segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Ex-PM lauds his exit as a 'public service'

The Japan Times
Sunday, Feb. 25, 2007

A TOP MAN TALKS

By JEFF KINGSTON
Special to The Japan Times

The ousted prime minister welcomed me to his spacious compound where I met his son and daughter, both home from studying overseas, and his muddy, wriggling puppies that quickly Pollacked my best chinos.

Former Prime Minister Mari Alkatiri

The media image of Mari Alkatiri is of an unsmiling, severe and aloof man; this is far better than what most ordinary people say about him. In person, he is urbane, articulate and informal. He disarmingly opened our conversation by saying that I must have heard rumors about corruption, squirrelly oil deals, arming hit squads and the like. But it was not the time for a confession.

Alkatiri views his June 2006 resignation as a public service of sorts, saying his restraint in face of an "unconstitutional coup aimed at destroying Fretelin [the Revolutionary Front for an Independent East Timor] and me" averted further violence. He spoke of an Australian- orchestrated media conspiracy to discredit him and spread false allegations. He suggests that his forceful negotiating position over the division of energy revenues with Australia may have soured Canberra toward him.

Alkatiri blames the Catholic Church for fomenting protests against him, in part because he is a Muslim of Yemeni origins. He says the Church was angry about his 2005 decision to end the obligatory teaching of religion at state schools.

According to Alkatiri, his opponents are not strong enough to defeat Fretelin at the polls, so they are manipulating the Church, veterans' groups and foreign pressure while stirring up violence on the streets. He denies all the allegations against him, but blames himself for "not smiling more" -- and not more effectively countering the "disinformation."

By leaving office he feels he exposed the conspiracy and gained public sympathy. He says, "If I decided to act I would have prevailed, but it would have meant more bloodshed and everyone would have blamed me. I resigned so everyone can see for themselves who's who and what's what."

Regarding his public feud with the charismatic and popular President Xanana Gusmao, Alkatiri says that he has refrained from responding to the president's numerous attacks against Fretelin and himself, because he did not want to spark further violence.

He wonders, however, if Gusmao still thinks he made the right choice in forcing him from power by threatening to resign. In his view, the crisis has ended in defeat for the president, whose reputation has suffered. While admitting he may not have handled the military crisis well, Alkatiri points out that in any country mutineers are dealt with harshly. He says, "Xanana always favors tolerance and negotiations, but such an approach has limits."

In reflecting on the events of 2006, he spoke of "the collective failures of the leadership," and said that the "artificial crisis of east and west" has set the country back several years in developing democratic institutions, human rights and the rule of law.

Early in February, Alkatiri was cleared of allegations that he was involved in a transfer of weapons to a hit squad. Prior to that, when I asked him about his legal problems, he said, "I am fully aware I will win." Echoing the consensus view, he observed without irony, "The justice system is the weakest part of our government institutions."

In his view, the greatest threat to human rights is poverty, and addressing that should be the government's priority. The influx of energy-export revenues, and the creation of a Timor Sea Fund to earmark money for future generations, makes him optimistic about prospects in East Timor.

Regarding Japan, Alkatiri expressed thanks for their generous assistance but said, "They are not easy to work with. They have their own ideas and program and it is difficult to negotiate with them. They have been very supportive of infrastructure, power and health projects, but these are always expensive."

Looking forward, he said, "Xanana and I have to work together to create the conditions for peaceful elections. Both need to recognize our mistakes. I have kept a low profile and have not been critical of Xanana because I want to calm things down and have asked Fretelin for tolerance."

Confessing that it would be hard to resist pressures from within his party, Fretelin, to run for re-election, he signaled his readiness, "For my own dignity and vindication."

Grupo de major Reinado assalta posto polícia em Maliana

Díli, 25 Fev (Lusa) - O posto da polícia de fronteira de Maliana, sudoeste de Timor-Leste, foi assaltado hoje por um grupo de homens liderado pelo major Alfredo Reinado, disse à agência Lusa fonte que está a investigar o incidente.
Os assaltantes levaram do posto policial pelo menos 17 armas, segundo a mesma fonte.

Desconhece-se se do incidente resultaram mortos ou feridos.

O major Reinado, antigo comandante da Polícia Militar timorense, foi figura relevante da crise político-militar de Abril e Maio de 2006 em Timor-Leste.

Em 30 de Agosto do ano passado, fugiu da prisão de Becora, em Díli, onde estava detido por posse ilegal de material de guerra.

Há três semanas, o Procurador-Geral da República, Longuinhos Monteiro, e Alfredo Reinado assinaram em Gleno um "acordo explícito" para resolver a situação do militar, segundo revelou sábado à Lusa o primeiro-ministro timorense, José Ramos Horta.

"Houve uma acordo explícito, assinado pelos dois, em que Reinado pela primeira vez se compromete a ser ouvido no caso das armas" entregues a civis, disse na altura Ramos Horta.

Ainda de acordo com o primeiro-ministro, Alfredo Reinado comprometeu-se também "a comparecer perante a Justiça no caso da troca de tiros a 23 de Maio de 2006, na qual, alegadamente, pelo menos um membro das F-FDTL [Falintil-Forças de Defesa de Timor-Leste] foi morto por ele".

"Espero que o acordo possa ter uma conclusão lógica com a vinda a Díli de Reinado", acrescentou Ramos Horta na entrevista que concedeu sábado à Lusa.

PRM-Lusa/Fim


NOTA DE RODAPÉ:

E onde estava a escolta militar australiana? Em algum campo de deslocados?..

Ou... upss... vão dizer que o perderam? Mais de 800 militares equipados com a última tecnologia, helicópteros, etc?..

Ximenes Belo atento à situação actual do país

Arouca, Aveiro, 25 Fev (Lusa) - O administrador apostólico emérito de Díli, D. Ximenes Belo, disse sábado estar atento à situação actual de Timor, mas evitou falar das eleições presidenciais agendadas para 09 de Abril próximo.

"Não estou alheio aos problemas de Timor. Acompanho, rezo pelo meu país", afirmou numa palestra dirigida a jovens em Arouca, no norte do distrito de Aveiro.

Adiantou que se deslocou "há alguns meses" àquele país "para tentar conciliar as posições dos partidos políticos timorenses".

"A luta continua em Timor, agora não no mato, mas na acção do povo, que tem de tomar o destino do país nas suas próprias mãos", disse Ximenes Belo.

Durante a conferência referiu ainda que está a aproveitar a estada em Portugal para "escrever um livro sobre a história da Igreja em Timor-Leste".

O Nobel da Paz em 1996 encerra hoje uma visita de dois dias ao concelho de Arouca, celebrando uma missa às 11:15 horas, seguindo-se a inauguração de um busto de S. João Bosco, fundador da congregação dos Salesianos, a que Ximenes Belo pertence.

EYD-Lusa/Fim

O candidato a Presidente de todos os australianos e de todos os americanos?...

Público – 25 de Fevereiro de 2007

Primeiro-ministro considera essencial o diálogo
Ramos-Horta confirma que quer suceder a Xanana

Jorge Heitor

“Sei que tenho condições e capacidades para assumir o cargo de Presidente da República.” Foi com estas palavras que o primeiro-ministro de Timor-Leste, José Ramos-Horta, se disponibilizou hoje de manhã (madrugada em Lisboa) para concorrer à chefia do Estado, numas eleições com primeira volta marcada para 9 de Abril.

A intenção já tinha sido antecipada há dois dias pela televisão Al-Jazira, do Qatar. Chegou agora a confirmação, num discurso em Timor. “Anuncio publicamente, aqui em Laga [150 quilómetros a leste de Díli, em Baucau], a minha decisão de me candidatar à Presidência, para suceder a Xanana Gusmão, herói do nosso povo, que resgatou das grandes derrotas de 1977-79 e conduziu com extraordinária visão até à nossa libertação”, disse o chefe do Governo.

“Foram semanas de reflexão e de muita hesitação. Reflecti sobre a honrosa mas muita penosa missão de me candidatar a chefe de Estado”, prosseguiu o homem que em 1996 partilhou o Nobel da Paz com o então bispo católico de Díli, Carlos Filipe Ximenes Belo.

Segundo o jornal "Sydney Morning Herald", os planos de Horta assentam num pacto com Xanana para procurarem mudar de cargo e diminuir o peso político da Fretilin, partido maioritário. O Presidente “deve assumir um papel de interligação e harmonização entre as diversas instituições do Estado, permitindo uma actuação coordenada e, portanto, mais eficiente dos diversos órgãos de decisão”, declarou Ramos-Horta num discurso de sete páginas, durante o qual lembrou ter liderado “o processo de estabelecimento de relações diplomáticas com cerca de 100 países”.

“O diálogo entre instituições é essencial e pretendo fomentá-lo. Um país no qual as diversas instituições se encontrem de costas voltadas não pode crescer”, defendeu o primeiro-ministro. “Como candidato, durante o período da campanha afastar-me-ei do Governo. Não uso, não usarei meios do Estado para a minha campanha. (...) Convido o inspector-geral do Estado, os partidos e outras instituições a monitorizar as minhas actividades”.

Pacto com o Presidente

Ramos-Horta reconheceu que o Governo que chefia é da Fretilin (Frente Revolucionária de Timor-Leste Independente), cujo líder, Francisco Guterres (Lu-Olo), actual presidente do Parlamento, se apresentou há cinco dias como candidato do partido à liderança da nação, no que parece ser o mais forte despique destas eleições.

Sexta-feira, o primeiro-ministro reconhecera, em declarações prestadas ao PÚBLICO, que a Austrália e os Estados Unidos foram dos países que mais o encorajaram a candidatar-se a Presidente da República. Entretanto, Xanana declarara a figura da oposição, em Díli, segundo o "Sydney Morning Herald", que tenciona formar o seu próprio partido e ir às legislativas, que só serão marcadas depois de terminadas as presidenciais.

De acordo com o jornal australiano, Ramos-Horta e Xanana Gusmão “vão tentar convencer o eleitorado de que, como Presidente e primeiro-ministro, oferecem ao país a melhor oportunidade de ultrapassar as divisões e garantir a estabilidade política, depois do caos e da violência do ano passado”.

Ainda ontem, um segundo jovem morreu depois de, na véspera, ter sido alvejado a tiro num confronto com soldados australianos, na capital.

Ramos-Horta no seu melhor... (Intervalo para o humor)

"Não sou candidato de oposição à Fretilin" - Ramos Horta

Por Pedro Rosa Mendes, da Agência Lusa Baucau, 24 Fev (Lusa) - O primeiro-ministro timorense José Ramos Horta afirmou hoje à agência Lusa que a sua candidatura às eleições presidenciais não é contra a Fretilin.

"Não sou candidato de oposição à Fretilin", afirmou o primeiro-ministro à Lusa na sua primeira entrevista enquanto candidato à presidência.

Ramos Horta lança oficialmente domingo a sua candidatura em Laga, uma aldeia dos arredores de Baucau onde cresceu e viveu entre os 11 e os 17 anos de idade. Outra das razões porque decidiu apresentar a sua candidatura em Laga prende-se com o facto de ser uma das regiões mais pobres do país.

"É uma candidatura de milhares de timorenses que vêm de muitos partidos, incluindo da Fretilin. Não faço oposição a Fretilin, nunca o fiz e nunca o irei fazer", adiantou.

"Estas eleições deste ano são mais personalizadas porque a comunidade internacional assim como o povo timorense estão muito mais elucidados sobre quem é quem".

O povo, segundo Ramos Horta, são pessoas sabem "que, afinal, o país avança ou recua conforme a qualidade de líderes que tem".

