terça-feira, fevereiro 27, 2007

Chefe força internacional diz que única opção de Reinado é rendição

Díli, 27 Fev (Lusa) - O comandante das Forças de Estabilização Internacionais estacionadas em Timor-Leste, brigadeiro Mal Rerden, disse hoje à Lusa que a rendição é a única opção que resta ao major rebelde timorense Alfredo Reinado.

"Só lhe resta a rendição", disse Rerden, numa entrevista na capital timorense, à mesma hora que tropas australianas montavam o cerco a um grupo de seguidores de Reinado, entre os quais estará o próprio oficial rebelde, na cidade de Same, no sul do país.

Na entrevista, o brigadeiro australiano recusou fornecer pormenores operacionais e mostrou compreensão pela atitude do governo timorense perante a crise.

O assalto às três esquadras policiais em Timor-leste, no último fim-de-semana, pelos amotinados foi "o primeiro ataque contra alvos do Estado feito pelo major Reinado", disse Rerden para acrescentar que entende "a cautela e a paciência com que o governo timorense lidou com esta crise".

"É preciso construir a confiança das pessoas, para as eleições, até porque há pessoas em Timor-Leste que têm fé na violência", defendeu o comandante das Forças de Estabilização Internacionais, afirmando haver um "compromisso muito grande" do governo de Camberra com o novo país.

PRM/LAS Lusa/Fim

Deputado independente assegura que Reinado não se entrega

TSF – 27 de Fevereiro 07

O deputado independente timorense Leandro Isaac garantiu que o major Alfredo Reinado não se vai entregar às forças australianas. Xanana Gusmão autorizou na segunda-feira uma operação de captura ao major rebelde, acção que está a ser levada a cabo pelos australianos.

O deputado independente timorense Leandro Isaac assegura que o major Alfredo Reinado, que se encontra entrincheirado no antigo posto do administrador português, em Same, no Interior Sul do país, não se vai render às forças australianas.

Ouvido pela TSF, o parlamentar, que está a acompanhar o major revoltoso, afirmou que o povo está com Alfredo Reinado, uma razão que justifica o facto de o major não estar na disposição de se entregar às forças que estão envolvida na operação de captura deste militar, acção autorizada na segunda-feira pelo presidente Xanana Gusmão.

«O povo é a primeira resistência que está à frente do major Alfredo. Ele vai resistir até à última e tem armas e outros meios tradicionais que o povo lhe dá. Com todos estes meios vamos responder ao gigante australiano», explicou o parlamentar.

Leandro Isaac considerou que tudo é possível em relação à possibilidade de poderem vir a existir confrontos e que esta situação poderá eventualmente resultar numa situação de guerra civil.

Esta terça-feira, cinco professores portugueses que se encontravam em Same saíram da zona sem problemas na companhia de elementos da Polícia da ONU, após terem recebido ordens para abandonar o local.

Em declarações à agência Lusa, este deputado explicou que Alfredo Isaac está acompanhado de «muitos peticionários», declarações feitas num dia em que cerca de 150 habitantes de Same desfilaram pela rua principal da cidade, gritando palavras de apoio ao major revoltoso.

As forças australianas que integram as Forças de Estabilização Internacionais montaram um cordão de segurança em volta de Same, não podendo ninguém entrar ou sair da cidade, a não ser com a autorização do governo timorense.

Na segunda-feira, Xanana Gusmão tinha afirmado que Alfredo Reinado, que se evadiu de cadeia de Becora em finais de Agosto, «tinha passado dos limites», após ter «feito a estupidez» de assaltar três postos da Polícia de Fronteira, no distrito de Maliana, no domingo.

Estes assaltos renderam ao grupo liderado por Alfredo Reinado, militar que é acusado de «tentativa de revolução para derrubar o Estado» e de posse de armas de guerra, 25 armas e vários uniformes.

Transcrição da entrevista telefónica da TSF a Leandro Isaac:

Leandro Issac: Terá mesmo de resistir porque o Povo está com ele. E o Povo é a primeira resistência que está à frente do major Alfredo. Portanto, ele vai resistir até ao último, até ao último.

TSF: Tem armas para isso? Tem meios?

LI: Tem, claro. Tem meios, tem armas, tem algumas armas. E tem outros meios adicionais [palavra pouco perceptível. Poderá ser: tradicionais] que é o Povo que lhe dá, lhe oferece. E, pronto, com todos esses meios nós vamos responder ao gigante australiano.

TSF: Acha provável que possam ocorrer confrontos brevemente?

LI: Tudo é possível, tudo é possível, dentro de minutos ou de horas. Tudo é possível.

TSF: Portanto, o major Reinado não se vai entregar.

LI: Não. Nunca. Impossível isto. Impossível porque o Povo não vai deixar.

TSF: Que consequências pode ter na sua opinião?

LI: Guerra Civil. Guerra Civil.

NOTA DE RODAPÉ:

O que a TSF se esqueceu de dizer, ou não sabe, é que o deputado "independente" foi constituído arguido, para responder sobre o seu envolvimento ao ataque armado a casa do General Matan Ruak no dia 24 de Maio do ano passado, em plena crise. Deixou-se filmar nesse dia exibindo armas de guerra, perto da casa do General Matan Ruak, onde se encontravam os filhos deste último sozinhos com uma empregada.

Em relação aos 150 "apoiantes" de Reinado que se manifestaram hoje a seu favor em Díli, basta recordar os milhares de manifestantes no comício da FRETILIN em Same no passado dia 10 de Fevereiro... o tal povo que Leandro Isaac reclama apoiar Reinado.

(ver mais fotografias)

Alfredo Reinado disposto a morrer mas não se rende - Leandro Isaac (ACTUALIZADA)

Macau, China, 27 Fev (Lusa) - O major timorense Alfredo Reinado está ce rcado e "disposto a morrer" mas "não se vai render" disse hoje à Agência Lusa o deputado independente Leandro Isaac que se encontra em Same, no interior sul de Timor-leste.

"Estamos todos cercados, as mulheres e as crianças fugiram para o mato e o major Alfredo está a organizar a vigilância e defesa de Same, mas está disposto a morrer e não se vai render", disse Leandro Isaac, contactado telefonicamente a partir de Macau.

O deputado, que garante que Alfredo Reinado "tem o apoio do povo de Sam e" reforçou a ideia da determinação de luta do major rebelde sublinhando que "rendição é uma palavra que não existe no vocabulário de Alfredo Reinado".

"Render-se nunca!", afirmou, ao salientar que Alfredo Reinado "tem um compromisso com o povo de Timor-Leste e que não vai pedir clemência a ninguém a bem da soberania do país".
Leandro Isaac explicou também que a situação em Same "é calma" mas todo s "estão preparados para não dormir" para estarem preparadas para um eventual ataque das forças australianas, que cercaram a cidade.

