quarta-feira, março 07, 2007

Reinado must die !

areamilitar.net
por Paulo Mendonça
04.03.2007

Quando em 2006, despontaram os primeiros recontros em Timor, entre o que pareciam ser conflitos étnicos entre habitantes da região oriental e outras da região ocidental do país, uma figura apareceu na ribalta.

O «Major» Alfredo Reinado, nasceu em Timor em 1967, foi recrutado pelos indonésios, foi posteriormente refugiado na Austrália, para onde conseguiu fugir em 1990, viveu naquele país até ao ano 2000, altura em que voltou a Timor.

Vindo da Austrália, onde terá tido algum treino militar, dado pelos australianos, Reinado foi imediatamente integrado nas Forças Armadas de Timor Leste. Inicialmente, foi colocado na pequena força naval timorense, composta por dois pequenos patrulhas da classe Oecusse, modernizados e oferecidos a Timor pela marinha portuguesa.

O seu comportamento truculento e a sua dificuldade em aceitar ordens, não lhe granjearam muitos amigos, mas conseguiram-lhe alguns seguidores, num país onde a truculência e a demonstração pública de «valentia» são vistas como forma de escolher líderes. Por onde passava, Reinado criava problemas, e nunca foi homem de ficar muito tempo num lugar.

Foi enviado várias vezes para a Austrália. Esteve naquele país em Outubro de 2003, Agosto de 2004 e em 2005. com o fito de o disciplinar, mas a tentativa não resultou.

Não se sabe muito sobre os contactos que estabeleceu com os australianos, mas sabe-se que quando voltou a Timor em 2004, foi despromovido da força de defesa e colocado na Policia Militar, como comandante de um pelotão.
Para Reinado, foi a humilhação. Provou nas brigas e nos desacatos de rua a sua coragem, e não compreendeu que essa foi a razão da sua despromoção.

A partir daí as suas relações com os seus superiores tornaram-se cada vez mais azedas. O seu comportamento violento, desordeiro e indisciplinado levou à sua deserção das Forças Armadas em 2006.

Em 4 de Maio, juntamente com um grupo de 20 membros do seu pelotão de policia militar, roubou dois veículos cheios de armas e juntou-se a um grupo de soldados em rebelião por razões de pagamento de salários, alegadamente em solidariedade para com ex-militares em protesto, que terão sido atacados pelo exército.

A partir de aí, embora claramente fora do controlo quer do Primeiro Ministro quer do Presidente da República, Reinado não foi tocado. Quando as forças internacionais da Australia e da Nova Zelândia chegaram, Reinado não foi preso, molestado ou sequer intimado a entregar as armas roubadas que tinha em seu poder.

Reinado conviveu amigavelmente com as tropas australianas durante semanas, sabendo-se e sendo público que detinha armamento militar roubado. As forças australianas, que chegaram a ameaçar militares portugueses da GNR, exigindo que não andassem armados nas suas áreas de intervenção, nunca fizeram nada para desarmar Reinado, que estava armado com armas de calibre 7.62 e 12.7mm a 10 metros de instalações militares australianas.

Só em 26 de Julho, quando começava a ser claro que Reinado estava a ser protegido pelos australianos, e após uma operação de forças da Guarda Nacional Republicana em que se apreenderam armas, finalmente os australianos prenderam Reinado e entregaram-no as autoridades.

Mas pouco depois, em 30 de Agosto, e quando as pretensões australianas de controlar completamente o processo de paz em Timor, excluindo completamente as Nações Unidas tinham falhado, o Major Reinado consegue fugir miraculosamente da prisão, juntamente com cinquenta e seis outros prisioneiros.

O pouco empenhamento das forças australianas na sua captura, saltou à vista e os responsáveis Neozelandeses pela guarda da prisão, estranhamente não mostraram o seu tão tradicional profissionalismo e apego ao «dever»

A dúbia posição da Austrália no conflito timorense.

A posição da Austrália e a sua relutância em agir contra Reinado, levantam várias suspeições.
A mais comum, é a de que durante as suas permanências na Austrália, Reinado terá estabelecido contactos com os serviços secretos australianos, aceitando «trabalhar» para eles, a troco de protecção para membros da sua família que vivem na Austrália.

Reinado, sería assim uma espécie de «Homem de mão» dos australianos, que seria colocado em campo quando fosse necessário criar condições de instabilidade que permitissem à Austrália entrar no território para condicionar a política timorense. Essa é aliás a estratégia tradicional da Austrália para a região, onde normalmente utiliza este «modus operandi», para garantir o controlo político sobre os pequenos países vizinhos.

Esta forma de actuação, já foi utilizada pelos australianos na Papua Nova-Guiné e nas ilhas Fidji, normalmente consideradas como sub-departamentos australianos. A Austrália envia forças de «interposição», mas não aprisiona os membros das forças rebeldes, limitando-se a controla-las. De seguida pressiona o governo, ameaçando com a saída das tropas, o que inevitavelmente implicará a volta da instabilidade.

Em Timor, o mesmo método parece ter sido utilizado, e Reinado poderá ter sido o instrumento chave, na implementação desta política australiana de intervenção, disfarçada de apoio ao governo.

Na imprensa australiana, foi mesmo criada a imagem de que Alfredo Reinado era um combatente pela Liberdade, uma espécie de Che-Guevara asiático, que lutava para defender os pobres e os oprimidos.[1]

Terá a Austrália falhado ?

Os planos da Austrália no entanto podem ter encontrado algumas pedras no sapato.

A primeira pedra foi o pedido inicial de apoio militar por parte do governo de Timor, endereçado não só à Austrália e Nova Zelândia, mas também à Malásia e a Portugal.

Com este tipo de tropas no terreno, imediatamente a estratégia australiana ficou algo comprometida. Os australianos entenderam isso de imediato, e tentaram garantir o controlo sobre as forças portuguesas e malaias, o que lhes foi recusado.
Depois disto, tentaram garantir que não haveria intervenção das Nações Unidas e que a operação Timor, se transformaria numa operação entre os governos de Timor e da Austrália, mas também aqui, os seus planos não tiveram consequências.

Presentemente, Reinado transformou-se de vantagem, em encargo, e é provável que Reinado saiba demais.

Se for verdade que Reinado não só foi protegido pelos australianos como que ainda por cima agiu por instruções directas do governo ou de empresas australianas, com o objectivo de criar instabilidade política em Timor, para remover o então Primeiro Ministro Mari Alkatiri, então Reinado tem os dias contados.

Se for aprisionado, poderá não ter outra oportunidade para fugir, e se revelar tudo o que tiver para revelar, deixará a Austrália e o governo australiano em maus lençóis.

Por tudo isto, não restam muitas opções a Reinado, e restarão ainda menos ao governo e às autoridades australianas.

Reinado, ou desaparece de circulação e tenta esconder-se nas montanhas de Timor até cair no esquecimento, ou então está condenado à morte.

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[1]A necessidade de inventar um herói popular, ficou expressa nas noticias na imprensa australiana em que se falava na sua resistência durante a invasão indonésia, em 1975, quando Timor era uma província portuguesa. Reinado tinha na altura oito anos de idade.
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Este texto é da autoria de Paulo Mendonça e foi publicado em 04.03.2007.

Rogério Lobato condenado

Rogério Lobato condenado a 7 anos e 6 meses, pelos crimes de 4 homícidios com dolo eventual e distribuição de armas.

Notícias - 6 de Março 2007

Timor-Leste: Comando australiano recuperou corpo de outro elemento do grupo de Reinado

Díli, 06 Mar (Lusa) - O comando australiano recuperou hoje o corpo de um quinto elemento do grupo de Alfredo Reinado morto em combate no domingo, em Same, Timor-Leste, afirmou à
Agência Lusa fonte oficial das Forças de Estabilização Internacionais (ISF).

"O corpo deste elemento do grupo de Reinado só foi encontrado hoje porque estava numa área de difícil acesso" dentro do perímetro que estava cercado pelas tropas australianas, acrescentou.
A fonte do comando australiano declarou ainda à Lusa que "um dos homens de Alfredo Reinado foi ferido durante a operação e está a receber assistência médica sob detenção".
No entanto, a mesma fonte não revelou o local em que este ferido está a ser assistido.
Durante a noite, a situação esteve mais calma em Díli e em vários pontos da cidade elementos das FALINTIL-Forças de Defesa de Timor-Leste garantiram a segurança de edifícios públicos.
Na madrugada de domingo, tarde de sábado em Lisboa, tropas das ISF apoiadas por helicópteros lançaram o ataque contra as posições do grupo de Alfredo Reinado, usando reforços de tropas de elite chegadas da Austrália nas últimas 48 horas.
As ISF fizeram um número indeterminado de detenções.
Pouco depois, numa questão de minutos, vários incidentes estalaram em simultâneo em diferentes bairros de Díli, com estradas cortadas por pneus em fogo, pedras ou árvores abatidas, apedrejamento de viaturas, casas incendiadas e combates de rua entre grupos rivais.
O bairro de Vila Verde, em pleno centro da cidade, foi um dos mais afectados, com instalações do ministério da Educação (um auditório e o armazém) a serem consumidas pelas chamas até ao amanhecer, sem que ninguém acudisse.
Cerca das 05:00 (20:00 em Lisboa), Alfredo Reinado escapou do cerco de Same "depois de dividir os seus homens em três grupos e ter feito avançar dois deles, saindo pela retaguarda", contou à Lusa uma fonte que acompanhou a operação de captura.
PRM-Lusa/fim

Reuters - Tuesday, March 6, 2007
East Timor Capital Tense After Protests

DILI (Reuters) - The capital of tiny East Timor was quiet but tense on Tuesday, a day after thousands of supporters of rebel leader Alfredo Reinado burnt tyres and threw stones to protest a raid by international troops on the fugitive's hideout.

"The situation is getting normal. Government vehicles have cleared the locations (of roadblocks)," a Reuters witness in Dili said.
He said New Zealand troops, part of an international peacekeeping force in the country of one million since last year, were patrolling areas considered riot prone.
Australian troops continued to comb the southern part of East Timor for Reinado, who escaped the weekend raid that sparked Monday's protests. Four people died in the raid.
Reinado was involved in fighting last year when the sacking of some of the army and regional differences plunged the fledgling nation into chaos.
Britain issued a new travel advice on Monday for East Timor warning against all travel there and advising British nationals in the country to leave.
"The security situation in East Timor remains uncertain and could deteriorate at short notice," the advisory said.
Australia and the United States have issued similar warnings, and Australia has announced it would evacuate non-emergency staff and families from its Dili embassy.