Ramos Horta disse que em 2001 nas eleições para a constituinte, ganhas pela Fretilin, "os timorenses votaram em partidos, em bandeiras e não em caras". Agora, concluiu, "já estão atentos e vão escrutinar um por um os nomes das listas de cada partido".

José Ramos Horta considera-se um candidato livre e independente nas eleições presidenciais. "Felizmente não devo grandes favores a nenhum partido politico. Não estou comprometido com ninguém, apenas com este povo".

Em entrevista à Lusa, o primeiro-ministro timorense disse ainda que decidiu candidatar-se quando regressou de nova Iorque há uma semana. "Quando cheguei a Dili fui informado que uma comissão informal já tinha recolhido alguns milhares de assinaturas, sem a minha luz verde". José Ramos horta referiu a título de exemplo que "só em Baucau num dia recolheram mil assinaturas quando bastavam 100".

O primeiro-ministro sublinha que é um candidato reticente às eleições de 0 9 de Abril e "não é por recear a campanha e o possível desfecho negativo, pelo contrário". Diz Ramos Horta: "Devo ser o único líder do mundo em campanha eleitoral desejando vir a ser rejeitado".

José Ramos Horta explica que, no caso de não ser eleito, ficará "de consciência tranquila" uma vez que a sua candidatura "é em primeiro lugar uma questão de consciência".

E afirma: "Se eu não me candidatasse seria severamente crítica do por muitos timorenses e amigos internacionais na indonésia, na comissão europeia, em Washington, no conselho de segurança e na Austrália".

Frisando que tem vários apoios internacionais José Ramos Horta considera que os dois governos constitucionais de Timor-Leste "beneficiaram de apoios através dos seus contactos pessoais".

Em relação as condições de segurança para a campanha eleitoral, Ramos Horta confirmou à Lusa que a existência de um acordo entre o procurador-geral da República, Longuinhos Monteiro, e o major Alfredo Reinado.

O militar, principal rosto da crítica político-militar de 2006 fugiu de um a prisão em Díli a 30 de Agosto. Segundo revelou o primeiro-ministro, o procurador Longuinhos Monteiro esteve com o Major Reinado há três semanas em Gleno. "Houve um acordo explícito, assinado pelos dois, em que Reinado pela primeira vez se compromete a ser ouvido no caso das armas" entregues a civis. Alfredo Reinado ter-se-á comprometido também "a comparecer perante a Justiça no caso da troca de tiros a 23 de Maio de 2006, na qual, alegadamente, pelo menos um membro das F-FD TL foi morto por ele".

Quanto a Xanana Gusmão, José Ramos Horta insiste que o falado novo partido inspirado pelo presidente da República de Timor-Leste continua, para ele, um "mistério". O primeiro-ministro salienta, no entanto, que Xanana Gusmão poderá ter um futuro político depois de abandonar a chefia do Estado. "Ele é novo, com muito dinamismo e é um homem bom. Não há nenhum político que seja tão respeitado como ele", disse.

Lusa/fim

NOTA:

1. Não ouvimos nenhum dos "amigos" internacionais a manifestar qualquer apoio a Ramos-Horta, se bem que até possamos acreditar nas palavras de Ramos-Horta quanto a alguns.

E a ouvirmos algum "amigo" internacional, Ramos-Horta corre o perigo de ser o candidato a Presidente, não de todos os timorenses, mas de todos os australianos, indonésios e americanos, em Timor-Leste!

2. Quanto a ser o candidato que quer ser rejeitado... morreríamos a rir, se não fosse tão patético.

3. As assinaturas sem o seu consentimento?! (1000 em Baucau! Quando apenas apareceram, contra as suas expectativas, 400 ou 500 pessoas no lançamento da candidatura em Laga, a poucos kms de Baucau...).

4. Quanto a ser um "mistério" o novo partido de Xanana... haverá alguém com quem Ramos-Horta fala no último mês, que não mencione imediatamente o novo partido de Xanana chamado CNRT?

Segundo timorense morre devido incidente 6/feira no aeroporto

Díli, 24 Fev (Lusa) - Um segundo timorense morreu sexta-feira após ter sido atingido no peito por um soldado australiano durante um incidente junto ao aeroporto de Díli, disse hoje fonte hospitalar.

Atoy Dasy morreu devido à perda de sangue após ter sido operado ao peito, indicou Américo dos Santos, responsável pela Unidade de Emergência do Hospital Nacional de Díli.

O governo australiano disse que o soldado disparou a sua arma em legítima defesa, após ter sido atacado por um grupo de homens que atiravam setas metálicas.

Na altura do incidente com as Forças de Estabilização Internacional (ISF) no aeroporto de Díli um timorense foi atingido na cabeça e morreu pouco depois e dois outros ficaram gravemente feridos.

O comandante das ISF em Timor-Leste, brigadeiro Mal Rerden, afirmou no mesmo dia que "não houve fogo indiscriminado" no campo de deslocados do aeroporto de Díli, versão contestada pelos refugiados ali instalados.

Cerca das 09:00 locais (zero horas em Lisboa) de sexta-feira, "as ISF responderam a distúrbios" junto ao aeroporto e abriram fogo sobre civis timorenses, disse.

"Apenas dois soldados dispararam" durante a operação, declarou o brigadeiro Mal Rerden, das Forças de Defesa Australianas e comandante dos efectivos australianos e neozelandeses que integram as ISF, insistindo que "isso prova" que os "soldados mostraram grande contenção".

Os deslocados do campo do aeroporto contam uma versão bastante diferente dos acontecimentos e acusam as ISF de terem iniciado os confrontos.

O incidente aconteceu horas depois do Conselho de Segurança da ONU ter aprovado o reforço e prolongamento por um ano da Missão das Nações Unidas em Timor-Leste.

Os australianos foram alertados para estarem atentos a novos ataques após o incidente de sexta-feira, que ocorreu um dia depois de sete oficiais das Nações Unidas terem sido feridos à pedrada por elementos de gangs.

PAL/PRM-Lusa/Fim

Candidatura de Horta encorajada por Austrália, Indonésia e EUA

Público, 24.02.2007,
Por: Adelino Gomes
José Ramos-Horta desvaloriza manifestações de hostilidade, em Díli, contra países de língua portuguesa

O primeiro-ministro timorense, José Ramos-Horta, minimizou o significado e alcance de certas expressões de hostilidade manifestadas publicamente, nos últimos tempos, em Díli, contra representantes dos países de língua portuguesa.

"Os alegados "ressentimentos" em relação a países da CPLP vêm de um pequeno grupo que está mais politicamente relacionado com facções anti-Alkatiri, que acusam os magistrados desses países de serem tendenciosos", disse Ramos-Horta ao PÚBLICO, referindo-se ao arquivamento do processo contra o antigo primeiro-ministro, por alegada distribuição de armas a civis.

O Nobel da Paz argumenta que "também há sentimentos hostis" manifestados por "outros elementos" em relação aos australianos. "Depende de que lado da "trincheira" se está. Não se consegue agradar a todos", concluiu.

Ramos-Horta respondia a um conjunto de perguntas enviadas de Lisboa, por e-mail, antes de ser conhecida a sua decisão de se candidatar à sucessão de Xanana Gusmão, como Presidente da República.

O gabinete de Horta informou que o primeiro-ministro fará amanhã, domingo, na localidade de Laga, um anúncio sobre as próximas presidenciais, sem falar em candidatura. Segundo o próprio Horta disse ontem de manhã, por telefone, à Rádio Renascença, a Al-Jazira transmitiu as suas declarações, previamente gravadas, 48 horas antes do acordado.

"Encorajamentos"

Na resposta ao PÚBLICO, em que continuava a falar apenas em "possível candidatura", o chefe do Governo timorense disse ter recebido "muitas solicitações" para o fazer, "vindas de centenas de timorenses", muitos dos quais "gente simples do povo", bem como "da Igreja, intelectuais, estudantes e, como se sabe, do Presidente Xanana".

Ramos-Horta cita expressamente a Indonésia, Austrália, Alemanha e EUA entre os países "amigos" de quem diz ter recebido igualmente "muito encorajamento" para se candidatar ao lugar de Xanana Gusmão.

Há muitos bairros de Díli que têm estado "completamente tranquilos", alega Horta, quando confrontado com a situação de insegurança que se vive de novo com alguma intensidade na capital timorense. "A situação de segurança conheceu altos e baixos ao longo destas semanas. A violência tem sido quase toda ela de origem criminal e sem uso de armas de fogo. A maioria dos casos traduz-se em apedrejamentos entre grupos rivais e outras vezes indiscriminadamente contra quem passa em certos sítios", diz.

O actual pico de tensão deve-se à escassez do arroz, sustenta. "Mas esta escassez é generalizada em toda a região. Por exemplo o Timor Ocidental [indonésio] ainda tem maiores problemas e o custo do arroz por quilo é três vezes superior. Há certos elementos que fazem sair arroz para o Timor indonésio, onde tem maior lucro", explicou o primeiro-ministro.

Ramos-Horta nega terminantemente que haja fome, hoje, em Timor-Leste. "Estamos a ajudar a população carente e temos muitos outros géneros alimentícios como milho, batata, mandioca, abóbora, frutas, muito gado, etc.", informou.

Notáveis entregam relatório

De regresso a Timor-Leste, José Ramos-Horta recebeu o relatório final da Comissão de Notáveis, criada para investigar acusações de discriminação étnica no seio das Forças Armadas.

Esta discriminação é apontada, geralmente, como causa directa da divisão ocorrida há um ano no exército timorense - as F-FDTL, que foram abandonadas por cerca de um terço dos seus efectivos, expulsos posteriormente das fileiras. Os habitantes da parte ocidental, chamados loromonu, são acusados por alguns de se terem envolvido menos na luta armada do que os da parte oriental, Lorosae, durante os 14 anos de ocupação militar, pela Indonésia, da antiga colónia portuguesa.

Na sequência das acusações, forças militares envolveram-se em Abril/Maio passados em confrontos sangrentos entre si e com as forças da Polícia Nacional, levando à crise que culminou com a demissão de Alkatiri.

Não foram reveladas as conclusões do relatório da comissão, que será agora discutido em Conselho de Estado e em Conselho Superior de Defesa e Segurança, noticiou a Lusa.

Levantando um pouco o véu, o porta-voz da Comissão dos Notáveis, padre António Gonçalves, disse que "as conclusões não culpam especialmente as F-FDTL ou os peticionários, o que quer dizer que houve erros mas também medidas certas de ambas as partes", indica um comunicado governamental.

Ramos-Horta anuncia amanhã, numa localidade fora da capital, a sua candidatura a Presidente de Timor-Leste

Discurso do Dr. José Ramos-Horta por ocasião do anúncio da sua candidatura à Presidência da República de Timor-Leste

Para ser proferido às 10 da manhã em Laga, Sunday, 25 Fevereiro 2007



Minhas senhoras e meus senhores,

Vivi sempre por Timor-Leste e para Timor-Leste. Durante mais de 25 anos divulguei a causa timorense um pouco por todo o mundo. Contei a nossa história, expliquei a nossa identidade, demonstrei que mereciamos ser independentes, ser um país soberano. O povo e a comunidade internacional conhecem-me. Conheço esta bem amada terra, de uma ponta à outra.

Após a idependência, no período de transição, percorri o país ajudando a esclarecer o povo sobre a nova situação e sobre o mandato da UNTAET e procurei mobilizar o povo para participar nos actos eleitorais de 2001 e 2002. Ajudei a fazer o diálogo em muitos pontos do país onde alguns grupos se degladiavam. Fiz a ponte entre as FALINTIL e o Comandante L7. E nunca pensei em candidatar-me para um cargo de poder.

