segunda-feira, agosto 06, 2007

Timor-Leste: Alfândega destruída pelo fogo em Díli

Diário Digital / Lusa
06-08-2007 11:56:00

O edifício onde funcionavam os serviços centrais da Alfândega de Timor-Leste, em Díli, foi destruído pelas chamas ao final do dia.

«A Alfândega foi totalmente destruída por um incêndio», confirmou à agência Lusa, às 19:30 (11:30 em Lisboa), fonte policial no local.

Responsáveis dos serviços alfandegários contactados pela Lusa confirmaram a «destruição total» do edifício «em menos de uma hora».

A Alfândega funcionava na Avenida Mártires da Pátria, em pleno centro da cidade, ao lado do Hotel Timor e diante de um dos principais campos de deslocados da capital, diante do porto de Díli.

Não houve vítimas a registar, segundo a mesma fonte policial, apesar da gravidade dos estragos materiais nos escritórios da Alfândega.

«Destruir a Alfândega é tentar destruir os registos visíveis que provam que os serviços aduaneiros sempre actuaram com honestidade, incluindo no processo de importação de armas«, declarou à Lusa uma fonte oficial dos serviços aduaneiros de Timor-Leste.

Concentração em Baucau

Elevado número de pessoas concentraram-se em Baucau após a transmissão na radio da declaração de Ramos-Horta, sobre o convite a Xanana Gusmão para Primeiro-Ministro, a exigir um Governo da FRETILIN.

Distúrbios em Díli

Ouviram-se tiros em Comoro, provavelmente das forças policiais a dispersar.

Edífico da Alfândega está a arder.

DECLARAÇÃO - FRETILIN

DECLARACAO - 6 de Agosto de 2007
FRENTE REVOLUCIONÁRIA DO TIMOR-LESTE INDEPENDENTE
FRETILIN

A Comissão Política Nacional da FRETILIN, orgão político-executivo do partido, reuniu hoje em Dili 06 de Agosto de 2007, decidiu tornar clara a posição da FRETILIN face ao convite do Presidente da República ao CNRT, o segundo partido mais votado, e os seus aliados para formar o Governo.

A FRETILIN sempre procurou interpretar racionalmente a mensagem do eleitorado logo depois do anúncio ou certificação formal feita pelo Tribunal de Recursos dos resultados eleitorais onde ficou evidente que ganhou as eleições. Deste modo a FRETILIN avançou desde o início com a proposta de um Governo de Grande Inclusão na linha defendida por S.E o Presidente da República.

A FRETILIN, uma vez mais, fazendo leitura correcta a mensagem vinda do eleitorado, apoiou sem equívocos a proposta do Governo de Grande Inclusão do Presidente da República. Contudo, manteve a posição de que o PM deveria ser indigitado pela FRETILIN, partido mais votado nas eleições parlamentares para ser em conformidade com os artigos 85 e 106 da Constituição da República Democrática de Timor-Leste.

Face a intransigência do CNRT e seus aliados e ainda no contexto do GGI, a FRETILIN voltou novamente a propor ao PR a indicação de um independente para liderar o Governo. Contudo essa mesma proposta foi igualmente rejeitada pelo CNRT e seus aliados.

Perante tal realidade, a FRETILIN considera que, para sermos fieis aos artigos conjugados nr. 85 e 106, da Constituição da República Democrática de Timor Leste, o Presidente da República deve convidar a FRETILIN para formar o governo e só na situação clara de rejeição do seu Programa pelo Parlamento Nacional, por duas vezes consecutivas, pode SE o PR convidar o Segundo Partido mais votado. Não sendo este o caso, a FRETILIN considera a decisão do PR de convidar o CNRT e seus aliados para formar o governo, uma decisão contrária a Constituição da RDTL e politicamente desrespeitadora das expectativas do eleitorado timorense que iam no sentido de todos trabalharmos em conjunto para reestabelecer a estabilidade que tanto almejamos e reforçar o Estado de Direito Democrático.

Como consequência, a FRETILIN declara que não cooperará com um Governo empossado à margem da Constituição mas, consciente das suas responsabilidades, tudo fará, ao seu alcance, para consciencializar todo o povo no sentido do mesmo poder combater por vias legais a usurpação do poder, contribuir para pôr fim a violência, restabelecer a Lei e a Ordem, restaurar a paz e a estabilidade.

A FRETILIN mutiplicar-se-á em acções legais no sentido de impor o respeito pela Constituição e pelas Leis da República Democrática de Timor-Leste e devolver ao povo a confiança no Sistema politico no nosso país.


A Luta Continua!
Dili, 6 de Agosto de 2007.
Francisco Guterres ( LU OLO ) Mari Bin Amude Alkatiri

Timor-Leste: PR convida Xanana Gusmão a formar governo

Diário Digital / Lusa
06-08-2007 9:25:00

O Presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, convidou hoje o seu antecessor, Xanana Gusmão, a formar o novo governo do país.

Ramos-Horta anunciou ainda que a tomada de posse ocorrerá já na próxima quarta-feira.

Osório Mauleki Confessa: Durante a Crise Algumas Pessoas Usaram o Kolimau 2000 para Fazer Política.

Tradução da Margarida:

(Tradução)
Jornal Nacional Diário
Dili 6 Agosto 2007

O Secretário-Geral do PDRT (Partido Democrático Republicano Timorense) Osório Mauleki declarou que algumas pessoas usaram o grupo Kolimau 2000 em Abril de 2006 para fazer política quando usaram o grupo para se manifestar com os peticionários para derrubar o governo constitucional que era liderado pelo Dr. Mari Alkatiri.

Osório Muleki fez estes comentários num encontro do Comité Central da FRETILIN onde ele também participou em Delta Nova, Comoro, Dili no Somingo (4-8).

“Quero declarar publicamente que durante a crise houve gente que usou o Kolimau 2000 como uma cortina para desmantelar as bases da FRETILIN em várias localidades, mas isto é agora claro para nós e aprendemos agora com a nossa experiência e a nossa posição será clara no futuro,” disse Osório Mauleki.

Osório Mauleki acrescentou que sob a Constituição a FRETILIN tinha legitimidade para formar o governo.

De acordo com ele, se o Presidente persiste em convidar a AMP para formar governo então Timor-Leste será confrontado com outra crise que será muito maior do que a crise político-militar que recentemente ocorreu.

Por causa disso, o líder do Kolimau 2000 pediu ao Presidente da República para convidar a FRETILIN a formar governo, pois de outro modo haverá consequências das quais não poderá culpar mais ninguém e ele não emergirá como o anjo salvador.

Declarou ainda publicamente que as raízes do Kolimau 2000 são da FRETILIN e que já conhecem as tácticas políticas dos adversários da FRETILIN que sempre usaram para destruir a FRETILIN e que por causa disso o Kolimau 2000 não apoiará essas políticas sujas que foram usadas para derrubar o governo da FRETILIN em 2006.

De acordo com Osório o Kolimau 2000 conhece a política usada por essa gente que hoje berra justiça e democracia e quer emergir como os salvadores da nação, mas eles não estão interessados na justiça ou na verdade, eles gritam por posições no governo, e é por isso que eles dividiram a FRETILIN, as F-FDTL e os clandestinos.

“Dividirem-nos não foi o suficiente, depois dividiram as F-FDTL em grupos em conflito e hoje dividem os grupos de artes marciais de modo a usurpar o poder da FRETILIN para que depois da FRETILIN eles possam emergir como os anjos salvadores, e a FRETILIN como os diabos” disse Osório Mauleki.

“Eles falam de democracia, eles falam de justiça, mas no fim de contas eles escondem as suas ambições para roubar posições políticas por meio de métodos anti-democráticos, algo que ficou muito claro, e por causa disso, durante a crise a FRETILIN tornou-se a vítima, os clandestinos tornaram-se as vítimas, as Forças Armadas tornaram-se as vítimas, a favor dos interesses políticos de alguns dos nossos líderes”, disse Osório Mauleki.

Osório Mauleki sublinhou que apesar de o PDRT não ter ganho as eleições juntou-se à LDP com apenas uma ideia na mente, pedir ao Presidente da República para respeitar os valores democráticos para o período de governação 2007-2012 e dar o direito de governar ao partido que ganhou mesmo se por apenas uma pessoa.

Osório Mauleki que é também o secretário-geral do PDRT afirmou também publicamente que o Presidente da República e os líderes dos outros partidos políticos devem respeitar a constituição que está em vigor na nossa nação porque está escrito com toda a clareza nela que é o partido que ganhar mais votos nas eleições que forma o governo e indica o PM e que alianças ou coligações formadas depois das eleições não estão intituladas a formar o governo.

Acrescentou que a interpretação da lei é clara mas que líderes políticos querem inventar interpretações diferentes para dividirem o povo e levá-los à violência e a matarem-se uns aos outros.

Alkatiri: «É o Estado que deve controlar eleitorado»

Diário Digital / Lusa
06-08-2007 9:04:00

O secretário-geral da Fretilin, Mari Alkatiri, afirmou hoje que «é o Estado que deve controlar o eleitorado», não o partido, confrontado com o convite iminente do Presidente timorense à oposição para formar governo. «É o Estado que, acima de tudo, deve ter a capacidade de controlar [o eleitorado]. Não deve pedir ao partido. Nós fazemos a persuasão política, tentamos persuadir», afirmou o ex-primeiro-ministro, questionado pela Lusa sobre se a Fretilin pode controlar os seus militantes.

O Presidente da República deverá anunciar oficialmente às 17:00 (09:00 em Lisboa) o convite para a Aliança para Maioria Parlamentar (AMP) formar o IV Governo Constitucional.

«É, não tenho dúvidas, um golpe de estado constitucional», acusou Mari Alkatiri na conferência de imprensa.

«Há dois anos que eu avisei que o golpe ia acontecer», acrescentou o ex-primeiro-ministro.
Na conferência de imprensa realizada antes da divulgação da decisão do Presidente da República, a Fretilin anunciou que «não cooperará com um governo empossado à margem da Constituição» de Timor-Leste e «combaterá por vias legais a usurpação do poder».

A declaração da Fretilin foi lida pelo presidente do partido, Francisco Guterres «Lu Olo» acompanhado por Mari Alkatiri e por Manuel Tilman, líder da Aliança Democrática, que reúne os partidos KOTA e PPT.

«A Fretilin considera a decisão do Presidente da República de convidar o CNRT [Congresso Nacional de Reconstrução de Timor-Leste] e seus aliados para formar o governo, uma decisão contrária à Constituição da República Democrática de Timor-Leste e politicamente desrespeitadora das expectativas do eleitorado timorense», diz também a declaração aprovada em reunião da Comissão Política Nacional.

Timor: Fretilin «combaterá por vias legais usurpação poder»

Diário Digital / Lusa
06-08-2007 7:32:00

A Fretilin «não cooperará com um governo empossado à margem da Constituição» de Timor-Leste e «combaterá por vias legais usurpação do poder», afirmou hoje em Díli o presidente do partido, Francisco Guterres «Lu-Olo».

O dirigente da Fretilin falava numa conferência de imprensa na residência do secretário-geral do partido e ex-primeiro-ministro, Mari Alkatiri, após uma reunião da comissão política nacional da Fretilin, horas antes do presidente timorense, José Ramos-Horta, anunciar o nome do próximo chefe do governo.

Na conferência de imprensa, participam também Mari Alkatiri e Manuel Tilman, da coligação KOTA/PPT, que apoia a Fretilin.

Timor-Leste: Campanha anti-Xanana antecipa convite do PR

Diário Digital / Lusa 06-08-2007 7:13:00

O convite a Xanana Gusmão para formar o novo governo de Timor-Leste, previsto para hoje, provocou já a reacção de pelo menos dois dos campos de deslocados de Díli, com o ex-Presidente a ser tratado de «traidor».

