quarta-feira, junho 21, 2006

Dos leitores

CARTA AOS MEUS AMIGOS DE TIMOR

Tenho vivido nestes ultimos tempos, pelo desassossego, com uma preocupação enorme, pelos amigos que estão em Timor e pelo retrocesso no desenvolvimento e na construção do Estado.
É uma desgraça para o povo, começar tudo ou quase tudo de novo.
Começar o que por ventura custa mais que é olharem uns para os outros como verdadeiros irmãos, que partilham o mesmo espaço... é uma tarefa muito difícil e agora com mais obstáculos.
Normalmente as organizações preocupam-se com as performances e com os targets, mas dão pouca, importância ao poder da cultura, dos valores humanos (mesmos os mais básicos, como é o respeito pela vida, pela palavra!...).
Nos ultimos anos tentou-se, em Timor, num àpice formar tudo desde da tropa, polícia, políticos, gestores - com elevados padrões operacionais e com muitos planos de acção, visões futuras etc.. -- mas em minha opinião (aliás foi o diagnóstico que fiz quando me aprecebi da realidade e da fragilidade das pessoas e instituições), em paralelo com as acções de gestão, é preciso investir numa verdadeira e consistente mudança cultural, das mentes, do pensamento, dos comportamentos e atitudes. Todos os Países deram dinheiro e recursos humanos - mas o que Timor Leste precisa são de verdadeiros laços humanos, onde os valores da sociedade e das pessoas sejam o ponto fulcral ao nível do estado, das empresas e do cidaddão. Como o fazer? Neste momento, pelo que vi não sei... Qual é o papel da UN e dos parceiros na criação de um melhor clima de valores para todas as partes a par do investimento , para o desenvolvimento sustentado e harmonioso, nomeadamente na estruturação organizacional do estado e das empresas? Qual o caminho a desenvolver para a capacitação e para inculcar os valores base da sociedade, nos governantes, empresários e pessoas? Qual é o papel da igreja, na formação das pessoas e das suas mentes?
Como é possível tanto ódio e violência, quando a pobreza e a debilidade do País exige o contrário!...
Se sentia realmente dificuldades, quanto ao melhor caminho a propor, agora estou mais confuso depois desta desgraça e do esforço dispendido... sinto que é preciso passar algum tempo para degerir tudo o que se tem passado e esperar que as forças de paz internacionais ponha um ponto de ordem no terreno - mas julgo que não poderá ser uma repetição de modelos, terá que haver uma verdadeira revolução (desígneo nacional?!...) e uma adequada terapia nos comportamentos, nas mentalidades e processos.Pelos próprios intervenientes! Claro. Como?! Está aberta a discussão.

Que Deus vos abençoe e ajude ... apurados os pontos fracos e os erros, para os colmatar e corrigir, tenho só uma certeza, só o futuro é que interessa ... a reconciliação torna a ser o ponto fulcral - para restaurar a confiança e a credibilidade nas pessoas, empresas e no estado -- e o dinheiro e a mão estendida não é o mais importante, mas sim os valores que enformam as atitudes e os comportamentos dos cidadãos, sejam governantes, opositores, partidários, empregados, profissionais, povo - com esta ideia se o comportamento cívico for bom, aceitável os resultados do governo, da assembleia, das empresas e em suma dos processos serão razoáveis, bons ou excelentes.

Tenho a convição que os parceiros falaram muito do dinheiro, do dólar dos milagres - mas, muito pouco na mudança cultural, fundamental para sustentar o desenvolvimento e se obter os resultados que todos esperavavam e não esta desgraceira... no fundo no fundo todos falhámos.
Não se consumam, nem caçem bruxas...
Termino com um abraço.

Dos leitores

Eu mando na minha casa e nunca admitia que fossem os de fora a mandar nela. Considero a Fretilin a casa dos seus militantes, entendo que só a eles e rigorosamente a mais ninguém compete decidir em todos os assuntos que lhe dizem respeito.

Quanto à escolha de deputados aí já é diferente. Havendo vários partidos – vários representantes de partes da sociedade, com os interesses particulares de cada uma dessas partes – ter-se-ia que ir para a votação na urna. Mas, nos partidos, ambos os métodos, na minha opinião, são admissíveis, o Congresso é soberano para decidir e o Congresso da Fretilin decidiu como bem entendeu e está decidido.

Quanto ao que o PM disse, o que eu li, e por mais de uma vez, é que ele só se demitia se a Fretilin lhe pedisse, mas que enquanto tiver a confiança da Fretilin não a defraudaria. Ora, tendo-o eleito por 97% no Congresso e tendo o Comité Central da Fretilin votado por unanimidade a confiança no seu desempenho no governo, ele será em 2007, novamente, o candidato da Fretilin para PM. E se a Fretilin tiver a maioria da confiança popular ele será novamente PM.

Em democracia é assim: é o voto quem mais ordena. E se o Mari Alkatiri conseguiu esses resultados é porque os militantes do seu partido vêem com bons olhos o seu desempenho à frente do Governo, e se a Fretilin obtiver novamente a maioria é porque também a maioria dos eleitores acha a Fretilin mais credível que as alternativas.

Porque nestas questões há sempre duas coisas que jogam: a credibilidade duns e a falta de credibilidade dos outros.

E o que tenho lido do que as oposições por aí têm dito e feito é de arrepiar.

Às vezes nem sabem distinguir casos de polícia de casos de política. Espero que por um lado a polícia aja quando é a lei e a ordem que estão em causa, mas também espero que os políticos da oposição comecem a agir enquanto políticos, pois é coisa que não se tem visto.

Dos leitores

"Num recente debate foi levantada a questão fulcral: como se pode reproduzir o conteúdo social e inovar através da elaboração de uma estratégia informativa, se os grandes media estão na posse de poderosos grupos económicos? E como explicar a espantosa trajectória de jornalistas, trepados a directores, que, logo-assim deixam um emprego vão imediatamente para outro, sempre mais bem remunerado, ou para instituições ligadas ao Estado, ou associadas ao Governo; ou se tornam assessores de Presidentes, ou em lugares de decisão na agência oficial de notícias e, até, na Gulbenkian?

A teia reticular de conivências, o manobrismo político, o pagamento de favores são evidências que a realidade comprova e que a generalidade das complacências admite sem recalcitrar.

O jornalismo é a honestidade que se procura, a honra que nunca deve ser perdida, a moral activa e a filosofia de uma razão que só encontra sentido e destino na inteligência do leitor. "

Dos leitores

Deveria ser instaurado um inquérito não só à ONU em Timor como também à Procuradoria Geral.
Se a ONU e os internacionais violam tão grosseiramente a lei qual é a ajuda que Timor pode esperar?!
Claro que em qualquer país "normal" perante esta notícia da Lusa o resultado seria:
- O Procurador-Geral abrir um inquérito para apurar quem foi o responsável pela violação do segredo de justiça;
- O SRSG abrir um inquérito para averiguar sobre a identidade da "fonte da ONU".

Mas como Timor não é um país "normal" o Procurador Geral nada faz, mantém-se em funções e o responsável máximo da ONU é elogiado por responsáveis timorenses.

Dos leitores

E dificil ignorar tanta gente em posse de armas a contar a mesma historia para se acreditar numa so pessoa que nao poderia fazer outra coisa senao negar tao serias acusacoes.

Realmente so as investigacoes o poderao ilibar.

Mas ate agora a mera existencia do grupo ja confirmada pelo ex Ministro do Interior(ainda que ele rejeite a alegada missao)da para pensar que nao ha fumo sem fogo.

E ja agora se foi mesmo um grupo formado para apoiar a Policia Especial em operacoes "contra-guerrilha" compostas por civis tera que haver documentos oficiais a justificar, autorizar e legalizar tais grupos. E se nao estou equivocado, corrijam-me se assim estiver, este tipo de grupo quanto mais sendo um grupo civil, nao poderia ter sido legalmente montados por decisao unica do Ministro do Interior sem pelo menos passar pelo escrutinio do PM e mesmo Conselho de Ministros. Nao acham?
Ainda, e sem conhecer muito as leis penso ate que teria de ser aprovado pelo Parlamento Nacional sendo eles um grupo armado. Perdoem a minha ignorancia se nao for esse o caso. Mas o que acham os leitores?

Se estiver certo em relacao a esta questao entao nao sera dificil encontrar os documentos oficiais comprovativos da legalidade desse grupo de apoio a Policia Especial para operacoes "contra-guerrilha".

Mas se for esse o caso como se pode justificar que o Chefe do Governo diz desconhecer da existencia desse grupo? esta deveras complicado.

O PM, contrariamente ao ex Ministro, rejeita ate a existencia desse grupo e a sua alegada missao ainda que diz conhecer o Sr Rai Los por ser da Fretilin e admitir poder ter tido uma reuniao com ele nos principios de Maio como alega o mesmo.

O facto e que eles estao na posse de armas automaticas da Unidade de Patrulha Fronteirica (UPF) da PNTL, ha um comandante da UPF a confirmar que recebeu uma ordem do entao Ministro do Interior, Rogerio Tiago Lobato, para fazer a entrega dessas armas que pelos numeros de serie confirmam serem as armas na posse do "Comandante" Rai Los.

Esta claro que o Sr. Rai Los tem estado a dizer a verdade ainda que somente parcial. Mas se a verdade e parcial ou total ainda esta por ser averiguado.

Nao e por nada mas as alegacoes do Comandante Rai Los tem a tendencia de parecer mais que meias verdades.
Esperemos com serenidade os resultados dos inqueritos.

Comunicado - PM

REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DE TIMOR-LESTE
GABINETE DO PRIMEIRO-MINISTRO

INFORMAÇÃO À IMPRENSA


Mari Alkatiri rejeita alegações sobre o “Esquadrão da Morte”

O primeiro ministro de Timor-Leste, Mari Alkatiri, hoje, 20 de Junho, em entrevista concedida à Rádio Televisão de Timor-Leste (RTTL) rejeitou as alegações do Comandante Vicente Railos, divulgadas ontem, sobre a autoria de o ter armado e ordenado que eliminasse opositores dentro e fora da FRETILIN, bem como que tenha armado delegados da FRETILIN com o objectivo de matar opositores até às eleições de 2007.

Também ontem, na mesma reportagem, o Comandante Railos afirma que o primeiro-ministro simboliza “ideias estrangeiras” e que isso irá dividir e destruir o País, o que levou o primeiro–ministro a afirmar que “Este tipo de declarações têm vindo a ser usadas contra mim, desde que assumi o cargo de primeiro-ministro, em Maio de 2002”.

Na entrevista de hoje, Mari alkatiri, condena o Comandante Railos por aparecer armado, conjuntamente com outros, em uniforme da Unidade de Reserva da polícia (URP) e por ter atacado o Quartel das F-FDTL a 24 de Maio.

Comandante Railos está disponível para entregar as armas

No decorrer da entrevista, o primeiro-ministro afirmou que o Comandante Railos lhe telefonou hoje de manhã, dizendo que estaria pronto a entregar as armas ao Presidente da República, Xanana Gusmão. “Disse-lhe que entregasse as armas à polícia ou às forças australianas e que não se deixasse usar por aqueles que querem destruir a FRETILIN” relatou o primeiro-ministro. Mari Alkatiri disse ainda ter atendido o telefonema do Comandante Railos por ele ser membro da FRETILIN e por muito do que se passa na actual situação, em Timor-Leste, resultar de falta de comunicação.

O primeiro-ministro lembrou ainda que por duas ou três vezes se encontrou com o Comandante Vicente Railos, por ocasião do Congresso da FRETILIN, mas que nunca lhe ordenou que formasse um grupo armado e que foi, o próprio primeiro-ministro, quem solicitou uma investigação internacional independente para verificação de todas as alegações e recentes incidentes. Tendo acrescentado que, a polícia interrogou os delegados de Maliana ao Congresso da FRETILIN, sobre alegações de terem recebido armas, e nada foi provado.

