quarta-feira, agosto 23, 2006

Mário Carrascalão quer Governo de Unidade Nacional

Díli, 22 Ago (Lusa) - O líder do PSD timorense, Mário Carrascalão, reafirmou hoje as críticas ao Presidente da República, Xanana Gusmão, por não ter nomeado um Governo de Unidade Nacional, que considerou indispensável para garantir a soberania de Timor-Leste.

"Só um Governo de Unidade Nacional nos permitirá assumir em pleno a capacidade de tomar decisões e ir deixando de depender de terceiros, como as missões internacionais", justificou Mário Carrascalão, em declarações à agência Lusa.

"Terá de ser um governo que crie as condições para a existência de um poder descentralizado e baseado no contacto próximo que é feito nos distritos", sublinhou.

Mário Carrascalão, 69 anos, que governou Timor entre 1982 e 1992, durante a ocupação indonésia, admitiu que José Ramos-Horta, que lidera o actual governo, até "podia ser o primeiro-ministro", mas o executivo deveria ser de unidade nacional.

"Se fosse um Governo de Unidade Nacional, as políticas comprometiam todos os partidos, ao mesmo tempo que os deputados eleitos cresciam politicamente. Daqui a 10 anos, estávamos todos prontos para começar a fazer política e o país estaria bem melhor do que estará se continuarmos a cometer erros", defendeu.

Para Mário Carrascalão, a violência que tem afectado Timor- Leste é um resultado que se "previa há muito tempo", argumentando que após o fim da ocupação indonésia, em 1999, deixou de haver algum do "apoio social" à população.

"Não estou a defender a política da Indonésia, mas estou contra a política dos governos de Timor-Leste que se esqueceram da acção social, que hoje tem os resultados que tem com a violência entre as pessoas", afirmou.

Segundo o ex-governador, os timorenses "passaram anos a enganar os indonésios para poderem ter uma vida melhor com o dinheiro distribuído", pelo que "economicamente se vivia melhor antes da independência", apesar da falta de liberdade", que "não estava garantida de forma nenhuma".

O líder do PSD disse ainda que os problemas que afectam Timor- Leste resultam da conjugação de vários factores, sendo os principiais "o desconhecimento e a falta de experiência" dos próprios dirigentes timorenses.

"Primeiro, muitos dos nossos dirigentes saíram em 1975 e só regressaram no final dos anos 90, convencidos que não tinham existido alterações no modo de pensar dos timorenses, e outros saíram dos bancos da escola para as poltronas dos ministérios e departamentos governamentais sem qualquer experiência", acrescentou.

Desde o final de Abril deste ano, três dezenas de pessoas foram mortas em Timor-Leste em confrontos entre grupos rivais e elementos das forças de segurança, na sequência de uma crise político- institucional que levou ao desmembramento da polícia e ao abandono da cadeia de comando de vários oficiais das forças armadas.

A onda de violência, que provocou mais de 180 mil deslocados, levou as autoridades timorenses a solicitarem, em Maio, a intervenção de uma força policial e militar a Portugal, Austrália, Nova Zelândia e Malásia, que enviaram para Díli mais de 3000 efectivos para repor a lei e a ordem.

Apesar da presença da força internacional, os incidentes têm- se mantido e hoje mesmo, em Díli, dois polícias australianos sofreram ferimentos ligeiros quando três dezenas de jovens apedrejaram e praticamente destruíram as viaturas em que seguiam.

As Nações Unidas, que supervisionaram o processo que levou à retirada da Indonésia de Timor-Leste, em 1999, e administraram temporariamente o território até à independência, a 20 de Maio de 2002, vão reforçar a sua missão em Díli, no quadro de uma resolução do Conselho de Segurança que deverá ser aprovada na próxima sexta-feira.

Na sequência da crise, Mari Alkatiri, líder do partido maioritário FRETILIN, demitiu-se do cargo de primeiro-ministro em Junho, tendo o Presidente da República nomeado um novo governo liderado por José Ramos-Horta.