WEAPONS STOLEN

On Monday Reinado's supporters gathered in the heart of Dili, shouting "Long Live Alfredo", and denouncing President Xanana Gusmao, who had ordered security forces to arrest Reinado following accusations the former army major led a raid on a police post last month and made off with 25 automatic weapons and ammunition.
The protest broke up in the afternoon and Gusmao called on East Timor's people not to do anything that could destroy the nation's unity.
"We have seen many demonstrations lately that are not conveying positive messages in solving the myriad problems this country faces and on the contrary have contributed in provoking divisions among the society when this country needs unity," he said in a speech broadcast on television and radio.
He asked international and East Timorese authorities to take all legal actions needed to enforce order, warning that if "normal measures reveal themselves to be in sufficient" stronger steps may be necessary, "such as the state of siege".
Reinado has been on the run since he escaped from jail in Dili in August along with 50 other inmates.
The standoff between Reinado and the troops has raised fears of violence ahead of East Timor's April presidential election.
East Timor voted in a 1999 referendum for independence from Indonesia, which had annexed it after Portugal ended its colonial rule in 1975. The country became fully independent in 2002 after a period of U.N. administration.

Canberra Times - Tuesday, 6 March 2007
Botched battle brings home mission's failings
Nicholas Stuart

Events in Timor at the weekend demonstrate why our strategic focus must immediately be brought back to the immediate region. Although it's nice to be allowed to play with the big boys the US and Britain in their Middle Eastern sandpit, we are not actually accomplishing anything over there.

It is the height of conceit to think that we could crystallise a vague dream of democracy into reality. This country just doesn't have the strategic weight to achieve anything lasting over there. And while Prime Minister John Howard becomes increasingly shrill and hectoring about events half a world away, our own region is disintegrating.
If there was any doubt that Timorese rebel Alfredo Reinado had spent time in Australia, it was put to rest when he taunted the Australian troops supposedly surrounding him. "Tell the Aussie troops to stick surrender up their arse" he said. "There will be a civil war if anything happens to me." Our troops moved in at 2am.
Unfortunately, Reinado had left an hour earlier. The early-morning attack resulted in the deaths of four rebels, Brigadier Malcolm Rerden describing the raid as a "success". As the original mission was to capture Reinado, Rerden is apparently making up his own way of defining the word's meaning. He's not the only one. President Xanana Gusmao pretends "the operation was only to try and force Reinado to surrender". As if you normally ask someone to surrender by staking out their base for a week and then using special forces in a pre-dawn assault with helicopters and armoured vehicles in support. Oh, and killing four armed men for "posing an unacceptable threat".
No, the problem was not that the attack occurred. The failures were, firstly, that an assault was required and secondly, with its execution. Somehow, Reinado escaped. The cordon around the rebel "base" was obviously porous. This was an operational deficiency. Only those on the ground know how it occurred, however stuff-ups like this give the politicians good cause to wonder if the military can be trusted any more.
Although the snatch raid failed miserably, soldiers can't be blamed for the disintegration of East Timor. Interference in the internal affairs of another country is not Australia's job. But things cannot be allowed to deteriorate so far that military action is required to resuscitate the legitimate government of one of our neighbours.
The tiny island nations that surround us urgently require real support with the central functions of government if they are to survive. The Australian Strategic Policy Institute recently put forward the excellent suggestion that we could host some sort of college of governance. This would be an immediate way of genuinely building institutions. This is far more worthwhile than waiting for the complete collapse of a state, and then sending in troops. We could even call it something like the Australian School of Pacific Administration (or ASOPA for short). Sorry, that's a joke of course, because we got rid of ASOPA in 1972.
That establishment obviously wasn't required any more, because it was designed to train patrol officers. But the dramatic and urgent need to build institutions in our own region is blindingly obvious. A program would be simple to start. It would only require two streams one to train Australians to work for and with our neighbours; the second to encourage people from the region to gain experience, knowledge and familiarity with Australia, and the way we do things. This is an urgent strategic necessity.
Through one lens, what's happening in Timor today can be seen as an extension of what happened there in 1975. A small country, where the main business is government, is being ripped apart as different groups fight to determine who will get to control the place. When Portugal pulled out, small bands of political activists used the language of global revolutionaries to legitimise their own petty aspirations. Then Indonesia moved in to "provide stability". Today, our diggers are in there "providing stability" in the run-up to next month's election.
Times like this always get a bit tense in small island countries, where the spoils are suddenly up for grabs. There's one other point about the force deployment. As our soldiers patrol the streets they are the butt of continued attacks from hooligans, the disaffected, and worse. The dirt roads are looking increasingly as the streets of Northern Ireland did in the midst of the "troubles".
Unless the political situation is sorted out fast, it is just a matter of time before more people are killed. The other lesson from this debacle has been obvious to some people for a long time. It probably represents a degree of naivete to even be bothered restating that Defence can't be trusted. Lindsay Murdoch, an experienced correspondent in Timor, reported on Friday what anyone could see at Dili airport that a rapid troop build-up was occurring. The story quickly ricocheted back to Australia, where the probability of military action against the rebels appeared imminent.
Defence then issued a statement denying the SAS had been sent to the island. How stupid. Every commander has something called a "deception plan". This is developed to fool the enemy, because if you can confuse them about your intentions, then chances are they won't be able to anticipate what you're going to do next. But after one particular tactic is used once, it can't be used again. And that's the problem with what Defence did at the weekend.
The public relations machine became part of the war, churning out spin and the occasional direct lie in an attempt to keep a lid on the operation.
The military prostituted whatever remained of its good name, as part of an effort to deny what anyone in Timor could see was obviously the truth. In one stunning blow, the entire edifice has become redundant. By replacing the unit with a simple recorded message "no comment" a considerable amount of money could be saved.
When our troops first deployed to Timor, ordinary Australians were proud of the way they behaved and the mission that was accomplished. Since that high point, the mood has changed. First to apathy and then to antagonism. The increasing politicisation of Defence has not, as yet, led to a resurgence of the sort of divisions that stalked the relationship at the time of the Vietnam War. It is unfortunate, however, that a trend in this direction can already be detected.
- Nicholas Stuart is a Canberra writer. nicstuart@hotmail.com

AP/ Hong Kong Standard -Tuesday, March 06, 2007
Timor teeters on brink
Guido Goulart

President Xanana Gusmao invoked emergency powers to quell unrest Monday as hundreds of young men blockaded roads in East Timor with burning tires in support of a fugitive rebel leader.

Australia will evacuate non-essential government personnel, and the United States issued a travel warning.
Security in the tiny Asian nation deteriorated after international troops backed by helicopters launched a pre- dawn raid Sunday on Alfredo Reinado's mountain hideout, killing four insurgents and sending others fleeing into the jungle.
Reinado, heavily armed and wanted on murder charges, was among those who escaped.
"The state will use all legal means, including force, to stop violence and prevent destruction of property and killing, and to restore law and order," said Gusmao in a national address, giving peacekeepers and police the right to carry out arrests and searches without warrants and to break up public gatherings.
East Timor, one of the world's youngest and poorest nations, is struggling to regain stability after factional fighting in May between armed forces killed at least 37 people and sent more than 150,000 fleeing from their homes.
Order was largely restored with the arrival of 2,700 Australian-led troops and the installation of a new government, but fighting between rival gangs has flared in recent weeks raising concerns that presidential elections next month could turn violent.
Australian soldiers last month shot dead two Timorese men, exasperating tensions, and rock-hurling protesters demanded Monday that international forces leave.

Rádio Renascença - 06-03-2007, 3:16
Major Tara apela ao fim das hostilidades

Quebrou-se o grupo de ex-militares que iniciaram a revolta há cerca de um ano em Timor-Leste. Um ex-revoltoso apela à entrega das armas.

Ouvido esta noite pela Renascença, o ex-major Augusto Tara, um dos militares que iniciaram a revolta nas forças armadas timorenses, afirma que se desligou do ex-tenente Gastão Salsinha e do ex-major Alfredo Reinado depois do recente assalto a esquadras da polícia.
Em declarações à agência EFE, Reinado afirma que vai manter a luta pela justiça, enquanto Salsinha ameaça usar o apoio da juventude para iniciar uma guerrilha.
Augusto Tara, por seu lado, apela aos antigos companheiros para que entreguem as armas e evitem mais mortes em Timor.

Transcrição da entrevista conduzida por Dora Pires/Rádio Renascença:

Rádio Renascença: [Pergunta não audível]
Augusto Tara: Exactamente. Estão a andar juntos. Há dois dias que eu telefonei a eles; antes daquela situação de Same, telefonei a eles, quando ouvi falar de que estão cercados [pelas] forças internacionais eu telefonei a eles para retirar imediatamente daquela situação e para não provocar conflitos entre as forças internacionais e o grupo do major Alfredo. Mas, depois disso me responderam, mas depois não saíram daquele sitio, não ... portanto, não querem sair daquele sítio, querem provocar uma situação que está a piorar e uma situação que confusa a população e uma situação que nunca podemos aceitar que vai dar mortos nesta actual situação. Porque não é tempo de dar as pessoas para morrerem. Isto é uma situação que nunca posso aceitar com a posição deles.

Público – Terça, 6 de Março de 2007
Rebelde fala em desencadear guerrilha em Timor-Leste
Adelino Gomes

Xanana ameaça com estado de sítio e Salsinha com guerrilha. Ramos-Horta, ao PÚBLICO, menoriza o apoio da juventude a Reinado

Dois dias depois da tentativa falhada de capturar Alfredo Reinado, em Same, seguida de manifestações de apoio ao major rebelde em Díli, o presidente timorense, Xanana Gusmão, ameaçou instaurar o estado de sítio "caso medidas normais não sejam suficientes para aliviar a pressão criminal actualmente existente".
Ao mesmo tempo que o governo australiano autorizava o pessoal diplomático não essencial a abandonar o país, o porta-voz dos ex-peticionários, tenente Gastão Salsinha, falou, pela primeira vez, na possibilidade de desencadear uma luta de guerrilhas "para combater a injustiça".
Salsinha, um dos líderes da luta dos 595 peticionários que abandonaram as FDTL (forças de defesa de Timor-Leste) há cerca de um ano, logrou também escapar ao cerco das forças internacionais que ontem continuavam a caça ao homem na zona sul do país.
"O que vamos fazer é tentar reagrupar-nos e estabelecer um novo plano de acção que seja apoiado pela juventude da selva e de Díli, para combater com guerrilhas a injustiça, as pessoas que tem o poder em Díli e que cometem coisas tão injustas como a expulsão de soldados e do comandante Alfredo Reinado ", disse Salsinha, num contacto telefónico com o correspondente da agência espanhola efe, Florentino Goulart.
Gastão Salsinha revelou que se encontrava próximo da posição do seu "aliado" Alfredo Reinado no momento em que forças australianas atacaram, "com quatro helicópteros Black Hawk e helicópteros de vigilância", mas conseguiu escapar com quatro seguranças "e alguns amigos de Same".
Num contacto telefónico separado com a mesma agência, Reinado disse, por seu turno, que luta pela justiça "junto ao povo". O seu "poder", acrescentou, "vem do povo e está com o povo", afirmou.