O primeiro-ministro contextualizou as alegações do Comandante Railos nas sucessivas campanhas de denegrirem o seu nome para o forçarem a demitir-se e, consequentemente, levarem à queda do Executivo. Relembrou as acusações de que teria recebido um suborno da ConnocoPhilips, mas que nunca foi provado em Tribunal; de em 2005 ter iniciado uma campanha contra Igreja Católica; e, mais recentemente, de estar na génese da questão dos chamados “peticionários”. Concluindo, o primeiro-ministro argumentou que “Estes grupos exigem a minha demissão mesmo antes da intervenção das F-FDTL, depois dos acontecimentos de 28 de Abril. Esquecem-se de mencionar o ataque do Major Reinado a elementos das F-FDTL e à casa do Brigadeiro-General Taur Matan Ruak a 23 de Maio, e o ataque, no dia seguinte, ao quartel das F-FDTL. Só mencionam o que possa denegrir a imagem do primeiro-ministro.”

Díli, 20 de Junho de 2006

Dos leitores

Raul Vaz
A mulher do herói

Fosse Timor uma terra pobre e haveria miséria. Mas também paz. É essa a realidade que reduz a raça humana à sua condição – traduzida no egoísmo que se afirma como o mais forte dos sentimentos. Em Timor, onde há petróleo e gás natural, continua a haver miséria. E guerra.
Ontem era a Indonésia com a Austrália à espreita, agora são os australianos com os indonésios na expectativa. Como sempre há romantismo em doses que nos elevam ao limiar inatingível da bondade: Xanana Gusmão continua mítico, ainda com força para lutar contra a adversidade. Igual aos que não souberam, ou não puderam, deixar que outros crescessem fora do olhar protector. E o que vemos hoje? Xanana a pedir que o deixem resolver aquilo que ele sabe não poder mudar. Porque há a cobiça humana, esse pecado feito virtude pelos homens que só querem vencer. Mas há mais, numa versão que julgávamos difícil numa jovem democracia. A mulher do herói emite opiniões. Depreciativas em relação a um governo, também ele eleito pela lógica saudável do voto. E vemos Kirsty Sword, mulher do Presidente Xanana Gusmão, a desmultiplicar-se em declarações definitivas, garantindo que «o Governo perdeu a confiança da população». Antes de Kirsty, já o primeiro-ministro australiano tinha expressado igual opinião. Há uma outra coincidência mulher de Xanana é australiana.

ONU prolonga mandato de missão por dois meses

Nações Unidas, Novas Iorque, 20 Jun (Lusa) - O Conselho de Segurança da ONU prolongou hoje o mandato da missão em Timor-Leste por dois meses, apoiando assim totalmente a força de paz liderada pela Austrália para pôr fim à violência neste país.

Numa votação por unanimidade, os 15 membros do Conselho manifestaram a sua "grande inquietação" face à situação explosiva que reina em Timor-Leste e apelaram às partes em conflito "para não fazerem uso da violência e participarem no processo democrático".

O mandato da missão de observação política da ONU, Missão da ONU em Timor-Leste (UNOTIL), agora prolongado até 20 de Agosto, já havia sido prorrogado por um mês a 19 de Maio.

O Conselho apoia um pedido do secretário-geral da ONU, Kofi Annan, feito a Louise Arbour, Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, para abrir um inquérito independente sobre a recente vaga de violência ocorrida no país.

Pede também aos eventuais países doadores que "respondam urgentemente e de forma positiva" ao apelo da ONU para uma ajuda humanitária a Timor-Leste.

Dois mil soldados e polícias da Austrália, Malásia, Nova Zelândia e Portugal foram enviados depois de 25 de Maio para Timor- Leste para restabelecer a ordem depois dos violentos incidentes que se seguiram a uma decisão tomada em Abril pelo primeiro-ministro timorense, Mari Alkatiri, de afastar 600 militares, ou seja quase metade do Exército.

...
TM.

Dos leitores

Lembrem-se que era o Goebbels que dizia que para uma mentira passar por verdade tinha que ser muito grande e muitas vezes repetida. Vocês bem se esforçam. Mas não será por muito se esforçarem que as mentiras que dizem passam a verdades, porque as mentiras por maiores que sejam e por mais que as repitam, continuarão sempre a ser mentiras.

Dos leitores

Pessoalmente penso que terá que haver documentos ministeriais a comprovar a formação desse grupo de “pisteiros”. Já nem falo dos requisitos legais necessários para a formação de um grupo de civis armados porque confesso desconhecer os processos administrativos ou legais que permita constituir um grupo dessa natureza

Mas contando que o Sr. Rogerio Lobato formou esse grupo com um fim legítimo, como afirma, terá sem dúvida seguido os procedimentos legais e administrativos para esse efeito. Sendo assim não tem nada a temer porque as papeladas devem estar todas em ordem. Estarão?

Dos leitores

... não parece que seja essa a ideia adjacente à palavra despartidarizar no contexto que foi escrita. Concordo perfeitamente com o que disse da sua despartidarização citando a história mas aquela mensagem não contempla a defesa que tomou.

A questão é mesmo outra.

Soa a que era mais no sentido que foi usado na montanha... despartidarizar... se é que agora entende. E desculpe o abuso, é retórica, mas a prova dessa despartidirização até se pode ver no "abuso" que é ver-se afinal um partido que até tinha maioria de delegados ter tido a necessidade - em plena crise - de ter dentro da própria casa usado de método de votação nada mas mesmo nada democrático.

Certamente que não concorda como não concordarão todos aqueles que defendem exactamente o procedimento usado mas sinceramente, com tal acto, não acha que deixaram a porta aberta para, aí sim, aparecer a dúvida sobre a dimensão democrática dos seus intervenientes? Confesse que também aí não houve tacto político. Ou saberia a FRETILIN que adoptando tal atitude iria ter mais vantagem?

Se a teve, perguntava (embora claro isso não seja possível por nenhuma Constituição o permitir): e pedindo a um povo para votar quem quer eleger de braço no ar?

Não é possível claro. Baralharam tudo.

Quanto ao "para tudo fazer que esses golpes não se repitam.", veja lá bem como lidou a classe política com as questões internas de uma estrutura do Estado de extrema importância e como continua ela a lidar perante as vergonhosas versões e desenvolvimentos, fazendo o Governo passar a mensagem de que tudo não passa de golpistas a tentar derrubá-lo. A única coisa que se ouviu foi os "golpitas" dizerem que querem a saída do sr. Mari Alkatiri.

Ele já disse que não sairia! E agora? Haverá certamente uma solução. Impressiona é que se tenha chegado aqui... é lamentável e espera-se que se apurem responsabilidades no quadro da Constituição e os culpados devem responder através da Lei.

Não vejo, nem quero ver que a coisa seja de outro modo.

Não se esqueça é que a responsabilidade é política ao mais alto nível e aí veremos que lições se aprendem...

Dos leitores

Sobre o que antigo Ministro do Interior disse ao Expresso de 17/06/06: “Essas acusações (grupos paramilitares) são descabidas e falsas. Nós constituímos um grupo de antigos combatentes que conhecem todos os esconderijos por onde entravam as milícias. Eles seriam pisteiros que ensinavam os homens da nossa Unidade de Reserva da Polícia (URP) para poderem actuar numa situação de guerrilha...”, o seu comentário foi desvalorizar que a missão do grupo era de formação de pisteiros (“ainda que ele rejeite a alegada missão”) e valorizar o que o Railos tem dito ( “o Sr. Rai Los tem estado a dizer a verdade”).

Isto é você descarta a possibilidade que de se ter constituído um grupo de antigos combatentes para trabalharem na formação de pisteiros na URP. Porque se não a descartasse, o normal seria que perante esta afirmação, você e os outros opositores, pedissem mais esclarecimentos, levantassem a questão no Parlamento Nacional, pedissem uma Comissão de inquérito parlamentar para aprofundar o assunto, etc. Numa democracia há, como vê, imensas maneiras de tentar esclarecimentos, quando se quer obtê-los.

Mas o que você vai fazendo, entretanto, é dar eco ao que o Railo diz: “E dificil ignorar tanta gente em posse de armas a contar a mesma historia”, “não há fumo sem fogo” e para aumentar a confusão liga o PM às alegações do Railos quando pergunta: “como se pode justificar que o Chefe do Governo diz desconhecer da existência desse grupo?” apesar de nunca ter ouvido o PM a falar de questões de organização da polícia!

O que tenho ouvido e ainda hoje no comunicado do Gabinete do PM (que está aí em baixo), é o PM a rejeitar as alegações do Railos (e doutros) de ter dado ordens à constituição de grupos que “eliminasse opositores dentro e fora da FRETILIN”.

Que tal perante problemas ou dúvidas políticas (perfeitamente aceitáveis e compreensíveis) tentar-se obter esclarecimentos políticos em vez de se partir logo para teses conspirativas?

Como diz, e bem, “Esperemos com serenidade os resultados dos inquéritos”, mas não tiremos conclusões precipitadas, no entretanto.

Ex-comandante da polícia demarca-se de revoltosos

DN
João Pedro Fonseca, em Aileu

O comandante da polícia nacional timorense (PNTL), Paulo Martins, está em sua casa, perto de Aileu, a aguardar o desenrolar dos acontecimentos. Estranha que ainda ninguém tenha falado com ele «para apurar a verdade dos factos», mas tem revelações a fazer. Nomeadamente sobre as armas que estão na posse de grupos clandestinos.

E, ao contrário do que os líderes «revoltosos» disseram ao DN em Gleno, Paulo Martins não tem mantido contacto com eles, nem partilha sequer da posição de que a solução da crise passa pela demissão do primeiro-ministro Mari Alkatiri. «Sou polícia, não sou político».

O ambiente nas povoações das montanhas da região ocidental de Timor - Gleno, Ermera, Aileu e Maubisse -é tranquilo. As pessoas fazem as suas vidas e ninguém receia tumultos. O problema está em Díli. A conversa de todos é sempre a mesma: querem saber pormenores, porque os relatos que receberam referem que «os militares das FDTL mataram civis e polícias desarmados».

O trabalho de propaganda foi bem feito. E se é certo que foram cometidos crimes graves, o facto é que a verdadeira história dos acontecimentos de Abril - muito complexa - não passa só pelos militares das FDTL, mas também por polícias, grupos armados por um ministro (que o reconheceu em entrevista ao Expresso) e elementos da polícia militar. Um tabuleiro com muitas peças, em que dificilmente alguma instituição poderá sair ilesa no apuramento das responsabilidades. O próprio Paulo Martins, em declarações ao DN, revela que os dois polícias assassinados à catanada pela população de Gleno foram atacados porque o povo os reconheceu da manifestação dos peticionários a 28 de Abril, em Taci Tolo.

E não põe em causa que tenham disparado. "Pode ser verdade, não sei."

Sem quartel

Os comandantes distritais da PNTL continuam, por seu lado, a desempenharem as suas funções. Com excepção de Díli, os outros reúnem-se diariamente em Aileu, sob o comando de Paulo Martins. Ontem o DN esteve com uma equipa de polícias de Suai que participaram numa dessas reuniões.

Discutem questões práticas dos seus distritos, os problemas que existem, as soluções e directivas. Martins não vê neste procedimento qualquer irregularidade. Abandonou Díli alguns dias antes dos confrontos entre militares e polícias - 25 de Maio - por razões que pretende esclarecer em breve, mas afirma-se detentor do comando. «Diariamente falo com os meus homens e digo-lhes que já podem voltar ao seu serviço». Ele não regressa já porque receia pela sua segurança.

Nas povoações desta região fala--se bastante dos confrontos de Díli, e receiam-se novos episódios de violência. Mas a vida decorre normalmente, com excepção das escolas. Umas funcionam, outras não.

Em Gleno, centenas de miúdos com as suas fardas branca e azul celeste circulam pelas ruas depois de mais uma tentativa frustrada para ir à escola. Dona Maria, com 12 filhos, é uma mãe muito preocupada.

Mas a única instabilidade que se detecta passa por saber que existem ainda muitas armas à solta. E se, em Gleno, Aileu e Maubisse, ninguém tem medo de peticionários, polícias e outros revoltosos, as pessoas também sabem que as forças australianos nunca permitiriam retaliações sobre esses homens.

