Tradução da Margarida.
WSWS.org - 20 Setembro 2006
Por Peter Symonds
Nas últimas três semanas, uma série de reportagens nos media confirmou que a intervenção militar Australiana em Timor-Leste em Maio não foi uma operação humanitária que visava prevenir a violência e proteger os Timorenses. Foi parte duma campanha política para remover o Primeiro-Ministro de Timor-Leste Mari Alkatiri e instalar um governo mais influenciável às exigências de Canberra.
Desde a independência formal de Timor-Leste em 2002, o governo Australiano foi abertamente hostil ao governo de Alkatiri (veja “Como orquestrou a Austrália a ‘mudança de regime’ em Timor-Leste”), particularmente a sua recusa em ser intimidado a entregar-lhe a parte maior das reservas substanciais de petróleo e gás do Mar de Timor. Tendo despachado tropas em 1999 para garantir os seus interesses, Canberra tornou-se crescentemente frustrada com a orientação de Alkatiri para outros poderes, especialmente Portugal e China.
Em Timor-Leste, os opositores de Alkatiri juntaram-se à volta do Presidente Xanana Gusmão, que rompeu com a Fretilin nos anos 80’s, criticando como demasiado radical o seu programa moderado. A oposição inclui a igreja Católica, que se opôs à insistência da Fretilin na separação da igreja e do Estado; antigos líderes mas milícias pró-Indonésias que semearam destruições em 1999 na altura do referendo sobre a independência; elementos dissidentes das forças de segurança; e políticos da oposição exigindo mais e maiores reformas de mercado.
Emergiu agora mais evidência em como desde finais de 2005 havia esforços a serem feitos para remover o governo da Fretilin. O jornalista veterano freelance John Martinkus anteriormente relatou que dois líderes Timorenses e dos estrangeiros tinham contactado o chefe das forces armadas Brigadeiro General Taur Matan Rauk e o Tenente Coronel Falur Rate Laek en duas ocasiões separadas no final de 2005 para montarem um golpe para remover Alkatiri, mas que estes recusaram.
Num programa da “Dateline” emitido em 30 de Agosto na Australiana SBS TV, Alkatiri confirmou pela primeira vez que soube dos encontros. E prosseguiu acusando implicitamente o governo Australiano de estar por detrás das tentativas para fomentar um golpe de Estado contra ele. “Fui informado pelos comandantes das F-FDTL [forces armadas] da situação, que eles foram contactados por alguns Timorenses e por alguns nacionais estrangeiros. Mas estava completamente conhecedor e confiante no comando das forças armadas e não pensei que essa fosse uma questão que me pudesse preocupar e para mim não era nada,” disse.
Perguntado sobre a nacionalidade dos estrangeiros, Alkatiri disse que o comando das forças armadas não conseguiu dizer “se eram Australianos ou Americanos, mas que de certeza falavam Inglês.” Disse de caras à “Dateline” que Canberra o queria for a porque ele era demasiado independente e ameaçava os interesses Australianos nos campos de petróleo e de gás do Mar de Timor.
“Tenho a perfeita consciência que temos o nosso direito e ainda temos o nosso direito no Mar de Timor e que temos de o defender,” disse. Perguntado se tinha alguma evidência do mais recente envolvimento Australiano nos esforços para o remover, replicou: “Evidência, não. Mas o único primeiro-ministro no mundo que estava realmente ‘a aconselhar-me’ abre aspas-fecha aspas, para sair durante esses dias, esses dias difíceis, foi o primeiro-ministro da Austrália.”
Em Fevereiro e Março, uma série de manifestações e greves irromperam nas pequenas forças de segurança do país. Mais de 600 soldados um terço das forças armadas protestaram sobre os salários, condições e alegada discriminação contra os do “oeste”. As acções, apoiadas pelos partidos da oposição para fomentar hostilidade contra os do “leste” foram de facto dirigidas contra a Fretilin, que, durante a sua longa luta contra o governo Indonésio tinha estado baseada mais firmemente no leste montanhoso da ilha.
Os protestos dos 600 “peticionários”que foram finalmente despedidos por Alkatiri tornaram-se o ponto de reunião das forças anti-Fretilin, incluindo gangs de jovens em conotados com os partidos da oposição. Em 28 de Abril, as forças de segurança suprimiram um violento protesto anti-governamental de soldados e jovens, provocado por políticos da oposição, que resultaram em várias mortes. Os confrontos provocaram depois uma ruptura da polícia e das forças armadas, preparando o caminho para a intervenção Australiana.
Os media Australianos culparam da violência Alkatiri e o seu governo. Mas a mais recente evidência aponta para Gusmão, políticos da oposição, soldados e polícias decepcionados e antigos membros das milícias pró-Indonésias.
