Timor-Leste: Rogério Lobato condenado a sete anos de cadeia
Díli, 07 Mar (Lusa) - Rogério Lobato, ex-ministro do Interior de Timor-Leste, foi hoje condenado a sete anos e seis meses de prisão, acusado de 18 crimes de homicídio e 11 de homicídio tentado.
O réu anunciou já que ia recorrer da sentença.
Na leitura do acórdão, o juiz sublinhou a especial gravidade dos "actos provados de distribuição de armas para eliminar" militares peticionários e líderes da oposição, uma vez que Rogério Lobato ocupava as funções de ministro do Interior.
"Em democracia, as contas acertam-se no local próprio", acrescentou o juiz.
O ex-primeiro-ministro Mari Alkatiri esteve no tribunal a ouvir a sentença mas no final escusou-se a comentar a condenação de Rogério Lobato.
PRM-Lusa/fim
Timor-Leste: Rogério Lobato condenado a sete anos e meio de prisão, defesa recorre
Díli, 07 Mar (Lusa) - O ex-ministro do Interior Rogério Lobato foi hoje condenado a sete anos e seis meses de prisão por quatro crimes de homicídio, por decisão de um colectivo de juízes presidido por Ivo Rosa.
"Não se conformando com a decisão ora proferida", o arguido Rogério Lobato interpôs recurso de imediato, "e com efeito suspensivo", através de um dos seus advogados, Luís Mendonça de Freitas.
Rogério Lobato, ministro do Interior no I Governo Constitucional (de 2002 a 2006), até à crise política e militar que fez cair o Governo de Mari Alkatiri, estava acusado de 18 crimes de homicídio, 11 de homicídio na forma tentada e um crime de peculato.
O ex-ministro do Interior foi absolvido do crime de peculato, de 14 crimes de homicídio e dos 11 crimes de homicídio na forma tentada, sendo condenado como autor indirecto de quatro crimes de homicídio.
O tribunal deu como provado que Rogério Lobato entregou armas a civis, nomeadamente ao grupo de Vicente da Conceição "Rai Los", "para eliminar peticionários e líderes da oposição" em Abril e Maio de 2006.
No entanto, não ficou provado que a intenção do ministro do Interior fosse "alterar o Estado de direito" através desses grupos.
O tribunal considerou que o comportamento de Rogério Lobato foi tanto mais grave quanto se trata de um fundador do movimento de resistência à ocupação indonésia, que lutou pela independência e pela democracia em Timor-Leste.
O acórdão repete que outra agravante para a avaliação da pena a aplicar foi a "falta de arrependimento" de Rogério Lobato em relação aos actos de que foi acusado.
"Em democracia, as contas acertam-se nos lugares próprios", considerou o colectivo de juízes.
A pena aplicada a Rogério Lobato foi ponderada "em face dos factos dados como provados e da gravidade dos mesmos, gravidade que resulta das próprias funções que o arguido desempenhava à data dos factos".
Rogério Lobato "era membro do governo de um Estado democrático e estes comportamentos que foram dados como provados são inadmissíveis num Estado democrático", explicou o juiz Ivo Rosa.
"São comportamentos bastante censuráveis e daí que o tribunal tivesse considerado adequado e justo fixar a pena de sete anos e meio", leu também o magistrado português.
Com esta pena, "o tribunal pretende que o arguido assuma o desvalor da sua conduta e também que isto sirva de exemplo para a comunidade em geral, sobre tudo numa fase bastante conturbada que a sociedade timorense atravessa".
"Não é com estes comportamentos e com estas formas de agir que o Estado irá pôr cobro à onda de violência que se vive", considerou o colectivo de juízes.
"Certamente não é isso que o povo quer e não foi para isso que o povo lutou pela independência e pela instituição neste país de um Estado de direito democrático", leu ainda o juiz, antes de encerrar a audiência.
O ex-primeiro-ministro Mari Alkatiri assistiu à leitura do acórdão no banco atrás do lugar dos arguidos mas não quis fazer qualquer comentário à saída do tribunal, uma vez que a defesa recorreu da decisão.
Luís Mendonça de Freitas manifestou-se insatisfeito com o acórdão, mas escusou-se a fazer uma leitura política da decisão.
"Não me pronuncio sobre se a condenação foi política ou não", afirmou o advogado de Rogério Lobato, em declarações à Lusa, acrescentando que tem de analisar a decisão para "eventualmente fazer algum comentário".
Com outro ânimo estavam os procuradores Bernardo Fernandes e Felismino Cardoso.
"Não se trata de ficar contente com a decisão", explicou Bernardo Fernandes, ressalvando que "a decisão ainda não transitou em julgado" e "há que aguardar em serenidade".
"Mas ficámos contentes e todo o povo timorense devia ficar porque se mostrou que há tribunais que funcionam, que há leis que se aplicam em Timor-Leste e que, independentemente do estatuto social, se é homem ou se é mulher, essas pessoas podem ser julgadas e sentar-se no banco dos réus", acrescentou o procurador.
"Não há impunidade para ninguém", sublinhou Bernardo Fernandes.