Os ckeckpoints funcionam à entrada e à saída de todas as povoações, e, em alguns casos, até se regista num bloco de notas as identificações dos passageiros das viaturas. Para quê? Security reasons, respondem.

MP ordena detenção Rogério Lobato se ex-ministro tentar fuga

Díli, 20 Jun (Lusa) - O Ministério Público de Timor-Leste ordenou hoje a detenção de Rogério Lobato se o ex-ministro do Interior tentar abandonar o paí s, no âmbito de um processo de averiguações sobre distribuição de armas a civis, disse fonte judicial.

O processo de averiguações foi aberto pelo Ministério Público (MP) na s equência de acusações de que Rogério Lobato teria distribuído armas a grupos de civis para que estes eliminassem adversários políticos do primeiro-ministro e lí der da FRETILIN, Mari Alkatiri.

Fonte da ONU, que solicitou o anonimato, disse à Lusa que o MP emitiu u m mandado de detenção contra Rogério Lobato, que será accionado se o ex-ministro e actual vice-presidente da FRETILIN tentar abandonar o país.

A mesma fonte explicou que não se trata de um mandado de captura, que t eria de ser assinado por um juiz, em resultado de um processo já instruído, o qu e não é o caso.

Trata-se de uma medida para garantir a audição de Rogério Lobato relati vamente ao processo de averiguações que lhe foi aberto, disse a mesma fonte da O NU.

O mandado de detenção foi assinado pelos procuradores António Osório e Luís Mota Carmo, acrescentou.

Desconhece-se ainda quando é que Rogério Lobato irá prestar declarações no âmbito do processo de averiguações aberto pelo MP de Timor-Leste.

As acusações de que Rogério Lobato teria distribuído armas a civis fora m feitas por Vicente da Conceição "Railos", líder de um alegado "esquadrão da mo rte".

Vicente da Conceição "Railos" apresentou segunda-feira as provas das ac usações contra Rogério Lobato ao ministro da Defesa, José Ramos-Horta, que visit ou o grupo armado liderado por aquele veterano das Falintil (Forças Armadas de L ibertação Nacional de Timor-Leste) em Leutala, 50 quilómetros a oeste de Díli.

Na altura, "Railos" entregou aos jornalistas uma declaração intitulada "Equipa de Segurança Secreta da FRETILIN - Grupo Railos", na qual refere que ter ia recebido armas em três ocasiões alegadamente por ordem de Rogério Lobato.

Railos" acusou Mari Alkatiri e Rogério Lobato de terem distribuído arma s para eliminação de adversários políticos do primeiro-ministro e líder da FRETI LIN.

Os alvos dessa missão seriam os cerca de 600 ex-militares demitidos das forças armadas timorenses pelo governo, líderes de partidos políticos da oposiç ão, padres e membros do comité central da FRETILIN contestatários da liderança d e Mari Alkatiri, secretário-geral do partido.

Mari Alkatiri já negou as acusações, mas Rogério Lobato reconheceu, em entrevista publicada sábado pelo semanário Expresso, que o grupo do comandante " Railos" foi preparado para ajudar a polícia a "actuar numa situação de guerrilha ".

EL/PNG.

Comunicado - PM

REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DE TIMOR-LESTE
GABINETE DO PRIMEIRO-MINISTRO

INFORMAÇÃO À IMPRENSA


“Não abandonaremos o Povo. Nós estamos aqui” — Governo coordena a ajuda de emergência


Há já 51 dias que equipas do Ministério do Trabalho e Reinserção Comunitária (MTRC) têm vindo a responder aos receios das populações abrigando-as em áreas seguras em Díli e noutros Distritos. Estas equipas têm providenciado as necessidades básicas às populações deslocadas, mostrando-lhes que não estão entregues ao abandono. Actualmente, cerca de 148 mil pessoas estão abrangidas pelas acções ajuda de emergência coordenadas pelo Ministério do Trabalho e Reinserção Comunitária.

“Os nossos funcionários, quer venham do Leste quer venham de Oeste, têm, continuadamente, vindo a trabalhar com o único intuito de servir o povo”, afirmou Arsénio Bano, Ministro do Trabalho e Reinserção Comunitária. Tendo acrescentado que “Apesar dos tiroteios, sempre tivemos cerca de 90% dos funcionários deste Ministério a trabalhar, mesmo sabendo que alguns de nós também teríamos que ficar nos campos de deslocados”.

A 17 de Junho, estavam contabilizados 57 campos de deslocados em Díli, apoiando cerca de 69 mil pessoas e cerca de 78 mil pessoas deslocadas em campos, ou que viajaram para junto das suas famílias, nos Distritos e Sub-Distritos.

Depois do primeiro impacto junto das populações da crise política, a 28 de Abril, alguma comunidade internacional referia-se a Timor-Leste como um “Estado falhado”, sem capacidade de responder organizadamente. No entanto, o MTRC rapidamente demonstrou a sua capacidade de coordenar com as Agências das Nações Unidas e Organizações Não Governamentais de forma a assegurar alimentação, água, saneamento, abrigos e cuidados de saúde aos diferentes campos de deslocados. O MTRC tem recebido a colaboração dos Ministérios da Saúde, Obras Públicas, Comunicações, Agricultura, Finanças, Administração Estatal e dos Recursos Minerais, Naturais e Política Energética, no que concerne a água e electricidade.

“É muito importante, ao nível humano, que possamos ajudar todas as pessoas que necessitam de assistência. De outra forma o conflito político poderia escalar” afirmou o Ministro Arsénio Bano, que acrescentou que “Com a ajuda de emergência das Nações Unidas, de 16 milhões de dólares norte-americanos, é agora necessário que os programas de assistências são bem implementados e de forma transparente, pondo em prática as lições aprendidas durante o período da UNTAET”.

O Grupo de Coordenação Inter-Agências de Assistência Humanitária a trabalhar desde 1 de Maio, tem dois mecanismos básicos: Reuniões de Coordenação Geral, que reúne 3 vezes por semana, e um Grupo de Trabalho de Coordenação Sectorial que actua em sete áreas: água e saneamento, saúde, alimentação, abrigos, equipas distritais, grupos de protecção. Equipas de informação e avaliação, em todas as Agências e ONG, asseguram informação credível na alteração das condições dos deslocados, permitindo um eficaz planeamento e distribuição de bens. Existe ainda um programa de rádio e uma conferência de imprensa em dias alternados.


Os centros de deslocados são organizados por freiras e padres. A UNFPA e as ONGs — Concern, Care, Cruz Vermelha de Timor-Leste, HAI, Cruz Vermelha Internacional, Plan, Christian Relief Service, Caritas Austrália e a Austcare — identificaram um ponto focal nos diferentes campos de deslocados. Estas Agências e ONGs fazem de elo de ligação entre o Grupo de Coordenação e os deslocados.

O Ministério do Trabalho e Reinserção Comunitária distribuiu arroz e o Programa Mundial Alimentar outros bens alimentares a todos os campos de deslocados, à população em necessidade, que se manteve nas suas casas, e a instituições governamentais. O Governo de Timor-Leste despendeu ainda 1 milhão de dólares norte-americanos na compra de 5000 toneladas de arroz, das quais o Governo da Nova Zelândia ofereceu 1000 toneladas. A distribuição tem sido feita por barco para Ataúro e Oecussi, e por camião para os Distritos.


Díli, 20 de Junho de 2006

UDT suspende participação no parlamento

Díli, 20 Jun (Lusa) - A União Democrática Timorense (UDT), o mais antig o partido político de Timor-Leste, anunciou hoje em Díli a suspensão da sua part icipação no parlamento "por falta de condições de estabilidade, segurança e psic ológicas".

Segundo o presidente da UDT, João Viegas Carrascalão, que fez o anúncio em conferência de imprensa, o presidente timorense, Xanana Gusmão, devia "deter minar, de imediato, o estado de crise antes que a situação fique fora de control o e se entre no descalabro total".
A UDT exige, por outro lado, que seja feita "uma investigação independe nte e supra partidária" a todos os titulares de cargos políticos e públicos, inc luindo designadamente os titulares dos órgãos de soberania e os partidos polític os.

A suspensão dos seus dois deputados dos trabalhos parlamentares vigorar á "até que a normalidade seja restabelecida".

"Estamos a viver o momento mais difícil da nossa curta história como pa ís independente", em que a soberania de Timor-Leste "está em perigo", salientou João Carrascalão.

Crítico da actuação do governo, ao qual acusa de "privilegiar as receit as económicas em detrimento do bem-estar social" e de não ter um plano de promoç ão de emprego, a UDT marca igualmente as distâncias relativamente ao estilo de o posição dos outros partidos políticos.
"Sem oferecer medidas alternativas e com uma crítica constante sempre m ordaz e pouco eficaz, aumentou o fosso, extremaram-se os campos e gorou-se a hip ótese de uma coexistência serena, madura e cooperante", acrescentou.

Para fazer face à crise político-militar que o país atravessa, os órgão s de soberania, "com destaque para a Presidência da República, Parlamento e Gove rno", "votaram os partidos políticos ao desprezo".

Por outro lado, "assistimos à intervenção indiscriminada do Presidente da República e do Ministro dos Negócios Estrangeiros, com centralizado domínio d a situação, o que pode prefigurar-se como um perigoso indício de ditadura", diss e.

A UDT obteve 2,36 por cento dos votos nas eleições gerais de 2001, ganh as confortavelmente pela FRETILIN, que alcançou 57,37 por cento, elegendo 55 dos 88 lugares do Parlamento Nacional.
EL.

ONU confirmou emissão de mandado contra ex-ministro do Interior

Díli, 20 Jun (Lusa) - A missão da ONU em Timor-Leste (UNOTIL) confirmou hoje, em comunicado divulgado em Díli, a emissão de um mandado de detenção cont ra o ex-ministro do Interior Rogério Lobato, "por distribuição de armas a civis" .
No comunicado, a UNOTIL precisa que o mandado foi emitido pelo gabinete do Procurador-Geral da República (PGR), Longuinhos Monteiro.
De acordo com o mandado do PGR, citado pela UNOTIL, Rogério Lobato foi acusado de distribuir armas a Vicente da Conceição "Railos" com o objectivo de " perturbar a ordem pública e o primado da lei democrático".
Sukehiro Hasegawa, representante especial do secretário-geral da ONU em Timor-Leste, destacou no comunicado que a acção do gabinete do PGR "é um sinal claro de que os timorenses podem desempenhar de forma efectiva a sua responsabil idade constitucional".
"A independência do sistema judicial é fundamental para o primado da le i em Timor-Leste", vincou a UNOTIL.
O comunicado não identifica os procuradores que assinaram o mandado, re ferindo apenas que se trata de juristas contratados para o gabinete do PGR.
O gabinete de informação à imprensa da UNOTIL anunciou entretanto que S ukehiro Hasegawa dará quarta-feira à tarde (hora local) uma conferência de impre nsa em Díli.
Rogério Lobato continua incontactável, apesar das múltiplas tentativas da Lusa em obter um comentário à decisão do Ministério Público timorense.
Quem reagiu à decisão foi o primeiro-ministro, Mari Alkatiri, que consi derou tratar-se de "uma perseguição", mas que disse já ter falado hoje com Rogér io Lobato, o qual está disposto a depor no processo de averiguações aberto pelo Ministério Público.
O processo de averiguações foi aberto na sequência da entrevista que Lo nguinhos Monteiro e o Procurador Regional de Díli, Luís Mota Carmo, tiveram segu nda-feira em Leutala, 50 quilómetros a oeste de Díli com Vicente da Conceição "R ailos".
O comandante "Railos", veterano da luta de resistência contra a ocupaçã o indonésia, alega ter recebido armas e fardas de uma das unidades de elite da P olícia Nacional, e a missão de eliminar adversários políticos de Mari Alkatiri.
As armas e a missão terão alegadamente sido dadas ao grupo em três ocas iões por Rogério Lobato mediante indicações nesse sentido de Mari Alkatiri.
O primeiro-ministro timorense tem repetidamente negado as alegações de "Railos", e hoje, em entrevista à Lusa e RTP, reafirmou a sua posição.
"Eu nunca dei ordens para matar ninguém, antes pelo contrário. Nunca de i armas a ninguém. Tenho a consciência tranquila", afirmou Mari Alkatiri na entr evista.
EL.