Cartazes e declarações directas contra Xanana Gusmão, o Congresso Nacional de Reconstrução de Timor-Leste (CNRT) e a Aliança para Maioria Parlamentar (AMP) surgiram nas últimas 24 horas junto ao campo de deslocados do aeroporto, em Comoro, e ao campo do porto de Díli, no jardim diante do Hotel Timor.

«Xanana é revolucionário, mas com cérebro de John Howard e G.W.Bush», pode ler-se num cartaz hoje afixado em Comoro e que alude ao primeiro-ministro da Austrália e ao Presidente dos Estados Unidos.

Um cartaz em bahasa indonésio, língua usada em vários dos letreiros erguidos hoje em Comoro, exige a Xanana que «páre o seu plano de guerra» («Stop!!! Konsep Perang», literalmente).

«Deputado Xanana tem que responsabilizar-se pela crise entre "lorosae" e "loromonu"», exige outro cartaz por referência ao conflito que estalou em Abril e Maio de 2006 entre timorenses originários dos distritos ocidentais e timorenses dos distritos orientais do país.

Um número estimado de 100 mil deslocados continuam a viver em campos ou em residências provisórias na capital e por todo o país, segundo a última actualização, relativa a Julho, divulgada pelo Ministério do Trabalho e da Reinserção Comunitária.

Em Díli, há pelo menos 30 mil deslocados.

Os campos do aeroporto e do porto de Díli estão entre os mais politizados da cidade e acompanham muito de perto a situação política e de segurança da capital e do país. «Os traidores não merecem governar», declarou hoje de manhã uma das responsáveis do campo de deslocados do aeroporto, dizendo falar em nome dos deslocados de toda a cidade. «Queremos justiça para os autores dos crimes de 2006», afirmou Madalena Tilman numa declaração lida à imprensa.

«Não concordamos que o Presidente da República inclua Xanana Gusmão como primeiro-ministro», afirmou a representante dos deslocados, alegando que declarações do ex-chefe de Estado na televisão pública, em 2006, «resultaram em muitas vítimas».

«Não somos tratados como pessoas, mas como projecto dos governantes», acrescentou Madalena Tilman, afirmando que «os deslocados não têm dignidade a viver debaixo de um toldo no seu próprio país».

O mesmo tom contra Xanana Gusmão marca vários cartazes erguidos em Comoro e no centro da cidade, junto aos campos de deslocados que têm demonstrado com frequência posições pró-Fretilin.

Num deles, a sigla CNRT é desdobrada em «Conselho Nacional da Revolta do Traidor» e «Conselho Nacional da Recolha do Traidor».

Um cartaz refere apenas: «Traidor uma vez, traidor sempre».

Os «objectivos» da AMP, de que o CNRT faz parte, são referidos noutro cartaz como «salvar os autonomistas, pisar o povo maubere, sobretudo o mais miúdo, alcançar uma nação capitalista e dar liberdade aos autores da crise». Os ataques à pessoa de Xanana Gusmão começaram de forma clara domingo, em frente ao campo de deslocados do porto de Díli, com uma enorme faixa:

«O filho do povo maubere precisa de um primeiro-ministro e não de uma pessoa choramingas (»tanis ten«, em tétum) como o irmão grande Xis».

Timor: «O eleitorado Fretilin vai ficar frustrado», diz PM

Diário Digital / Lusa
06-08-2007 6:25:00

O pedido do Presidente da República à Aliança para Maioria Parlamentar (AMP) para formar governo, esperado para hoje, provocará «a frustração no eleitorado da Fretilin», afirmou o actual primeiro-ministro Estanislau da Silva em entrevista à agência Lusa. «Não vai ser fácil daqui para a frente gerir politicamente o país e as expectativas do eleitorado, se estamos, logo à partida, a pôr em causa o estipulado na Constituição e começamos a pôr em causa o que nós próprios políticos dizemos sobre respeito da democracia e dos direitos», declarou Estanislau da Silva. José Ramos-Horta deverá anunciar ainda hoje o convite à AMP, que reúne os quatro maiores partidos da oposição, a formar governo. Questionado sobre se aceitaria integrar um executivo chefiado por Xanana Gusmão, Estanislau da Silva sublinha que é dirigente e deputado eleito de um partido e «é ao partido que cabe a decisão». «Sou timorense e gostaria de contribuir para esse país mas também faço parte da liderança da Fretilin e só estaria num governo mediante a decisão formal do meu partido», respondeu o primeiro-ministro no que pode ser o último dia de funções do III Governo Constitucional. «As promessas foram feitas e não vejo como vão ser cumpridas porque não há nenhum programa visível», afirmou Estanislau da Silva sobre o que espera de uma governação da AMP. «Fico muito preocupado quando ouço dizer que se vai fazer tudo de novo», acrescentou Estanislau da Silva.

«Não vai ser fácil» governar o país, declarou o primeiro-ministro.

«Espero que o novo governo aproveite as capacidades existentes».

Após a posse do IV Governo, Estanislau da Silva tenciona manter o lugar de deputado no novo parlamento. Estanislau da Silva tomou posse como primeiro-ministro a 19 de Maio, na sequência da eleição do anterior chefe de governo, José Ramos-Horta, para Presidente da República. Estanislau da Silva era ministro da Agricultura e primeiro vice-primeiro-ministro do II Governo Constitucional.

Ramos-Horta já anunciou convite a Xanana Gusmão

Osório Mauleki Confesses: During the Crisis Some People Used Kolimau 2000 to Make Politics.

(Tradução)
Jornal Nacional Diário
Dili 6 August 2007

Secretary General of the PDRT (Portuguese acronym for Timorese Democratic Republican Party) Osorio Mauleki declared that some people used the Kolimau 2000 group in April 2006 to make politics when they used the group to demonstrate with the petitioners to bring down the constitutional government which was headed by Dr. Mari Alkatiri.

Osorio Muleki made these comments at a FRETILIN Central Committee meeting in which he also participated at Delta Nova, Comoro, Dili on Sunday (4-8).

“I want to publicly state that during the crisis people used Kolimau 2000 as a curtain to dismantle the FRETILIN grassroots in various localities, but this is now clear to us and we have now learnt from our experience and our position will be clear in the future,” said Osorio Mauleki.

Osorio Mauleki added that the FRETILIN party had legitimacy under the constitution to form the government.

According to him, if the President persists with inviting the AMP to form government then Timor-Leste will confront another crisis which will be much bigger than the political-military crisis which passed recently.

Because of this the leader of Kolimau 2000 has asked the President of the Republic to allow FRETILIN to form the government, as otherwise there will be consequences for which he will not be able to blame anyone else and for which he will not be able to emerge as the savior angel.

He also declared publicly that Kolimau 2000ºs roots are from FRETILIN and they already know the political tactics of FRETILIN’s adversaries which they always used try to destroy FRETILIN and because of this Kolimau 2000 will not fall for these dirty politics as were used to bring down the FRETILIN government in 2006.

According to Osorio Kolimau 2000 knows the politics played by these people who today scream justice and democracy and want to emerge as the saviors of the nation, but they are not interested in the justice or truth they scream about but the positions in government, and it is for these that they divided FRETILIN, F-FDTL and the clandestine people.

“Dividing us was not enough, then they divided F-FDTL into conflicting groups and today divided the martial arts groups in order to wrest power from FRETILIN so that after FRETILIN they will emerge as the savior angel, FRETILIN as the evil ones” said Osorio Mauleki.

“They speak of democracy, speak of justice, but in the end they hide their ambitions to steal political positions through undemocratic means, something which has become very clear, and because of this during the crisis FRETILIN became the victim, clandestine people became the victims, the Armed Forces became the victims, for the sake of some of our leaders political interests”, said Osorio Mauleki.

Osorio Mauleki underlined that although PDRT did not win in the elections it has joined the LDP with only one thing in mind, to ask the President of the Republic to respect democratic values for the governance period 2007-2012 and give the right to govern to the party which won even if by only one person.

Osorio Mauleki who is also the secretary general of the PDRT party stated also publicly that the President of the Republic and leaders of other political parties should respect the constitution which is in force in our nation because it is clearly written in it that the party which wins the most votes from the election that forms the government and indicates the PM and alliances or coalitions formed after the elections to go into parliament is not entitled to form government.
He added that the interpretation of the law is clear but political leaders want to invent different interpretations to divide the people and drive them into violence and kill each other.

O golpe está consumado.

Era uma vez um país. O golpe começou a 28 de Abril de 2006...

Pode consultar aqui neste blog como se faz um golpe de Estado em 16 meses, dia a dia.
Comece aqui.

Presidente Ramos-Horta convida Xanana Gusmão para Primeiro-Ministro

Hoje às cinco da tarde Ramos-Horta anunciará que convidou Xanana Gusmão para Primeiro-Ministro.

A tomada de posse do novo Governo vai realizar-se 4ª feira.

Os aliados de Xanana... recordando. (2)

Tradução da Margarida:

Sexta-feira, Abril 9, 1999

Massacre põe Timor a viver no fio da navalha

Por Tim Dodd, Jacarta

Ontem Timor-Leste estava tenso no meio de relatos que a milícia leal aos Indonésios estava a preparar para aumentar a sua luta de destruição do processo de paz patrocinado pela ONU e de manter a província sob o controlo de Jacarta.

Um assistente do líder dos Timorenses Católicos Arcebispo Belo, o Sr Ammandeaou, disse que residentes de Liquisa, onde 25 pessoas foram massacradas pelos leais na Terça-feira, estavam a viver no medo e que apenas saiam de casa vestidos de vermelho e branco as cores Indonésias.

Ele disse que acreditava que o grupo da milícia pró-Indonésia Vermelho e Branco, que fez os assassinatos em Liquisa, tinha realizado uma cerimónia de lealdade para as suas tropas em Maliana, a 100 quilómetros de Dili.

A facção dos leais admitiu ontem que morreram 25 pessoas no ataque de Terça-feira a uma igreja onde centenas de Timorenses se abrigavam.

O Arcebispo Belo comparou o incidente com o massacre de Dili de 1991, no qual morreram mais de 50 pessoas, e que foi um evento chave no reaparecimento do interesse internacional por Timor-Leste. As forças armadas Indonésias, a quem testemunhas alegam ter assistidos ao ataque da milícia Vermelhos e Brancos na igreja, ontem mantiveram o sua afirmação de Quarta-feira à noite de que tinham morrido apenas cinco pessoas.

O massacre seguiu-se à declaração do líder da resistência preso Timorense, Sr Xanana Gusmão, na Segunda-feira a apelar à sua força de guerrilha anti-Indonésia para terminar o cessar-fogo e tomar todas as acções necessárias em defesa da população de Timor-Leste.

Ontem, uma porta-voz do Sr Xanana disse que a sua força estava pronta para defender contra os ataques dos leais pró-Indonésios.

O Presidente Português, o Sr Jorge Sampaio, culpou a Indonésia pelo massacre.

"As autoridades Indonésias devem ser consideradas responsáveis perante a comunidade internacional pela onda de violência de milícias armadas contra civis," disse ele.

Portugal renovou o seu apelo para uma força de manutenção de paz da ONU intervir em Timor-Leste. O Primeiro-Ministro, Sr António Guterres, disse que a acção internacional no Kosovo deu a Portugal a autoridade moral para requerer a intervenção da ONU em Timor-Leste.