Aceitei o convite que me foi formulado pelo partido vencedor das eleições de 2001 para a pasta de Ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação. Este foi o meu pelouro. Ajudei a construir um modesto mas activo Ministério dos Negócios Estrangeiros. Continuei a obra de 24 anos de projecção de Timor-Leste no mundo.

Liderei o processo de estabelecimento de relações diplomáticas com cerca de 100 países. Em conjunto com a minha equipa, consegui que Timor-Leste aderisse à ASEAN Regional Forum, adquirisse a qualidade de observador no Forúm do Pacífico, integrasse o Movimento dos Não-Alinhados.

Consolidámos relações com os nossos vizinhos asiáticos. As relações de Timor-Leste com a Indonésia, os outros países da ASEAN, a Austrália, a Nova Zelândia, o Japão, a China, a República da Coreia, a Índia, estão hoje em base sólida. Continuamos as relações de amizade com muitos países da Europa e com a Comissão Europeia, os EUA, e em especial, os países da CPLP.

Em matéria de política externa fui sempre inspirado pelos melhores interesses do nosso país e pelo sentido do realismo, consolidando relações de amizade já existentes e procurando alargar sempre o leque de relacões independentemente do regime político existente em cada país. Um exemplo disso são as excelentes relações que temos com os EUA e com Cuba, dois países com uma relação difícil há quase meio século, com regimes, dimensões e recursos diferentes.

Nos meses de Maio, Junho, Julho e Agosto de 2006, os piores meses de crise, estive com o povo. Na noite do dia 28 de Abril estive com os primeiros deslocados na zona do aéroporto. Percorri as ruas de Dili, durante o dia e a noite. Visitei muitos bairros. Durante os dias mais difíceis, em que os nossos filhos nas F-FDTL e PNTL estavam no hóspital feridos, estive com eles. Visitei muitos distritos. Visitei Aileu, Same, Alas, Maubisse, Gleno, Ermera, Letefoho, Atsabe, Maliana, Liquicá, Suai, Oe-Cussi, Manatuto, Laklubar, Soibada, Baucau, Laga, Lospalos, Loré. Visitei ‘sucos’ distantes. Visitei todos os postos de polícia na fronteira. Falei com homens, mulheres, crianças. Falei com jovens, vendedores ambulantes, pescadores. Falei com elementos dos gangues e das artes marciais. Falei com os nossos polícias e com os nossos militares. Falei com os nossos respeitados bispos, padres, freiras. Falei com ONGs, com os partidos políticos. Falei com os nossos empresários.

Visitei a Austrália e a Malásia, dois dos quatro países que responderam prontamente ao nosso apelo de ajuda quando a crise atingiu o cúmulo. Os outros dois países, Nova Zelândia e Portugal espero visitar assim que possível para agradecer pessoalmente a enorme contribuição que estão a prestar ao nosso país. Também visitei a Indonésia. Fui visitar Sua Santidade o Papa no Vatican. Fui discursar no Conselho de Seguranca da ONU em Nova Iorque.

Fui indigitado para o cargo de Primeiro-Ministro em resultado da grave crise política que abalou o nosso país e aceitei essa ingrata e penosa tarefa.

Não quis ser Primeiro-Ministro por cinco anos e muito menos por 10 meses. O nosso país estava em crise e as nossas instituições estavam em vias de desintegração. O nosso povo estava a sofrer. Por isso, e só por isso, aceitei o cargo de Primeiro-Ministro por 10 meses.

Não quis ser Primeiro-Ministro em 2002 quando a situação era muito mais fácil. Podia em 2001 ter enveredado na corrida para o poder. Não o fiz. Não quis glória nem poder.

A crise de Abril e Maio de 2006 mostrou-nos que o nosso jovem Estado ainda não atingiu o nível de maturidade suficiente para que consigamos, sózinhos, lidar com todos os desafios.

Pedimos ajuda à comunidade internacional, especialmente aos países vizinhos e amigos, às Nações Unidas. A sua ajuda foi e continuará a ser essencial para Timor-Leste.


Todavia, a responsabilidade de lutar pelo nosso país continua a ser nossa, dos timorenses. Alcancámos a independência, hoje somos um Estado soberano, reconhecido pela Comunidade Internacional, mas a nível interno, temos ainda que percorrer um longo caminho para alcançarmos o que todos sonhámos para o nosso país: prosperidade, segurança, equilibrio institucional, estabilidade, desenvolvimento, verdadeira igualdade de direitos e oportunidades, paz social.

Baixámos as armas depois da luta contra a ocupação, temos que lutar agora em pról do futuro do nosso país. Nesta nova luta, cada cidadão timorense tem a responsabilidade de se colocar à disposição do país sempre que seja solicitado para tal e sempre que considere estar em condições para satisfazer os requisitos dos desafios a que se propõe.

Nos últimos tempos têm-me solicitado, aos mais diversos níveis, para que apresente a minha candidatura nas próximas eleições presidênciais.

Sei que tenho condições e capacidades para assumir o cargo de Presidente da República, portanto, estou disponível para assumir a minha responsabilidade para com o meu país.

Anúncio hoje, publicamente, aqui em Laga, a minha decisão de me candidatar à Presidência da República, para suceder a Xanana Gusmão, filho herói do nosso povo que o resgatou das grandes derrotas de 1977-79 e conduziu esse mesmo povo com extraordinária visão até à nossa libertação.

Foram semanas de reflexão e de muita hesitação. Reflecti sobre a honrosa mas muito penosa missão de me candidatar a Chefe de Estado.

Nos termos da nossa Consituição, o “Presidente da República é o Chefe do Estado, símbolo e garante da independência nacional, da unidade do Estado e do regular funcionamento das instituições democráticas”.

Enquanto garante do regular funcionamento das instituições o Presidente deve assumir um papel de interligação e harmonização entre as diversas instituições do Estado, permitindo uma actuação coordenada e portanto, mais eficiente dos diversos orgãos de decisão.

O Diálogo entre instituições é essencial e pretendo fomentá-lo. Um país no qual as diversas instituições se encontrem de costas voltadas não pode crescer.

Durante todo o período da crise que vivemos e até aos dias de hoje, procurei sempre a via do diálogo. Fi-lo porque acedito que só através do diálogo poderemos encontrar as melhores soluções para o nosso país, para o nosso futuro. Fi-lo porque considero que o único modo de alcançar uma decisão justa é através da audição de todos os interessados.

Neste sentido, procurei sempre estimular também o diálogo entre outros, com a consciência de que assim estaria a contribuir para o fortalecimento da nossa democracia e estabilidade social.

Portanto, posso dizer que continuarei, caso seja eleito Presidente, a ter a mesma atitude de harmonização institucional, porque penso que só assim se consegue garantir a independência nacional e a unidade do Estado.

Penso que este é um dos modos através do qual se consegirá reconstruir o que no nosso Estado ficou mais abalado após a crise de Abril e Maio de 2006 e da instabilidade vivida nos meses seguintes.

Estou prestes a terminar o meu mandato como Primeiro-Ministro. Seguirei à risca o que a lei determina. Como candidato, durante o período da campanha eleitoral, afastar-me-ei do governo temporariamente. Não uso, não usarei meios do Estado para a minha “campanha”. Como candidato sou um cidadão comum e não tenho o direito de recorrer aos recursos do Estado fora das funções oficiais que exerço. Observarei com rigor esta regra.

Vim a Laga em viaturas privadas. Aliás NUNCA usei viaturas do Estado para actividades não ligadas às minhas funções quer de Ministro dos Negócios Estrangeiros quer de Primeiro Ministro e Ministro da Defesa. E o não farei agora.

Convido o Inspector-Geral do Estado, os Partidos Políticos e e outras instituições a monitorarem as minhas actividades.

O Governo ao qual presido é um Governo da FRETILIN, o partido maioritário nas últimas eleições parlamentares. Procurei sempre respeitar o partido maioritário, tendo a consciência de que, sendo PM não eleito, com menos de um ano de mandato e surgido de uma crise, teria muitas limitacões de tempo e de poder.

Colaborei lealmente com o partido no poder e com os meus colegas de governo. Partilho com os meus colegas os pequenos êxitos registados da minha governação de escassos meses, muito do que alcançámos ficou-se a dever à experiência e dedicação que demonstraram. As falhas assumo-as eu com humildade e por elas peço desculpa ao nosso povo sofredor e digno.

Durante o período eleitoral, apresentarei ao povo a minha visão e as minhas ideias para a Presidência, tanto a nível interno como internacional.

Até lá, continuarei a servir o país no cargo que ocupo actualmente.

Que Deus todo Bendoso e Poderoso nos abençoe. – FIM.

domingo, fevereiro 25, 2007

«Não sou candidato de oposição à Fretilin»

Diário Digital / Lusa 24-02-2007 17:42:00

O primeiro-ministro timorense José Ramos Horta afirmou hoje à agência Lusa que a sua candidatura às eleições presidenciais não é contra a Fretilin.


«Não sou candidato de oposição à Fretilin», afirmou o primeiro-ministro à Lusa na sua primeira entrevista enquanto candidato à presidência.

Ramos Horta lança oficialmente domingo a sua candidatura em Laga, uma aldeia dos arredores de Baucau onde cresceu e viveu entre os 11 e os 17 anos de idade.

Outra das razões porque decidiu apresentar a sua candidatura em Laga prende-se com o facto de ser uma das regiões mais pobres do país.

«É uma candidatura de milhares de timorenses que vêm de muitos partidos, incluindo da Fretilin. Não faço oposição a Fretilin, nunca o fiz e nunca o irei fazer», adiantou.

«Estas eleições deste ano são mais personalizadas porque a comunidade internacional assim como o povo timorense estão muito mais elucidados sobre quem é quem».

O povo, segundo Ramos Horta, são pessoas sabem «que, afinal, o país avança ou recua conforme a qualidade de lideres que tem».

Ramos Horta disse que em 2001 nas eleições para a constituinte, ganhas pela Fretilin, «os timorenses votaram em partidos, em bandeiras e não em caras». Agora, concluiu, «já estão atentos e vão escrutinar um por um os nomes das listas de cada partido».

José Ramos Horta considera-se um candidato livre e independente nas eleições presidenciais. «Felizmente não devo grandes favores a nenhum partido politico. Não estou comprometido com ninguém, apenas com este povo».

Em entrevista à Lusa, o primeiro-ministro timorense disse ainda que decidiu candidatar-se quando regressou de Nova Iorque há uma semana.

«Quando cheguei a Dili fui informado que uma comissão informal já tinha recolhido alguns milhares de assinaturas, sem a minha luz verde».

José Ramos Horta referiu a titulo de exemplo que «só em Baucau num dia recolheram mil assinaturas quando bastavam 100».

O primeiro-ministro sublinha que é um candidato reticente às eleições de 9 de Abril e «não é por recear a campanha e o possível desfecho negativo, pelo contrário».

Diz Ramos Horta: «Devo ser o único líder do mundo em campanha eleitoral desejando vir a ser rejeitado».

José Ramos Horta explica que, no caso de não ser eleito, ficará «de consciência tranquila» uma vez que a sua candidatura «é em primeiro lugar uma questão de consciência». E afirma: «Se eu não me candidatasse seria severamente criticado por muitos timorenses e amigos internacionais na indonésia, na comissão europeia, em Washington, no conselho de segurança e na Austrália».

Frisando que tem vários apoios internacionais José Ramos Horta considera que os dois governos constitucionais de Timor-Leste «beneficiaram de apoios através dos seus contactos pessoais».
Em relação as condições de segurança para a campanha eleitoral, Ramos Horta confirmou à Lusa que a existência de um acordo entre o procurador-geral da República, Longuinhos Monteiro, e o major Alfredo Reinado.