Manifestação anti-governamental junta menos de 100 pessoas em Díli

Díli, 20 Jun (Lusa) - Uma manifestação anti-governamental não conseguiu juntar hoje mais de 100 pessoas em Díli, mas foi suficiente para levar o primei ro-ministro a abandonar o Palácio do Governo por uma das saídas laterais para ev itar cruzar-se com os manifestantes.

Concentrados defronte da entrada principal para o pátio interior do Pal ácio do Governo, os cerca de 100 manifestantes alternaram as palavras de ordem c ontra Mari Alkatiri e o seu governo com música tradicional timorense, tendo havi do ainda espaço para a passagem, em quatro ocasiões, de "Grândola, vila morena", de José Afonso.

Em declarações à Lusa e à RTP, o primeiro-ministro Mari Alkatiri classi ficou a iniciativa como "ilegal" por desrespeitar o que está disposto na lei que regulamenta o direito de manifestação.

"A manifestação é ilegal por todas as razões. Primeiro porque o Ministé rio do Interior não foi informado com quatro dias de antecedência, depois porque não houve concertação com a polícia, além disso não está a 100 metros do Paláci o do Governo e, finalmente, está a prolongar-se além das 18 horas", hora limite para manifestações em Timor-Leste, disse.

Augusto Trindade Júnior, um dos responsáveis pela manifestação, organiz ada pelo auto-denominado Fórum Nacional da Juventude, garantiu que os manifestan tes permanecerão no local até à queda de Mari Alkatiri.

Além das palavras de ordem, os manifestantes mantêm no local vários car tazes e panos em que exigem a demissão do governo e felicitam as tropas internac ionais, a Igreja Católica e o presidente timorense, Xanana Gusmão, que hoje comp leta 60 anos.

Efectivos militares australianos foram visíveis na área e zona circunda nte ao longo do dia, não se tendo verificado qualquer incidente.

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EL.

Lusa/Fim

"Eu nunca dei ordens para matar ninguém" PM Alkatiri

Díli, 20 Jun (Lusa) - O primeiro-ministro timorense, Mari Alkatiri, gar antiu hoje nunca ter dado ordens para matar os seus adversários políticos, rejei tando acusações de que ordenou a distribuição de armas a civis para esse efeito.
"Eu nunca dei ordens para matar ninguém, antes pelo contrário. Nunca de i armas a ninguém. Tenho a consciência tranquila", afirmou Mari Alkatiri, em ent revista à Lusa e RTP, em Díli.
Mari Alkatiri respondia às acusações formuladas pelo militante da FRETI LIN Vicente da Conceição "Railos", um veterano da resistência contra a ocupação indonésia, e que estão na base da abertura pelo Ministério Público de um process o de averiguações contra o seu ex-ministro do Interior, Rogério Lobato.
Sobre Vicente da Conceição "Railos", o primeiro-ministro revelou ter re cebido hoje de manhã um telefonema daquele militante da FRETILIN.
"Interessante que ele telefonou-me esta manhã para me pedir desculpas p elo que disse. Na verdade, ele sabe melhor que ninguém que não tenho nada a ver com isso", afirmou Alkatiri.
O comandante "Railos" denunciou há cerca de duas semanas ter recebido a rmas e fardamento de uma das unidades de elite da Polícia Nacional de Timor-Lest e (PNTL) e um plano de acção que visava eliminar adversários políticos do primei ro-ministro e da FRETILIN.
Segundo "Railos", o plano e as armas foram alegadamente distribuídos pe lo ex-ministro Rogério Lobato, que tutelava a PNTL, seguindo indicações de Mari Alkatiri, na sequência de uma reunião em casa do primeiro-ministro.
Referindo-se às declarações de "Railos", proferidas segunda-feira em Le utala, 50 quilómetros a oeste de Díli, na sequência de uma visita àquela aldeia do ministro da Defesa, José Ramos Horta, o primeiro-ministro rejeitou as acusaçõ es.
"Depois de tantos 'abaixo Alkatri', recebi hoje um telefonema do senhor 'Railos'. Ele pediu algumas coisas, claro que eu não vou mandar nada, porque nã o estou aqui para alimentar pessoas que usam fardas e armas da polícia, e estão completamente fora das instituições e aceitam ser instrumentos de outrem no assa lto ao poder", frisou.
Questionado se o seu governo e a FRETILIN saem fragilizados deste proce sso, Mari Alkatiri disse não ter "dúvidas nenhumas" sobre esse objectivo.
"Esse é o objectivo. Não haja dúvidas: fragilizar o governo e ao fazê-l o, fragilizar a FRETILIN. Talvez seja uma esperança de reduzir a vantagem da FRE TILIN para as eleições de 2007", respondeu.
A FRETILIN venceu confortavelmente as primeiras eleições gerais, realiz adas em 2001, com 57,37 por cento.
Quanto à abertura de um processo de averiguações contra Rogério Lobato, que é também vice-presidente da FRETILIN, Mari Alkatiri considerou que o facto da investigação se iniciar desta maneira indicia uma "perseguição".
"Acho que começar logo por ele dá um sentido de perseguição. Mas tudo b em, se nós próprios tomámos a decisão de fazer um inquérito, tem que começar por alguém", afirmou.
Alkatiri disse estar disponível para colaborar com os investigadores, s e para tal for solicitado.
"Naturalmente que tenho consciência disso [de que pode ser solicitado a prestar declarações] e também tenho a consciência bem tranquila", disse.
Implicado por "Railos" no processo de distribuição de armas a outros gr upos de militantes da FRETILIN, Mari Alkatiri rejeita essa terminologia.
"Implicado não é a melhor palavra para ser usada. Mas se for solicitado para depor, irei", assegurou.
Com o processo de averiguações a começar pela audição de Rogério Lobato , Mari Alkatiri disse que falou hoje ao telefone por duas vezes com o seu ex-min istro.
"E falei uma vez presencialmente, olhos nos olhos. Ele disse-me que vai depor. Porque é que não há-de depor?", questionou.
Em entrevista publicada na última edição do semanário Expresso, Rogério Lobato reconheceu que preparou o grupo de "Railos" para ajudar a polícia a "act uar numa situação de guerrilha".
A este respeito, Mari Alkatiri comentou que se Rogério Lobato admitiu t er preparado o grupo "vai ter agora de apresentar a justificação das suas razões ".
Rogério Lobato "é um indivíduo responsável", sublinhou.
Relativamente à existência de grupos armados, Mari Alkatiri reconheceu ser tradicional em Timor a existência do que denominou "unidades de segunda linh a".
"Neste país sempre houve, historicamente, as unidades de segunda linha.
Sempre houve. Já no tempo português havia a segunda linha, de tal forma que a f ronteira era guardada por essas unidades. E as primeiras forças da FRETILIN eram da fronteira, formadas pela segunda linha", recordou.
O primeiro-ministro timorense garantiu que não foram criadas unidades d e segunda linha com o objectivo de eliminar os seus adversários políticos.
"Isso de certeza que não. Falei com ele [Rogério Lobato] hoje e depois de ter dado a entrevista ao Expresso. Não há de certeza interesse nenhum. Muito menos de liquidar todos os peticionários. Isso seria um massacre", salientou, re ferindo-se aos cerca de 600 ex-membros das forças armadas, cujo afastamento este ve na base do actual conflito em Timor-Leste.
"Francamente. E abater um [Fernando] Lasama (líder do maior partido da oposição, o Partido Democrático)? Qual o interesse da FRETILIN em abater o presi dente de um outro partido? Isso tudo soa-me a manipulação", continuou.
A referência aos peticionários e aos líderes da oposição como constando da alegada lista de alvos a eliminar foi feita segunda-feira por "Railos".
"Como se utilizaram todos os argumentos para tentar denegrir alguém, pa ra tentar endemoninhar alguém, agora têm que utilizar mais um. Depois disto não sei o que virá. Estou convencido que não vão ficar por aqui", acrescentou Mari A lkatiri.
EL.

Alkatiri nega acusações sobre distribuição armas a civis

Díli, 20 Jun (Lusa) - O primeiro-ministro timorense, Mari Alkatiri, rej eitou hoje as acusações de que ordenou a distribuição de armas a grupos de civis para eliminar os seus adversários políticos e declarou-se pronto a colaborar na investigação sobre a questão.

"Rejeito as acusações do senhor 'Railos'", disse Mari Alkatiri, numa de claração à Lusa e RTP, no Palácio do Governo, em Díli.

Vicente da Conceição "Railos", antigo comandante da guerrilha timorense durante a ocupação indonésia, acusou Mari Alkatiri e o ex-ministro do Interior Rogério Lobato de terem ordenado a distribuição de armas a civis para eliminação dos adversários políticos do primeiro-ministro e líder da FRETILIN.

Os alvos dessa missão seriam os ex-militares demitidos das forças armad as timorenses pelo governo, líderes de partidos políticos da oposição, padres e membros do comité central da FRETILIN contestatários da liderança de Mari Alkati ri, secretário-geral do partido.

O ministro da Defesa, José Ramos-Horta, reuniu-se segunda-feira com o g rupo de cerca de 30 homens comandado por Vicente "Railos" em Leutala, 50 quilóme tros a oeste de Díli.

Fonte judicial em Díli disse à Lusa que o Ministério Público (MP) abriu um processo de averiguações na sequência das acusações de Vicente "Railos", no âmbito do qual ordenou a detenção de Rogério Lobato, se o ex-ministro do Interio r e recém-eleito vice-presidente da FRETILIN tentar abandonar o país.

Mari Alkatiri disse entretanto que colaborará na investigação, se for s olicitado para isso.

"Estou disposto a colaborar se for solicitado", garantiu o primeiro-min istro timorense.

Em entrevista publicada sábado, pelo semanário português Expresso, Rogé rio Lobato reconheceu que o grupo comandado por Vicente "Railos" foi preparado p ara ajudar a polícia a "actuar numa situação de guerrilha".

Rogério Lobato demitiu-se do cargo de ministro do Interior a 1 de Junho , depois de o Presidente da República, Xanana Gusmão, ter sugerido o seu afastam ento do governo a Mari Alkatiri, na sequência da crise político-institucional qu e afecta Timor-Leste desde o final de Abril.

Como ministro do Interior, Rogério Lobato tutelava a Polícia Nacional d e Timor-Leste.

Segunda-feira, depois de se ter reunido em Leutala, distrito de Liquiçá , com o grupo liderado por "Railos" a pedido deste, José Ramos-Horta considerou a situação "grave e delicada".

"Está aqui um grupo de que se tem falado bastante, numa situação bem gr ave e delicada. São cerca de 30 homens com 17 armas. Armas alegadamente distribu ídas por altos responsáveis do governo" timorense, disse na altura.

"Custa-me a crer que seja verdade. Mas este grupo parece ser fidedigno, sério e sentem-se defraudados", referiu.

"Acharam que as ordens que receberam não eram justas nem correctas e, p or isso, recusaram cumprir as ordens e [decidiram] falar", disse ainda.

Na ocasião, Ramos-Horta indicou também que os homens de "Railos" "estão dispostos a entregar as armas ao Presidente da República".

"Mas essas armas não são umas armas quaisquer. Eles exigem que essas ar mas sejam preservadas como evidência de um crime", adiantou Ramos-Horta, que na ocasião admitiu a existência em Timor-Leste de "muitos grupos bem armados", cujo número se desconhece.

Segundo a ONU, a onda de violência dos últimos dois meses em Timor-Lest e provocou pelo menos 37 mortos e 133 mil deslocados.

Para restabelecer a ordem, encontram-se em Timor-Leste efectivos milita res e policiais de Portugal, Austrália, Nova Zelândia e Malásia, cuja presença f oi solicitada pelas autoridades timorenses.