Um funcionário do Ministério dos Estrangeiros Indonésio disse ontem que as conversações planeadas com Portugal, a antiga potência colonial, sobre o futuro de Timor-Leste irá avante sob os auspícios da ONU em Nova Iorque na próxima semana. Espera-se que as conversações montem um plano para um plebiscito na província para decidir se o território aceita a oferta de Jacarta de autonomia sob controlo Indonésio ou opta pela independência.

Na Quarta-feira, o padre da paróquia de Liquisa, padre Rafael dos Santos, disse que a polícia militar Indonésia tinha começado a disparar para o ar quando os homens da milícia começaram o ataque.

"As pessoas esconderam-se onde puderam," disse ele. "Algumas fugiram para a minha casa e outros para a igreja, mas a polícia atirou gás e obrigou-os a sair. As pessoas saíram da igreja a chorar e foram mortos com catanas pelos Merah Putih (Vermelhos e Brancos)."

Um porta-voz da facção leal aos Indonésios, Gil Alves, confirmou que a milícia dos Vermelhos e Brancos tinha dirigido o ataque.

Mas ele disse que o ataque começou depois de terem sido disparados tiros do interior do terreno da igreja.

Ele afirmou que os Vermelhos e Brancos tinham cercado a casa do padre para desarmar membros do CRNT (forças anti-Indonésias leais ao Sr Xanana), que tinham guardado armas lá.

Ele disse que a polícia estava presente para prevenir a violência e que disparou o gás em auto-defesa. Ele negou que a milícia tivesse sido armada por militares Indonésios, como tinha afirmado o Sr Xanana.

De acordo com o Jakarta Post, o Ministro da Justiça Indonésio, Sr Muladi, ameaçou mandar de volta para a prisão o Sr Xanana da casa onde ele pode receber visitantes.

Ontem, em Canberra o porta-voz dos negócios estrangeiros da Oposição, Sr Laurie Brereton, disse que visitará Jacarta na próxima semana e espera ter conversações com o Sr Xanana.

NOTA DE RODAPÉ:

A negação dos massacres por Gil Alves, secretário-geral da Associação Social Democrata Timorense (ASDT), nomeado Ministro das Finanças do Governo por Xanana Gusmão, caso este seja Primeiro-Ministro...

É esta associação de malfeitores e vigaristas que vai garantir estabilidade a Timor-Leste?

Os aliados de Xanana... recordando. (2)

Friday, April 9, 1999

Massacre has Timor living on the edge

By Tim Dodd, Jakarta

East Timor was tense yesterday amid reports that the Indonesian loyalist militia was preparing to step up its fight to wreck the UN-sponsored peace process and keep the province under Jakarta's control.

An assistant of East Timorese Catholic leader Archbishop Belo, Mr Ammandeaou, said that residents of Liquisa, where 25 people were massacred by loyalists on Tuesday, were living in fear and only left their houses wearing the red and white Indonesian colours.

He said he believed that the pro-Indonesian militia group Red and White, which carried out the Liquisa killings, had held a loyalty ceremony for its troops at Maliana, 100 kilometres from Dili.

The loyalist faction yesterday admitted that 25 people died in Tuesday's attack on a church where hundreds of East Timorese were sheltering.

Archbishop Belo compared the incident with the Dili massacre of 1991, in which up to 50 people died, which was a key event in reawakening international interest in East Timor. The Indonesian armed forces, whom witnesses allege assisted the Red and White militia attack the church, yesterday stood by its statement of Wednesday night that only five had died.

The massacre followed a statement by the jailed East Timorese resistance leader, Mr Xanana Gusmao, on Monday calling on his anti-Indonesian guerilla force to end its ceasefire and undertake all necessary action in defence of the population of East Timor.

Yesterday, a spokeswoman for Mr Xanana said his force was ready to defend against attacks by pro-Indonesian loyalists.

The Portuguese President, Mr Jorge Sampaio, has blamed Indonesia for the massacre.

"The Indonesian authorities must be seen as responsible before the international community for the wave of violence by armed militias against civilians," he said.

Portugal has renewed its call for a UN peacekeeping force to intervene in East Timor. The Prime Minister, Mr Antonio Guterres, said the international action in Kosovo gave Portugal the moral authority to request UN intervention in East Timor.

An Indonesian Foreign Ministry official said yesterday that the planned talks with Portugal, the former colonial ruler, on the future of East Timor would still go ahead under UN auspices in New York next week. The talks are expected to lay out a plan for a plebiscite in the province to decide whether the territory accepts Jakarta's offer of autonomy under Indonesian control or opts for independence.

On Wednesday, the Liquisa parish priest, Father Rafael dos Santos, said Indonesian military police had begun firing into the air when militiamen began the attack.

"People hid where they could," he said. "Some fled into my house and others into the church, but the police threw in tear gas to make them come out. The people left the church with their eyes streaming and were hacked to death with machetes by the Merah Putih (Red and White)."

A spokesman for the Indonesian loyalist faction, Gil Alves, confirmed that the Red and White militia had conducted the attack.

But he said the attack started after shots were fired from inside the church grounds.

He claimed that the Red and White had surrounded the priest's home to disarm members of the CRNT (anti-Indonesian forces loyal to Mr Xanana), who had stored weapons there.

He said the police were present to prevent violence and fired tear gas in self-defence. He denied that the militia had been armed by the Indonesian military, as Mr Xanana has claimed.

According to the Jakarta Post, the Indonesian Justice Minister, Mr Muladi, has threatened to move Mr Xanana back to jail from the Jakarta house where he is able to receive visitors.

In Canberra yesterday, the Opposition foreign affairs spokesman, Mr Laurie Brereton, said he would visit Jakarta next week and hoped to have talks with Mr Xanana.

NOTA DE RODAPÉ:

A negação dos massacres por Gil Alves, secretário-geral da Associação Social Democrata Timorense (ASDT), nomeado Ministro das Finanças do Governo por Xanana Gusmão, caso este seja Primeiro-Ministro...

É esta associação de malfeitores e vigaristas que vai garantir estabilidade a Timor-Leste?

Faz o que te digo, não faças o que faço...

This is a synopsis of an undated paper John Hutchinson (*) wrote for the Centre for Strategic and Defence Studies at the ANU.

* novo comandante das forças militares australianas em Timor-Leste.

Wars of Conscience. Human rights, national security and Australia's defence policy by John Hutcheson
(ISBN 0 7315 5405 1, 173+xi pp) $A26.00

The interdependent nature of international affairs means that Australia, in pursuit of its national interests, will depend on being free from any disruption that may emanate from within a country as a result of violations to international human rights and the breakdown in the social and political relationship between people and their government. In most cases the majority of conflict is often the result of governments’ inability, or desire not to, guarantee the basic human rights enshrined in the International Bill of Rights. This observation is exacerbated by the emerging threat globalisation poses, and by default security, in that it is fracturing societies and groups of societies into ‘have’ and ‘have nots’.

The expense associated with the resulting refugees and illegal immigrants seeking a better life can be measured in direct, and indirect, economic costs and/or negative social and cultural consequences of receiving immigrants, or providing limited national resources to not only prevent the influx but also provide support to regional and international initiatives to solve the problem. The solution is to put more energy, resources and focus into facilitating the development of social cohesion within and between states as a basis for achieving Australia’s national security.

The role of the ADF, as part of that national security goal, should be to assist in seeking to manage that instability by developing and maintaining the ability to make responsible contributions to ensuring regional and international peace and security. This aim is, however, going to be difficult to achieve at a time when the tempo of operations is increasing but available healthy young smart Australians and real time funding is decreasing. The result is that the ADF is expected to do more with less.

The challenge for Australia’s defence policy makers is to provide a cost-effective defence strategy that is supported by a force structure that is adaptable enough to defend Australia, to fight ‘wars of necessity’, and flexible enough to be able to do other tasks that may not be in the national interest, such as fighting ‘wars of conscience’. In most cases those ‘wars of conscience are not constrained by the limits of traditional military campaigns, involving imposing the ‘rule of law and order’ and providing security during the period of reconciliation to support the building of legitimate social and political structures.

This monograph seeks to examine the internationalisation of human rights since 1945 and the link between international human rights, globalisation and security before proffering a particular option on how Australia’s defence policy makers can accommodate the short term desire for humanitarian intervention, whilst still allowing it to achieve its primary raison d’etre – defending Australia.

The solution that focuses on a strategy of regional defence of Australia with a military capability to be able to do other tasks, and designing a integrated two tier modular ADF to facilitate the need to have a capacity to surge and sustain operations. Such a desire can only be met by developing a conceptual framework around a second tier of more skill-specific personnel that are drawn from the wider community to supplement a first tier of trained and deployable ‘warfighters’.

The success of those changes will require the ADF to face some contentious issues and overcome significant cultural constraints, balance its training requirements, reinforce doctrine, ensure adequate funding, leverage the advantages associated with the RMA, and educate the public and government. If the ADF can do this it will be able to fight ‘wars of necessity’, and adapt down to fight ‘wars of conscience’.

domingo, agosto 05, 2007

Os aliados de Xanana... recordando. (1)

Tradução da Margarida:

Entrevista com Mário Carrascalão 1995

Data: Sexta-feira, 09 Junho 1995 - 13:51:00 EDT

'Suara Pembaruan' 4/24/95 conforme tradução pela BBC

['Suara Pembaruan'] Ouvimos dizer que recusou um convite feito pelo Secretário-geral da ONU para atender um encontro entre grupos pró e anti- integração em Salzburg, Áustria.

[Carrascalão] Tive duas razões para recusar o convite. Primeira, eu sou o Embaixador Indonésio na Roménia. O convite não faz parte das tarefas de que me incumbiram. Segunda, o convite foi-me dirigido a mim pessoalmente. Penso que como indivíduo apenas posso agir em assuntos em que República da Indonésia não tenha interesse. Uma vez que estão envolvidos interesses da República da Indonésia, eu não posso agir como indivíduo. Ao assumir o cargo de embaixador Indonésio, eu reconheci totalmente a integração de Timor-Leste na República da Indonésia, porque eu não teria sido embaixador se Timor-Leste não fizesse parte da Indonésia.
Por isso, o que é que falaria a título individual? Explicaria a situação em Timor-Leste no encontro se o governo da República da Indonésia me nomeasse para o fazer, agindo como seu enviado. A título individual, não posso ter nada a fazer com Horta e Abílio Araújo. Eu considero a integração finalizada;
Eu aceitei a integração de 1975. Eu posso questionar a situação, mas não a integração. Eu fui vocal quando fui governador, mas não questionei a integração. Eu procurei maneiras de melhorar a situação em Timor-Leste como uma manifestação da integração, porque eu considero a integração finalizada.

[P] Como é que o Departamento dos Negócios Estrangeiros reajiu à sua recusa?

[R] Eu relatei a minha recusa ao ministro dos negócios estrangeiros e enviei uma carta ao secretário-geral da ONU dizendo que não podia atender o encontro porque eu represento o governo da República da Indonésia.

[P] Qual será o valor diplomático do encontro?

[R] Na minha opinião, como fórum de construção de confiança, o encontro está formatado para criar uma atmosfera favorável para conversações substantivas sobre a questão de Timor-Leste.
Pessoalmente não sei o que serão conversações substantivas, mas eu penso que as conversações substantivas não serão as realizadas entre os grupos pró e anti-integração mas antes entre os ministros dos estrangeiros da República da Indonésia e de Portugal sob o patrocínio do secretário-geral da ONU.
Os dois ministros podem alcançar resultados justos e bons se houver um entendimento preliminar mútuo entre os grupos pró e anti-integração.

[P] Alguma vez se encontrou com os opositores à integração, incluindo o seu próprio irmão João Carrascalão, enquanto esteve de serviço no estrangeiro?