Na altura, Mário Carrascalão acusou Xanana Gusmão de ter negociado o novo executivo com a FRETILIN, apesar de ter considerado ilegítima a direcção daquele partido.

"O presidente meteu o pé na argola", reagiu na altura o líder do PSD, terceiro maior partido do Parlamento Nacional, com seis dos 88 deputados, contra 55 da FRETILIN e sete do Partido Democrático.

JCS/PNG.

14 comentários:

Anónimo disse...

Governo de Unidade Nacional?
E o Partido com a maioria no Parlamento iria concordar com isso?
E aonde esta a Democracia Sr. Mario?
Se os outros nao estao a altura de Governar Timor, voce so esta a altura de Governar "Indonesian Style". Va la ter com os seus amigos generais, que de certeza lhe dar-lhe-ao um tachinho!
Voce foi dos que criou mais problemas quando arrebentou com a UDT e foi formar outro Partido! Nao queria estar sobre a alca do seu Irmano! Se quer ser "Pinochet"
va la para a America do Sul!
Ja devia estar reformado ha 4 anos! De lugar aos novos! Va plantar cafe, pois foi para isso e que foi treinado!
CURAMAQUEJA

Timor2 disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
Anónimo disse...

Mário Carrascalão pode ter ideias muito interessantes, mas tem que perceber que em democracia manda a maioria.

No entanto, não percebo como é que um governo "de unidade nacional" poderia fazer parar a violência. Só se os agitadores forem controlados pelos partidos que não estão representados no actual governo.

Quanto à melhor vida no tempo indonésio, de facto era melhor para alguns. Mas para as famílias dos 200 mil mortos e para a maioria dos vivos é que só por brincadeira de mau gosto se pode dizer uma coisa dessas.

Timor2 disse...

Todo o Partido Políticos que ganhar terá certamente um governo da “unidade nacional”. Por exemplo o Primeiro Governo de Timor Leste formado de FRETILIN teve um minoria étnico que e um muçulmano como o Primeiro Ministro, um "mestico" como o Ministro de Negocio Estrangeiros , Ministros que são de Oe-Cussi, Aileu, Ainaro, Bobonaro, Baucau, Viqueque etc. que são todos os Catholics. No Parliamento há representantes de cada distrito. E ridiculo este noção de “unidade nacional”.

A noção que ter um Governo da unidade nacional enfraquecerá somente a nossa Democracia frágil. Em qual Democracia, o Partido Político maioritaria não escolhe um governo baseado em linha de Partidaria. Unidade Nacional so pode negar um processo fundamental de Democracia que e o “mandato’. Considerar a corrente compõem do Parliament, FRETILIN tem 57% do voto, PD 8.7%, ASDT, 8.2% PSD 8.2%, UDT4.2%, baseado em linhas partidarias FRETILIN tem um mandato clara para formar ao Governo de seu escolher.

O facto é que mesmo, se houver uma coligação dos partidos menores FRETILIN tem uma direita feita pela um processo Democrática para formar o Governo.

O que nós em principalmente os Partidos politicos devemos ser “unidos” concentrar todo os nossos esforços a trabalhar para um Timor Leste que reconhece os princípios de democraticia e aceita sobretudo o resultado de todas as eleições. Isso e unico e melhor maneira de reforçar unidade nacional em Timor.

Mario Carrascalão deve concentrar em criar um coligação para contestar FRETILIN nas eleições seguintes. Seria interessante ver se tal coligação ganhasse um mandato elas incluísse qualquer membro de FRETILIN dentro de um governo de “Unidade nacional”.

A realidade um Governo da unidade nacional não sucederão por facto que os Partidos Politicos têm princípios e ideologias fundamentalmente differentes dentro de uma estrutura democrática.

Anónimo disse...