EL/PNG.

terça-feira, junho 20, 2006

Ja nao se fazem manifs como antigamente...

A luta continua...

Dos leitores

Vamos embora!!! Fun Fun Fun


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Manifestacao em frente ao palacio do Governo

Acabou a musica e agora canta um muito desafinado. Tao desafinado que como forma de protesto metade dos manifestantes foram-se embora.

Mas ainda sao meia-duzia.

A luta continua...

Dos leitores

Frente de Unidade Nacional? será FUN?

bora lá pessoal se é FUN deve ser divertido...

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Dos leitores

O presente blog não foi criado para defender nem para criticar o governo foi criado para transmitir informação e notícias e um local onde cada um pode expresser ideias e sentimentos, infelizmente o senhor optou pelo uso de insultos, seja Timorense Português ou Chinês não acho muito diplomático da sua parte, mas enfim, a uns o sangue ferve mais rápido do que a outros enfim, esta desculpado meu irmão, mas agora pergunto eu quem foi que se desviou do tópico de conversa? Acho que um insulto não ajuda os timorenses nos campos de refugiados, mas se serviu para lhe acalmar a alma, espero que esteja mais calminho, e que tenha um input mais positivo no blog. Se acha que acredito cegamente no governo, tem todo o direito de assim o achar, mas no final o que eu sinto e penso não cabe a si tentar descobrir, pois eu e simplesmente eu penso e sinto por mim.

Comunicado - PM

REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DE TIMOR-LESTE
GABINETE DO PRIMEIRO-MINISTRO

INFORMAÇÃO À IMPRENSA

Mari Alkatiri rejeita alegações sobre o “Esquadrão da Morte”


O primeiro ministro de Timor-Leste, Mari Alkatiri, hoje, 20 de Junho, em entrevista concedida à Rádio Televisão de Timor-Leste (RTTL) rejeitou as alegações do Comandante Vicente Railos, divulgadas ontem, sobre a autoria de o ter armado e ordenado que eliminasse opositores dentro e fora da FRETILIN, bem como que tenha armado delegados da FRETILIN com o objectivo de matar opositores até às eleições de 2007.

Também ontem, na mesma reportagem, o Comandante Railos afirma que o primeiro-ministro simboliza “ideias estrangeiras” e que isso irá dividir e destruir o País, o que levou o primeiro–ministro a afirmar que “Este tipo de declarações têm vindo a ser usadas contra mim, desde que assumi o cargo de primeiro-ministro, em Maio de 2002”.

Na entrevista de hoje, Mari alkatiri, condena o Comandante Railos por aparecer armado, conjuntamente com outros, em uniforme da Unidade de Reserva da polícia (URP) e por ter atacado o Quartel das F-FDTL a 24 de Maio.


Comandante Railos está disponível para entregar as armas

No decorrer da entrevista, o primeiro-ministro afirmou que o Comandante Railos lhe telefonou hoje de manhã, dizendo que estaria pronto a entregar as armas ao Presidente da República, Xanana Gusmão. “Disse-lhe que entregasse as armas à polícia ou às forças australianas e que não se deixasse usar por aqueles que querem destruir a FRETILIN” relatou o primeiro-ministro. Mari Alkatiri disse ainda ter atendido o telefonema do Comandante Railos por ele ser membro da FRETILIN e por muito do que se passa na actual situação, em Timor-Leste, resultar de falta de comunicação.

O primeiro-ministro lembrou ainda que por duas ou três vezes se encontrou com o Comandante Vicente Railos, por ocasião do Congresso da FRETILIN, mas que nunca lhe ordenou que formasse um grupo armado e que foi, o próprio primeiro-ministro, quem solicitou uma investigação internacional independente para verificação de todas as alegações e recentes incidentes. Tendo acrescentado que, a polícia interrogou os delegados de Maliana ao Congresso da FRETILIN, sobre alegações de terem recebido armas, e nada foi provado.

O primeiro-ministro contextualizou as alegações do Comandante Railos nas sucessivas campanhas de denegrirem o seu nome para o forçarem a demitir-se e, consequentemente, levarem à queda do Executivo. Relembrou as acusações de que teria recebido um suborno da ConnocoPhilips, mas que nunca foi provado em Tribunal; de em 2005 ter iniciado uma campanha contra Igreja Católica; e, mais recentemente, de estar na génese da questão dos chamados “peticionários”. Concluindo, o primeiro-ministro argumentou que “Estes grupos exigem a minha demissão mesmo antes da intervenção das F-FDTL, depois dos acontecimentos de 28 de Abril. Esquecem-se de mencionar o ataque do Major Reinado a elementos das F-FDTL e à casa do Brigadeiro-General Taur Matan Ruak a 23 de Maio, e o ataque, no dia seguinte, ao quartel das F-FDTL. Só mencionam o que possa denegrir a imagem do primeiro-ministro.”
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Apelo nao oficial

Apelo da RENETIL (não oficial):

DESPARTIDIRIZAÇÃO IMEDIATA DE TODAS AS FORÇAS DESESTABILIZADORAS EM TIMOR-LESTE!UNIDADE NACIONAL IMEDIATA! (não partidária)

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Efectivos da GNR preparados para actuar em toda a capital timorense

Díli, 20 Jun (Lusa) - Os 127 efectivos da GNR estão desde segunda- feira preparados, em termos de coordenação com as forças militares internacionais, para actuar em toda a capital timorense, disse hoje o seu comandante operacional à Agência Lusa.
Segundo o capitão Gonçalo Carvalho, "a operacionalidade da GNR, que já existia, tem agora um mandato alargado a toda a cidade de Díli, para manutenção da ordem pública" sempre que seja chamada para tal.
Ao longo da passada semana, em exercícios conjuntos com os efectivos militares da Austrália, Malásia e Nova Zelândia, a GNR testou a sua capacidade de reacção e de contenção, por exemplo, de manifestações públicas.
O último exercício foi efectuado segunda-feira, junto ao Palácio do Governo, numa antecipação de como actuar para fazer frente a eventuais alterações da ordem pública.
"Testámos a nossa capacidade de antecipação e de reacção a duas manifestações de carácter diferente. O exercício correu muito bem e foi feito em concertação com os efectivos militares internacionais", acrescentou o comandante.
O exercício de segunda-feira não está, todavia relacionado com os rumores de uma manifestação prevista para hoje, defronte do Palácio do Governo, onde desde a manhã se mantêm pouco mais de 20 pessoas a gritar palavras de ordem contra o primeiro-ministro timorense Mari Alkatiri e a exigir a sua demissão.
A manifestação é organizada pelo auto-denominado Fórum Nacional da Juventude, e um responsável do grupo, Augusto Trindade, alega que os manifestantes permanecerão no local até à queda de Mari Alkatiri.
Além das palavras de ordem, os manifestantes mantêm no local vários cartazes e panos em que exigem a demissão do governo e felicitam as tropas internacionais, a Igreja Católica e o Presidente timorense Xanana Gusmão, que hoje completa 60 anos.
Efectivos militares australianos são visíveis na área e zona circundante, não se tendo verificado qualquer incidente.
Portugal, com a GNR, e ainda a Austrália, Malásia e Nova Zelândia, enviaram efectivos militares e policiais para Timor-Leste, a pedido das autoridades timorenses, para ajudar a restabelecer a ordem e a pôr fim à violência que se regista desde finais de Abril no país na sequência de manifestações encetadas por ex-militares e confrontos opondo militares e polícias e a actividade de grupos de civis armados.
EL.

Conselho de Estado reúne-se quarta-feira para avaliação situação

Díli, 20 Jun (Lusa) - O Conselho de Estado de Timor-Leste reúne- se quarta-feira para avaliar a situação e os "últimos desenvolvimentos, designadamente as alegações sobre a distribuição de armas a grupos de civis", disse hoje fonte oficial à Agência Lusa.
A última reunião do Conselho de Estado (CE), órgão consultivo do Presidente Xanana Gusmão, durou dois dias (29 e 30 de Maio) e culminou com uma comunicação do chefe de Estado ao país, a anunciar a adopção de uma série de medidas de emergência para ultrapassar a crise político-militar em Timor-Leste.
Entre as medidas anunciadas figurava a entrega voluntária de armas.
As medidas de emergência têm a validade de 30 dias, podendo ser prorrogadas se necessário.
Entretanto, os militares rebeldes, liderados pelo major Alfredo Reinado, procederam à entrega das suas armas, cumprindo ordens nesse sentido do Presidente da República.
Relativamente à distribuição de armamento a grupos de civis, a crise timorense conheceu nos últimos dias novos desenvolvimentos, com um grupo de entre 30 a 35 efectivos, a acusar o primeiro-ministro de ter ordenado ao então ministro do Interior, Rogério Lobato, a distribuição de armas e fardas.
Mari Alkatiri tem reiteradamente negado as acusações, mas o ex- ministro do Interior e vice-presidente da FRETILIN, Rogério Lobato, reconheceu, em entrevista publicada sábado pelo semanário Expresso, que o alegado "esquadrão da morte" foi preparado para ajudar a polícia a "actuar numa situação de guerrilha".
O primeiro-ministro rejeita que a FRETILIN tenha um grupo armado clandestino e que tenha ordenado a distribuição de armas a civis, afirmando que se trata de mais uma tentativa para o desacreditar.
"Estão a tentar diabolizar a minha imagem. É a única coisa que posso dizer", comentou Alkatiri, citado pela estação de televisão australiana ABC, o primeiro órgão de comunicação a revelar a existência do alegado "esquadrão da morte".
Na comunicação que fez ao país no final da anterior reunião do Conselho de Estado, Xanana Gusmão sugeriu ao primeiro-ministro Mari Alkatiri a necessidade de se encontrarem novos rostos para as pastas da Defesa e do Interior.
Um dia depois, os titulares destas duas pastas, Roque Rodrigues e Rogério Lobato, apresentaram a demissão, sendo substituídos por José Ramos Horta, que acumula a Defesa com os Negócios Estrangeiros, e por Alcino Baris, que era vice-ministro de Rogério Lobato.
EL.

MP abre processo de averiguações ao ex-ministro do interior

Díli, 20 Jun (Lusa) - O ex-ministro do Interior de Timor- Leste, Rogério Lobato, é alvo de um processo de averiguações aberto na sequência da acusação de que teria distribuído armas a civis, disse hoje à agência Lusa fonte judicial.
As acusações de que Rogério Lobato teria distribuído armas foram feitas por Vicente da Conceição "Railos", veterano da resistência contra a Indonésia.
EL.

Ouve-se Grandola Vila Morena na Manif

Afinal sao comunistas!!!!!!!!!


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Hora de almoco

Aproxima-se a hora de almoco e o n. de manifestantes baixa para algumas dezenas...

Manifestacao em frente ao palacio do Governo

Cento e tal pessoas estao em frente ao palacio do governo.

Os manifestantes gritam as frases do costume e apelam a inscricoes na "Frente de Unidade Nacional".

Os militares australianos asseguram a seguranca do Palacio.

Perdemos temporariamente os acentos...

Dos leitores

"Outubro de 1975: A campanha de desestabilização indonésia continua com militares a paisana a atravessar a fronteira, vindos de Timor Ocidental, para aterrorizar a população civil. Estes ataques são difundidos pela agência noticiosa Antara, agência oficial do governo indonésio, como resultantes de combates entre timorenses. O objectivo é dar uma imagem de instabilidade em Timor-Leste, criando assim o pretexto para a Indonésia justificar a sua já planejada invasão."

Isto não vos faz lembrar qualquer coisa?.........

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Dos leitores

JÁ VEM DE LONGE!

1942: Durante a Segunda Guerra Mundial, a Austrália enviou tropas para Timor-Leste para criar uma zona tampão. Pouco depois o Japão invade o Território, provocando a morte de, pelo menos 50.000 Timorenses (mais de 10% da população). Nunca foi prestada qualquer compensação a Timor-Leste após a guerra.

1977-1979:....fornecimento de aviões OV1O Bronco pelos EUA em 1978, permite as forças indonésias bombardear a população e destruir os abastecimentos alimentares.