[R] Não tenho nenhum interesse em tais encontros. Eu sou um homem de princípios. Agora que escolhi a Indonésia, manter-me-ei comprometido com a Indonésia. Depois das conversações de Roma, o meu irmão João Carrascalão veio à capital da Roménia, Bucareste, depois de obter a autorização do Ministro dos Estrangeiros Ali Alatas. Ele telefonou-me porque ele queria visitar a residência oficial do Embaixador Indonésio na Roménia. Eu perguntei-lhe para o que é que ele me queria ver – eu sou Indonésio, tu não és.
Eu sou o Embaixador da Indonésia, não de Timor-Leste. Tu não podes ficar na residência do Embaixador da República da Indonésia. Não te posso ver num país onde estou creditado como embaixador. De facto somos irmãos, e podemos vermos em qualquer lugar onde eu não represento os interesses diplomáticos da República da Indonésia. Soube que ele ficou num hotel depois de ter ouvido a minha explicação. Mais tarde ele regressou à Austrália. Não nos vimos. Esta era uma questão de princípio. Não o descartei como meu irmão. Continuamos a ser irmãos, mas tenho que manter os meus princípios.

[P] Ramos Horta e Abílio Araújo?

[A] Lamento, conheço-os demasiadamente bem. Não confio e não confiarei na Fretilin. Por isso, lamento, não há maneira alguma de poder confiar em membros da Fretilin. Baseado na minha experiência, não se podia confiar neles ainda quando a Fretilin era um partido político. Não se pode confiar neles nem agora nem nunca.

[P] O que acha da opinião pública noutros países em relação a Timor-Leste?

[R] Estou confiante que as partes estrangeiras - Portugal e os seus aliados – gradualmente removerão a questão de Timor-Leste das suas agendas se a situação em Timor-Leste melhorar mais. Tudo depende da situação no próprio Timor-Leste. Se deixar de haver desilusão, frustração ou descontentamento em Timor-Leste, a questão de Timor-Leste desaparecerá no estrangeiro porque há maiores problemas no mundo. Nós em Timor-Leste parecemos encarar a questão de Timor-Leste como um problema sério, mas o mundo vê a Bósnia-Herzegovina, Ruanda, e outros como problemas muito grandes. A questão de Timor-Leste não preocupa o mundo. Ponha a questão desta maneira: há fumo no estrangeiro por causa do fogo em Timor-Leste. Por isso, deixem-nos apagar o fogo para prevenir que haja qualquer fumo!

[P] Como se pode responder à situação em Timor-Leste?

[R] Deverá haver um conceito especial de desenvolvimento que posso realmente ir ao encontro das aspirações dos Timorenses. O governo da República da Indonésia gastou uma quantidade enorme de dinheiro em Timor-Leste. O governo tem prestado atenção especial a Timor-Leste, ao contrário doutras regiões, principalmente por causa da sua história passada, que tem sido frequentemente explorada para propósitos políticos.

[P] É Importante a unidade dos Timorenses?

[R] É muito importante. A unidade é a principal vantagem para uma resolução compreensiva da questão na arena internacional.
De acordo com isto, não deve haver nenhumas facções. O partidarismo é um ponto sensível. Já havia sinais de partidarismo quando era governador.

Criando condições favoráveis

[P] Como é que os diplomatas estrangeiros vêem a questão?

[R] Na minha opinião, eles não questionam o estatuto de Timor-Leste, apesar de ter havido queixas ocasionais sobre a situação dos direitos humanos em Timor-Leste. A posição de Portugal é importante. Se a situação em Timor-Leste melhorar, Portugal pode mesmo abordar-nos e pedir ao povo de Timor-Leste para aceitar a integração. Devemos entender que a questão de Timor-Leste já não é mais uma questão de qualquer partido político em Portugal porque a questão envolve agora o governo. Por isso, seja quem for que lidere Portugal continuará a prestar atenção à questão, que se mantém na constituição do país.
De acordo com isto, devemos criar condições favoráveis em Timor-Leste e no próprio Portugal para que um dia peçam ao povo de Timor-Leste para ser parte da Indonésia.

[P] O que é que o governo está a fazer para resolver a questão?

[R] Com esperança, a questão será resolvida sob o Sexto Gabinete de Desenvolvimento por causa do nosso compromisso com este objectivo.
Apenas um obstáculo se mantém no caminho das conversações entre os dois ministros dos estrangeiros sob o patrocínio do secretário-geral da ONU. Portugal é ainda reconhecido internacionalmente como o poder administrante e Timor-Leste mantém-se na sua constituição. Para nós, a integração ficou finalizada pela Lei No 7/1976. Deve haver agora uma atitude de dar e receber para através de entendimento mútuo resolver a questão. Isso agora é connosco.
Melhoremos com seriedade a situação em Timor-Leste! As autoridades aproximaram-se mais do povo. Este é um bom passo. Devem procurar maneiras para ficarem mais próximas do povo. Então o povo sentirá de verdade a presença das forças armadas da República da Indonésia e da administração local como seus protectores. O povo desenvolverá um sentido de felicidade, e um dia Portugal admitirá a derrota e reconhecerá a Indonésia como o único país capaz de tornar próspero o povo de Timor-Leste.

[P] E sobre o papel da Igreja Católica?

[R] Todas as partes têm de compreender e entender que a Igreja Católica tem um papel muito importante em Timor-Leste numa base de curto e longo tempo. Sabemos que a Igreja Católica está directamente sob o Vaticano por causa da natureza internacional da questão de Timor-Leste, mas devemos criar relações harmoniosas para bem do desenvolvimento aqui. Devemos encorajar os Timorenses a darem informações sobre o desenvolvimento não apenas à igreja mas também a funcionários da administração local. Por outras palavras, devemos criar uma atmosfera condutiva que permita ao povo ver os administradores locais, não apenas a Igreja Católica, como os seus protectores. Devemos criar tais condições sem qualquer desvio.

Os aliados de Xanana... recordando. (1)

Mario Carrascalao Interview 1995

Date: Fri Jun 09 1995 - 13:51:00 EDT

'Suara Pembaruan' 4/24/95 as translated by BBC

['Suara Pembaruan'] We heard that you turned down the UN secretary-general's invitation to attend a meeting between pro-and anti- integration groups in Salzburg,
Austria.


[Carrascalao] I had two reasons for turning down the invitation. First, I am the Indonesian ambassador to Romania. The invitation was not part of the duties entrusted to me. Second, the invitation was addressed to me as an individual. I think that as an individual, I can only act on matters of no interest to the Republic of Indonesia. Once the interests of the Republic of Indonesia are involved, I cannot act as an individual. In assuming the post of Indonesian ambassador, I fully recognized the integration of East Timor into the Republic of Indonesia, because I would not have become an ambassador if East Timor had not been part of Indonesia.
Therefore, what would I talk about as an individual? I would explain the East Timor situation at the meeting if I was assigned to do so by the Republic of Indonesia government, acting as its envoy. As an individual, I can have nothing to do with Horta and Abilio Araujo. I consider the integration final;
I accept the integration of 1975. I can question the situation, but not the integration. I was vocal when I was governor, but I did not question integration. I sought ways to improve the situation in East Timor as a manifestation of the integration, because I consider the integration final.

[Q] How did the Department of Foreign Affairs react to your rejection?

[A] I reported my rejection to the minister of foreign affairs and sent a letter to the UN secretary-general saying I was unable to attend the meeting because I represent the Republic of Indonesia government.

[Q] What will the diplomatic value of the meeting be?

[A] In my opinion, as a confidence- building forum, the meeting is designed to create a favourable atmosphere for substantive talks on the East Timor issue.
I do not personally know what the substantive talks will be, but I think that substantive talks will not be held between the pro-and anti- integration groups but rather between the foreign ministers of the Republic of Indonesia and Portugal under the sponsorship of the UN secretary-general.
The two ministers can achieve fair and good results if there is a preliminary mutual understanding between the pro- and anti- integration groups.

[Q] Have you ever met any of those opposed to the integration, including your own brother Joao Carrascalao, while on duty abroad?

[A] I have no interest in such meetings. I am a man of principle. Now that I have chosen Indonesia, I will remain committed to Indonesia. Following the Rome talks, my brother Joao Carrascalao came to the Romanian capital, Bucharest, after obtaining the consent of Foreign Minister Ali Alatas. He called me because he wanted to visit the official residence of the Indonesian ambassador to Romania. I asked what he wanted to see me for - I am Indonesian; you are not.
I am the ambassador of Indonesia, not East Timor. You cannot stay at the residence of the ambassador of the Republic of Indonesia. I cannot see you in a country to which I am accredited as ambassador. We are indeed brothers, and we can see each other in any place where I do not represent the diplomatic interests of the Republic of Indonesia. I learned that he stayed at a hotel after hearing my explanation. He later returned to Australia. We did not see each other. This was a matter of principle. I did not disown him as my brother. We remain brothers, but I have to uphold my principles.

[Q] Ramos Horta and Abilio Araujo?

[A] I am sorry. I know them too well. I do not and will not trust Fretilin [Revolutionary Front for an Independent East Timor] . Therefore, sorry no way I can trust Fretilin members. Based on my experience, they could not be trusted when Fretilin was still a political party. They cannot be trusted, not now or ever.

[Q] How do you see public opinion in other countries regarding East Timor?

[A] I am confident that foreign parties - Portugal and its allies - will gradually remove the East Timor issue from their agenda if the situation in East Timor improves further. Everything depends on the situation in East Timor itself. If there is no longer any disappointment, frustration, or displeasure in East Timor, the East Timor issue will disappear abroad because there are bigger problems in the world. We in East Timor seem to regard the East Timor issue as a major problem, but the world sees Bosnia-Herzegovina, Rwanda, and others as very big problems. The East Timor issue does not bother the world. Put the issue this way: There is smoke abroad because of the fire in East Timor. Therefore, let us put out the fire to prevent any smoke!

[Q] How can the situation in East Timor be redressed?

[A] There should be a special development concept that can truly meet the aspirations of the East Timor people. The Republic of Indonesia government has spent a huge amount of money in East Timor. The government has paid special attention to East Timor, unlike other regions, primarily because of its background, which has frequently been exploited for political purposes.

[Q] Is the unity of the East Timor people important?

[A] It is very important. Unity is the main asset for a comprehensive settlement of the issue in the international arena.
Accordingly, there should be no factions. Factionalism is a sensitive point. There were already signs of factionalism when I was governor.

Creating favourable conditions

[Q] How do foreign diplomats view the issue?

[A] In my opinion, they do not question the status of East Timor, although there have been occasional complaints about the human rights situation in East Timor. Portugal's position is important. If the situation in East Timor improves, Portugal may even approach us and urge the East Timor people to accept integration. We must realize that the East Timor issue is no longer a matter for any political party in Portugal because the issue now involves the government. Thus, whoever leads Portugal will continue to pay attention to the issue, which remains in the country's constitution.
Accordingly, we must create favourable conditions in East Timor and Portugal itself will one day ask the East Timor people to be part of Indonesia.

[Q] What is the government doing to settle the issue?

[A] Hopefully, the issue will be settled under the Sixth Development Cabinet because of our commitment to this objective.
Only one obstacle stands in the way of talks between the two foreign ministers under the sponsorship of the UN secretary-general. Portugal is still internationally recognized as the administrator power and East Timor remains in its constitution. For us, integration was finalized through Law No 7/1976. There should now be a take and give attitude towards mutual understanding to settle the issue. It is up to us now.
Seriously improve the situation in East Timor! The authorities have grown closer to the people. This is a good step. They should seek ways to be closer to the people. The people will thus truly feel the presence of the armed forces of the Republic of Indonesia and the local administration as their protectors. The people will develop a sense of happiness, and Portugal will one day concede defeat and recognize Indonesia as the only country capable of making the East Timor people prosperous.