«Não sou candidato de oposição à Fretilin»

Diário Digital / Lusa 24-02-2007 17:42:00

O primeiro-ministro timorense José Ramos Horta afirmou hoje à agência Lusa que a sua candidatura às eleições presidenciais não é contra a Fretilin.


«Não sou candidato de oposição à Fretilin», afirmou o primeiro-ministro à Lusa na sua primeira entrevista enquanto candidato à presidência.

Ramos Horta lança oficialmente domingo a sua candidatura em Laga, uma aldeia dos arredores de Baucau onde cresceu e viveu entre os 11 e os 17 anos de idade.

Outra das razões porque decidiu apresentar a sua candidatura em Laga prende-se com o facto de ser uma das regiões mais pobres do país.

«É uma candidatura de milhares de timorenses que vêm de muitos partidos, incluindo da Fretilin. Não faço oposição a Fretilin, nunca o fiz e nunca o irei fazer», adiantou.

«Estas eleições deste ano são mais personalizadas porque a comunidade internacional assim como o povo timorense estão muito mais elucidados sobre quem é quem».

O povo, segundo Ramos Horta, são pessoas sabem «que, afinal, o país avança ou recua conforme a qualidade de lideres que tem».

Ramos Horta disse que em 2001 nas eleições para a constituinte, ganhas pela Fretilin, «os timorenses votaram em partidos, em bandeiras e não em caras». Agora, concluiu, «já estão atentos e vão escrutinar um por um os nomes das listas de cada partido».

José Ramos Horta considera-se um candidato livre e independente nas eleições presidenciais. «Felizmente não devo grandes favores a nenhum partido politico. Não estou comprometido com ninguém, apenas com este povo».

Em entrevista à Lusa, o primeiro-ministro timorense disse ainda que decidiu candidatar-se quando regressou de Nova Iorque há uma semana.

«Quando cheguei a Dili fui informado que uma comissão informal já tinha recolhido alguns milhares de assinaturas, sem a minha luz verde».

José Ramos Horta referiu a titulo de exemplo que «só em Baucau num dia recolheram mil assinaturas quando bastavam 100».

O primeiro-ministro sublinha que é um candidato reticente às eleições de 9 de Abril e «não é por recear a campanha e o possível desfecho negativo, pelo contrário».

Diz Ramos Horta: «Devo ser o único líder do mundo em campanha eleitoral desejando vir a ser rejeitado».

José Ramos Horta explica que, no caso de não ser eleito, ficará «de consciência tranquila» uma vez que a sua candidatura «é em primeiro lugar uma questão de consciência». E afirma: «Se eu não me candidatasse seria severamente criticado por muitos timorenses e amigos internacionais na indonésia, na comissão europeia, em Washington, no conselho de segurança e na Austrália».

Frisando que tem vários apoios internacionais José Ramos Horta considera que os dois governos constitucionais de Timor-Leste «beneficiaram de apoios através dos seus contactos pessoais».
Em relação as condições de segurança para a campanha eleitoral, Ramos Horta confirmou à Lusa que a existência de um acordo entre o procurador-geral da República, Longuinhos Monteiro, e o major Alfredo Reinado.

A SORTE SORRI AOS AUDAZES?

http://bloguitica.blogspot.com/
Paulo Gorjão

24.2.07

[328] -- «As declarações de Ramos-Horta, ontem em Singapura, dizendo que conta com o apoio de Xanana parecem confirmar a ideia, que circula há algum tempo, de que o ainda Presidente se prepara para enfrentar os seus hoje arqui-inimigos da FRETILIN em dois tabuleiros -- o presidencial, através de Horta; e o parlamentar, através de um novo partido, que daria pelo curioso nome de CNRT e que ele próprio encabeçaria.
A escassas semanas do arranque eleitoral, estas notícias afiguraram-se positivas.

«Perigosa luta de galos», Adelino Gomes (PÚBLICO, 23.2.2007: 20).

Começo com duas notas laterais. A primeira para salientar que Ramos-Horta também fez questão de salientar que conta com o apoio importantíssimo dos dois bispos timorenses e, logo, da poderosa Igreja Católica timorense. A segunda para realçar, caso se confirme, a jogada de mestre de Xanana Gusmão que seria ir repescar a sigla CNRT, carregada de simbolismo político e histórico.

Sobre o essencial, ao contrário de Adelino Gomes, se o percebi correctamente, tenho sérias dúvidas de que a potencial entrada em cena de Xanana Gusmão no tabuleiro parlamentar seja uma boa notícia. É verdade que nada se faz sem audácia. Se Xanana Gusmão não se empenhar no combate parlamentar, em circunstâncias normais, a vitória da FRETILIN é garantida. Independentemente de quem seja o vencedor da contenda -- Xanana Gusmão ou a FRETILIN -- o que me preocupa é o day after. Numa disputa entre Xanana Gusmão e a FRETILIN é impossível não haver um derrotado claro e inequívoco. (Um derrotado político com peso sociológico, note-se.) Tendo em conta, como nota e bem Adelino Gomes, que estamos a falar de arqui-inimigos, os riscos de descontrolo político e militar parecem-me evidentes. Tenho sérias dúvidas que a FRETILIN -- ou que sectores da FRETILIN, pelo menos -- aceite pacificamente uma derrota contra Xanana Gusmão. E tenho sérias dúvidas, igualmente, que Xanana Gusmão consiga controlar todos os seus apoiantes em caso de derrota.

Sejamos claros. Pessoalmente tenho tendência para ver um copo meio-vazio onde outros tenderão a ver um copo meio-cheio. Dito isto, vejo com muito receio uma disputa parlamentar/legislativa entre Xanana Gusmão e a FRETILIN. Pior. Admito que nesta fase possa ser alarmista, mas como hipótese de trabalho numa contenda Xanana Gusmão/FRETILIN não afastaria do horizonte político um eventual cenário de golpe de Estado ou de guerra civil.

Espero -- espero mesmo -- estar profundamente enganado.

Versões desencontradas sobre tiroteio

Público, 24.02.2007
Um morto e dois feridos graves no aeroporto de Díli

Soldados australianos das forças de estabilização internacional (ISF) mataram um civil timorense e feriram gravemente dois, no campo de deslocados do aeroporto de Díli, onde vivem cerca de oito mil pessoas em condições precárias. O incidente ocorreu durante a manhã de ontem (início da madrugada em Portugal) quando um soldado "respondeu disparando" a um ataque "com lanças metálicas, que são potencialmente armas letais", disse o departamento australiano da defesa. Deslocados ouvidos no local pela agência lusa contestam esta versão e acusam a tropa australiana de ter disparado, "fazendo pontaria de joelhos no chão", contra elementos civis que se haviam limitado a responder com pedras a perseguições e agressões dos soldados, que forçaram a entrada no campo com dois veículos. O governo de Camberra, que mantém 800 soldados em Díli, tem vindo a avisar os australianos de que constitui um risco viajarem para Timor-Leste. o incidente mortal ocorreu poucas horas depois de o actual primeiro-ministro, José Ramos-Horta, ter anunciado, numa entrevista à cadeia árabe Al-Jazira, que decidiu candidatar-se às eleições presidenciais, marcadas para o próximo dia 9 de Abril.

Ramos-Horta lança candidatura à presidência

O primeiro-ministro timorense, José Ramos-Horta, lançou hoje a sua candidatura presidencial em Laga, 150 quilómetros a leste de Díli, num comício com a presença de Cornélio Gama, o comandante «L7».
O veterano comandante «L7» e os militantes do seu partido, o UNDERTIM (Unidade Nacional Democrática da Resistência Timorense), receberam a comitiva de José Ramos- Horta na aldeia de Laga, entre bandeiras e cartazes alusivos à resistência contra a ocupação indonésia (1975-1999).


«Hoje, aqui, nesta terra de Laga, digo a todo o povo de Timor-Leste a minha candidatura a Presidente da República», anunciou o primeiro-ministro perante algumas centenas de pessoas.

A candidatura de José Ramos-Horta às eleições presidenciais de 09 de Abril foi revelada na quinta-feira, numa entrevista ao canal internacional da cadeia árabe Al Jazeera.

Falando de improviso no seu primeiro discurso como candidato à Presidência, José Ramos-Horta sublinhou em Laga que o seu programa privilegia a luta contra a pobreza.

Foi essa uma das razões para que a campanha fosse anunciada nesta aldeia, numa das regiões mais pobres do país, segundo explicou o primeiro-ministro à Lusa numa entrevista concedida sábado à noite em Baucau.

José Ramos-Horta viveu em Laga entre os 11 e os 17 anos.

«Justiça não é apenas a que se processa através dos tribunais», referiu o primeiro-ministro depois da intervenção de «L7» e de um momento de oração.

«Justiça é também e sobretudo o combate às enormes diferenças sociais», acrescentou José Ramos-Horta.

O anúncio da candidatura do primeiro-ministro ocorre cinco dias depois de a Fretilin, o partido maioritário, ter anunciado a candidatura do presidente do Parlamento, Francisco Guterres «Lu-Olo».

São também candidatos às presidenciais de 09 de Abril o deputado Manuel Tilman, pelo partido Kota, a jurista Lúcia Lobato, pelo PSD, Francisco Xavier do Amaral, da ASDT, e Avelino Coelho, do PST.

«Há muitos candidatos. Cada candidato é bom», explicou José Ramos-Horta no comício de Laga.

«O povo saberá escolher», acrescentou.

Diário Digital / Lusa

Dos leitores

Comentário sobre a sua postagem "Dos leitores":

This is an outstanding comment and its most important part is:

"But what Mr Downer meant to say was: "This boy is a white digger. The other fellow was a half baked savage. He probably desreved it. " As if to say, the right to bear arms and defend yourself, is exclusively that of the powerful and developed. Not the weak and under developed."

Who asked the australian troops to respond to a disturbance? What kind of disturbance? Isn't that a Police business instead?

"To fire on someone in self-defence is within the rules of engagement," Mr Downer said.

YES, to fire on someone.
NOT to kill someone.

There's a big difference in between and a soldier should know it.

"The incident is being investigated"? Yes, just like previous incidents: the australian flag raised on a public building; some police officers swearing at female drivers or paying some kids to damage somebody else's cars; troops forcing two police senior officers to undress on the street; armoured cars in the sea, damaging the coral reef; Gen. Taur Matan Ruak being detained by ADF troops...

It looks like the australian troops have decided to create an incident to justify the warnings issued by australian authorities in the last couple of days.

The ADF can only shoot against innocent people, not against gangsters like Reinado!

Mr. Howard, your hands are tainted with blood!

Prime minister Ramos Horta: please show the people who's in charge. Otherwise, you're no good to become the President of Timor-Leste!

President Xanana: how come you've written 4 long articles for a newspaper about Fretilin and its "foti liman" issue, whilst not a single word of regret or sorrow is getting out of your mouth, regarding the deceased Jacinto Soares and his poor pregnant widow?

Timorese Government and UN move to alleviate rice shortages

UNMIT

23 February, 2007; Dili—Following a shortage of rice and price increases in the commodity, the Timorese Government with the assistance of the United Nations will organize a large-scale delivery of the nation’s major food staple in Dili today.

“In order to alleviate this situation, the Government has requested the World Food Program to provide 300 metric tones of rice and WFP has responded positively to this request,” said the UN’s head of humanitarian assistance Finn Reske-Nielsen.

Efforts to release the consignment of rice to the markets begin today with deliveries to four locations in Dili’s sub districts. The deliveries will account for 30 tones for each population of 8,000 people. Deliveries will be repeated tomorrow. By Monday, it is expected that 30 shops organized by the Chefs de Sucos will receive two to two and half tones of rice to be resold at the normal price of US$2 per five kilo bag.

Mr Reske-Nielsen said that the shortage which started a few weeks ago in the western district of Oecussi had since spread to the rest of the nation becoming a grave concern.