Dos leitores

Educação: o desafio de Timor

O Governo de Timor-Leste é exemplar entre nações de baixo rendimento ao continuara eleger a Educação como sector prioritário no conjunto das suas políticas. Após o período 1999 a 2002, em que se lançaram os fundamentos desta jovem nação num esforço conjunto da UNTAET (a administração transitória, conduzida pelas Nações Unidas), timorenses e países doadores, continua a ser importante que os actuais Orçamento de Estado (OE) e plano trienal dêem ao sector educativo o maior peso relativamente a outros sectores. Portugal, ainda que muito mal classificado nos ankings da OCDE para a Educação, ironicamente pode dar um contributo decisivo para a melhoria da actual situação timorense nesta vertente.
Timor-Leste é constituído por cerca de 900 mil habitantes, dos quais pelo menos 300 mil, estima-se, vivem em meios urbanos, essencialmente em Dili. A população com idade inferior a 18 snos é cerca de metade da totalidade e 10 por cento desta vive abaixo do limiar de pobreza. Acresce que o crescimen-.o da população total se processa ao ritmo de três por cento ao ano e que o desemprego (estimado em seis por cento) pode aumentar drasticamente nos meios urbanos com a saída prevista da UNMISET (a missão das Nações Unilas em Timor-Leste) em Maio de 2005.
Não é necessário ser sociólogo para entender que um conjunto de indivíduos carenciados, muito jovens e urbanos, se não tiver um nível médio de escolaridade que facilite a inserção na sociedade, pode rapidamente tornar-se numa receita explosiva. Por isso a prioridade colocada neste sector que, a apresentar resultados no espaço de uma geração, poderá melhorar signi ficativamente a produtividade e nível de desenvolvimento do país. ,
A política do Governo timorense para este sector é, pelo menos, clara: atingir a escolaridade primária universal (de acordo com o consagrado na constituição) em 2015; desenvolver os níveis subsequentes de escolaridade, em particular o ensino técnico-profissional, de acordo com as necessidades do país; e promover a alfabetização dos adultos, tudo isto mantendo preocupações de igualdade de acesso entre meios urbanos e rurais. Os indicadores-base de escolaridade em Timor-Leste mostram uma evolução positiva, ainda que sejam dos piores relativamente à região do sueste asiático. Se metade dos adultos e 23 por cento dos jovens são analfabetos, as matrículas de crianças em idade escolar no ensino primário aumentaram de 51 para 75 por cento entre 1999 e 2003. Na vizinha Indonésia, bem como nos restantes países da zona, essa percentagem é de 99 por cento. A construção de escolas nos meios rurais e a reabilitação de muitas outras tem trazido muitas crianças ao sistema educativo. No entanto, não chega que lá estejam: deve-se melhorar os níveis de reprovação e de abandono, que são elevados (20 e 10 por cento, respectivamente).
O Governotimorense tem o mérito de ser explícito relativamente à grande prioridade da sua actuação. Com cerca de 43 milhões de dólares anuais para ela pretendidos em ajudas externas para os próximos três anos, e cuja obtenção dependerá em grande parte da vontade dos países doadores, a educação recolhe 18 por cento do OE, seguida pelos sectores da saúde (12 por cento), transportes (11 por cento) e energia (10 por cento). Entre os países de baixo rendimento, TimorLeste destaca-se pela positiva ao apostar nos seus recursos humanos. Também em Portugal se fala de tempos a tempos do exemplo irlandês na educação, mas a impaciência (criada pelos ciclos eleitorais) pelos resultados de curto prazo tem impedido a mobilização nacional emtorno do desígnio constante, de longo prazo, da educação como fonte de prosperidade de toda a sociedade.
Talvez por isso seja irónico pensarmos que Portugal teve emTimorumpapelifindamental nos anos 1999a2002 (em que o panorama era desolador) na reconstrução e reabilitação do sector educativo básico e que em fase agora de consolidação desses fundamentos possa desempenhar umpapel crítico -mas pode mesmo. Enquanto parceiro prioritário neste sector, Portugal deve estar atento às novas necessidades deste paísirmão e colaborar no desenvolvimento de programas escolares em português, na formação de professores (preterindo a favor destes o ensino directo aos alunos do ensino básico), porque não complementando a presença local de alguns formadores portugueses com muitos mais (e menos onerosos) à distância, através de sistemas de vídeo-conferência. Mais ainda, Portugal deve planear (e não mais ou menos remediar) esta sua colaboração com base nos desafios dos próximos anos, que serão já os do ensino secundário e universitário, bem como a gestão das expectativas profissionais destes jovens. Deve por tiltimofazer avaliações atempadas dos programas financiados, a fim de colaborar com ainda mais resultados no futuro.
Entre 1999 e 2004, Portugal foi o país que mais contribuiu para a educação em Timor, com cerca de 35 milhões de euros, ou seja 25 por cento do total gasto com a educação em Timor. Através do planeamento e coordenação com as autoridades timorenses, importa que esse contributo passe da importância do montante financeiro à eficácia dos resultados.

Margarida Matos Rosa, M.P.A. (Master in PublicAdministration) pela Princeton University;
Responsável pela área de gestão de activos institucional no BNP Paribas e membro de missão possível, grupo cívico de informação e opinião.

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Obrigado, Margarida.

The Border Morning Mail
19.06.2006
Rebeldes entregam armas aos Aussies

DILI: Rebeldes de Timor-Leste entregaram mais de doze armas às tropas Australianas ontem no que pode ser uma saída para a paz.

Centenas de soldados renegados, contudo, ainda permanecem armadas nas montanhas à volta da capital, Dili.

Apesar disso, o Governo de Timor-Leste e as forces lideradas pelos Australianos esperam que a relativamente pequena entrega de armas é o início de um processo mais alargado de desarmamento que poderá ser a chave para acalmar meses de distúrbios sangrentos na pequena nação.

A cerimónia da entrega teve lugar no pitoresco lugar montanhoso de Maubisse, a sul de Dili.

Lt-Cdr Alfredo Reinado, que encabeça um grupo rebelde que inclui soldados despedidos das forças armadas, no início do ano, entregou a sua arma M-16 rifle, com visão telescópica a um soldado Australiano.

Então os seus soldados, perfilados, entregaram as suas armas.

Lt-Cdr Reinado certificou-se que estavam sem balas e passou-as aos Australianos,que anotaram o seu tipo e número de série.

Parabéns Presidente Kay Rala Xanana Gusmão!

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Indonesia partially reopens border with East Timor

Zee News
Jakarta, June 19: Indonesia partially reopened its land border with tense East Timor today after closing it last month following bloody violence in the capital of its tiny neighbour.

President Susilo Bambang Yudhoyono said on Saturday after meeting with his East Timorese counterpart on the resort Island of Bali that it would be opened to allow the entry of humanitarian assistance to its former province.

The land border at Mota'ain in Indonesia's West Timor was officially reopened at 0830 hours today, said border troops spokesman Major Aziz Mahmud.

He said Indonesian nationals and foreigners could not cross into East Timor, but that foreigners and East Timorese who felt their life was under threat could enter if they had a recommendation from Indonesia's Dili Embassy.

He also said that some goods were being permitted into East Timor, including essential items such as cooking oil and dry goods.

Yudhoyono had ordered the border shut on May 26 to prevent incidents that "could create complications" between the neighbours, he said on Saturday.

East Timor opted for independence from Indonesia in 1999 after 24 years of occupation in a referendum.

But the results were accompanied by an orgy of violence carried out by Indonesian forces and Jakarta-backed militias. Around 1,400 people were killed. Ties have since improved.

Bureau Report

São três e vinte e oito e está tudo calmo

Até amanhã.

Conselho de Segurança aprova terça-feira extensão da UNOTIL

Washington, 19 Jun (Lusa) - O Conselho de Segurança das Nações Unidas vai aprovar na terça-feira a extensão do mandato da sua missão em Timor-Leste (UNOTIL) por dois meses, disseram hoje à Lusa fontes diplomáticas.

Segundo as fontes na ONU, a decisão está já tomada, sendo a reunião de terça-feira apenas "uma formalidade administrativa".

Embora Timor-Leste queira que as Nações Unidas aprovem o mais rapidamente possível uma nova missão, com uma força militar e policial alargada, vai demorar ainda alguns meses até que uma nova força da ONU seja aprovada.

Segundo o embaixador timorense na ONU, José Luis Guterres, a aprovação de uma nova missão está dependente dos relatórios de enviados a Timor-Leste, que irão avaliar a situação no terreno.

"Terá depois de haver consultas sobre a composição dessa nova missão e da componente internacional", disse o embaixador.

Na semana passada o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, afirmou que as Nações Unidas não deverão enviar forças de paz para Timor-Leste antes dos próximos seis meses.

"A médio prazo", a ONU terá de "coabitar no teatro de operações" com forças da Austrália, Nova Zelândia, Malásia e Portugal, disse Annan, acrescentando que, eventualmente, terá de se formular um acordo através do qual uma força transformada da ONU assuma a responsabilidade.

"Em termos militares não espero que haja forças da ONU no terreno pelos próximos seis meses ou mais ou menos isso", disse Annan, afirmando esperar que os países que têm actualmente forças em Timor continuem a "ajudar a manter a lei e ordem até o Conselho de Segurança tomar decisões novas".

JP.

Obrigado, Margarida.

Tradução:

As forças de segurança distribuem fotografias de criminoso procurado
Junho 19, 2006 19:48 PM

De Azeman Ariffin

DILI, June 19 (Bernama) – As forças militares em Timor-Leste, na segunda-feira distribuíram fotografias de um criminoso procurado que se acredita ter estado envolvido na morte de sete policias em 25 de Maio, aqui.

O Comandante do contingente Malário (MALCON) Kol Ismet Nayan Ismail disse que o homem, identificado como Kiak, estava a ser procurado pelas forças de segurança e fotos dele vestido com um uniforme militar estavam a ser colocados em vários lugares.

Disse que pessoas com informação sobre ele deviam informar a força mais próxima.

Kiak, um antigo guerrilheiro em Timor-Leste, está, acredita-se, escondido em Los Palos, a cerca de 300 km de Dili, com 10 dos seus homens.

De acordo com um polícia, Kiak é um terrorista armado com armas pertencentes aos militares.

Entretanto, Dili estava cheia de tropas que se aprontavam para qualquer eventualidade após terem aparecido rumores de que milhares de pessoas estavam a preparar-se para fazer uma demonstração a pedir a resignação do Primeiro Ministro Dr Mari Alkatiri.

A violência irrompeu em Timor-Leste o mês passado depois do despedimento de 600 soldados do oeste do país depois de terem desertado, queixando-se de discriminação porque são do oeste da nação.

Isto desencadeou lutas no interior das forças de segurança que progrediram para lutas de gangs nas ruas. Pelo menos 21 pessoas foram mortas e mais de 133,000 fugiram das suas casas.

Mais de 2,200 tropas da Austrália, Nova Zelândia, Malásia e Portugal foram mandadas para aqui para restaurar a paz e a ordem.

-- BERNAMA

Militares australianos particularmente arrogantes hoje à noite

Hoje à noite em diversos auto-stops, os militares australianos mostraram-se particularmente arrogantes, fazendo sair os ocupantes dos carros à procura de armas.

Principalmente em carros com bandeiras de Portugal, com dísticos da Cooperação Portuguesa e das Nações Unidas que seguiam juntos.

Só para chatear, porque se fosse a sério, temos a certeza que teriam implicado com a catanazita no nosso carro.

Das duas uma. Ou começam a dar sinais de irritabilidade com a resistência luso-timorense ou estão a ver se intimidam estes malais que insistem em ficar cá...








Aussies republicanos...

I. Imaginem o que seria se tivesse sido ao contrário, a GNR a "sequestrar" um dos príncipes da Commonwealth... O que a BBC/ABC/NBC/CNN/ETC não estariam neste momento a dizer....

II. Mais um caso para a PGR investigar?

Número de deslocados internos fixado em 133 mil pessoas

Díli, 19 Jun (Lusa) - O número total de deslocados timorenses resultantes da crise político-militar em Timor-Leste foi hoje fixado em 133 mil pessoas, anunciou em Díli o coordenador da ajuda humanitária, Finn Reske-Nielsen.