Sobre a actuação das forças australianas, Leandro Isaac disse estarem a "desrespeitar a Constituição timorense" porque, explicou, "não há nenhuma lei que permita a limitação de movimentos que está a ser imposta".

"Aquilo que os australianos estão a fazer é uma violação da nossa Constituição e não podemos aceitar uma coisa destas", disse, acrescentando que o "povo está preparado para tudo".

O cerco a Alfredo Reinado, que fugiu da cadeia de Becora, em Díli, no final de Agosto do ano passado, e se refugiou nas montanhas de Timor-leste, é o resultado das declarações do Presidente timorense, Xanana Gusmão, que autorizou uma operação para capturar o major rebelde.

A decisão do chefe de Estado timorense surge depois do major e do seu grupo de revoltosos terem assaltado três postos da Polícia de Fronteira no sudoeste do país.

Alfredo Reinado é acusado de "tentativa de revolução para derrubar o Estado" e de posse de armas de guerra.

Já o advogado Luís Mendonça de Freitas, um dos defensores de Alfredo Reinado, contactado pela Lusa em Macau, considerou que a tentativa de captura do major pela força "é um erro" e "terá consequências imprevisíveis".

"Sou contra qualquer solução de força e o caminho para este caso é uma negociação com o major Alfredo Reinado", sustentou.

As declarações do advogado foram feitas antes de ser conhecido que o major Alfredo Reinado se encontra cercado em Same (interior Sul do país) por tropas australianas das Forças de Estabilização Internacionais (ISF).

Mendonça de Freitas, radicado em Macau e também um dos advogados do ex-ministro timorense Rogério Lobato, considera que a "única via para a solução do caso é o diálogo e a tentativa de convencimento de Alfredo Reinado das vantagens de se apresentar e de colaborar com a Justiça".

"Ou o caso de resolve pela via da negociação ou então a alternativa é terrível e imprevisível", alertou o advogado, que garante não ter falado com o major nas últimas semanas.

Mendonça de Freitas sublinhou ainda que qualquer tentativa de força lançada pelas autoridades "não vai ajudar a Justiça de Timor-Leste nem à clarificação dos problemas, inclusive os problemas políticos do país".

JCS/PRM-Lusa/Fim

Reinado attacks aimed at stopping elections

FRENTE REVOLUCIONÁRIA DO TIMOR-LESTE INDEPENDENTE
FRETILIN


Media Release 27 February 2007

Timor-Leste (East Timor) army mutineers led by Major Alfredo Reinado have attacked police stations in order to spread panic and stop elections from going ahead, a spokesperson for Timor-Leste’s governing party Fretilin said today.

Fretilin spokesperson in Sydney Sahe Da Silva said Reinado’s attacks on the police posts appeared to be part of an orchestrated attempt to create an atmosphere of instability and terror, in order to prevent the holding of elections.

“The longer Reinado and his men remain free, the more instability and fear they will create,” Mr Da Silva said.

“With Reinado roaming around the countryside creating havoc, some opponents of Fretilin will seize on this as an excuse to argue that elections should be postponed.

“Our opponents are worried that we still command majority support in the countryside, as shown by a series of highly successful election rallies in several districts over the last few weeks.”

The presidential election is due on April 9 and parliamentary elections around mid-year.
Mr Da Silva said it is critical that United Nations and Australian forces, who have taken responsibility for security in Timor-Leste, provide adequate protection for leaders and activists of Fretilin, particularly in areas west of Dili.

“The lives of Fretilin leaders and activists are now under serious threat from Reinado and his gang,” Mr Da Silva said.

Speaking in Dili today, Fretilin General Secretary Mari Alkatiri called for the immediate recapture of Reinado and welcomed President Xanana Gusmao’s televised statement last night also calling on the Australian military to arrest Reinado.

“This decision to push for Reinado’s recapture should have been taken a long time ago, but at least it has finally been taken,” Dr Alkatiri said.

Dr Alkatiri said Reinado’s arrest would not only improve the security situation but also help to reveal the true causes of the crisis in Timor-Leste and identify the people behind the crisis.
Reinado and his heavily armed group attacked two police stations and stole more than 25 weapons in the western districts of Timor-Leste on Sunday 25 February.

Mr Da Silva, a Sydney-based lawyer, said his sources in Dili report the Reinado group’s attack on the police station at Tunubibi in the Maliana district was launched at midday and involved between 8-9 men, whilst the attack on the police station at Salele in Cova Lima district took place in the evening and involved up to 18 men.

“Despite the presence of more than 1000 UN police and approximately 800 Australian and other military personnel in Timor-Leste, Reinado was allowed to escape from his cantonment area in Ermera where Australian forces were supposed to have set up road blocks to control his movements,” Mr Da Silva said.

“This is the second time in six months that the Australian-trained Reinado has been allowed to escape from under the noses of Australian troops.”

Reinado is a former military police chief who spent several years in Australia and trained at the Australian Defence Academy in Canberra in 2005.

He is wanted for murder after leading an attack on troops loyal to the government in which several people were killed and injured on May 23 last year. This attack led to further violence which resulted in the dispatch of Australian troops to Timor-Leste and the overthrow of then Prime Minister Alkatiri.

Reinado was arrested on July 27 last year after Portuguese police discovered he and his men were occupying houses across the street from Australian military headquarters in Dili.
“Reinado led a mass breakout from prison in Dili last August but despite his fugitive status he has been in close and friendly contact with Australian troops ever since,” Mr Da Silva said.


He pointed out that Reinado was even photographed with a rocket launcher of the same type as those stolen from the Australian Army.

“As some Australian newspaper reports indicated, the photograph was taken last November, about the time Reinado attended a seminar in the presence of Australian troops.

“This charade has gone on for too long, and Reinado must now be recaptured and brought to trial,” Mr Da Silva said.

O favorito... da imprensa australiana.

Ramos-Horta viewed as favourite for ETimor's presidential poll
Nelson Da Cruz

Dili, February 26 (AFP) - East Timor's Prime Minister Jose Ramos-Horta, a Nobel laureate popular at home and feted abroad, was seen Monday as favourite to win the country's April presidential poll after declaring his candidacy.

Many East Timorese think none of the other candidates in the poll can rival Ramos-Horta's domestic standing or international stature.

He chose to make his announcement Sunday in Laga, a very poor region in the east, rather than the capital, Dili, in line with his populist approach.

Antonio Ximenes, a legislator for the Christian Democrat Union Party, said Ramos-Horta's role in East Timor's struggle for freedom, and his international profile, gave him an edge over rivals.

"All candidates have a chance to win, but Ramos-Horta has his advantage as a Nobel Peace Prize winner and as a figure of the national struggle for 24 years. He is also well known internationally," Ximenes said.

