segunda-feira, junho 18, 2007

Blog Do Alto do Tatamailau - 14 Junho 2007

Aqui está o que consta do 'site' dos construtores da torre de 11 pisos de Dili (http://www.wideform.com.au/news.php):

"Wideform Secures Its First Site in Timor-Leste

Wideform Timor – Leste secured its first property with the signing of a state property lease between the Government of Timor – Leste, represented by the Ministry of Justice & Estela Ferreira, Managing Director of Wideform Timor – Leste (East Timor). Wideform has been working closely with Prime Minister Dr Jose Ramos Horta and his senior advisers to identify and address much needed property development in the heart of Dili. This first property development will be known as the Vision project and will be an 11 storey mix-use development incorporating retail, offices, residential accommodation and car-parking. In the coming weeks, the site will have hoardings erected, and the existing building demolished. "

Entretanto "pipocou" num comentário à anterior entrada deste blog o seguinte:

"Horta has given Wideform Group the area behind Cristo Rei!!! In exchange Wideform Group is bankrolling CNRT's campaign. Wideform Group financed Horta's campaign ensuring that a professional website is created and maintained, paying for Horta's PR team, etc"

Naturalmente que não nos é possível confirmar ou infirmar esta informação mas achámos curioso que o site do CNRT tenha um ar tão profissional, seja escrito só em inglês e não tenha indicação de quem o produziu nem quem é o webmaster, usual nestas coisas. Nem dá para receber mensagens dos leitores... Mistério? Coincidências? Eu não acredito em bruxas ... pero que las hay, las hay... Terá sido obra do secretário-geral do CNRT, Dionísio Babo, doutorado na Austrália? Huuummmmm!.... Poderá ter dado uma "maõzinha" nos textos mas quanto à parte técnica é mais difícil.

Blog Do Alto do Tatamailau - 15 Junho 2007

Orelhas quentes? A escaldar!...

Ao ler os comentários que Mário Carrascalão fez há dias sobre as capacidades do ex-PR para ser primeiro ministro e sobre a sua "entourage" - do pior que há, segundo MC... - não pude deixar de me lembrar de comentários em sentido semelhante que foram feitos, não há muito tempo, pelo Bispo de Baucau.

Este disse, com todas as letras, que não reconhecia a Xanana Gusmão capacidades para ocupar cargos públicos. Entenda-se "cargos políticos".

Por isso ele deve ter as orelhas a escaldar!... É que são logo dois "pesos pesados" a dizer o mesmo!... Porque será? Conspiração? :-)

Confesso que foi com estas "pulgas atrás da orelha" que li o "site" do CNRT para tentar perceber as suas propostas. Infelizmente, a não ser uma série de generalidades ao nível de qualquer conversa de café de bairro, não vi grande coisa por onde se possa "pegar" e deduzir um verdadeiro plano de desenvolvimento do país. Do género do que ele diz que a FRETILIN não teve/não tem.

Quanto a mim e descontando os traços gerais de caricatura, planos foi exactamente o que não faltou em Timor Leste. Quilómetros de planos!... E de relatórios! Qualquer Ministério está atulhado deles e, felizmente, os Ministros não leram a maior parte pois, caso contrário, seriam "Leitores" e não "Ministros"!

O que faltou foi, como sempre, a capacidade de passar dos planos à prática... E isto apesar de todos reconhecerem que os quadros existentes e ao serviço do governo eram, no seu conjunto e quer em quantidade quer em qualidade, quase o máximo que seria "esperável" que estivessem disponíveis.

Admitindo que haverá alguns que não foram aproveitados por razões políticas - quer por culpa do governo quer por culpa dos próprios -, não sei se terão ficado de fora muitos dos efectivamente aproveitáveis. Alguns ficaram mas por opção própria, pois trabalhar para uma qualquer ONG ou para uma agência internacional rende muito mais que trabalhar para o governo - no mínimo o dobro ou o triplo...

Por isso me questiono o que irá acontecer se a actual oposição assumir as funções de governar o país. Será que tem gente suficiente (em quantidade e qualidade) para tomar conta do recado? É evidente que nalguma altura terão de aprender a governar e muitos dos que estão agora em lugares de decisão também não tinham grande (ou nenhuma) experiência quando os ocuparam. Mas o que se propõem fazer não é compatível com a falta de quadros qualificados de que parece padecerem. Mas há mais: se é verdade aquilo de que acusam a FRETILIN - de ter o aparelho de Estado dominado por gente sua -, como irá este (os seus dirigentes...) entender-se com o novo poder?

Será que vai "fazer de conta" que faz mas não faz a fim de dificultar a tarefa aos novos governantes? Ou os quadros e dirigentes actuais vão jogar o jogo da democracia e seguir, sem grandes confrontos, as orientações que irão receber?

E se a oposição ganhar as eleições, o que vai ela fazer a muitos dos quadros dirigentes que são da ou conotados com a FRETILIN? Vai mandá-los para casa ou para a "prateleira"? E vai substituí-los por quem?

Talvez seja por tudo isto que Mário Carrascalão está preocupado com os que estão à volta de Xanana, esperando apenas o momento para cobrar os juros...

A ver vamos...

Ex-governador do Timor Leste morre vítima de câncer

LUSA - 17/06/2007 12:05

Díli, 17 Jun (Lusa) - O governador de Timor Leste durante a ocupação Indonésia do território, Abílio Osório Soares, morreu neste domingo em Kupang, região ocidental da ilha, vítima de câncer, informou à Agência Lusa um amigo da família.

Segundo a mesma fonte, Soares morreu por volta das 11h deste domingo (horário local, 23h de sábado pelo horário de Brasília) no hospital de Kupang. "Não resistiu ao câncer, apesar de três operações feitas em Singapura no ano passado", disse.

O funeral será realizado no Cemitério dos Heróis, na mesma cidade, segundo decisão do governo indonésio. Nascido em Laclubar, Manatuto, em 2 de junho de 1947, Soares foi nomeado governador do território por Jacarta em 1992 e, em 1997, para um segundo mandato, que não chegou a terminar devido à organização do referendo pela independência de Timor Leste, em agosto de 1999. Entrou na política timorense após a Revolução de abril em Portugal, através do partido pró-indonésio Apodeti, onde seu irmão mais velho, José Fernando, era secretário-geral.
Soares passou por diversos cargos a partir dos primeiros anos da ocupação: dirigiu em Díli os serviços centrais de Obras Públicas indonésios; foi presidente da câmara de Díli e administrador distrital ("bupati") de Manatuto, a sua região natal, antes de ser nomeado governador do território em 1992, sucedendo a Mário Viegas Carrascalão.

Como Xanana quer libertar o povo?...

UNMIT – MEDIA MONITORING - Tuesday, 18 June 2007

National Media Reports

UNMIT supports CNE

CNE President Faustino Cardoso Gomes said that the CNE has obtained technical and logistical support from UNMIT to facilitate arrangements for the parliamentary elections on 30 June.

Mr. Cardoso also mentioned that the CNE has received a total of US$175,158.00 from the Government. (STL and TP)

Horta asks CNE to be impartial and independent

President José Ramos-Horta called on the CNE to maintain its independence and impartiality during the legislative elections.

“CNE’s impartiality is very important for the people and the development of democracy in the country,” said Mr. Horta at a workshop held by the CNE on Friday (15/6) in Dili. (STL)

LABEH: PDHJ should investigate the corruption case

The Director of Lalenok ba Ema Hotu (LABEH), Christopher Henry Samson, said that Human Rights and Justice Provedor (PDHJ) should investigate the alleged corruption case in Xanana Gusmão’s cabinet during his term as President. (TP)

Horta meets Alfredo’s men and petitioners

President José Ramos-Horta met with Alfredo’s men and the petitioners on Saturday (16/6) in Fatuberliu, Manufahi.

The objective of the meeting was to find ways to resolve the problems of the petitioners and PNTL members who fled Dili during last year’s crisis. (TP)

Fugitives are ready for dialogue

The former Commander of the military police, Maj. Alfredo and the petitioners’ spokesperson, Gastão Salsinha, reportedly declared that they would both be ready to come down to Dili and negotiate on behalf of their supporters. (TP)

Fretilin rejects Australian criticisms

At a press conference held on Sunday (17/6), Fretilin said the Australian government's criticism of a plan to develop Timor's defence force amounted to political interference during the run-up to the parliamentary elections scheduled at the end of the month. Fretilin rejected these criticisms as they violate Timorese sovereignty. (DN and STL)

SRSG: “PNTL should be the professional”

SRSG Atul Khare stated on Thursday (14/6) at the UNMIT Headquarters in Dili that UNMIT wants to establish a professional and responsible police force.

“We want the PNTL to be a force that is effective, efficient, responsive, accountable and non-partisan. There are about 898 police officers who are now back on duty in Dili,” said the SRSG. (DN)

Jose: “Dialogue with Alfredo should not be delayed”

The Executive Director of the HAK Association, Jose Luis Oliveira, said that the Government should initiate the dialogue with Alfredo Reinado Alves and his men in order to solve the problem promptly. (STL)

…

Maiores Disafios Logísticos Antes das Eleições Legislativas

UNMIT

18 de Junho de 2007 Dili, Timor-Leste – A Missão da ONU em Timor-Leste diz que as eleições legislativas marcadas para 30 de Junho apresentam mais desafios em termos logísticos com um total de 14 partidos políticos e coligações a apresentarem os seus candidatos á eleição.

Ao reiterar o apoio da UNMIT ás autoridades nacionais, encarregadas de gerir as eleições, o Representante Especial Adjunto do Secretário Gerald da ONU, o Sr. Finn Reske-Nielsen disse “a UNMIT continua a trabalhar com as autoridades nacionais assegurando que a próxima eleição seja livre, justa e transparente”.

Para esta eleição, o número de urnas e selos aumentará de três á quarto conforme centros de votação ao invês de dois. Outros desafios incluem os numeros crescents de material eleitoral, centros de votacao e pessoal de centros.

“As preparacoes para as eleições legislativas não são uma tarefa fácil e dou elogios áqueles que estão a participar na operação – ambos da UNMIT e as autoridades nacionais – pelos seus esforços em assegurar que as próximas eleições corram tranquilamente,” disse o Representante Especial Adjunto do Secretário Geral das Nações Unidas.

Da mesma forma que a segunda volta das últimas presidenciais em Maio, o número de boletins de voto producido será 20% á mais do número total de votantes registados. Um total de 652.000 boletins de voto será destribuido em todos os cantos do país em blocos de 50. A nível distrital, uma reserva será guardada para contornar os imprevisíveis.

Iniciou-se na semana passada a destribuição de material não-sensível (incluindo urnas e cabines de voto) em todos os 13 distritos de Timor-Leste, com a UNMIT a proporcionar o apoio logistico. O material sensível (incluindo boletins de voto e carimbos) será transportado de Dili para capitais distritais á partir de 26 de Junho e, de capitais distritais as estações de voto e 520 centros de voto por helicópteros, viaturas e cavalos com portadores, no dia 29 de Junho.

No fim dos votos, o material eleitoral será retirado dos centros de voto e levado para Centros Distritais de Contagem, onde a contagem terá lugar conforme os despositivos da lei eleitoral revista. A recepção e a reconciliação do material eleitoral começarão na tarde de 30 de Junho e, daí, comecar-se-á imediatamente a contagem. Os centros de contagem funcionar-se-ão a partir das 7:00hrs de manhã, ás 10:00hrs da noite, até que os Centros Distritais de Contagem terminem o processo.