O programa “Dateline” apontou o que muitos Timorenses acreditam que o Partido Democrático (PD) da oposição foi o responsável. Apontou as conexões entre o líder do PD Fernando Araujo, cuja mulher e filho foram enviados para a Austrália em helicópteros militares, com figuras pró-indonésias notórias tais como Rui Lopes e Nemecio de Carvalho.
Enquanto Lopes tinha fugido para o Oeste de Timor Indonésio pela altura do programo, de Carvalho foi bastante aberto sobre as suas lealdades e métodos. O antigo líder da milícia declarou o seu apoio às ambições do Presidente Gusmão de jogar mais do que um papel cerimonial, dizendo: “Tem de haver uma crise e instabilidade, incluindo guerra. Para que ele [Gusmão] possa jogar numa tal situação. Sem conflito, sem instabilidade, sem anarquia, guerra, talvez ele nunca obtenha mais poder.”
Intrigas Anti-Alkatiri
O Jornalista John Martinkus, que juntamente com o repórter David O’Shea produziu o programa da SBS, escreveu mais dois artigos recentes, que apontam para o envolvimento de Gusmão e da sua mulher Australiana Kirsty Sword Gusmao nas intrigas.
A alegação mais significativa foi levantada num artigo intitulado “Afirmação de que Gusmão ordenou os dias da raiva em Dili” no jornal The Age no Sábado passado. Citou uma declaração escrita pelo antigo vice-comandante da polícia do distrito de Dili, Abilio “Mausoko” Mesquita, que foi preso e está correntemente detido na prisão de Becora em Dili pelo seu papel nos eventos de Maio.
“A declaração refere-se a uma reunião antes da crise no gabinete do presidente, onde, na presença de líderes locais, incluindo o chefe da polícia Paulo Martins, o Sr Ramos Horta e o Bispo de Baucau, É alegado que o presidente discutiu a necessidade de se livrar do governo do Sr Alkatiri por cauda das suas percebidas simpatias “comunistas”. Outras fontes do interior da organização dos veteranos confirmaram independentemente que foram convidados para uma reunião com o presidente na sua residência nas montanhas por cima de Dili em Março, onde foi discutido um plano para remover o Sr Alkatiri,” diz o artigo.
Os resultados desses encontros tornaram-se evidentes em Maio quando as acções contra Alkatiri se intensificaram. Em 2 de Maio, quanto partia para uma visita a Washington, o Primeiro-Ministro Australiano Howard anunciou o despacho de barcos de guerra Australianos para o Mar de Timor sem informar o governo de Dili. O propósito foi o de maximizar a pressão sobre a liderança da Fretilin, enquanto prosseguiam acções para substituir Alkatiri num congresso do partido em 17-19 de Maio.
A remoção falhou quando uma poderosa maioria de delegados da Fretilin reconduziu Alkatiri em 19 de Maio. Dias depois, contudo, irrompeu a violência em Dili. Foi aproveitada pelos media Australianos para pintar uma imagem assustadora de caos e desordem, que foi, por sua vez, usada para justificar o despacho de tropas Australianas. Em 28 de Maio, somente nove dias depois, 1,300 soldados Australianos apoiados por helicópteros militares e veículos blindados tinham aterrado em Timor-Leste e tomado o controlo de Dili.
É agora evidente que os envolvidos nos confrontos estiveram estreitamente conectados, se não a actuarem directamente sob as ordens do Presidente Gusmão. Em comentários à “Dateline”, a mulher do presidente Kirsty Sword despachou como “truques estafados” as alegações de que Gusmão estava por detrás da violência. Contudo, a evidência do contrário continua a somar-se.
* Em 22 de Maio, o Major Alfredo Reinado, que tinha desertado em 4 de Maio juntamente com 20 polícias militares sob o seu comando, moveu-se para os subúrbios de Dili e abriu fogo contra as tropas governamentais. O repórter David O’Shea, que estava com Reinado na altura, disse à “Dateline”: “Vi e ouvi claramente ele a disparar primeiro. Os soldados contra quem ele disparou nesse dia disseram que os ataques contra eles foram sem qualquer razão.”
* Em 24 de Maio, Reinado juntou forças com outro provocador duvidoso, Vicente “Railos” da Conceição, para um ataque numa base militar em Tacitolu em 24 de Maio. Sob pressão de Gusmão e Horta, Alkatiri concordou finalmente na intervenção da força liderada pelos Australianos. Sem esperar que os termos formais fossem decididos, Howard ordenou “que avançassem a todo o vapor” em 25 de Maio.
* Em 25 de Maio, de acordo com a declaração de Abílio “Mausoko” Mesquita, foi-lhe ordenado directamente pelo Presidente Gusmão para atacar a casa do comandante das forças armadas Brigadeiro Taur Matan Ruak. Mesquita foi filmado na cena do ataque e foi mais tarde preso com várias espingardas automáticas. Na prisão, Mesquita afirma ter dito repetidas vezes ao chefe da missão da ONU Sukehiro Hasegawa que Gusmão foi o autor da crise política.