Sobre o longo texto do acórdão, que o juiz demorou cerca de 1h45 a ler, Bernardo Fernandes achou "uma peça muito bem elaborada, muito bem fundamentada e muito bem decidida também". "A decisão é exemplar, mas há que aguardar a decisão do tribunal superior. Deve presumir-se para já que o arguido ainda permanece no estatuto de inocente", notou Bernardo Fernandes.
No mesmo acórdão, o colectivo de juízes absolveu o arguido Francisco Viegas e condenou a quatro meses de prisão, com pena suspensa durante um ano, os arguidos Marcos Piedade e Francisco Salsinha.
PRM-Lusa/Fim
AAP – March 7, 2007 - 07:26pm
Lobato guilty of arming Timor hit squads
By Jill Jolliffe
East Timor's former interior minister Rogerio Lobato has been found guilty on five charges relating to arming hit squads to eliminate government opponents during civil unrest last year.
Lobato was found guilty on four charges of manslaughter and one count of unlawfully using firearms to disturb public order by a panel of three international judges on Wednesday.
He was sentenced to seven and a half years in jail.
Judge Ivo Rosa, who headed the panel of judges, said Lobato had been "a member of government and a democratic society but he has behaved in an antisocial and antidemocratic way", contributing to the nation's instability and violence.
The charges were laid following allegations made on Australia's ABC TV after around 600 East Timorese soldiers known as `petitioners' deserted, accusing their commanders of racial discrimination.
Reporter Liz Jackson produced documents alleging Lobato and then prime minister Mari Alkatiri had given weapons to civilians to kill members of the petitioners' group as dissent worsened in May 2006.
An October 2006 UN report on the violence recommended that Lobato be prosecuted, along with key protagonists in the conflict, from both the government and its opponents, including Reinado.
It recommended that Alkatiri should be investigated with a view to prosecution, but the prosecutor's office announced last month it was shelving inquiries into his involvement.
Alkatiri resigned in June, after sacking Lobato and defence minister Roque Rodrigues over the scandal, and was replaced by former foreign minister Jose Ramos-Horta.
Lobato is the younger brother of East Timor resistance hero Nicolau Lobato, who died fighting the Indonesian army in 1978.
Nominated defence minister when the Fretilin party declared unilateral independence in 1975, Rogerio Lobato travelled abroad to seek weapons for the embattled guerrilla movement.
Two years ago war crimes investigators in Cambodia found documents describing Lobato's subsequent visits to the dictator Pol Pot.
In the 1980s he served seven years in an Angolan prison on diamond-smuggling charges after falling out with other Fretilin leaders. On his release he said in a Lisbon interview he had been convicted at a kangaroo court run by the politburo of the ruling MPLA party, with Fretilin's Roque Rodrigues as the key prosecution witness.
BBC – Wednesday, 7 March 2007, 08:32 GMT
East Timor former minister jailed
East Timor's former interior minister has been jailed for seven-and-a-half years for fuelling last year's unrest.
Rogerio Lobato was found guilty of supplying weapons to a rebel leader who said he had been hired to fight opponents of the then PM Mari Alkatiri.
The violence erupted a year ago after Mr Alkatiri's dismissal of 600 soldiers triggered street battles between police factions and the army.
Some 37 people were killed and 150,000 people forced to flee their homes.
gone on trial on charges of arming civilians during unrest last year.
Rogerio Lobato is accused of supplying weapons to a rebel leader who says he was hired to act against opponents of the then prime minister Mari Alkatiri.
Violence erupted when the dismissal of 600 soldiers by Mr Alkatiri in March triggered street battles between police factions and the army.
More than 3,000 Australian peacekeepers were deployed to restore calm.
Their numbers have since been reduced to around 1,100.
At least 37 people died during the clashes within different factions of the security forces which later sparked ethnic and gang violence. More than 150,000 people fled their homes.
Show of support
Proceedings against Rogerio Lobato and three co-defendants are beginning two months late amid ongoing conflict between rival gangs, in which more than a dozen people have died.
Hundreds of Rogerio Lobato's supporters gathered outside the high security courthouse in the capital, Dili, as some 50 UN and local police stood guard.
About 35 witnesses from East Timor, Australia, the United States, Portugal and Macau are expected to testify. The four could face a maximum 47-year prison sentence if convicted.
Mr Lobato has claimed he was acting on the orders of Mr Alkatiri, a close political ally, who resigned in June.
Mr Lobato resigned from his post as interior minister on 1 June after President Xanana Gusmao assumed control of the security forces in a bid to control the violence.
East Timor gained independence in 2002 after a period of UN stewardship. It was ruled by Indonesia for 24 years before its people voted overwhelmingly in 1999 in favour of breaking away from Jakarta.
Timor-Leste: Durão Barroso apela à paz e à estabilidade
Bruxelas, 06 Mar (Lusa) - O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, manifestou hoje em Bruxelas a sua preocupação com a situação de instabilidade em Timor-Leste, apelando à paz e à estabilidade naquele país.
"Os últimos acontecimentos são preocupantes e eu não posso fazer mais do que um apelo sincero às autoridades de Timor-Leste - e a todos os que estão envolvidos nessa situação - para a reconciliação, para a paz e para a estabilidade", disse José Manuel Durão Barroso, em declarações a jornalistas portugueses.
