quarta-feira, maio 09, 2007

Entrevista a Ramos-Horta: “Se perder, ajudarei o meu eleitorado a aceitar a vitória do nosso irmão Lu-Olo”

Publico.pt
Eleições presidenciais em Timor-Leste

01.05.2007 - 22h14 Adelino Gomes

PÚBLICO: Como se compreende que seja aceite como elemento destacado da sua candidatura presidencial alguém [como Vicente da Conceição “Railós”] que confessadamente aceitou armas para perseguir opositores políticos da Fretilin?

José Ramos-Horta:O senhor Vicente Railós é visto por muitos como “herói”, porque foi quem teve a coragem de denunciar toda a sórdida história da distribuição de armas a civis. Ele foi delegado ao Congresso da Fretilin, em Maio, foi sempre um elementos destacado deste partido. Agora é “criminoso” por ter denunciado a distribuição de armas a civis? Fez a entrega de todas as armas em sua posse e dos seus homens numa cerimónia pública na sua terra natal, Liquiçá, em Julho passado. Quanto ao aspecto jurídico da questão, não me cabe a mim pronunciar. Julgo que o caso está ainda com o Procurador-Geral da República.

P: Proclamou, há dois meses, que tinha chegado o tempo de Alfredo Reinado ser capturado, uma vez que ninguém podia estar acima da lei, em Timor-Leste. Agora, defendeu que as forças internacionais deviam suspender as operações de captura. Dias depois recebeu o apoio de Lasama, cujo partido apoia Reinado nos distritos do Oeste. Os seus interesses de candidato podem sobrepor-se aos interesses da Justiça timorense?

R: Há mais de um mês houve uma reunião do Comité de Alto Nível que se debruçou sobre uma carta do advogado do major Reinado em que este propõe entregar-se à Justiça mediante condições. Algumas são totalmente aceitáveis e correspondem às obrigações do Estado, que são assegurar a sua integridade física e tratá-lo com dignidade. Ele queria a mediação da Igreja. Falei com o sr. bispo D. Ricardo, que respondeu que sim, que a Igreja está sempre pronta a ajudar a encontrar soluções pacíficas. Informei disso o Fórum Trilateral. Há um fugido à Justiça que se quer entregar. Que pede que as operações contra ele sejam suspensas para que o diálogo para a sua entrega à Justiça seja feito. Por isso, só por isso, defendi uma suspensão das acções militares. É assim tão difícil de compreender esta minha postura?

P: Por que é que se recusa a fazer a declaração de rendimentos? Mesmo não sendo obrigatória por lei, não acha que seria mais transparente fazê-lo?

R: Não recusei. Dei uma conferência de imprensa em que disse que já o tinha feito em 2001. Fui o único membro do Governo de Transição a fazê-lo, na altura. Falei das minhas duas casas, como as obtive, com que com que dinheiros, etc. O meu adversário tem uma casa, uma enorme vivenda, mas não explicou como conseguiu em cinco anos de deputado construir tal casa.

P: Tem criticado a gestão dos dinheiros do petróleo pelo seu antecessor. Os seus adversários insinuam que protege interesses estrangeiros. Que alterações pretende introduzir nos princípios aprovados por unanimidade no Parlamento Nacional, sobre o Fundo do Petróleo?

R: Não pretendo fazer quaisquer alterações. É pura patetice da administração anterior falar em preservar os dinheiros do petróleo para futuras gerações, investindo em títulos do Tesouro, em Nova Iorque. O que eu digo é que Timor-Leste(TL) não pode esperar. Temos que investir agora, de imediato, para resolver os problemas gritantes de hoje e assim preparar também o futuro. A Fretilin fala sempre em conspirações… É o discurso de uma esquerda radical que vÊ sempre conspirações contra ela e não tem a coragem de admitir os seus erros. O problema de certa liderança da Fretilin é que continua a viver dos slogans dos anos 70. Tendo vivido em Moçambique durante 30 anos, não tiveram sensibilidade para perceber que TL mudou muito em 24 anos, que a esmagadora maioria do povo, e sobretudo os jovens, já não são convencidos por slogans de “Abaixo o Imperialismo! Viva o Grande Líder!”. Temos uma geração muito mais sofisticada, um povo muito astuto. Daí que, mesmo em 2001, a Fretilin só tenha obtido 57 por cento dos votos.[Agora] 70 por cento do eleitorado votou contra o candidato da Fretilin. Será que a Fretilin não entende esta mensagem e vai continuar a dizer que é a Indonésia, a Austrália, os EUA, etc., que são contra a Fretilin? Quem ouve os discursos dos “camaradas” da Fretilin, até parece que a Fretilin só tem amigos em Moçambique e em Portugal, e mesmo em Portugal só do lado do PCP.

P: Que balanço faz da sua acção como primeiro-ministro, tendo em conta que se mantêm três das mais críticas situações relacionadas com a crise de há um ano: ex-peticionários, ameaças armadas do major Reinado e deslocados?

R: Um balanço positivo no que toca à minha acção em reconciliar a Polícia e as Forças Armadas, os gangs rivais, em restabelecer a confiança das populações. Do lado económico, basta ver que apesar da crise, mais de 30 novos grupos de investidores se registaram em TL; que três novos hotéis, que começaram comigo, estão já em fase de acabamento. Um novo investimento de mais de 30 milhões de dólares num centro comercial, apartamentos, escritórios, de 10 andares, vai já arrancar. O próprio Banco de Desenvolvimento Asiático prevê um crescimento económico da ordem de 30 por cento, o mais elevado de toda a Ásia! Quanto à questão dos peticionários e do major Reinado: eles não têm causado quaisquer distúrbios. Tenho mantido diálogo salutarcom os peticionários e esse diálogo vai recomeçar logo a seguir às eleições.

P: Quais as três medidas concretas mais importantes que se propõe aplicar se for Presidente da República?

R: Quero liderar a reforma do sector de Defesa e Segurança para modernizar e profissionalizar as duas instituições que velam pela defesa e segurança do país. Na área da Defesa, quero a contínua cooperação com Portugal, Austrália e EUA. A Polícia está muito enferma no plano institucional. É uma herança muito negativa do Governo de Mari Alkatiri. Tem que ser completamente reorganizada. Algumas unidades devem desaparecer, fundir-se em outras. Mas tudo isto vai levar cinco anos. Por isso quero a presença da ONU em TL por uns cinco anos. Vou propor a criação de um Alto-Comissário para a luta contra a corrupção, com nível de Ministro de Estado, para fazer uma limpeza geral à corrupção. Vou propor uma task-force contra a pobreza, em sintonia com o Parlamento Nacional (PN), o Governo, a sociedade civil e a comunidade internacional, para que possamos dar um a respostas mais rápida e justa às expectativas dos mais pobres. Uma das minhas propostas seria um simples “cash transfer” para os agregados mais pobres, da ordem de uns 40 milhões de dólares por ano. Isto não veio apenas da minha cabeça. Consultei, entre outros, alguns dos maiores economistas do mundo, incluindo o professor Yunus (meu amigo, fui eu que o propus para Prémio Nobel da Paz, em 2005) e o dr. Michael Moore, ex-director-geral da OMC. Há ainda uma outra prioridade: reforçar o sector da Justiça dentro do que me compete. Mas é necessário que o escândalo das distribuição de armas a civis seja melhor investigado. O ex-ministro Rogério Lobato vai ser o único culpado? Bode expiatório?

P: O actual presidente queixa-se dos diminutos poderes presidenciais que a Constituição lhe concede. Se vencer, proporá uma revisão constitucional no sentido da presidencialização do regime?

R: É uma possibilidade. O Mari Alkatiri orgulha-se de ter sido o autor principal da actual Constituição, que cerceou à partida os poderes do Presidente. A raiz do conflito entre Alkatiri e Xanana Gusmão está na forma como Alkatiri conjurou uma Constituição precisamente para tirar poderes ao Presidente para poder governar sem empecilhos. Mas isso criou, à partida, um fosso entre ele e Xanana. Ora, sem Xanana não teríamos chegado à vitória em 1999. Negar-lhe um papel central nos primeiros cinco anos foi um erro grave. Alkatiri devia ter sido mais sensível e optado por uma verdadeira colegialidade com o PR e com outros partidos, com a Igreja. Os primeiros anos de um país são como um parto difícil. Mas não darei nenhum passo sem consultar os partidos com assento no PN, Governo, sociedade civil, etc. Aliás, tenho a intenção de criar uma Comissão de Reforma para rever e uniformizar todas as nossas leis, torná-las mais coerentes, etc..

P: O que fará, se vencer as eleições e a Fretilin ganhar as próximas legislativas?

R: Como chefe do Estado trabalharei com qualquer Parlamento e Governo eleitos. E sei que a Fretilin fará o mesmo.

P: É-lhe atribuída a autoria do seguinte comentário, durante esta campanha: "Essa coisa da separação de poderes é muito moderna para Timor-Leste". Qual é o conceito de democracia que acha dever aplicar-se a Timor-Leste?

R: Nunca fiz tal comentário. Falei sim das minhas reservas em relação ao dito secularismo europeu que não nada tem a ver com a história e os valores de TL. Há certos dirigentes da Fretilin que não entendem a espiritualidade timorense, que copiam modelos ou slogans europeus. No tocante às relações Igreja-Estado, em TL, temos a nossa realidade, a nossa própria história, a nossa espiritualidade, e acredito que os dois poderes, o temporal e o espiritual, aqui e noutros países recém-saídos de longos conflitos, tem que viver em quase simbiose, cooperar no dia-a-dia, partilhar responsabilidades, manter um diálogo permanente.

P: O que vai fazer, em concreto, se perder esta eleição?

R: Primeiro, ajudo o Governo a chegar até ao fim do seu mandato e ajudo o meu eleitorado a aceitar a vitória do nosso irmão Lu-Olo – ele vai necessitar de muita ajuda. Depois, descanso uma boa temporada. Tenho projectos de livros, conferências. Tinha planos para passar uns dois a três anos entre França e os EUA. Mas estarei eternamente ligado ao meu povo, este povo tão bom, simples, humilde, sofredor, perdoador, que merece tanto e a quem temos dado tão pouco…

Timor-Leste: Assembleia de voto abriram

Dili, 08 Mai (Lusa) - As assembleias de voto em Timor-Leste abriram às 7:00 de quarta-feira (23:00 de terça-feira, em Lisboa).

Não há registo de incidentes na abertura, nem na noite anterior, na capital, segundo fonte oficial da Polícia das Nações Unidas.

Um dos comandantes operacionais da UNPOL que, a esta hora, visita várias estações de voto (designação local das assembleias de voto) na cidade, referiu que "se nota muito menos gente nas filas para votar".

A votação termina as 16:00 (08:00 de quarta-feira em Lisboa).

Prn/jcs Lusa/Fim

Portugal com "falta de tempo" para Timor em 1975 – políticos

Pedro Rosa Mendes e José Costa Santos da Agência Lusa Díli, 08 Mai (Lusa) - Lisboa não tinha tempo em 1975 para ligar à situação em Timor, a viver uma guerra civil e sob ameaça de invasão indonésia, consideraram hoje veteranos da política timorense, estranhando declarações atribuídas a Almeida Santos naquele período.

Em declarações à Lusa, Domingos Oliveira, líder da UDT em 1975, disse hoje que "tudo podia ter acontecido entre Almeida Santos e Jacarta", admitindo não ter ouvido nunca ao então ministro da Coordenação Interterritorial português que era a favor da integração de Timor na Indonésia.
"Não tenho informação sobre isso mas o que posso dizer-lhe é que tudo podia ter acontecido entre Almeida Santos e Jacarta", afirmou o antigo secretário-geral UDT, contactado pela Lusa num telefonema para Perth, Austrália.

O antigo ministro da Defesa australiano Bill Morrison disse hoje que, em 1975, Portugal queria abandonar Timor-Leste "o mais rápido possível" e que Lisboa pretendia a invasão indonésia para se fazer de "vítima".

Nas suas declarações a um tribunal australiano por causa da morte de cinco jornalistas em Timor-Leste em Outubro de 1975, Morrison citou um ministro português, "Minister Santos", que lhe disse que Portugal "queria sair o mais rápido possível" do território, numa altura em que se preparava a invasão indonésia da, na altura, ainda Província Portuguesa de Timor.

Em declarações à Lusa, Almeida Santos reagiu com veemência ao que disse ser uma "miserável mentira" do ex- ministro da Defesa australiano.

Domingos Oliveira disse à Lusa que "a vontade de Portugal era livrar-se o mais rapidamente de Timor".