A essa hora, espera-se que a contagem leve 48 horas mais. Uma vez terminado, todos os materials sensíveis serão levados de volta á Assembléia de Apuramento Nacional da CNE.

A UNMIT é mandatada através da Resolução 1704 do Conselho de Segurança da ONU para “apoiar Timor-Leste em todos os aspectos do processo eleitoral presidencial e legislativo, incluindo o apoio logístico e técnico, consultoria das políticas eleitorais e verificação ou outros meios.”

Para mais informação, favor, contactar a Porta-voz da UNMIT, a Srª. Allison Cooper no +670 7230453

Set up below is the timetable for the campaign by the FRETILIN leadership

19/6/07 - 10H00 Venilale, Baucau

20/6/07 10H00 Com, Lautem

21/6/07 10H00 Laga, Baucau

22/6/06 10 H00 suku Bahahu (Baucau)

22/6/07 14H00 Vemasse, Baucau

23/06/07 -

24/6/07 10H00Leorema (Liquica)

25/6/07 - 10H00 Lequiode (Aileu)

26/6/07 - 10H00 Press Conference, Fretilin headquarters , Dili

27/6/07 - 10H00 Dili rally


Regards
Filomena
Deputy Director of the National Management Comission for the Elections - FRETILIN

Ramos Horta may pardon some prisoners

Brought to you by AAP
15 June 2007
By Karen Michelmore


East Timor's President Jose Ramos Horta says he is preparing to pardon or reduce the sentences of an unspecified number of prisoners jailed in the tiny nation.

But he is yet to decide the fate of a controversial new law which could lead to amnesties for thousands of other offenders who committed crimes in the past year.

East Timor's parliament last week quietly passed the law, which offers clemency for a swag of crimes.

They include "larceny and "trickery", crimes against state security, firearms offences, theft or property damage under $10,000, and traffic offences committed between April 20, 2006 and April 30 this year.

Dr Ramos Horta has 30 days in which to sign off on the bill, or refer it to the Court of Appeal for a decision on its constitutionality.

"I'm not in a hurry," he told AAP.

"If I have any doubt about its constitutionality I will send it to the Court of Appeal before I make a decision.

"I haven't had a chance to study it and I'm awaiting legal opinion from my legal advisers and awaiting opinion from the church.

"I do not support amnesty for serious crimes or crimes against humanity, this would be inconsistent with the international law.

"But I have in my own presidential prerogative, (the power to) ... pardon individuals who have already served a number of years in prison and who have shown good behaviour, and I intend to do so in the next few days."

Ramos Horta said he would chose candidates for either pardons or sentence reductions from a list supplied by the Justice Minister and the prison system.

But he said the pardons were quite "separate" from the new amnesty law.

East Timor's government has said the law will help the country move forward from last year's crisis of violence, with prosecutors grappling with thousands of cases in the fledgling country's justice system and prisons "bursting at the seams".

Ramos Horta said the idea was legitimate, "as long as we don't make a mockery of justice by releasing anyone and everyone just because we have a backlog (of cases)".

But analysts fear the law could spark new tensions in the nation, particularly if jailed former government minister Rogerio Lobato is among those to be released.

In a new report, think-tank the International Crisis Group said the new clemency law was "apparently intended especially for Rogerio Lobato," who in March was convicted of murder and distributing weapons to civilians during last year's crisis.

"According to Mudansa (Fretilin Reform group) members, Lobato agreed to take the blame for the distribution of weapons in 2006 on condition that he would be amnestied," the report says.

"If he is not, he might try to implicate (former Fretilin Prime Minister Mari) Alkatiri.

"If he is amnestied, it may have implications for attempts to prosecute others accused of involvement in the 2006 violence."

Ramos Horta disagreed.

"I do not think so, there are many other people involved in the violence in 2006 - I do not believe it was specifically created for Mr Rogerio Lobato."

Nor would he speculate about whether the law could aid the surrender of East Timor's most-wanted fugitive Alfredo Reinado, who has evaded capture by Australian troops since escaping from a Dili prison last year.

"We are very supportive of a peaceful resolution of the issue of Mr Reinado on the condition he surrender himself to justice," Ramos Horta said.

Mais do mesmo...

End hunt for Reinado, says Ramos Horta
- AFP

East Timorese President Jose Ramos Horta says he wants a man-hunt for fugitive rebel leader Major Alfredo Reinado called off.

The hunt was launched by Australian-led peacekeepers and the Government after Reinado and his men attacked several border police outposts and fled with dozens of weapons.

Dr Ramos Horta has told Radio Timor Leste he and the country's Attorney-General met with a follower of Reinado, identified as Susar, in Manufahi district, south of Dili.

"I do not want to see any Timorese being afraid, hiding and running in the forest, being hunted by international troops like animals," Dr Ramos Horta said.

"If there's a problem, I will come to the mountains, forests and valleys for dialogue and find a solution."

He said he would meet with caretaker Prime Minister Estanislau Da Silva, United Nations mission chief Atul Khare, peacekeepers and UN police to find a way to halt the operations.

Susar told Radio Timor Leste that Reinado's group was ready to enter into a dialogue.

"But the international troops need to go away first so we can solve this problem," he said.

Reinado has repeatedly said he would surrender to authorities if the military operations were called off.

Australian-led troops attacked his mountain hide-out in March, killing five of his armed supporters in a failed offensive.

Dr Ramos Horta said in April, when he was prime minister, that he wanted the hunt called off.

Reinado, who commands support from frustrated groups from East Timor's west, was among about 600 soldiers who were sacked after deserting the Army last year over claims of discrimination because they came from the west.

In street violence involving the Army, police and youth gangs that followed, at least 37 people were killed and another 150,000 displaced.

Australian-led international peacekeepers were dispatched to restore security.



Rádio Australia
East Timor President meets rebel's representative
Last Updated 18/06/2007, 18:27:16

East Timor's President Jose Ramos-Horta has met a representative of fugitive rebel leader Major Alfredo Reinado.

The representative says Reinado's group is ready to enter into a dialogue but international troops must be told to call off their serach for the rebel leader.

Australian-led troops had attacked his mountain hideout in March, killing five of his armed supporters in a failed offensive.

A hunt for his group has continued since then.

President Ramos-Horta says he wants to find a solution and will discuss a way to halt the operations with the caretaker Prime Minister, the peacekeepers and UN police.


NOTA DE RODAPÉ:

Deve ser isto a que Ramos-Horta se referia a semana passada, dizendo que não haveria impunidade para criminosos...

Afinal Ramos-Horta reconhece...quando lhe dá jeito.

"What has improved in East Timor that you aren't getting credit for?

In the past five years we have rebuilt more than 900 schools. TV coverage is now extended to most of the country, and telephone coverage now extends to most of the 13 districts. It's not world-class communications, but it works compared with a few years ago. Health coverage is far better than in 2002."

E reconhece também o esforço da TT...

Last Word: José Ramos-Horta

'I'll be a moral force because i know many people look up to me. They listen.'

By Joe Cochrane

Newsweek International

June 25, 2007 issue - Ten years ago, José Ramos-Horta was a painful pebble in Indonesia's shoe. The charismatic East Timorese intellectual earned a Nobel Peace Prize by trolling the halls of power in dozens of capitals around the world, telling anyone who'd listen that the former Portuguese colony was under a savage occupation. Now he's the establishment: last month, he was sworn in as the second president of independent East Timor (also known as Timor Leste). On June 4 he made his first state visit­to former foe Indonesia, which is now his friend and neighbor. NEWSWEEK's Joe Cochrane spoke to Ramos-Horta in his hotel suite overlooking Jakarta. Excerpts:

COCHRANE: What's the significance of making Indonesia your first presidential visit, given its brutal occupation of East Timor from 1975 to 1999?

RAMOS-HORTA: I always place enormous importance on our relationship with Indonesia since the changes that occurred in 1999­changes for the better. Ever since, I have made every effort to normalize and gradually cement relations with our giant and powerful neighbor.

Given the history, is it difficult to come here and be friends?

Thousands of Timorese lost their lives, but so did many young Indonesian soldiers. Today we are free. A great injustice was corrected and Indonesia itself has moved away from its turbulent past, and today is an impressive young democracy.

Last year, members of the East Timorese armed forces rebelled, sparking bloody clashes in Dili and forcing Australian military intervention. What is the situation today?

With the assistance of our neighbors and friends, we have been able to stabilize the situation. The country is almost back to normal, the economy is picking up, infrastructure is being built. But we need to thoroughly reform and reorganize our police force, improve the standards of our defense force, while at the same time investing massively in job creation to absorb the thousands of unemployed youth. I intend to push very hard for significant expenditures on the youth and the students, widows, orphans, the elderly. The events of 2006 were part of the process of nation-building. Our state was born in 2002 following years and years of traumatic experience. We have a traumatized nation. So violence can flare up easily as a result of this recent history.

The violence was sparked by old rivalries dating back to the 1970s?

Actually, the rivalries are a result of the failure of leadership and politicization of our police force ... and creating rivalries between the police and the Army. But I think it's an exaggeration to say that because of that, Timor Leste is a failing state. We're only five years old.

What will you do as president to foster peace and reconciliation? Will you use your constitutional powers, or just act as a moral force?

I'll be a moral force because I know many people look up to me. They listen. I will continue to use this trust to appeal to the people, particularly the youth, to forgo violence. As president, I will use every inch of my authority with Parliament and the government to allocate sufficient moneys for the youth. And we can do this because we have money from oil and gas.

Are you flush with cash? Then why haven't you spent any of the hundreds of millions of dollars you have in savings?

Right now in our fund we have $1.2 billion. An average of $100 million is transferred into that account per month. So we are very fortunate. We are not Kuwait or Brunei, but we have more than enough to kick-start the economy. And we can do it through simple things and wise things like direct cash transfers to the poor.

We want to save for the future, but that doesn't necessarily mean keeping the money in the bank. Saving for the future means spending it right now on our youth. They are the future. We have to pay for their schools; we have to pay for our students to study abroad. We have to provide them with Internet, sports, cultural facilities, with libraries.

What kind of jobs can you create to keep young people from roaming the streets in gangs and causing trouble?

I advocate massive forest-, water- and land-preservation programs that immediately create thousands of jobs. By planting trees, we save the environment and we create wealth for the future. Trees that we plant today, 15 or 20 years from now will be income for the country.

What has improved in East Timor that you aren't getting credit for?

In the past five years we have rebuilt more than 900 schools. TV coverage is now extended to most of the country, and telephone coverage now extends to most of the 13 districts. It's not world-class communications, but it works compared with a few years ago. Health coverage is far better than in 2002.

Ten years ago, you might have been arrested for setting foot in Indonesia. Today you are a visiting head of state. Are you amazed at how quickly things can change?

God, yes. Ten years passed by so fast. I am the greatest fan in the world of the Kennedys, and I often plagiarize Ted Kennedy's speech at the Democratic convention in 1980: "The dream shall never die." When we have ideas, convictions and dreams, do not give up on them. Work on them and they can be realized.