[Q] What about the role of the Catholic Church?

[A] All sides must understand and realize that the Catholic Church plays a very important role in East Timor on a short and long-term basis. We know that the Catholic
Church is still directly under the Vatican because of the international nature of the
East Timor issue, but we must create harmonious relations for the sake of development here. We must encourage the East Timorese to give information on development not only to the church but also to local administration officials. In other words, we must create a conducive atmosphere that will enable the people to see local administrations, not just the Catholic Church, as their protectors. We must create such conditions without any deviation.

Dos Leitores

H. Correia deixou um novo comentário na sua mensagem "Rogério Lobato seguiu para a Malásia, por necessid...":

Registrei com apreço a atitude honesta de JL Guterres, que porventura deveria ser seguida por outros.

Caso ele tivesse correspondido ao convite, e partindo do princípio de que a "AMP" formará Governo, teríamos um caso bizarro de um Governo formado por todos os partidos (tirando alguns pequenos) menos o que ganhou. Mas entre todos os militantes desse partido um deles beneficiaria de uma excepção, sendo integrado no Governo e logo com o cargo de vice-primeiro-ministro, como prémio de ser contra a legítima direcção do seu partido.

Acho que assim Timor-Leste nem vai conseguir ascender à categoria dos Estados falhados.

Fica-se por república das bananas...

***

H. Correia deixou um novo comentário na sua mensagem "Dos Leitores":

Só por fanatismo se pode negar que a Fretilin tem feito concessões de vulto para tentar viabilizar um Governo inclusivo que permita criar as condições de estabilidade tão necessárias para que Timor tenha finalmente paz e sossego.

A essas concessões e disponibilidade para negociar, Xanana tem respondido com uma rigidez lamentável.

Na política, há aqueles que colocam os interesses do País em primeiro lugar e outros que só vêem os seus, pelo monóculo da ganância.

Com os primeiros, é fácil dialogar e negociar, pois para esses as ideologias ou os pontos de vista divergentes não são obstáculo a entendimentos. A História da Humanidade está cheia de exemplos desses.

Com os segundos não há nada a fazer. Pertencem simultaneamente aos clubes do "Ou sais tu ou saio eu" e do "Venha a nós". Parece que se alimentam do conflito e fogem da concórdia como o diabo da cruz para não passarem fome.

Esses nunca hão-de ir longe, porque de tão míopes que são não enxergam que, como timorenses que são, também sofrerão as consequências daquilo que fizerem por Timor, para o bem e para o mal.

***

H. Correia deixou um novo comentário na sua mensagem "Dos Leitores":

Programa premonitório...

No dia 1 de Agosto, andava eu a surfar nos canais de TV, quando encontrei por acaso na "RTP Memória" um programa do Herman José [humorista português] que contava com a presença de Ramos Horta, JL Guterres e muitas caras conhecidas entre dezenas de jovens timorenses.

Esse programa foi gravado entre os anos de 1996 e 1999, visto que RH já havia recebido o prémio Nobel e ainda não tinha sido realizado o referendo.

Portanto, há cerca de 10 anos, RH esteve presente num programa da TV portuguesa, onde foi entrevistado e fez algumas declarações interessantes.

Interrogado por HJ se se sentia atraído por cargos políticos num futuro Timor independente, respondeu:

"Para cargos de Governo, não. Não tenho paciência nem tenho vocação".

Alexander Downer, MP – Conferência de Imprensa - 2 Agosto 2007

Tradução da Margarida:

Finalmente disse no Forum Regional da ASEAN que temos ainda 1,000 tropas em Timor-Leste – são muitas tropas para estarem em Timor-Leste. Temos lá polícias, há também operações com a polícia da ONU em Timor-Leste. Agora que já acabaram as eleições e que estão prestes a formar um novo governo temos esperança que o ambiente político acalme por lá, independentemente de como for constituído o governo – isso não é uma questão nossa mas dos Timorenses. Mas é nossa ideia que o povo de Timor-Leste agora precisa de acalmar, continuar com a sua vida e desistir de tentar usar a violência como uma via para resolver disputas e promover carreiras políticas e estou confiante que o Fórum Regional da ASEAN Regional Forum absorba e apoie este sentimento geral.

Assim se houver perguntas fico feliz a tentar respondê-las.

Repórter: Em primeiro lugar sobre Timor-Leste, está a dizer que gostaria que as tropas Australianas começassem a sair de Timor-Leste em breve e tem alguma preocupação com as cinco semanas que está a levar para formar o governo em Timor-Leste?

Sr Downer: Não, não tenho qualquer preocupação com o tempo que está a levar e que leva sempre – num ambiente como aquele onde nenhum partido tem a maioria no parlamento – algum tempo para negociar um governo. Acontece o mesmo nalguns países Europeos. Não acontece no nosso país porque geralmente um partido ou outro tem maioria absoluta. Em países onde os partidos não têm maioria absoluta pode levar bastante tempo. É melhor levar tempo e arranjarem um certo do que apressarem-se e arranjarem um errado.

Em termos das tropas. A autorização da ONU sobre essas tropas expira em Fevereiro do próximo ano. Pode acontecer precisarmos de manter as tropas lá durante algum tempo ainda e o Presidente de Timor-Leste gostaria de que tivéssemos lá as tropas até ao fim de 2008.

O meu ponto sobre isto é que obviamente gostaríamos de reduzir tão depressa quanto possível e por fim sair logo que pudéssemos. Não queremos manter as tropas lá mais um momento do que o necessário mas o que for necessário dependerá das condições no terreno e da opinião da liderança Timorense e no momento eles querem que mantenhamos a presente formação de tropas que temos. Vejamos como correm as coisas depois da formação do governo e quando o governo se instalar podemos ter uma ideia de como reduzir ou mesmo finalmente sair.

Dos Leitores

Margarida deixou um novo comentário na sua mensagem "Bando de oportunistas vai governar Timor-Leste?":

O Ramos-Horta anda há mais de um mês num faz-de-conta a empatar sobre a quem dirigir o convite para a formação do novo Governo. A primeira desculpa era que tinha de ouvir constitucionalistas sobre a quem competia dirigir o convite (depois de o bando dos quatro ter inventado a AMP), mas entretanto propôs a todos os partidos uma “solução inclusiva”.

A Fretilin aceitou o repto do Horta e oficialmente afirmou que acredita que um Governo de Grande Inclusão que integre membros de todos os partidos políticos com assento no Parlamento Nacional contribuirá para que, em Timor-Leste, se volte a ter estabilidade, concluindo com todo o realismo que se não houver estabilidade, nenhum governo poderá funcionar com eficiência.

E até foi mais longe, dizendo-se aberta às opiniões de todos os partidos políticos, e das forças vivas da sociedade civil.

Mas naturalmente que reafirmou - mais uma vez! - o direito constitucional de escolher o Primeiro-Ministro e de formar o Governo, e esclareceu que aceita a mensagem traduzida nos resultados das eleições como uma vontade do povo em integrar no governo todos os partidos representados no Parlamento Nacional.

Em contrapartida, os da suposta AMP, numa arrogância de absoluto desdém pela vontade popular expressa nas eleições, cozinharam uma liderança do PN apenas deles.

E perante a clarividência da Fretilin e o sectarismo da suposta AMP, o Horta mete as dúvidas constitucionais da gaveta, esquece a trapalhada da “solução inclusiva” com que andou a entreter e a entreter-se e convidou o sectário-mor e o maior derrotado para liderar um governo de absoluta exclusão da Fretilin.

Com alguns farsantes o crime compensa no muito curto prazo. Mas apenas no muito curto prazo.

Critérios da comissão e da ONU são antagónicos

Blog Timor Lorosae Nação - 04-08-2007

A posição da ONU em relação aos crimes praticados em 1999 em Timor-Leste está a demonstrar ser cada vez mais antagónica às posições e declarações dos dirigentes timorenses mais destacados como Xanana Gusmão e Ramos Horta. Enquanto que os referidos dirigentes defendem o branqueamento das centenas de crimes praticados durante a violenta ruptura de Timor-Leste com a Indonésia a ONU já anunciou que boicotará a comissão de verdade criada para investigar aqueles centenas de mortes, a não ser que ponham de parte a pretensão de amnistiar as pessoas culpadas de violações aos direitos humanos.

Por meio de um comunicado divulgado ontem a ONU considera que “não pode endossar nem fechar os olhos a amnistias para culpados de genocídio, crimes contra a humanidade, crimes de guerra ou brutais violações dos direitos humanos, assim como não pode fomentar tais crimes”. Investigadores da ONU e do governo de Timor-Leste identificaram dezenas de suspeitos de perpetrar estupros, assassinatos e pilhagens ao longo de meses de derramamento de sangue, entre eles oficiais de alto escalão do Exército indonésio. Até hoje, porém, nenhum desses casos foi a julgamento.

Se o mandato do painel não for alterado a fim de obedecer aos padrões internacionais, funcionários das Nações Unidas "não testemunharão nem participarão de nenhuma espécie de apoio a esse trabalho", avisou a porta-voz Marie Okabe. Benyamin Mangkudilaga, presidente da comissão, disse hoje que nenhuma decisão sobre eventuais amnistias foi tomada ainda, mas não está descartada a possibilidade à concessão de tal benefício.

In Tarde Online/TLN

Rogério Lobato seguiu para a Malásia, por necessidade médica

Jorge Heitor – 4 de Agosto de 2007

O carro de João Carrascalão, presidente da União Democrática Timorense (UDT) e um dos fundadores da recém criada Liga Democrática Progressiva (LDP), foi quinta-feira à noite apedrejado em Díli, onde a situação se mantém tensa enquanto a Aliança com Maioria Parlamentar (AMP) procura formar o IV Governo Constitucional.

A mulher daquele político, Rosa Carrascalão, teve de passar pelo hospital, dado que na sequência do ataque ficou com uma lasca de vidro alojada numa das vistas, o que mais uma vez veio chamar a atenção para as actividades delituosas de grupos de jovens que erguem barreiras na via pública e colocam a população em perigo.

No passado fim-de-semana, na mesma zona da capital, “um pedregulho” atingira a viatura de outro elemento da mesma família, Mário Viegas Carrascalão, presidente do Partido Social Democrata (PSD), que é um dos quatro que fazem parte da AMP, a par do CNRT, do PD e da ASDT.

Mário Carrascalão declarou ontem à noite ao PÚBLICO ser “irreversível” a sua decisão de não aceitar integrar o Governo que está a ser constituído pelo antigo Presidente Xanana Gusmão. E que o faz para facilitar a situação geral no país, de modo a que a Frente Revolucionária de Timor-Leste Independente (Fretilin) não tenha mais pretextos para obstaculizar um Executivo em que ela não entre.

Apesar disso, porém, o secretário-geral da Fretilin, José Manuel Fernandes, também ontem consultado pelo PÚBLICO, comentou ser “caso único o segundo partido mais votado (o CNRT, de Xanana) negar o direito do primeiro a formar Governo”. Repetiu a tese de que o seu grupo não considera a AMP uma verdadeira aliança, pois que apenas foi formada depois de apurados os resultados das legislativas de 30 de Junho; e sintetizou: “Não há respeito pela Constituição”. Desmentiu, porém, que a Fretilin esteja a boicotar os trabalhos parlamentares.

