em sede de inquérito judicial.

Na versão oficial, um dos onze militares timorenses que guardavam a residência do chefe de Estado reagiu a tiro à presença de Alfredo Reinado e de três dos seus homens, todos armados no interior do jardim da casa de Ramos Horta.

Os homens de Reinado estavam, aliás, a desarmar um dos militares no portão, a quem foi retirada a sua espingarda M16.

«Em face disso», um outro segurança do Presidente, cuja identidade é conhecida do público e das autoridades, «pegou na sua arma e disparou em direcção aos dois elementos do grupo (do major), tendo atingido o Reinado e o Leopoldino», conforme consta em documentos do processo a que a Lusa teve acesso.

Esta versão de um mesmo atirador na origem da morte de Reinado e de Leopoldino, e de uma só arma, cai por terra com a análise balística.

O resultado dos testes «ainda não bate bem, não bate certo», admitiu hoje o procurador-geral da República, Longuinhos Monteiro, numa conferência de imprensa convocada na sequência de um pedido de entrevista da Lusa.

Longuinhos Monteiro recusou-se a comentar quaisquer outros detalhes da balística, mas anunciou que pediu a realização de mais testes no dia 12 de Fevereiro para esclarecer «um ou dois pontos em dúvida».

A constatação de que «a arma que foi usada para matar Alfredo Reinado não está entre as armas peritadas motivou um novo pedido da PGR ao Comando das Falintil-Forças de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL) para o envio das armas em falta na investigação», afirmaram ainda fontes judiciais à Lusa.

O procurador-geral da República dirigiu em Janeiro, para esse efeito, um pedido oficial de entrega das armas em falta para peritagem, endereçado ao brigadeiro-general Taur Matan Ruak como chefe do Estado-Maior-general das F-FDTL.

Os testes de balística tiveram por objecto «as armas apreendidas aos suspeitos na altura do Comando Conjunto e as armas que as F-FDTL indicaram à PGR como sendo as que eram dos militares de serviço na residência do Presidente da República na manhã de 11 de Fevereiro de 2008», afirmou à Lusa fonte judicial.

Na véspera do aniversário do duplo ataque contra o Presidente da República e o primeikro-ministro, continua por apurar o que aconteceu, mas Longuinhos Monteiro prometeu hoje que a acusação será entregue dentro do prazo, até 04 de Março, no Tribunal de Díli.

PRM
Lusa/Fim

1 comentário:

h correia disse...

Um ano depois, continua tudo na mesma.

Já sabíamos há muito que Reinado e Exposto foram abatidos à queima-roupa e, como eu já havia referido noutro blog, seria impossível abater duas pessoas à queima-roupa simultaneamente com a mesma arma.

É curioso como Longuinhos, à falta de quaisquer informações que possa dar à imprensa e tão atrapalhado em descalçar a bota, se espalha ao comprido, fugindo-lhe a boca para a verdade:

"O resultado dos testes «ainda não bate bem, não bate certo"

Não bate certo com o quê? Com a versão "oficial" que vinha sendo cozinhada para consumo interno...

Claro que tudo vai ficar em águas de bacalhau, pois RH não quer acusar quem disparou sobre ele e não existem balas nem armas dos crimes.

A propósito das armas, é caricato ver o PGR um ano depois a pedir ao comandante das FDTL para fazer o trabalho da polícia, ou seja, ir à procura das armas que a UNPOL deveria ter apreendido aos suspeitos nos momentos que se seguiram ao atentado - e não apreendeu.

Que tristeza!

Traduções

Todas as traduções de inglês para português (e também de francês para português) são feitas pela Margarida, que conhecemos recentemente, mas que desde sempre nos ajuda.

Obrigado pela solidariedade, Margarida!

Mensagem inicial - 16 de Maio de 2006

"Apesar de frágil, Timor-Leste é uma jovem democracia em que acreditamos. É o país que escolhemos para viver e trabalhar. Desde dia 28 de Abril muito se tem dito sobre a situação em Timor-Leste. Boatos, rumores, alertas, declarações de países estrangeiros, inocentes ou não, têm servido para transmitir um clima de conflito e insegurança que não corresponde ao que vivemos. Vamos tentar transmitir o que se passa aqui. Não o que ouvimos dizer... "
 

Malai Azul. Lives in East Timor/Dili, speaks Portuguese and English.
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