He added that he personally wanted the prime minister to become president.

The premier shared the 1996 Nobel Peace Prize with Carlos Felipe Ximenes Belo for their efforts to bring peace to impoverished East Timor.

Neighbouring Indonesia had occupied the country from 1975 to 1999 and was accused of causing conflict through oppression.

The 57-year-old Ramos-Horta, who for years was the exiled spokesman of the East Timorese resistance movement, is an elegant polyglot who typically sports a five o'clock shadow and wears bow ties.

The former journalist spent 24 years in exile, including a decade in New York where he discovered a passion for cinema and traditional jazz but also became familiar with the workings of the United Nations.

He returned home after East Timor gained independence.

He said during his candidacy announcement that he had dedicated his whole life to East Timor, or Timor-Leste, as it is officially known.

"The Timorese people and the international community know me and I know well my well-loved land, from one end to the other," he said.

The ruling party, Fretilin, said last week that its candidate would be the speaker of parliament, Fransico Guterres Lu-Olo, but even Fretilin MP Faustino da Costa conceded Ramos-Horta could win. (Lu'Olo, o candidato da FRETILIN que anunciou a sua candidatura ANTES de Ramos-Horta)

Ramos-Horta is a founding member of Fretilin but left in 1988.

Mariano Soares, an unemployed youth in Dili, said the Nobel laureate was a strong candidate. "Compared to the others Ramos-Horta is certainly superior. He is a public figure, an international figure, a democrat who has the spirit of development in him," Soares said.

Ramos-Horta's candidacy has been backed by the United Democratic National Struggle for Timor-Leste, a small party led by Cornelio Gama, who is a former commander of Fretilin's armed wing.

The premier himself appeared confident Sunday, but insisted he had never looked for positions of power. "Lately I have been asked from all levels of society to present myself as a candidate for the upcoming presidential elections," he said in his speech.

Last year Ramos-Horta became prime minister, replacing Mari Alkatiri, who resigned in June 2006 after mounting public pressure in the wake of widespread unrest in the country in April and May.

He said he took the role only because East Timor was "in a crisis and our institutions were on the way to disintegration and our people were suffering."

Ramos-Horta did not elaborate on his campaign platform but said a president must be a mediator encouraging dialogue and harmony.

East Timor's incumbent president, Xanana Gusmao, remains popular but has decided not to stand again to spend more time with his family and give others the chance to become president.

Other candidates for the April 9 poll so far include Kota party legislator Manuael Tilman and lawyer Lucia Lobato for the Socialist Democrat Party.

Francisco Xavier do Amaral, from the Timorese Social-Democrat Association, and Avelino Coelho, for the Socialist Party of Timor, have also said they will stand.

Dos leitores - Tradução da Margarida

Comentário sobre a sua postagem "E Timor gives Aust forces go-ahead for rebel manhu...":

Vamos esperar para ver o que sai disto. Provavelmente é uma outra sessão de conversa dura a que se segue nada. As eleições estão perto e o PR precisava de mostrar um bocadito de força e que não tem nada com Alfredo (sim, de certeza!).Na próxima semana irão apelar a negociações com "Alfredo".

Alfredo Reinado disposto a morrer mas não se rende

Diário Digital/Lusa 27-02-2007 12:30:32

O major Alfredo Reinado está cercado e «disposto a morrer» mas «não se vai render» disse hoje à agência Lusa o deputado independente Leandro Isaac que se encontra em Same, no interior sul de Timor-leste. «Estamos todos cercados, as mulheres e as crianças fugiram para o mato e o major Alfredo está a organizar a vigilância e defesa de Same mas está disposto a morrer e não se vai render», disse Leandro Isaac, contactado telefonicamente a partir de Macau.

O deputado, que garante que Alfredo Reinado «tem o apoio do povo de Same» reforçou a ideia da determinação de luta do major Rebelde sublinhando que «rendição é uma palavra que não existe no vocabulário de Alfredo Reinado».

NOTA DE RODAPÉ:

A população de Same NÃO está com Alfredo Reinado. Existem populares atrás da posição dos militares australianos que querem controlar que ninguém sai ou entra na vila.

Miséria Nacional

JORNAL NACIONAL SEMANÁRIO
http://www.semanario.tp/administracao.htm
João Porventura

Basta ler “O Príncipe”, essa obra maior de Maquiavel, para se saber como se reina na anarquia sem que os reinados percebam!

É uma miséria nacional aquilo a que se assiste em Díli. A grande ofensiva australiana está em marcha e parece ter vindo para ficar. A violência subiu de tom. Qual a razão de tamanho desespero? Porquê, para justificar a saída às ruas de Díli dos mais vergonhosos esforços do país vizinho, a Austrália? Sempre que se chegam à frente é para provocarem piores situações do que as resolverem. Estamos bem recordados da pressa tida para entrarem no nosso país apoiados por uma carta “verde” assinada pelo antigo ministro dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, para dominarem a segurança e no país e eles assim se mantém sem estarem sob a “batuta” das Nações Unidas. A Austrália está em Timor-Leste a assumir um reinado de desgraça. E a forma, basta ler “O Príncipe”, essa obra maior de Maquiavel, para se saber como se reina na anarquia sem que os reinados percebam! Não defendemos a expulsão de tropas estrangeiras amigas, defendemos sim a retirada imediata dos soldados australianos e seus chefes cujo exército se tem mostrado inoperante, ineficiente por negligência e absoluta coincidência com o escalar da violência. O exército australiano parece ser, em definitivo – até basta ler a imprensa australiana-, um motor contra a FRETILIN, contra um partido político cuja legitimidade nacional é indesmentível.

Os australianos mataram mais um timorense. Desde que entraram muitos mais morreram pela notória e afirmada falta de vontade dos australianos em verdadeiramente ajudarem os timorenses nesta crise. Quem legitima a morte a tiro dentro de uma tenda de um nacional do nosso país? A pergunta que fica é que respostas e justificações nos dão para esta morte? Será a filosofia da “perfídia”? Ser duro, aniquilar todos para protegermos o nosso poder exterminando os que podem representar poder ao poder? Saberão os australianos e os seus amigos cá dentro que a única coisa que não se vence numa guerra é a dignidade humana assente em convicções profundas? Acharão os australianos que matando mais um dos nossos que mostram o poder do gigante vizinho? Timor jamais se curvará aos ocupantes tenham eles ou não cartas de autorização sejam elas de que forem. A hora é de unir o país e dizer basta em definitivo. Aqueles que desejam o poder do país têm de se sujeitar à sabedoria popular em escrutínio geral e secreto. A inviabialização das eleições é o que mais agrada a quem nos quer ocupar e que já para cá foi trazido. Este cenário que aqui se vive está em qualquer livro que relata ou exemplifica estratégias de ocupação de um país. O nosso tem o azar de ter muitos maus filhos cujo sentido de Pátria e de povo ficou longe nas sequelas de 24 anos de jogos de poder e de sedução.