* Também em 25 de Maio, teve lugar um ataque mortal sobre polícias desarmados que estavam a ser levados para (um local) seguro pela ONU. Enquanto soldados pró-governamentais foram acusados do incidente, o “Dateline” declarou: “Podemos oferecer um cenário dramaticamente diferente. Esta gravação sugere que houve muito mais do que três soldados a disparar. Uma das testemunhas oculares com quem falámos afirma que viu civis a disparar contra os polícias destas palmeiras... foi dito à ‘Dateline’ que a ONU tem evidência video que apoia a versão dos eventos que nos foi oferecida. Foi este confronto mortal parte de um padrão para desacreditar as forças armadas e ainda minar mais o primeiro-ministro?”
Os homens do presidente
Agora é evidente que Reinado e Railos trabalharam estreitamente com o Presidente Gusmão. Um artigo de John Martinkus intitulado “Timor-Leste: o homem do Presidente”, postado no Znet website em 9 de Setembro, revelou que o que Gusmão enviou foi, com efeito, uma ordem presidencial para Reinado em 29 de Maio, pouco depois das tropas Australianas terem começado a patrulhar a capital.
Escrita em papel timbrado da presidência, a carta começa com a saudação “Major Alfredo, Bom Dia!” e pede a Reinado para recuar das montanhas à volta de. “Já combinámos com as forças Australianas e tem de se acantonar em Aileu,” declarou. Gusmão indicou que escreveria também a um outro amotinado, Tenente Gastão Salsinha, depois concluiu com “abraços para todos” e a sua assinatura.
Reinado obedientemente recuou para Aileu, depois mudou-se para a Pousada, onde, guardado por tropas SAS Australianas, manteve uma barragem de ataques políticos contra Alkatiri. Como Martinkus anotou no seu artigo, Reinado tinha-se reunido pessoalmente com Gusmão em 14 de Maio cerca de uma semana antes das tropas Australianas começarem a aterrar. De acordo com um artigo no The Australian em 12 de Setembro, ou Gusmão ou a sua mulher Kirsty pagaram a conta de hotel de Reinado na Pousada quando ele saiu.
Apesar da intensa pressão para resignar, Alkatiri recusou mexer-se. Mais ainda, apesar das suas ameaças, sob a constituição de Timor-Leste Gusmão não tinha o poder para despedir o primeiro-ministro. Por isso tramaram um outro método. Em 19 de Junho, a TV da propriedade do governo, Australian Broadcasting Corporation (ABC) emitiu um programa da “Four Corners”, que continha alegações infundadas de inimigos políticos de Alkatiri que o primeiro-ministro tinha aprovado a formação de um esquadrão de ataque.
Pavorosas acusações de campas comuns e de ameaças contra a vida de Fernando Araujo, líder do Partido Democrático da oposição, ficaram pelo caminho. Mas o prato de resistência do programa da ABC foi uma alegação de Vicente “Railos” da Conceição que o seu “esquadrão de ataque” tinha sido armado pelo Ministro do Interior Rogério Lobato e ordenado por Alkatiri para matar os opositores da Fretilin. No dia seguinte, Gusmão enviou uma gravação com o programa da ABC, com estas alegações infundadas, para Alkatiri, com uma carta exigindo a sua resignação imediata.
Alkatiri negou repetidamente as acusações, apontando a hostilidade política óbvia de Railos e o seu ataque contra as tropas pró-governamentais. A relação de Gusmão e de Railos foi clara na cerimónia de nomeação de José Ramos-Horta em 10 de Julho. Railos estava lá, cortesia de um convite presidencial. Durante um “evento para os media” filmado pelo programa “Dateline” em casa de Gusmão, Railos não só estava presente, como foi saudado calorosamente pelo presidente.
Estas revelações expõem ainda mais a mentira do governo de Howard de que despachou tropas para Timor-Leste por razões puramente altruísticas. Com soldados em estado de prontidão à espera de aterrar, é inconcebível que Canberra não estivesse a coordenar estreitamente com Gusmão. Ele, por sua vez, estava em contacto com Reinado e Railos, que estavam ocupados a montarem os confrontos que forneceram o pretexto. Reinado tem conexões muito velhas com a Austrália, que inclui treino militar no ano passado na Academia da Força Australiana de Defesa.
A prisão e a fuga de Reinado
O artigo de Martinkus na Znet deita mais luz sobre outro incidente escuro –a prisão de Reinado em Dili em 26 de Julho. Foi detido depois da polícia Portuguesa (GNR) ter revistado a casa onde estava e ter encontrado um esconderijo com armas ilegais e munições no dia a seguir do fim duma amnistia de armas altamente publicitada. A casa, que Reinado afirmou Gusmão o autorizara a usar, estava exactamente do lado oposto duma base militar Australiana.