James Dunn on Timor's defence policy

http://jasdunn.bigblog.com.au/post.do?id=149368


East Timor's Defence

Sunday 17 June, 2007 - 18:04 by James Dunn AM in Commentary

The news that East Timor may be considering setting up a composite defence force of some 3000 personnel has aroused a curious, and generally negative reaction here in Australia. Some of the comments border on the absurd – for example, the ridiculing of the size of the force and the need for 'such a small nation' to have a force of this size.

Well, East Timor is not really so small. It is several times the size of Singapore and Brunei, with fishing resources and potential marine exploration sites to protect. For this purpose little Brunei (just over 2,000 sq miles, or one-third the size of ETimor) has a force of some 7,000. And Fiji, which is smaller both in size and population, has a force of of 3,500. The question is not just about the size of the force, but its nature and its purpose. Not least it must be grounded in the constitutional discipline that assures East Timor that it will never again breach that neutrality so essential in a democracy. My view is that a force along the lines of a national guard might be considered – a force designed to support the Timorese people in the event of national disasters, as well as military threats, a force that could support the ongoing task of reconstruction.

Those who feel the East Timorese should be relying on the Australian presence should think again. Our forces may constitute a comforting presence, but this new nation has to have some defence capacity of its own, for it cannot be assumed that East Timor and Australia's national interests will always coincide. Certainly that did not happen in the
past, as we all so well knpw. As for the present, the Australian Government's lack of interest in bringing to justice`those TNI officers responsible for past atrocities is in itself a warning that our perceptions of national interest may not always place East Timor's interests ahead of expediency .

There has been criticism of the perceived need for helicopters, but their presence is of fundamental importance to emergency services, as well as surveillance, in Timor's mountainous terrain. As for plans for a navy, the vessels concerned should, I feel, be fast patrol vessels, rather than corvettes, which are expensive both to purchase and run.

Australia could assist the development of this force, rather than suggest that it is unnecessary. The development of such a force will take time – and money = but military assistance could make it affordable.

Dos Leitores

STL or Suara Timor Lorosa'e is a newspaper full of crap reflecting the intellectual capacity of its chief editors, Salvador Ximenes, Domingos Saldanha, et al. Ximenes and Saldanha are former autonomy supporters. Under Indonesia, they established this newspaper under the name Suara Timor Timur with the support of the Indonesian military. Suara Timor Timur became the Indonesian army's tool to propagate its propaganda and intimidate the East Timorese to submit to Indonesian rule.

STL has small column which it calls "Lidun" (corner in English). Lidun acts like an editorial piece quoting its subjects and then provides a short answer to it. The answers are meant to be provocative and carry a point. However, the fact is that these answers always fall into the absurd. Anyone will notice that this "corner" just reflects the intellectual deficit of the editorial team at STL.

Thus STL's "Lidun" on page 5 in its June 15th edition says:

"55-Lebo denied intimidating the population in Gleno.
Why are Gleno residents taking refuge in the Borja Park, Motael?"

(In Tetun: 55-Lebo dismente intimida populasaun Gleno. Tanbasa populasaun Gleno refujia mai Jardim Borja Motael?)

Then on page 6 STL reports that "Ermera refugees are growing in the Borza [sic] Park, Motael". The report cites the refugees, 81 of them, as saying that they had been forced to take refuge in Dili after coming under attack from the group Colimau 2000 and other groups belonging to the opposition parties. Some of them testified that their attackers yelled "Viva Ramos-Horta" as they launched their assault while others said that they were taken as prisoners for days. These refugees identify themselves as members and sympathisers of FRETILIN and have been under pressure to give up their support for Fretilin. They came from the villages of Lisapat and Urahou, areas known as Fretilin stronghold, in Ermera.

Colimau 2000 is a shadowy group based in the Maliana-Atsabe regions with suspected links to the former pro-Indonesia militia groups in West Timor. This group has caused much violence in and around the same region. A few years ago Colimau 2000 attacked villagers around Hatolia area. This event prompted the newly independent Timor-Leste government to deploy F-FDTL around the area and tens of members of Colimau 2000 were arrested and handed over to police (see the UNMISET press release at http://www.un.org/Depts/dpko/missions/unmiset/pr300103.pdf). However in April of 2006 this group came to prominence again. It is believed that Colimau 2000 high jacked the peaceful rally organised by the "Petitioners" group and kicked the wider conflict which nearly brought Timor-Leste to a civil war. Interestingly enough Colimau 2000 has since organised itself into a political party called PDRT (Partidu Democratica Republica de Timor) and will contest in the upcoming elections.

Reports of other attacks against supposed Fretilin supporters have also increased ever since the result for the presidential run-off was announced. Fretilin supporters in the districts of Liquiça, Oécusse and Ermera came under regular attacks by supporters of Partido Democratico (PD), Xanana's CNRT and a breakaway faction of Fretilin called "Mudansa". These attacks are well documented with the perpetrators well identified. However nothing has been put in place to stop the attacks or have the perpetrators arrested and bring them before a court.

55-Lebo is a group composed of former resistance fighters accused of being part of the group armed by the Fretilin government to act as its death squad to eliminate its political opponents. They are said to be hardcore Fretilin militants. There have accusations against them that they were terrorising the Ermera population to force them to vote Fretilin. It is a fact however that this group is linked to Fretilin and was organising Fretilin's campaign in Ermera area.

The Borja Park in Motael is the actual Jardim Borja da Costa, a park next to the Motael Church compound. There are already a lot of IDPs taking shelter at the church compound. The political-military crisis that occurred last year also pitted the "lorosa'e" against the "loromonu". The "lorosa'e" people were said to be politically aligned to Fretilin. They were also accused of collaborating with the F-FDTL to attack the "loromonu" people and drive them out of Dili. As it turned out, when the ISF was deployed in Dili and the F-FDTL retreated, the "loromonu" people gained upper hand and drove the "lorosa'e" residents of Dili out of their homes and into IDP camps. So, many of the IDP camp residents are "lorosae" and are commonly acknowledged as supporters of Fretilin. It would make anyone believe that these "lorosa'e" people would still hold some kind of resentment against the "loromonu" people after last year's conflict. After all it was them who drove the "lorosa'e" people out of their homes. But the situations around the camps have been peaceful. In fact there is mutual acceptance among the IDPs, after all they all sympathise with Fretilin.

By following the above information and then correlate it to the news as reported by STL on its page 6 would lead anyone to conclude that the Gleno refugees have nothing to do with the 55-Lebo group. The 55-Lebo group is in fact aligned to these refugees politically as all of them are linked to Fretilin. The refugees have been driven out of their homes in Ermera by groups opposed to Fretilin, namely Colimau 2000/PDRT and even members of PD and CNRT. It wouldn't make sense that the 55-Lebo group would be attacking some of its own.

However the STL editorial appears to suggest that somehow 55-Lebo is the principle cause of the refugees' displacement. It quotes the 55-Lebo as denying any intimidation from their part on the Gleno population then it asks the question as to why there are refugees from Gleno present in Dili. This rhetorical question puts the responsibility on the 55-Lebo group and ultimately to Fretilin; that 55-Lebo denies having being involved in any acts of intimidation yet the fact that there are refugees in Dili proves the opposite. In addition the report on the Ermera refugees is buried on page 6 in amongst other unrelated news reports. Anyone interested in politics and security, particularly on this issue, will have difficulty in noticing this article.


But STL is not only known for its incompetence and complete lack of professionalism. It is also known as a politically tendentious paper, specially its stance against Fretilin. It has been touted as the media wing for Fretilin's opponents much like the role of the private media in Venezuela in conjunction with the opposition groups in their crusade to overthrow President Hugo Chaves. This latest editorial by STL follows a steady stream of negative and often inflammatory articles and editorials against Fretilin. STL's articles and editorials are not only politically tendentious, but they are also marred with inaccuracies, inventions, rumours and gossips. This editorial piece is in fact attempting to accuse Fretilin and its members for what it is clearly a victim of. Members of Fretilin are attacked and groups linked to Fretilin are put on the spot to forcibly accept responsibility. Even when members of Fretilin are attacked, Fretilin is still accused as the attacker. STL knows that to make such direct link is next to impossible because no reader would believe in it. So STL puts out the tendentious editorial while buries the actual news somewhere in the middle of the page. Usually when Fretilin is accused of any type of attack, the report is revealed on the first page taking the most prominent headline.

It is obvious that STL's objective is not that of journalism and least of all to contribute to the development of democracy in Timor-Leste. Its ultimate objective is part of a wider agenda sponsored by the former pro-Indonesia East Timorese elites, be they in Timor-Leste or in Indonesia, to sabotage Timor-Leste move towards a successful and independent State. The fact that STL is run part of this self-serving elite is not a peculiarity but it fits perfectly well into this piece of conspiracy. If one takes a more profound look into the way STL has made its various reports in the past, there is a correlation between the eruption of conflicts and STL reports. This is no coincidence as the inflammatory, error-ridden and inaccurate reports that STL often put out became the focus for the eruption of new conflicts. For these former pro-Indonesia elites, destruction of Fretilin is also a goal in itself. If Fretilin is discredited and eliminated from the East Timorese politics, then the whole independence movement is also discredited and history can be rewritten to vindicate the self-serving pro-integration movement.

STL is obviously not an independent media institution but an organisation with a political agenda. It is not contributing to public information and development of democracy in Timor-Leste. In fact its whole existence and operation is designed to prevent Timor-Leste from developing into a nation truly democratic and independent. Its links to the former pro-Indonesia elites is a testament that the struggle for a truly independent, stable and viable Timor-Leste is far from over. Fretilin has been the only political organisation capable of defending the East Timorese right to independence and is steadfast on defending this right at any cost. Fretilin is a threat to people like Ximenes and Saldanha. However the results of the upcoming elections will be seen by these former pro-Indonesia elites as a victory, though a small one. A failed-state is their ultimate goal. STL should be placed under constant surveillance for the coming years.

Ananax Hudi

Dos Leitores

Ken Westmoreland deixou um novo comentário na sua mensagem "Let's learn Tetum": Resposta da Dra. Steele:

Dear Mr. Westmoreland,

Thank you for your comments. It was unfortunate that in addition to making a number of typographical errors (including the name of the president) the Jakarta Post changed the title of our op-ed from "A Modest Proposal Regarding East Timor." Our goal was truly modest: to challenge US diplomats here and in Dili to reconsider the reasons for their reluctance to send Indonesian-langage translations of American books to Dili.

It makes no sense to have a cellar full of books that are gathering dust in Jakarta when they could be put to good use in East Timor. That was our one and only point. I agree with you that Tetum needs to be developed as the national language of East Timor -- in fact I've tried to convince at least one international NGO that a high priority should be given to funding the development of a Tetum style book for journalists. But in the meantime, bahasa Indonesia is still a widely recognized language of trade (as JRH reaffirmed during his visit), and for that reason alone it seems silly to withhold from the Timorese books that have already been published and paid for with US taxpayer dollars.

all the best,

Janet


Janet Steele
Associate Professor
School of Media and Public Affairs
George Washington University
Washington, DC 20052

Timor-Leste: Morreu Abílio Osório Soares

Diário Digital / Lusa
17 de Junho de 2007

O último governador pró-indonésio, do período de ocupação da antiga colónia portuguesa pela Indonésia, Abílio Osório Soares, faleceu este domingo em Kupang, na parte ocidental da ilha (e território indonésio) depois de doença prolongada.