"É preciso lembrar que o próprio Mário Soares, do mesmo Partido Socialista e futuro Presidente da República, afirmou no seu livro de 1972 e 1974 que Timor era uma parte que não dizia muito respeito a Portugal", acrescentou o antigo líder da UDT a partir de Perth, onde reside.

Almeida Santos, acrescenta Domingos Oliveira, visitou o Timor português por duas vezes, em Outubro de 1974 e Outubro de 1975, antes e depois da eclosão do conflito entre partidos que degenerou na guerra civil.

Na visita de 1974, Almeida Santos deslocou-se a várias algumas localidades do interior, no distrito de Maubisse, onde demonstrou posições favoráveis à autodeterminação do território.
"O que ele dizia por trás, não sei", concluiu o líder da UDT, o primeiro partido político timorense.

O líder da UDT reuniu-se com Almeida Santos em 1975 em Díli, à semelhança de outros dirigentes timorenses da Fretilin e da APODETI que tiveram audiências com o ministro português.

"A impressão que tive foi a de que Almeida Santos regressou a Portugal com a vontade firme de informar o governo da vontade da maioria dos timorenses de que Portugal ficasse mais algum tempo em Timor", afirmou Domingos Oliveira.

Mário Carrascalão, fundador e ideólogo da UDT, governador do território durante a ocupação indonésia nos anos 80, recordou a importância da visita a Maubisse em 1974 como tendo contribuído para alterar a opinião de Almeida Santos sobre Timor.

"Ele ficou altamente impressionado com o 'portuguesismo' da população e isso alterou a sua posição na questão timorense", declarou o actual presidente do PSD à Lusa.

"Nunca me constou que Almeida Santos tivesse dito que apoiava a invasão de Timor", frisou Mário Carrascalão.

Entre 19 de Outubro de 1974 e 11 de Setembro de 1975, António Almeida Santos, então ministro da Coordenação Interterritorial do governo português, com o pelouro das colónias, efectuou pelo menos três visitas a Jacarta para contactos com as autoridades indonésias e numa delas deslocou-se igualmente a Camberra onde contactou com o governo australiano.

"A situação que favorecia a integração na indonésia era a do primeiro-ministro Vasco Gonçalves em Portugal, que chegou a ter negociações em Lisboa, em 1974, com o general Ali Moertopo", vice-chefe do BAKIN, a central indonésia de serviços secretos.

Uma foto desse encontro está reproduzida na biografia política de Mário Carrascalão, "Timor Antes do Futuro", lançada este ano em Díli.

No capítulo dedicado à política portuguesa em Timor em 1975 aparece a figura do major Arnão Metelo, representante do Movimento das Forças Armadas em Díli, que Mário Carrascalão relaciona com a opção integracionista de Lisboa e do governo de Vasco Gonçalves.

A páginas 31 do seu livro, Mário Carrascalão afirma que o major "se disponibilizou para, juntamente com os líderes das facções favoráveis à integração, preparar o que fosse necessário para a fundação da APODETI", o partido que mais serviu os objectivos de Jacarta.

"As primeiras reuniões, para esse efeito, realizaram-se na sua residência", escreve o ex-governador de Timor-Leste.

"O Ideário/Manifesto político da APODETI foi ele quem o concebeu e redigiu. Essa atitude grangeou-lhe em Timor muitas inimizades", acrescenta Mário Carrascalão sobre o major Metelo.
"Porém, Arnão Metelo defendia-se dizendo que conhecia a existência dessa corrente de opinião e interveio para que ela agisse à luz do dia e não na clandestinidade".

Mário Carrascalão acrescenta nas linhas seguintes que "a oposição muito firme da UDT" provocou "a anulação da possível nomeação" de Arnão Metelo para comandante militar de Timor, após a visita de Almeida Santos ao território.

Actualmente a residir em Macau, Arnão Metelo, recusa as duas primeiras frases do livro do que considera seu "amigo" Mário Carrascalão e subscreve apenas a última em que o antigo governador diz que ganhou "muitas inimizades" para que a APODETI "agisse à luz do dia".

"É falso, não é verdade", afirmou categoricamente sobre a sua intervenção na criação da APODETI e na redacção da sua linha orientadora política.

"O meu amigo Mário Carrascalão tem razão quando diz que eu quis que a APODETI agisse à luz do dia porque eu tinha indicações claras do governador coronel Alves Aldeia para os pressionar porque a APODETI estava a conspirar com o cônsul indonésio em Díli contra Portugal", garantiu.

Arnão Metelo disse também que em sua casa "não houve reuniões para criação da APODETI" mas "houve reuniões com todas as forças que tinham surgido no território após o 25 de Abril".
Engenheiro de profissão, Arnão Metelo esteva em Timor-Leste entre 1974 e mais tarde integrou o Governo de Vasco Gonçalves como ministro da Administração Interna e vice-primeiro-ministro.

Arnão Metelo também se recorda da visita a Timor de "emissários de António Spínola e Almeida Santos".

"A primeira visita do meu amigo Almeida Santos quando eu não estava em Timor-Leste e não podendo dizer o que ele pensava, posso dizer que nunca o ouvi declarar a defesa da anexação", sublinhou.

Admite também que "algumas declarações" do homem do PS ao jornal Expresso nesses tempos "poderiam ser mal interpretadas" pelo que, tendo em consideração que o ministro australiano "é uma pessoa de boa fé, se as declarações em português podiam dar azo a má interpretação, a tradução para inglês pode ter sido feita nessa má interpretação".

Arnão Metelo acrescentou ainda no contacto telefónico com a Lusa que, durante o governo de Vasco Gonçalves, "nunca foi discutida a possibilidade de Timor- Leste ser anexado pela Indonésia".

"Sei do que falo porque estava lá e, para além de nunca ter sido discutido, sei também que Vasco Gonçalves era contrário a essa situação apesar de em Portugal nessa altura não haver muito tempo para dedicar atenção a Timor-Leste devido aos problemas do país".

Esta pouca atenção portuguesa à situação de Timor-Leste é também referida por Franciscio Xavier do Amaral, Presidente da República de Timor-Leste por nove dias antes da invasão indonésia.

"Eu fui Presidente porque tínhamos de tomar uma decisão já que Portugal não tomava decisões face aos problemas que estavam a acontecer em Timor-Leste. Mas a invasão indonésia foi facilitada porque Portugal nos deixou sozinhos", disse.

"Estava combinado que o Governador Lemos Pires ficava na casa do Governador em Lahane e nós ficávamos no Farol mas um dia soubemos que Lemos Pires tinha abandonado a sua casa e partido de madrugada para Ataúro, deixando-nos sozinhos".

"Foi aí que a Indonésia teve mais coragem porque sabia que o Governador português já tinha abandonado a capital", concluiu.

Lusa/Fim

UNMIT – MONITORIZAÇÃO DOS MEDIA – Terça-feira, 8 Maio 2007

(Tradução da Margarida)

Relatos dos Media Nacionais

UNMIT leva 30 caixas de votos sem confirmação do STAE
Na Sexta-feira (4/5), dois carros da ONU alegadamente levaram 30 caixas de votos sem darem qualquer conhecimento ao STAE.

O Director do STAE, Thomas do Rosário Cabral, disse que os motoristas de ambos os carros levaram 30 caixas para o Hotel Timor sem darem qualquer conhecimento ao STAE e que não estavam acompanhados nem pela PNTL ou UNPol.

“Tais atitudes comprometem a transparência e a tranquilidade do processo eleitoral e o STAE apresentou queixa à CNE e à UNMIT de modo a que tais atitudes não se repitam,” disse o Sr Cabral numa conferência de imprensa na Segunda-feira (7/5). (TP)

STAE deve ser imparcial na segunda volta eleitoral
O deputado do KOTA, Clementino Amaral, disse ao na Segunda-feira (7/5) que o STAE, e em particular o director do STAE, deve demonstrar imparcialidade na segunda volta da eleição presidencial.

“A partir de agora o STAE tem de evitar as coisas más e deve mostrar a sua imparcialidade a toda a gente através do próprio director do STAE, de modo a que não haja manipulações como na primeira volta,” disse Clementino. (TP)

Segunda volta das eleições, Chefe da PNTL Viqueque suspendido
De acordo com uma queixa recebida pela CNE, o chefe da PNTL do distrito de Viqueque, Gaspar da Costa, está por detrás das acções violentas e foi acusado de atacar apoiantes de alguns candidatos na primeira volta das eleições presidenciais do mês passado. Como tal, foi suspenso durante a segunda volta das eleições presidenciais.

O comandante geral da PNTL, Afonso de Jesus, afirmou na Segunda-feira (7/5) in no quartel-general da PNTL, Caicoli, Dili que desde que recebeu a queixa tinha suspendido directamente Gaspar da Costa pelo período de um mês enquanto aguarda as conclusões da investigação internacional. (TP)


3100 PNTL prestam segurança às eleições
O comandante geral da PNTL, Afonso de Jesus, informou os jornalistas na Segunda-feira (7/4) no Quartel-general da PNTL Caicoli, Dili, que há 3100 membros da PNTL em todos os distritos que estão preparados para fazer a segurança à segunda volta das eleições presidenciais.

Afirmou que a PNTL está mandatada para garantir a segurança com base no artigo 147, por isso têm de prestar a segurança máxima. (TP)


Tribunal de Recurso, julgamento do caso de Rogério está a caminho
A Secretária da Administração Interna do Tribunal de Recurso, Maria de Fátima, disse aos jornalistas na Segunda-feira (7/5) que o Tribunal de Recurso anunciará em breve a data do julgamento do ex-Ministro do Interior Rogério Tiago Lobato.

Hoje o Estado declara caminhos para resolver o caso de Alfredo
O encontro de alto-nível realizado na Segunda-feira (7/5) levantou publicamente demasiadas questões acerca do caso do foragido Alfredo Reinado. Hoje contudo, (8/4) o Presidente da República, Kayrala Xanana Gusmão, declarará o caminho para resolver o caso de Alfredo.

No encontro esteve o Presidente da República Kayrala Xanana Gusmão, Primeiro-Ministro José Ramos Horta com os seus dois vices, Comandante da ISF Brigadeiro Mal Rerden, Comandante das F-FDTL Brigadeiro General Taur Matan Ruak, Procurador-Geral Longuinhos Monteiro, vice-presidente do Parlamento Nacional Jacob Fernandes, SRSG Atul Khare e Vice-SRSG Fin Rieske Nielsen. (TP)

Atul Khare destacou equipa móvel
Para instilar confiança nas pessoas acerca da boa condução da segurança na segunda volta das eleições presidenciais, o SRSG Atul Khare foi acompanhado pelo Comissário da Polícia da UNMIT, Sr. Rodolfo Tor, e outros oficiais de topo da UNMIT, monitorizar a segurança. Realizou-se também um encontro com autoridades locais destacando uma equipa móvel que é composto por três membros da PNTL e dois membros da UNPol.

O Sr. Khare explicou o novo plano de segurança para os distritos, que envolve equipas móveis por sectores compreendendo a UNPol e oficiais da polícia Timorense da PNTL. Cada equipa, que monitoriza entre quatro e cinco Sucos providenciará segurança, apoio e encorajará os residentes a votar no dia das eleições. (TP)

Comissão de Alto Nível decide parar a operação contra Alfredo
No seu sétimo encontro realizado na Segunda-feira (7/5), a comissão de alto nível decidiu oficialmente pedir que a ISF pare a operação para capturar o foragido Alfredo Reinado Alves, preferindo concentrar-se ba abertura do diálogo.

A decisão será anunciada pelo Presidente da República, Kayrala Xanana Gusmão, hoje no Palácio das Cinzas, Caicoli, Dili.

A comissão de alto nível discutiu as condições e a situação do foragido Reinado com os seus homens a quem foi dado o sinal para se processar o diálogo. A Igreja Católica concordou em ser mediadora para tal diálogo de modo a ultrapassar e encontrar a solução para esta crise.

No encontro esteve o Presidente da República, Kayrala Xanana Gusmão, Primeiro-Ministro José Ramos Horta com os seus dois vices, Comandante da ISF Brigadeiro Mal Rerden, comandante das F-FDTL Brigadeiro General Taur Matan Ruak, Procurador-Geral Longuinhos Monteiro, vice-presidente do Parlamento Nacional Jacob Fernandes, SRSG Atul Khare e Vice-SRSG Fin Rieske Nielsen. (STL)

População de Comoro antecipa manipulação
Para antecipar a manipulação na segunda volta das eleições presidenciais, a população de Comoro apelou uns aos outros para terem atenção e para o processo de modo a assegurar que as eleições se realizem de modo livre, transparente e democrático.