Martinkus estava em Dili na altura. Explicou que a acção da polícia Portuguesa provocou uma série de reunião a alto nível no gabinete presidencial envolvendo funcionários de topo, militares e polícias. Durante o impasse que durou um dia inteiro, Reinado passeou-se livremente na varanda para fazer declarações à imprensa local e internacional lá reunida. Finalmente foi detido na noite por soldados Australianos depois de terem dito à imprensa para sair da área.
“A sequência dos eventos do dia e o modo como os Australianos tentaram desvalorizar o evento activamente, deu-me a impressão que somente prenderam com relutância Reinado e os seus homens, e que tinham sido forçados a isso pela descoberta das armas pela GNR. As reuniões de crise no gabinete do presidente também sugerem o envolvimento estreito de Gusmão no caso,” comentou Martinkus.
Estes eventos extraordinários deixam claro que a luta faccionai pelo poder e influência continua em Dili. A polícia Portuguesa, sem dúvida com o suporte da Fretilin, estava bem preparada para prender um opositor chave. Gusmão, com o suporte tácito de Canberra, resistiu à detenção de um dos seus leais, apesar da óbvia e flagrante ruptura da lei de Reinado.
A capacidade de Reinado de literalmente sair da prisão a andar em 30 de Agosto, juntamente com outros 56 presos, levanta ainda mais questões sobre a conivência de Gusmão com os seus apoiantes Australianos. Os pronunciamentos de Reinado aos media na última quinzena apontam para interesses políticos por detrás da sua “fuga”. Durante uma entrevista na TV local em 1 de Setembro, criticou Ramos-Horta por ser fraco e acusou-o da violência continuada em Dili. Desde então tem continuado com ameaças e invectivas, criticando o governo por se manter sob o domínio de Alkatiri e da Fretilin.
Numa entrevista à TV Indonésia, relatada pelo The Australian em 11 de Setembro, o major amotinado acusou Alkatiri de governar por “controlo remoto”. “Demos tempo ao governo para resolver este problema,” avisou, “mas se eles não o conseguem resolver, tem que haver uma revolução, envolvendo a imposição correcta da lei, e todos os líderes que quebraram a lei devem estar prontos para enfrentar o julgamento.”
The Australian a seguir pôs na página da frente uma entrevista com Reinado em 12 de Setembro. As suas lealdades são óbviass. Ele declarou que tinha “boas relações” com os militares Australianas, mas estava zangado com a polícia Portuguesa que foram instrumentais na sua detenção. “Eles sabem o que defendo. Os Portugueses querem silenciar-me,” disse.
Não é por acaso que o jornal de Murdoch está a promover Reinado e as suas denúncias do governo de Ramos-Horta The Australian defendeu estridentemente a intervenção militar de Howard e esteve na linha da frente da campanha pela “mudança de regime” em Dili, expressando abertamente a frustração com as demoras na remoção de Alkatiri. A sua promoção renovada de Reinado indica descontentamento crescente em Canberra com a substituição de Alkatiri.
Apanhado no meio de interesses concorrentes, as manobras de Ramos-Horta nem sempre ganharam o apoio de Canberra. No Conselho de Segurança da ONU no mês passado, opôs-se aos pedidos Australianos para manter uma força militar independente em Timor-Leste e apoiou o empurrão do rival, Portuga, para levar as forças de segurança sob a bandeira da ONU. Quando Reinado “fugiu”, Ramos-Horta embaraçou o governo de Howard criticando os militares Australianos por recusarem os pedidos do seu governo para estacionar tropas na prisão de Becora. Aos olhos de Canberra, contudo, o seu pecado principal tem sido o falhanço de cumprir a sua promessa de obter a ratificação parlamentar para um acordo sobre o enorme campo de gás de Sunrise o maior no Mar de Timor.
Apesar da propaganda do governo de Howard em contrário, está-se a tornar crescentemente evidente que as tropas e polícias Australianas não fazem esforços sérios para seguir a pista de Reinado. Serve os propósitos de Canberra, por agora, ele estar ao largo, a fazer declarações regulares. Ao mesmo tempo que mantém a pressão sobre Ramos-Horta, as ameaças de “revolução” de Reinado podem indicar que já se desencadearam acções para substituir completamente o governo da Fretilin.
O registo do governo de Howard na remoção de Alkatiri demonstra ainda outra vez que Canberra não parará diante nada para afirmar os seus interesses económicos e estratégicos em Timor-Leste e através da região da Ásia Pacífico. Tendo despachado tropas para a ilha em 1999 e em 2006, o governo Australiano com o suporte dos USA, está determinado a enfraquecer os seus rivais e a instalar um regime complacente.
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