Abílio Osório Soares entrou na política timorense depois da Revolução do 25 de Abril de 1974 e integrou as fileiras do partido pró-indonésio Apodeti.

Abílio Osório Soares terá sido mesmo um elemento-chave para a invasão de Timor-Leste pelas forças da Indonésia em 1975, em pleno período de guerra civil no território.

Durante a ocupação pelas forças de Jacarta, Abílio Osório Soares desempenhou vários cargos políticos até quem em 1992, foi nomeado governador da, então considerada província da Indonésia.

É tido como protector do crescimento das milícias pró-indonésias, em 1999 e acusa da responsabilidade nos massacres de Liquiçá, de Suai e dos ataque às casas de Manuel Carrascalão e do bispo Ximenes Belo, em 1999.

Em 2002, em julgamento do Tribunal Ad Hoc de Direitos Humanos da Indonésia, Abílio Osório Soares foi acusado de crimes contra a humanidade e condenado a três anos de prisão, dos quais apenas cumpriu quatro meses.

Outros documentos e testemunhos apontam que secretamente tenha auxiliado, com alimentos, as milicias pró-independência, em 1977.

«Ele, com o irmão José Fernando (que foi secretário-geral da Apodeti e abatido pela Fretilin ainda antes da invasão da Indonésia), queriam a integração na Indonésia para se unificar Timor e, a longo-prazo, pedir a independência de toda a ilha. Penso que acreditava nisso», afirmou Mário Viegas Carrascalão, antecessor de Abílio Osório Soares no cargo de governador pró-indonésio de Timor-Leste.

Morreu Abílio Osório Soares

Expresso.com
18:29 domingo, 17 JUN 07

Antigo governador de Timor-Leste

Pedro Chaveca

O homem que esteve à frente dos destinos de Timor-leste de 1992 a 1997 morreu hoje vítima de doença prolongada.

Abílio Osório Soares morreu hoje com 60 anos, em Kupang, na parte ocidental e indonésia da ilha de Timor.

Nascido a 2 de Junho em Mananuto, no centro do país, Abílio Soares lutou sempre pela integração de Timor na Indonésia, tendo entrado para a política aos 27 anos como membro do partido integracionista APODETI, onde o irmão era secretário-geral.

Depois da invasão indonésia em 1975, na qual teve um papel central, Abílio Soares tornou-se muito próximo das altas chefias da potência ocupante e passou por vários cargos políticos: dirigiu em Díli os serviços centrais de Obras Públicas, foi presidente da câmara de Díli e administrador distrital de Manatuto, a sua região natal, antes de ser nomeado governador do território em 1992, sucedendo a Mário Viegas Carrascalão.

O actual presidente do Partido Social Democrata recorda o antigo colega como uma “pessoa dúbia”. Segundo Carrascalão, Abílio Soares foi em simultâneo um “integracionista humano” e um governador obediente dos seus patrões.

Comentário inoportuno

Das muitas opiniões que tornou públicas ficou para a história o comentário que fez na sequência do massacre no cemitério de Santa Cruz a 11 de Novembro de 1991: “Muitos mais deviam ter morrido”.

Carrascalão volta a recordar este verdadeiro Dr. Jekyll e Mr. Hide da política indonésia, quando corrobora as acusações de Jacarta de que Abílio Soares ajudava as milícias da resistência timorense, "afinal era verdadeira a acusação de que ele cooperava com a FRETILIN em 1977, pois vim a descobrir mais tarde que ele fazia chegar arroz às forças clandestinas na região de Alas".

De volta ao espectro mais negro da sua alma, Abílio Soares foi considerado culpado de crimes contra a humanidade pelo Tribunal de Direitos Humanos Indonésio e condenado a três anos de prisão, corria o ano de 2002.

Os crimes de que fora acusado prendiam-se com a onda de violência, depois do referendo pela independência de Timor-Leste em 1999, e que alegadamente incitou. Acabou por cumprir apenas 4 meses de encarceramento.

As cerimónias fúnebres decorrerão em Kupang na próxima terça-feira e Abílio Soares “por decisão do governo indonésio” será sepultado no Cemitério dos Heróis.

com agências

Dos Leitores

Margarida deixou um novo comentário na sua mensagem "Opositores pretendem assassinar Secretário-Geral d...":

A libertação é uma luta e em todas as lutas há os que se cansam e desistem, há os que mudam de ideias e traem e há os que persistem.Basta ver que na luta pela libertação de TL alguns desistiram, outros mudaram mas que o Mari e o Lu-Olo persistem e com ele o grosso dos seguidores da Fretilin e também outros patriotas Timorenses. E hão-de continuar contra ventos e marés a lutar pela efectiva independência e soberania nacional. Disso não tenham dúvidas.

Porque a história da Fretilin é uma história de luta – luta em todas as situações, travando as batalhas necessárias em cada momento.

E sabendo sempre que, quando se luta nem sempre se ganha, mas quando não se luta perde-se sempre.

Ou como disse um grande português “fustigados pelos ventos da ofensiva, mas sempre no rosto e no peito e nunca pelas costas”.

Dos Leitores

Margarida deixou um novo comentário na sua mensagem "«Defesa de Timor melhor garantida por vizinhos que...":

Está bastante incompleta a biografia do Damien Kingsbury, pois por exemplo além dos cargos académicos na Universidade de Deakin, Melbourne, Austrália, esqueceram-se que é o papagaio ao serviço da Austrália não apenas nos media do Murdoch mas em variados media pelo mundo fora e ainda recentemente esteve nas presidenciais em Timor-Leste como director da equipa oficial de observadores Australiana.

E era interessante lembrar que este é dos académicos do tipo do Paulo Seixas, que logo em 24 de Maio do ano passado acusava o Governo de TL de responsabilidade pela crise, que justificava as divisões nas F-FDTl como produto de “profundas divisões étnicas”, que na contagem da primeira volta das presidenciais alinhou nas manobras do Martinho Gusmão e do Ramos-Horta sobre o “milagre das rosas” e que anda sempre com as bocas do tipo “Não se sabe se a Fretilin vai aceitar um fracasso”, aliás bastantes semelhantes às dos boys dos canguros nestas caixas de comentários.

É também um especialista em dizer que não gosta do amo para melhor vender as ideias do amo, como aliás aqui faz “Não gosto especialmente do governo australiano (…), mas considero que as preocupações actuais são mesmo legítimas”. Usou a mesma técnica por exemplo com o Martinho Gusmão e com o Ramos-Horta.

A análise dele vale o que vale qualquer análise de qualquer dos boys ao serviço do governo Australiano e do Rupert Murdoch.

domingo, junho 17, 2007

Dos Leitores

Margarida deixou um novo comentário na sua mensagem "Timor-Leste: FRETILIN acusa Austrália de «ingerênc...":

Resumindo o que está neste e noutros posts por aqui:

1 - Vejamos o que diz Francisco Guterres «Lu Olo»;

«O Governo australiano tem acompanhado todo o processo da Força 20/20 desde o início, porque teve assessores de alto-nível no Ministério da Defesa»,

«Estes oficiais (australianos enviados para formar o novo exército em 2000 e mais tarde) garantiram que o Governo australiano nunca tencionou que as F-FDTL se tornassem numa força coesa e bem treinada, e que o programa de treino foi um fiasco». Uma minuta da Força de Defesa Australiana (ADF) de 10 de Maio de 2001 afirma que «o primeiro objectivo (...) é prosseguir os grandes interesses estratégicos da Austrália em Timor-Leste, obstrução, acesso e influência». «O interesse estratégico da obstrução procura garantir que nenhuma potência estrangeira ganha um nível inaceitável de acesso a Timor-Leste, e é coroado pelo objectivo complementar de procurar acesso a Timor-Leste para a Austrália, em particular a ADF». «Os interesses estratégicos da Austrália podem também ser protegidos e perseguidos de forma mais eficaz se a Austrália mantiver algum grau de influência sobre a tomada de decisões em Timor-Leste».

«Achamos incrível que o ministro australiano dos Negócios Estrangeiros tenha dito que não podemos ter helicópteros armados e navios de guerra pequenos mas eficazes para patrulhar os nossos recursos petrolíferos offshore e piscícolas», «Não há nada excessivo na Força 20/20, que propõe um exército de 3.000 homens. O nosso exército actual tem 1.500 militares no activo e 1.500 reservistas». «a Força 20/20 foi um processo aberto para repensar e reorganizar o exército (F-FDTL) mas foi interrompido pelo levantamento de Janeiro-Junho de 2006, quando uma larga maioria do exército, e o comando da Polícia, foram levados a uma campanha política e por fim militar para derrubar o Governo eleito».

2 - E Mari Alkatiri:

Foi esta crise que mostrou a urgência de reconstruir o exército e a polícia «numa base equilibrada e profissional, e não em bases partidárias».

«A discussão foi iniciada na Austrália por diversos autoproclamados especialistas em assuntos políticos de Timor-Leste para desacreditar e parar o Plano Força 20/20». «A discussão reflecte a perspectiva da ADF de que precisa de manter influência sobre as decisões do governo e de manter uma presença no nosso país. Isto é uma violação inaceitável da soberania que centenas de milhares do nosso povo morreram para atingir».

3 – E Alexander Downer:

A estratégia militar de Timor-Leste até 2020 é «completamente irrealista» e «Estou certo que a Força 20/20 não vai acontecer porque Timor-Leste não tem os recursos para constituir um exército tão grande», «assessores de defesa australianos e internacionais estão a trabalhar com os seus parceiros timorenses no plano de desenvolvimento da força 2007-2010 para desenvolver capacidades realistas».

4 - E a Lusa:

O The Australian, 8 de Junho disse «O relatório 20/20 foi preparado sem o conselho de responsáveis militares australianos ou de outros que ajudam a manter a paz em Timor-Leste»;
E explica a Lusa o relatório “foi elaborado pelo Grupo de Estudos Força 20/20, de que fizeram parte, em diferentes períodos, oficiais superiores de quatro países, todos com patente de tenente-coronel: três portugueses, três australianos (incluindo o ex-coordenador do Programa de Cooperação Militar australiano em Díli, Christopher Hamilton) e um timorense (o secretário permanente do Ministério da Defesa, Filomeno Paixão).

O trabalho decorreu sob coordenação timorense através do chefe da assessoria militar do Presidente da República, tenente-coronel Pedro Klamar Fuik. Do grupo fez também parte Chandrabalan Sinnadurai, da missão de observação das Nações Unidas (UNOTIL), proveniente da Malásia, um dos países que actualmente têm uma força autónoma de polícia no quadro da missão internacional (UNMIT).

5 – E como é costume, o Xanana assobia para o ar, nada diz mas encarrega o Babo de responder…ao Primeiro-Ministro Estanislau!

E o Bobo retoma a cantilena do Downer: O anúncio do primeiro-ministro "é irresponsável”, "A Fretilin pretende gastar as receitas do petróleo em equipamento militar”, "As Forças Armadas precisam de atenção urgente, (…) mas isso precisa ser feito por meio de um processo de consulta (…)” reforço das F-FDTL sim mas a prioridade é “combater a pobreza".

ONU avisa depois de irromper violência em Dili

Tradução da Margarida:

Artigo de: Agence France-Presse
De correspondentes em Dili
Junho 17, 2007 01:28am

ONU avisa residentes de lutas perto da embaixada dos USA
Helicóptero militar faz observações na área

Lutas irromperam na capital Timorense, Dili, disse hoje por mensagens de texto a missão da ONU a residentes.