O aviso de Xanana

Numa declaração ao país, transmitida ontem pela rádio e televisão timorenses - a segunda em 24 horas -, Xanana Gusmão anunciou que "o Estado vai utilizar todos os mecanismos legais disponíveis, incluindo o uso da força, quando necessário, para pôr fim à violência, à destruição de bens e à perda de vidas e restabelecer rapidamente a ordem pública".
"O país está a assistir a uma certa anarquia e a uma falta de vontade de certos segmentos da sociedade em contribuir para a estabilização do país. (...) não se pode permitir que se continue a perder bens e vidas e que os cidadãos continuem a viver num clima de insegurança", disse o presidente da república.
A deterioração da situação de segurança "é um assunto de séria preocupação" para o governo da Austrália, considerou, por seu lado, o ministro dos negócios estrangeiros, Alexander Downer, ao anunciar que o pessoal não essencial da representação diplomática em Díli foi autorizado a abandonar Timor-Leste. "A situação é volátil" e os australianos podem ser "especialmente visados" por actos de violência, justificou.
O ministro australiano manifestou-se especialmente preocupado com a situação dos jornalistas do seu país que tentam atingir a região de Same, onde prosseguem as operações de busca de Alfredo Reinado.
Embora manifestando-se de acordo com as considerações do seu homólogo, o ministro Luís Amado disse ontem em Bruxelas não ver "nenhuma necessidade" de tomar medidas com vista à retirada de cidadãos portugueses do país (ver caixa nesta página).
A escola portuguesa de Díli esteve encerrada ontem e a embaixada manteve a recomendação para que os membros da comunidade efectuassem apenas as deslocações estritamente necessárias.
Apoiantes de reinado têm vindo a responder às operações contra o antigo comandante da polícia militar com apedrejamentos, barricadas, corte de ruas, queima de pneus e ataques a algumas residências e edifícios do governo, em Díli, especialmente nos bairros de Taibessi (onde no final da semana passada apareceram os primeiros cartazes de apoio ao major rebelde), Vila Verde, Colmera e bairro Pité.

100 dólares por Isaac

Além de Reinado e de Salsinha - os dois nomes mais conhecidos entre os militares em fuga -, ontem, a meio de madrugada (menos oito horas em Portugal), continuava igualmente "em parte incerta" o deputado independente Leandro Isaac, que se encontrou "por acaso" com Reinado em Same e passou a funcionar como uma espécie de seu porta-voz político.
Leandro Isaac garantiu à Lusa que não tem contacto neste momento nem com Alfredo Reinado nem com Gastão Salsinha. "Estou sozinho com a juventude", declarou lacónico sobre o seu paradeiro.
"Estou bem, na medida em que se pode estar bem nesta situação. Estou numa caverna, num buraco", acrescentou.
O deputado conseguiu escapar de Same porque os australianos não o reconheceram, segundo contou. "Eu vi soldados australianos oferecerem cem dólares à minha frente por informações sobre o meu paradeiro. Eles não conheciam a cara do Leandro Isaac e os jovens protegeram-me não dizendo quem eu era e levando-me com eles."
"Tenho muito pouco tempo", disse à agência noticiosa portuguesa, temendo ser denunciado pelo sinal do seu telemóvel.
Eleito deputado nas listas do PSD, de Mário Carrascalão, com quem entrou depois em dissidência, Leandro Isaac foi uma das vozes da Resistência para o exterior, durante a fase final da ocupação Indonésia de Timor.

Público – Terça, 6 de Março de 2007
Entrevista com José Ramos-Horta: Eleições não estão "necessariamente" em perigo
Adelino Gomes

À frente nas sondagens, Ramos-Horta desvaloriza as manifestações de apoio da juventude ao major rebelde Alfredo Reinado

O primeiro-ministro timorense, José Ramos-Horta, diz que as manifestações de apoio a Reinado não têm nada de político. "É mais entre elementos de artes marciais." Na bolsa de sondagens presidenciais, feita por um jornal de Díli, conta, vai em primeiro lugar e o candidato da Fretilin em último. Breve entrevista por e-mail.
PÚBLICO - Como foi possível tropas especiais deixarem escapar Reinado e o comandante australiano dizer que a operação foi "um sucesso"?
JOSÉ RAMOS-HORTA - A operação policial continua a decorrer na região de Same e redondezas.
PÚBLICO - O tempo joga a favor dele e contra o Governo e o Estado. Se ele não for capturado nos próximos dias, a campanha eleitoral não estará em perigo?
JOSÉ RAMOS-HORTA - Não necessariamente. Uma coisa é alguém estar confortavelmente instalado nalgum local sem ser incomodado, sem ser perseguido, outra é ter uma força especial atrás... Mas continuamos empenhados em fazer prevalecer a justiça pela via pacífica. As forças internacionais só reagem quando são atacadas. Foi o que aconteceu em Same.
PÚBLICO - Como se compreende que Reinado seja já um herói para jovens em Díli? Não significará isso que há realmente bastante desilusão por parte dos mais jovens em relação ao que a liderança que vem da Resistência fez nestes quatro anos?
JOSÉ RAMOS-HORTA - A pergunta peca logo pelo exagero quando fala nos "jovens" de Díli. Quem? Quais? A esmagadora maioria dos jovens é boa, pacífica, não está envolvida nos desacatos e não apoia quem usa a violência. O grupo a que está a referir-se é o mesmo que tem estado ao longo de meses envolvido em saques de armazéns, assaltos nos bairros, etc. Não tem nada de político. Primeiro foi a alegada divisão loromonu vs lorosae. Eu sempre disse que é um problema falso. O tempo veio a desmentir essa dita rivalidade entre gente do Oeste e do Leste. Nos últimos meses os problemas têm sido mais entre elementos de artes marciais rivais.
PÚBLICO - Estas manifestações não constituem, por outro lado, também, uma espécie de "moção de desconfiança" no actual governo e no seu chefe?
JOSÉ RAMOS-HORTA - Continuo a percorrer a cidade sem problemas. No sábado meti-me num minibus comercial, o famoso mikrolet, e percorri muitos locais, bairros. Almocei numa "tasca" numa das zonas quentes. Fui sempre recebido muito bem. A primeira sondagem à opinião pública feita telefonicamente pelo maior jornal diário de Díli deu-me 40 por cento de preferência dos eleitores; em segundo lugar ficou o candidato Xavier Amaral com 14 por cento; em terceiro lugar ficou Fernando Araújo, do Partido Democrático, com 12 por cento. O candidato da Fretilin ficou em quarto lugar com 11 por cento. Claro que é ainda muito cedo para termos uma apreciação correcta da preferência eleitoral. Matematicamente, o candidato da Fretilin deveria ganhar facilmente. Mas continuo a dizer: se o eleitorado, na sua maioria jovem - os tais jovens que diz estarem "desiludidos" com o meu governo -, votar por um dos outros seis candidatos, eu honrarei esse veredicto e até fico muito feliz pela escolha sábia do povo.

Público – Terça, 6 de Março de 2007
Crónica: Reinado é um Rambo louco?
Maria Ângela Carrascalão,

Há coisas que não consigo entender.
Reinado juntou-se aos autores ou é ele mesmo o obreiro da crise que eclodiu no país em Abril passado, resultante de outros tantos incidentes anteriores que nunca foram resolvidos?
Reinado, o desconhecido, metamorfoseou-se (ou metamorfosearam-no) em Reinado o herói: foi tratado como fugitivo de primeiríssima classe, foi recebido pelo presidente da república, dialogou com o primeiro-ministro, esteve guardado pelos militares australianos, passeou-se armado pelo país, assistiu à missa, falou para convidados sem que ninguém lhe deitasse a mão...
É certo que teve uma passagem fugaz pela prisão de Becora. Mas, também aí, Reinado encontrou a porta aberta, num tácito convite para o seu regresso à liberdade. e de passeio em passeio almoçou, riu, bebeu e juntou as armas de oferta de um posto da polícia de fronteira. Por causa de Reinado, o país está a ferro e fogo.
E o homem que ninguém conhecia soma agora seguidores por todo o país. Os jovens cortam o cabelo à Reinado, os mais (pouco) musculados, tal como Reinado, usam t-shirts sem mangas para que melhor se vejam os seus músculos; nalgumas ruas até já se vêem faixas vitoriando Reinado.
Se Reinado está por detrás de tudo, então não é apenas um rambo louco e tem qualidades de liderança, de organização e de persuasão de que ninguém suspeitava. O que não quer dizer que manobre sozinho...
Se Reinado não passa de um desgraçado alcandorado aos píncaros da fama por quem tinha o dever de pensar o país, então quem lhe deu força é ainda mais louco que ele. Se Reinado for preso, a paz volta ao país?
Reinado, o foragido, desertor, bem-falante de língua inglesa, perdida a costela portuguesa, odiado, amado, admirado, quem será este homem que obrigou até o presidente Xanana a comparar os perfis biográficos de ambos?
Que terá acontecido que tenha escapado aos timorenses e tenha levado a que se transforme o herói - bandido bom, simpático, de sorriso fácil - em alvo a abater com a máxima urgência?
Precisamos mesmo de um mártir?
Estamos transformados num país sem rei nem roque, onde até já se ouvem alguns à boca cheia e despudoradamente recordar em tom nostálgico os bons velhos tempos da ocupação indonésia; reduzidos a espectadores assustados de um triste capítulo da história da nossa curta independência, resvalamos perigosamente para o caos total. Não tarda nada, estamos a pedir que tomem conta de nós... quem virá ocupar Timor-Leste?
Os timorenses têm o direito de saber...

Diário de Notícias – Terça, 6 de Março de 2007
Xanana critica passividade perante a violência de Díli
Armando Rafael*

O Presidente timorense admitiu ontem poder vir a decretar o estado de sítio, caso as "medidas normais não sejam suficientes para aliviar a pressão criminal" no país. Uma intenção que, a ser concretizada, implicaria o adiamento das presidenciais de 9 de Abril, uma vez que a limitação da liberdade decorrente desta medida de excepção dificilmente poderia ser compatível com uma campanha eleitoral.

Razão pela qual o discurso de Xanana Gusmão parece apontar noutro sentido, introduzindo críticas às forças internacionais que não têm conseguido conter a violência dos últimos dias. Designadamente em Díli, já que o resto do país parece tranquilo, com excepção das escaramuças registadas em Gleno e Ermera.
"O país está a assistir a uma certa anarquia e a uma falta de vontade de certos segmentos da sociedade em contribuir para a estabilização do país", frisou Xanana, sublinhando que os timorenses "não podem permitir que se continuem a perder bens e vidas" ou a viver "num clima de insegurança."
Num discurso transmitido pela rádio e pela televisão, o Presidente apontou as manifestações dos últimos dias como um exemplo da intolerância que se vive no país, garantindo que "o Estado vai utilizar todos os mecanismos legais disponíveis, incluindo o uso da força, para pôr fim à violência, à destruição de bens e à perda de vidas e restabelecer rapidamente a ordem pública".

