quinta-feira, outubro 25, 2007

Ex-comandante indonésio reconhece que armou milícias no Timor

25/10 - 05:52 - EFE

Jacarta, 25 out (EFE).- O tenente-coronel Kiki Syahnakri, que foi o principal comandante da ocupação militar indonésia do Timor-Leste, admitiu que em 1999 o Exército da Indonésia armou civis timorenses que depois participaram dos massacres no país, informou hoje o jornal "The Jakarta Post".

No entanto, o militar, hoje na reserva, justificou a medida. Ele argumentou que as milícias simplesmente fizeram parte de "grupos de Defesa Civil", como os que naquela época reforçavam a segurança em outras partes da Indonésia.

As milícias pró-indonésias colaboravam com o Exército e só estavam encarregadas da segurança em seus bairros, disse.

Syahnakri prestou depoimento na Comissão para a Recepção, Verdade e Reconciliação. O órgão investiga a onda de violência na ex-colônia portuguesa, que levou á retirada dos últimos militares indonésios.

Pelo menos 102 mil timorenses morreram entre 1975 e 1999, como conseqüência direta da ocupação do Timor-Leste pelo Exército indonésio, segundo dados da comissão. Além disso, há relatos de torturas e abusos sexuais cometidos pelos soldados da ocupação.

A Indonésia invadiu o Timor em dezembro de 1975, apoiada pelos Estados Unidos, Reino Unido, Austrália e Japão, entre outros. A razão foi o temor de que ali surgisse uma espécie de Cuba do Sudeste Asiático.

Quase 30 anos depois, a comunidade internacional passou a defender a autodeterminação dos timorenses, que em 30 de agosto de 1999 confirmaram seu desejo de independência.

A transição para a democracia foi violenta. As tropas indonésias e as milícias aliadas incendiaram e destruíram cidades e aldeias, mataram cerca de mil pessoas e deportaram 200 mil para a Indonésia.

Timor-Leste nasceu oficialmente como país independente em maio de 2002. É uma das nações mais pobres do planeta.

EFE ind mf

2 comentários:

Anónimo disse...

Não é novidade para mim as afirmações confidências de KIKI. Eu testemunhei essa entrega de armas e os diferentes momentos da distribuição das mesmas.

Até me lembro de ver caixotes de munições e respectivas armas em Motael.

Na altura, os observadores internacionais estavam lá mas só os de língua portuguesa é que as viram, os outros "não".

h correia disse...

Esses "observadores" que não viram talvez tenham sido vítimas daquele espesso "nevoeiro" que costuma andar lá para essas bandas de Motael... e de outras também.

A novidade é pela primeira vez um oficial indonésio admitir... a verdade.

Embora escudando-se no eufemismo dos "grupos de defesa civil", para não perder a face, é notável que este militar tenha sido capaz de confessar o papel que as ABRI/TNI tiveram nos massacres de 1999.

Só por isso, tiro-lhe o chapéu. É que, independentemente das culpas no cartório, admiro mais um criminoso arrependido que confessa os seus crimes do que um santo-de-pau-oco que quer fazer-se passar por anjinho.

Espero que com o passar do tempo este exemplo seja seguido por outros (ex-)oficiais indonésios, começando pelo tristemente célebre Wiranto.

E já agora, por alguns timorenses também.

Espero também que isto sirva de reflexão aos iluminados líderes de Timor-Leste que defendem a tese da paz podre.

Traduções

Todas as traduções de inglês para português (e também de francês para português) são feitas pela Margarida, que conhecemos recentemente, mas que desde sempre nos ajuda.

Obrigado pela solidariedade, Margarida!

Mensagem inicial - 16 de Maio de 2006

"Apesar de frágil, Timor-Leste é uma jovem democracia em que acreditamos. É o país que escolhemos para viver e trabalhar. Desde dia 28 de Abril muito se tem dito sobre a situação em Timor-Leste. Boatos, rumores, alertas, declarações de países estrangeiros, inocentes ou não, têm servido para transmitir um clima de conflito e insegurança que não corresponde ao que vivemos. Vamos tentar transmitir o que se passa aqui. Não o que ouvimos dizer... "
 

Malai Azul. Lives in East Timor/Dili, speaks Portuguese and English.
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