Durão Barros lembrou que a Comissão Europeia é um dos doadores a Timor-Leste, tendo aprovado recentemente a dotação de uma verba de 1,5 milhões de euros para ajudar os refugiados no país.
O embaixador de Portugal em Timor-Leste, João Ramos Pinto, afirmou hoje à Agência Lusa que a situação de instabilidade no país não justifica a adopção de outras medidas como as que foram tomadas pela Austrália, nomeadamente a retirada de cidadãos.
Segundo disse, "a situação de instabilidade não é de molde a recomendar outras medidas" do género das que foram adoptadas pelo governo australiano, até porque "as condições de segurança na cidade (Díli) estão bastante melhores do que já foram no passado".
Até ao momento, não se registou nenhum incidente grave com a comunidade portuguesa em Timor-Leste, onde residem cerca de 500 portugueses, sem incluir neste número os 180 elementos da Guarda Nacional Republicana (GNR) e da Polícia de Segurança Pública (PSP), integrados na missão das Nações Unidas.
A Austrália, que desde sexta-feira tem o alerta de segurança para Timor-Leste no nível máximo de risco, desaconselha qualquer viagem a Díli e pôs em marcha o plano para a saída de todo o pessoal não essencial.
O governo da Austrália receia a deterioração das condições de segurança, " incluindo a grave instabilidade civil", na sequência duma operação das tropas australianas contra o major Alfredo Reinado em Same, no Sul do país. Reinado escapou, mas a operação provocou a morte a cinco dos seus apoiantes.
A operação, desencadeada na madrugada de domingo pelas Forças de Estabilização Internacio-nais (ISF), teve como reflexo uma onda de violência na capital, com apedrejamentos, barreiras nas estradas e ataques a instalações do Estado e algumas residências e escritórios.
Os bairros mais afectados foram os de Taibessi, Pité, Colmera e Vila Verde.
IG/PRM-Lusa/Fim
Rádio Renascença - 06-03-2007 8:33
Ramos Horta critica lei branda e grupos oportunistas
O Primeiro-ministro de Timor-Leste, Ramos Horta, responsabiliza grupos de desordeiros e a brandura da lei, desadequada da realidade, pela violência no país.
Entrevistado por Sérgio Tavares, o correspondente da Renascença em Timor-Leste, Ramos Horta diz que os desordeiros “não conhecem o Major, mas hoje dizem-se os seu defensores, inventam uma outra causa”, aproveitando-se do impasse provocado pelo cerco ao líder dos rebeldes para manterem os desacatos.
O chefe do Governo reconhece, por outro lado, que a lei não tem sido eficaz no castigo aos responsáveis pelos ataques. “O problema são as nossa leis, impostas por conselheiros ocidentais, sem atender à realidade timorense, em que qualquer elemento detido pela polícia -que não seja julgado em três dias - tem de ser liberto”.
De acordo com Ramos Horta, a polícia faz uma operação, prende dezenas de manifestantes no local, mas os tribunais libertam-nos. “Os mesmo elementos, que já foram detidos várias vezes sabem que só serão presos durante 72 horas”.
O comando australiano recuperou hoje o corpo de um quinto elemento do grupo de Alfredo Reinado morto em combate no domingo, em Same, disse fonte oficial das Forças de Estabilização Internacionais (ISF). "O corpo deste elemento do grupo de Reinado só foi encontrado hoje porque estava numa área de difícil acesso" dentro do perímetro que estava cercado pelas tropas australianas, acrescentou.
Na madrugada de domingo, tarde de sábado em Lisboa, tropas das ISF apoiadas por helicópteros lançaram o ataque contra as posições do grupo de Alfredo Reinado, usando reforços de tropas de elite chegadas da Austrália nas últimas 48 horas.
Reinado escapou do cerco de Same "depois de dividir os seus homens em três grupos e ter feito avançar dois deles, saindo pela retaguarda", contou uma fonte que acompanhou a operação de captura.
AFP - March 07, 2007
E Timor PM blames unrest on soft laws
From correspondents in Lisbon, Portugal
East Timor's soft laws are making it difficult to quell unrest in the country, Prime Minister Jose Ramos-Horta said.
"The problem is our laws, imposed by western advisers without taking into account the reality of East Timor, which require that anyone detained by police who hasn't been tried within three days be released," he told Portugal's Radio Renascenca.
"Police carry out an operation, detain dozens of protesters and what do the courts do? Free them. The same people, who have been detained several times, know they will only be in jail for 72 hours," he said.
East Timor has been wracked by violent protests over an unsuccesful raid by Australian-led peacekeeping forces on the mountain base of renegade army Major Alfredo Reinado on Saturday in which four people were killed.
Hundreds of supporters of Reinado, who was implicated in violence last year that left 37 people dead and caused 150,000 to flee, on Monday hurled stones, burnt tyres and blocked streets in Dili, the capital of East Timor.
The protesters, mostly youths, chanted support for Reinado but Ramos-Horta said they did not know the rebel leader and were only backing his cause as an excuse to cause trouble.
Last month Mr Ramos-Horta, 57, announced he would run for president in an election scheduled for April 9.