Se a ideia do ex-gubernur fosse aplicada, os partidos nao precisariam de preocupar-se em apresentar programas politicos para as campanhas eleitorais. De que serviriam, se no fim todos os partidos politicos, mesmo os derrotados nas eleicoes fariam parte do governo? Sabera ele o que significam as eleicoes? O ex-gubernur menospreza pura e simplesmente os resultados das eleicoes de 2001? Nao quer aceitar o resultado do Tribunal de Recurso? Onde esta o seu programa de governacao , Sr. Mario? Nao procure utilizar a figura do Xanana para atrair apoio. Use a sua propria influencia ja que se afirma tao conhecedor do povo. Faca oposicao com dignidade. O povo esta politizado sr. Mario. Nao se deixa enganar...

Anónimo disse...

‘Fretilin Grupo Mudança’ Will Hold Extraordinary Congress
‘Fretilin Grupo Mudança’ will hold the second extraordinary congress following extensive consultation with former delegates as well as representatives from the districts. The extraordinary congress will be held at the end of the month of September. According to Victor da Costa, leader of the group, the second extraordinary congress has the full consent of the members.

In the meantime, former coordinator and founder of Ojetil, [a youth group of Fretilin] called Traccoa stated that it is necessary to hold the second extraordinary congress in order for Fretilin to win the 2007 elections. Traccoa further said that in 2001 many members left and joined other parties due to their dislike of the system applied by Mari Alkatiri in Fretilin. Therefore, he added, it is important to hold the extraordinary congress to change the leadership. (STL)


Representative of Fretilin Reformist Group (FRG) stated that an Extraordinary Congress will be a unique solution to secure the party in the 2007 General Election.
Victor da Costa, the coordinator of the FRG stated that, “in order to gain a victory in the coming election, we must fix the problems of the Fretilin leadership. We found that the current leadership is no longer good. I say this because the current leaders do not want change. For example, they always prevent us from effecting any political change. However, for the betterment of the party, we would like to bring change to the leadership of Fretilin, including reformation of the members of Central Committee of Fretilin”.

He said that “although Court of Appeals decided to legalize and legitimize the result of the second Fretilin Congress, we of the Reformist Group will leave it to the people to decide. Again, the decision will be in the hands of the people and not that of the Court of Appeals”.


http://www.unotil.org/UNMISETWebSite.nsf/cce478c23e97627349256f0a003ee127/7ca049409eb4488b492571d20030ee7c?OpenDocument

Anónimo disse...

Como e que o Mario pode falar de unidade nacional se ele e o irmao Joao nao estao unidos. O Mario podia perfeitament ter continuado com a UDT e renforcar a UDT, assin podiamos ter uma forca para ir contra fretilin no parlamento.

Mas nao o sr. Mario tamben queria ser presidente entao formou outro partido, e agora nen as propias familias estao unidos. Para quen e os restos dos irmaos vao votar proximas eleicoes?

Anónimo disse...

Ao anonimo de quarta feira
Nao confundir politica de partidos com politica de irmaos. Eu conheco esta familia e os irmaos sao mesmo irmaos mas como politica sao diferentes. O Mario e troca tintas e os outros sao todos da UDT. Alguns tem mania que sao grandes mas o Joao e muito popular e muito politico. O mario foi gubernur mas nao anda com o povo. O joao vai para qualquer lado e fala com o povo. O Manuel foi um heroi contra os tentaras mas fala muito. O Mario nao quer ser da UDT porue e inferior do que o Joao. Ninguem chega como o pai deles que era mesmo politico e muito reto.

Anónimo disse...

E rebentava bombas la em Portugal!

Anónimo disse...

Valha-nos Deus. AO que se baixa quando desprovidos de razao. Nem os que ja se passaram escapam. Consulte livros da historia de Portugal e alguns de Timor. O Homem era jornalista do Jornal " A Batalha" e o primeiro Secretario Geral da Juventude Sindicalista de Portugal. Sempre ouvi dizer aos mais velhos que as suas armas de combate eram a sua caneta e o seu dom de palavra. Respeite a sua memoria.