“Ao entrarmos na segunda volta das eleições presidenciais, nós, a população de Comoro, lembramos para antecipar algumas manobras similares às usadas para manipular os Centros de Votação durante a primeira volta no mês passado,” disse o membro representante do Suku Comoro Lino Pereira. (STL)

Ramos Horta promete aumentar os salários às F-FDTL
Ramos Horta, na sua campanha no Domingo (6/5) em Baucau, prometeu tentar aumentar os salários dos membros das F-FDTL e da PNTL dado que estão sempre longe das suas famílias.

“As F-FDTL e a PNTL têm de ter salários mais altos do que os funcionários civis,” disse Horta.

Disse que construirá quartéis para essas duas instituições ficarem perto das suas famílias.

Ramos Horta disse ainda que as F-FDTL são as forças nacionais do país e que não dispersará as F-FDTL quando eleito presidente da República como tem sido indicado por rumores recentes espalhados pelo país.

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Começou votação para a sucessão de Xanana Gusmão

Notícias Lusófonas
9.05.07
Timor Lorosae

As mesas de voto para a segunda volta das eleições presidenciais em Timor-Leste abriram hoje às 23:00 de Lisboa (07:00 de quarta-feira em Díli), para que cerca de meio milhão de eleitores escolha o sucessor de Xanana Gusmão.

À segunda volta apresentam-se os candidatos José Ramos-Horta, independente e primeiro-ministro, e Francisco "Lu Olo" Guterres, apoiado pela Fretilin e presidente do Parlamento, que foram os mais votados na primeira votação, a 09 de Abril último.

A votação presidencial vai decorrer entre as 07:00 (23:00 de terça-feira em Lisboa) e as 16:00 (08:00 em Lisboa) com cada um dos 524.073 eleitores - mais 1.140 do que na primeira volta - a poderem votar em qualquer ponto do país.

A Comissão Nacional de Eleições (CNE) já garantiu que a distribuição de todo o material necessário à realização das eleições foi concluída e que estão garantidas as condições de segurança graças à "cooperação" entre as forças internacionais e a polícia timorense.

Segundo a CNE, foram impressos mais 20 por cento de boletins de voto do que o número total de eleitores, divididos por 504 centros de votação.

O processo de transporte e distribuição distrital de todo o material eleitoral foi acompanhado pelas forças internacionais de segurança estacionadas em Timor-Leste, incluindo o sub-agrupamento Bravo da GNR, português, encarregues de garantir a segurança de todo o processo numa acção concertada com a Polícia Nacional de Timor-Leste.

Uma equipa de cerca de 4.000 pessoas vai trabalhar directamente nos 504 centros de votação, com 705 estações de voto, e serão apoiados por um total de 224 viaturas para deslocações nos distritos.

Na primeira volta das presidenciais, com um total de oito candidatos, votaram 427.198 pessoas, 81,69 por cento do total dos eleitores.

Segundo os resultados oficiais, "Lu Olo" foi o mais votado, ao recolher 112.666 votos (27,89 por cento), contra Ramos Horta, escolhido por 88.102 eleitores (21,81 por cento).

"Lu Olo", além da Fretilin, conta com o apoio de Manuel Tilman (Partido Kota - 16.534 votos - 4,09 por cento), o único dos seis candidatos que não passaram à segunda volta a apoiá-lo.

Ramos Horta, por seu lado, conta com o apoio dos restantes cinco candidatos, entre eles o de Fernando "Lasama" Araújo, líder do Partido Democrático (PD), que ficou no terceiro posto na votação de 09 de Abril, recolhendo 77.459 votos (19,18 por cento).

Os restantes candidatos perdedores que apoiam Ramos-Horta são Francisco Xavier do Amaral (apoiado pela ADST - 58.125 votos - 14,39 pc), Lúcia Lobato (PSD - 35.789 votos - 8,86 pc), Avelino Coelho ("Shalar Kosi F. F." - 8.338 votos - 2,06 pc) e João Carrascalão (ÚDT - 6.928 votos - 1,72 pc).

Almeida Santos desmente ex-ministro da Defesa australiano

Notícias Lusófonas8.05.07

O ex-ministro António Almeida Santos negou hoje "com veemência" que tenha defendido, em 1975, a invasão de Timor-Leste pelas tropas indonésias, considerando uma "miserável mentira" as declarações nesse sentido feitas em Sidney pelo antigo ministro da Defesa australiano.


O na altura ministro da Coordenação Interterritorial, e mais tarde presidente do Partido Socialista e do Parlamento português, lembrou ter feito "dezenas de declarações em sentido contrário" e que sempre condenou a invasão indonésia de Timor-Leste.

"É miseravelmente mentira. Não tem ponta de verdade. Já passaram mais de 30 anos e porque é que só agora é que (Bill Morrison) afirma isso? E eu que fiz dezenas e dezenas de declarações em sentido contrário (de condenação à invasão indonésia, iniciada em Outubro de 1975)", afirmou Almeida Santos, visivelmente irritado, escusando-se a adiantar pormenores.

Hoje, em Sidney, o antigo ministro da Defesa australiano Bill Morrison disse que, em 1975, antes da invasão indonésia de Timor- Leste, Portugal queria abandonar o território "o mais rápido possível".

Bill Morrison, ao depor no inquérito do tribunal de Sidney que investiga a morte do jornalista britânico Brian Peters, residente na época no estado de Nova Gales do Sul (Austrália), e que morreu em Balibó (oeste de Timor-Leste) a 16 de Outubro de 1975, juntamente com quatro outros jornalistas baseados na Austrália, acrescentou que Lisboa pretendia a invasão indonésia para se fazer de "vítima".

Nas suas declarações, Morrison citou um ministro português, "minister Santos", que lhe disse que Portugal "queria sair o mais rápido possível" do território, numa altura em que se preparava a invasão indonésia da, na altura, ainda Província Portuguesa de Timor.

Entre 19 de Outubro de 1974 e 11 de Setembro de 1975, Almeida Santos, então ministro da Coordenação Interterritorial do governo português, com o pelouro das colónias, efectuou pelo menos três visitas a Jacarta para contactos com as autoridades indonésias e, numa delas, deslocou-se igualmente a Camberra, onde contactou com o governo australiano.

"Ambos os lados, os portugueses e os indonésios, queriam o mesmo: o ministro português Santos tinha-me dito que Portugal queria sair o mais rápido possível de Timor, e que a melhor maneira era a Indonésia invadir Timor, e Portugal sair como a pobre vítima", afirmou Bill Morrison.

O ex-ministro foi interrogado por Mark Tedeschi, conselheiro assistente da juíza Dorelle Pinch, que lidera as investigações, após o depoimento de mais de três horas do antigo primeiro-ministro Gough Whitlam (1972/75).

No seu depoimento, mas noutro contexto, Morrison referiu-se ao ministro português, o qual, disse, queria que as forças australianas fossem para Timor.

No entanto, após o regresso das suas tropas do Vietname, o então titular da pasta da Defesa de Camberra não tinha nenhum interesse em enviar soldados australianos para o exterior.

O ex-ministro, que esteve no cargo até Dezembro de 1975, confirmou no tribunal que nunca relatou ao então primeiro-ministro Gough Whitlam as mortes dos cinco jornalistas, em Balibó, Timor-Leste.

No mesmo tribunal, mas momentos antes, Whitlam, actualmente com 90 anos, afirmou não ter tido conhecimento prévio da invasão indonésia de Timor-Leste e que só soube da morte dos cinco jornalistas cinco dias após terem sido abatidos a tiro.

«Portugal quis sair como pobre vítima», diz ex-ministro australiano

Notícias Lusófonas8.05.07

Timor Lorosae

O antigo ministro da Defesa australiano Bill Morrison disse hoje que, em 1975, Portugal queria abandonar Timor-Leste "o mais rápido possível" e que Lisboa pretendia a invasão indonésia para se fazer de "vítima".

As declarações de Bill Morrison foram feitas ao depor no inquérito do tribunal de Sidney que investiga a morte do jornalista britânico Brian Peters, residente na época no estado de Nova Gales do Sul (Austrália), e que morreu em Balibó (oeste de Timor-Leste) a 16 de Outubro de 1975, juntamente com quatro outros jornalistas baseados na Austrália.

Nas suas declarações, Morrison citou um ministro português, "Mr. Santos", que lhe disse que Portugal "queria sair o mais rápido possível" do território, numa altura em que se preparava a invasão indonésia da, na altura, ainda Província Portuguesa de Timor.

Entre 19 de Outubro de 1974 e 11 de Setembro de 1975, António Almeida Santos, então ministro da Coordenação Interterritorial do governo português, com o pelouro das colónias, efectuou pelo menos três visitas a Jacarta para contactos com as autoridades indonésias e numa delas deslocou-se igualmente a Camberra onde contactou com o governo australiano.

"Ambos os lados, os portugueses e os indonésios, queriam o mesmo: o ministro português Santos tinha-me dito que Portugal queria sair o mais rápido possível de Timor, e que a melhor maneira era a Indonésia invadir Timor, e Portugal sair como a pobre vítima", afirmou Bill Morrison.

O ex-ministro foi interrogado por Mark Tedeschi, conselheiro assistente da juíza Dorelle Pinch, que lidera as investigações, após o depoimento de mais de três horas do antigo primeiro-ministro Gough Whitlam (1972/75).

Marc Tedeschi perguntou especificamente sobre uma mensagem enviada a Camberra pelo embaixador da Austrália em Jacarta, Richard Woolcott, datada de 13 de Outubro de 1975, à qual o tribunal teve acesso.

Nessa mensagem, o embaixador informava que a parte principal das operações militares indonésias em Timor-Leste começaria a 15 de Outubro (de 1975) em Balibó e Maliana, que nenhuma bandeira indonésia seria usada e que a operação se destinava a evitar que a Fretilin consolidasse ainda mais a sua posição no território.

Bill Morrison disse que teve conhecimento desta mensagem ainda no dia 13 desse mês e que sabia da invasão indonésia a Balibó, com os soldados indonésios disfarçados de timorenses, sublinhando, porém, que seria melhor dar, primeiro, o "quadro geral" da situação naquele momento.

Foi nessa altura que Morrison recorreu às palavras de Almeida Santos, que foi mais vezes ministro em vários governos, presidente do Partido Socialista (PS) e do Parlamento português.

No seu depoimento, mas noutro contexto, Morrison referiu-se ao ministro português, o qual, disse, queria que as forças australianas fossem para Timor.

No entanto, após o regresso das suas tropas do Vietname, o então titular da pasta da Defesa de Camberra não tinha nenhum interesse em enviar soldados australianos para o exterior.

O ex-ministro, que esteve no cargo até Dezembro de 1975, confirmou no tribunal que nunca relatou ao então primeiro-ministro Gough Whitlam as mortes dos cinco jornalistas, em Balibó, Timor-Leste.

No mesmo tribunal, mas momentos antes, Whitlam, actualmente com 90 anos, afirmou não ter tido conhecimento prévio da invasão indonésia de Timor-Leste e que só soube da morte dos cinco jornalistas cinco dias após terem sido abatidos a tiro.

STAE finaliza preparativos para as Eleições Presidenciais

REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DE TIMOR LESTE
MINISTÉRIO DA ADMINISTRAÇÃO ESTATAL
SECRETARIADO TÉCNICO DE ADMINISTRAÇÃO ELEITORAL (STAE)
Rua de Caicoli, Dili, Tel. 3317445 / 3317446

Comunicado de Imprensa

Dili, 8 de Maio de 2007

A menos de 24 horas do regresso dos timorenses às urnas, para a eleição do segundo Presidente da História de Timor-Leste Independente, funcionários do STAE trabalham em contra-relógio para assegurar que o material eleitoral, enviado para os 504 centros de votação e 705 estações de voto, estará a postos para o exercício democrático que se realiza amanhã em todo o país.

O material é transportado de diferentes formas. Pelo ar – 39 vôos de helicóptero, cedido pela Missão das Nações Unidas em Timor Leste (UNMIT) para o efeito, e 15 vôos da Força Internacional de Estabilização - e por terra – com cerca de 80 veículos do Governo, 68 cedidos pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), 8 cedidos pela Organização Internacional para as Migrações (OIM) e mais de 80 pela UNMIT. Nas zonas onde o acesso por automóvel é impossível, equipas a pé e a cavalo vão fazer chegar o material indispensável para a realização das eleições a 38 centros de votação, considerados mais remotos, enquanto outros 45 serão abastecidos por helicóptero.

Neste momento um total de 4029 funcionarios estão prontos, muitos pernoitam nos centros de votação onde estão destacados, para receberem boletins de voto, quadros de votação, tinta permanente, carimbos e outro material eleitoral. Tudo está a ser preparado para que não haja contratempos depois da abertura das estações de voto às 7 horas da manhã do dia 9 de Maio.