A vida de um Povo não se pode dedicar ao protagonismo dos seus líderes fora do trilho do bem servir.

Esta morte no aeroporto não tem desculpa e não é justificável! Os militares australianos devem sair de Timor-Leste. Falharam no objectivo declarado internacionalmente, mas não estarão a falhar no cumprimento da agenda que para cá os trouxe. Por muito que tentem vender outra verdade esta é aquela que eles deixam nas ruas da nossa capital.

Timor-Leste perdeu a soberania e a independência, perdeu inclusivamente a razão. Reparem como surge a violência nos pontos de distribuição e de venda de arroz. Estamos recordados da intervenção da Igreja Católica sobre a matéria através do Padre Domingos Soares? Afinal o que se passa aqui? Vamos continuar a fazer de conta que nada passa? Que é tudo inocente e natural? No Vaticano ninguém diz nada? Onde estão os Bispos cá da terra? Concordantes, com a crescente instabilidade nacional? Tipo: não interessa de onde vem? Os Padres têm sempre razão? Não é papel da Igreja ser um moderador neutral em nome da Paz? Ou estamos de volta à Igreja do Papa Alexandre?

Estamos a escrever a vergonha nacional a cada dia que passa. As gerações vindouras estão a ser ameaçadas na sua existência. Maldito petróleo, maldito Mar de Timor! E que azar ter vizinhos expansionistas mais interessados na subjugação do que no desenvolvimento sustentado no respeito entre os povos.

Estamos já no abismo, diria estarmos quase no ponto de não retorno. Maquiavel esse visionista das realidades políticas concretas. Não se evita o conflito maior provocando conflitos mais pequenos, o grande acabará sempre por provir e vingar.

Perdemos um rumo que nos levava pela rotatividade democrática a outros modelos de gestão nacional que surgiriam da prática da democracia. Mas não, o assalto ao poder nacional, iniciado em Abril de 2006 parece não estar ainda terminado. Lamentamos que assim seja pois as bases da confiança internacional, caíram por terra e o nosso país hoje só já interessa a alguns falantes de língua inglesa que estão “com a mão no mel” – alguns destes até falam uma das duas língua oficiais.

Violência

A forma como nos utlimos dias tem vindo a aumentar o clima e ambiente de violência na capital faz-nos pensar uma vez mais sobre o papel de quem veio para Timor-Leste supostamente para garantir a ordem e estabilidade nacional. Mas não. Está tudo ao contrário. Resta saber até quando o Povo vai aguentar com as provocações da Austrália por terras nossas. Disseram-me um dia na Austrália que este país não quer democracias sólidas à sua volta. A Austrália só pode reinar na Oceania se tiver uma cintura de protectorados. Papua Nova Guiné, as Fiji, as ilhas Salomão, não interessam organizados aos australianos. Mas Timor-Leste também não. Sobretudo, se a ordem política for a que eles mesmo ajudaram a combater em 1975: a FRETILIN. A Austrália tem um ódio de estimação à FRETILIN. Cá dentro temos políticos fundadores da FRETILIN que parece odiarem a FRETILIN. Então como fica esta história de ódios? Parece-nos muito simples. Um ódio pelo poder que representa na região. Malfadado país.

Presidenciais

Estamos em acreditar que a candidatura de Ramos-Horta conta que Lúcia Lobato, Manuel Tilman, José Avelino, entre outros desistam das suas e o apoiem a si mesmo para o Palácio das Cinzas. Parece ser este um cenário com alguma razão, mas não queremos acreditar que o PST apoie Ramos-Horta hoje ou amanhã – tem convicções políticas de qualidade raras por cá.

Lúcia Lobato

É forte e tem o apoio do histórico Mário Carrascalão que emergerá durante a campanha - se se realizar…*. Mário Carrascalão é respeitado e amado por muita gente que o recorda como um bom irmão. Lúcia vai lucrar com esse capital de simpatia e respeito do seu presidente de Partido. Por outro lado, Lúcia Lobato, jamais dará a José Ramos Horta esse prazer. Aliás, parece que o PSD não é daqueles que têm memória histórica curta daí não perdoar incumprimentos para consigo. Assim lá se vai o apoio ao cidadão Ramos-Horta.

Ramos-Horta, presidente?

Nem tudo são favas contadas. Logo estaríamos a dizer que os outros não prestam. A Ramos Horta há o reconhecimento internacional pois é hábil a mexer-se nos corredores aqui e acolá. Joga com a comunicação social e fez uma boa gestão da sua imagem junto dos media internacionais. Porém, não tem experiência de Povo. Não passou 24 anos de arma na mão a defender a soberania do país cá dentro. Fê-lo lá fora com muitos outros irmãos de luta pela libertação. Teve um papel importante na estratégia lá fora, mas não foi o único, mas era o que mais se metia à frente da câmara de televisão e que mais jantava com os jornalistas – cumpriu bem o seu papel a esse nível. Mas os internacionais seus amigos não votam… quem vota é o Povo e esse decidirá em quem vai votar – se o deixarem exercer esse desígnio maior da democracia. Portanto, hábil como é sabe bem que não será uma luta fácil. Estará na memória de Horta a derrota que um dia Manuel Carrascalão lhe infligiu na Constituinte.

Horta tem o apoio de Xanana Gusmão e dos Bispos. Outra coisa não seria de esperar. Mas, não tem o apoio da FRETILIN, do PSD, da UDT, do PD, da ASDT, do PST, do KOTA, dos Trabalhistas, do Partido Nacionalista entre outros. Como vai Horta recuperar a confiança destes partidos políticos? Parece demasiadamente sozinho nesta corrida…

Lu'olo

Representa a luta armada de 24 anos de morte, dor e acreditar. Representa 24 anos de dedicação ao valor Pátria. Quando alguns só já usavam a palavra Timor para se servirem, num jantar e terem uns Escudos, dólares americanos ou australianos, nos bolsos para gastar…, ali no mato, nas montanhas resistentes do nosso país estavam homens simples movidos pela força da vitória. Pela força de se ser razão. Esta é a mais valia de Lu'olo na corrida às presidenciais. Fá-lo como democrata e não como salvador, fá-lo como patriota. Só tem um problema: pouco jeito para falar para as câmaras.

Major Reinado e peticionários cercados, professores portugueses bem

Díli, 27 Fev (Lusa) - Os cinco professores portugueses que se encontravam em Same, cidade onde o major Reinado e apoiantes estão cercados por tropas australianas, estão bem e saíram da zona sem problemas, disse à Lusa um dos elementos do grupo.