Um discurso que não parece deixar grandes dúvidas sobre a apreciação que Xanana faz acerca do comportamento de quem só tem actuado a posteriori para conter os distúrbios. Com excepção da GNR, que parece ser o único contingente internacional que se atreve a entrar nos bairros onde vivem alguns dos jovens que têm apoiado as posições do major Alfredo Reinado, que conseguiu escapar ao cerco que os australianos lhe tinham montado em Same, a 80 quilómetros de Díli.

Como se isto não fosse suficiente, Camberra vai começar a retirar hoje alguns australianos e outros estrangeiros de Timor-Leste, temendo novos focos de violência. Nomeadamente os que poderão ocorrer amanhã, quando for conhecida a sentença que deverá condenar o ex-ministro do Interior Rogério Lobato por ter distribuído armas a civis durante a crise do ano passado.
Sem que Portugal adopte, para já, esta posição das autoridades australianas, com as quais o ministro dos Negócios Estrangeiros esteve ontem em contacto, à margem de uma reunião da União Europeia.
Luís Amado adiantou ainda estar a acompanhar os acontecimentos com preocupação, considerando, no entanto, que a situação em Timor-Leste ainda está sob controlo. "Mas é tudo muito volátil", reconheceu o ministro, adiantando que a embaixada em Díli está preparada para ajudar os portugueses que quiserem abandonar o território timorense.
*Com Fernando de Sousa, em Bruxelas

EFE/Estadão (Brasil) - 06 de março de 2007, 02:35
Presidente do Timor assume controle das Forças Armadas
Forças Armadas usarão ´todos os meios necessários´ para deter rebelde, diz Gusmão

Díli - O presidente do Timor Leste, Xanana Gusmão, lançou mão nesta terça-feira, 6, de seus poderes de emergência para assumir o controle das Forças Armadas, que usarão "todos os meios necessários, inclusive a força" para deter o militar rebelde Alfredo Reinado.

Gusmão fez o anúncio na noite de segunda-feira, 5, depois de centenas de jovens partidários de Reinado se manifestarem diante da Embaixada da Austrália em Díli para exigir a retirada dos soldados australianos do Timor Leste. Trinta deles atacaram com paus, facções e pedras um café da capital.
A violência exigiu a intervenção da Polícia das Nações Unidas, que deteve três jovens, segundo o comandante do distrito, António Leitão. Assim, o presidente voltou a assumir os poderes de emergência a que já havia recorrido no ano passado para conter a onda de violência de Abril e Maio.
O primeiro-ministro, José Ramos Horta, disse aos manifestantes que uma retirada das forças australianas era um "sonho inútil". Ele ressaltou que estava disposto ao diálogo e a pedir a Gusmão que retirasse a ordem de detenção se Reinado se entregasse.
No entanto, Nino Pereira, porta-voz do Movimento de União Nacional para a Justiça (MUNJ), insistiu na saída dos soldados estrangeiros. Ele afirmou que o presidente não era seu comandante-em-chefe e portanto não tinha que obedecer a suas ordens.
Gusmão ordenou na semana passada às forças estrangeiras presentes no país a detenção imediata de Reinado. O ex-militar foi um dos 599 militares expulsos por insubordinação do Exército em Março de 2006.

EFE - 06 de Março de 2007, 06:38
Líder rebelde destrói casa de outra irmã do presidente do Timor

Díli - O comandante rebelde Alfredo Reinado destruiu hoje a casa de outra irmã do presidente do Timor Leste, Xanana Gusmão, em represália à ordem dada à força internacional para sua detenção.

Policiais da ONU e da Guarda Nacional Republicana chegaram ao local logo depois de saber da agressão à casa da deputada Armadina Gusmão e de seu marido, Gilman dos Santos, em Taibesi.
Na véspera, Reinado e seus homens haviam destruído a casa da irmã mais nova do líder, Manuela Gusmão, em Vila Verde.
"Chegou o momento de o presidente Xanana Gusmão e sua família receberem o que merecem como consequência da decisão de capturar o comandante Alfredo", declarou Quitiliano Nakrakat, de 26 anos, um dos seguidores do militar rebelde.
Quintiliano chamou Reinado de "herói" e condenou a operação militar de domingo que tentou de capturar o insurgente na localidade de Same, cerca de 80 quilómetros ao sul de Díli. A acção acabou com um saldo de cinco mortos, pelo menos quatro deles abatidos por tropas australianas.
"O presidente deve retirar a ordem de capturar o comandante Alfredo ou sua família viverá ameaçada", afirmou Quintiliano.
O líder mandou capturar Reinado depois de ele assaltar dois postos fronteiriços e roubar 25 armas de fogo.
"Se Xanana não tiver guarda-costas, morrerá. Ele traiu a população de Timor Leste e o comandante Alfredo", acrescentou o rebelde.
As eleições presidenciais no Timor Leste estão marcadas para 9 de Abril. Gusmão não concorrerá.
Reinado foi um dos 599 militares expulsos por insubordinação do Exército em Março do ano passado. Ele foi detido por posse ilegal de armas, mas fugiu em Agosto.

AAP - March 06, 2007 05:20pm
Reinado supporters threaten Gusmao family

Supporters of East Timor's rebel leader Alfredo Reinado have threatened to murder President Xanana Gusmao's family as punishment for asking Australian troops to hunt down the renegade major.
Australia today told its citizens to get out of East Timor and also moved to evacuate embassy staff and their families who wanted to leave.
Defence Minister Brendan Nelson also said Canberra would review its troop deployment of 800 if widespread violence flared.
The homes of two of Gusmao's sisters have been attacked since Australian forces stormed Reinado's mountain stronghold on Sunday, killing five of his supporters, one of the women said today.
Reinado escaped and Australian troops continue to search for him in the countryside around the town of Same, south of Dili, where the raid took place.
The deadly assault by the Australians touched off street violence across Dili, but authorities said a relative calm had returned to the capital today.
However, there are fears of another outbreak of widespread violence, with Reinado supporters urging East Timorese to attend a "demonstration for justice" on Thursday.
Another trigger point could come tomorrow, when a court verdict is expected for former interior minister Rogerio Lobato, accused of going behind the Government's back to arm civilians loyal to Reinado last year.
Reinado is wanted for leading a band of breakaway soldiers last April and May, when battles between rival security factions degenerated into rampant violence across East Timor.
The unrest sparked the intervention of the international peacekeeping force, including 800 Australians given the job of preventing a repeat of the chaos.
The president's sister Armandina Gusmao today told how her family had been threatened with death and said her home, and that of her sister Manuela, had been attacked following the Australian raid on Reinado's base.
She said a pro-Reinado mob surrounded her home overnight, saying they would kill her president brother's family "to the third generation".
She said the mob hurled objects at her house and harassed her family for hours after earlier ransacking Manuela's Dili home.
"They took everything," Armandina Gusmao said of mob raid on her sister's property.
"The only reason they didn't burn it was because they wanted to steal the contents. It's just like Indonesian times," she said, referring to the violence that occurred during Jakarta's occupation of East Timor.
"What hurts me most is that Timorese are doing it."
Meanwhile, the tiny nation's oldest human rights group was warning of the potential for civil war today, stemming from the Australian troops' raid on Reinado's Same base.
Jose Luis Oliveira, of the HAK Foundation, said Gusmao had violated East Timor's constitution by calling on international troops to settle what was an internal affair, paving the way for an insurgency.
"The president gave the order and the Australian force implemented it, but it was the wrong decision," Oliveira said.
Australia had acted "as an instrument of the political elites of Timor," and "the barricades in the streets of Dili are a reaction" to that.
"The population supports Alfredo and is capable of prolonged resistance."
An international forces spokesman today said a fifth body was recovered from the site in Same where Australians stormed Reinado's base.
Families gathered at the main hospital in Dili, where the bodies of the other four men are reportedly being kept.
But Oliveira said relatives were distraught because officials were refusing to release the names of the dead men.
Mr Gusmao has warned of a security crackdown, saying: "The state will use legal mechanisms, including force if necessary, to halt violence, damage to private property, killings, and to re-establish general order as soon as possible."
Prime Minister John Howard today said a mix of military operations and local political will was required to bring the situation in East Timor under control.
"It's a reminder that this country is still fragile and still needs our help and still needs our investment of people and military and police capacity," Mr Howard said.

There are fears the latest unrest could derail presidential elections set down for April 9. Gusmao has said he will not seek re-election, and is believed to be forming his own political party to take a tilt at national elections due later in the year.

AKI - 6 March 2007, 11:02
East Timor: Rebels Threaten President's Family

Dili - The homes of President Xanana Gusmao's sisters have been attacked by protesters and rebels loyal to renegade Major Alfredo Alves Reinado in a sign of increased tension and polarisation among the country's population. In an interview with Adnkronos International

(AKI), Quintiliano Barros, 26, a supporter of Reinado, threatened to kill Gusmao whom he slammed as a traitor.
"It is time for President Gusmao and his family to receive what they deserve after Gusmao’s decision to capture Major Alfredo,” said Quintiliano, whose younger brother, Deolindo, was killed during the raid against Reinado on Sunday.
“President Gusmao has no choice but to withdraw his order to arrest Major Alfredo. If he does not do it, his family will live in danger and if he walks without bodyguards we will kill him,” she added stressing that the president is now considered a “traitor.”
President Gusmao, the undisputed hero of East Timor’s fight for independence against Indonesia, ordered the arrest of Major Reinado last week, after months of talks aimed at bringing the rebel back into the fold peacefully. On Sunday, a raid conducted by Australian troops left four people dead while Reinado escaped.
The raid was followed by riots in Dili, the tiny country's capital, where young people chanted “Long live Alfredo.”
On Tuesday, the house of the president's sister, Armandina, an MP, was severely damaged during a protest by supporters of Reinado. Reports in Dili say the situation did not degenerate further thanks to the intervention of the Portuguese contingent within the United Nations paramilitary police. The previous day, the president's younger sister Manuela's home was looted in the village of Vila Verde, on the outskirts of the city.
Gusmao enjoys a very large following in East Timor and the protests against his family risk further dividing the local population, bringing back the spectre of a civil war.
Reinado abandoned the army on 4 May 2006 to join approximately 600 former soldiers who had been dismissed two months before, after complaining of ethnic discrimination over promotions.
The sacking sparked nationwide clashes in a crisis that left 37 people dead, forced 155,000 to flee their homes, brought down the government of former prime minister Mari Alkatiri, and resulted in an Australia-led peacekeeping troops being deployed to the tiny Southeast Asian nation.
Reinado was arrested for his role in the violence and accused in connection with the murder of five people.
East Timor voted in a 1999 referendum for independence from Indonesia, which had annexed it after Portugal ended its colonial rule in 1975. The country became fully independent in 2002 after a period of United Nations administration.