O Secretariado Técnico de Administração Eleitoral (STAE), sob a tutela do Ministério da Administração Estatal, é a entidade responsável pelo planeamento e execução de todos os aspectos técnicos e logísticos relacionados com as eleições em Timor-Leste, com o apoio da Divisão Eleitoral da UNMIT e do Projecto Eleitoral da UNDP com o financiamento de doadores como a Austrália, Irlanda, Japão, Portugal e União Europeia.

O STAE é também responsável pelas operações nas estações de voto entre as 07:00h e as 16:00h, no dia 9 de Maio, e pelas operações de contagem nas estações de voto e centros de votação. Depois, de acordo com um plano de seguranca definido, e com escolta policial, o material será transportado para as Assembleias de Apuramento Distrital, localizadas nas capitais de Distrito, onde a Comissão Nacional de Eleições (CNE), preside à contagem. Depois do apuramento distrital, o STAE coordena o transporte do material para a sede da CNE, em Dili, onde mais uma vez a CNE vai ser responsável pelo processo de Apuramento Nacional e posterior anúncio dos resultados provisórios.

1140 cidadãos timorenses atingiram 17 anos desde o último acto eleitoral. Um acréscimo, que não se deve a qualquer extensão do período de recenseamento que se realizou entre 29 de Janeiro e 21 de Marco de 2007, mas estes eleitores foram incluídos nas listas por terem atingido a idade mínima para votar.
O número total de eleitores é agora de 524, 073 que espalhados pelos 13 Distritos, 65 Sub-Distritos e 442 sucos vão escolher amanhã o futuro Presidente da República Democrática de Timor-Leste.

Para as duas votações da Eleição Presidencial, 56 grupos diferentes de observadores pediram acreditações nos serviços do STAE, 383 observadores internacionais (de 38 diferentes missões)e 1936 observadores nacionais vão acompanhar de perto todo o processo. Também a imprensa vai estar presente. Um total de 427 jornalistas (230 nacionais e 197 da imprensa internacional) pediram credenciais no STAE.


Para mais informação por favor contacte: Julio da Silva: 7250761 julio.dasilva@undp.org .

Almeida Santos desmente ex-ministro da Defesa australiano

Lisboa, 08 Mai (Lusa) - O ex-ministro António Almeida Santos negou hoje "com veemência" que tenha defendido, em 1975, a invasão de Timor-Leste pelas tropas indonésias, considerando uma "miserável mentira" as declarações nesse sentido feitas em Sidney pelo antigo ministro da Defesa australiano.

"Portugal quis sair como pobre vítima" - ex-ministro australiano

Sidney, 08 Mai (Lusa) - O antigo ministro da Defesa australiano Bill Morrison disse hoje que, em 1975, Portugal queria abandonar Timor-Leste "o mais rápido possível" e que Lisboa pretendia a invasão indonésia para se fazer de "vítima".

UNMIT – MEDIA MONITORING - Tuesday, 8 May 2007

National Media Reports

UNMIT takes 30 ballot boxes without confirmation from STAE
On Friday (4/5), two UN cars have allegedly taken 30 ballot boxes out without any knowledge from STAE.

The Director of STEA, Thomas do Rosario Cabral, said that the conductor of both cars brought the 30 boxes to Hotel Timor without any knowledge from STAE and that they were not accompanied by either PNTL or UNPol.

“Such attitudes compromise the transparency and tranquility of the electoral process and STAE has presented it to CNE and UNMIT in order that such attitudes should not happen again,” said Mr Cabral at a press conference on Monday (7/5). (TP)

STAE should be impartial in run-off Election
The member of national parliament from KOTA, Clementino Amaral, told TP on Monday (7/5) that STAE, and in particular the director of STAE, should demonstrate impartiality in the second round of the presidential election.

“From now on STAE has to avoid the bad things and should show its impartiality to all people through the director of STAE itself, in order that there will be no manipulations as in first round,” said Clementino. (TP)

Second round election, Chief of PNTL Viqueque suspended
According to a complaint received by CNE, the chief PNTL of Viqueque district, Gaspar da Costa, is behind violent actions and has been accused of attacking the supporters of some candidates in the first round of the presidential elections last month. As such, he is being suspended during the second round of the presidential elections.

The general commander of PNTL, Afonso de Jesus, stated on Monday (7/5) in PNTL HQ Caicoli Dili that since the case was received, he had directly suspended Gaspar da Costa for a one month period pending findings of the international investigation. (TP)


3100 PNTL are providing security for the election
The general commander of PNTL, Afonso de Jesus, informed journalists on Monday (7/4) at PNTL HQ Caicoli Dili that there are 3100 members of PNTL in all districts who are prepared to secure the run-off presidential election.

He stated that as PNTL is mandated to guarantee security based on article 147, they had to provide the maximum security. (TP)

Court of Appeal, Judgment on Rogerio’s case is on the way
The Secretary Intern Administration of the Court of Appeal, Maria de Fatima, told journalists on Monday (7/5) that the Court of Appeal will soon announce the date of judgment on ex-interior minister Rogerio Tiago Lobato.

Today State declares ways of solving Alfredo’s case
The high-level meeting held on Monday (7/5) publicly raised too many questions about the case of fugitive Alfredo Reinado. Today however, (8/4) the President of the Republic, Kayrala Xanana Gusmão, will declare the way in resolving Alfredo’s Case.

The meeting was composed of the President of Republic Kayrala Xanana Gusmão, Prime Minister Jose Ramos Horta with his two vices, Commander of ISF Brigadier Mal Rerden, Commander of F-FDTL Brigadier General Taur Matan Ruak, Prosecutor general Longuinhos Monteiro, vice president of national parliament Jacob Fernandes, SRSG Atul Khare and DSRSG Fin Rieske Nielsen. (TP)

Atul Khare deployed Mobile Team
To instill confidence in the people about the good security conduct during the second round of presidential elections, SRSG Atul Khare was accompanied by the UNMIT Police Commissioner, Mr. Rodolfo Tor, and other senior UNMIT officials, while monitoring the security. A meeting was also held with local authorities in deploying the Mobile Team which is composed by three members of PNTL and two members of UNPol.

Mr. Khare explained the new security plan for the districts, which involves Sector Mobile Teams comprising of United Nations Police (UNPol) and the Timorese police officers from the PNTL. Each team, which monitors between four and five Sucos will provide security, support and will encourage the residents to vote on Election Day. (TP)

High Level commission decide to halt the Alfredo operation
In its seventh meeting held on Monday (7/5), the high level commission officially decided to demand that the ISF halt the operation to capture the fugitive Alfredo Reinado Alves, preferring to concentrate instead on opening dialogue.

The decision will be announced by the President of the Republic, Kayrala Xanana Gusmão, today in Palacio das Cinzas Caicoli Dili.

The high level commission discussed the condition and situation of the fugitive Reinado with his men who had been given the sign to proceed with a dialogue. The Catholic Church agreed to be the mediator for such dialogue in order to overcome and find the solution for this crisis.

The meeting was composed of the President of Republic, Kayrala Xanana Gusmão, Prime Minister Jose Ramos Horta with his two vices, Commander of ISF Brigadier Mal Rerden, commander of F-FDTL Brigadier General Taur Matan Ruak, Prosecutor general Longuinhos Monteiro, vice president of national parliament Jacob Fernandes, SRSG Atul Khare and DSRSG Fin Rieske Nielsen. (STL)

Population of Comoro anticipating manipulation
To anticipate manipulation in the run-off presidential elections, the population of Comoro have called on each other to pay attention and to the process in order to ensure the elections would be held in a free, transparent and democratic manner.

“In entering the second round of presidential elections, we, the population of Comoro, remind each other to anticipate some maneuvers similar to those used to manipulate the polling centers during the first round of elections last month,” said the member of representative Suku Comoro Lino Pereira. (STL)

Ramos Horta promises to raise F-FDTL salary
Ramos Horta, in his campaign on Sunday (6/5) in Baucau, promised to try to increase the salary of F-FDTL and PNTL members as they are always away from their families and relatives.

“F-FDTL and PNTL have to get higher salaries then public servants,” said Horta.

He said that he will build barracks for these two institutions to be close with their families and relatives.

Ramos Horta also said that F-FDTL are the national forces of the country and that he would not disperse F-FDTL when elected as the president of republic as has been indicated by recent rumors spread throughout the country.

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Igrejas do Brasil vão realizar colecta de donativos para Timor

Notícias Lusófonas
8.05.07

As igrejas católicas em todo o Brasil vão realizar uma colecta especial de donativos, no dia 20 de Maio, para as missões em Timor-Leste, informaram hoje fontes religiosas.

A decisão de realizar a colecta foi anunciada pelo Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e tem a finalidade de manter as missionárias em Timor- Leste.

Desde 1999, a Igreja Católica do Brasil, através da CNBB, desenvolve um projecto de colaboração com as dioceses de Díli e Baucau, que já inclui o envio de 16 missionárias.

"A presença missionária brasileira está a contribuir para a paz naquele país", afirmou o presidente da Comissão Episcopal para a Acção Missionária da CNBB, Sérgio Castriani, num comunicado.

"Esse fundo está exaurido e a comunidade da missão depende de uma nova acção de solidariedade missionária da Igreja no Brasil", salientou.

A colecta especial de donativos foi inspirada na mensagem do papa Bento XVI por ocasião do Dia Mundial das Missões, motivando a realização de gestos de solidariedade.

Sérgio Castriani sublinhou que a colecta será feita durante a realização da Quinta Conferência Episcopal da América Latina e das Caraíbas (CELAM), que decorrerá no Santuário de Aparecida, a partir deste domingo.

O encontro, um dos principais compromissos da visita de Bento XVI ao Brasil, reunirá 176 bispos de 35 países, nos próximos 19 dias.

"A data (da colecta) é significativa, pois coincide com o envio missionário dos apóstolos e da Igreja por Jesus e será durante a Conferência de Aparecida que trata do tema da Igreja discípula e missionária de Jesus Cristo", afirmou o bispo.

Ex-PM australiano nega conhecimento prévio da invasão indonésia

Notícias Lusófonas
8.05.07

Um antigo primeiro-ministro australiano negou hoje que tivesse tido conhecimento prévio dos planos da invasão indonésia de Timor-Leste, em 1975, reiterando que só soube da morte de cinco jornalistas dias depois dos incidentes em Balibó.

Gough Whitlam, primeiro-ministro entre 1972 e 1975, falava no Tribunal de Glebe, em Sidney, no âmbito das investigações sobre a morte de Brian Peters, um dos cinco jornalistas abatidos a tiro em Balibó (oeste de Timor-Leste e próximo da fronteira com a parte indonésia da ilha) no início da invasão das tropas de Jacarta.

O antigo primeiro-ministro trabalhista indicou, porém, que não se recordava se viu ou não as informações da embaixada australiana em Jacarta, que advertiam para o início iminente da operação militar indonésia em Timor-Leste, que envolviam mais de 4.000 soldados.

Whitlam, hoje com 90 anos, insistiu que só teve conhecimento da morte dos cinco jornalistas - dois australianos, dois britânicos e um neo-zelandês - a 21 de Outubro de 1975, cinco dias após os incidentes de Balibó.

A informação, acrescentou, foi-lhe transmitida numa reunião com representantes dos ministérios da Defesa e dos Negócios Estrangeiros australianos, depois de os serviços secretos terem interceptado uma mensagem rádio indonésia em que era mencionada a existência de "quatro corpos de brancos" em Balibó.

"Lembro-me perfeitamente do relatório oral que me foi transmitido porque era muito raro conseguirmos interceptar mensagens rádio indonésias em Timor-Leste, e isso foi considerado quase um feito", afirmou Whitlam.

A Indonésia tem apresentado como versão oficial o facto de os jornalistas terem estado no local errado à hora errada e que foram atingidos por fogo cruzado, responsabilizando os independentistas timorenses pelos tiros disparados em Balibó.

Um relatório independente das Nações Unidas, elaborado em 2006, concluiu que, "provavelmente", os cinco jornalistas foram mortos pelos soldados indonésios, o mesmo defendendo o único jornalista português que com eles privou antes de morrerem, Adelino Gomes.

O antigo chefe de governo australiano, que de vez em quando afirmava que não se recordava de nomes e de datas e recorria com frequência a apontamentos escritos, adiantou que, um mês antes da morte dos cinco jornalistas, advertiu pessoalmente um deles, lembrando-lhe que, uma vez em Timor-Leste, o executivo de Camberra não os poderia proteger.

Os australianos Greg Shackleton e Tony Stewart, os britânicos Brian Peters e Malcolm Rennie e o neo-zelandês Gary Cunningham foram, além do português Adelino Gomes, os únicos jornalistas que permaneceram em Timor-Leste após a invasão indonésia.