“As the supply of rice continues to decline, the prices have been going up on an average rising from about 35 cents per kilo to, in some cases, more than one dollar per kilo,” he said.

“Our UN colleagues in the World Food Program have analyzed the situation and they have concluded that the main reason for the rice shortage in fact is not limited to Timor-Leste,” Reske-Nielsen said. “We have a similar situation in Indonesia as well and the main reason for the shortage is there is generally a shortage of rice in the sub region and it has in part to do with the late harvest in Vietnam.”

Mr Reske-Nielsen said, in the past two weeks, he had visited the nation’s 13 Districts. “It is clear that the late and much smaller rainfall has affected large parts of the country, he said.”

He said the government has requested the Food and Agriculture Organization (FAO) and the WFP to jointly undertake a crop assessment which is expected to begin in early March.

Mr Reske-Nielsen said the Government is taking an additional measure of trying to expedite further rice shipments from abroad to bring the problem under control.

Statement from UNMIT on incident at the Airport IDP Camp

23rd February, 2007 - UNPol is investigating this morning’s incident in which a Timorese national was fatally injured, and two others were injured, at an internally displaced persons’ camp near the Dili airport.

UNPol advises the area is secure after officers from the Malaysian, Pakistani and Portuguese Formed Police Units were immediately deployed to the area.

According to a public statement released this morning by the International Security Forces, the ISF responded to a disturbance at the Airport IDP camp and during that incident an ISF soldier was attacked and defended himself by shooting the attacker, resulting in the death of one Timorese national.

The ISF also stated it will fully cooperate with the UNPol authorities in investigating the incident. It will also conduct and internal investigation.

The Special Representative of the Secretary General Atul Khare has moved to reassure the people of Dili that the security situation at the IDP camp is under control. He thanked the people of Timor Leste for having maintained peace in Dili over the past 36 hours.

SRSG Khare urged people to remain calm and to cooperate with UNPol and PNTL officers and ISF soldiers who are working to provide security across Dili.

"Não houve fogo indiscriminado", diz ISF

Díli, 23 Fev (Lusa) - O comandante das Forças de Estabilização Internacionais (ISF) em Timor-Leste afirmou hoje que "não houve fogo indiscriminado" no campo de deslocados do aeroporto de Díli, versão contestada pelos refugiados ali instalados.
Hoje, pouco antes das 09:00 locais (zero horas em Lisboa), "as ISF responderam a distúrbios" junto ao aeroporto e abriram fogo sobre civis timorenses, provocando um morto e dois feridos graves.


"Apenas dois soldados dispararam" durante a operação, declarou o brigadeiro Mal Rerden, das Forças de Defesa Australianas e comandante dos efectivos australianos e neozelandeses que integram as ISF. "Isso prova que os nossos soldados mostraram grande contenção", insistiu o comandante das ISF numa conferência de imprensa realizada após uma reunião sobre segurança com o primeiro-ministro, José Ramos-Horta, e oito horas depois do tiroteio no campo de deslocados.

Os deslocados do campo do aeroporto contam uma versão bastante diferente dos acontecimentos e acusam as ISF de terem iniciado os confrontos.

Diferentes residentes do campo repetiram ameaças aos australianos em Timor-Leste.

O civil morto pelas ISF era Jacinto Soares, um estudante da Universidade de Timor-Leste, oriundo de suco Laruca, subdistrito de Ossú, distrito de Viqueque, disseram à Lusa coordenadores do campo de deslocados e familiares da vítima.

Jacinto era casado. A viúva, a residir numa aldeia de Ossú "porque está grávida", foi informada durante a manhã de hoje da morte do marido, através de um telefonema feito por um dos irmãos de Jacinto, "soldado das F-FDTL", as Falintil-Forças de Defesa de Timor-Leste, de acordo com os testemunhos recolhidos pela Lusa.

"Os australianos arrastaram o corpo do Jacinto para fora do campo", contou um ex-coordenador do campo, José Gusmão, porta-voz dos cerca de 8 000 deslocados que vivem em três instalações na periferia do aeroporto internacional de Díli.

O brigadeiro Rerden, na versão oficial repetida pela missão das Nações Unidas (UNMIT), declarou que os seus soldados intervieram para sanar um distúrbio à ordem pública e foram atacados com lanças metálicas.

"Lanças e catanas são potencialmente armas letais", sublinhou o brigadeiro, "e já vimos muitos timorenses serem mortos com estas armas". "As ISF responderam a um incidente em que pessoas estavam a apedrejar carros na estrada" do aeroporto, acrescentou o brigadeiro, que falou com tradução simultânea em tétum feita por um soldado australiano. "Os soldados das ISF operam segundo regras muito rigorosas", sublinhou Mal Rerden, explicando que "essas regras permitem aos soldados das ISF defenderem-se a eles e a outras pessoas que estiverem sob sua protecção".

Dentro do campo, depois do incidente, vários deslocados contaram à Lusa que o apedrejamento começou em resposta à perseguição e agressão, dentro dos portões do campo, de um jovem que "estava à espera de transporte" na rotunda do aeroporto, onde se situa uma das entradas do centro de refugiados.

"Houve quatro soldados australianos que o chamaram", segundo um deslocado ouvido pela Lusa. "Ele começou a correr para dentro do campo e os soldados vieram atrás dele, apanharam-no, deitaram-no ao chão e deram-lhe coronhadas". "Foi por causa disto que as pessoas do campo começaram a atirar pedras aos australianos", contou a mesma testemunha.

A situação, ainda segundo o mesmo relato, piorou rapidamente "com lançamento de gás lacrimogéneo e, depois, de vários tiros". "Os ISF dispararam contra os civis fazendo pontaria de joelho no chão", disseram vários deslocados.

Segundo estas fontes, dois veículos blindados de transporte de tropas forçaram o portão sul e entraram no campo, tendo o corpo de Jacinto Soares sido inicialmente colocado num destes blindados das ISF.

Juntamente com o cadáver foi levada uma outra vítima, com "o peito furado por uma bala", em estado tão crítico que José Gusmão pensou que "havia dois mortos".

O ferido mais grave foi levado para o hospital central e sujeito a uma intervenção cirúrgica de emergência.

A calma regressou ao campo depois de a situação ter sido controlada pela UNPol e pelas unidades policiais autónomas, incluindo soldados do subagrupamento Bravo da Guarda Nacional Republicana portuguesa.

O aeroporto internacional, que foi fechado ao início da manhã pelas ISF e para onde fugiram muitas mulheres e crianças, foi reaberto ao tráfego normal - os dois únicos voos comerciais diários.

Junto ao arame farpado, no local onde caiu Jacinto Soares, os deslocados acenderam velas e montaram uma tenda "para a chuva não levar o sangue".

"O Jacinto não fez nada. Estava a cavar uma vala para desviar a água da chuva quando os australianos atacaram", acusam os coordenadores do campo. "As ISF continuarão a responder a situações ilegais como o apedrejamento de carros", afirmou o brigadeiro Rerden no encontro com a imprensa. "Os dois soldados que dispararam, depois de terem sido questionados, vão voltar aos seus deveres normais", informou ainda o comandante das ISF.

PRM Lusa/Fim

Portugal disponível para aumentar contingente GNR - MAI

Ministro da Administração Interna, António Costa, sobre reforço do contingente português em Timor-Leste.

Lisboa, 23 Fev (LusaTV) - Portugal está disponível para reforçar o contingente da Guarda Nacional Republicana (GNR) estacionado em Timor-Leste, dependendo a decisão da integração das forças portuguesas na missão das Nações Unidas, disse hoje o ministro da Administração Interna.

à margem de uma visita às instalações do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), António Costa explicou que Portugal tem disponibilidade para aumentar o contingente "com um a dois pelotões", mas sublinhou que é necessário que as Nações Unidas regulem "um conjunto de questões".

"É necessário que as Nações Unidas finalmente assinem com Portugal o acordo para a integração das nossas forças na missão das Nações Unidas que tem estado a acontecer sem que esse acordo esteja assinado e, por outro lado, é necessário que as condições materiais que nós estabelecemos como necessárias possam também ser garantidas para que essa missão se possa concretizar", adiantou António Costa aos jornalistas.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas decidiu, quinta-feira, prorrogar por mais um ano o mandato da Missão Integrada em Timor-Leste (UNMIT) e reforçar em 140 efectivos o contingente policial estacionado naquele país.

A extensão do mandato e o reforço dos efectivos policiais foi justificada com a realização de eleições presidenciais, marcadas para o próximo dia 09 de Abril e ainda pela situação de segurança, considerada como "frágil e volátil".

Perante esta decisão, o ministro da Administração Interna afirmou que há disponibilidade, mas que aguarda que as Nações Unidas cumpram a sua parte, sublinhando, inclusivamente, que o sucesso da missão não está dependente da participação de reforço português.

SV/EL-LusaTV/Fim

***

Portugal disponível para reforçar missão com um ou dois pelotões-MAI

Lisboa, 23 Fev (Lusa) - Portugal está disponível para reforçar com um ou dois pelotões o actual contingente em missão em Timor-Leste, desde que as Nações Unidas resolvam as "questões técnicas e de fundo" que faltam, anunciou hoje o ministro da Administração Interna.
António Costa falava aos jornalistas à margem de uma visita às instalações do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), para ver as novas funcionalidade do sistema de atendimento.

Questionado pelos jornalistas sobre o futuro da GNR em Timor, o ministro afirmou que Portugal já se disponibilizou para "a possibilidade de reforçar de um a dois pelotões a companhia em missão em Timor-Leste".

Contudo, António Costa salientou ser necessário regular uma série de questões com as Nações Unidas, para saber se é possível concretizar esta medida.

"Primeiro, é necessário que as Nações Unidas assinem com Portugal o acordo de integração das nossas forças na missão das Nações Unidas, que tem estado a decorrer sem acordo. Depois é preciso que as condições materiais necessárias possam ser garantidas para que a missão se concretize", afirmou, acrescentando: "aguardamos que as Nações Unidas cumpram a sua parte".

O ministro da Administração Interna afirmou que o actual contingente que está em missão em Timor vai cumpri-la até Junho, mas sublinhou que para reforçar o contingente, é fundamental que "as Nações Unidas também completem todos os arranjos administrativos que pressupõem".

A missão de Portugal em Timor implica "aumento de pessoal, reforço de equipamento e maior despesa", sustentou.

Segundo o responsável, sem o acordo das Nações Unidas, tem sido Portugal e o Estado de Timor-Leste a pagar a factura.

"É necessário que as Nações Unidas concretizem rapidamente a sua parte do acordo", porque "Portugal e Timor têm cumprido", afirmou. "Uma coisa é estarmos disponíveis, outra é haver acordo para o envio dessas forças", concluiu o ministro.

AL-Lusa/Fim

Perigosa luta de galos

Público, 23/02/07
Comentário por: Adelino Gomes

Muitos esperavam o regresso de um clima de paz e segurança a Dili, depois da demissão de Mari Alkatiri. Estas previsões revelaram-se optimistas. Sete meses depois da tomada de posse do seu sucessor, José Ramos-Horta, actos de violência continuam a agitar a capital timorense.

Mais do que indignação, os comentários de Atul Khare, chefe da UNMIT, ontem em Dili, dão a medida da frustração que invade neste momento boa parte dos que olharam com esperança e orgulho para as realizações do povo timorense.

Atul Khare recordou, com justeza, que “em países que vivem situações de pós-conflito, as causas dos problemas são sempre complexas. Não há uma causa apenas”. Além da violência, obviamente manipulada, dos grupos de artes marciais, ele admite que a escassez de arroz das últimas semanas desempenhe também um “papel importante” em mais este pico de tensão.