He became prime minister in July 2006 after Mari Alkatiri resigned amid allegations that he sparked unrest between civilian groups and security forces.
East Timor voted in a 1999 referendum for independence from Indonesia which had annexed it after Portugal ended centuries of colonial rule in 1975.
The country became fully independent in 2002 after a period of United Nations administration.
Público – 07.03.2007
Apoiantes de Reinado ameaçam Xanana e família
Adelino Gomes
Depois de 24 horas de relativa calma em Díli, receava-se que a leitura, hoje, da sentença do processo contra o ex-ministro do interior, Rogério Lobato, pudesse provocar novo clima de confronto na capital timorense. Lobato é acusado de ter entregue armas a grupos civis, a quem terá encarregado da eliminação de figuras políticas e de elementos do grupo dos ex-peticionários das forças de defesa. a acusação pediu aos juízes do tribunal de recurso sete anos de prisão e a defesa a absolvição do ex-ministro, que ocupa o cargo de vice-presidente da Fretilin.
Ataques às casas de Manuela e Armandina Gusmão, irmãs do presidente da república, acompanhados de ameaças à integridade física das respectivas famílias figuram entre os incidentes mais graves registados anteontem e ontem, em Díli.
As duas casas, situadas nos bairros vila verde e Taibessi, foram rodeadas por populares que exigiam o termo da ordem de captura dada por Xanana Gusmão contra Reinado.
"Chegou o momento de Xanana e sua família receberem o que merecem como consequência da decisão de capturar o comandante Alfredo", declarou um homem que se identificou aos jornalistas como Quintiliano Nakrakat, de 26 anos, irmão de Deolindo, morto durante o raide australiano contra as posições rebeldes em Same, sábado passado. Se o presidente não revogar a ordem e sair à rua sem guarda-costas, "morrerá", pois "traiu a população de Timor-Leste e o comandante Alfredo", acrescentou.
Armandina Gusmão, cuja casa foi protegida por militares da GNR, disse que os atacantes ameaçaram matar-lhe a família "até à terceira geração". E acrescentou: "é como nos tempos da indonésia. O que me custa mais é que são timorenses os que estão a fazer isto."
Para além da Austrália, que pensa retirar esta semana 35 voluntários e 40 contratados (australianos e cidadãos de outras nacionalidades), também os EUA, Nova Zelândia e Grã-Bretanha têm planos de retirada.
O embaixador de Portugal, João Ramos Pinto, reafirmou que os portugueses (cerca de 500 pessoas, sem contar com os elementos da GNR e PSP integrados na missão da ONU) não correm riscos de momento. "Nunca vi nenhum timorense insultando portugueses ou fazendo dos portugueses alvo para suas agendas políticas", disse à Lusa, considerando necessário "pôr os protestos em perspectiva, uma vez que os grupos atacam quem assegura a ordem pública, seja as tropas internacionais, a GNR ou os juízes estrangeiros responsáveis pelo funcionamento da justiça".
Apesar de informação oficial nesse sentido, não chegou a encerrar na segunda-feira a escola portuguesa de Díli. Por seu lado, o grupo de seis professores portugueses de Same, que saiu para Díli no dia em que as forças internacionais montaram o cerco a Reinado, há uma semana, continua na capital, ocupado com tarefas administrativas do programa de reintrodução da língua portuguesa.
"Apenas três escolas não estão a funcionar em Díli devido a dificuldades de acesso, a ter havido desacatos nas proximidades ou a os alunos não terem podido chegar às instalações", disse o embaixador Ramos Pinto à agência noticiosa portuguesa.
Australianos confiantes
O comando australiano recuperou, entretanto, o corpo de um quinto elemento do grupo de reinado morto em combate no domingo, em Same.
O comandante das forças australianas, brigadeiro Rerden, mostra-se confiante na captura de Reinado. "Ele disse... é apenas uma questão de "quando", e não de "se"", contou ontem o correspondente da Rádio Austrália, num despacho de Díli. Apesar de Reinado se encontrar numa zona que conhece muito bem, os militares australianos estão também bem treinados e familiarizados com o país, acrescentou Rerden.
Quanto mais tempo Reinado continuar em fuga, mais popular se tornará, considera Ramien Kingsbury, especialista em assuntos indonésios, citado pela ABC australiana. Mesmo que só seja apoiado por cinco ou 10 por cento da população, "será suficiente para desestabilizar Timor por um considerável período de tempo".
Reuters - Tue Mar 6, 12:24 AM ET
Timor gangs promise mayhem on East Timor's streets
By Rob Taylor
Canberra - With names like "Cold Blooded Killers," "Provoke me and I'll Smash You" and "Beaten Black and Blue," East Timor's youth gangs promise mayhem on streets which not so long ago offered hope.
The groups hurling stones and setting roadblocks in Dili's volatile outskirts borrow names from Indonesian rock bands or Hollywood action films, and their bravado swings between hit-and-run attacks to just playing guitars and drinking.
But as East Timor's streets convulsed again this week after a failed bid by international troops to capture rebel leader Alfredo Reinado, an Australian report on East Timor's gangs reveals the deep-seated problems facing the young nation.