De acordo a com a mesma fonte, os professores portugueses receberam ordem para abandonar a zona, interior sul do país, às 15:00 locais (06:00 em Lisboa), e foram acompanhados pela Polícia das Nações Unidas.

O major Alfredo Reinado está entrincheirado no antigo posto do administrador português, situado numa colina no meio da cidade de Same, segundo habitantes da cidade que também foram obrigados a deixar o local.

Reinado, que está acompanhado por "muitos, muitos, muitos peticionários", segundo o deputado independente Isaac Leandro, está "fortemente armado", de acordo com um dos habitantes.
Cerca das 10:00 locais (01:00 em Lisboa) perto de 150 habitantes de Same desfilaram pela rua principal da cidade, gritando palavras de apoio ao major Alfredo Reinado.

Reinado está cercado em Same (interior Sul do país) por tropas australianas das Forças de Estabilização Internacionais (ISF) O pessoal civil das Nações Unidas foi "aconselhado a não permanecer na área", segundo uma fonte da missão internacional, e os professores portugueses saíram do distrito antes do cerco das ISF.

"Estamos à beira de uma guerra civil", declarou Leandro Isaac a partir de Same, onde "por acaso" se encontra cercado pelas ISF juntamente com Alfredo Reinado e, disse, "Há dez minutos, um oficial de ligação australiano deu um ultimato ao major Alfredo para se render", acrescentou Leandro Isaac durante o curto contacto telefónico com a Lusa, pouco depois das 15:00 locais (06:00 em Lisboa).

As ISF montaram um cordão de segurança em redor de Same e "ninguém pode entrar nem sair, a não ser que tenha um «bonna fide» do Governo timorense", explicou à Lusa uma fonte oficial das forças australianas.

Segunda-feira à noite, o Presidente Xanana Gusmão anunciou que autorizara uma operação de captura de Alfredo Reinado, depois de o major fugitivo ter "feito a estupidez" de assaltar três postos de Polícia de Fronteira no domingo.

Os assaltos, no distrito contíguo de Maliana (Sudoeste), renderam a Reinado e ao seu grupo 25 armas e uniformes.

"Reinado passou dos limites", declarou o Presidente da República na sua comunicação ao país.
"Fizemos todo o possível para evitar uma solução militar" para o problema de Alfredo Reinado, explicou o chefe de Estado.

"Fizemos todo o possível para ajudar a resolver o problema através de meios pacíficos", acrescentou o Presidente.

"O Alfredo sempre tentou aproveitar essa situação para manipular", acusou Xanana Gusmão, "e não é consistente com as suas ideias".

Por decisão de todos os órgãos de soberania timorenses, o caso do major Reinado, acusado de posse ilegal de material de guerra e de tentativa de "revolução contra o Estado", estava a ser resolvido por um processo negocial com o procurador-geral da República, Longuinhos Monteiro.

PRM/JPA-Lusa/Fim

Xanana ordena captura do major Alfredo Reinado

DN
27.02.07

Armando Rafael

O Presidente timorense revelou ontem ter autorizado a captura do major Alfredo Reinado, o antigo comandante da Polícia Militar (PM) que ganhou um protagonismo inesperado durante a crise que Timor-Leste viveu em meados do ano passado.

As declarações de Xanana Gusmão foram feitas menos de um dia depois de um grupo liderado por Reinado ter assaltado três postos da polícia junto à fronteira com a Indonésia, apropriando-se das respectivas armas e munições. Por sinal diferentes daquelas a que o ex-comandante da PM está habituado, uma vez que o armamento das forças armadas (F-FDTL) é distinto daquele que é utilizado pela polícia timorense (PNTL).

"Reinado passou dos limites", frisou Xanana, numa declaração em tétum, posteriormente divulgada pela televisão. "Fizemos o possível para evitar uma solução militar", acrescentou o Presidente, sublinhando que Alfredo Reinado aproveitou todos os contactos com as autoridades para as tentar manipular.

Na sua declaração, Xanana adiantou ainda ter autorizado as Forças de Estabilização Internacionais (ISF), compostas essencialmente por australianos, a capturarem Reinado, que há uns meses foi detido em Díli no âmbito de uma operação da GNR para depois ser entregue às forças de Camberra, que terão colaborado depois na sua evasão.

Sem que até ao momento se tenha percebido as razões deste comportamento das forças australianas, cujo comandante chegou a avistar-se com Reinado, quando ele já estava a monte.

O que terá mudado, entretanto, para que Reinado tenha deixado de ser útil, ao ponto de a Indonésia se ter também apressado a fechar a fronteira?

Será que a sua utilidade se esgotou no momento em que o líder da Fretilin, Mari Alkatiri, deixou de ser primeiro-ministro, como Reinado defendia?

Provavelmente, sim. Mas o facto é que a protecção da Austrália e do próprio Xanana só se tornaram visíveis depois da queda de Alkatiri. Ao ponto de o procurador-geral da República , Longuinhos Monteiro, ter tentado ainda há pouco chegar a um acordo com o ex-comandante da PM. Para escândalo de quem só se apercebeu depois. Como o general Taur Matan Ruak, que comanda as F-FDTL, e que terá exigido a sua captura, recusando colaborar na detenção de elementos relacionados com a violência que se sente em Díli.

O que pressupõe que a captura de Reinado pode estar por horas, restando apenas saber se ele será capturado vivo .

Talvez seja verdade. Para o próprio... que não estava à espera?...

Timor: captura de Reinado terá «consequências imprevisíveis»

A tentativa de captura Alfredo Reinado pela força «é um erro» e «terá consequências imprevisíveis» disse hoje à agência Lusa o advogado do major rebelde, Luís Mendonça de Freitas.

«Sou contra qualquer solução de força e o caminho para este caso é uma negociação com o major Alfredo Reinado», sustentou.

As declarações do advogado foram feitas antes de ser conhecido que o major Alfredo Reinado se encontra cercado em Same (interior Sul do país) por tropas australianas das Forças de Estabilização Internacionais (ISF).

O deputado independente Leandro Isaac, que «por acaso» se encontra cercado pelas ISF juntamente com Alfredo Reinado, considerou que se está à beira de uma guerra civil.

O causídico, radicado em Macau e também um dos advogados do ex- ministro Rogério Lobato, é defensor da tese de que a «única via para a solução do caso é o diálogo e a tentativa de convencimento de Alfredo Reinado das vantagens de se apresentar e de colaborar com a Justiça».

«Ou o caso de resolve pela via da negociação ou então a alternativa é terrível e imprevisível», alertou Mendonça de Freitas que garante não ter falado com o major nas últimas semanas.

O advogado sublinhou ainda que qualquer tentativa de força lançada pelas autoridades «não vai ajudar a Justiça de Timor-Leste nem à clarificação dos problemas, inclusive os problemas políticos, do país».