Mas ontem, o representante do secretário-geral da ONU falou ainda em “moralidade, educação cívica e boa liderança política”. Parece claro que as suas palavras visam, ainda que indirectamente, a liderança timorense. E não apenas a política. Atul Khare terá querido dizer que há responsabilidades a partilhar pelos representantes eleitos (Presidência, Governo, Parlamento), bispos e padres.

As declarações de Ramos-Horta, ontem em Singapura, dizendo que conta com o apoio de Xanana parecem confirmar a ideia, que circula há algum tempo, de que o ainda Presidente se prepara para enfrentar os seus hoje arqui-inimigos da Fretilin em dois tabuleiros – o presidencial, através de Horta; e o parlamentar, através de um novo partido, que daria pelo curioso nome de CNRT e que ele próprio encabeçaria.

A escassas semanas do arranque eleitoral, estas notícias afiguram-se positivas. O pano de fundo de violência e insegurança em que elas surgem impõe, contudo, que se pergunte se os heróis do passado ainda acreditam na democracia.

É que o jogo de sombras representado em Dili parece-se, demasiadas vezes, como uma mera e perigosa luta de galos pelo poleiro. Incompatível quer com a democracia representativa que prometeram, quer com o sangue derramado por milhares e milhares de timorenses pela independência e dignidade.

Comunicados - PM

GABINETE DO PRIMEIRO-MINISTRO

Dili, 23 de Fevereiro de 2007

COMUNICADO AOS ÓRGÃOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL

“Um trabalho corajoso na busca de verdade e Justiça”

COMISSÃO DE NOTÁVEIS ENTREGOU
RELATÓRIO AO GOVERNO


A Comissão de Notáveis criada em Abril de 2006 para averiguar os acontecimentos relativos ao caso dos peticionários apresentou o seu relatório final ao Governo na passada 5ªfeira.

O relatório de 77 páginas foi formalmente entregue ao Primeiro-Ministro Dr. José Ramos-Horta no Palácio do Governo pela presidente da Comissão, Drª Ana Pessoa, acompanhada por uma delegação integrada pelo respectivo porta-voz Rev. Pe. António Gonçalves e os membros da comissão Francisco Miranda Branco, Pedro Mártires e Sebastião Dias Ximenes.

O Primeiro-Ministro, Dr. José Ramos-Horta, elogiou o trabalho da comissão, sublinhando o sua “corajosa busca da verdade e da justiça”. O Dr. José Ramos-Horta reservou os comentários sobre o conteúdo do relatório para um momento posterior.

“O relatório será enviado ao Parlamento Nacional, ao Presidente da República, ao Tribunal Superior, aos dois bispos de Timor-Leste, bem como ao Conselho de Ministros. Nas próximas semanas, o Governo fará algumas recomendações após se inteirar completamente das ideias e opiniões (nele) constantes”, declarou o Primeiro-Ministro.

O porta-voz da Comissão, Pe. António Gonçalves, disse que o relatório será oficialmente entregue também à Missão das Nações Unidas em Timor-Leste.

“A comissão não é um órgão judiciário”, sublinhou o porta-voz. “O seu principal trabalho foi fazer uma averiguação das queixas relativas a discriminação para com os peticionários. As nossas conclusões não culpam especialmente as F-FDTL ou os peticionários, o que quer dizer que houve erros mas também medidas certas de ambas as partes”, acrescentou o reverendo.

O porta-voz explicou que o relatório tem 77 páginas, mas contém anexas todas as respostas obtidas aos questionários da comissão bem como outra documentação recolhida nas F-FDTL e noutras origens. A documentação total apensa preenche umas 15 pastas de arquivo.

O Pe. António Gonçalves revelou que a comissão reuniu-se em plenário 10 vezes, embora inicialmente estivesse prevista a realização de reuniões semanais. A crise que se desenrolou já durante o seu mandato impediu a concretização da programação inicial.

***

GABINETE DO PRIMEIRO-MINISTRO

Díli, 23 de Fevereiro de 2007

Informação à comunicação social

Primeiro-Ministro AGRADECE disponibilidade alemã

“Nakroma” melhora comunicação
Entre diferentes partes do país

O Primeiro-Ministro Dr. José Ramos Horta recebeu simbolicamente 5ªfeira, das mãos do embaixador da República Federal da Alemanha, Paul Freiherr Von Matlzahn, o novo navio Nakroma que irá facilitar a ligação entre Díli, Oe-cusse e Ataúro.

A cerimónia decorreu no cais da Alfândega, em Díli, na presença de muitas dezenas de convidados, destacando-se entre eles o Representante Especial do Secretário-Geral das Nações Unidas, senhor Atul Khare, o presidente do Parlamento Nacional Francisco Guterres “Lu’Olo”, o presidente do Tribunal de Recurso Cláudio Ximenes, vários membros do Governo e do Corpo Diplomático acreditado em Díli, além do antigo Primeiro-Ministro Dr. Mari Alkatiri.

O Dr. José Ramos-Horta recordou a resposta pronta da Ministra alemã do Desenvolvimento quando há anos, sendo então Ministro dos Negócios Estrangeiros, lhe colocou pela primeira vez a necessidade sentida em Timor-Leste de dispor de um novo navio para melhorar a comunicação entre as parcelas do território nacional e reduzir o isolamento do enclave de Oe-cusse.

“Estávamos numa reunião de trabalho, em Berlim, quando decidi pedir-lhe a ajuda alemã para esta questão. O assunto não estava sequer na agenda da reunião”, recordou o Dr. José Ramos-Horta.

“A sra. Ministra do Desenvolvimento ficou surpreendida, primeiro, e disse que veria se era possível a sua intervenção. À saída, ainda me encontrava dentro do edifício, voltaram a chamar-me à sala. Estava assente: a sra. Ministra ia incluir este projecto na ajuda ao nosso país”, lembrou.

“Cinco minutos tinham bastado para uma decisão. Agradeci então e agradeço agora, a generosidade revelada pelo governo da Alemanha no apoio ao Desenvolvimento de Timor-Leste”, disse.

“A Alemanha e Timor-Leste têm uma relação especial e estatísticas recentes mostram o aumento significativo das trocas comerciais, especialmente devido à importação alemã do nosso café. Eu desejo que esta relação continue a fortalecer-se.”, afirmou.

O Primeiro-Ministro sublinhou também o bom momento das relações entre Timor-Leste e a Indonésia, evidenciado em vários projectos, entre os quais a construção do Nakroma, por um estaleiro de Surabaya.

“Em poucas semanas, assinámos com uma empresa indonésia o contrato para construção da rede nacional de emissores de TV e rádio de Timor-Leste e, num concurso internacional, o governo português seleccionou a mesma empresa para adjudicar a parte da construção dos emissores que é financiada por Portugal”, recordou o Dr. José Ramos-Horta.

“Agora, com financiamento alemão, é uma outra empresa indonésia que nos entrega o recém construído Nakroma”, acentuou.

O embaixador Paul Freiherr Von Matlzahn afirmou o compromisso do governo de Berlim com a ajuda ao desenvolvimento do nosso país, para além da resposta directa “à necessidade da população de Oe-cusse e de Ataúro”.

“Faço votos de que este navio traga prosperidade e desenvolvimento económico ao povo timorense”, declarou.

O presidente da construtora PT.PAL Indonésia, senhor Sudaryanto, agradeceu ao governo de Timor-Leste a confiança depositada na empresa, manifestando votos de que no futuro a boa relação de cooperação possa continuar, noutras áreas.

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

- Interrupção até Domingo -

Peacekeeper kills E Timor refugee

BBC
Friday, 23 February 2007

An Australian peacekeeper has shot dead an East Timorese civilian during a clash near the capital, Dili.
The soldier was reportedly defending himself, after being attacked with steel arrows at a refugee camp.


There has been a recent resurgence of street violence in East Timor, and more unrest is feared in the run-up to presidential elections in April.

Canberra has 800 troops in the country, part of an international force brought in after factional fighting last year.

Election fears

The clash happened on Friday morning at a camp near Dili's Comoro airport.

"During the incident, an ADF (Australian Defence Force) soldier was attacked with steel arrows, which are potentially lethal weapons," the Australian military said in a statement.

"He defended himself by shooting the attacker, resulting in the death of one Timorese national."

The ADF said it regretted any incident involving the loss of life, and added that the shooting was being investigated.

However a refugee spokesman said the violence happened when Australian soldiers tried to arrest people guarding a camp.

"They resisted by throwing rocks at the Australian soldiers, who responded with shots and came inside the camp using an armoured vehicle," Jose da Costa told Reuters news agency.

Australia has recently warned of the possibility of increased violence in the run-up to presidential elections in April.

In a statement, it said that areas around the airport and camps for internally displaced people could be particularly dangerous.

The presidential poll will be East Timor's first since it achieved independence in 2002, after 24 years of often brutal rule from Jakarta.

Gang violence

The country was blighted by serious street violence last year, sparked by the sacking of 600 soldiers in March.

This led to ethnic and gang violence which left at least 21 people dead, and caused tens of thousands of people to flee from their homes.

Mari Alkatiri resigned from his post as prime minister due to the turmoil, and was replaced by Jose Ramos-Horta.

The unrest prompted a call by East Timor's government for international peacekeepers, led by Australia, to help restore order.

On Thursday the UN Security Council voted to keep the UN Integrated Mission in East Timor (UNMIT) peacekeepers in the country for another 12 months.

The 15-nation council also approved the addition of another 140 police to the force, ahead of the presidential poll.

Oposição une-se contra a Fretilin

Diário de Notícias, 23/02/07
Por: Armando Rafael

Os três principais partidos da oposição timorense anunciaram ontem terem chegado a acordo para a formação de uma coligação governamental depois das eleições legislativas que deverão ocorrer até ao início de Julho.

A revelação foi feita pela Lusa que invoca um acordo assinado, em Díli, pelos líderes do Partido Democrático (PD), Fernando Lassama Araújo, do Partido Social-Democrata (PSD), Mário Carrascalão, e da Associação Social-Democrática Timorense (ASDT), Francisco Xavier do Amaral.

Nas eleições realizadas em 2001, PD (com 8,7%), PSD (8,2%) e ASDT (7,8%) totalizaram 24,7% dos votos, contra os 57,4% alcançados pela Fretilin, liderada por Mari Alkatiri.

Com esta iniciativa, os três partidos prometeram envidar todos os esforços para retirarem a maioria absoluta à Fretilin, comprometendo-se, desde já, a oferecer uma alternativa governativa ao povo timorense.

Sendo certo que os três partidos vão concorrer separadamente a umas eleições que só deverão ser convocadas por Xanana Gusmão na sequência das presidenciais que estão marcadas para 9 de Abril.

De acordo com o documento que ontem foi assinado pelos presidentes dos três partidos que estão envolvidos nesta plataforma, o objectivo do PD, PSD e ASDT passa por "retirar o máximo proveito das capacidades intelectuais dos quadros e dos militantes" daquelas formações, tendo em conta que a realidade timorense "não está a corresponder ao sonhos de um país moderno, solidário, próspero, justo e democrático".

Resta saber o que irá suceder até às legislativas, tendo em conta que os três partidos apoiam candidatos distintos nas presidenciais: o PSD lançou Lúcia Lobato; a ASDT optou por Francisco Xavier do Amaral; e o PD poderá vir a apoiar a candidatura do primeiro-ministro José Ramos-Horta.

Mas tudo poderá ser diferente, caso Xanana Gusmão avance, entretanto, com o seu próprio partido, iniciativa que, segundo o Sydney Herald Tribune, poderá vir a adoptar a sigla CNRT, recordando o Conselho Nacional da Resistência Timorense que, em 1999, reuniu todos os partidos timorenses numa única plataforma em defesa do referendo que conduziu Timor-Leste à independência três anos depois.