O novo valor foi actualizado em comunicado recebido na Agência Lusa, que junta os dados parciais fora de Díli, num aumento de mais 15 mil pessoas à anterior lista.

Devido ao facto de muitas famílias terem deixado Díli há várias semanas, a informação das áreas mais remotas apenas agora começou a ser enviada para Díli, para o recém-criado Grupo Inter- Agências de Assistência Humanitária.

Na capital timorense, continuam recenseados 55 campos de acolhimento, que incluem instituições ligadas à Igreja Católica.

"O aumento populacional nos distritos pode provocar a diminuição dos bens alimentares disponíveis. Adicionalmente, a paragem da actividade económica em muitas partes do país é muito grave e pode mesmo piorar se a crise se mantiver", salientou Finn Reske-Nielsen.

O coordenador da ajuda humanitária da ONU, que hoje apresentou credenciais ao Presidente Xanana Gusmão como novo representante do Programa da ONU para o Desenvolvimento (PNUD), considerou que "as famílias que se encontram no limiar da subsistência são particularmente vulneráveis" pois, sem acesso a rendimentos, ficam impossibilitadas de adquirir comida e bens básicos, como medicamentos e combustíveis.

Para enfrentar esta situação, o Grupo Inter-Agências de Assistência Humanitária vai efectuar uma avaliação das necessidades em áreas chave como a segurança alimentar, educação, protecção, água e saúde.

"Ao mesmo tempo, as forças militares internacionais vão começar a avaliar a situação de segurança fora da capital", de molde a reunir as condições que permitam o regresso da população às suas zonas de residência.

O Grupo Inter-Agências de Assistência Humanitária integra os Ministérios da Saúde e do Trabalho e Reinserção Comunitária, organizações não-governamentais e agências da ONU.

A actual crise em Timor-Leste começou com o afastamento de cerca de 600 militares que se queixaram de alegada discriminação étnica por parte da hierarquia das forças armadas e cujo protesto, em finais de Abril, em Díli, terminou com uma intervenção do exército.

Na repressão da manifestação foram mortas cinco pessoas, segundo o governo, mas os ex-militares e outros elementos das forças armadas que entretanto abandonaram a instituição afirmam que morreram cerca de 60 timorenses.

Desde então, segundo a ONU, 37 pessoas morreram e, para restabelecer a segurança no país, as autoridades timorenses pediram a intervenção de uma força militar e policial a Portugal (que enviou 127 efectivos da GNR), Austrália, Nova Zelândia e Malásia.

Timor-Leste, antiga colónia portuguesa anexada pela Indonésia em 1975, viu a sua independência reconhecida pela comunidade internacional em 2002, depois de uma intervenção armada das Nações Unidas e após cerca de dois anos de administração transitória da ONU.

EL.

Timor-Leste rebels surrender arms

FT
By UNITED PRESS INTERNATIONAL
Published June 16, 2006


DILI, Timor-Leste -- Responding to an appeal from the president of Timor-Leste, rebel leaders say their troops have started handing over their weapons to foreign peacekeepers.

Alfredo Reinado, the rebels' leader, said he has pledged loyalty to President Xanana Gusmao and will comply with a request to disarm, reports the BBC.

However, the report said the rebels have not relented on their opposition to Prime Minister Mari Alkatiri. The prime minister is accused of dismissing 600 soldiers, an act blamed for the recent fighting between loyal troops and rebel soldiers in Dili.

More than 2,200 foreign peacekeepers are helping to maintain order in the capital, the BBC report said.

While the arms handover has started, the report said it was not clear how many weapons are with the rebels.

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Viva o Rei! e os GOEs também!..

Militares australianos retiveram Duarte Pio após visita ao PR

Díli, 19 Jun (Lusa) - Duarte Pio esteve retido domingo cerca de meia hora por militares australianos, depois de visitar o Presidente Xanana Gusmão, num incidente que o duque de Bragança considerou exemplar da falta de profissionalismo do contingente australiano estacionado em Timor-Leste.

O incidente verificou-se na descida de Balibar até à capital, quando uma viatura da embaixada de Portugal, devidamente identificada e com matrícula diplomática, foi mandada parar num controlo feito por militares australianos.

"Tinha acabado de fazer uma visita ao Presidente Xanana, e o agente do GOE (Grupo de Operações Especiais, da PSP) que viajava comigo foi intimado pelo militar australiano a entregar a sua pistola.

Não é normal", afirmou D. Duarte Pio.

"'Quero a sua pistola', disse-lhe o militar australiano, e o agente do GOE, muito calmamente respondeu "penso que não'. Enquanto isto, eram muitos os camiões e carros que passavam por nós, e que não era controlados", contou o duque de Bragança em declarações à Lusa.

"Se o objectivo (das tropas australianas) é conter a violência, não são obviamente diplomatas e polícias portugueses que andam a assaltar casas em Díli", frisou.

O contingente australiano foi alvo de muitas críticas, sobretudo nos primeiros dias após a sua chegada a Díli, a 25 de Maio, pela inacção demonstrada perante os actos de violência que se multiplicavam em vários bairros da capital.

Segundo Duarte Pio, o incidente ficou resolvido ao fim de cerca de meia hora, com a viatura da embaixada de Portugal a prosseguir finalmente a viagem de regresso para Díli.

O duque de Bragança deixou hoje Díli após uma estada de quatro dias em Timor-Leste, durante a qual se reuniu, além do Presidente, com o primeiro-ministro, Mari Alkatiri, com o ministro dos Negócios Estrangeiros, José Ramos Horta, e o bispo de Díli, D. Alberto Ricardo da Silva. Visitou ainda a Gráfica Diocesana de Baucau, instituição apoiada pela Fundação D. Manuel II.

"Há um certo desencanto relativamente à presença internacional", salientou o duque de Bragança, num balanço dos contactos que manteve.

Surpreendido com a intensidade da crise timorense, D. Duarte Pio manifestou o desejo de que haja uma "verdadeira reconciliação nacional".

"De facto não faz qualquer sentido este conflito interno. Há muita gente que suspeita de causas externas, de algum país que quer provar que Timor não é governável", afirmou, sem querer entrar em pormenores.

"Suspeito que haja interesses externos que possam ter manipulado algumas pessoas para fazerem estes disparates", disse ainda.

A breve visita que concluiu hoje será compensada pelas férias que pretende fazer em Setembro.

"Saio optimista (quanto à resolução da crise), já reservei quartos (na Pousada de Baucau) para passar férias em Setembro com a família. Antes irei a Bali, ao casamento da irmã mais nova da filha do ex-presidente (indonésio) Sukarno, Megawati Sukarnoputri", revelou.

EL.

Ramos-Horta quer armas 'investigadas'

Correio da Manhã
2006-06-18 - 00:00:00
ONU iliba Lobato de golpe de Estado

As alegações sobre o envolvimento do ex-ministro timorense do Interior, Rogério Lobato, numa tentativa de golpe de Estado “não têm qualquer fundamento, porquanto as investigações apenas começaram este fim-de-semana” – afirmou fonte das Nações Unidas.

A fonte – que solicitou o anonimato – precisou que “não faz sentido iniciar uma investigação com qualquer tipo de convicção quanto à culpabilidade de quem quer que seja”.

“Naturalmente que o Ministério Público vai avaliar todas as linhas de investigação relacionadas com as mortes registadas em finais de Abril, bem como as dos oito polícias, a 25 de Maio, e os actos de violência ocorridos em Díli nas últimas semanas”, acrescentou a mesma fonte.

“Mas, porque se está ainda no início das investigações, é um erro considerar-se que existem juízos preconcebidos, com pessoas a serem consideradas culpadas”, adiantou ainda a fonte.

A questão da alegada participação de Rogério Lobato numa tentativa de golpe de Estado foi ventilada no dia em que José Ramos-Horta, ministro da Defesa – acumulou a pasta com a dos Negócios Estrangeiros –, considerou que “a controversa questão da distribuição de armas por parte de certos elementos ligados ao governo deve ser exaustivamente investigada”. Ramos-Horta afirmou ainda ter telefonado ao líder dos militares revoltosos, major Alfredo Reinado, para o felicitar pela entrega das armas.

Integrado na comitiva presidencial, o ministro rumou ontem a Bali para se avistar com o seu homólogo indonésio, Hassan Wirajuda.

RAMOS-HORTA CRITICA LOBATO

O ex-ministro do Interior de Timor-Leste Rogério Lobato “devia ser mais prudente”, aconselhou o ministro de Estado, José Ramos Horta, em resposta às acusações de Lobato, que implicou, nomeadamente, o presidente Xanana Gusmão numa alegada tentativa de golpe de Estado.

SOLTAS

CPLP EM LISBOA

Os chefes da diplomacia da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) reúnem-se hoje em Lisboa para analisar a crise em Timor-Leste. Na reunião, participam os ministros Freitas do Amaral, Alcinda Abreu (Moçambique), Bernardo Miranda (Angola) e Carlos dos Anjos (S. Tomé e Príncipe).

GULBENKIAN AJUDA

A Fundação Calouste Gulbenkian vai enviar uma ajuda de 150 mil dólares destinada aos deslocados em resposta ao apelo do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados.

Paulo Madeira com Lusa
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No Timor do Publico.pt

Arco-íris e sombras em Timor-Leste

Aqui, em Comoro, mais concretamente nas Aldeias 30 de Agosto, 4 de Setembro e Terra Santa, os últimos dias pareciam mais calmos.
Os militares malaios que percorrem a pé os bairros, de metralhadora em punho, tornaram-se habituais bem assim como o som dos tanques, dos jeeps, dos carros blindados e dos helicópteros que começam a tornar-se comuns no dia-a-dia deste lado da cidade.
Distintos são os sons do zinco a ser levantado do telhado, ou as vozes um bocado alteradas pela pressa com que se recolhem mobília, portas, janelas, tudo coisas a serem aproveitadas por quem já é apelidado pela população das casas roubadas, destruídas e incendiadas, como os novos donos dos seus bens.
O caminho que vai da encosta onde está situado o antigo depósito de água que abastecia esta zona da cidade ao outro lado da montanha no sentido da ribeira de Comoro, tem sido percorrido todos os dias por grupos de famílias, adultos e crianças, que se entretêm a apoderar-se do que é não seu, do que foi deixado para trás na fuga para leste por outras famílias tão pobres quanto eles.
Mas, ontem e hoje, percebeu-se alguma movimentação diferente do que já está a tornar-se rotineiro. De madrugada, depois do jogo entre o Gana e a República Checa transmitido pela RTTL, dois veículos militares passaram a grande velocidade para o sopé da montanha, um bocado mais para os lados de Rai Kotuk, do lado de cá de Taci Tolu.
Hoje, o fim de tarde que caía aparentemente calmo foi quebrado pelo som de tiros que repentinamente, se fizeram ouvir. Sem poder garantir, pareciam vir de Manleuana, do outro lado da ribeira. Mas já houve quem afiançasse que os tiros tinham sido na Pertamina, lá para os lados da Avenida de Portugal.
Olhei para o depósito da água e lá estavam uns vultos. Não sei se eram militares. De um momento para o outro surgiram três carros blindados abarrotados de militares dirigindo-se para a colina onde despejaram os homens que a pé iniciaram a subida até onde se encontravam as sombras.
Entristece-me não poder sequer apreciar o fim de tarde na minha varanda. Detesto sentir receio por algum tiro perdido.
A noite caiu, mas ainda tive tempo de fotografar o arco-íris que cortava o céu. Ao sentimento misto de tristeza e angústia que a hora crepuscular sempre me provoca juntou-se o desencanto. Pela falta de paz, pela insegurança e muito, pela incapacidade colectiva de nos deliciarmos, de desfrutarmos o que o nosso país nos oferece - cada pedaço de terra em Timor-Leste é um regalo para os olhos! -,sem termos de despender nada, a não ser respeitarmo-nos mutuamente, coexistirmos pacificamente e fazermos, todos juntos, aquilo que aqui se diz por tudo e por nada – e, que sendo sério, de tão vulgarmente repetido se tornou uma banalidade - que é “ construir a Nação”.