"The one common thread is the involvement of large numbers of young, marginalized males," said the recent report on East Timor's myriad gangs and youth groups by Australia's aid agency AusAID and obtained by Reuters.
From bases in burned and abandoned houses in the bairos, or neighborhoods, the gangs' roots lie in long-standing ethnic tensions over control of trade and markets, post-independence property disputes and rivalries within the fledgling security forces set up after separation from Indonesia in 1999, said the report.
Those roots find fertile soil in chronic unemployment, lack of access to education and political instability blamed on opposition parties.
Even under former Portuguese colonial rule, prior to Indonesia's 1975 invasion, gangs or "moradores" were tools of repression, said the reporting citing 2001 battles between martial arts groups in Olobai and Boramatan villages.
"For much of the past six years gangs have also made parts of the eastern city of Baucau a virtual no-go zone after dark, setting up barricades and extorting motorists," the report said.
Infiltration
The infiltration into security forces of martial arts groups counting 20,000 members worsened the situation and helped fuel clashes last May in which the "western" army killed 12 "eastern" police as ethnic gangs took to Dili's streets, it said.
The report said many gangs were led by former resistance figures with long-standing grudges, including some disgruntled because they missed jobs in the new army or police force.
There were several broad gang types, including young men disillusioned by the ruling political party, those who were members of martial arts gangs and others who belonged to "kakalok" mystical groups identified by body scars.
Not all were dangerous, the report said, with many gangs performing social work in their impoverished communities and carrying out welfare work the government was incapable of.
The report said jobs were the key to ending gang violence among bored young men, but also called for the construction of youth centers in each village to foster a sense of community.
Small scale business ideas such as motorcycle maintenance should also receive start-up funding, while in the medium term East Timor needed a Youth Fund to support projects by young people in local areas.
"If given the support now to fulfill their fairly modest objectives and aspirations, these groups could play a vital unifying role," the report said.
Correio da Manhã - Quarta-feira, 7 de Março de 2007
GNR em alerta máximo
F. J. Gonçalves
A força da GNR em Timor-Leste está hoje em alerta máximo, mantendo-se em situação de prontidão para acorrer a qualquer ameaça à ordem pública desencadeada após a leitura da sentença do ex-ministro do Interior Rogério Lobato. Apesar do risco acrescido de violência, empolado ainda, no actual clima de tensão, pela ameaça do major Alfredo Reinado de iniciar uma guerra de guerrilha, o Subagrupamento Bravo considera estar preparado para fazer frente a uma situação de escalada da crise.
“A GNR ficará de prevenção, no quartel, para a qualquer momento acorrer a uma chamada para controlar algum distúrbio”, afirmou ao Correio da Manhã fonte em Timor. As patrulhas nas áreas ao cuidado da polícia portuguesa serão hoje asseguradas por outras forças integradas no contingente internacional de estabilização.
O reforço de segurança para a jornada de hoje foi determinado pelo comando da ISF, força internacional da ONU no território, devido ao aumento de tensão no fim-de-semana e ao receio de manifestações de júbilo ou descontentamento com a sentença do processo de Lobato. Recorde-se que o tribunal pode hoje declará-lo inocente ou condená-lo a sete anos de prisão por envolvimento na distribuição de armas a civis em Abril de 2006.
Quanto à ameaça do major Reinado, a mesma fonte explicou ao CM: “Portugal está perfeitamente preparado para fazer frente à ameaça actual. Além disso, ao que sei, a possibilidade de uma situação de guerrilha urbana foi prevista desde o início, não sendo nada de novo pensar na eventual necessidade de utilização diária de armas de fogo na actividade de patrulhamento. Daí que nada tenha sido alterado, até porque isso esteve na ordem do dia desde a revolta dos militares, no ano passado.”
O novo grau de ameaça faz com que cada intervenção dos militares portugueses seja agora feita com atenção e cuidado redobrados. Mas a atitude operacional da GNR não será alterada pela ameaça do major amotinado, que, recorde-se, se refugiou em Same (de onde escapou pós o assalto das forças australianas no passado fim-de-semana) com um grupo de apoiantes fortemente armados depois de o presidente Xanana Gusmão ordenar a sua captura.
O responsável de Relações Públicas da GNR, Coronel Costa Cabral, não confirmou a alteração da rotina do Subagrupamento Bravo. Quanto à eventualidade de uma guerrilha, o porta-voz explicou que não há uma ameaça concreta e que a intervenção numa situação dessas não caberia aos portugueses. “Numa situação de confronto cabe às Forças Armadas intervir, e em Timor estão australianos, neozelandeses, e outros, com meios para agir nesses caos”, explicou.
Violência Organizada
Muita da violência em Timor-Leste é causada por grupos de jovens que escolhem para si nomes como ‘Assassinos Implacáveis’. Segundo um relatório australiano sobre grupos de rua em Timor, os jovens, inspirados por bandas rock indonésias ou filmes de Hollywood, são na sua esmagadora maioria desempregados, liderados frequentemente por antigos guerrilheiros da resistência revoltados por não terem sido integrados nas Forças Armadas. A violência que resulta da marginalidade a que se encontram votados é potenciada por tensões étnicas e pela disputa do controlo das riquezas do território.