ABC – Transcript ‘The World Today’ - Tuesday, 6 March , 2007 12:14:00
Travel warnings as East Timor violence continues
Reporter: Mark Willacy

ELIZABETH JACKSON: More countries are advising their nationals to stay clear of East Timor, because of the risk of violence.
New Zealand and Britain have become the latest governments to issue travel warnings, and have advised all non-essential staff already in the country to consider leaving.
The Australian Government yesterday authorised the voluntary departure of dependants and non-emergency embassy staff from Dili, after clashes involving rock-throwers and demonstrators who burnt tyres in the capital.
Some of the unrest is being blamed on supporters of the former army officer, Alfredo Reinado, who escaped capture by Australian troops on the weekend.
Mark Willacy is in Dili and he joins us now.
Mark, what's been happening this morning. Have there been any more clashes?
MARK WILLACY: No Elizabeth, what we understand is that there have been a few random checkpoints thrown up by armed youths. When I say armed, they're normally armed with just sticks and rocks.
Also, there's been a lot of tyre-burning on the streets, which has created this pall of smoke and fumes hanging over Dili and basically, it's forced many people to cover their faces to ward off the pollution, so that's caused an inconvenience to basically everyone.
But in terms of actual clashes or violence, most of that happened overnight.
ELIZABETH JACKSON: Have there been any Australians leaving the country that you're aware of?
MARK WILLACY: We understand that there may have been a couple of Australians, who were over here either on business or other activities not associated with government activities, who have left. We understand that the first batch, which is family members of people working at the embassy, may be leaving later this afternoon or tonight, and that charter planes have been booked.
The embassy apparently has been speaking to staff there. It's informed them of what has been said by the Australian Government in relation to non-essential staff being allowed to leave.
People in the embassy are now making up their minds whether they want to stay or whether they want to go.
ELIZABETH JACKSON: How is the UN and the International Security Force coping with the situation there?
MARK WILLACY: Well, out on the streets this morning there are a lot more UN personnel out on the streets. We were just at the Australian Embassy. There was some UN personnel there, Pakistani UN soldiers protecting it. It was all quiet at the embassy. But there are certainly a lot of patrols of UN police out on the street.
But given that it's quiet, they are just cruising around the streets, looking for trouble, basically shooing away anyone who wants to set up a makeshift checkpoint or roadblock. And at this stage, that's all they're doing today.
Last night, we understand they were kept a little bit busy arresting several youths who were involved in throwing rocks at cars.
ELIZABETH JACKSON: Now, the UN has said that it was going to extend its mission in East Timor by sending in more international peacekeepers. Is there any information Mark, about the arrival of those extra forces?
MARK WILLACY: Well, there are 1,550 UN forces here at the moment, but we understand that on the slate is another 140 troops and police from Portugal.
Now, there is no word from the UN on when they're due in. They've been due in, they were slated to come in some time for a while now, but they may be now rushed in to help with the security situation. But as I say, those 140 Portuguese troops and police were slated to come in before this happened. Now that the violence has flared, it could be that they will be rushed over here to help with operations.
ELIZABETH JACKSON: Has East Timor's President declared a state of emergency to restore law and order? I know that was on the cards last night.
MARK WILLACY: Not yet. He did come on national television and told the nation that he was considering announcing or imposing a state of emergency if the violence continued or flared up even more.
We did see more violence overnight, but we haven't heard anything from the President, Xanana Gusmao, as yet about a state of emergency.
Obviously, that's a very serious turn of events. It would possibly mean curfews for the city of Dili at least. It would probably involve checkpoints of East Timorese security forces and probably international forces for that matter as well, and possibly martial law, we don't really know.
Obviously, the state of emergency, when it's called and just how severe or strict it is, is up to Xanana Gusmao and so far we haven't heard from him at all today.
ELIZABETH JACKSON: Now, what of the whereabouts of Alfredo Reinado? Have there been any developments in the hunt for him?
MARK WILLACY: No, he's basically melted off into the thick jungle areas around Same, which is south of Dili. That was where he was holed out when the Australian troops came to get him.
He obviously slipped through the net there and has fled into rugged bushland, as I said. That is making it probably very difficult for the troops chasing him.
There's obviously helicopters up in the air and vehicle patrols, but they're probably relatively limited scope, because there is very little you can do if you can spot someone from the air, if you're lucky enough, from a helicopter, there's very little you can do about it.
But there are, we understand, foot patrols by Australian troops through that area. They are still searching for him, but he probably has the upper hand, given that he's got a greater knowledge of that area than the troops who are hunting him.
ELIZABETH JACKSON: Now Mark, you mentioned earlier that things had been relative quite this morning, considering the circumstances. Are there fears that the security situation will deteriorate throughout the afternoon, or have those concerns been overstated, do you think?
MARK WILLACY: No, I was speaking to an Australian who is serving with the UN police force over here, and he was saying that the night is the time they dread the most.
It seems to be when the supporters of Reinado or the gangs seem to come out onto the street. But he's saying that they're starting to fear that there will be more daylight activity.
He said there were a couple of incidents late yesterday afternoon in daylight involving dozens of youths armed with stones, rocks and a couple with machetes.
So, there is certainly a feeling of great wariness here among the UN police staff, and they are certainly bracing themselves, you would say, for possible trouble later today, but also, as we've seen the last few nights, after the sun sets.
ELIZABETH JACKSON: Mark Willacy, thank you.
Our reporter, Mark Willacy, joining us from Dili.
ABC – Tuesday, March 6, 2007. 6:12pm (AEDT)
Australians arrive home from 'volatile' E Timor
Australian volunteers who were working in the East Timorese capital Dili have arrived at Darwin airport after being ordered home.
The Department of Foreign Affairs is advising Australians in East Timor to consider leaving because of the volatile security situation and the risk of civil unrest.
A volunteer with the Alola Foundation, Meridith Budge, says her office in Dili will be closed for the rest of the week because of the threat of violence.
"We're closing the office from Wednesday to Friday just because of a range of different things," she said.
"There's the Fretelin Congress, there's threats of the protest from the young people who were killed last week and demonstrations on the Rogerio Lobarto case, the outcome of that.
"Whether or not people see that, justice has been carried."
The Department of Foreign Affairs says people looking to leave East Timor should contact their airline directly but warns flights could be heavily booked and access to the airport may be disrupted.
The Department says the situation in East Timor could get worse without warning and notes there is an increasing likelihood that Australians could be targeted.
The Government has authorised the voluntary departure of non-emergency staff, and dependents from East Timor because of the violence.
The Department also strongly advises Australians outside of East Timor not to travel there.
'Help needed'
An Australian school principal in East Timor says the Australian Embassy has not done enough to help its citizens there.
The Principal of Dili International School, Lyndal Barrett, says she has not received any information from the Embassy apart from a warning on the Department of Foreign Affairs website.
She says she has not been given help in making travel arrangements and is preparing to flee the country for Darwin on a friend's yacht.
Ms Barrett says Australians have been targeted because of the campaign by Australian forces to capture rebel leader Alfredo Reinado.
"It hit home last night, my local cafe where I go for pizzas was stoned last night with all East Timorese standing out the front throwing rocks through the doors saying 'Aussies go home we hate you'," Ms Barrett said.

AAP – March 6, 2007 - 2:54PM
Aussies could be targeted in Timor: govt

Australians in East Timor could be targeted by supporters of fugitive rebel leader Alfredo Reinado, Foreign Affairs Minister Alexander Downer warned.

Australians were urged to leave East Timor as a massive man hunt continued for Reinado, after he escaped a raid by Australian troops on his hideout in Same, south of Dili, on Sunday.
The federal government is also evacuating East Timor Australian embassy staff and their families who want to leave as security in the fledgling nation deteriorates.
New violence and protests have erupted in Dili, including outside the Australian embassy, since Australian troops killed five of Reinado's armed supporters in Sunday's clash.
Australians in East Timor, and those who have fled to Darwin, said Australians were being targeted because of the role Australian troops had played.
"It hit home last night, my local cafe where I go for pizzas was stoned last night with all East Timorese standing out the front throwing rocks through the doors saying 'Aussies go home, we hate you'," the principal of Dili International School, Lyndal Barrett, told ABC radio.
Downer, speaking in Jakarta, said Australia was concerned about the instability in East Timor.
"In this environment, there are some disruptions, protests from strident political opponents of the East Timor government," he said. "Obviously people are entitled to protest so long as they do so peacefully ... (but) we have some concerns about the stability at the moment. We have recommended to Australians there that they leave. We think that Australians could be targeted by protesters and sympathisers of Major Reinado and we don't want them to get into harm's way. We are concerned about the situation and we are doing our best to calm it down."
The Department of Foreign Affairs and Trade issued a fresh travel advisory for East Timor on Tuesday. "We advise Australians in East Timor to depart," it said.
Prime Minister John Howard echoed Downer's concerns.
"Those evacuations are precautionary, I don't hold deep fears but I do hold some concerns," he said in Canberra. "The security situation has got worse and Reinado and his followers are a threat to the peaceful situation and the stability of the country."
Howard said a mix of military operations and local political will was required to bring the situation in hand. "It's a reminder that this country is still fragile and still needs our help and still needs our investment of people and military and police capacity," he said.
Australia's Defence Minister Brendan Nelson again urged Reinado to hand himself in or face the Australian-led forces hunting him. "The operation where we have been asked to capture Major Reinado ... is proceeding," Nelson told reporters.
If widespread violence does flare in East Timor, Nelson said Australia would review its troop deployment, currently about 800.
"We review all of our deployments ... on a day-to-day, week-to-week basis depending on the circumstances on the ground," Nelson said.
Chief of the Defence Force Air Chief Marshal Angus Houston denied the unsuccessful attempt to capture Reinado was a failure. "The operation the other night was actually a success," he said. "We captured all of his equipment, we've taken out a number of his force and essentially he's lost total effectiveness."
Reinado is believed to be on foot somewhere in East Timor's southern highlands.
"He was very lucky to escape," Houston said. "It was a very high risk operation. It was a very challenging operation and it was conducted very professionally and very effectively."

AAP – Tuesday Mar 6 08:48 AEDT
NZ not pulling East Timor diplomats

New Zealand is not following Australia's lead in pulling out its non-essential diplomatic staff from troubled East Timor.
Timorese supporters of fugitive rebel leader Alfredo Reinado staged a violent demonstration in the capital Dili to protest an Australian-led raid on his hideout, which left four people dead on Saturday.
The protesters made particular threats against Australians, prompting authorisation for non-emergency Australian embassy staff to evacuate with their families.
Ministry of Foreign Affairs spokeswoman Helen Tunnah said New Zealand was not in the same position as Australia.
Authorisation to leave had not been given to the embassy's three New Zealand citizen staff, she said.
However, security was under constant review for the 18 registered New Zealand citizens who were neither embassy staff nor defence forces.
Ms Tunnah said these people were a mixture of aid workers, non-governmental staff and others. They had already been advised not to travel anywhere within the country, which was upgraded to an "extreme risk" classification across all areas.
The ministry was advising anyone who felt unsafe to make immediate arrangements to leave the country, she said.