Num pequeno sumário das declarações de Whitlam feitas numa sessão à porta fechada, o magistrado provincial do tribunal Dorelle Pinch, indicou que o antigo primeiro-ministro foi informado pelos seus departamentos que a mensagem só foi interceptada porque os acontecimentos se precipitaram.

"Assumimos que só interceptámos a mensagem porque um militar indonésio entrou em pânico e quebrou o silêncio rádio para a enviar", afirmou Whitlam, citado por Pinch, sublinhando não ter visto qualquer sinal dos serviços secretos que apontasse para que os indonésios estariam no trilho dos cinco jornalistas.

Fora do tribunal, Shirley Shackleton, viúva de Greg Shackleton, considerou "bizarras" as declarações de Whitlam, sublinhando que não poderão ser tomadas em conta nas investigações uma vez que o antigo primeiro-ministro repetiu frequentemente não se lembrar de pormenores vitais.

"Penso que é desprezível. Totalmente desprezível. Os mortos não têm histórias para contar, por isso, cabe às pobres viúvas contá- las", afirmou Shirley, que disse também não acreditar que Whitlam só tivesse sabido da morte dos jornalistas cinco dias depois e que tivesse advertido um deles para os perigos de se deslocarem a Timor- Leste.

"Não faz qualquer sentido. Se fosse ele, teria demitido todos os responsáveis (de então) pelos Serviços Secretos", acrescentou, numa alusão ao afastamento, no mesmo dia em que Whitlam disse ter tido conhecimento da morte dos jornalistas, do então chefe deste departamento, Bill Morrison.

No entanto, Whitlam negou também que Robertson tivesse sido afastado devido aos acontecimentos em Timor-Leste, sublinhando que a exoneração se deveu ao facto de o então chefe dos Serviços Secretos australianos ter "dado informações erradas" sobre o que então se passou no Chile.

"Robertson foi afastado por me ter dado informações erradas sobre o Chile. Não me disse que havia gente nossa na embaixada em Santiago", disse Whitlam, aludindo ao papel desempenhado pela secreta australiana no processo que levou ao derrube do regime de Salvador Allende, em 1973.
FIM


Vigaristas do costume...

Apenas oito casos investigados um ano depois da crise 2006

Notícias Lusófonas
8.05.07

Apenas oito casos relacionados com a crise política e militar de 2006 foram julgados ou investigados, incluindo os processos contra o ex-primeiro-ministro Mari Alkatiri e o ex-ministro do Interior Rogério Lobato, afirmaram à Lusa fontes judiciais em Díli.


Por Pedro Rosa Mendes
da Agência Lusa

O relatório final da Comissão Especial Independente de Inquérito para Timor-Leste (CEII), apresentado em Genebra a 02 de Outubro de 2006, refere cerca de vinte incidentes durante a crise de Abril e Maio e recomenda um número coincidente de pessoas a investigar e a processar: 87.

Os graves confrontos de Abril e Maio incluíram tiroteios entre as Falintil-Forças de Defesa de Timor- Leste (F-FDTL) e a Polícia Nacional (PNTL) que provocaram vários mortos.

A crise culminou com a queda do governo chefiado por Mari Alkatiri, em Junho de 2006.

A maior parte das recomendações da CEII estão por aplicar, em primeiro lugar por escassez de recursos da máquina judicial, afirmaram à Lusa as fontes judiciais envolvidas na investigação dos incidentes de há um ano.

à fragilidade de recursos junta-se a lentidão e a hesitação política de um ano de eleições presidenciais e legislativas e a tentativa de influência de agendas políticas divergentes sobre o andamento de casos politicamente sensíveis, notam as mesmas fontes.

O caso mais claro é o do major Alfredo Reinado, ex-comandante da Polícia Militar, evadido da prisão de Becora em Díli a 30 de Agosto e perseguido há nove semanas pelas Forças de Estabilização Internacionais (ISF).

O processo de Alfredo Reinado "está em investigação e não tem data prevista para "terminus", segundo fonte do Ministério Público.

"Reinado é um criminoso e um fugitivo e qualquer passo no seu processo não resultará em nada se não se começar por prendê-lo", notou um jurista internacional ouvido pela Lusa.


A mesma fonte concorda que na campanha eleitoral para as presidenciais timorenses o "valor político" do major rebelde se aproximou bastante do seu "valor penal".

"Na campanha para a primeira volta houve claramente uma prevalência do discurso que exigia a captura de Reinado, enquanto na campanha da segunda volta o que sobressaiu foi a opção de dar nova oportunidade à negociação", notou o mesmo jurista.

As duas tendências foram representadas, respectivamente, por Francisco Guterres "Lu Olo", presidente do Parlamento e candidato da Fretilin, e José Ramos-Horta, primeiro-ministro e candidato independente com o apoio de forças, à semelhança do Partido Democrático, que têm um discurso brando ou mesmo favorável em relação a Alfredo Reinado e aos peticionários das forças armadas.

Outros processos, entre os de maior peso político, resultantes da crise de 2006 foram os de Mari Alkatiri, arquivado no início de Fevereiro, e o de Rogério Lobato, com uma pena de sete anos e meio de prisão que ainda não transitou em julgado.

A decisão do recurso de Rogério Lobato será conhecida nos próximos dias, segundo fonte do Ministério Público.

Entre os oito casos apreciados está o confronto entre elementos da PNTL e das F-FDTL, a 25 de Maio, em Díli, que resultou em nove mortos. Quatro elementos das forças armadas estão em prisão preventiva e a acusação deverá sair em breve.

Pelo ataque à casa do chefe do Estado-Maior das F- FDTL, brigadeiro-general Taur Matan Ruak, a 24 de Maio de 2006, foi acusado Abílio Mesquita. O julgamento será em Junho.

O caso de Frederico de Jesus "Kiak", envolvido num tiroteio no Mercado Lama e outros incidentes, continua em investigação, que o Ministério Público não prevê finalizar em breve.

Vicente da Conceição "Rai Lós", que recebeu armas do ministro do Interior Rogério Lobato e que liderou um grupo envolvido em ataques e confrontos durante a crise, está sob investigação.

A acusação de "Rai Lós" "sairá em breve", ainda segundo fonte do Ministério Público.

O processo de "Rai Lós", uma figura que marcou presença na campanha eleitoral de José Ramos-Horta, foi autonomizado do de Rogério Lobato, onde era arguido e passou a ser apenas testemunha.

Existe ainda uma investigação contra Agostinho Soares.

A CEII recomenda que a investigação dos crimes cometidos em Abril e Maio de 2006 seja executada pelas instâncias normais do aparelho judicial, sem criar painéis ou magistraturas especiais.

É, no entanto, necessário criar uma equipa de magistrados, oficiais e intérpretes com dedicação exclusiva aos casos da CEII, uma ideia que "surgiu em Outubro de 2006 mas que ainda não conseguimos concretizar", afirmou à Lusa um dos responsáveis do Programa de Fortalecimento do Sistema de Justiça (PFSJ), implementado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.

A constituição desta equipa, para as fases de investigação e julgamento e por um período de dois anos, poderá custar nove milhões de dólares, valor para o qual os doadores do PFSJ estão a ser "sensibilizados" com o empenhamento directo da Missão Integrada da ONU em Timor- Leste (UNMIT).

O chefe da UNMIT, Atul Khare, declarou à Lusa que as recomendações da CEII "têm que ser implementadas" e que "a impunidade não pode prevalecer neste país".

"A justiça é essencial para a reconciliação. Sem justiça não se pode ter um país estável", acrescentou Atul Khare.

Margarida deixou um novo comentário na sua mensagem "Timor: Fretilin Mudança afasta hipótese de criar p...":

Em 29 de Abril do ano passado, ao DN, Ramos-Horta sobre os graves incidentes que tinham acabado de deflagrar explicava textualmente que "Os incidentes não foram provocados pelos ex-militares mas sim por um grupo de jovens extremistas, que se apropriaram da manifestação há vários dias já. Os ex-militares perderam o controlo do protesto. Alguns pertencem a grupos políticos mas outros pertencem a uma organização, Colimau 2000, que desde 1999 tem praticado actos de vandalismo, arvoram-se em dissidentes políticos, mas são líderes de gangues.

O Governo tem sido demasiadamente tolerante com eles" e continuava a notícia “O ministro timorense diz saber de vários testemunhos que Colimau, o líder do grupo que tem o seu nome, "estava ao microfone da manifestação, incitando os jovens a atacar o palácio, propondo aos ex-militares o derrube do Governo" (…).

http://dn.sapo.pt/2006/04/29/internacional/ha_interesses_estranhos_a_timor_tras.html

Passado um ano, tal como o seu Chefe (de então e de agora), o José Luís Guterres mudou de ideias e esteve no comício de Dili como um dos donos do microfone ao lado precisamente do presidente do Colimau 2000, Gabriel Fernandes.

E nem faltou ninguém dos tais grupos políticos a quem então o Horta culpava também da violência, nem Francisco Xavier do Amaral, Avelino Coelho, João Carrascalão, Fernando «Lassama» de Araújo, Lúcia Lobato, Mário Carrascalão. Nem sequer o inspirador de toda aquela barbaridade, o Xanana.

E este José Luís Guterres que passou todos esses quatro anos do Governo de Alkatiri, longe da luta pela criação de instituições democráticas em Timor-Leste, longe das tremendas dificuldades que foi a partir do zero criar um Estado, formar os seus funcionários, instituir as suas leis e que em vez disso esteve no bem-bom nas salas com ar condicionado de Nova Iorque, vem agora armado em carapau de corrida “«vá às montanhas e veja que a população vive hoje talvez pior do que no tempo da Indonésia”!

Será que ele nem ainda percebeu que em Dili, precisamente na capital de Timor-Leste o povo vive bem pior do que vivia há um ano, quando ele entrou para o Governo do Horta? Será que não percebeu ainda que desde há um ano todos os seus camaradas da Fretilin e até os seus simples simpatizantes e restantes Timorenses da Administração civil vivem perseguidos, aterrorizados, com as barbaridades cometidas pelos seus colegas de conspiração e comício, precisamente desde que os seus guarda-costas Australianos entraram no país, e será que ainda não meteu na cabeça que as milhares de casas, negócios e edifícios estatais queimados, pilhados o foram a mando precisamente dos seus novos amigos? E pior, será que as milhares, muitos milhares de crianças sem aulas, professores sem escolas, tanta situação por resolver não se deve á total incompetência do seu amigo Horta? Bem como os investimentos que não se fizeram tem a ver com a completa inoperância do mesmo Horta que em dez meses agravou todos, todos os problemas e não resolveu nenhum?

Esta gente, este José Luís Guterres, Horta, Xanana e restante cambada vive obsecada pelo poder, só pelo poder, está-se marimbando para a segurança básica e pelo bem-estar dos seus co-cidadãos e merece ser arredada pelo mal e sofrimento que durante um ano infligiram aos seus co-cidadãos.

Dos Leitores

Margarida deixou um novo comentário na sua mensagem "Presidenciais "são cruciais" para consolidar democ...":

De um dia para o outro, o Horta chama preto ao branco e branco ao preto:

"Voltar ao Palácio ontem não foi com grande entusiasmo", garantiu o líder do Governo justificando a sua tranquilidade com o facto de ter dois vice primeiros-ministros que classificou de "excelentes, de total a confiança e que, aliás, faziam quase a maior parte do trabalho desde há cerca de 10 meses atrás" (08/05/07, Lusa)

“Ramos-Horta foi capaz de re-começar o diálogo com a Igreja, as Forças Armadas, a Polícia e o povo, ao mesmo tempo que se mantinha firme contra um governo hostil da Fretilin. Um Governo (…) que descaradamente ignorava a sua obrigação de cuidar dos idosos, doentes, veteranos, mulheres e fracos do país.” (07/05/07 no blogue do Horta)

terça-feira, maio 08, 2007

Timor-Leste: Condições de segurança garantidas, diz CNE

Diário Digital / Lusa
08-05-2007 11:50:44

A Comissão Nacional de Eleições (CNE) de Timor-Leste anunciou hoje estarem garantidas todas as condições de segurança para a realização da segunda volta das eleições presidenciais na quarta-feira, que irá determinar o sucessor de Xanana Gusmão.

Com dois candidatos na corrida - Francisco Guterres «Lu Olo», pela Fretilin, e José Ramos-Horta, como independente -, as eleições presidenciais vão decorrer entre as 07:00 (23:00 de terça-feira em Lisboa) e as 16:00 (08:00 em Lisboa) com cada um dos 524.073 eleitores - mais 1.140 do que na primeira volta - a poderem votar em qualquer ponto do país.