Entretanto, de acordo com Mário Carrascalão, a pasta da Agricultura na equipa agora em formação, deverá ser entregue ao secretário-geral do Partido Democrático (PD), Mariano Sabino Lopes, “Asanami”, de 36 anos. E José Luís Guterres, líder da facção Fretilin Mudança e antigo ministro dos Negócios Estrangeiros, teria indeferido um convite de Xanana para eventualmente ficar como vice-primeiro-ministro, por “não se sentir à altura de dominar todos os assuntos”, segundo fonte da ASDT.

Guterres preferiria voltar a chefiar a diplomacia, como o fez quando José Ramos-Horta foi primeiro-ministro. Mas para essa pasta também há a candidatura de Zacarias Albano da Costa, presidente da bancada parlamentar do PSD, pelo que as próximas 24 horas poderão ser decisivas para que se proceda a ajustamentos no elenco governamental que está a ser preparado. Por outro lado, o antigo ministro Rogério Lobato, que tem estado a cumprir pena e acabou por ser hospitalizado, com problemas de próstata, seguiu ontem para a Malásia, a conselho médico, por se entender que necessitava de cuidados inexistentes em Díli.

Bando de oportunistas vai governar Timor-Leste?

Blog Portugal Directo – 04/08/2007

“O princípio do fim da Fretilin será a eleição de ramos horta segundo afirma no seu site, demonstrando absoluta confiança em ser eleito e, por tal, o substituto de Xanana Gusmão na presidência da república timorense”. – in “Público” acerca das eleições presidenciais

Tudo que está a ocorrer em Timor-Leste era de esperar desde que Xanana Gusmão soltou a fúria, até então contida, sobre os adversários que lhe poderiam fazer sombra na prossecução dos seus desígnios, a Fretilin com Mari Alkatiri. Não porque ele tenha algo especificamente contra a Fretilin mas sim contra esta Fretilin que não tem possibilidades de manipular enquanto Mari Alkatiri se mantiver seu secretário-geral.

Historicamente já é do conhecimento geral a tendência que este membro da elite timorense tem para o absolutismo e para conseguir aquilo que pretende sem olhar a meios, sem observar elementares éticas políticas, sem observar o respeito que deve aos adversários de agora que foram seus companheiros de luta pela independência. A possibilidade que Xanana dispôs de enganar a maioria dos que nele acreditaram desvanece-se cada vez mais em cada dia que passa e as loas que antes os portugueses e outros cidadãos do mundo tomavam por verdade, honestidade e simplicidade daquela carismática figura passaram a esbarrar na desconfiança generalizada dos que o estimavam, apoiavam, admiravam a mantinham o fogo da sua lenda aceso. Essas loas já só servem para consumo interno, que agora é o que lhe interessa.

É certo que muito pouco fala Xanana Gusmão actualmente, escudando-se numa invenção chamada AMP – Aliança para a Maioria Parlamentar – e deixando que os outros, figuras minúsculas da política timorense, sedentos de poder sigam em frente, desbravando terreno e fazendo “terra queimada” por onde apontam caminho. Mas a verdade é que se ele muito pouco fala muito faz pela surra. Devagar, devagarinho, os entendidos nas estratégias de golpes de estado e da criação das condições para a tomada do Poder de forma aparentemente democrática têm usado com êxito os seus méritos e conhecimentos adquiridos em experiências anteriores.
As inteligências australianas e norte-americanas têm sabido levar a água ao seu moinho – ou será o petróleo? – e triste será vermos Timor-Leste ficar na posse de países e grupos económicos sem escrúpulos que se usam de políticos fantoches, sem pingo de decência, contaminados pelos vírus do “salve-se quem puder que isto não vai durar sempre!”

Também não constitui grande surpresa o comportamento político do recém eleito presidente da República, José Ramos Horta, sendo melhor precavermo-nos com o dilate da sua decisão em “arrumar” de vez com a Fretilin de Mari Alkatiri – coisa que ele afirmou ir acontecer durante a campanha eleitoral em que participou contra o seu antigo partido, a Fretilin. Na realidade, a Fretilin não foi “arrumada” através do sufrágio universal explicitado pelos eleitores mas está a ser “arrumada” através do cinismo político de Ramos Horta na qualidade de presidente da República timorense ao pretender ignorar que o partido maioritariamente votado nas recentes eleições legislativas foi a Fretilin e que a o CNRT de Xanana Gusmão não passa de uma segunda força política cheia de “oportunistas”, dito pela voz de Mário Carrascalão…

Inopinadamente os partidos perdedores inventaram uma aliança pós-eleitoral para baralhar tudo e retirar o direito legítimo da Fretilin governar, construindo uma maioria parlamentar a que chamam AMP, com os piores filhos de Timor-Leste misturados com alguns dos melhores… mas poucos.

Para quem observa a situação política timorense torna-se incompreensível a opção do PR em entregar o Poder Absoluto à denominada AMP, pactuando com um embuste pós eleitoral. Afinal, a Fretilin não prestou na sua governação enquanto teve o Poder Absoluto dado por uma expressiva maioria nas urnas, a ela, só a ela, e agora este PR, dito Nobel, fomenta o Poder Absoluto em “manta de retalhos” a uma bando de oportunistas – como Carrascalão lhes chamou antes de entrar no bando. Se este é o triste fado dos timorenses melhor será que passem ao vira!

The Hon. Alexander Downer, MP – Media Briefing - 2 August 2007

Finally I've been telling the ASEAN Regional Forum that we still have 1,000 troops in East Timor - that's a lot of troops to have in East Timor. We have police there, there are UN police operations in East Timor as well. Now that the elections are out of the way and they are on the threshold of forming a new government we hope that the political environment there will settle down, regardless of the construct of the government - that is a matter not for us but for the East Timorese. But it is our submission that the people of East Timor need now to settle down, get on with their lives and desist from trying to use violence as a way to settle scores and promote political positions and I'm confident that the ASEAN Regional Forum absorbs and supports this general sentiment.

So if there are any questions I'm happy to try to answer them.

Reporter: Just firstly on East Timor, are you saying you would like Australian troops to start leaving East Timor soon and do you have any concerns about the five weeks it has taken to form government in East Timor?

Mr Downer: No I don't have any concern about the time it has taken and it always takes - in an environment like that when no single party has the majority in parliament - a bit of time negotiating a government. You get that in some European countries. It doesn't happen in our country because usually one party or another has a clear majority. In countries where no countries have a clear majority, it can take quite a bit of time. Better they take time and get it right than rush and get it wrong.

In terms of the troops. The UN authorisation for these troops expires in about February next year. It might be that we will need to keep the troops there for quite some time yet and the East Timor President would like us to keep troops there through to the end of 2008.

My point here is that we would obviously like to downsize as fast as we can and ultimately pull out as fast as we can. We don't want to keep troops there for a moment longer than is necessary but what is necessary will depend on the conditions on the ground and the opinion of the East Timorese leadership and at the moment they want us to keep the present construction of troops there that we have. Let's see how things go after the formation of the government and when the government settles into office we can make judgments down the track about downsizing or even ultimately withdrawing.

Novos fundos vão ajudar 100 mil deslocados internos no Timor-Leste

EFE – 3 agosto 2007

Genebra - A Organização Internacional de Migrações (OIM) recebeu ? 668.350 do escritório de ajuda humanitária da UE para assistir cerca de 100 mil deslocados internos no Timor-Leste, anunciou hoje o organismo com sede em Genebra.

Os fundos serão usados para melhorar as condições logísticas, de transporte e as operações humanitárias nos 16 campos de deslocados internos, assim como para facilitar o retorno e a assistência para a reintegração de centenas de famílias, disse a OIM em comunicado.

"A contribuição da Comissão Européia chega em um momento particularmente crítico, quando a OIM, o Governo e seus associados humanitários redobram esforços para garantir uma contínua proteção aos deslocados internos", declarou o chefe da OIM na capital do Timor-Leste, Dili, Luiz Vieira. Os fundos facilitarão o retorno e a reintegração dos cerca de 100 mil deslocados que vivem há mais de um ano em acampamentos nos arredores de Dili.

O país asiático viveu uma onda de violência em maio de 2006 que o deixou à beira da guerra civil, causou a morte de várias pessoas e provocou uma mudança de Governo com a renúncia do então primeiro-ministro, Mari Alkatiri.

Desde a explosão da crise, a OIM recebeu doações do Fundo de Emergência da ONU, da Austrália e do Japão no valor de cerca de US$ 4,4 milhões para ajuda aos deslocados internos no Timor-Leste.

Zacarias da Costa poderá ser ministro timorense dos Negócios Estrangeiros

A Semana (Cabo Verde) – 4 de Agosto de 2007
Jorge Heitor

A escolha do novo primeiro-ministro timorense deverá ser formalizada segunda-feira, devendo na terça tomar posse o núcleo duro do IV Governo Constitucional, que sucede aos que nos últimos cinco anos, após a proclamação da independência, foram dirigidos sucessivamente por Mari Alkatiri, José Ramos-Horta e Estanislau da Silva.

Ramos-Horta, agora Presidente da República, já convidou a título privado a Aliança com Maioria Parlamentar (AMP), do seu antecessor Xanana Gusmão, a que constitua equipa, tendo dito quinta-feira à noite na televisão que ela tem condições para ver aprovado um Orçamento pelo Parlamento. Ao contrário da Fretilin, que apesar de ser o partido mais votado nas legislativas de Junho não consegue, mesmo com os seus aliados, controlar mais de 24 dos 65 deputados.

De modo a facilitar a formação de uma equipa governamental da AMP liderada por Xanana, o presidente do Partido Social Democrata (PSD), Mário Viegas Carrascalão, desistiu de fazer parte do executivo, tendo afirmado à Lusa que a Fretilin o tem como "o alvo a atingir". Mas que a nova maioria parlamentar nunca aceitará um Governo chefiado por um independente, como chegou a ser sugerido por Mari Alkatiri, secretário-geral da Frente Revolucionária.

Fernanda Borges, líder do Partido de Unidade Nacional (PUN), que votou ao lado da AMP na escolha de Fernando "Lasama" de Araújo para a presidência do Parlamento, considerou ontem ao PÚBLICO ser "muito lamentável" que Carrascalão não vá para vice-primeiro-ministro, dada a sua "experiência governamental e administrativa".

No caso de se manter a actual impossibilidade de qualquer Governo de Grande Inclusão, de que a Fretilin viesse a fazer parte, como Ramos-Horta e Alkatari gostariam, a bem da estabilidade nacional, as perspectivas actuais são de que Xanana Gusmão tome posse na terça-feira como primeiro-ministro.

De acordo com fonte da AMP ontem à noite consultada pelo PÚBLICO, o ministério dos Negócios Estrangeiros deverá ser entregue ao presidente da bancada parlamentar do PSD, Zacarias Albano da Costa, vice-presidente da Cruz Vermelha de Timor-Leste. O da Justiça está destinado a Lúcia Lobato, vice-presidente da mesma bancada, e o das Finanças a Giall Alves, secretário-geral da Associação Social Democrata Timorense (ASDT).

Ainda segundo os quadros da AMP (conjunto formado por CNRT, ASDT, PSD e PD), Agio Pereira, que era chefe de gabinete de Xanana enquanto Presidente da República, deverá agora ficar como secretário de Estado na Presidência do Conselho de Ministros. E deixa de se considerar a possibilidade de um lugar de vice-primeiro-ministro, depois da desistência do antigo governador Mário Viegas Carrascalão, engenheiro agrário que entendeu que estava a ser "utilizado (em cartazes da Fretilin) como objecto para travar a nomeação do próximo governo".

sábado, agosto 04, 2007

Dos Leitores

H. Correia deixou um novo comentário na sua mensagem "DECISION TO FREEZE ALL SECURITY AND POLICE ACTIONS...":

Ramos Horta é teimoso: continua a justificar o injustificável, ou seja, que esta suspensão das "acções" policiais e militares para capturar Reinado serve para "criar as condições apropriadas" para um diálogo, bla, bla, bla.