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Dos colegas do "Do alto do Tatamailau!... "

...os jogadores Jorge Andrade e Ricardo Carvalho exibiram uma faixa dizendo "Timor-Leste: uma só alma, um só povo".

Esperemos que todos tomem rapidamente consciência disso!

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segunda-feira, junho 19, 2006

Security Forces Distribute Pictures Of Wanted Criminal

June 19, 2006 19:48 PM

From Azeman Ariffin

DILI, June 19 (Bernama) -- The peacekeeping forces in Timor Leste, Monday distributed pictures of a wanted criminal who is believed to have been involved in the killing of seven policemen on May 25, here.

Commander of the Malaysian peacekeeping contingent (MALCON) Kol Ismet Nayan Ismail said the man, identified as Kiak, was being sought by security forces and pictures of him clad in army uniform had been put up at various places.

He said members of the public with information on him should inform the nearest peacekeeping force.

Kiak, a former guerrilla in Timor Leste, is believed to be hiding in Los Palos, about 300 km from Dili, with 10 of his men.

According to a policeman, Kiak is a terrorist armed with firearms belonging to the military.

Meanwhile, Dili was full of peacekeeping troops who were getting ready for any eventuality in the wake of rumours that thousands of people were preparing to hold a demonstration to demand the resignation of Prime Minister Dr Mari Alkatiri.

Violence erupted in Timor Leste last month after the sacking of 600 soldiers from the country's west after they deserted, complaining of discrimination because they came from the nation's west.

This sparked fighting within the security forces which progressed into gang warfare on the streets. At least 21 people had been killed and more than 133,000 people fled their homes.

More than 2,200 peacekeeping troops from Australia, New Zealand, Malaysia and Portugal were sent here to restore peace and order.

-- BERNAMA

Uma dúzia, portanto...

The Border Morning Mail
19.06.2006
Rebels hand in guns to Aussies

DILI: East Timor rebels handed over more than a dozen weapons to Australian peacekeepers yesterday in what could be a breakthrough for peace.

Hundreds of renegade soldiers, though, still remain armed in the hills around the capital, Dili.

Despite this, the East Timorese Government and Australian-led forces hope yesterday’s relatively small weapons handover is the beginning of a wider disarmament process that could be key to easing months of bloody unrest in the tiny nation.

The handover ceremony took place at the picturesque hill station of Maubisse, south of Dili.

Lt-Cdr Alfredo Reinado, who heads a rebel group that includes soldiers dismissed from the army earlier this year, handed over his M-16 rifle, with telescopic sight, to an Australian soldier.

Then his soldiers, standing in a row, turned in their guns.

Lt-Cdr Reinado checked that they were unloaded and passed them on to the Australians, who noted down their type and serial numbers.

Obrigado, Margarida.

Tradução:

Estão a ser pedidas as armas a mais rebeldes

The Daily Telegraph

De correspondentes em Liquica, Timor-Leste

Junho 19, 2006

O Ministro dos Assuntos Estrangeiros José Ramos Horta pediu a um líder dissidente rebelde hoje, para entregar as armas do seu grupo, dizendo que a nação precisa de construir a paz.

O Sr Ramos Horta, que é também o ministro da defesa, viajou para uma aldeia na montanha fora de Liquica, 30km oeste de Dili, para pedir a Vicente da Conceição para seguir as ordens do Presidente Xanana Gusmão para entregar as suas armas.

Saudado por homens das tribos tradicionais em vestes guerreiras e enfeites de penas na cabeça, o ministro dos estrangeiros pediu ao Sr.da Conceição para seguir o exemplo do Major Alfredo Reinado, outro líder rebelde que entregou algumas das armas dos seus homens na Sexta-feira.

" Timor-Leste não precisa de armas. Precisamos de comida, remédios. Não precisamos de armas," disse aos milicianos o vencedor do prémio Nobel da paz, que foi guardado por tropas Australianas durante a sua visita.

"Toda a gente deve cooperar com o Presidente Xanana (Gusmão)," disse.

O Sr Da Conceição, conhecido como 'Railos', alegadamente disse que o Primeiro Ministro Mari Alkatiri tinha pago ao seu grupo de guerrilheiros reformados para assegurar que seria re-eleito como líder do partido Fretilin no mês passado, mas que se separou-se dele.

"Todos nós falhámos Timor-Leste outra vez," disse o Sr Ramos Horta, referindo-se à crise, que detonou depois do Sr Alkatiri ter despedido 600 soldados, quase metade das forças armadas do pequeno país, depois de desertarem, queixando-se de discriminação.

Pelo menos 21 pessoas foram mortas em violência nas ruas e mais de 133,000 foram deslocadas das suas casas, despoletando avisos de uma possível crise humanitária.

O Major Reinado e os seus rebeldes começaram a entregar as suas armas na sexta-feira a alguns dos mais de 2200 elementos da força internacional liderada pelos Australianos, agora no país. Também se espera que outras facções rebeldes entreguem as suas armas.

O chefe federal da polícia da Austrália, Mick Keelty, disse que a situação em Timor-Leste permanecia tensa, com milhares de armas de fogo da polícia local e dos quartéis militares agora nas mãos de civis.

Obrigado, Margarida.

Tradução:
Ainda não há paz em Timor-Leste
Bermana
De: Azeman Ariffin

DILI, June 18 (Bernama) – A paz ainda não regressou a Timor-Leste mesmo depois dos rebeldes liderados pelo Major Alfredo Reinado terem entregue as armas na quinta-feira.

As 130,000 pessoas que fugiram das suas casas com medo, quando a violência nas ruas irrompeu o mês passado, ainda se recusam a voltar para casa.

Na noite passada, as tropas internacionais encontraram mais de 300 rounds de munições e vários M-16 magazines escondidos numa casa do distrito de Don Bosco, aqui.

De acordo com o comandante das tropas Malárias, Coronel Ismet Nayan Ismail, a casa pertence a um membro do grupo rebelde.

"Ele escapou antes da chegada das tropas internacionais. As tropas foram lá depois de terem recebido uma denúncia," disse.

Ismet disse que as tropas internacionais também detectaram infiltrações em Timor-Leste vindas do mar.

Contudo, disse, não se podia determinar imediatamente se os infiltradores eram do grupo rebelde ou se eram gangsters para tirar vantagem do caos no país.

"Ainda acontecem actividades indesejadas ... a segurança está a ser reforçada à volta de Dili, por isso os infiltradores estão a usar o mar," disse.

Acrescentou que tinha informação que teria lugar uma demonstração de massas em Dili nos próximos dias, provavelmente dos partidos da oposição exigindo a resignação do Primeiro Ministro Mari Alkatiri.

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Nota: Ver post da detenção que ocorreu na manhã seguinte:

Detenção do sub-comandante do comando distrital de Díli da PNTL

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Obrigado, Margarida.

Tradução:

CPLP
O bloco de língua Portuguesa manda missão de investigação a Timor-Leste

Os Ministros dos Estrangeiros da CPLP (a Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa) decidiram numa reunião, no Domingo, que enviariam uma missão a Timor-Leste, atingido por crise, para averiguar a situação.

As nações da CPLP estão a examinar, actualmente, as maneiras para poderem ajudar a nação da ilha do Pacifico a ultrapassar a crise politica, social e militar, que dura à semanas.

Timor-Leste é membro do bloco de oito nações e a Ministra de Estado do país, Ana Pessoa, esteve em Lisboa no Domingo na reunião, ao lado de Ministros dos Estrangeiros de Portugal, Brasil, Cabo Verde, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe.

Falando aos repórteres depois da reunião, Pessoa disse que a missão será enviada numa " excelente altura," acrescentando que a crise do país estava a aliviar.

" Timor-Leste não é um Estado falhado," disse aos repórteres o ministro Português dos Estrangeiros, Diogo Freitas do Amaral. "Temos de defender a necessidade de enviar uma força das Nações Unidas na qual todas as nações membros participem activamente."

O comunicado do encontro apelou a uma nova missão da ONU que inclua pessoal da polícia, civis e militares, e apelou às Nações Unidas para estabelecer “uma nova moldura política e judicial que permita à comunidade internacional prestar uma contribuição efectiva."

Os ministros reiteraram o apoio às autoridades de Timor-Leste e urgiram diálogos envolvendo todas as forças políticas locais.

Fonte: Xinhua

Obrigado, Margarida.


Tradução:

REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DE TIMOR-LESTE

GABINETE DO PRIMEIRO-MINISTRO
PRESS RELEASE

O Governo de Timor-Leste rejeita história retomada de armas


“Um dos factos da reportagem de hoje no The Age e no Sydney Morning Herald é que a empresa liderada por Bader Alkatiri importou 257,000 rounds de munições no final de 2004 para as forças da polícia,” disse Mr Antoninho Bianco, Ministro da Presidência do Conselho de Ministros de Timor-Leste.

A reportagem omitiu que esta compra foi o resultado de um concurso público, delineado com o apoio de conselheiros estrangeiros, conduzido de modo totalmente transparente,” disse o Ministro Bianco.

“Esta compra de munições não é a base para qualquer alegação escandalosa contra ninguém no meu governo,” disse.

A história é uma retoma de uma reportagem do escritor do Herald, Mark Dodd, de Julho 7, 2005. Inclui outro facto, que sete espingardas automáticas de alto-poder F2000 foram importadas por uma companhia dirigida pelo Sr. Filipe Sousa-Santos, sob um contrato autorizado pela Administração das Nações Unidas, UNTAET.

O Sr. Santos-Sousa pertence à família Carrascalão, cuja figura liderante, Mário Carrascalão, é o Presidente do Partido Social Democrata que tem seis membros na Oposição. Os 30 membros armadas do grupo dirigido pelo Comandante Reilos Vicente foram entrevistados na noite de 8 de Junho pela repórter da ABC 4 Corners, Liz Jackson, na casa do Sr. Carrascalão, fora de Dili.

“Esta velha história não deve desviar a atenção da questão realmente importante de identificar quem distribuiu armas aos civis na semana de 22 de Maio ou antes disso”, disse o Ministro Bianco.

“O nosso governo está completamente envolvido no apoio a esta investigação”.

As histórias do SMH e do Age procuram ligar a importação de munições a reportagens sem fundamento de o Ministro Rogério Lobato, que se demitiu, ter secretamente importado e distribuído armas a civis, como aos do grupo de Reilo, do qual é agora relatado ter 20 pessoas armadas, estacionadas em Liquica, na costa oeste de Dili.

Esta ligação ténue é então usada para sugerir que o Primeiro Ministro deve ser investigado e depois demitido pelo Presidente.

Em 14 de Junho, o Presidente Xanana Gusmão declarou ao Parlamento que sempre suportaria a Constituição, que não lhe permite demitir o Primeiro Ministro a não ser que o próprio Parlamento declare o Estado de Emergência.

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Traduções

Todas as traduções de inglês para português (e também de francês para português) são feitas pela Margarida, que conhecemos recentemente, mas que desde sempre nos ajuda.

Obrigado pela solidariedade, Margarida!

Mensagem inicial - 16 de Maio de 2006

"Apesar de frágil, Timor-Leste é uma jovem democracia em que acreditamos. É o país que escolhemos para viver e trabalhar. Desde dia 28 de Abril muito se tem dito sobre a situação em Timor-Leste. Boatos, rumores, alertas, declarações de países estrangeiros, inocentes ou não, têm servido para transmitir um clima de conflito e insegurança que não corresponde ao que vivemos. Vamos tentar transmitir o que se passa aqui. Não o que ouvimos dizer... "
 

Malai Azul. Lives in East Timor/Dili, speaks Portuguese and English.
This is my blogchalk: Timor, Timor-Leste, East Timor, Dili, Portuguese, English, Malai Azul, politica, situação, Xanana, Ramos-Horta, Alkatiri, Conflito, Crise, ISF, GNR, UNPOL, UNMIT, ONU, UN.