Aussies warned of Timor reprisals

The Australian
Source: AAP
By Sandra O'Malley and Tim Dornin
February 23, 2007

AUSTRALIANS have been warned they could face violent reprisals in Dili after a digger shot and killed an East Timorese youth who was firing steel arrows at troops.
An Australian soldier shot the civilian this morning after troops responded to a disturbance at a refugee camp near Dili airport. Two East Timorese civilians were also injured.


About 800 Australian troops are in East Timor following a request from the East Timorese Government last year for help to restore peace to the tiny nation after weeks of deadly violence.
About 1000 international police are also in East Timor as part of a United Nations mission.

Foreign Minister Alexander Downer said the death was regrettable but the soldier was acting in self defence after the youth attacked him with steel arrows.

The government would not confirm the youth was armed with a bow.

"To fire on someone in self-defence is within the rules of engagement," Mr Downer said.

A refugee spokesman said the violence began after Australian soldiers tried to arrest some displaced people who were guarding a camp.

"They resisted by throwing rocks at the Australian soldiers, who responded with shots and came inside the camp using an armoured vehicle. They dragged out those who were wounded and dead," Jose da Costa said.

The incident is being investigated by UN police (UNPol), East Timorese authorities and the Australian Defence Force (ADF).

Mr Downer said the violence at the airport may have been related to anger about food distribution at the refugee camps, which were set up last year for those displaced by the violent riots.

"There has been a considerable upsurge in violence in East Timor," Mr Downer said.

"The security situation is not good ... we have to be prepared for a continuation of violence in the next few days."

Mr Downer revealed there had been at least three recent incidents in which Australian forces had opened fire when under attack.

Any decision on whether to bolster troops would be made following an evaluation by Brigadier Mal Rerden, who is commanding the joint task force.

The UN security council this week expressed "its concern over the still fragile and volatile security, political, social and humanitarian situation in Timor-Leste".

As a result of the renewed violence, Australians are being urged to reconsider their need to travel to East Timor.

The UN spokeswoman said there had been a spike in violent incidents in the past few weeks, including 50 UN vehicles being hit with rocks in the past two days.

Meanwhile the UN security council has voted to keep peacekeepers in East Timor for another 12 months as the nation struggles to overcome the east-west divide and gang violence.

The UN also authorised an additional 140 police to be sent to East Timor ahead of a presidential poll on April 9 and parliamentary elections due to be held by June.

Dos leitores

Comentário sobre a sua postagem "Dos leitores":

All ADF personnel as with AFP have under the agreement with the host government , indemnity from prosecution under Timor-Leste law. To say they will be investigated by UN and Timor-Leste auhtorities is nonsense. They cannot porsecute him anyway. The previous blogger is also right in that self defence needs to raised and proved. It is under Australian criminal law a defence to a charge of homicide, to be proved by the accused or a person under investigation. It is always safer for an incident causing death to be subject of at least a pre-trial hearing like a committal hearing or coroners inquest.

Given the heightened tension between ADF personnel and Easterners it is neccessary for the sake of transparency.

Questions might be relevant to self defence including whether or not orders are being followed from a superior which might assist the soldier from proving his innocence.

Given what I have heard some officers, with rank as high as Colonel say about easterners (such as "Alkatiri's dogs", "rebels", "Taur Matan Ruak's militia" etc) the state of mind at the time the soldier attended at the IDP camp is extremely relevant.

This could bring to the open questions such as those about political bias or other influencing non military operational factors. These factors are well and truly public knowledge here in East Timor and little known by your average Aussie.

There is alot which needs to be sorted thorugh before we can just say "self defence". What were the actions of the soldiers prior to the attack? Was the youth acting in self defence protecting hinself and his family in retaliating against the soldiers or others soldiers threat to his or his families life or person? These are all relevant questions.

But what Mr Downer meant to say was: "This boy is a white digger. The other fellow was a half baked savage. He probably desreved it. " As if to say, the right to bear arms and defend yourself, is exclusively that of the powerful and developed. Not the weak and under developed.

José Ramos-Horta candidato à Presidência

Diário Digital / Lusa
23-02-2007 2:30:00

O primeiro-ministro timorense vai candidatar-se à Presidência da República com o apoio do actual chefe de Estado, Xanana Gusmão, anunciou o próprio José Ramos-Horta em entrevista a uma cadeia de televisão árabe.

«Depois de muita hesitação, decidi candidatar-me à Presidência», declarou José Ramos-Horta à Aljazeera International, o canal em língua inglesa da cadeia de notícias árabe.

José Ramos-Horta explicou na entrevista, difundida globalmente pela Aljazeera quinta-feira à noite (final da manhã, hora de Lisboa), que tomou a decisão depois de consultar o presidente Xanana Gusmão e os bispos de Díli e Baucau.

O primeiro-ministro timorense tomou a decisão com muita relutância e só depois de lhe ter sido manifestado apoio de diferentes sectores.

«Muitas pessoas vieram ter comigo - descalços, analfabetos de todo o país, alguns até começaram a reunir assinaturas para mim sem o meu consentimento«.

An Australian soldier serving in East Timor has shot dead a civilian

ABC Radio Australia
Last Updated 23/02/2007, 17:42:07 Select text size:

Our reporter in Dili, Sean Dorney, says the Australian soldier, who is with the International Stabilisation Force in East Timor, was carrying out an operation at the refugee camp just near the Dili airport this morning.

The spokesman for the International Stabilisation Force, Australian Squadron Leader Ivan Benitez, says the soldiers were attacked and one responded by shooting, which resulted in an East Timorese man being killed.

Squadron Leader Benitez says the rules of engagement allow soldiers to defend themselves.

He says the International Stabilisation Force will conduct an internal investigation and fully cooperate with United Nations police investigating the incident.

The United Nations police have arrested more than 140 East Timorese in the past few days.

There have been numerous stone-throwing attacks on Dili's main roads, with the principal targets appearing to be United Nations vehicles.

Peacekeeping mission extended

Meanwhile, the United Nations Security Council has voted to keep peacekeepers in East Timor for another 12 months, following a recent upsurge in gang violence.

An outbreak of violence in May last year - sparked by former prime minister Mari Alkatiri's decision to sack soldiers - prompted East Timor to seek the deployment of Australian-led foreign peacekeepers and UN police.

Further unrest in recent months has led the 15-member council to vote unanimously to extend the mission of more than 1,000 police until February next year.

The extension had been supported by UN Secretary General, Ban Ki-Moon and East Timor's current prime minister, Jose Ramos-Horta.

Dr Ramos-Horta had pleaded with the UN on February 12 to extend the mission and deploy more police, preferably Portuguese.

The Security Council has authorised an extra 140 police for East Timor, ahead of the presidential elections in April, and parliamentary elections in June.

It says the elections will be a significant step in strengthening democracy.

The UN spokeswoman in Dili, Allison Cooper, says the UN announcement will deliver a sense of confidence to the people.

"Obviously in any post-conflict country, the extension of a UN peacekeeping mandate is some kind of guarantee of increased security in that region," she said.

She says it is hoped Australian and New Zealand Troops working to protect the UN Mission will stay on.

"I can't talk on behalf of what they are doing, but I do believe that they've got no plans to pull out in the immediate future, because they will be providing back up support during the election," she said.

Sobre o mandato das forças militares australianas

O acordo trilateral entre Timor-Leste, a ONU e a Austrália que foi assinado no dia 26 de Janeiro, regula a missão das forças militares australianas em Timor-Leste, referindo que devem agir em coordenação com a UNPO, a pedido do Governo da RDTL, e nomeadamente em situações de conflictos armados.

Sendo assim, o que faziam sem conhecimento da UNPOL no campo de refugiados?

Dos leitores

Comentário sobre a sua postagem "Downer defends deadly Digger":

"To fire on someone in self-defence is within the rules of engagement."

That is very true but, surely, the question here is WHO decides that self-defence is applicable or indeed needed?

I do not know what happened during the incident but it is plainly obvious that both parties need to be heard before conclusions are taken.

This is what happens when you have a military force abroad, acting independently by not submitting to a UN command.

Now what happens? The refugees are obviously revolted with the situation and future problems will have to be dealt by the UN police.

It is ridiculous that while ADFs mission is to assist and protect the UN police, they are actually creating more trouble to their UN partners.

ADF IS NEITHER TRAINED NOR EQUIPPED TO DEAL WITH PUBLIC ORDER MATTERS - is it such a difficult concept to understand?

Downer defends deadly Digger

Article from: AAP
February 23, 2007 04:30pm

AN Australian soldier who shot and killed an East Timorese youth today acted in self-defence, Foreign Minister Alexander Downer said.

Mr Downer said the East Timorese had attacked the soldier with steel arrows.

"So, acting in self-defence, in a life-threatening situation, the soldier shot the East Timorese youth," Mr Downer told reporters in Adelaide.

"To fire on someone in self-defence is within the rules of engagement."

Mr Downer said the government nonetheless regretted the incident but it came following growing violence in East Timor over the past week.

The Department of Defence said the incident in East Timor occurred at 8.50am (8.50am) local time (1050 AEDT) when the International Security Force responded to a disturbance at the Dili Airport Internationally Displaced Persons Camp.

"During the incident an ADF (Australian Defence Force) soldier was attacked with steel arrows which are potentially lethal weapons," the department said in a statement.

"He defended himself by shooting the attacker, resulting in the death of one Timorese national."

The department said the incident would be fully investigated by UN police and East Timorese authorities.

About 800 Australian troops are in East Timor following a request from the East Timorese government last year for help to restore peace to the tiny nation after weeks of deadly violence.

They are in East Timor along with about 1,000 police who are part of a United Nations mission.

UN police have arrested 148 people in the capital in increasing violence in recent days.

"In the past three days, the police have arrested 148 people, all related to the security situation in Dili," UN envoy Atul Khare said yesterday.

Seven international UN police officers were injured yesterday in fresh violence on the streets of Dili.

ENDS.
NOTA:
Porque é que foram os militares australianos "responder" a um distúrbio no campo do aeroporto, que os deslocados?
Os blindados australianos entraram dentro do campo, destruindo o portão para entrarem lá dentro.

Give truth a chance

The Jakarta Post
Editorial
February 23, 2007

The Commission of Truth and Friendship (CTF), set up by Indonesia and Timor Leste, has finally begun to show its face with its inaugural public hearings.

There is apprehension all around as we follow testimonies regarding the violence before and after the 1999 referendum which led to Timor Leste's independence.

There has already been at least one blunt verdict since the first of several planned hearings started Monday: "There will be little transparency and no accountability," wrote blogger James Dunn, a former expert on crimes against humanity for the United Nations.

But there have been other voices, like that of 19-year-old Belinha Alves, who was among the audience listening to the testimony in Sanur, Bali.

Already a witness to much violence despite her young age, she told The Jakarta Post of her high hopes for the CTF process.

"What matters most is a peaceful future. But we also need to know the truth about our past," she said, adding that she trusted the commission would provide the public with this truth. "We will accept the report (of the CTF)," she said.

It is voices from Timor Leste's young generation, like that of Alves, which make us pause and reflect. In simple black-and-white reality, Indonesia was a harsh and often evil colonizer, but with a benevolent face. So much so that many Indonesians were shocked when most Timorese opted for independence. Therefore, those guilty should be punished so we can all start anew.

In the world of Alves and many others, Timorese and Indonesians alike, close relations are shared. This reality, and the obvious need for the young nation to work with Indonesians for its future -- without being blocked by angry, powerful quarters fearing prosecution, led Timor Leste President Xanana Gusmao to make a controversial decision and agree to the joint commission.