O estudo revela, no entanto, que nem todos os gangs organizados são uma ameaça à segurança pública. Nalguns casos levam a cabo trabalho social em comunidades empobrecidas onde não chega a ajuda do governo.
NOTAS
Revolta Nas Ruas De Díli
As tropas internacionais estacionadas em Timor tentam conter a revolta na capital timorense, Díli, protagonizada por bandos juvenis.
Assalto A Casa De Ministro
A calma tensa do dia de ontem foi marcada pelo assalto à residência de um membro do governo, do qual não resultaram vítimas.
À MARGEM
Contingente Luso
Portugal tem em Timor-Leste, desde Junho de 2006, um contingente da GNR integrado por 127 efectivos. Designado Subagrupamento Bravo, o contingente nacional opera integrado na ISF, força multinacional de estabilização das Nações Unidas.
Portugueses Ficam
O embaixador de Portugal em Timor-Leste, João Ramos Pinto, afirmou ontem que a instabilidade no país não justifica a evacuação dos portugueses. “Até porque as condições de segurança em Díli estão bastante melhores do que já foram”, afirmou o diplomata.
Barroso Preocupado
O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, manifestou ontem, em Bruxelas, a sua preocupação com a instabilidade em Timor-Leste e apelou à reconciliação no território. “Não posso fazer mais do que um apelo sincero às autoridades de Timor-Leste e a todos os envolvidos nesta situação”, afirmou Durão Barroso.
Correio da Manhã - Quarta-feira, 7 de Março de 2007
Opinião: Timor: Tensão em crescendo
Ângelo Correia, Analista político
A situação em Timor corresponde àquilo que podemos considerar como normal face às expectativas. Ou seja, em Timor não se produz, não se trabalha, o desemprego absorve uma grande fatia das pessoas e, como tal, o ócio e a desocupação de muita gente – cerca de 70% da população – leva a uma decadência dos valores e da ordem pública.
Em segundo lugar, está por demonstrar a viabilidade emocional de Timor como Estado independente, ou seja, sabermos até que ponto é possível os timorenses desejam conviver entre si.
Portugal não pode fazer mais para ajudar a estabilizar a situação, porque o grande problema de Timor neste momento é saber se os timorenses querem conviver entre si e querem fazer parte de uma mesma nação, ou se, pelo contrário, a querem inviabilizar.
Timor tem que se olhar ao espelho e perguntar a si próprio o que quer.
Correio da Manhã - Quarta-feira, 7 de Março de 2007
Opinião: Avaliar a ameaça
Loureiro dos Santos, General (r). ex-CEME
Primeiro, não sabemos se esta ameaça (de guerrilha urbana) é muito consistente. Os factos é que ditarão se aquilo que se vier a passar constituirá ou não uma ameaça contra a qual a GNR tem condições de actuar.
Se se tratar de uma guerrilha urbana ao estilo daquilo a que assistimos no Iraque ou no Afeganistão – o que não é muito provável – é natural que o contingente da GNR não tenha capacidade para a enfrentar. Há lá forças armadas, no caso, australianas, que são mais vocacionadas para esse tipo de operações.
Julgo que, para situações inesperadas, o teatro de operações tem, neste momento, as forças necessárias para uma primeira resposta. Caso a situação evolua no sentido de uma maior gravidade, as coisas terão que ser repensadas e aí colocar-se-á a questão do reforço das forças militares, mas isso já é uma questão internacional, ao nível das Nações Unidas.
Radio New Zealand - 07 Mar 2007, 6: 29am
Govt confirms NZ troops were involved in attemp to capture rebel leader
The government has confirmed that New Zealand troops were part of an attempt to capture East Timor rebel leader Alfredo Reinado on Sunday.
Australian soldiers continue to search in the southern part of East Timor for Reinado, who escaped the attack on his hideout at Same, 50km south of the capital Dili.
Five people died in the raid according to the latest information from the Australian government.
Reinado has been at large since he escaped from prison in Dili in August along with 50 other inmates. He was involved in fighting last year when the sacking of some of the army and regional differences plunged the nation into chaos. International troops were requested to restore order.
President Xanana Gusmao ordered security forces to arrest Reinado after the former army major led a raid on a police post late last month and made off with 25 automatic weapons and ammunition.
After Australian-led forces surrounded the rebels last Tuesday, Reinado vowed a fight to the death. He told Morning Report last Thursday that he would rather die than surrender.
Thousands of rebel supporters protested against the attack in Dili on Monday.
Dili quiet; NZ troops on patrol
The capital was reported to be quiet but tense the following day. New Zealand Defence Minister, Phil Goff, said on Tuesday that the situation in the area where New Zealand troops are operating in East Timor is largely under control.
A Reuters witness in Dili said New Zealand troops were patrolling areas considered riot prone.
Unrest in Timor last May at least 37 people, caused 150,000 to flee their homes and led to the dispatch of international peacekeepers from Australia, Malaysia, New Zealand and Portugal. A state of emergency was declared before their arrival. The unrest was due to an east-west divide and gang violence following the sacking of 600 soldiers.
Presidential elections are scheduled to be held on 9 April 2007.