Xanana Gusmão autorizou segunda-feira a realização de uma operação para a captura de Alfredo Reinado, evadido da cadeia de Becora desde finais de Agosto quando cumpria prisão preventiva por alegada posse de armas de guerra.

A decisão do Chefe de Estado timorense surge depois do major e do seu grupo de revoltosos terem assaltado três postos da Polícia de Fronteira no sudoeste do país.

Além da posse de armas de guerra, Alfredo Reinado tem sobre si acusações de «tentativa de revolução para derrubar o Estado».

Diário Digital / Lusa
27-02-2007 7:56:55

Major Reinado e peticionários cercados pelas ISF

Diário Digital / Lusa 27-02-2007 7:55:45

O major Alfredo Reinado está cercado em Same (interior Sul do país) por tropas australianas das Forças de Estabilização Internacionais (ISF), afirmou hoje à Lusa por telefone o deputado independente Leandro Isaac.

O pessoal civil das Nações Unidas foi «aconselhado a não permanecer na área», segundo uma fonte da missão internacional, e os professores portugueses saíram do distrito antes do cerco das ISF.

«Estamos à beira de uma guerra civil», declarou Leandro Isaac a partir de Same, onde «por acaso» se encontra cercado pelas ISF juntamente com Alfredo Reinado e, disse, «muitos, muitos, muitos peticionários».

«Há dez minutos, um oficial de ligação australiano deu um ultimato ao major Alfredo para se render», acrescentou Leandro Isaac durante o curto contacto telefónico com a Lusa, pouco depois das 15:00 locais (06:00 em Lisboa).

As ISF montaram um cordão de segurança em redor de Same e «ninguém pode entrar nem sair, a não ser que tenha um “bonna fide” do Governo timorense», explicou à Lusa uma fonte oficial das forças australianas.

Segunda-feira à noite, o Presidente Xanana Gusmão anunciou que autorizara uma operação de captura de Alfredo Reinado, depois de o major fugitivo ter «feito a estupidez» de assaltar três postos de Polícia de Fronteira no domingo.

Os assaltos, no distrito contíguo de Maliana (Sudoeste), renderam a Reinado e ao seu grupo 25 armas e uniformes.

«Reinado passou dos limites», declarou o Presidente da República na sua comunicação ao país.
«Fizemos todo o possível para evitar uma solução militar» para o problema de Alfredo Reinado, explicou o chefe de Estado.

«Fizemos todo o possível para ajudar a resolver o problema através de meios pacíficos», acrescentou o Presidente.

«O Alfredo sempre tentou aproveitar essa situação para manipular», acusou Xanana Gusmão, «e não é consistente com as suas ideias».

Por decisão de todos os órgãos de soberania timorenses, o caso do major Reinado, acusado de posse ilegal de material de guerra e de tentativa de «revolução contra o Estado», estava a ser resolvido por um processo negocial com o procurador-geral da República, Longuinhos Monteiro.

Dos leitores

H. Correia deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Ataque do major Reinado motiva caça ao homem":

Faz bem a Drª Pascoela em nos alertar, pois a situação em Timor-Leste é sem dúvida preocupante. Eu diria mais: é muito grave.

Mas o pior são alguns espíritos porventura bem-intencionados, dentro e fora do País, que se recusam a ver a evidência. O fascínio pelo mito chamado Xanana é muito forte, ao ponto de esses seus admiradores acharem correctas algumas decisões arbitrárias que não aprovariam em nenhum outro país do mundo. Esses simplórios, sem o saberem, são o melhor instrumento daqueles, maliciosos, que se escondem na penumbra e exploram a sua ingenuidade. Na imprensa, nas universidades, nas ruas, nos fóruns da internet, etc, dizem exactamente aquilo que se espera que digam e são veículos de frases feitas, mentiras, meias-verdades ou slogans repetidos mil vezes para entrarem bem no ouvido.

O estado hipnótico em que se encontram impede-os de analisarem fria e objectivamente o que se está passando. A morte de dois cidadãos timorenses inocentes às mãos de um exército estrangeiro que supostamente devia protegê-los e em vez disso serve de guarda pretoriana aos inimigos da democracia e da independência de Timor-Leste é encarada com tanta naturalidade que ninguém parece importar-se com isso. E se alguém insistir em obter uma reacção, há até quem invoque o velho e gasto bode expiatório da culpa de Alaktiri e do seu Governo, que já não convence ninguém, agora que sabemos por experiência própria qual foi a alternativa que lhe sucedeu: apesar da boa vontade de alguns ministros, sérios, a situação piorou com o actual Governo.

É grave que Timor-Leste esteja refém de um novo exército ocupante, que dita as leis em país alheio. É grave que o exercício da Justiça dependa do poder discricionário de um Presidente, como dependia a vida dos gladiadores do polegar dos imperadores romanos.

É grave que um Presidente, já obcecado com o próximo 2º acto da sua tragicomédia, não seja capaz de assumir as suas responsabilidades quando diz que Reinado passou dos limites.

Não era esse o seu entendimento quando tomava chá com o foragido e lhe escrevia bilhetes, nem quando tentou impedir a GNR de proceder à sua detenção. Não era esse o seu entendimento quando os seus amigos australianos deixaram fugir Reinado da prisão, arranjando assim uma maneira airosa para sair do embaraço da sua detenção. Não era esse o seu entendimento quando o Procurador e seu amigo Longuinhos Monteiro assinava acordos com o foragido, passando por cima das leis de Timor-Leste.

Há muito que Reinado passou dos limites. E ao fazê-lo, pôs a nu as limitações do Xanana político, que não é a mesma pessoa que o Xanana combatente. O segundo foi capaz de derrotar um exército 300 vezes mais poderoso.

Mas o primeiro sucumbe à fraqueza e à falta de carácter perante o mínimo obstáculo, confundindo autoridade com eufemismos como "reconciliação" e outros, que repete maquinalmente.

Há muito tempo, por isso, que tanta gente pedia a captura de Reinado! Há muito tempo que ninguém percebia porque é que o comandante australiano dizia não ter ordens para capturá-lo e porque é que as suas forças confraternizavam com ele. Há muito tempo que ninguém percebia porque é que um foragido à Justiça podia participar numa conferência, ao lado de um ministro e porque é que era transportado num helicóptero australiano cada vez que queriam falar com ele, para além das vénias e da passadeira vermelha que lhe estendiam.

Será que o Presidente Xanana não sabia disto tudo? Não achava ele na altura que os limites já haviam sido ultrapassados há muito? Ou teria estado ausente... em que planeta?

O seu orgulho e narcisismo impedem-no de assumir as responsabilidades e pedir desculpas públicas pelos erros que cometeu. A sua esposa, que há não muito tempo jurava que Reinado não era nenhum criminoso, agora está prudentemente calada. O silêncio às vezes é muito esclarecedor.

