sábado, novembro 04, 2006

De um leitor

MAIS VALE TARDE QUE NUNCA!

É de saudar esta notícia de RH. Que foi tardiamente que se decidiram a enfrentar o problema também não deixa de ser verdade.
Compreende-se pelas suas palavras e das de outras fontes que "vão limpar Díli" de refugiados/deslocados, principalmente as zonas que são as portas das visitas - aeroporto e porto.

A decisão pode ser boa se não for uma doentia operação de "limpeza". Isso revelará "manha" e nada há de pior que um governo tomar medidas "manhosas", porque significa que não vai resolver o problema mas sim escondê-lo até não se sabe quando.
Esperemos que assim não seja.

Outra coisa que não se entende está relacionada com a os números. Gostaria que me explicassem, se possível, como se passa de 150.000 refugiados/deslocados para 25.000 registados.

Significará que existem muitos mais mas só estão registados 25.000?

Foi feita uma inflação dos 150.000? Fizeram uma sub-avaliação dos 25.000? Neste período já 125.000 regressaram ás suas casas ou optaram por outras alternativas e têm o problema resolvido?

Parece haver qualquer coisa que não bate certo e agradecia a quem soubesse que nos explicasse.

Bem, mas temos de ser positivos, e para já há que ter a esperança de que o governo começou a "sujar as mãos" e a trabalhar para evitar a catástrofe de saúde pública que o período das chuvas pode levar a quem foi privado das suas casas.

Pergunta-se agora que tipo de segurança terão as pessoas que abandonarem os campos e que regressem a suas casas?

Os elementos estrangeiros responsáveis pela segurança vão todos ser integrados nas UN e ter um comando único, ou não?

Os militares do exército de TL e a polícia vão começar a participar nas operações de segurança, ou não?

Se essas medidas não forem imediatamente tomadas é escusado falarmos de segurança, dizem os entendidos e eu concordo.

António Verissimo.

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5 comentários:

Manuel Leiria de Almeida disse...

Pois é... A mim essa dos 150 mil refugiados nunca me convenceu completamente, parecendo-me mais uma conta muito conveniente para inflacionar o orçamento de algumas instituições envolvidas no processo.
Senão vejamos: na ocasião do recenseamento de 2004 a população do distrito de Dili era de 175.730 pessoas. Se tirarmos os habitantes de Ataúro e de Metinaro, ficamos com cerca de 160 mil.
Se "abatermos" mais uns quantos milhares que regressaram aos seus ditritos em vez de ficarem nos acampamentos, temos que só se toda a população qie ficou em Dili tivesse ido para os campos de refugiados atingiríamos os 150 mil --- incluindo os nascidos desde Julho/04.
Daí que o número de 150 mil sempre me pareceu sobreavaliado.

Quanto ao "desmontar" dos campos frente ao Hotel Timor e junto do aeroporto, é possível que a solução seja igual à seguida no campo que havia perto da casa de JRH e que se "esfumou" no ar de um dia para o outro, ao que dizem graças ao pagamento de um "subsídio"...
Temo que a solução agora encontrada seja, pelo menos no curto prazo, mais para "inglês (não...) ver" que outra coisa. Ainda ontem uma amiga me dizia que tinha voltado a fugir de casa porque o vizinho foi morto com uma seta envenenada...
É pena ter-se espalado tanto ódio, que só gera ódio por mais uma ou duas gerações. Helas!...

Henrique Correia disse...

Observações e perguntas muito pertinentes.

Anónimo disse...

Maioria destes refugiados, muitos deles pertencem a ponta leste do TL, regressaram para os seus distritos de origem no mes passado. Para dizer a verdade a crise so surge em Dili, Os restos 12 distritos estao seguros, seja em Leste ou Oeste do TL. Por isso eh que muitos destes refugiados decidiram, por enquanto, voltar para o seu distrito. Sou um deste refugiado, a minha casa foi destruida em Dili, todos os meus bens foram incendiados e agora estou em Baucau com um accesso de internet muito limitado de tipo dial-up de Timor Telecom, para vos informar sobre este assunto.

Antonio Da Costa Silva

Anónimo disse...

Amigo António:

Obrigado pelo seu testemunho. Lamento o que aconteceu à sua casa. Infelizmente o seu caso não é único.

Agora o mais importante é salvar a sua vida e a dos seus.

Espero que este momento mau passe depressa e que todos possam refazer as suas vidas dentro do possível.

Um abraço de Portugal

Anónimo disse...

Ao limparem a cidade de Díli dos refugiados procede-se simultaneamente ao embelezamento de jardins que proporcionarão passeios agradaveis a... turistas.

Com um pouco de flores, algumas ramagens a criarem sombra na cidade, alguns bancos implantados à frente do mar e sem campos de refugiados com mar de gente à vista, a cidade aparentará ser uma cidade em que vida é "normalíssima".

Primeiro limpam-se da cidade refugiados, serão depois opositores políticos... até cidade se tornar num paraíso golpístico!

Traduções

Todas as traduções de inglês para português (e também de francês para português) são feitas pela Margarida, que conhecemos recentemente, mas que desde sempre nos ajuda.

Obrigado pela solidariedade, Margarida!

Mensagem inicial - 16 de Maio de 2006

"Apesar de frágil, Timor-Leste é uma jovem democracia em que acreditamos. É o país que escolhemos para viver e trabalhar. Desde dia 28 de Abril muito se tem dito sobre a situação em Timor-Leste. Boatos, rumores, alertas, declarações de países estrangeiros, inocentes ou não, têm servido para transmitir um clima de conflito e insegurança que não corresponde ao que vivemos. Vamos tentar transmitir o que se passa aqui. Não o que ouvimos dizer... "
 

Malai Azul. Lives in East Timor/Dili, speaks Portuguese and English.
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