“Ocorrem lutas na estrada da praia frente à embaixada Americana,” diz-se numa mensagem recebida por um correspondente da AFP.

"Evite a área. Há lutas em curso na proximidade do Cemitério de Santa Cruz."

Acrescentava ainda que havia violência numa terceira área.

Não ficou imediatamente claro quem está envolvido ou se houve vítimas.

O correspondente viu um helicóptero militar a pairar sobre a cidade.

A campanha arrancou no princípio do mês para nas eleições de 30 de Junho se escolher um novo primeiro-ministro e parlamento.

Houve vários incidentes violentes em comícios políticos incluindo o assassinato de dois activistas políticos.

Lutas envolvendo militares, polícias e grupos rivais de gangs juvenis em Abril e Maio do ano passado deixaram 37 pessoas mortas e forçou o Governo a pedir a tropas internacionais para restaurarem a calma.

Tropas lideradas pelos Australianos estão ainda a supervisionarem a segurança.

Espera-se uma dura disputa entre um partido novo montado pelo antigo presidente Xanana Gusmão, e a Fretilin, que tem dominado o parlamento desde que Timor-Leste ganhou oficialmente a independência da Indonésia em 2002.

Timor-Leste: FRETILIN acusa Austrália de «ingerência»

Diário Digital / Lusa
16-06-2007 19:35:52

A FRETILIN acusou este sábado a Austrália de «ingerência na campanha eleitoral» e de «violação inaceitável da soberania timorense» na sequência das declarações do chefe da diplomacia de Camberra sobre a estratégia e os gastos militares de Timor-Leste.

O Governo australiano, através do ministro dos Negócios Estrangeiros, Alexander Downer, classificou a estratégia militar de Timor-Leste até 2020 de «completamente irrealista» e criticou a decisão do Governo de Díli de conceder autonomia financeira às forças armadas para a aquisição de equipamento.

«Estou certo que a Força 20/20 não vai acontecer porque Timor-Leste não tem os recursos para constituir um exército tão grande», afirmou Alexander Downer na quarta-feira passada.
O ministro adiantou que «assessores de defesa australianos e internacionais estão a trabalhar com os seus parceiros timorenses no plano de desenvolvimento da força 2007-2010 para desenvolver capacidades realistas».

Estas críticas «equivalem a uma ingerência na campanha eleitoral» para as legislativas de 30 de Junho «e uma violação inaceitável da soberania timorense», acusou a FRETILIN num comunicado que cita o presidente do partido maioritário, Francisco Guterres «Lu Olo».

«O Governo australiano tem acompanhado todo o processo da Força 20/20 desde o início, porque teve assessores de alto-nível no Ministério da Defesa», afirma «Lu Olo».

«O relatório 20/20 foi preparado sem o conselho de responsáveis militares australianos ou de outros que ajudam a manter a paz em Timor-Leste», referiu The Australian desde a primeira notícia sobre o documento confidencial, a 8 de Junho.

O relatório, conforme a Lusa noticiou quinta-feira, foi elaborado pelo Grupo de Estudos Força 20/20, de que fizeram parte, em diferentes períodos, oficiais superiores de quatro países, todos com patente de tenente-coronel: três portugueses, três australianos (incluindo o ex-coordenador do Programa de Cooperação Militar australiano em Díli, Christopher Hamilton) e um timorense (o secretário permanente do Ministério da Defesa, Filomeno Paixão).

O trabalho decorreu sob coordenação timorense através do chefe da assessoria militar do Presidente da República, tenente-coronel Pedro Klamar Fuik.

Do grupo fez também parte Chandrabalan Sinnadurai, da missão de observação das Nações Unidas (UNOTIL), proveniente da Malásia, um dos países que actualmente têm uma força autónoma de polícia no quadro da missão internacional (UNMIT).

Francisco Guterres «Lu Olo» recordou hoje outro órgão da imprensa australiana, The Bulletin, que num artigo recente relatava «a frustração de instrutores militares graduados australianos enviados para formar o novo exército em 2000 e mais tarde».

«Estes oficiais garantiram que o Governo australiano nunca tencionou que as F-FDTL [Falintil - Forças de Defesa de Timor-Leste] se tornassem numa força coesa e bem treinada, e que o programa de treino foi um fiasco», afirmou «Lu Olo».

Uma minuta da Força de Defesa Australiana (ADF) de 10 de Maio de 2001 afirma que «o primeiro objectivo (...) é prosseguir os grandes interesses estratégicos da Austrália em Timor-Leste, obstrução, acesso e influência».

«O interesse estratégico da obstrução procura garantir que nenhuma potência estrangeira ganha um nível inaceitável de acesso a Timor-Leste, e é coroado pelo objectivo complementar de procurar acesso a Timor-Leste para a Austrália, em particular a ADF», continua a minuta citada hoje pela FRETILIN.

«Os interesses estratégicos da Austrália podem também ser protegidos e perseguidos de forma mais eficaz se a Austrália mantiver algum grau de influência sobre a tomada de decisões em Timor-Leste».

«Achamos incrível que o ministro australiano dos Negócios Estrangeiros tenha dito que não podemos ter helicópteros armados e navios de guerra pequenos mas eficazes para patrulhar os nossos recursos petrolíferos offshore e piscícolas», declara Francisco Guterres «Lu Olo» no mesmo comunicado.

«Não há nada excessivo na Força 20/20, que propõe um exército de 3.000 homens. O nosso exército actual tem 1.500 militares no activo e 1.500 reservistas», acrescentou «Lu Olo».
O presidente do Parlamento afirmou ainda que «a Força 20/20 foi um processo aberto para repensar e reorganizar o exército (F-FDTL) mas foi interrompido pelo levantamento de Janeiro-Junho de 2006, quando uma larga maioria do exército, e o comando da Polícia, foram levados a uma campanha política e por fim militar para derrubar o Governo eleito».

Mari Alkatiri, ex-primeiro-ministro e secretário-geral da FRETILIN, declarou que foi esta crise que mostrou a urgência de reconstruir o exército e a polícia «numa base equilibrada e profissional, e não em bases partidárias».

Para Mari Alkatiri, «a discussão foi iniciada na Austrália por diversos autoproclamados especialistas em assuntos políticos de Timor-Leste para desacreditar e parar o Plano Força 20/20».

«A discussão reflecte a perspectiva da ADF de que precisa de manter influência sobre as decisões do governo e de manter uma presença no nosso país. Isto é uma violação inaceitável da soberania que centenas de milhares do nosso povo morreram para atingir», concluiu o ex-primeiro-ministro.

Dos Leitores

Comentário na sua mensagem "Horta weighs pardons, sentence cuts":

Ramos-Horta says, "I do not support amnesty for serious crimes or crimes against humanity, this would be inconsistent with the international law."

Ok. Does that mean that Horta will be supporting FRETILIN's call for the Indonesian generals to face court?

Opositores pretendem assassinar Secretário-Geral da FRETILIN?

Vota para a FRETILIN!
Eleições Legislativas 2007

"Defendamos a independência de Timor-Leste"

Comunicado de Imprensa
17 de Junho de 2007

A revelação do líder do PSD, Mário Viegas Carrascalão, sobre a hipotética "eliminação" do Secretário Geral da FRETILIN, é considerada pelo presidente da FRETILIN, Francisco Guterres Lu-Olo, como muito grave e que deve ser alvo de investigação apurada sobre o que se passa.

As declarações de Mário Viegas Carrascalão, surgem numa altura em que as ameaças à vida e integridade fisica do Secretário Geral da FRETILIN, Marí Alkatiri, voltam a ser faladas em alguns sectores políticos nacionais e que configuram uma situação de extrema gravidade para a segurança interna e para a liberdade de pensamento e de intervenção de todo e qualquer cidadão, no país.

Francisco Lu-Olo, em reacção às declarações do presidente do PSD, Mário Viegas Carrascalão, exige uma investigação sobre a questão de forma a actuar-se criminalmente contra os adversários políticos do Secretário-Geral, que se dizem inimigos e que estejam a preparar um atentado contra a vida de Marí Alkatiri.

Para o presidente da FRETILIN, nãohá duvidas que as declarações do presidente do PSD, são avisadoras e pretendem alertar para um plano concertado para assassinar, para eliminar fisicamente, o Secretário-Geral da FRETILIN.

Atentar contra a vida do Secretário-Geral da FRETILIN, assassinando-o parece ser a ultima alternativa que resta aos seus opositores políticos nacionais, a ter em conta as declarações alarmantes do presidente do PSD.

Em entrevista, o presidente do PSD, Mário Carrascalão, ataca o partido CNRT, recém formado e liderado por José Alexandre Gusmão "Xanana", como sendo formado por "gente do pior que há em Timor-Leste", revelando que "o objectivo número um de Xanana é destruir Marí Alkatiri". Mário Viegas Carrascalão diz mesmo que o objectivo "não é destruir a FRETILIN".

Mário Carrascalão lê o futuro e descodifica as reais intenções de Xanana Gusmão afirmando que :"Xanana Gusmão está a dar guarida à chamada FRETILIN-Mudança, que vai depois regressar à FRETILIN quando destituírem Mari Alkatiri".

Em declaração de profunda preocupação, Mário Viegas Carrascalão, diz que "gostaria de ver Alkatiri destruído democraticamente", mas adianta que o gostaria de ver eliminado da cena política em eleições e não de qualquer outra maneira. Esta declaração denota preocupação e parece assentar em bases sólidas que a todos deve preocupar.

Francisco Lu-Olo, não esconde a preocupação sobre a situação descrita e afirma mesmo ter sentido arrepios, "pensei para comigo… porque razão o senhor Carrascalão tinha a necessidade de enfatizar que gostaria de ver Alkatiri destruído democraticamente, mas destruído politicamente em eleições?

"Quando analisei com mais atenção fiquei ainda mais preocupado. Senti que tinha acabado de ler uma revelação do Senhor Carrascalão que ele tinha conhecimento sobre mais motivos sinistros por parte dos adversários de Marí Alkatiri. Tenho estado preocupado há já algum tempo, devido às ameaças via mensagens escritas e rumores que têm sido feitos em Dili, mas esta foi uma verdadeira revelação para mim. Pensei para comigo que ele deveria estar a proteger-se a si próprio para caso algo venha a aconteçer. Acredito também que o Senhor Carrascalão, não quereria fazer parte de nada do género, e por essa razão disse o que disse na entrevista," afirmou Francisco Lu-Olo.

O presidente da FRETILIN, disse que um dos rumores que anda por Dili, do qual ele já foi informado por fontes fidedignas, é que algumas pessoas sentem que devido ao facto de todas as suas tentativas para "destruir" Mari Alkatiri terem falhado, então terão que considerar "eliminá-lo".

"Tenho que deixar claro que não acredito que o Sr Xanana Gusmão tenha, ele próprio, quaisquer intenções ilegais contra Sr Mari Alkatiri. Não tenho quaisquer provas que indiquem tal facto. Mas, concordo com o Senhor Carrascalão, na sua análise de que o Senhor Gusmão se encontra rodeado pelas piores pessoas de Timor-Leste, e que existem algumas figuras sombrias no partido CNRT, que não hesitarão em utilizar meios ilegais para atingir os seus objectivos políticos.