A incoerência de Xanana é confrangedora, quando obriga um primeiro-ministro a demitir-se, escandalizado com uma acusação falsa de armas distribuídas, e fica impávido e sereno quando um energúmeno assalta um posto de polícia de verdade e rouba armas de verdade. Ainda para mais quando esse personagem era, até há pouco tempo, seu protegido.

A sua política de tapinhas nas costas e paninhos quentes levou a este descalabro. Há muito tempo que Reinado passou dos limites. Mas o Xanana político também. Dos limites e de prazo de validade.

Alfredo Reinado em Same com peticionários e ...Leandro Isaac

Dos leitores

Comentário sobre a sua postagem ""Reinado passou dos limites", declara Presidente X...":

Como é possivel um Presidente da repúlica autorizar a captura de quem quer que seja???

Então não existem Tribunais em Timor???

Ou será que Xanana deixou a boca fugir para a verdade e agora já vai autorizar o seu "empregado" Longuinhos Monteiro, que dizem é Procurador Geral a fazer de conta que caça o homem???

Dos leitores

Comentário sobre a sua postagem "E Timor gives Aust forces go-ahead for rebel manhu...":

We'll wait and see what comes of this. It is probably another session of tough talk followed by no action. The elections are close and the PR needed to show a bit of force and that he has nothing to do with Alfredo (yeah right).

Next week they will call for negotiations with "Alfredo".

Ex-PM enaltece a sua saída como um 'serviço público'

The Japan Times
Domingo, Fevereiro. 25, 2007

UM HOMEM DO TOPO FALA

Por JEFF KINGSTON
Especial para o The Japan Times

O primeiro-ministro removido recebeu-me no sem amplo complexo onde conheci o seu filho e filha, embos em casa dos seus estudos no estrangeiro e os seus enlameados, esquivos cachorros que rapidamente sujaram o meu melhor algodão.

Antigo Primeiro-Ministro Mari Alkatiri

A imagem nos media de Mari Alkatiri é de um homem não sorridente, severo e distante; isto é bem melhor do que a maioria das pessoas comuns dizem dele. Em pessoa ele é educado, articulado e informal. De modo tranquilizador abriu a nossa conversa dizendo que devo ter ouvido rumores acerca da corrupção, escorregadiços negócios de petróleo, armação de esquadrões de ataque e outras semelhantes. Mas que não era altura de uma confissão.

Alkatiri vê a sua resignação em Junho de 2006 como um tipo de serviço público, dizendo que a sua contenção face a um "golpe inconstitucional que visava destruir a Fretilin e a mim" evitou mais violência. Falou de uma conspiração orquestrada pelos media Australianos para o desacreditar e espalhar alegações falsas. Sugeriu que a sua posição negociadora potente sobre a divisão dos rendimentos da energia com a Austrália pode ter azedado Canberra com ele.

Alkatiri acusa a Igreja Católica por ter fomentado protestos contra ele, em parte porque é um Muçulmano de origem Yemenita. Diz que a Igreja estava zangada com a sua decisão de 2005 de acabar com o ensino da religião em escolas do Estado.

De acordo com Alkatiri, os seus opositores não têm força suficiente para derrotar a Fretilin nas eleições, assim estão a manipular a Igreja, grupos de veteranos e a pressão estrangeira ao mesmo tempo que estimulam a violência nas ruas. Nega todas as alegações contra ele, mas acusa-se de "não sorrir mais " – e de não conter com mais eficácia a "desinformação."

Por deixar o seu cargo ele sente que expôs a conspiração e (que) ganhou a confiança da população. Diz, "se tivesse decidido actuar teria prevalecido, mas isso teria significado mais sangue derramado e toda a gente me teria acusado. Resignei e assim toda a gente pode ver por si própria quem é quem, e o que é o que é."

Em relação à sua briga pública com o carismático e popular Presidente Xanana Gusmão, Alkatiri diz que se conteve de responder aos numerosos ataques públicos contra e Fretilin e ele próprio, porque não quis desencadear mais violência pública.

Interroga-se, contudo, se Gusmão pensa ainda que fez a escolha certa em forçá-lo a sair do poder ao ameaçar resignar. Na sua opinião, a crise acabou em derrota para o presidente, cuja reputação sofreu. Ao mesmo tempo que admite que pode não ter gerido bem a crise militar, Alkatiri aponta que em qualquer país os amotinados são tratados com dureza. Disz, "Xanana favorece sempre a tolerância e as negociações, mas tal abordagem tem limites."

Reflectindo sobre os eventos de 2006, falou de "falhas colectivas da liderança," e disse que a "crise artificial do leste e oeste" fez o país regredir vários anos no desenvolvimento das instituições democráticas, direitos humanos e a aplicação da lei.

No princípio de Fevereiro, Alkatiri foi inocentado de alegações de que esteve envolvido numa transferência de armas para um esquadrão de ataque. Antes disso, quando lhe perguntei sobre os seus problemas legais, disse, "estou totalmente ciente de que vou ganhar." Ecoando a opinião consensual, observou sem ironia, "O sistema de justiça é a parte mais fraca das instituições do nosso governo."

Na sua opinião, a maior ameaça para os direitos humanos é a pobreza, e responder a isso deve ser a prioridade do governo. O influxo dos rendimentos das exportações de energia e a criação de um Fundo do Mar de Timor para guardar o dinheiro para as gerações futuras, fá-lo optimista sobre as possibilidades em Timor-Leste.

Em relação ao Japão, Alkatiri expressou agradecimentos pela sua assistência generosa mas disse, "Não é fácil trabalhar com eles. Têm as suas ideias e programas próprios e é difícil negociar com eles. Apoiam muito as infra-estruturas, projectos de electricidade e de saúde, mas estes são sempre caros."

Olhando para a frente disse, "Xanana e eu temos de trabalhar juntos para criar as condições para (haver) eleições pacíficas. Ambos precisamos de reconhecer os nossos erros. Tenho mantido um perfil baixo e não tenho criticado Xanana porque quero acalmar as coisas e pedi tolerância à Fretilin."

Confessando que será difícil resistir a pressões de dentro do seu partido, a Fretilin, para se candidatar à re-eleição, assinalou a sua disponibilidade, "pela minha própria dignidade e defesa."

Dos leitores

Jaska deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Ataque do major Reinado motiva caça ao homem":

Caça a um homem bem armado e municiado, inclusivé com armas anti-carro como o LAW, mais do que capaz de destruir um M113 Australiano.Referência sobre os LAW do Reinado (FAS):
http://www.fas.org/man/dod-101/sys/land/m72.htm

***

Referências sobre a HK33:

http://www.hkpro.com/HK33.htm
http://www.hkpro.com/HK33.htm

E Timor gives Aust forces go-ahead for rebel manhunt

ABC – Tuesday, February 27, 2007. 0:00am (AEDT)

East Timor's President, Xanana Gusmao, has authorised the Australian-led international stabilisation force to hunt down renegade army major Alfredo Reinaido.