ABC - Wednesday, March 7, 2007. 8:00am (AEDT)
Criminal opportunists to blame for Dili violence, commander says
The commander of international forces in East Timor blames criminal opportunists and some supporters of the wanted fugitive, Alfredo Reinado, for the recent violence in the capital.
In an interview with the ABC in Dili, Brigadier General Mal Rerden says Australian troops will not give up until they capture Reinado, who evaded soldiers during a shoot-out three days ago.
Reinado is now on the run from Australian troops in thick jungle in the mountains south of the capital Dili.
"The aim of our mission is to apprehend Alfredo Reinado and our operations will continue till we achieve that and that will happen," Brigadier General Rerden said.
The East Timorese President, Xanana Gusmao, is threatening to impose a state of emergency if violence continues.
Brigadier General Rerden also acknowledged that some anti-Australian sentiment has flared in East Timor. But he says the international forces and police in East Timor were capable of keeping a lid on recent violence in the country.
He says Australian Government advice that Australian citizens should leave East Timor is prudent.
He also acknowledges there have been some recent expressions of anti-Australian sentiment. "There is some sentiment there, what we're seeing is that it's really rhetoric, we're keeping a very close eye on that, it's obviously of concern to us," he said.
ABC News - March 6, 2007 -transcripts-
Fears of anti-Australian sentiment in East Timor - Aust staff leave E Timor
MARK COLVIN: Family and staff at the Australian Embassy in Dili are expected to begin leaving tonight because of fears of anti-Australian feeling in East Timor.
The situation in the streets calmed today after a night of sporadic violence. But UN and international forces are bracing themselves for more trouble tonight.
There's also potential for another obstacle in the road to a peaceful resolution with a court verdict to be handed down tomorrow.
Our correspondent Mark Willacy spoke to me a short time ago.
MARK WILLACY: Well, I've been told by someone within the Embassy that they expect some family members, only a limited number at this stage, to be probably pulling out later tonight.
Obviously, the Embassy has informed its staff as to what the Government order is, or the Government recommendation rather, is. And they expect more Embassy staff, non-essential staff at this stage, and family members of all staff who wish to go, will start doing that over the coming days.
MARK COLVIN: What are they telling Australian citizens not connected to the Embassy?
MARK WILLACY: They're telling Australian citizens not connected to the Embassy to go, that they believe Dili is not safe, and East Timor, for that matter, is not safe.
And they're also saying that Australians who wish to come to East Timor should defer their travel if possible because the fear here is that, basically, there is anti-Australian sentiment, and a feeling that Australians could possibly be targeted by these gangs, and also armed youths, who seemed to have aligned themselves with Alfredo Reinado, the fugitive wanted by the Australian and the East Timorese.
MARK COLVIN: Well, you've been out in the streets. How bad is the situation? How bad was it last night?
MARK WILLACY: Last night it was... it wasn't too bad. There were sporadic cases of violence. We understood that one club, the Dili Club, did have about eight men throwing rocks at the club. No one was hurt in that incident.
There were also cases of rocks being thrown at UN vehicles, and also of tyres being burnt, and certainly over Dili today, there was a very thick, acrid pall of smoke that covered the city. And it was so bad that people driving to work on motorcycles were forced to cover their faces so they didn't inhale this toxic fuming.
MARK COLVIN: And... but they were driving to work? I mean, that indicates a degree of normality.
MARK WILLACY: Yeah, there is a degree of normality here, that people are going to work, that people are going to school, children are going to school. So it's not a case whereby the whole place is shut down.
Although the gangs and the young men armed with sticks, stones and some machetes, have been successful in shutting down some parts of the city, for very limited times though.
MARK COLVIN: And the anti-Australian feeling, obviously has coalesced around this operation against Alfredo Reinado. He remains on the loose, doesn't he?
MARK WILLACY: That's right.
He's still believed to be in the thick bush country up around Same, which is about 50-60 kilometres south of Dili.
It's very tough country to find anyone in, and Alfredo Reinado, as we said yesterday, is very familiar with this country. And so for the Australian troops hunting him, it's going to be quite a task.
MARK COLVIN: And what's the court verdict that's likely to inflame things tomorrow?
MARK WILLACY: That court case revolves around Rogerio Lobato, the former interior minister of East Timor. Now he's charged over the arming of civilian militias last year, and stoking unrest last year. Of course, that led to at least 37 deaths here in East Timor, and the displacement of 150,000 people.
Now there has been a court case involving him, it's been helped along by the Judicial System Monitoring Program, which was set up to assist East Timor's somewhat broken down judicial system.
Now, the court has heard from one witness in the past, actually a few months ago, who said that the former interior minister gave him weapons and ordered him to murder political opponents or the ruling Fretilin Party.
And reportedly some army officers were on this alleged hit list. And it has been alleged in the court that Rogerio Lobato acted with the full knowledge of Mari Alkatiri, the then-East Timor prime minister. Of course he was deposed last year.
So there is a fear that if Lobato does face 15 years in jail, which is the maximum penalty, then we could see some more trouble on the streets of Dili. As we know, it doesn't seem to take much these days to inflame sections of the East Timorese community.
MARK COLVIN: No indeed.
Mark Willacy, thank you very much.