Algumas encontram-se ainda armadas.", alerta o presidente da FRETILIN.O plano para assassinar o Secretário-Geral da FRETILIN deve ser levado a sério e as autoridades , a UNPOL, deve iniciar desde já a investigação com a audição do senhor Gusmão, enquanto presidente do seu partido, tendo em conta as alarmantes e reveladoras declarações do presidente do PSD, Mário Viegas Carrascalão.

Para mais informacões, contacte por favor:

Antonio Veladas (+670) 728 9009, Jose Teixeira (+670) 728 7080
www.timortruth.com, www.fretilin-rdtl.blogspot.com

«Defesa de Timor melhor garantida por vizinhos que por exército»

Lusa - 16 Junho 2007

A Austrália e a Indonésia garantem melhor a defesa estratégica de Timor-Leste do que um exército nacional, declarou um especialista australiano entrevistado pela Lusa sobre o caderno estratégico das forças armadas timorenses, o relatório "Defesa 20/20".

"Em termos das suas necessidades de defesa, Timor-Leste não tem hipótese de se defender de nenhum predador regional, se um deles decidir atacá-lo", afirmou Damien Kingsbury, um especialista australiano da política e da segurança na Indonésia e de movimentos armados no Sudeste Asiático.

"A segurança estratégica de Timor-Leste é mais bem servida pelos seus vizinhos na região, a Austrália e a Indonésia, que não pretendem ver nenhum outro Estado tirar vantagem estratégica desta proximidade", declarou Damien Kingsbury.

"Isto é, a Austrália e a Indonésia garantirão que nenhuma outra potência ocupará e desestabilizará Timor-Leste porque é dos seus próprios interesses estratégicos" que isso não aconteça, acrescentou o especialista numa entrevista feita por correio electrónico.

"Ficaria muito surpreendido se a Austrália encarasse Timor-Leste como uma ameaça estratégica, mesmo que o país adquirisse os 'brinquedos'" propostos no "Defesa 20/20", comentou Damien Kingsbury sobre as razões da condenação inequívoca do documento pelo ministro dos Negócios Estrangeiros australiano, Alexander Downer.

"O equipamento proposto não seria simplesmente em quantidade suficiente para fazer qualquer diferença para a Austrália", notou Damien Kingsbury, referindo-se aos mísseis terra-terra e terra-ar.

O relatório "20/20" estabelece as prioridades do país em termos de Forças Armadas e prevê a criação de uma força de 3.000 homens com uma componente naval, privilegiando destacamentos de fuzileiros e embarcações com mísseis terra-terra e terra-ar para actuar no Mar de Timor, estratégia que mereceu fortes críticas da Austrália.

"É preciso também recordar que Timor-Leste tem uma capacidade excepcionalmente pobre para a maior parte dos aspectos técnicos, e isto aconteceria também em relação a alta tecnologia militar".

"Não serve de muito ter os 'brinquedos' se não se sabe brincar com eles", comentou Damien Kingsbury.

"A minha percepção é que a Austrália está profundamente preocupada com a possibilidade de ter um Estado falhado à sua porta, e que este tipo de orientação militar torna provável esse triste resultado", adiantou o professor associado da Universidade de Deakin.

"Não gosto especialmente do governo australiano, e penso que se portou muito mal com Timor-Leste, mas considero que as preocupações actuais são mesmo legítimas e partilho-as", sublinhou Damien Kingsbury.

O especialista australiano explicou que "se Timor-Leste, como jovem nação, não conseguir desenvolver a capacidade de cuidar de si, e portanto de cuidar do seu povo, estará condenado à pobreza e à condição de Estado falhado". "Isso é evitável, mas, a menos que passos concretos sejam dados na direcção correcta, o resultado é bastante possível e, de facto, provável", acrescentou.

"As lições que temos de outros países pós-coloniais mostram que a capacidade diminui, de facto, após o processo de descolonização, e tem sido este o caso em Timor-Leste depois da tardia retirada da Indonésia", referiu.

"Reconstruir a capacidade deste país é a primeira tarefa e a mais urgente. Infelizmente, o aparelho militar em geral e, em especial, uma força militar alargada, não desempenha nenhum papel neste processo", considerou Damien Kingsbury.

O especialista australiano recordou que "as F-FDTL foram criadas para satisfazer as exigências dos combatentes das FALINTIL, que, ao mesmo tempo, se viam no papel de 'proteger' a nação e tinham poucas hipóteses de conseguir um emprego cá fora".

Daí resulta, disse Damien Kingsbury, um problema de antigos combatentes "que permanecem insatisfeitos e por vezes problemáticos, enquanto que o exército que foi criado para lhes arranjar emprego está agora a sorver recursos que seriam mais bem empregues em infra-estruturas e emprego produtivo".

O especialista notou ainda que muitos países, em especial os que "saíram de um ambiente colonial ou revolucionário, acreditam que as forças armadas são um símbolo de autodeterminação".

"Infelizmente, a experiência da maior parte destes países tem sido a de exércitos que são um fardo para o Estado e que interferiram com frequência nos assuntos políticos civis".

"As F-FDTL estão claramente no primeiro tipo, mas têm-se aproximado do segundo".

Damien Kingsbury, autor de diversas obras sobre a Indonésia, Timor-Leste e segurança e terrorismo no Sudeste Asiático, é o coordenador do mestrado em Desenvolvimento Internacional e Comunitário da Faculdade de Estudos Internacionais e Políticos da Universidade de Deakin, Melbourne, Austrália.

UN warning after violence breaks out in Dili

Article from: Agence France-Presse
From correspondents in Dili
June 17, 2007 01:28am

UN warns residents of fights near US embassy
Military helicopter watching area

FIGHTING has broken out in the East Timorese capital, Dili, the UN mission there told residents by text message today.

“Fighting is going on at the beach road opposite the American embassy,” a message received by an AFP correspondent said.

"Avoid the area. Fighting is going on in Santa Cruz in the vicinity of cemetery."

It added that there was also violence in a third area.

It was not immediately clear who was involved or whether there were any casualties.

The correspondent saw one military helicopter hovering over the city.

Campaigning kicked off earlier this month for June 30 elections to choose a new prime minister and parliament.

There have been several violent incidents at political rallies, including the murders of two political activists.

Fighting involving the military, police and rival youth gangs in April and May last year in Dili left 37 people dead and forced the Government to ask international peacekeepers to restore calm.

The Australian-led peacekeepers are still overseeing security.

The polls are expected to see a tough contest between a new party, set up by former president Xanana Gusmao, and Fretilin, which has dominated parliament since East Timor officially gained independence from Indonesia in 2002.

Dos Leitores

Comentário na sua mensagem "Estratégia de defesa deverá ser orientada para o m...":

PARTE II

O modelo de Forças Armadas para Timor-Leste

Se de facto o autor do artigo teve acesso ao Plano “Força 2020” poderá constatar que, naquele documento, são analisadas várias opções para apoiar a decisão dos órgãos de soberania sobre o modelo de Forças Armadas para Timor-Leste. Tendo em conta a informação obtida, através de fontes crediveis e, sem entrar em detalhe, é muito importante que os timorenses e parceiros do desenvolvimento saibam o seguinte:

As Forças Armadas de Timor-Leste devem reunir um conjunto de características aceites pela Comunidade internacional relacionadas com as regras jurídicas gerais que estão integradas na Constituição e devem ser encaradas como suporte, instrumento de preservação da paz e elemento de estabilidade na resolução dos conflitos e tensões. Aliás, como acontece na maioria dos países democráticos, nomeadamente a Austrália.

As Forças Armadas que o país deve dispor assim como as suas capacidades e respectivas prioridades, devem ter em consideração a sua posição geoestratégica, tendo em conta o ambiente estratégico, as ameaças que podem com probabilidades afectar o país e os interesses nacionais que devem ser defendidos. Aliás, como também acontece na maioria dos países democráticos, nomeadamente a Austrália.

O desenvolvimento das F-FDTL foi considerado como parte integrante do processo para a independência. Também nesta delicada área, o empenhamento dos timorenses será determinante, pois as Forças Armadas deverão reflectir os valores e princípios de defesa de um Estado democrático. Esta transição indispensável exige dois elementos: a participação, envolvimento e responsabilização dos timorenses – a timorização e a capacitação dos recursos humanos e o tipo de dispositivo de defesa. Não é isto que o governo australiano pretende pelos motivos que iremos analisar na Parte III.

No âmbito das opções deve ser dada especial atenção e tomadas em consideração as características físicas e geográficas do país e a necessidade de assegurar meios que permitam a vigilância marítima e aérea do Espaço Estratégico de Interesse Nacional (Existem violações sistemáticas do espaço aéreo e marítimo! Será que isto seria possível na Austrália ou Indonésia? Claro que NÃO)

Timor-Leste está empenhado em desenvolver, nos vários patamares de acção nacional e internacional, um papel construtivo para a paz e a segurança na região e no mundo. Este deverá ser o fundamento e a essência do enquadramento das Forças Armadas de Timor-Leste, isto é, deverá ser considerado crucial a estreita coordenação e sintonia entre a Estratégia de Segurança e Defesa Nacional e a Estratégia Diplomática. Trata-se de uma necessidade básica: ganhar a paz e a estabilidade para assegurar um desenvolvimento sustentável e estável que garanta ao Povo o merecido bem-estar. Também não é isto que o governo australiano pretende, porque de facto receia que Timor-Leste seja um país com estabilidade e desenvolvido.

Assim, tendo em conta a natureza dos desafios que se colocam à Segurança de Timor-Leste, a Defesa Nacional dependerá essencialmente, das suas capacidades militares articuladas com a eficácia da sua política externa e da sua capacidade de construir a rede complexa das relações bilaterais e multilaterais. Portanto, os principais vectores da definição da estratégia de Segurança e Defesa Nacional deverão ser a dissuasão e a diplomacia. Curiosamente este aspecto não foi referido no artigo, porque o governo australiano pretende confundir a opinião pública australiana, timorense e, se possível, a internacional.

No âmbito da estratégia de Segurança e Defesa Nacional, torna-se necessário estabelecer a relação entre o conceito de fronteira e segurança no contexto regional. Actualmente a fronteira da segurança não coincide com a fronteira geográfica e, tendo em conta os desafios actuais, a segurança de Timor-Leste deve também ser encarada no contexto regional através de relações bilaterais e multilaterais. Será que o governo australiano pretende também encarar a sua segurança num contexto regional, através de uma verdadeira cooperação estratégica entre os países do Sudeste Asiático?

A defesa nacional não pode nem deve ser vista apenas com carácter militar e deve de ser encarada de forma integrada e interministerial, global e permanente para atingir o objectivo do estado que é a segurança nacional, e por isso não deve ser encarada apenas numa perspectiva economicista. Aliás, como também acontece na maioria dos países democráticos, nomeadamente a Austrália.

Importa ter presente, que há complementaridade entre segurança e desenvolvimento: não há desenvolvimento sem segurança, e sem esta o crescimento e a própria identidade nacional podem ser postos em causa. As F-FDTL podem colaborar no desenvolvimento nacional, apoiando a população sem colocar em causa a sua missão principal. A contribuição das F-FDTL deve:
- Fazer uso do seu crédito histórico;
- Cumprir a sua missão constitucional e as missões específicas, onde se devem incluir as de interesse público, que deverão ter um adequado enquadramento legislativo;
- Assegurar o apoio à população, através de acções de Cooperação Civil-Militar sem por em causa a sua missão principal.