Numa conferência de imprensa hoje em Díli, Maria Angelina Sarmento, porta-voz da Comissão Nacional de Eleições, explicou que a distribuição de todo o material necessário à realização das eleições foi concluída e estão garantidas as condições de segurança graças à «cooperação» entre as forças internacionais e a polícia timorense.

Apesar de garantida a segurança, a mesma responsável referiu-se a «outros problemas», entretanto resolvidos, como a nomeação de oficiais de votação por questões salariais, bem como outros que viram o seu contrato terminado «mas estão a tentar voltar com a mediação dos comissários da Comissão Nacional de Eleições».

Maria Angelina Sarmento disse também terem sido impressos mais 20% de boletins de voto do que o número total de eleitores, embora tenha sublinhado que tal decisão coube ao Secretariado Técnico da Administração Eleitoral (STAE) «sem o consentimento» da CNE.

A CNE «lamenta» também que no distrito de Manatuto não tenha decorrido a cerimónia oficial de entrega dos boletins de voto, como nos outros doze distritos do país.

«Quando o comissário da CNE responsável por Manatuto chegou ao local previsto, os voluntários do STAE tinham já saído com os boletins em direcção às estações de voto», afirmou Maria Angelina Sarmento.

Além do número de votantes, cada uma das 705 estações de voto vai receber um reforço de 15% do número de boletins ficando ainda uma reserva de cinco por cento em cada sede de distrito para eventuais necessidades de reforço.

O processo de transporte e distribuição distrital de todo o material eleitoral tem sido acompanhado pelas forças internacionais de segurança estacionadas em Timor-Leste, incluindo o sub-agrupamento Bravo da GNR, encarregues de garantir a segurança de todo o processo numa acção concertada com a Polícia Nacional de Timor-Leste.

Uma equipa de cerca de 4.000 pessoas vai trabalhar directamente nos 504 centros de votação com 705 estações de voto e serão apoiados por um total de 224 viaturas para deslocações nos distritos.

Na primeira volta das presidenciais, com um total de oito candidatos, votaram 427.198 pessoas, 81,69 por cento do total dos eleitores.

Timor-Leste/Eleições: Garantidas condições de segurança - porta-voz CNE

Díli, 08 Mai (Lusa) - A Comissão Nacional de Eleições (CNE) de Timor-Leste anunciou hoje estarem garantidas todas as condições de segurança para a realização da segunda volta das eleições presidenciais na quarta-feira, que irá determinar o sucessor de Xanana Gusmão.

Timor: Fretilin Mudança afasta hipótese de criar partido

Diário Digital / Lusa
08-05-2007 10:04:37

O líder da Fretilin Mudança e ministro dos Negócios Estrangeiros de Timor-Leste, José Luís Guterres, afastou hoje a hipótese de criar um novo partido mas pede mudanças na Fretilin e novas políticas para o país.

«Não, neste momento estamos na Fretlin e queremos continuar a ser membros do partido», afirmou ao salientar que a mudança que pretende para o seu partido «é um processo político» sobre o qual é preciso ver a reacção da parte contrária - adversários internos.

José Luís Guterres falava à agência Lusa à margem da cerimónia de cumprimentos de despedida do corpo diplomático a Xanana Gusmão, confirmou encontros recentes entre Mari Alkatiri e membros da facção «Mudança» da Fretilin e explicou que o congresso extraordinário visa «que todas as sensibilidades possam debater ideias e candidatar-se à liderança nacional».

«O processo da mudança é um processo contínuo e mal das organizações políticas que não se adaptem às realidades de hoje», afirmou o chefe da diplomacia timorense.

«Nós tentámos no último congresso, dentro das normas estatutárias, apresentar pontos de vista, apresentar alternativas à actual liderança política», afirmou para sublinhar que nunca lhe foi permitido intervir no congresso que reconduziu Mari Alkatiri como secretário-geral da Fretilin.

Por isso, explicou, pretende um congresso, para «projectar a mudança para a Fretilin e para o país».

Apoiante da candidatura presidencial de José Ramos-Horta, José Luís Guterres recordou que o candidato e actual primeiro-ministro é um dos fundadores da Fretilin que «representou sempre a ala moderada do partido».

«Eu também faço parte dessa ala moderada», assinalou.

O titular da pasta dos Negócios Estrangeiros no Governo de Timor-Leste acrescentou também que uma eventual derrota de «Lu Olo» nas presidenciais «significa o descrédito da actual liderança» da Fretilin e deixou o alerta aos seus companheiros de partido que «já deviam ter tirado ilações do resultado na primeira volta».

«A Fretilin nas primeiras eleições teve quase 60 por cento dos votos e agora tem 28 por cento», disse ao salientar o partido precisa de «fazer um esforço muito grande» para «analisar a realidade que se vive em Timor e tomar políticas acertadas para essa realidade e não continuar a afirmar-se ou comportar-se como se nada existisse à sua volta».

«O sonho antigo de ser único e exclusivo hoje já não dá», sustentou.

Além de Horta como fundador, José Luís Guterres recordou também Xanana Gusmão como o homem que «reconstituiu toda a Fretilin» durante a luta pela libertação mas que pelas exigências internas da resistência teve de «alargar a base de apoio e sustentação à luta de libertação nacional abrindo as portas a todas as sensibilidades nacionais para darem o seu contributo para a luta».

José Luís Guterres considerou também que Xanana Gusmão preferiria agora ir descansar mas as «políticas de arrogância, exclusão dos meus colegas e a falta de sensibilidade para lidar com a população timorense, falta de políticas para o desenvolvimento rural, fez com que o país estivesse quase destruído, à beira de ser um Estado falhado» levando o ainda Chefe de Estado a manter-se activo na política.

«Por causa de tudo isso é que estamos a dar as mãos com Xanana Gusmão e com todos os líderes dos partidos que existem em Timor-Leste, incluindo no seio da Fretilin, para ver se encontramos uma saída defendendo os interesses nacionais, a soberania e o desenvolvimento rural para que a população viva melhor», afirmou.

O governante deixou também um desafio a quem possa ter dúvidas sobre as dificuldades do povo: «vá às montanhas e veja que a população vive hoje talvez pior do que no tempo da Indonésia com excepção da liberdade que hoje tem em Timor-Leste».

Ramos-Horta promises to look after opponents if he is elected president

Japan Today - Tuesday, May 8, 2007 at 15:54 EDT

Dili — East Timor's Prime Minister Jose Ramos-Horta offered assurances Tuesday that he would look after the welfare of his political opponents if he is elected East Timor's second president during an election runoff Wednesday. Ramos-Horta and Parliament Speaker Francisco Guterres will go into the runoff after the two grabbed the highest votes in the election last month, 22.6% and 28.79% respectively.

"Do not feel that if I am elected, someone is a loser or if Mr Lu Olo is elected, I am a loser," Ramos-Horta told reporters on the sidelines of a farewell reception for President Xanana Gusmao, whose presidential term will end May 20. "Particularly, I appeal to Fretilin members that I am the founder of Fretilin, do not be afraid. If I win, I will look after everybody. I will look after Fretilin and I will be able to look better after Fretilin than Lu Olo can," he added.

Desculpe? Lost in translation?...

Presidenciais "são cruciais" para consolidar democracia - Horta

Díli, 08 Mai (Lusa) - As eleições presidenciais em Timor-Leste "são cruciais" para a consolidação da democracia no país, considerou hoje o primeiro-ministro e candidato à sucessão de Xanana Gusmão, José Ramos-Horta.

"São eleições cruciais para a consolidação da nossa democracia. É mais um passo mas não é o único. Depois das eleições é preciso consolidar as instituições, fazer a paz, construir a paz, resolver a questão dos pobres e os conflitos que existem na nossa sociedade", afirmou.

O candidato, que hoje participou como chefe do Governo na cerimónia de despedida de Xanana Gusmão do corpo diplomático acreditado em Timor-Leste, disse também que se for eleito assumirá a Presidência com "orgulho" e caso seja derrotado ficará "felicíssimo" e irá tirar "algumas semanas de férias".

"Ficarei felicíssimo", disse ao falar de uma eventual derrota.

"Fico liberto, apoio o novo presidente durante alguns dias para ele se inteirar de algumas questões e depois meto algumas semanas de férias", explicou.

No caso de ser eleito já não terá férias e começará "imediatamente" a preparar-se para "assumir a Presidência com todo o orgulho por este povo. Esse grande povo nosso", prometeu.

Ramos-Horta garantiu também que, sendo presidente, tudo fará "para trabalhar com todos os partidos, com a sociedade civil, com o novo parlamento, com o governo que vier e com a comunidade internacional".

Ramos-Horta disse ainda que está em "relax", e que gostou da campanha porque o libertou da "burocracia do Governo" e de ter de ir ao Palácio todos os dias.

"Voltar ao Palácio ontem não foi com grande entusiasmo", garantiu o líder do Governo justificando a sua tranquilidade com o facto de ter dois vice primeiros-ministros que classificou de "excelentes, de total a confiança e que, aliás, faziam quase a maior parte do trabalho desde há cerca de 10 meses atrás".

Ramos-Horta garantiu também que em caso de vitória nas presidenciais irá assumir com "humildade" e "com total determinação" as suas novas responsabilidades "procurando trabalhar com todos os partidos, incluindo a Fretilin".

JCS/PRM-Lusa/Fim

O limitado.

"O presidente de Timor diz que se limitou a fazer oposição ao governo da Fretilin. "
TVI – 2007-05-07 20:34

Impressionante a falta de sentido de Estado de Xanana Gusmão. Admite que a única coisa que vez foi oposição ao partido maioritário...

Timor-Leste: Xanana diz estar farto da presidência

TVI – 2007-05-07 20:34

O presidente de Timor diz que se limitou a fazer oposição ao governo da Fretilin.

Xanana conta os dias que faltam para abandonar o Palácio das Cinzas. Para trás, cinco anos em vão na presidência da República da mais jovem nação no mundo. Xanana diz que sai, farto, e por isso criou um partido que tenta participar no desenvolvimento de Timor.

O partido é o CNRT, agora chamado Congresso Nacional de Reconstrução de Timor. No novo partido o lema é «libertámos a pátria, libertemos o povo», ou, por outras palavras, libertemos Timor da corrupção.

A culpa da crise em Timor-leste é da Fretilin, diz Xanana, que se reconhece impotente para resolver o que quer que seja.

A maior frustração para Xanana é a falta de desenvolvimento económico de Timor-leste, um país onde o nível de vida é tão caro que afugenta qualquer investidor.

Às portas da segunda volta para as presidenciais, não esconde o seu desprezo por Lu-Olo, o candidato da Fretilin. Ao contrário, é com entusiasmo que apoia Ramos Horta, já a pensar num futuro cenário de coabitação: Xanana como primeiro-ministro entender-se-ia às mil maravilhas com Ramos Horta na presidência.

Xanana Gusmão prepara-se para se candidatar à chefia do próximo governo de Timor-leste. as eleições legislativas são a 30 de Junho.

Ex-PM australiano depõe sobre morte de cinco jornalistas em Balibó

Lisboa, 08 Mai (Lusa) - O antigo primeiro-ministro australiano Gough Whitlam depõe hoje como testemunha no tribunal que investiga a morte dos cinco jornalistas estrangeiros que cobriam a invasão militar indonésia de Timor-Leste, em 1975.

Whitlam, actualmente com 90 anos, vai comparecer no tribunal juntamente com o seu então ministro da Defesa, Bill Morrison, e com o, na altura, seu chefe de gabinete, John Menadue.

O primeiro-ministro australiano à data em que as forças militares indonésias invadiram Timor-Leste já afirmou num depoimento escrito que só soube da morte dos cinco jornalistas - dois australianos, dois britânicos e um neo-zelandês - a 21 de Outubro de 1975, cinco dias após o incidente.
Os cinco jornalistas morreram a 16 de Outubro de 1975 em Balibó, oeste de Timor-Leste e já próximo da fronteira com a Indonésia, havendo ainda muitas dúvidas sobre as circunstâncias que rodearam as suas mortes, com versões contraditórias.

Um relatório independente das Nações Unidas, elaborado em 2006, concluiu que, "provavelmente", os cinco jornalistas foram mortos pelos soldados indonésios.

As autoridades de Jacarta, por seu lado, rejeitam as acusações de que os cinco jornalistas - Greg Shackleton, Gary Cunningham e Tony Stewart, do Channel Seven, e de Brian Peters e Malcolm Rennie, do Channel Nine - tenho sido mortos pelas tropas indonésias no fogo cruzado que então se registou na área em que se encontravam.

A 06 de Fevereiro último, em declarações prestadas num tribunal de Sydney, um antigo colaborador timorense do exército indonésio, identificado apenas pelo pseudónimo "Glebe 2", afirmou que um antigo comandante indonésio foi o primeiro a disparar sobre cinco jornalistas.