Ministry of Foreign Affairs and Trade - Tuesday, 6 March 2007, 12:18 pm
Timor-Leste Travel Advisory: Extreme Risk
Revised 6 March 2007

There is extreme risk to your security in all parts of Timor-Leste and we advise against all travel. The security situation remains extremely volatile and could deteriorate further with little warning. New Zealanders currently in Timor-Leste concerned for their safety should consider departing. New Zealanders seeking to depart Timor-Leste should contact their airline directly at the earliest opportunity. Flights may become heavily booked and access to the airport could be disrupted.
There is extreme risk to your security in the city of Same and the surrounding area and we advise against all travel there. The International Security Force and the UN Police in Timor-Leste are recommending that foreign nationals leave Same.
There has been an increase in violence, including looting, robbery, arson, assault and attacks on vehicles, since the beginning of February 2007. There has been an increase in the frequency and scale of disturbances, particularly around the IDP (internally displaced persons) camp in the airport vicinity. Extreme caution should be exercised around Comoro airport and the road to the airport as well as around the food storage sites. We recommend you avoid, as much as possible, the areas from Comoro to Fatuhada and Marconi as well as Pantai Kelapa. Disruptions to flights and airport operations could occur.
New Zealanders are advised to steer clear of protests, demonstrations and street rallies as they could turn violent with little warning. The election period in Timor-Leste, which begins with the Presidential elections on 9 April 2007, could lead to demonstrations and protests. Government buildings should be avoided and New Zealanders should also avoid all unnecessary travel, especially at night.
On 27 February 2007 Indonesia temporarily closed its border with Timor-Leste.
The Australian Government has advised that Australians and Australian interests may be specifically targeted and that all Australians should exercise extreme caution. We advise New Zealanders to do the same.
New Zealanders are advised to regularly monitor the media and local information sources to keep up to date on the security situation.
New Zealanders resident in Timor-Leste should have comprehensive medical and travel insurance policies that include provision for medical evacuation by air.
New Zealanders resident in or travelling to Timor-Leste are strongly urged to record their details with the Ministry of Foreign Affairs and Trade and to maintain regular contact with the New Zealand Embassy in Dili.
The New Zealand Embassy
Rua Alferes Duarte Arbiro,
Farol, Dili, Timor-Leste.
Telephone: +(670) 331 0087) Facsimile: +(670) 332 4982
Email: nzembassydili@gmail.com or chrisday220@gmail.com

domingo, março 04, 2007

Timor-Leste: mortos e feridos no ataque australiano, Alfredo Reinado ferido e preso

04.03.2007 - 00h19 PUBLICO.PT

O ataque australiano contra o major Alfredo Reinado, em Same (Timor-Leste), fez mortos e feridos, em número indeterminado, segundo informação do deputado Leandro Isaac, que se encontra no local.

Alfredo Reinado ficou ferido e foi capturado pelas forças australianas, segundo adiantou fonte policial à TSF.

Em declarações à rádio TSF, Leandro Isaac disse que há militares australianos na rua em Same, no sul do país, e que o ataque envolveu helicópteros, aviões, tanques de guerra e forças especiais.

Manifestou-se convicto de que a situação “vai complicar-se”. Segundo Issac, "a guerra foi declarada" por Ramos-Horta.

Há também relatos de tensão em Díli após o ataque a Same. Ataques com armas de fogo, apedrejamentos e barreiras de estrada começaram em vários pontos da cidade, pouco depois do início da operação das tropas australianas contra Alfredo Reinado, noticia a Lusa citando fonte policial.

Recebido no forum-loriku

"Carissimos

Acabo de receber telefonema de Same informando que por ordem de X e RH o tiroteio comecou em Same por volta das duas e trinta da madrugada, havendo ja feridos. A guerra cicil e agora uma realidade quase eminente, alem de naturalmente se iniciar uma guerra contra os soldados australianos pois ha muito povo e muita gente armada com o Alfredo.

Um abraco
JVCarrascalaoBEGIN:VCARDVERSION:2.1N:Carrascalao;JoaoFN:Joao CarrascalaoEMAIL;PREF;INTERNET:joaocarrascalao@bigpond.com

REV:20070303T175133ZEND:VCARD"


NOTA DE RODAPÉ:

Com o Alfredo não estão mais de 60 pessoas. À excepção de Díli e Ermera, não houve distúrbios a noite passada.

E a esta hora em Díli e Ermera a situação é de tranquilidade.

Mas parece haver muita gente a gostar da ideia de uma guerra civil...

População de Same ilesa

O ataque australiano em Same não provocou baixas ou feridos na população.

As tropas australianas assumiram o controlo do mercado de Same a poucos metros das posições onde se encontram Reinado, Leandro Isaac e cerca de 60 membros do grupo.

Segundo últimas informações, os seus movimentos estão controlados e a operação deverá estar prestes a terminar.

Mas corre o boato em Same de que Reinado fugiu.

Em Dìli a situação acalmou, não se ouvem tiros e helicópteros sobrevoam a cidade.

Ontem à noite o armazém do Ministério da Educação em Vila Verde e o edifício Distrital do Ministério da Educação em Ermera arderam.

Aguarda-se o discurso do Presidente à Nação.

Operação australiana pode ter provocado mortos

TSF

A operação levada a cabo pelas tropas australianas contra o major Alfredo reinado terá provocado mortos segundo fonte policial em Dili contactada pela TSF. Na capital timorense, o ambiente é de tensão, depois de ataques com armas de fogo, apedrejamento e barreiras de estrada terem começado após o início da operação das tropas australianas.

( 23:19 / 03 de Março 07 )

A operação das tropas australianas contra o major Alfredo reinado, em Same, terá provocado vítimas mortais segundo fonte policial em Dili contactada pela TSF.

Também o deputado Leandro Isaac, que se encontra junto das forças do major Reinado, contactado pela TSF, confirmou a existência de mortos sem, no entanto, confirmar números.

Recorde-se que ao início da madrugada de domingo em Timor (17:00 de sábado em Lisboa), as tropas australianas iniciaram um ataque contra Alfredo Reinado, que desde terça-feira estava sitiado em Same, com o objectivo de capturar o major rebelde.

Pouco depois do início da operação das tropas australianas, a capital timorense foi assolada por ataques com armas de fogo, apedrejamento e barreiras de estrada.

Os ataques em Díli foram desencadeados em vários pontos da cidade em simultâneo, aparentemente sem ter um alvo específico, adiantou fonte policial.

Até ao momento, não há notícia de incidentes envolvendo a comunidade portuguesa mas há registo de vários cidadãos nacionais e estrangeiros estarem abrigados no quartel da GNR em Díli.

Às 04:15 da madrugada (hora local), as Nações Unidas difundiram uma mensagem escrita (SMS) pela missão internacional, com ordens para «todo o pessoal ficar em casa, luzes apagadas, longe de portas e janelas, devido a distúrbios em Díli».

O chefe de Estado timorense, Xanana Gusmão, faz este domingo (11:00 locais) uma comunicação ao país sobre a situação de crise provocada pelo major Reinado.

Ataques com armas de fogo em Díli

Timor-Leste: mortos e feridos no ataque australiano contra Alfredo Reinado
04.03.2007 - 00h19 PUBLICO.PT

O ataque australiano contra o major Alfredo Reinado, em Same (Timor-Leste), fez mortos e feridos, em número indeterminado, segundo informação do deputado Leandro Isaac, que se encontra no local.

Em declarações à rádio TSF, Leandro Isaac disse que há militares australianos na rua em Same, no sul do país, e que o ataque envolveu helicópteros, aviões, tanques de guerra e forças especiais.

Desconhecia no entanto o estado de Alfredo Reinado e manifestou-se convicto de que a situação “vai complicar-se”. Segundo Issac, "a guerra foi declarada" por Ramos-Horta.

Há também relatos de tensão em Díli após o ataque a Same. Ataques com armas de fogo, apedrejamentos e barreiras de estrada começaram em vários pontos da cidade, pouco depois do início da operação das tropas australianas contra Alfredo Reinado, noticia a Lusa citando fonte policial.

Reinado pode já não estar em Same, noite de violência em Díli

Díli, 04 Mar (Lusa) - O major Alfredo Reinado poderá ter fugido de Same ou sido retirado por tropas australianas, que, segundo o deputado Leandro Isaac, dispararam três mísseis e provocaram várias baixas.

"Morto ou vivo, o major Alfredo é sempre a vitória do nosso povo nesta guerra do Prémio Nobel da Paz, José Ramos-Horta", declarou o deputado independente à Lusa.

"A luta continua", acrescentou Leandro Isaac num contacto telefónico, cerca das 07:00 (22:00 de sábado em Lisboa), depois de quatro horas em que os números de telemóvel dele e do major Alfredo respondiam apenas com a gravação da Timor Telecom, "desligado ou fora da área de cobertura".

Leandro Isaac disse que há vários mortos e feridos, sem especificar se se trata de civis ou de homens do grupo que está desde o início da semana com o major Alfredo Reinado, em Same.

O deputado contou que helicópteros Black Hawk australianos dispararam três mísseis, entre a 01:30 e as 04:30 locais, hora a que abandonaram Same.

As tropas australianas mantêm o cerco no terreno, ainda segundo Leandro Isaac.

"Não há assistência médica nenhuma, não há nada aqui", referiu Leandro Isaac mais adiante, desabafando: "os nossos feridos já estão todos mortos!".

O porta-voz das Forças de Estabilização Internacionais não prestou qualquer confirmação ou desmentido sobre o ataque a Same, remetendo todas as informações para uma conferência de imprensa do brigadeiro Mal Rerden.

O comandante das ISF falará à imprensa às 10:00 locais, uma hora antes de uma anunciada comunicação ao país do Presidente de Timor-Leste, Xanana Gusmão.

Em Díli, a notícia do ataque contra Alfredo Reinado desencadeou uma série de incidentes, embora não haja nenhuma declaração oficial que leia esta coincidência.

Os distúrbios, com disparos de armas de fogo, apedrejamentos, barreiras de estrada e ataques a algumas casas, eclodiram cerca da 01:00 local.

Nas sete horas seguintes, o subagrupamento Bravo da GNR teve os seus três batalhões operacionais em simultâneo na rua, o que, segundo um oficial contactado esta manhã pela Lusa, dá uma dimensão da dificuldade da situação.