A Grande Estratégia Nacional só poderá ter êxito na opção pelo vector Mar, ou seja a de afirmação posi¬tiva do País para o lado do Mar e poderá vir a ser um contributo deci¬sivo para o país triunfar no desafio da opção regional. É que, mesmo na opção regional, o grande projecto nacional continua a ser Timor-Leste, e o caminho certo para a sua realização passa, indispensavelmente, pelo Mar, que deve ser tomado como essencial para um maior desenvolvimento sustentado e consequentemente com maior estabilidade e melhor nível de segu¬rança; Mas isso tem de constituir um Objectivo Político Nacional. Em termos de estratégia, isto é completamente antagónico aos objectivos estratégicos do governo australiano.

Na definição da Estratégia de Segurança e Defesa Nacional, o Mar e, consequentemente, a capacidade Naval serão vectores fundamentais. Assim, a estratégia naval será decisiva, pois Timor-Leste tem uma dupla necessidade vital do mar. É que, se por um lado a manutenção da sua própria identidade depende do aproveitamento dos traços caracterizados pela raiz marítima, também a importância económica do mar, nomeadamente o Mar de Timor é essencial para a sua sobrevivência. Neste âmbito, importa referir que o país perde cerca de 30-50 milhões de USD por ano na exploração da pesca ilícita. Claro que esta situação não preocupa o governo australiano que, curiosamente, está muito preocupado com os níveis de pobreza que existem em Timor-Leste e, por isso, entendem que devem influenciar ou determinar a forma como o governo timorense pretende conduzir os seus investimentos.

Explorar potencialidades e atenuar vulnerabilidades de Timor-Leste, para fazer dele um país criador de riqueza em liber¬dade, isto é, competitivo e seguro, obriga de facto, a dis¬por-se duma Grande Estratégia Nacional, ou conjunto de Objectivos Nacio¬nais Permanentes (históricos e conjunturais) que visem apontar o País na direcção das “aspirações universais” de Segurança, Desenvolvimento e Justiça. Essa Grande Estratégia Nacional só será possível, quando o País estiver organizado em função marítima – o “género de vida nacional” - explorando a linha do maior desenvolvimento e, simultaneamente, da maior segurança. Este vector também é claramente contrário aos objectivos estratégicos do governo australiano.

Neste contexto, parece ser da maior conveniência para Timor-Leste procurar informar a opinião pública nacional - a qual deverá ter crescente influência na gestão dos interesses nacionais - quanto ao valor do Mar para Timor-Leste no concernente a desenvolvimento e segurança, e quanto à necessidade de se compatibilizarem as opções regional e vector mar, como atrás se referiu. E ainda quanto aos riscos que se correm no caso de não se tirar partido das excepcionais potencialidades marítimas do País, de outros como a Austrália o estarem a concretizar ou virem a fazer, com prejuízo do povo timorense quanto ao seu próprio desen¬volvimento económico, à sua dignidade e à sua segurança.

Timor-Leste é um país democrático e soberano, porque tem poderes legítimos e as instituições governativas democráticas que lhe permitem, em condições normais, exercer a soberania em qualquer parte do seu território na defesa dos interesses do Estado e da Nação conforme previsto na Constituição. Assim, está em condições de poder reivindicar o poder de julgar os seus próprios conflitos, de impor a sua própria concepção em relação aos seus direitos, de regular a sua vida económica e evoluir nas suas relações internacionais. Aliás, como também acontece na maioria dos países democráticos, nomeadamente a Austrália.

Portanto, é dentro do quadro democrático que caberá ao poder político e aos seus representantes eleitos, definir e tomar as decisões que melhor sirvam os interesses nacionais, nomeadamente nos assuntos relativos à Segurança e Defesa Nacional. Sendo assim, é fundamental que sejam reconhecidas e avaliadas com rigor as vulnerabilidades e potencialidades com interesse para a segurança e defesa de Timor-Leste, tendo em conta a análise dos factores de situação como o geográfico e humano, económico e político/administrativo. A Austrália não pode ser condenada por ter objectivos estratégicos perfeitamente aferidos, mas é criticável não querer que os outros países da região tenham os seus próprios objectivos estratégicos no âmbito da Segurança e Defesa Nacional.

No âmbito dos Objectivos Nacionais de Segurança, que estão expressos na Constituição, importa referir, que qualquer Estado tem como legitimidade, para sustentar a sua soberania, conceber um sistema de defesa e segurança com capacidade efectiva para conter influências ou ameaças directas ou indirectas, que poderão surgir no seu território e espaço de responsabilidade. Por isso, qualquer Estado soberano reivindica o poder de julgar as suas próprias controvérsias, de impor os seus direitos, regular a sua vida económica bem como possuir a sua Política de Defesa Nacional. Aliás, como também acontece na maioria dos países democráticos, nomeadamente a Austrália.

Para que seja possível avaliar as ameaças, torna-se necessário a definição do sistema e institucionalização dos Serviços de Informações, tendo em vista um adequado fluxo e gestão da informação, entre as instituições com responsabilidades na Segurança e Defesa Nacional, que permita uma correcta avaliação da ameaça. Aqueles serviços poderão funcionar como um factor multiplicador e um verdadeiro sistema de detecção e alerta. No entanto, torna-se necessário criar mecanismos político-institucionais, tendo em vista o seu adequado enquadramento legislativo, que lhes confira credibilidade, através de um adequado controlo e fiscalização da sua actividade. Claro que, obviamente, esta vertente também é perfeitamente antagónica aos objectivos estratégicos da Austrália, que quer ter os seus serviços secretos sempre muito activos, mas não aceita que os outros países da região necessitem de obter informação de carácter estratégico.

Alfredo Ximenes

Dos Leitores

Comentário na sua mensagem "Estratégia de defesa deverá ser orientada para o m...":

COMENTÁRIO AO ARTIGO DO AUSTRALIAN NEWS (08JUN07)
“Plano de Defesa Irrealista” – “Plano Secreto de Mísseis”

Introdução

O presente comentário é referido ao artigo publicado em 08JUN07 pela edição electrónica do jornal “The Australian” com o título “Secret Missile Plan for East Timor” e que no vosso Blog aparece sob o titulo “East Timor Military Blueprint Unrealistic: Downer”.

Sei que o Blog “Timor Online” é de reconhecida isenção na forma como relatam as noticias e no entendimento do que deve ser um órgão de comunicação social, cujo principal objectivo é informar (transmitir o que se passa e não o que se houve dizer), o que não significa abdicarem da linha editorial assumida.

Sou um timorense naturalizado australiano, que vive há alguns anos em Camberra. Felizmente tenho uma boa rede de amigos em diversos sectores da sociedade timorense, portuguesa e australiana e, por isso, tenho acompanhado muito de perto a crise que se vive em Timor-Leste

Depois do artigo que li não resisti a fazer o meu comentário, que poderá não ser aprovado pelo autor do Blog correndo o risco de não vir a ser publicado. No entanto, foi a forma que encontrei de tentar dar o meu contributo para o esclarecimento da opinião pública timorense e internacional. Sei que o comentário é um pouco extenso, por isso o divido em três partes: análise do artigo, o modelo de Forças Armadas para Timor-Leste e a relação entre a estratégia australiana e a crise politico-militar que se instalou em Timor-Leste. Depois da Parte III tenciono apresentar uma compilação das referências públicas de Xanana Gusmão e do actual Presidente da República (Ramos Horta).

PARTE I

Análise do artigo

Alguns media australianos não passam de “caixas de ressonância”, fazendo a ampliação dos interesses estratégicos do seu governo, através de ligações perigosas a elementos dos serviços secretos, que dessa forma vão fazendo autênticas campanhas de contra-informação ou desinformação orientada. Desde o início da crise politico-militar que essas campanhas visam desacreditar o governo timorense e o Estado de direito procurando fragilizar as instituições, através da utilização de argumentos falaciosos com objectivos e intenções de carácter duvidoso.

É dentro dos parâmetros mencionados que se enquadra o artigo de Mark Dodd publicado no “The Australian”, em que as afirmações do jornalista e os comentários do Ministro dos Negócios Estrangeiros (Alexander Downer) procuram confundir a opinião pública fazendo afirmações que não conseguem provar, pois como o Plano “Força 2020” não terá sido divulgado publicamente, entram em puras especulações, que não podem nem devem ser confundidas ou justificadas com a liberdade de imprensa.

Como é possível aquele jornal ter tido acesso a um documento do governo timorense, de carácter estratégico, se no próprio artigo refere que teve distribuição restrita? Ou estão a fazer “bluff” ou de facto, conseguiram obter o documento, através da tal promiscuidade com os serviços secretos o que não deixa de ser grave e preocupante, mas de certa forma normal em Timor-Leste (quem estiver interessado poderá analisar com mais detalhe as ligações daquele jornalista e dos proprietários do Jornal com os meios politico-militares australianos). Fui informado que o Plano foi distribuído aos Embaixadores acreditados em Timor-Leste. Esta situação deveria exigir uma intervenção enérgica dos políticos timorenses ao mais alto nível o que, estranhamente, não aconteceu e por isso vão perdendo credibilidade também ao nível internacional. No entanto, basta ter presente o que tem sido referido pelo actual Primeiro-Ministro e Presidente da República de Timor-Leste, nas suas intervenções a diversos níveis, que consideram como uma das prioridades a reforma do sector da segurança, que também é apoiada pela ONU e outros países no âmbito bilateral.

Já agora se tiveram acesso ao tal Plano seria importante lerem com atenção o Prefácio escrito pelo Dr. Ramos Horta que, de acordo com fontes do governo, considera o Plano “Força 2020” “um trabalho louvável e contributo imprescindível para o levantamento das necessidades das Forças Armadas timorenses, apontando os desafios que se lhes colocam nos tempos modernos”; Para além disso, refere expressamente que o “notável documento sobre o desenvolvimento das Forças Armadas, identifica exactamente os mesmos desafios” considerados pelo actual Presidente da República como fundamentais para que toda a sociedade timorense se empenhe na consolidação das F-FDTL como vector importante do desenvolvimento do país. Assim, talvez o Chefe de Estado possa explicar ao governo australiano que já chega de interferências e ingerências nos assuntos internos do país, pois ele próprio considera “imperativo tomar as medidas adequadas para a modernização das F-FDTL” como também terá sido escrito no referido Prefácio.

A Austrália teve oportunidade de interferir e apoiar o desenvolvimento do sector da segurança no âmbito multilateral (ONU) e bilateral; No entanto, não foi por falta de especialistas militares, altamente qualificados, que não concretizou o apoio efectivo, mas sim porque os seus objectivos estratégicos passavam por impedir a existência de Forças com credibilidade para assim poderem interferir nos processos de decisão e na soberania nacional. A ONU também falhou, como já foi assumido ao nível internacional, porque não é uma organização imparcial como seria suposto, uma vez que depende dos financiamentos de países como os EUA e Austrália e, por isso, está manietada pelos objectivos estratégicos daqueles países.

Acima de tudo interessava a fragilidade das Forças de Segurança, especialmente das F-FDTL, aproveitando esse facto para criar a instabilidade política, militar e sócio-económica, que levou à grave crise politico-militar como se vai demonstrar neste comentário.