A testemunha adiantou que o comandante militar indonésio Yunus Yosfiah foi quem efectuou os disparos e garantiu que os cinco profissionais, que se encontravam em Balibó (oeste de Timor-Leste e próximo da fronteira com a Indonésia) não morreram em fogo cruzado como sempre afirmou a Indonésia durante o avanço das suas tropas.

Yunus Yosfiah, que na época da invasão era capitão das forcas especiais indonésias, chegando a ministro da Informação em 1980, rejeitou as acusações que classificou como mentiras.

A Indonésia invadiu a antiga colónia portuguesa em 1975, administrando-a até 1999, ano em que um plebiscito resultou numa votação esmagadora a favor da independência do território.

As forças de Jacarta em retirada e as suas milícias auxiliares destruíram a maior parte das infra-estruturas do território matando milhares de pessoas.
JSD-Lusa/Fim

Dos Leitores

Margarida deixou um novo comentário na sua mensagem "Dos Leitores":

Discurso Proferido Pelo Dr José Ramos-Horta por Ocasião da Apresentação do Relatório Sobre os Primeiros 100 Dias do 2º Governo Constitucional ao Parlamento Nacional, 9/11/06

Sua Excelência o Senhor Presidente do Parlamento Nacional,
Senhores Deputados, Senhoras e Senhores,

1. Faz 100 dias de exercício este 2º Governo Constitucional que surgiu da grave crise política de Maio-Junho. Curto tempo para tarefas intensas: pacificação, tranquilidade e ordem pública, capacidade de o Estado vencer a crise de legitimação, organizar e pôr de pé eleições livres e equitativas. Mas cumpre, antes de mais, ao Governo, e penso que o tem vindo a conseguir, ser leal ao povo e às suas tradições, ser leal às exigências políticas de defesa da democracia, da tolerância, da paz e da felicidade de todos.
Este é um governo que continua a ser o governo da FRETILIN, nascido da maioria parlamentar democrática: sempre o disse desde a primeira hora. E como Primeiro-ministro, cumpre-me honrar os compromissos assumidos pela FRETILIN perante o seu eleitorado e perante o povo timorense.
Quero elogiar aqui a liderança da FRETILIN e os seus membros que no pior dos tempos souberam sempre reagir com seriedade evitando o agravamento da crise: se Timor-Leste não resvalou para uma guerra civil, em parte se deve à liderança da FRETILIN, seus quadros e militantes.
Não posso deixar de fazer uma referência especial a Mari Alkatiri, meu amigo, com quem trabalhei durante mais de 30 anos na luta pela libertação do nosso país e chefe do governo que iniciou a maioria dos projectos que este Governo leva agora a cabo.
(...)
2. Assumi com orgulho servir Timor-Leste como membro do governo e tenho excelentes colaboradores, em especial os meus dois vice-primeiros ministros: são verdadeiros Primeiros-ministros.
Os meus colegas de governo, sem excepção, têm sido dedicados e indispensáveis, sem eles não teria podido realizar as tarefas a que me propus no programa do governo
(...)
http://www.primeministerandcabinet.gov.tp/port/speeches.htm


PS: Sem comentários, pois os dois textos, o que está no blog do Horta e o seu discurso dos 100 dias mostra como ele é capaz de dizer rigorosamente tudo e o seu contrário, mas mostram principalmente como ele morde na mão que o alimentos com todos os dentes e sem qualquer escrúpulo.

CNE tem a máquina eleitoral mais operacional e eficaz

Jornal de Notícias, 08/05/07

Opresidente da Comissão Nacional de Eleições (CNE) timorense acredita que, amanhã, a segunda volta das presidenciais (entre Ramos-Horta e "Lu Olo") decorrerá de forma mais eficaz, reconhecendo que a primeira volta revelou, sobretudo, impreparação dos eleitores e dos técnicos eleitorais.

"Não podemos generalizar alguns problemas e duvidar do processo. Temos é de fazer o máximo esforço para assegurar a credibilidade deste processo no seu todo", afirmou Faustino Cardoso, em entrevista à Lusa.

O responsável afirmou, contudo, que as presidenciais timorenses estão a decorrer de forma "transparente" e a reflectir a "vontade popular".

Faustino Cardoso explicou que alguns técnicos eleitorais "não estavam esclarecidos sobre as suas funções, competências e responsabilidades", razão pela qual a CNE enviou ao Secretariado Técnico de Administração Eleitoral (STAE), que gere todo o processo, "notificações para melhorar a formação do pessoal".

Também o director do STAE reconhece a "fragilidade técnica" das equipas nas assembleias de voto, mas rejeita as acusações de fraude ou manipulação feitas por vários candidatos aquando da primeira volta.

"Não somos políticos, somos técnicos. Não temos capacidade política", afirmou Tomás Cabral, referindo que o STAE "aceita a validação dos resultados pelo Tribunal de Recurso, que é quem diz que não existiu manipulação ou fraude".

"Existiram erros no preenchimento das actas e na aceitação de códigos pela base informática de apuramento distrital. Mas haver manipulação e fraude, onde?", pergunta Tomás Cabral, sobre as queixas de candidatos derrotados na primeira volta.

Entretanto, o presidente da CNE revelou ontem que a Fretilin "não apresentou" qualquer queixa ou prova de que José Ramos-Horta tenha comprado votos na primeira volta das presidenciais.

"Até agora, a CNE não recebeu qualquer carta protesto apresentada pela Fretilin, incluindo também o vídeo" que disseram ter como prova, afirmou Faustino Cardoso.

O secretário-geral adjunto da Fretilin, José Reis, afirmou que o partido possuía provas em depoimentos vídeo que Ramos-Horta tinha comprado votos.

Wiranto admite envolvimento

O antigo chefe das Forças Armadas da Indonésia, general Wiranto, admitiu que "alguns" dos seus homens "podem ter estado envolvidos" nos sangrentos incidentes que se registaram em Timor-Leste antes e depois do referendo de autodeterminação de 1999.

Citado hoje pelo diário "The Jakarta Post", Wiranto, que expôs a sua versão dos acontecimentos de 1999 na Comissão da Verdade e Amizade, negou, nesse sentido, que os militares presentes na ocasião em Timor-Leste tenham cometido "violações graves aos Direitos Humanos".

Pelo contrário, afirmou, a "carnificina" então ocorrida foi provocada pelo "longo conflito interno" no território que foi ocupado pela Indonésia desde 1975."Estas foram as únicas acções dos militares. Mas não foram baseadas em ordens. Isso não foi planeado e foi apenas o comportamento de alguns soldados. É uma responsabilidade individual, uma vez que o Exército indonésio não tomou posição por nenhuma das partes", afirmou Wiranto na Comissão.

Prostituição aumenta em Díli

Público, 08.05.2007

A polícia e o pessoal administrativo das Nações Unidas estão a violar a política de tolerância zero para com os abusos sexuais em Timor--Leste, denunciou ontem o jornal australiano The Age, segundo o qual uma dezena de bordéis teria aberto recentemente em Díli, com veículos da ONU quase todas as noites lá parados à porta. Prostitutas adolescentes juntam--se ao entardecer frente a um hotel da zona marginal e carros das Nações Unidas podem ser vistos a recolhê-las, acrescentou o autor da reportagem.

Ramos-Horta considera que a sua eleição será "o princípio do fim da Fretilin"

Público
08.05.2007, Jorge Heitor

O novo chefe de Estado toma posse no dia 20 de Maio e a 27 principia a campanha para as legislativas, a realizar no fim de Junho e a que concorre uma lista liderada por Xanana Gusmão
A poucas horas da segunda volta das eleições presidenciais timorenses, que amanhã decorrem (abrindo as urnas quando em Lisboa ainda estiver a começar a madrugada), o primeiro-ministro José Ramos-Horta escreveu ontem na sua página da Internet que "o Governo da Fretilin enfrenta o início do fim de uma era de instabilidade e de corrupção". De acordo com este candidato, "meia década de um regime déspota está a desintegrar-se". Mas, consultado pelo PÚBLICO, um dos seus actuais apoiantes, o presidente da União Democrática Timorense (UDT), João Carrascalão, considerou que a eventual vitória de Ramos-Horta "poderá não alterar muito o panorama político timorense, se os diferentes partidos não tiverem uma visão mais profunda".

E muita coisa dependerá, sim, da forma como depois se processarem as legislativas de 30 de Junho, para as quais a campanha principia em 27 de Maio, sete dias depois da tomada de posse do sucessor de Xanana Gusmão.

"Em menos de um ano como primeiro-ministro, Ramos-Horta foi capaz de reactivar o diálogo com a Igreja, o Exército, a polícia e o povo, ao mesmo tempo que se mantinha firme contra um governo hostil da Fretilin" (de que ele era, aliás, formalmente o chefe), diz o texto em inglês que foi colocado no site do próprio, que em 1996 foi um dos galardoados com o Nobel da Paz.

João Carrascalão, um dos candidatos que não conseguiram passar à segunda volta, "não tem dúvidas" de que Ramos-Horta irá vencer amanhã por "margem folgada" o presidente da Fretilin e do Parlamento, Francisco Guterres, "Lu Olo", apesar de este ter sido o mês passado o mais votado, com 27,89 por cento dos votos expressos.

Interferência australiana

A candidatura de "Lu Olo" queixou--se de que, por mais de uma vez, na semana final da campanha, se sentiu intimidada pela proximidade de helicópteros e tanques australianos.
O secretário-geral da Fretilin, Mari Alkatiri, escreveu mesmo a esse respeito ao comandante das tropas da Austrália destacadas no país, mas o brigadeiro Mal Rerden investigou o caso e concluiu que o mais próximo que os seus homens haviam estado de um comício, na localidade de Ainaro, fora "cerca de 50 metros".

Existem 1140 novos eleitores, cidadãos que completaram 17 anos desde há um mês, segundo contou à Lusa o Secretariado Técnico da Administração Eleitoral. E por isso é possível que o total dos votos expressos ultrapasse amanhã os 427.198 de Abril, representativos de 81,69 por cento dos timorenses então inscritos.

Depois, nas legislativas, a grande novidade vai ser a presença de uma lista a apresentar pelo Conselho Nacional da Reconstrução Timorense (CNRT), recentemente criado e que tentará que o seu líder, o Presidente cessante Xanana Gusmão, venha a ser primeiro-ministro, de acordo com uma estratégia elaborada com José Ramos-Horta, que em 1989 abandonou as fileiras da Fretilin.

O nosso candidato.


Dos Leitores

H. Correia deixou um novo comentário na sua mensagem "Perfis dos candidatos presidenciais, "Lu Olo" e Ra...":

"Do programa de José Ramos-Horta constam várias medidas directamente dirigidas à Igreja católica, supostamente um dos seus apoios eleitorais: desde a inclusão de referências mais explícitas a Deus na Constituição, ou a atribuição de um subsídio anual de dez milhões de dólares a instituições religiosas"

"Do programa de José Ramos-Horta constam várias"... fantasias, para não lhes chamar outra coisa, mas que podem ser levadas a sério pelos ingénuos.

O Presidente não tem poderes para alterar a Constituição nem atribuir subsídios.

Isto é pior do que comprar votos. É comprá-los sem poder pagar...

Dos Leitores

h correia deixou um novo comentário na sua mensagem "The Beginning of the End for Fretilin":

Gostei de ler esta bela peça de prosa na língua de Shakespeare, sem dúvida da autoria de algum "obedient mouthpiece" de Ramos Horta.

O dito autor demonstrou uma fidelidade canina pelo seu dono. Foi um esforço sem dúvida louvável, que merece ser bem recompensado.

No entanto, uma fidelidade assim tão exacerbada é contraproducente, porque há verdades tão evidentes que é ridículo tentar escamoteá-las.

Serve esta introdução para explicar que, como sublinhou o colega anónimo antes de mim, todos sabemos que RH fez parte desse diabólico Governo de Alkatiri, sem que isso lhe causasse qualquer prurido. Pelo contrário, aproveitou-se do facto de ter a confiança de Alkatiri (apesar de não ser da Fretilin, foi escolhido como ministro - e esta, hem?) para lhe desferir uma facada nas costas e assumir o seu lugar.

Outra realidade que não vale a pena esconder é a de que RH só foi 1º Ministro porque quis. Portanto, não vale a pena dizer que RH esteve "against a hostile Fretilin government", porque ninguém o obrigou. Ele, quando aceitou o tacho, sabia perfeitamente qual era a composição do Governo, aliás totalmente cozinhado com Xanana e só com o aval deste. Querem um exemplo? José Luís Guterres, acabadinho de se assumir contra a legítima liderança da Fretilin, no congresso em que começou e acabou a "Fretilin Mudança" ao ver que nem 10% dos votos conseguia reunir para apresentar uma lista alternativa, ficou com a importante pasta dos Negócios Estrangeiros. Isto é que é um Governo hostil da Fretilin?