As zonas mais afectadas foram as de Taibessi, Bairro Pité, a área do Cemitério Chinês, Vila Verde e a rua do quartel-general das Nações Unidas, as Obrigado Barracks.

À medida que os vários focos de violência foram sendo controlados, as forças da GNR concentraram-se junto ao Obrigado Barracks, onde a situação foi mais difícil de resolver.

A Lusa confirmou que o chamado Bairro da Cooperação, em Vila Verde, não foi afectado pelos incidentes e nenhum professor português correu perigo nessa ou noutra área da cidade.

O único caso relacionado com um cidadão português ocorreu com um funcionário da embaixada de Portugal que, por viver numa área isolada, teve de ser retirado da sua residência por elementos do Grupo de Operações Especiais.

Uma volta de carro por toda a cidade, ao princípio da manhã, mostrou as sequelas de uma noite violenta.

Instalações de um armazém e do auditório do Ministério da Educação continuam a ser consumidas pelas chamas, e no recinto do edifício principal há três viaturas carbonizadas.

Em Banana Road, a sudoeste da cidade, um grupo de jovens concentrava-se em torno de cartazes e de um grande retrato de Alfredo Reinado, com slogans de glorificação do militar e contra a "Fretilin Maputo".

"Nós somos defensores do major Reinado, herói da justiça", explicou um dos manifestantes, diante de um retrato pintado em Ermera. "Estamos prontos para morrer para o defender".

PRM-Lusa/Fim

Ataques em Dili após início operação militar contra major Reinado

Díli, 03 Mar (Lusa) - Ataques com armas de fogo, apedrejamento e barreiras de estrada começaram em vários pontos da cidade de Díli pouco depois do início da operação das tropas australianas contra Alfredo Reinado, em Same, no sul do país, confirmou à Lusa fonte policial.

Os ataques na capital foram desencadeados "em vários pontos da cidade em simultâneo, aparentemente sem ter um alvo específico", disse à Lusa uma fonte da polícia internacional a meio da madrugada de domingo (fim da tarde de sábado, em Lisboa).

Os disparos e apedrejamentos começaram antes das 02:00 (17:00 em Lisboa) em bairros diferentes da periferia e do centro da cidade, como Bidau, Taibessi, Mandarim, Colmera e Becora, confirmou a Lusa junto de vários residentes.

O Ministério da Educação timorense, no bairro central de Vila Verde, foi um dos alvos atacados.

Tanto quanto foi possível confirmar numa ronda de contactos telefónicos, não há registo de nenhum incidente envolvendo a comunidade portuguesa residente em Díli.

às 04:15 da madrugada (hora local), as Nações Unidas difundiram uma mensagem escrita (SMS) pela missão internacional, com ordens para "todo o pessoal ficar em casa, luzes apagadas, longe de portas e janelas, devido a distúrbios em Díli".

Tanto as forças de segurança como os civis contactados pela Lusa foram unânimes na identificação da hora a que se iniciaram os distúrbios: "à hora do ataque a Alfredo Reinado", embora não haja nenhuma confirmação oficial de que os incidentes na capital são uma resposta ao avanço das Forças de Estabilização Internacionais em Same.

Desde terça-feira que Alfredo Reinado e o seu grupo estavam cercados por tropas australianas, em Same, depois de o Presidente de Timor-Leste, Xanana Gusmão, ter autorizado uma operação de captura.

O chefe de Estado faz dentro de algumas horas, às 11:00 locais, uma comunicação ao país sobre a situação de crise provocada pelo major Reinado.

PRM-Lusa/Fim

Leandro Isaac diz que o ataque a Same está iminente

Diário Digital / Lusa
03-03-2007 17:32:00

Helicópteros Black Hawk e aviões australianos sobrevoam a baixa altitude as posições do major Alfredo Reinado e o ataque a Same está iminente, segundo o deputado Leandro Isaac.

Em dois contactos telefónicos muito curtos com a Lusa, cerca da 1:45 de domingo (16:45 de sábado em Lisboa), o deputado independente afirmou que «as tropas australianas reduziram o perímetro e estão a apenas 200 ou 300 metros» do local onde está refugiado o major Alfredo Reinado.
Em fundo podia ouvir-se o barulho de helicópetros e o ruído (familiar aos residentes de Díli em dias de confronto de rua) distinto de barras de metal a bater.

«É o povo indefeso de Same a desafiar o grande exército australiano, que foi enviado pelo Prémio Nobel da Paz, digo, pelo Prémio Nobel da Guerra, senhor José Ramos-Horta», respondeu Leandro Isaac quando questionado sobre o que se estava a passar.

Depois, o contacto por telemóvel com o deputado caiu.

Alfredo Reinado e os seus homens, entre os quais se encontrava «por acaso» desde segunda-feira o deputado Leandro Isaac, segundo o próprio disse à Lusa, estão cercados há seis dias pelas Forças de Estabilização Internacionais (ISF).

O Presidente da Republica, Xanana Gusmão, faz um anúncio à nação às 11 horas da manhã, sobre a crise provocada pelo major Reinado.

Nas últimas 48 horas, cerca de uma dezena de aviões Hércules C-130 australianos aterraram em Díli, onde ao longo da tarde e noite de sábado se registou um movimento intenso de aviões e helicópteros militares, que continua neste momento.

Governo de Lisboa garante que portugueses estão em segurança

Lisboa, 02 Mar (Lusa) - O secretário de Estado das Comunidades português, António Braga, garantiu hoje à Agência Lusa que os portugueses residentes em Timor-Leste estão em segurança, não sendo necessário para já activar qualquer plano de evacuação.

"A presença das Nações Unidas garante toda a segurança aos portugueses" que vivem em Timor-Leste, disse António Braga, salientando que Portugal "está permanentemente a acompanhar a situação" através da embaixada e dos diplomatas portugueses no país.

O responsável pela pasta da Emigração salientou que "para já não há razão" para planos de retirada de portugueses.

No entanto, o secretário de Estado adiantou que Portugal tem "permanentemente um plano de emergência" preparado para actuar em situações que o justifiquem.

A Austrália actualizou hoje os seus alertas de viagem para Timor-Leste, que estão no nível máximo de risco, e cidadãos australianos em Díli receberam a indicação de "fazer uma mala" para uma eventual retirada do país.

Analistas australianos e das Nações Unidas receiam acções de violência, ou mesmo uma possibilidade de guerra civil, no caso de soldados australianos ferirem ou matarem o militar rebelde Alfredo Reinado.

Reinado e cerca de 150 dos seus seguidores, "fortemente armados, estão actualmente cercados por tropas australianas na cidade de Same, a sul de Díli.

O major rebelde advertiu hoje que "milhares de pessoas" se "levantarão violentamente" no caso de lhe acontecer qualquer coisa.

"As pessoas vão começar a matar-se umas às outras se alguma coisa me acontecer. Haverá guerra civil", ameaçou Reinado, antigo comandante da Polícia Militar de Timor-Leste.

CMP/LAS-Lusa/Fim

Ainda se ouvem tiros em Díli e em Same

A operação de captura de Reinado continua em Same, ouvindo-se disparos de vez em quando.

Em Díli também se ouvem tiros, apesar de ter baixado a intensidade dos mesmos.

Dos leitores

Comentário sobre a sua postagem "Pm Likely New President Says Expert":

I'll await the people's verdict rather than accept anything pre-ordained by Kingsbury, who claimes that Indonesian is more widely spoken than Tetum. If that is so, then why did the PD, of which he thinks so highly, publish a versions of its manifesto in Tetum, Portuguese, English, even Chinese but not Indonesian?

On the one hand, he rails against the 'Jakarta Lobby', yet on the other, he spouts their propaganda.

Tradução da Margarida:

Esperarei pelo veredicto popular em vez de aceitar seja o que for pré-ordenado por Kingsbury, que afirma que o Indonésio é mais falado do que o Tétum. Se fosse assim, então porque é que o PD, de quem tem tão boa opinião, publica a versão do seu manifesto em Tétum, Português, Inglês, até em Chinês mas não o Indonésio?

Por um lado ele ataca o 'lobby de Jacarta ', contudo por outro ele espalha a propaganda deles.

"Sinais não são bons" em Same, PR fala domingo sobre Reinado

Díli, 03 Mar (Lusa) - O deputado independente Leandro Isaac, que acompanha o grupo do major Alfredo Reinado, cercado há cinco dias por tropas australianas em Same, Timor-Leste, admitiu hoje que o conflito poderá terminar com "sangue a correr".

"Os sinais não são bons sobre a existência de bom- senso e a vontade de resolver a crise de forma pacífica", declarou à Agência Lusa Leandro Isaac.

O deputado disse que um dos pedidos apresentados sexta-feira por Reinado para ajudar a desbloquear a situação, durante o encontro com o Procurador-Geral da República, Longuinhos Monteiro, foi a livre circulação da população de Same, o que não está a acontecer.

"Os australianos continuam a apertar o cerco", afirmou hoje ao fim da tarde em Timor-Leste (início da manhã em Lisboa) o deputado Leandro Isaac, que se encontra desde terça-feira com o grupo de Alfredo Reinado, na região interior Sul do país.

"Tudo está dependente do encontro de ontem [sexta- feira]", explicou.

"Se o Estado se consciencializar que a solução pacífica seria o melhor caminho, a crise resolve-se".

"Mas se o Estado ou o Governo consideram que não podem voltar atrás nas suas decisões, não posso prever o que pode acontecer", acrescentou o deputado, alertando que "sangue pode correr".

O Presidente da República, Xanana Gusmão, faz domingo, às 11:00 (02:00 em Lisboa) uma declaração sobre a crise desencadeada por Alfredo Reinado.

Xanana Gusmão autorizou segunda-feira a realização de uma operação militar para capturar Alfredo Reinado, evadido da cadeia de Becora desde finais de Agosto quando cumpria prisão preventiva por alegada posse de armas de guerra.

A decisão do chefe de Estado timorense surgiu depois de o major e o seu grupo de revoltosos terem assaltado três postos da Polícia de Fronteira no sudoeste do país, no final da semana passada.

As tropas australianas das Forças de Estabilização Internacionais (ISF) foram reforçadas sexta-feira com a chegada de 100 elementos da unidade de elite SAS (Special Air Service).

Em Díli continuaram hoje a aterrar aviões de grande envergadura, incluindo, durante a tarde, três Hércules C- 130.

Desde quinta-feira à noite e durante a madrugada e dia de sexta-feira, aterraram em Díli pelo menos cinco destes aviões de transporte de tropas e material.

Jornais australianos do grupo Fairfax noticiaram na sua edição de hoje a chegada dos SAS, adiantando que o reforço de tropas foi decidido numa reunião de alto nível em Camberra.

O Governo australiano receia que o desfecho do caso Reinado, no caso de ele ser morto ou capturado, desencadeie uma escalada de violência que, vista de Camberra, pode acabar numa nova guerra civil.