Não deixa de ser curioso e estranha a preocupação manifestada pelo governo australiano em relação à pobreza. Pode ser considerada, no mínimo, de carácter duvidoso, pois devia corresponder a uma verdadeira solidariedade para com o povo timorense, o que até à data não aconteceu, se tivermos em conta a sua atitude e comportamento no âmbito da discussão da fronteira marítima e em relação à exploração dos recursos do Mar de Timor, que prejudicam claramente os interesses dos timorenses. Já agora não deixa de ser pertinente colocar a seguinte questão: onde esteve a solidariedade do governo da Austrália durante 24 anos de ocupação Indonésia e grande sofrimento do povo Maubere?

Neste contexto, importa ressalvar a solidariedade do povo australiano, que não pode nem deve ser confundida com as posições do seu governo, no âmbito da politica externa, que têm vindo a contribuir para o declínio da sua reputação internacional e consequente redução da influência regional. Enfim, a hipocrisia politica acabará por afectar, irremediavelmente, a credibilidade do governo australiano que não tem olhado a meios para atingir os seus fins e que, por certo, acabará por ser penalizada pela opinião pública australiana e organizações internacionais.

O Plano “Força 2020”

Tendo em conta fontes seguras ligadas ao governo timorense talvez seja importante referir os seguintes aspectos relacionados com o Plano “Força 2020”, que foram omitidos no artigo:
- O estudo que esteve na origem da formação das F-FDTL (designado “Kings College”) foi elaborado com intervenção directa dos australianos, ingleses e americanos e revelou-se perfeitamente desajustado aos interesses timorenses, não permitindo a consolidação e desenvolvimento harmonioso, equilibrado e sustentado das F-FDTL como facilmente se pode constatar após 5 anos da sua criação (os factos falam por si). Os problemas da Instituição têm origem na sua criação e na falta de apoio financeiro e de assessores por parte da ONU, influenciada pelo governo australiano, que pressionou a comunidade internacional, no sentido de não existirem Forças Armadas em Timor-Leste mas apenas uma Força Policial (a PNTL teve apoio de milhões de USD e cerca de 160 assessores);

- O Plano “Força 2020” foi elaborado por um grupo multinacional onde também estiveram incluídos militares australianos que, portanto, não foram excluídos ou impedidos de dar o seu contributo como refere o artigo;

- Não está previsto nenhum programa de aquisição de helicópteros armados ou mísseis, apenas a longo prazo poderá vir a ser constituído um grupo de helicópteros ligeiros vocacionados para as missões de interesse público, nomeadamente carácter humanitário (evacuação) e no âmbito da Busca e Salvamento;

- O vector Mar surge como a grande prioridade do país e, consequentemente, da estratégia da Segurança e Defesa Nacional o que implica o desenvolvimento da Componente Naval das F-FDTL; Neste âmbito estará de facto previsto a constituição de uma Força Naval ligeira para patrulhamento e fiscalização das águas territoriais e Zona Exclusiva Económica, onde se encontram os importantes recursos para a sobrevivência e desenvolvimento sustentado de Timor-Leste. Será que o país não tem direito a fiscalizar as suas águas territoriais como acontece com a maioria de outros países da região, nomeadamente a Austrália e Indonésia (o governo australiano pretendia que fossem os seus navios a patrulhar e fiscalizar as águas timorenses como está expresso no estudo “Kings College”, ou seja uma transferência da soberania que, pelos vistos, não preocupa muitos responsáveis políticos;

- A reorganização das unidades de Infantaria será concretizada, tendo em vista a imperiosa necessidade de as Forças Armadas se articularem em unidades de escalão mais reduzido, que permitam a sua implementação em todo o território nacional, com maior operacionalidade e capacidade de resposta, aproximando os militares das populações e da PNTL obtendo, assim, uma confiança acrescida dos timorenses. As unidades terão de ser mais vocacionadas para as acções de cooperação civil-militar e empenhamento no âmbito das operações humanitárias e de apoio à paz;

- O reajustamento do conceito de Reserva através de uma melhor integração dos veteranos será também uma das prioridades;

- A formação e gestão dos Recursos Humanos, sendo uma área crítica, são consideradas como a principal prioridade para o desenvolvimento da Defesa Militar, pelo que será analisada com especial atenção e considerada como dos principais investimentos na Estratégia de Defesa Nacional.

São estes factores que, de facto, preocupam o governo australiano e levam a considerar o Plano “Força 2020” irrealista, desenvolvendo uma campanha delineada por especialistas em contra-informação e devidamente articulada com a imprensa, no sentido de promover a descredibilização daquele Plano e desacreditar o governo que o tenciona implementar. Este tipo de intervenção não deve constituir surpresa, pois está em perfeita sintonia com a estratégia australiana estabelecida para a região, que irei abordar na Parte III deste comentário.

Alfredo Ximenes

Timor-Leste: Amnistia polémica "beneficia criminosos", mas espera promulgação

Expresso, sábado, 16 JUN 07

Díli, 16 Jun (Lusa) - A Lei de Verdade e Clemência, que espera promulgação pelo Presidente da República, foi feita "para proteger e beneficiar" os envolvidos nos conflitos entre Abril de 2006 e 2007, acusou uma organização que acompanha o sistema de justiça timorense.

"É uma lei feita para salvar interesses políticos", acusou o director do Programa de Monitorização do Sistema Judicial (JSMP), Timotio de Deus, em declarações à Lusa.

"Deviam aprovar uma lei permanente e não temporária. A lei agora aprovada está contra a Constituição da República porque, em primeiro lugar, aplica o princípio da retroactividade", afirmou Timotio de Deus.

Os termos da lei violam o princípio consignado no artigo 1º do código penal aplicável em Timor-Leste, acrescentou Timotio de Deus.

"Primeiro, cria-se lei para punir uma acção e não o contrário", explicou o director do JSMP, "não podemos aplicar uma lei retroactivamente".

Timotio de Deus considera que a lei é "discriminatória", porque se aplica apenas aos crimes cometidos entre 20 de Abril de 2006 e 30 de Abril de 2007, "não um dia antes nem um dia depois", mesmo se a natureza do crime for a mesma.

"Além disso, a lei adopta o princípio do dolo eventual, e não do dolo directo, o que beneficia os autores principais dos crimes, os líderes que não actuam no terreno, porque os condenados por dolo directo não serão abrangidos", explicou o director do JSMP.

"Esta lei aplica-se aos acontecimentos da crise de 2006, o que quer dizer que, no futuro, quando houver acontecimentos semelhantes, vão criar de novo uma amnistia", acusou.

Sobre o caso do ex-ministro do Interior, Rogério Lobato, condenado a sete anos e meio de prisão por crimes relacionados com a crise política e militar de 2006, Timotio de Deus explicou que este "não é abrangido pela amnistia mas pode beneficiar de um perdão presidencial", também regulado na lei aprovada pelo Parlamento.

Entrevistado pela Lusa na altura da primeira discussão da lei pelo Parlamento, em Março, o ex-primeiro-ministro, Mari Alkatiri, declarou que "não se pode permitir que com a vontade de encontrar justiça se encontrem só bodes expiatórios, para dizer que já fizemos justiça".

"O sistema de justiça tem procurado fazer o seu melhor, tem as suas fragilidades, tem as suas insuficiências em termos humanos e o resto, mas as estruturas políticas é que devem conhecer melhor a conjuntura e a necessidade de contribuir politicamente para trazer de novo a paz e estabilidade para o país", afirmou o secretário-geral da FRETILIN, justificando a lei de amnistia.

O director do JSMP critica outro ponto polémico da lei, relacionado com os crimes sexuais, acusando o texto aprovado de "permitir a prática de mais crimes de violação e assalto sexual contra as mulheres".

A Lei da Verdade e Clemência só exclui da amnistia "as pessoas que cometeram violação contra raparigas com menos de 14 anos", nota Timotio de Deus.

Outras organizações também já se pronunciaram contra a nova lei, manifestando preocupação pelas consequências da sua aplicação.

"Depois de seis meses de debate interno e reduzida consulta pública, o Parlamento de Timor-Leste aprovou uma Lei de Verdade e Clemência" que "é má por muitas razões", declarou esta semana a organização não-governamental La'o Hamutuk, que se dedica à monitorização e análise da reconstrução de Timor-Leste.

"Encorajamos toda a gente com idênticas preocupações a comunicá-las ao Presidente", adiantou um dos responsáveis da organização em Díli, Charles Scheiner, que, tal como o JSMP, apela a José Ramos-Horta para não promulgar a lei.

A organização recordou que a Lei da Verdade e Clemência foi aprovada em Março pelo Parlamento, mas que as críticas de diferentes sectores da sociedade timorense determinaram alterações na sua redacção.

A La'o Hamutuk considera, no entanto, que os problemas de fundo não foram resolvidos no novo enunciado e chama a atenção para diversos erros e contradições no texto do documento agora aprovado.

No preâmbulo da lei, regista-se o ano de 2006 como um retrocesso na consolidação da independência e refere-se a necessidade de "insistir na justiça para procurar a verdade para educar os timorenses a respeitar a Constituição e as leis".

"Na África do Sul, em que o 'apartheid' foi declarado crime contra a humanidade, optaram pela forma de clemência e amnistia para estabilizar o país", argumentou Mari Alkatiri nas declarações à Lusa sobre a lei timorense.

"Moçambique, que também teve uma guerra terrível, optou por um acordo em que o Parlamento aprovou uma lei de amnistia para que a Renamo pudesse aparecer como partido político legal", prosseguiu.

"Angola enveredou por outro caminho, o da guerra pela guerra, mas mesmo assim houve amnistia daqueles que se desvinculavam gradualmente da UNITA", disse.

"Vamos à procura da verdade e a História depois que julgue as verdades. Esta crise de 2006 para cá foi conjuntural", insistiu Mari Alkatiri, enunciando os argumentos da FRETILIN em favor da nova lei.

"Se alguém matou o outro, numa situação normal não o teria morto. Se não tivesse havido crise, este crime teria acontecido? Tudo isso é que tem que ser ponderado", defendeu.

"Dia 24 de Abril de 2006, os peticionários e seus simpatizantes reuniram-se em Carantina, Taci Tolu", periferia oeste de Díli, "a fim de marcharem sob escolta da polícia rumo ao Palácio do Governo", recorda o texto do relatório da Comissão Especial Independente de Inquérito aos acontecimentos de há um ano.

Foi o início da crise, cenário e pretexto dos crimes analisados pela lei agora aprovada.

PRM

Traduções

Todas as traduções de inglês para português (e também de francês para português) são feitas pela Margarida, que conhecemos recentemente, mas que desde sempre nos ajuda.

Obrigado pela solidariedade, Margarida!

Mensagem inicial - 16 de Maio de 2006

"Apesar de frágil, Timor-Leste é uma jovem democracia em que acreditamos. É o país que escolhemos para viver e trabalhar. Desde dia 28 de Abril muito se tem dito sobre a situação em Timor-Leste. Boatos, rumores, alertas, declarações de países estrangeiros, inocentes ou não, têm servido para transmitir um clima de conflito e insegurança que não corresponde ao que vivemos. Vamos tentar transmitir o que se passa aqui. Não o que ouvimos dizer... "
 

Malai Azul. Lives in East Timor/Dili, speaks Portuguese and English.
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