Se foi assim tão hostil, porque RH não apresentou a demissão?

Já dizia o povo que mais depressa se apanha um mentiroso do que um coxo. Ora não consta que RH tenha "obedient mouthpieces" coxos, portanto...

Dos Leitores

H. Correia deixou um novo comentário na sua mensagem "Timor-Leste: candidatos ingoram fim oficial de cam...":

"Ramos Horta [...] afirmou que, ser for eleito, destituirá os ministros do Gabinete suspeitos de entregar arroz e dinheiro"

Não há dúvida de que RH é o verdadeiro sucessor de Xanana: tal como este "destituiu" Alkatiri e dois ministros por serem "suspeitos", RH vai anunciando que se prepara para "destituir" mais alguns ministros... que já foram ministros do seu Governo durante 10 meses, sem que ele tenha "destituido" nenhum deles. Agora é que diz que o fará, porque isso lhe poderá trazer mais votos, mesmo sabendo que um Presidente não tem poderes para "destituir" ministros.

Sobre quais os critérios para considerar um ministro "suspeito" nada disse, nem é preciso. A gente imagina...

Timor-Leste/Eleições: Fretilin aceitará resultado - chefe da ONU



Díli, 07 Mai (Lusa) - O chefe da missão das Nações Unidas em Timor-Leste (UNMIT) acredita que "a Fretilin aceitará o resultado" das eleições de 09 de Maio, afirmou hoje à Lusa num encontro informal com a imprensa.

"Estou confiante que a Fretilin aceitará os resultados das eleições", disse Atul Khare, referindo que essa garantia lhe foi transmitida pelo secretário-geral do partido maioritário e ex-primeiro-ministro, Mari Alkatiri.

"Se as eleições forem consideradas livres e justas, se não tiverem violência e intimidação, todos os partidos e pessoas aceitarão as eleições", acrescentou o indiano, representante especial do secretário-geral da ONU.

Sobre as falhas graves apontadas no corpo legislativo e regulamentar destas presidenciais pela Equipa de Certificação Eleitoral, em seis relatórios divulgados desde o final de 2006, Atul Khare afirmou que "hoje mesmo" recebeu uma promessa do presidente em exercício do Parlamento, Jacob Fernandes, de aprovação das alterações sugeridas naqueles documentos.

Atul Khare reconheceu que essas alterações legislativas não virão a tempo da segunda volta das presidenciais, "mas ao menos vêm a tempo das legislativas" previstas para 30 de Junho.
"Tenho muita confiança", afirmou Atul Khare.

"Devemos ver isto como um processo de desenvolvimento. Timor-Leste é um país com menos de cinco anos de independência e que atravessou um processo traumático no ano passado".
"Acredito que as eleições expressam a vontade do povo", sublinhou o chefe da missão internacional. "Espero que estas eleições encerrem a crise de 2006", adiantou Atul Khare.

"Em última análise, as eleições só podem ser úteis se contribuírem para sarar velhas feridas, desenvolver uma democracia verdadeira e levar este povo sair da tensão e conflito para a paz e estabilidade, da opressão para a liberdade e do subdesenvolvimento para o desenvolvimento".

"A democracia não é fácil. É difícil. Mas se a fizerem bem, terão resultados", explicou Atul Khare, que há uma semana se encontrou com os líderes de todos os partidos políticos timorenses.

"Disse isso a toda a gente. Disse-o a Alkatiri, a Xanana, a Ramos-Horta. E digo que a democracia não pode ser atingida ouvindo alguns e calando os outros. A democracia atinge-se ouvindo todos. Não temos que concordar, podemos discordar, mas temos que ouvir", acrescentou Atul Khare.
O chefe da missão da ONU insistiu que "a impunidade não pode prevalecer neste país".

"A justiça é essencial para a reconciliação. Sem justiça não se pode ter um país estável", declarou à Lusa, referindo que as recomendações do relatório final da Comissão Especial Independente de Inquérito para Timor-Leste, sobre a crise política e militar de 2006, "têm que ser implementadas" a nível judicial.

PRM/JCS Lusa/Fim

Timor Leste escolhe seu presidente na quarta-feira

AFP - 7.5.2007 - 10:31

Um mês após o primeiro turno de uma eleição presidencial marcada por controvérsias, os habitantes do Timor Leste voltam às urnas nesta quarta-feira para decidir entre os dois candidatos finalistas.

As opções dos eleitores timorenses são duas personalidades diametralmente opostas: o primeiro-ministro José Ramos-Horta, prêmio Nobel da Paz, e o presidente do Parlamento Francisco "Lu-Olo" Guterres, um ex-guerrilheiro de comportamento mais discreto.

A votação será realizada em clima de incerteza devido às numerosas acusações de manipulação e intimidação que marcaram as históricos eleições do dia 9 de abril.

O jovem, pobre e pequeno país de um milhão de habitantes, situado nos confins do sudeste asiático, está profundamente desestabilizado há quase um ano pela violência crônica que tornou necessária a intervenção de forças estrangeiras, em parte sob o comando das Nações Unidas.
Apesar da falta de pesquisas, analistas afirmam que Ramos-Horta é o favorito.

No primeiro turno das eleições, as primeiras desde a independência do país em 2002, Guterres teve 28% dos votos, contra 22% de Ramos-Horta.

Esse resultado ilustra o esgotamento da Fretilin (Frente Revolucionária do Timor Leste Independente), o maior partido do Timor, que apoia Lu-Olo.

Desde 2001, a formação de inspiração marxista - que domina a assembléia legislativa (tem 55 dos 88 parlamentares) - vem se desgastando no exercício do poder, embora seja ainda muito respeitada por ter sido o maior expoente da luta independentista contra a ocupação indonésia (1975-1999).

Sua capacidade de mobilizar a população, recorrendo inclusive a métodos bastante criticados por seus adversários, decidirá o resultado da votação.

A Fretilin é acusada de fazer chantagem, comparecendo à casa de aldeãos analfabetos e ignorantes de seus direitos cívicos. Também é criticada por ter feito uso do aparato estatal para alterar resultados.

Nos últimos dias, alguns timorenses receberam um saco de arroz em troca de uma promessa de voto e as autoridades têm recebido denúncias de tráfico de cédulas eleitorais.
Mais de quatro mil policiais locais e da ONU e mil militares integrantes de uma força internacional conseguiram, apesar de tudo, garantir que a votação acontecesse sem fraudes e sem incidentes.

Muitos observadores estrangeiros também estão no país. Um membro do comitê eleitoral informou que precauções foram adotadas para evitar a polêmica que se produziu entre os dois turnos.

O carismático presidente Xanana Gusmão, que não concorreu à reeleição mas aspira ao cargo de primeiro-ministro, posição que concentra o verdadeiro poder executivo, fez um apelo à união e pediu aos dois candidatos que "parem de se insultar".

Timor-Leste: Wiranto admite envolvimento de alguns militares na violência 1999



Lisboa, 07 Mai (Lusa) - O antigo chefe das Forças Armadas indonésio, general Wiranto, admitiu que "alguns" dos seus homens "podem ter estado envolvidos" nos sangrentos incidentes que se registaram em Timor-Leste antes e depois do referendo de autodeterminação de 1999.

Citado hoje pelo diário The Jakarta Post, Wiranto, que expôs sábado a sua versão dos acontecimentos de 1999 na Comissão da Verdade e Amizade, negou, nesse sentido, que os militares presentes na ocasião em Timor-Leste tenham cometido "violações graves aos Direitos Humanos".

Pelo contrário, afirmou, a "carnificina" então ocorrida naquela antiga portuguesa foi provocada pelo "longo conflito interno" no território que foi ocupado pela Indonésia desde 1975.
"Estas foram as únicas acções dos militares. Mas não foram baseadas em ordens. Isso não foi planeado e foi apenas o comportamento de alguns soldados. É uma responsabilidade individual, uma vez que o Exército indonésio não tomou partido por nenhuma das partes", afirmou Wiranto na Comissão.

O general na reserva, já condenado por um tribunal de Díli por crimes contra a humanidade, na sequência de um julgamento que decorreu na sua ausência e que concorreu às eleições presidenciais indonésias de 2004, insistiu várias vezes que as tropas de Jacarta tiveram "um trabalho difícil" em Timor-Leste.

Esse "trabalho difícil" deveu-se, sustentou, ao "conflito horizontal" que existia há décadas em Timor-Leste, defendendo ainda que o referendo, ganho pelo "sim à independência", foi "um êxito" e que a violência após a votação só aconteceu porque a parte perdedora só se preocupou com a legitimidade do escrutínio.

Wiranto adiantou que, a 05 de Setembro de 1999, após a derrota do "não", as milícias pró-indonésias lhe disseram que pretendiam destruir e queimar todo o país, sublinhando que só não o fizeram porque ele os impediu.

"Eles disseram-me: «general Wiranto, perdemos e temos de destruir todas as instalações e edifícios construídos pela Indonésia». Mas eu respondi: «Não. Não o façam. A população precisa disso»", afirmou o então chefe das Forças Armadas indonésias.

Wiranto adiantou ter dito ainda às milícias pró-indonésias que seriam "desmanteladas" se tentassem erguer a bandeira indonésia e continuar com os confrontos, uma vez que tal situação era contrária ao desejo da comunidade internacional e das decisões tomadas pelo governo de Jacarta.

"Não houve quaisquer instruções, nenhum plano, nenhum apoio à destruição", sublinhou Wiranto, que negou ter controlo sobre as milícias e mesmo "um controlo efectivo dos subordinados que possam ter estado envolvidos em actos de violência".

"Será que um comandante sabe verdadeiramente o que os seus subordinados directos podem fazer"?, questionou, insistindo em que os incidentes e a violência eram "crimes comuns".

"Eram crimes comuns e não violações graves aos Direitos Humanos, porque não havia qualquer ordem superior ou sequer um plano por trás dos incidentes", justificou, lembrando, porém, que se demitiu do cargo de ministro da Defesa, que também então ocupava, "apenas por ser o responsável moral" pela violência.

Wiranto foi uma das 16 testemunhas ouvidas sábado em Jacarta na terceira sessão de audições da comissão conjunta indonésio- timorense criada para investigar os incidentes que provocaram mais de 1.500 mortos, na sua maioria timorenses pró-independência.

Previsto para depor na sessão, que terminou o terceiro ciclo de testemunhos, estava também o antigo chefe da missão da ONU em Timor-Leste, o britânico Ian Martin, que "declinou o convite" devido a compromissos inerentes às suas actuais funções, pois chefia idêntica missão das Nações Unidas no Nepal.

Os dois primeiros ciclos de audição de testemunhos sobre a violência registada em Timor-Leste em 1999, que provocou mais de 1.500 mortos e milhares de refugiados, decorreram em Janeiro, em Bali, e em Março, na capital indonésia.

O testemunho de Wiranto foi pedido por si próprio quando, no início deste mês, afirmou ao portal de notícias indonésio "detik.com" ter "solicitado para ser ouvido" na comissão.

"Ao longo de todo este tempo tem havido manipulação da informação relacionada com o que (os militares indonésios) fizeram durante o referendo. Essa será uma oportunidade para mim para falar sobre o que verdadeiramente se passou", afirmou então Wiranto.

A Comissão da Verdade e Amizade foi criada pelos presidentes da Indonésia e de Timor-Leste para impulsionar um clima de boas relações entre os dois Estados, que passa pelo apuramento da verdade sobre os acontecimentos de 1999.

A comissão, porém, tem sido alvo de duras críticas de várias organizações de defesa dos Direitos Humanos, sobretudo por tentar promover uma série de medidas de amnistia aos responsáveis pelos actos de violência registados no país em troca de "total cooperação" no apuramento da verdade.
JSD-Lusa/Fim

Traduções

Todas as traduções de inglês para português (e também de francês para português) são feitas pela Margarida, que conhecemos recentemente, mas que desde sempre nos ajuda.

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Mensagem inicial - 16 de Maio de 2006

"Apesar de frágil, Timor-Leste é uma jovem democracia em que acreditamos. É o país que escolhemos para viver e trabalhar. Desde dia 28 de Abril muito se tem dito sobre a situação em Timor-Leste. Boatos, rumores, alertas, declarações de países estrangeiros, inocentes ou não, têm servido para transmitir um clima de conflito e insegurança que não corresponde ao que vivemos. Vamos tentar transmitir o que se passa aqui. Não o que ouvimos dizer... "
 

Malai Azul. Lives in East Timor/Dili, speaks Portuguese and English.
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