PRM/AB-Lusa/Fim

Tropas apoiam alerta de segurança máxima

(Tradução da Margarida)

SMH – Março 3, 2007
Lindsay Murdoch em Dili

O Governo Federal enviou um contingente de soldados SAS para Timor-Leste no meio de receios crescentes de que a violência irrompa outra vez e alveje Australianos.

Quatro aviões das Forças de Defesa Australiana aterraram em Dili transportando cerca de 100 soldados, destacados a seguir a uma reunião em Camberra do comité de segurança nacional.

A chegada de tropas adicionais, que apoiarão os 800 Australianos e as 120 tropas da Nova Zelândia que já cá estão, chegam quando a Austrália aumenta o seu alerta de segurança para cinco, o nível mais alto, para as centenas de Australianos em Timor-Leste.

Oficiais de segurança Australianos e da ONU em Dili receiam que a violência alastrada, possivelmente mesmo a guerra civil, pode rebentar se soldados Australianos matarem ou ferirem o líder amotinado, Alfredo Reinado, apanhado numa cilada com outros 150 homens pesadamente armadas numa cidade nas montanhas do centro onde se cultiva o café.

Reinado, que se tornou um herói de culto, disse ontem que se alguma coisa lhe acontecer "pessoas levantar-se-ão violentamente aos milhares ". Afirma que comanda 700 soldados amotinados cujo despedimento no ano passado desencadeou um levantamento violento que deixou dúzias de pessoas mortas e forçou 100,000 pessoas das suas casas. Várias centenas de jovens apoiantes pelo país estavam também à espera de ordens suas, disse.

"As pessoas vão começar a matar-se umas às outras se alguma coisa me acontecer," disse Reinado por telefone da cidade de Same, que está bloqueada por dúzias de soldados Australianos. "Haverá uma guerra civil."

Reinado, o antigo responsável da polícia militar de Timor-Leste treinado pelos Australianos, disse que os seus apoiantes não estavam prontos a lutar por causa da sua popularidade mas por causa "daquilo por que luto ".

Reinado, procurado por homicídio e rebelião, afirma que o governo Timorense é corrupto e que a presença de tropas Australianas e da Nova Zelândia é uma invasão ilegal.

Uma nova tentativa pos líderes de Timor-Leste para convencer Reinado a render-se falhou ontem quando soldados Australianos recusaram autorizar o Procurador-Geral do país, Longuinhos Monteiro, a entrar em Same.

Reinado enfureceu-se quando o Sr Monteiro lhe telefonou dizendo que queria encontrar-se com ele para lhe passar uma mensagem do Governo para se render, mas que não tinha autoridade para negociar um acordo.

"Não queria falar com um carteiro, queria falar com o Procurador-Geral," disse Reinado. "Estão todos a tentar manipular-me."

O comandante das tropas Australianas em Timor-Leste, Mal Rerden, declinou comentar ontem sobre adicionais tropas SAS em Dili. O Brigadeiro General Rerden repetiu o seu pedido anterior para Reinado entregar as armas e apresentar-se ao sistema judicial de Timor-Leste.

Mas disse que as suas tropas estão a "apoiar o Governo … em todas as maneiras possíveis para encontrarem uma resolução pacífica para a situação."

O General Rerden descreveu o elevar do alerta de segurança da Austrália como uma "medida prudente".

Foi justificado pelas acções de Reinado que tinha rompido as negociações com o governo e liderou assaltos a postos de polícia da fronteira no último fim-de-semana, capturando 25 armas de alta potência, disse.

"Os seus actos foram deliberados e bastante significativos e isso cria naturalmente preocupações," disse o General Rerden.

CRISE - Major Reinado e militares australianos preparados para a luta

Expresso - Sábado, 3 de Março de 2007

Timor: No alto do cerco

Pedro Rosa Mendes, em Same, Exclusivo Expresso/Lusa

Same, no litoral sul timorense, deu uma ironia topográfica ao cerco das tropas especiais australianas ao major Alfredo Reinado. Same é um buraco; o ar é mais respirável do que em Dili e até há o luxo de um arrepio nocturno. Mas é um facto penoso que Same fica a mais de quatro horas de Díli, num bom jipe.

Os militares australianos tiveram, portanto, que descer bastante, com os seus jipes cor de «Outback», depois de o Presidente Xanana Gusmão autorizar diante da nação a captura do evadido mais famoso de Timor-Leste (porque há outros, e muitos estão com o major desde a evasão prisional de 30 de Agosto de 2006). Same, é sombra de um pico de dois mil metros de altitude, tem uma colina a que Reinado conseguiu agarrar-se durante a semana. O militar chegou a Same depois de ter passado no domingo por três esquadras de fronteira, na região de Maliana, e ter levado 25 pistolas automáticas e alguns polícias. Este é o monte onde fica a antiga casa do administrador de posto do tempo colonial e uma antena de transmissões. De lá domina-se a localidade e os acessos: com uma arma adequada, faz-se mira directa à estrada que sai do coração da montanha com as 'microletes' vergadas de gente na estrada do norte. Ou outros perigos.

É claro que a topografia é sempre uma verdade relativa (como provou a Resistência). Assim: se Reinado se manteve quatro dias acima dos SAS e dos veículos blindados, os helicópteros de combate e vigilância zurziram quatro dias em cima de Reinado. Vigiando do alto e enervando de perto.

“Estamos à beira da guerra civil!”, gritava, terça-feira, no início do cerco, o deputado independente Leandro Isaac, apanhado “por acaso", disse, na companhia de Reinado e do seu grupo quando os australianos apertaram a tenaz. Montado o cerco, ninguém saiu nem entrou de Same. Incluindo os jornalistas. “Não se pode passar. Há uma coisa grande a acontecer”, explicava na quarta-feira o oficial da patrulha que impedia a passagem na entrada norte da vila.

A uma distância respeitável das barreiras australianas, os residentes da periferia aglomeravam-se no segundo dia e lamentavam o impasse do quotidiano: “Não nos deixam ir ao mercado nem as crianças podem ir à escola”.

Durante o cerco, em entrevistas telefónicas para órgãos timorenses, portugueses ou australianos, Reinado deixou o seu programa. O major é tão directo a falar como tem fama de ser no gatilho: promete atirar sobre qualquer ISF a quem possa ver o branco dos olhos; desgosta de Xanana Gusmão, de Mari Alkatiri, um pouco também de José Ramos-Horta; gosta da Austrália, mas tem vergonha disso também; da GNR gostaria mais se o subagrupamento Bravo estivesse em Portugal; da Fretilin, passe a expressão, “talvez só à bala”.

Para um número indeterminado de timorenses, seguramente para muitos jovens, Alfredo Reinado não é o renegado ou o homem que traiu uma negociação pacífica, mas o herói que teve a coragem de resistir ao “Governo dos comunistas”. “Já reparou quantos jovens em Díli usam o cabelo cortado à Reinado?”, pergunta-se num café da capital, na véspera de o procurador-geral da República, Longuinhos Monteiro, ir a Same (de helicóptero) para comunicar ao major as condições de rendição. O comandante das ISF, brigadeiro Mal Rerden, é muito explícito: “Em qualquer situação de ameaça, tenta-se conter a ameaça. Tendo feito isso, decide-se como lidar com ela”. O que é claro para um militar é menos límpido para os políticos. Em Same, na 'Hamburguer Hill' do major Reinado, o país vive suspenso de uma situação em que nem tudo, ou muito pouco, será resolvido por um gatilho australiano. Mesmo os seus inimigos concordam: Alfredo é um inevitável vencedor, agora ou no futuro. “A menos que o matem, o que é pouco provável”, comenta um militar ocidental em Díli. “Ninguém precisa de um mártir”.

Alkatiri copia Durão e Santana

O ex-primeiro-ministro de Timor-Leste decidiu convidar Einhart da Paz, especialista brasileiro em «marketing» político, para dirigir a sua campanha nas próximas eleições legislativas, que deverão ocorrer entre Maio e Junho deste ano. Einhart confirmou ao Expresso que esteve em Díli antes do Carnaval para preparar uma proposta, aguardando a resposta final de Mari Alkatiri já esta semana. “Tendo em conta que não existem meios de comunicação de massas em Timor, vai ser um desafio interessante”. Em Portugal, Einhart da Paz foi o director de campanha de Durão Barroso (em 2002) e de Santana Lopes (em 2001 e em 2004).

Começou ataque australiano a Reinado

Diário Digital / Lusa
03-03-2007

As tropas australianas lançaram o ataque contra Alfredo Reinado e ocuparam cerca das 2:00 de domingo (17:00 de sábado em Lisboa) o antigo mercado no centro de Same, afirmou à Lusa o deputado Leandro Isaac.

«O ataque começou com helicópteros e infantaria», contou o deputado independente.

«Dispararam um míssil de um helicóptero contra a área onde estamos». Alfredo Reinado, fugido de uma prisão de Díli desde 30 de Agosto, encontra-se desde terça-feira cercado em Same, ocupando com os seus homens a colina onde se situa a antiga casa do administrador de posto.

A área do mercado que, segundo Leandro Isaac, foi atacada pelas Forças de Estabilização Internacionais, «era onde estava concentrada a população». 17:56:00

sábado, março 03, 2007

Operação de captura em Same já começou

E ouvem-se tiros em Díli, provavelmente apenas das forças policiais, devido aos distúrbios nos bairros de Taibessi, Pité e Fatuhada.

Dos leitores

H. Correia deixou um novo comentário sobre a sua postagem "SAS troops land in Dili: report":

Os SAS farão um cuidadoso trabalho de recolha de informações sobre os revoltosos: seus hábitos e movimentos, organização, número, distribuição pelo terreno, tipo de posições defensivas e respectivo poder de fogo, etc, etc. Sem estes dados não há verdadeira vantagem sobre o inimigo, por mais superioridade numérica que se tenha; seria como caçar moscas às escuras com uma bazuca.

Só assim se poderá fazer uma avaliação rigorosa deste caso, o que permitirá tomar decisões conscientes. Sobretudo, tomá-las.

Traduções

Todas as traduções de inglês para português (e também de francês para português) são feitas pela Margarida, que conhecemos recentemente, mas que desde sempre nos ajuda.

Obrigado pela solidariedade, Margarida!

Mensagem inicial - 16 de Maio de 2006

"Apesar de frágil, Timor-Leste é uma jovem democracia em que acreditamos. É o país que escolhemos para viver e trabalhar. Desde dia 28 de Abril muito se tem dito sobre a situação em Timor-Leste. Boatos, rumores, alertas, declarações de países estrangeiros, inocentes ou não, têm servido para transmitir um clima de conflito e insegurança que não corresponde ao que vivemos. Vamos tentar transmitir o que se passa aqui. Não o que ouvimos dizer... "
 

Malai Azul. Lives in East Timor/Dili, speaks Portuguese and English.
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