Anónimo disse...

Ao anonimo das 12:38:30PM. Safa, voce nao merece consideracao, pois desceu muito baixo. Muita gente que conheceu o Senhor Carrascalao guarda dele melhores recordacoes. Foi um grande amigo de Timor e uma pessoa de muito valor que Timor conheceu. Quanto ao Mario Carrascalao, se e verdade que foi governador, nao e menos certo que procurou salvar muitos timorenses e teve a coragem de denunciar os crimes dos indonesios, aquando do massacre de Santa Cruz. Nao tenhamos uma memoria tao curta que nos faca esquecer tudo. de bom que o Mario fez.Claro que o Joao Carrascalao e bom politico. Mas alguem concordou com ele, quando numa entrevista a um jornal australiano, uns dias antes da violencia, disse que nao seria bom para Timor substituir sempre os governos?

E agora reparem: Que lucrou Timor com a demissao de Mari? Nao sou politico, nem apoiante de qualquer partido, mas analisando friamente as causas da actual crise do nosso pais, acho que somos uma presa facil na mao interesses de estrangeiros que nos querem ver cada mais divididos e fracos para ficarem com o nosso petroleo e gas.

Anónimo disse...

O que nos os Timorenses devemos fazer e termos o cuidado de nao nos dividirmos cada vez mais. Por isso atencao com comentarios ou armadilhas dos "malais", sejam eles azuis, amarelos ou vermelhos e das Margaridas, sejam elas de Angola, Portugal ou Mocambique. XG,RH,MA,Ana Pessoa, Irmaos Carrascaloes, Xavier do Amaral, Matan Ruak, Lu-Olo, Manuel Tilman, cuidado, nao vao na fita desses amigos malais=estrangeiros que vos estao a cavar o fosso do divisionismo!...

Anónimo disse...

Eu so disse aqui sobre o Sr. Carrascalao falecido, o que me contaram quando eu ainda andava no Liceu la em Dili. Discutia-se na altura entre a camada jovem, qual a razao que o Sr. Carrascalao tinha um dos bracos deformados e a resposta foi de que ele nao gostava do Salazar e andava a rebentar bombas la nas terras de Camoes, e uma bomba ou qualquer coisa parecida rebentou-lhe o braco. E foi esta a razao (de rebentar bombas) que ele foi deportado para Timor naqueles tempos, pois Timor servia de prisao para os menos contentes Portugueses!
Eu nao disse alguma vez que o Sr nao era respeitado em Timor. Lembro-me perfeitamente do velhote e das suas ultimas belas filhas e eram todos figuras destacadas no quotidiano de Dili, naquela altura!

Anónimo disse...

O Manuel Carrascalao pode falar muito, mas se as pessoas reflectissem nalgumas verdades que diz e se tivessem em consideracao o que ele fez de positivo no tempo dos "tentaras", as coisas nao seriam tao mas.

Traduções

Todas as traduções de inglês para português (e também de francês para português) são feitas pela Margarida, que conhecemos recentemente, mas que desde sempre nos ajuda.

Obrigado pela solidariedade, Margarida!

Mensagem inicial - 16 de Maio de 2006

"Apesar de frágil, Timor-Leste é uma jovem democracia em que acreditamos. É o país que escolhemos para viver e trabalhar. Desde dia 28 de Abril muito se tem dito sobre a situação em Timor-Leste. Boatos, rumores, alertas, declarações de países estrangeiros, inocentes ou não, têm servido para transmitir um clima de conflito e insegurança que não corresponde ao que vivemos. Vamos tentar transmitir o que se passa aqui. Não o que ouvimos dizer... "
 

Malai Azul. Lives in East Timor/Dili, speaks Portuguese and English.
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