Ele sabe, como nós sabemos, que já lá vai um ano de "diálogo", de negociações, de encontros "na selva", de paninhos quentes, de... palhaçada.

E nada.

As ditas negociações seriam admissíveis, desde que norteadas pelo objectivo de trazer Reinado para a prisão, se possível sem baixas.

Acontece, porém, que já passou tanto tempo que o "diálogo" deixou de ser um meio para se tornar um fim. O objectivo é agora prolongar eternamente um suposto diálogo (na realidade, monólogo), apesar de estarmos fartos de saber que Reinado não quer negociar nada, "apenas" deseja que o mundo gire à volta dele, ou seja, que as leis eos órgãos de soberania do país se vergam perante ele.

Quem alimenta isto é cúmplice de Reinado, pois interfere no funcionamento das instituições do Estado, evitando que ele seja preso. É isto que Ramos Horta anda a fazer e por isso atira-nos areia (pouca) para os olhos, como se nós fôssemos estúpidos.

Timor poderá conhecer terça-feira alguns ministros de um Governo da AMP

Público, 04.08.2007
Jorge Heitor

O Presidente Ramos-Horta deverá formalizar segunda o convite feito à aliança de Xanana Gusmão, para que constitua o executivo que este já começou a preparar

A escolha do novo primeiro-ministro timorense deverá ser formalizada segunda-feira, para que na terça tome posse o núcleo duro do IV Governo Constitucional, que sucede aos que nos últimos cinco anos, após a proclamação da independência, foram dirigidos sucessivamente por Mari Alkatiri, José Ramos-Horta e Estanislau da Silva.

Ramos-Horta, agora Presidente da República, já convidou a título privado a Aliança com Maioria Parlamentar (AMP), do seu antecessor Xanana Gusmão, a que constitua equipa, tendo dito quinta-feira à noite na televisão que ela tem condições para ver aprovado um Orçamento pelo Parlamento. Ao contrário da Fretilin, que, apesar de ser o partido mais votado nas legislativas de Junho, não consegue, mesmo com os seus aliados, controlar mais de 24 dos 65 deputados.

De modo a facilitar a formação de uma equipa governamental da AMP liderada por Xanana, o presidente do Partido Social Democrata (PSD), Mário Viegas Carrascalão, desistiu de fazer parte do executivo, tendo afirmado que a Fretilin o tem como "o alvo a atingir". Mas que a nova maioria parlamentar nunca aceitará um Governo chefiado por um independente, como chegou a ser sugerido por Mari Alkatiri, secretário-geral da Frente Revolucionária.

Fernanda Borges, líder do Partido de Unidade Nacional (PUN), que votou ao lado da AMP na escolha de Fernando "Lasama" de Araújo para a presidência do Parlamento, considerou ontem ao PÚBLICO ser "muito lamentável" que Carrascalão não vá para vice-primeiro-ministro, dada a sua "experiência governamental e administrativa".

No caso de se manter a actual impossibilidade de qualquer Governo de Grande Inclusão, de que a Fretilin viesse a fazer parte, como Ramos-Horta e Alkatari gostariam, a bem da estabilidade nacional, as perspectivas actuais são de que Xanana Gusmão tome posse na terça-feira como primeiro-ministro.

De acordo com fonte da AMP ontem à noite consultada pelo PÚBLICO, o Ministério dos Negócios Estrangeiros deverá ser entregue ao presidente da bancada parlamentar do PSD, Zacarias Albano da Costa, vice-presidente da Cruz Vermelha de Timor-Leste. O da Justiça está destinado a Lúcia Lobato, vice-presidente da mesma bancada, e o das Finanças a Giall Alves, secretário-geral da Associação Social Democrata Timorense (ASDT).

Ainda segundo os quadros da AMP (conjunto formado por CNRT, ASDT, PSD e PD), Agio Pereira, que era chefe de gabinete de Xanana enquanto Presidente da República, deverá agora ficar como secretário de Estado na Presidência do Conselho de Ministros. E deixa de se considerar a possibilidade de um lugar de vice-primeiro-ministro, depois da desistência do antigo governador Mário Viegas Carrascalão, engenheiro agrário que entendeu que estava a ser "utilizado [em cartazes da Fretilin] como objecto para travar a nomeação do próximo Governo".

Aos 61 anos, o antigo Presidente Xanana Gusmão está a procurar formar o IV Governo de Timor-Leste

Gusmao asked to lead East Timor

REUTERS
August 4, 2007

EAST Timor President Jose Ramos Horta has said he will ask a coalition led by his predecessor, Xanana Gusmao, to form a government on Monday if rival parties fail to end a deadlock over who should govern the tiny country.

Timor's former ruling party, Fretilin, and an alliance led by Mr Gusmao have both claimed the right to rule the deeply divided nation after the June 30 legislative elections produced no clear winner.

Mr Ramos Horta said on state-run East Timor Radio and Television that a government led by Mr Gusmao's coalition would be more sustainable because it formed a majority in parliament.

"Based on my interpretation and based on the will of the people and my assessment in national parliament, Grand Alliance can form a government because they will approve the national budget," Mr Ramos Horta, a close ally of Mr Gusmao, said late on Friday.

"The decision comes from my conscience, not from any pressure."

The former ruling party, Fretilin, which led East Timor's 24-year struggle against Indonesian rule, has rejected Mr Ramos Horta's proposal and threatened to boycott parliament.

It says it has the right to form a government because it won most votes in the elections.

The party has proposed the appointment of an all-inclusive government with an independent prime minister as a way to end the stalemate.

Factional bloodshed broke out in the impoverished country of about 1 million people last year, forcing tens of thousands of people to flee their homes. The mayhem, during which 37 people were killed, was triggered by a government decision to sack 600 soldiers.

Mr Ramos Horta urged Fretilin supporters not to resort to violence if the party was left out of the government.

"Fretilin out of the government doesn't mean that they are ignored," he said.

"Fretilin has 21 deputies in national parliament, and most of the public service are from Fretilin, so the new government will need them.

"I don't want to see any discrimination toward them.

"My appeal to the people: don't get involved in criminal acts. If you're involved in criminal acts, your party will not be trusted by the international community."

Fretilin won 21 seats in the 65-member parliament in the June poll, far short of the outright majority required to form a government.

The CNRT, a party founded this year by Mr Gusmao, won 18 seats.

It has declared a coalition with other parties to form a majority in parliament.

Mr Ramos Horta had said previously he would give politicians until yesterday to reach an agreement.

MANTEM-SE EM FORÇA A DECISÃO DE CONGELAR TODAS AS ACÇÕES DE SEGURANÇA E DA POLÍCIA CONTRA O SR. ALFREDO REINADO E OS SEUS HOMENS

Tradução da Margarida:


Palácio das Cinzas, Agosto 3, 2007

Ontem, no encontro de alto nivel, presidido pelo Presidente, foi acordado unânimamente que a decisão tomada pelo Chefe de Estado e Comandante Supremo das Forças Armadas, Dr. José Ramos-Horta, em 18 de Junho, 2007, se mantém em força.

Nesse encontro (Junho 19) foi acordado que todas as acções das forças de segurança e da polícia que visavam a prisão do Sr. Alfredo Reinado e dos seus elementos armados fossem congeladas de modo a criar as condições adequadas para um diálogo com significado que levasse à rendição de todas as armas em posse do Sr. Alfredo Reinado e dos seus homens e da sua rendição à justiça.

O encontro de ontem foi atendido pelo recentemente eleito Presidente do Parlamento Nacional, Sr. Fernando Araújo Lasama; o Primeiro-Ministro, Eng Estanislau da Silva; o Ministro do Interior, Dr Alcino Baris; o Procurador-Geral, Dr Longuinhos Monteiro; o Comandante das Forças Armadas de Timor-Leste, F-FDTL, Brigadeiro General Taur Matan Ruak; o Representante Especial do Secretário-Geral (SRSG), Dr Atul Khare; o Vice-SRSG General Eric Tan; e o Comandante da ISF (Forças Internacionais de Segurança), Brigadeiro John Hutchinson.

No decorrer do encontro o Presidente da República explicou que deu luz verde ao Centro para o Diálogo Humanitário baseado em Geneva e ao MUNJ (Movimento Unidade Nacional e Justiça) em coordenação com o Procurador-Geral, Dr Longuinhos Monteiro, para continuar a estabelecer contactos com o Sr. Alfredo Reinado.

O Presidente Ramos-Horta acrescentou que estava pronto a encontrar-se com o Sr. Alfredo Reinado no futuro próximo se tal encontro poder ter significado de modo a apressar a resolução deste caso.
O Presidente explicou a sua vontade em se encontrar com o Sr Alfredo Reinado ao afirmar: “Pode não ser comum um Chefe do estado viajar para as montanhas para se encontrar com um indivíduo mas inspiram-me sempre as lições de humildade e generosidade de Jesus Cristo que nos ensinou que o pastor deve sempre ir e procurar o carneiro perdido.” - fim

Discurso do presidente eleito do Parlamento Nacional

Tradução da Margarida:

Presidente do Parlamento Nacional - Fernando Lasama de Araujo

O discurso de abertura do presidente eleito do Parlamento Nacional para o período 2007 - 2012 feito frente à Assembleia do Parlamento Nacional em 30 Julho 2007,

[De texto scanned - John/ETAN]

Senhoras e Senhores,

Presidente da República,

Presidente do Tribunal de Apelo,

Membros do Parlamento,

Chefe da UNMIT,

Bispos,
Comandante das F-FDTL e Comandante-Geral da PNTL,

Embaixadores e representantes do corpo diplomático,

Representantes de agências nacionais e internacionais,

Os media e

Outros dignos convidados,

Primeiro, curvo-me em profundo respeito perante o deus todo poderoso e exprimo a minha gratidão pelas bênções que espalhou sobre nós e que nos permite estarmos juntos neste Parlamento de Timor-Leste, neste momento histórico.

Agradeço também à à comunidade Timorense, que vive tempos difíceis, mas que ainda assim conseguiu participar em massa nas recentes eleições legislativas, para possibilitar este Parlamento Nacional formar um novo governo e o começo da execução das suas funções para os próximos cinco anos.

Agradeço ainda ao Presidente da República, ao Governo, UNMIT, UNPOL e Forças Internacionais de Estabilização, CNE, STAB, F-FDTL/PNTL, Igreja Católica, outras denominações religiosas, os media e outras agências nacionais e internacionais.

Toda a gente trabalhou bastante para fazer um sucesso destas eleições e assegurar a implementação suave da democracia nesta nação.

Não me esquecerei de agradecer o antigo Presidente do Parlamento Nacional, membros da mesa e membros do Parlamento Nacional que durante um período realmente difícil foram capazes de desenvolver as suas tarefas e completar com sucesso o seu mandato.

Membros do parlamento e outros dignos convidados,

Conforme instituído na Constituição da RDTL, o Parlamento Nacional é o órgão de soberania supremo que tem a missão desafiadora e exigente de estabelecer uma moldura legislativa para a nação e de monitorizar a actuação do governo.

O Parlamento Nacional deve assegurar que seja cumprida esta tarefa como uma questão da maior importância. Ao cumprir esta tarefa e ao desenvolver a prosperidade desta nação, o Parlamento Nacional actuará como o órgão de soberania que representa o povo, e não deve favorecer um partido ou grupo em particular. Por esta razão, como Presidente do Parlamento Nacional, farei o melhor para assegurar que esta tarefa é adequadamente feita. Para garantir o funcionamento adequado do Parlamento Nacional, continuarei o bom trabalho dos antigos membros do parlamento. Em questões que ainda não foram começadas, ou questões que foram feitas não adequadamente, farei melhorias para garantir o seguinte:
* O Parlamento Nacional será um órgão verdadeiramente dignificado, que representa os interesses nacionais acima de interesses de partidos, grupos ou indivíduos. O Parlamento Nacional não será o porta-voz do governo.