Based on the "new and unique approach" to "seek truth and promote friendship", as the CTF's terms of reference state, it was essentially a compromise to the other option of dragging suspected violators of human rights in then East Timor to an international tribunal. Such calls increased in the wake of the acquittal of almost all 18 defendants in Indonesian trials of human rights violations in East Timor.

The formula itself poses a despairing prospect for survivors. Even with the South African Truth and Reconciliation Commission as inspiration, experts from South Africa have cited the deprivation of the right to justice for victims.

Pessimists like Dunn, including many Indonesians, do not even expect that the CTF can come up with a credible report, one which Alves and other Timorese would willingly accept -- let alone come close to the credibility enjoyed by Timor Leste's earlier truth and reconciliation commission.

This then is the most crucial expectation of the CTF, as it is not tasked to prosecute rights abusers. A credible report from the commission is the last chance Indonesia has to show the world it is sincere about revealing the truth about the 1999 violence in East Timor, and not, as cynics would argue, only rushing to achieve friendship, while forgetting the past.

The world has already given us an opportunity to enforce our own laws on human rights, but since the results of the 2002 trials its trust has almost vanished.

Failing to produce a credible report would leave no other option but to bring suspected violators of human rights to an international tribunal.

Achieving justice for all victims will be arduous. But the minimum expectation is that victims will have their stories told.

A credible result of the CTF would thus be at least an account of what happened, according to the nearest possible truth, free from narrow nationalist inclinations and the instinct to protect the esprit de corps of Indonesia and its military.

This is where concerns lie, in whether Indonesians, particularly those in the CTF, have such freedom. Another concern is whether Indonesians themselves are ready for the truth, as they were rarely exposed to other versions of what their supposedly heroic, selfless soldiers were doing in the territory.

As a CTF member and retired Indonesian general has said, a compromise that is part of reconciliation requires sacrifices. On Indonesia's part, as Agus Widjojo has said, this might mean apologizing to the Timorese for mistakes in the past, including apologies from the Indonesian Military.

This is far from a commitment to bring justice to victims, but it is a start.

Correcção:

Segundo outras testemunhas, a tenda onde supostamente foi morto a tiro o timorense no campo do aeroporto, terá sido colocada posteriormente, de forma a proteger o local da chuva.

Essa tenda foi depois transformada numa espécie de santuário onde se encontram velas a arder.


Deslocado morto foi atingido por uma bala dentro da tenda

O timorense do campo de deslocados que morreu encontrava-se dentro de uma tenda (parece um posto de observação e não uma tenda habitada) perto do arame farpado quando foi atingido por uma bala, segundo fotografias e testemunhas no local.

Terá saido da tenda ferido e caminhado alguns metros até ao local onde posteriormente morreu. A tenda onde ele foi atingido encontra-se cheia de sangue.

A equipa do INEM da GNR encontra-se no local a tratar deslocados com ferimentos ligeiros.

Os militares australianos disseram que foram "chamados" ao local, mas não pela UNPOL.

Dos leitores

Comentário sobre a sua postagem "Um dos deslocados atingido encontrava-se dentro da...":

I was at the Dili Airport on the 26th October 2006 to pick up my relative. The airport was closed following clashes around the airport the previous day. While at the airport I met a friend who had been living at the IDP camp. He explained to me that it was difficult for those living at the camp because many of them were unable to travel outside of the camps into Dili to study, work or to buy food etc. because they were being targeted.

They say that they are constantly being surveyed by groups outside of the camp. The IDP camp is located south of the airport. On the day of the attack on the camp, it came from all the directions the southern from the main road, the eastern from the comoro river side and the western from the tasi tolu side.

With the youths from the camp coming under great pressure to sustain the attack on the camp, things where made worse when the Police shot tear gas into the camps. This led to camp residents including women, children and elderly running into the airport and many reacted angrilly stoning the airport.

This is not an isolated incident, the Australian Police within UNPOL have been accused of heavy handed tactics including shooting gas cannisters into other IDP camps where women and children also reside during clashes between IDP'd and attacking groups. I am not suprised that now the ISF may have caused the death of a Timorese youth.

The Australian presence have much more to destabilise Timor than to provide security. More houses were burned down when Australian soldiers were present in the streets of Dili, than during the clashes of May.

Alfredo one of those responsible for the crisis and wanted for murder has been given preferential treatment by the ISF.

Many of the groups involved in the clashes are sponsored by anti-Fretilin individuals or groups but Australian officials like the Australian media seem to focus their attention on undermining F.

It is unbelieveable when most Timorese know about these facts and the Australians are ignorant of it.

I believe that the Australian forces were required but I hope in the interest of Timor they are not taking sides.

Militar australiano ferido?

Corre o boato de que um militar australiano foi atingido por uma seta, o que está a ser negado pelos refugiados do campo do aeroporto.

Na declaração do porta-voz dos militares australianos, no local, não foi referido que houvesse algum militar australiano ferido.

José Ramos-Horta candidato à Presidência depois de consultar Xanana

Díli, 23 Fev (Lusa) À O primeiro-ministro timorense vai candidatar-se à Presidência da República com o apoio do actual chefe de Estado, Xanana Gusmão, anunciou o próprio José Ramos-Horta em entrevista a uma cadeia de televisão árabe.

Atul Khare desloca-se dentro de momentos ao campo do aeroporto

O RESG das Nações Unidas, Atul Khare vai ao campo de refugiados do aeroporto dentro de momentos.

Vários deslocados do campo dirigiram-se ao Palácio das Cinzas e ao Parlamento Nacional para testemunharem o que aconteceu. Afirmam que na altura em que os militares australianos apareceram no campo não se verificava qualquer distúrbio.

Um dos feridos encontra-se em estado grave no Hospital Guido Valadares.

Um dos deslocados atingido encontrava-se dentro da tenda

Segundo uma das testemunhas, uma das vítimas desta manhã, dos disparos dos militares australianos no campo de deslocados, encontrava-se dentro da tenda.

Dois pesos e duas medidas

Onde estão agora os grandes defensores dos direitos humanos, e de todos os que se manifestaram tão prontamente contra o envio das F-FDTL no dia 28 de Abril para manter a segurança no perímetro de Díli, face à ameaça do grupo de peticionários (militares) que se encontrava em Tacitolo, armados e depois de terem incendiado tudo à sua passagem?

O que foram fazer os militares ao campo de deslocados do aeroporto?

Porque é que é um grupo de militares que ocorre a uma "situação" com deslocados e não polícias da UNPOL, ou uma das forças da UNPOL de ordem pública, como a GNR ou uma das FPUs do Bangladesh ou do Paquistão?

Que é feito da comissão de coordenação entre as forças?

A falta de preparação e inadequação de meios que têm os militares para restabelecer situações de ordem pública, já deu maus resultados no passado, quer pela incapacidade de resolver essas situações, quer pela desproporção de meios evidentes contra civis.

E porque não cumprem a missão de "estabilizar" tal como por exemplo, deter os grupos de militares armados, como os peticionários e o grupo de Alfredo Reinado?

ISF reconhece morte de um civil timorense

Dili, 23 Fev (Lusa) - As Forças de Estabilização Internacional (ISF) confirmaram que «um civil timorense» foi morto hoje de manhã (hora local) no campo de deslocados do Aeroporto de Díli.

Dos leitores

Comentário sobre a sua postagem "Sobre a "fome" em Timor-Leste":

É inércia mental e física defender que o arroz é essencial na alimentação. Só para citar dois exemplos, o béri-béri é uma terrível doença causada pelo consumo exclusivo de arroz, devido à carência de vitamina B. Muitas das doenças oftalmológicas devem-se à falta de vitamina A. Outras carências vitamínicas são responsáveis pelo raquitismo, enquanto que a falta de cálcio, presente nos lacticínios, em certos vegetais e peixes, impede o saudável crescimento e manutenção do esqueleto.

A predominância do arroz na dieta timorense tem o seu quê de influência indonésia. Os funcionários públicos recebiam arroz gratuito ou quase, em troca da sua fidelidade.

O arroz não só não é essencial à sobrevivência, como pode ser substituído por vários alimentos, como outros cereais ou seus subprodutos, como o pão.

A banana é um óptimo substituto ou complemento de cereais ou tubérculos. Tem vitaminas e minerais, com destaque para o potássio, elemento essencial. Já provaram fuba com banana?

Para além disso, fica mais barato cultivar mandioca, milho ou batata para alimentar a família do que comprar arroz já processado e embalado. Mas também se pode cultivar chuchu, feijão, couve, etc., sem grande dificuldade.

NOTA: os chineses não se alimentam só de arroz. O arroz é consumido apenas no Sul da China e sempre acompanhando vegetais como couve (pak choi), vários tipos de feijão, tofu, cogumelos, cenoura, etc. Alguma carne ou peixe também entra moderadamente na ementa chinesa, especialmente as aves. No Norte, o arroz é substituído pelo trigo.

Os próprios indonésios também usam o arroz como base para outros ingredientes (vd. o nasi goreng).

Mas é curioso que só há "fome" em Dili, onde os armazéns de arroz são assaltados, como já foram anteriormente os armazéns de sândalo ou de mobiliário escolar...

H. Correia

Um morto e dois feridos no campo do aeroporto

Segundo o porta-voz dos deslocados, o grupo de vigilantes do campo do aeroporto encontrava-se à porta do campo e foi mandado sair dali, não tendo obedecido.

Os militares australianos dispararam gás lacrimogéneo e um grupo de deslocados reagiu, tendo os soldados australianos disparado, provocando um morto e dois feridos.

Dois timorenses mortos por forças internacionais no aeroporto

Díli, 23 Fev (Lusa) - Dois timorenses foram mortos, hoje de manhã, durante um incidente com as Forças de Estabilização Internacional (ISF) no Aeroporto de Díli.

Um ou dois timorenses mortos por militares australianos no aeroporto

Segundo uma declaração feita pelo porta-voz dos militares australianos presente no campo de deslocados do aeroporto, as forças australianas foram chamadas pelas 8:30 para uma situação no campo e foram atacadas. Um soldado disparou contra um timorense que morreu.

Outras fontes indicam que terão sido mortos dois ou três timorenses. O comando australiano dará uma conferência de imprensa esta tarde.

Quer as Nações Unidas, quer as forças australianas estão a fazer um inquérito.

Os jornalistas estão impedidos de entrar no campo ou falar com os deslocados.

Dos leitores

Comentário sobre a sua postagem "Ramos-Horta says he'll seek East Timor presidency":

E foram também os bispos que o aconselharam a dar a notícia a Timor e ao mundo via Al Jazeera?

Traduções

Todas as traduções de inglês para português (e também de francês para português) são feitas pela Margarida, que conhecemos recentemente, mas que desde sempre nos ajuda.

Obrigado pela solidariedade, Margarida!

Mensagem inicial - 16 de Maio de 2006

"Apesar de frágil, Timor-Leste é uma jovem democracia em que acreditamos. É o país que escolhemos para viver e trabalhar. Desde dia 28 de Abril muito se tem dito sobre a situação em Timor-Leste. Boatos, rumores, alertas, declarações de países estrangeiros, inocentes ou não, têm servido para transmitir um clima de conflito e insegurança que não corresponde ao que vivemos. Vamos tentar transmitir o que se passa aqui. Não o que ouvimos dizer... "
 

Malai Azul. Lives in East Timor/Dili, speaks Portuguese and English.
This is my blogchalk: Timor, Timor-Leste, East Timor, Dili, Portuguese, English, Malai Azul, politica, situação, Xanana, Ramos-Horta, Alkatiri, Conflito, Crise, ISF, GNR, UNPOL, UNMIT, ONU, UN.