In a national television and radio address in the local Tetum language, President Gusmao described yesterday's raids by Alfredo Reinaido's group on police border posts as stupidity.

He said Reinaido's men now had another 25 weapons.

President Gusmao said every effort had been made to prevent the East Timor authorities from having to seek a military solution to what he called 'the Alfredo problem'.

However he said Reinaido had now stepped over the mark.

The President said he had met with the Prime Minister, the United Nations special representative and the Australian Brigadier, Mel Rerden.

He said the East Timorese Government had authorised the international forces to conduct an operation to capture Reinaido.

President Gusmao appealed to his people not to react with emotion and regard Reinaido as a hero, but instead to co-operate with the military operation.

TIMOR-LESTE "DANÇA RITMO DO BAILE REINADO"!

26/02/2007 GMT 9

timor-lorosae-nacao @ 20:48
por: Malae Belu

REINADO DÁ “CARTAS” E ASSALTA POSTO FRONTEIRIÇO

Considerando a anormalidade, tudo parece normal em Timor-Leste e os louricos continuam a cantar na pacatez das montanhas rasgadas pelas ribeiras que teimam em desaguar no imenso oceano. Também normal é a vida em Dili, capital desta República dos Xananas, apesar das agitações, violências praticadas por bons, maus e vilões, uns fardados outros não.

Ontem foi confirmado que o renegado Reinado assaltou um posto da PNLT em Tonubibe, Maliana, perto da fronteira com a Indonésia, tendo invadido o posto acompanhado por mais oito homens do seu grupo, fortemente armados, levando cerca de vinte armas automáticas daquele posto fronteiriço assim como de outro situado no Suai. Em declarações feitas por Reinado “tudo aconteceu pacificamente”.

Aquilo que se pergunta é o que poderiam ter feito meia-dúzia de homens das PNLT perante os homens de Reinado fortemente armados, sendo a resposta óbvia: absolutamente nada!

O armamento que foi posto á disposição de Reinado é superior ao usado pela polícia timorense, o número de homens que actuaram nesta operação também era superior e o elemento surpresa foi determinante. Até porque não existem ordens oficiais para que Reinado seja detido devido á protecção especialíssima que lhe é dada pelas individualidades “superiores” de Timor-Leste!

SÓLIDOS APOIOS Á FRETILIN CAUSAM DESASSOSSEGO

Reinado sempre pôde contar com a “benevolência" do Presidente Xanana, do primeiro-ministro Horta, do Procurador-geral da República, Longuinhos Monteiro e até do beneplácito da Igreja Romana… pelo menos. Porque assim é, nunca explicaram convenientemente ou com uma razoabilidade que justifique a protecção posta á disposição de Reinado e dos seus homens.

Muito menos os responsáveis do exército australiano implantado em Timor-Leste diz coisa com coisa, preferindo divagar desde que permitiu a fuga de Reinado e dos mais de cinquenta homens do grupo, da prisão de Becora em Agosto de 2006. Tudo aconteceu por acaso.

Tudo tem acontecido por acaso, querem fazer-nos querer, insistindo em passarem um atestado de insanidade mental aos observadores nacionais e internacionais que acompanham a novela Reinado e o golpe de estado que não resultou conforme o planeado e de acordo com as ambições dos seus mentores, por demais conhecidos e auto-denunciados.

A acção “guerrilheira” de Reinado comprova o “desassossego” dos que tudo têm feito para aniquilar a Fretilin e que estão uma vez mais a concluir que fizeram o golpe de estado para quase nada ao verificarem a continuação da implantação e apoio da população àquele partido, facto também comprovado pelas aderências aos últimos comícios eleitorais pela Fretilin realizados em várias cidades e localidades do país.

Há´vários meses que no Timor Lorosae Nação a análise dos acontecimentos timorenses tem sido posta nestes termos e a previsibilidade destas e outras acções foram referidas, apontando intenções e responsáveis que para vários observadores não passaram despercebidos.

PORCA POLÍTICA DOS AMIGOS DE REINADO

Quem lucra com as acções desestabilizadoras do Grupo Reinado não é a República Democrática de Timor-Leste. Aqueles que lucram são os que tudo fazem e fizeram para afastar a Fretilin das decisões do país. Sabemos da “antipatia” manifestada pelo governo Howard e sabemos das posições de pura chantagem assumidas pelo Presidente Xanana Gusmão para que Mari Alkatiri se demitisse da chefia do governo timorense em meados de 2006. Sabemos do empenho do Presidente para provocar a aniquilação política da Fretilin. Em política, aquilo que parece… quase sempre é!

O somatório de todos estes acontecimentos, desde o início de 2006, não permite que se tirem outras conclusões, nem com muito boa vontade! Alfredo Reinado, ao inaugurar as acções de guerrilha, atesta o previsto por muitos observadores e comprova o conluio que desde sempre com ele existiu por parte de responsáveis políticos timorenses, australianos e os militares desse país que acorreram em força para “ajudar o país vizinho amigo” já lá vão dez meses.

Não se pense que as acções Reinado agora inauguradas um pouco mais a sério vão terminar, que os australianos vão capturá-lo (vivo!), porque ainda agora o triste espectáculo começou.

A remota possibilidade de os inimigos da República Democrática de Timor-Leste recuarem nas suas acções desestabilizadoras e desactivarem Reinado irá ter por consequência a sua morte – porque o renegado sabe demais – e não passará de uma conveniente acção de cosmética, outro ou outros ocuparão o seu lugar em momento oportuno.

Costuma-se dizer que a política é porca e não há dúvida, senão repare-se quanto Timor-Leste tem sofrido por via de interesses mesquinhos dos grandes países seus vizinhos! Tudo por causa da porca da política!

Traduções

Todas as traduções de inglês para português (e também de francês para português) são feitas pela Margarida, que conhecemos recentemente, mas que desde sempre nos ajuda.

Obrigado pela solidariedade, Margarida!

Mensagem inicial - 16 de Maio de 2006

"Apesar de frágil, Timor-Leste é uma jovem democracia em que acreditamos. É o país que escolhemos para viver e trabalhar. Desde dia 28 de Abril muito se tem dito sobre a situação em Timor-Leste. Boatos, rumores, alertas, declarações de países estrangeiros, inocentes ou não, têm servido para transmitir um clima de conflito e insegurança que não corresponde ao que vivemos. Vamos tentar transmitir o que se passa aqui. Não o que ouvimos dizer... "
 

Malai Azul. Lives in East Timor/Dili, speaks Portuguese and English.
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