* O Parlamento Nacional será um fórum que representa pluralidade, democracia e respeito pela liberdade de expressão. Por isso, como Presidente do Parlamento, actuarei como um moderador justo e imparcial para assegurar o funcionamento suave dos numerosos processos parlamentares.

* Apoiarei os direitos dos líderes da oposição e dar-lhes-ei as facilidades adequadas para desempenharem as suas tarefas como membros da administração sombra para que possam controlar as acções do governo.

* Apoiarei a autoridade dada pela Constituição aos membros do parlamento

* Criarei mecanismos sólidos que possibilitarão os membros do parlamento de manterem contacto permanente com a comunidade. Essas condições garantirão uma interacção efectiva entre a comunidade e o Parlamento Nacional de modo a colocar os interesses da comunidade como uma prioridade de topo a que será dada a máxima atenção.

* Garantirei a separação e poderes entre os órgãos de soberania para prevenir que interfiram uns com os outros, de modo a apoiar o respeito pelas instituições do Estado.

Membros do parlamento e outros dignos convidados,

Por isso aceito o papel de Presidente do Parlamento que me foi dado pelos dignos membros do parlamento, e apesar disto ser uma substancial tarefa, não abandonarei esta tarefa pesada. Aceito esta responsabilidade importante como um privilégio que me foi dado pelo meu povo, e agirei conforme as aspirações do povo para esta nação e para o mundo.

Como membro da geração mais jovem, aceito esta responsabilidade porque compreendo que o povo de Timor-Leste quer realmente a prosperidade desta nação para mudar. A responsabilidade pesada. Como eu próprio sou uma das pessoas empobrecidas e vulgares a geração mais jovem vê-me como um símbolo da mudança.

Por isso, com a benção de Deus, fogo e terra, e os espíritos dos antecessores, juntamente com os meus colegas deputados farei o meu melhor para encorajar o novo governo a corresponder às aspirações do povo que quer viver em paz e harmonia. Para alcançar isto, desejamos na verdade trazer mudança a esta nação, um desejo expresso pelos eleitores, por exemplo, para resolver as crises políticas, sociais e militares que correntemente sacodem esta nação.

Contudo antes de podermos satisfazer as aspirações do povo, precisamos primeiro de reformar os seguintes mecanismos fundamentais que possibilitam que haja mudanças:

* Rever a legislação que não leve ao desenvolvimento nacional

* Assegurar que o Parlamento Nacional produza legislação que assegure a melhoria na vida das pessoas. O estabelecimento de uma moldura nacional legal que proteja a prosperidade do povo deve ser alcançado através de um processo de consenso mútuo.

* Apoiar melhorias ao sistema da justiça que é actualmente visto pela comunidade como uma grande desilusão.

Membros do parlamento e outros dignos convidados,

Todas estas aspirações ficarão por cumprir se esta nação continua a ser atingida pela instabilidade política, ou se entidades políticas e sociais continuam de costas viradas umas contra as outras.

Por isso, o Parlamento Nacional criará mecanismos que apoiam a cooperação com outros órgãos de soberania (Presidente da República, Governo e o Tribunal de Recurso) para assegurar que os problemas com que se confronta a nação e a comunidade se possam resolver com rapidez.

O Parlamento Nacional fará o seu melhor para apoiar o governo a melhorar a cooperação com agências nacionais e internacionais. Deste modo, o desenvolvimento que é a única via para libertar o povo, tornar-se-á uma realidade para o povo.

Esta nação precisa verdadeiramente do envolvimento de outras instituições como as ONG’s, a igreja etc. Por isso, como Presidente do Parlamento Nacional, assegurarei boas relações entre o Parlamento Nacional e as ONG’s, os media, a Igreja Católica, outras denominações religiosas, etc.

Gostaria ainda de mencionar as Nações Unidas e as Forças Internacionais de Estabilização que desempenharam um papel significativo no treino, estabilização e desenvolvimento no interior de Timor-Leste, que o têm estado a fazer desde o princípio até hoje. Por isso, peço o compromisso em curso com as Nações Unidas para ajudar a garantir a estabilidade desta nação e ajudar ao processo de desenvolvimento.

Como Presidente do Parlamento Nacional que é membro da mais jovem geração, farei o meu melhor para implementar as ideias do Presidente do Parlamento sobre a criação de um Parlamento dos Jovens que é essencial para a vida democrática desta nação.

Membros do parlamento e outros dignos convidados, antes de acabar o meu discurso, quero dizer uma coisa. Hoje, quando se concluir a eleição do Presidente Parlamentar, o meu compatriota Aniceto Guterres, que é o candidato da Fretilin e eu aproximar-nos-emos um do outro, agarraremos na mão do outro e abraçar-nos-emos.

Como membros da geração mais jovem, o deputado Aniceto Guterres e eu provaremos a nós próprios sermos adversários dignos, e não inimigos. Queremos mandar uma mensagem positiva que a política não deve fazer de nós inimigos, mas que devemos continuarmos a respeitar uns aos outros, mesmo apesar de partilharmos opiniões diferentes.

Através de um tal gesto, espero que os deputados se libertem de tal animosidade.

Mais ainda, esta é a maneira como todos nos devemos comportar no desempenho das nossas tarefas políticas fora do parlamento e no seio da comunidade. Deste modo asseguraremos a paz, estabilidade e desenvolvimento em Timor-Leste.

Meus irmãos e irmãs, apenas melhoraremos quando oferecermos as mãos aos outros em paz mesmo apesar de termos opiniões políticas diferentes.

Uma fundação, uma origem, um povo.

Um Timor.

Obrigado.

«Primeiro-ministro independente é solução mais adequada»

Notícias Lusófonas
3.08.07

O constitucionalista Jorge Miranda considerou hoje que a escolha de um primeiro-ministro independente para Timor-Leste é a "solução mais adequada" para o país.

Jorge Miranda, que participou na redacção da constituição de Timor-Leste, baseada na portuguesa, disse que a situação actual no país "não é constitucional, mas sim de ordem política".

Na quinta-feira, o Presidente José Ramos-Horta voltou adiar, agora para a próxima terça-feira, o anúncio sobre quem convidará para formar o novo governo de Timor-Leste, culminando múltiplos contactos com dirigentes políticos dos partidos com assento parlamentar e dirigentes religiosos para encontrar uma solução de governação que inclua a Fretilin e a oposição.

A Fretilin venceu as legislativas de 30 de Junho passado, mas sem maioria absoluta, e os quatro maiores partidos da oposição formalizaram uma coligação pós-eleitoral, garantindo mais de metade dos assentos parlamentares.

O constitucionalista adiantou que o actual regime em Timor-Leste confere "ao Presidente da República múltiplos poderes", que lhe permite encontrar uma solução, que na sua opinião, deveria passar pela escolha de um primeiro-ministro independente.

Para o professor universitário, Ramos-Horta está actuar de "forma correcta" ao procurar uma "solução consensual e o mais alargada possível" que ponha fim a uma situação de instabilidade que se arrasta há mais de um ano.

"A situação é difícil porque não houve nas eleições uma maioria. A Fretilin foi o partido mais votado para formar governo, mas ficou muito longe da maioria", disse, adiantando que em Portugal já aconteceram situações idênticas, mas o partido mais votado tinha maior número de votos.

Por seu turno, o pró-reitor da Universidade do Minho e professor de Ciência Política e Relações Internacionais, Luís Lobo Fernandes, defendeu um regime semi-presidencialista para Timor-Leste, idêntico ao sistema político francês.

"O presidente como chefe do executivo seria a melhor solução para a estabilidade do país", disse, acrescentando que Timor-Leste precisava de "um executivo mais forte".

No entanto, Luís Lobo Fernandes também considerou que devido à situação actual "a melhor solução seria a escolha de um primeiro-ministro independente.

O docente universitário sublinhou que Ramos-Horta "tem as condições necessárias e suficientes para tentar aproximar as partes e conseguir uma solução minimamente governável para Timor-Leste".

Segundo Luís Lobo Fernandes, Timor-Leste está dividido em termos políticos e regionais, votando-se a sul e leste do país na Fretilin e no ocidente e arredores de Díli nos restantes partidos, sendo por isso "um processo difícil".

Carro de João Carrascalão apedrejado. Mulher ficou ferida

Notícias Lusófonas
3.08.07

Jovens apedrejaram quinta-feira à noite em Díli, junto ao aeroporto, a viatura em que seguia o presidente da União Democrática Timorense, João Carrascalão, acompanhado da mulher, disse aquele dirigente partidário.

Contactado telefonicamente a partir de Lisboa, João Carrascalão precisou que a sua mulher, Rosa Carrascalão, teve de receber tratamento no Hospital Nacional Guido Valadares a um ferimento provocado por uma lasca de vidro num olho.

"Eu estava a regressar a casa, depois de ter jantado em casa da minha irmã, Maria Ângela, e ao passar na rotunda de Comoro, deparei com um grupo de jovens que tinha erguido barreiras na estrada", disse João Carrascalão.

Os jovens, presumivelmente pertencentes ao campo de refugiados de Comoro, junto à principal entrada do aeroporto Internacional de Díli, ergueram as barreiras na estrada com pneus e a carcaça de um carro a arder.

Após os incidentes, efectivos da polícia da ONU acorreram ao local, tendo disparado vários foguetes luminosos para afastar os jovens do local. Não foram efectuadas detenções.

O incidente com João Carrascalão ocorreu cinco dias depois de várias viaturas terem igualmente sido apedrejadas no mesmo local, incluindo o carro em que seguia Mário Viegas Carrascalão, irmão do presidente da UDT.

Mário Viegas Carrascalão preside ao Partido Social Democrata, formação partidária que integra a Aliança para a Maioria Parlamentar (AMP), coligação pós-eleitoral de que fazem parte o CNRT, de Xanana Gusmão, o Partido Democrático, de Fernando Lasama e a Associação Social Democrata Timorense, de Xavier do Amaral.

A capital timorense tem sido palco nos últimos dias de incidentes opondo partidários da Fretilin, o partido que venceu as legislativas de 30 de Junho mas sem obter maioria absoluta, a simpatizantes dos partidos da AMP, mantendo elevado o nível de tensão que rodeia o anúncio por parte do Presidente José Ramos-Horta sobre quem vai incumbir de formar o IV Governo Constitucional.

A designação do futuro primeiro-ministro tem sido sistematicamente adiada, devendo Ramos-Horta fazer o anúncio na próxima terça-feira, noticiou na quinta-feira a televisão estatal.

Traduções

Todas as traduções de inglês para português (e também de francês para português) são feitas pela Margarida, que conhecemos recentemente, mas que desde sempre nos ajuda.

Obrigado pela solidariedade, Margarida!

Mensagem inicial - 16 de Maio de 2006

"Apesar de frágil, Timor-Leste é uma jovem democracia em que acreditamos. É o país que escolhemos para viver e trabalhar. Desde dia 28 de Abril muito se tem dito sobre a situação em Timor-Leste. Boatos, rumores, alertas, declarações de países estrangeiros, inocentes ou não, têm servido para transmitir um clima de conflito e insegurança que não corresponde ao que vivemos. Vamos tentar transmitir o que se passa aqui. Não o que ouvimos dizer... "
 

Malai Azul. Lives in East Timor/Dili, speaks Portuguese and English.
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