ABC - Wednesday, March 7, 2007. 5:31pm (AEDT)
More Australians arrive home from E Timor
Sixteen Australians who were working in the East Timorese capital Dili, have arrived at Darwin Airport on a chartered flight.
The Department of Foreign Affairs and Trade (DFAT) advised Australians to leave yesterday because of the possibility they will be the target of violence.
Richard Neves, who was working with the Ministry of Planning and Finance in Dili, says staff were brought home because of a noticeable increase in tension.
He says the security situation for foreigners is worse than it was during unrest in May last year.
"I personally never felt threatened then," he said. "This situation is markedly different in the sense that now you can sense that it's more aimed at foreigners and that's why we've taken the decision to pull out of Dili in the short term, just while this tension's at a certain level."
AAP - March 07, 2007 09:56am
Military intervention 'not enough'
Australia was too reliant on its military to quell regional unrest and needed to focus more on developing long-term stability, Labor said today.
New violence and protests have erupted in East Timor, outside the Australian embassy in Dili and in other locations, since Australian troops killed five armed supporters of rebel leader Alfredo Reinado on Sunday.
As security in the nation deteriorates, some Australians have fled amid fears they could be targeted by gangs of youths.
Opposition foreign affairs spokesman Robert McClelland today said Australia would need to intervene militarily time and again in countries like East Timor if it did not do more to develop economic activity and address the causes of communal tension.
At present, the military and police were being used as a "band-aid" to patch up sporadic outbreaks of unrest in the region.
"We're not building the capacity within these countries to withstand ... opportunism on the part of the gangs that break out this violence," Mr McClelland said on ABC radio. "You've got to look at your institutions of government, but you've also got to look at your underlying social tensions, you've got to look at your employment opportunities. We haven't focused enough, I believe, in the so-called arc of instability, in building that sort of capacity. Until we do, we're simply going to see a revolving door of military interventions."
If Australia did not help East Timor to build its institutions, revenue from the Timor Sea gas deal would end up in foreign bank accounts rather than in providing employment opportunities for the country's young people, he said.
Mr McClelland said Australia should consider helping the Solomon Islands establish anti-corruption and electoral commissions to tackle the long-term causes of unrest.
"The mere fact that we have troops in the Solomons, federal police on the ground, isn't resolving these underlying tensions," he said. "We're not doing enough to build economic activity in that country. "These failing states in our region could be a haven for criminal activity and, indeed, potentially a haven for terrorist activity."
Washington Times – March 7, 2007
Timorese major still on the run
By Michael Keats
Melbourne, Australia -- Australian troops continued their search for a renegade army major in East Timor yesterday, a day after a failed attempt to capture him sparked riots in the streets of Dili, the capital.
Witnesses said roadblocks had been removed and order restored in Dili, but day-old instructions for a voluntary departure of dependents and non-essential embassy staff from East Timor remained in effect.
"Those evacuations are precautionary. I don't hold deep fears, but I do hold some concerns," said Australian Prime Minister John Howard, who argued it would be unfair and superficial to say the military fiasco reflected poorly on the Australian military efforts to maintain peace in the tiny Pacific nation.
The unrest was triggered when Australian troops tried unsuccessfully to capture Alfredo Reinado, a renegade Timorese army major. Four of his followers died in a shootout that brought gangs of youths into the streets, hurling stones at the Australians and blocking the roads with burning tires.
No further incidents of unrest were reported yesterday, but Mr. Howard approved the voluntary departures as a precautionary measure. New Zealand and British authorities issued similar advice to their nationals on Monday.
"The situation is getting normal. Government vehicles have cleared the locations [of roadblocks]," Reuters news agency quoted a witness in Dili as saying.
East Timor, Asia's newest nation, has a troubled history since winning independence from Indonesia in 1999. High unemployment and political squabbling culminated in a crisis last year when Maj. Reinado led a mass desertion from the army, which resulted in clashes between soldiers and police.
An Australia-led U.N. peacekeeping force restored order only after 37 persons had died in the violence and more than 150,000 others had been forced to flee their homes. There are still about 1,550 U.N. peacekeepers there, and an additional 150 Portuguese military and police personnel are scheduled to arrive this week.
East Timor President Xanana Gusmao has threatened to declare a state of emergency if there is an escalation of the current outbreak of violence. He also vowed to use all legal means to pursue the rebel leader in a radio address.
Maj. Reinado is now reported to be hiding out in rugged mountain country after slipping through the cordon the Australians had established around his compound in the town of Same, south of Dili.
Diário de Notícias - Quarta, 7 de Março de 2007
Escola Portuguesa de Díli é exemplo em tempo de crise
Armando Rafael
João de Carvalho Roseiro é um dos 27 professores que Lisboa destacou para a Escola Portuguesa de Díli. Questionado ontem pelo DN sobre o ambiente de tensão que se vive na cidade, não conseguiu disfarçar o orgulho que sente pelo facto daquela escola nunca ter fechado. Ao contrário do que tem sucedido com muitos estabelecimentos timorenses.
"Não somos heróis, nem loucos. Mas temos as obrigações. E, salvo algumas crianças que vivem em zonas mais problemáticas da cidade, como o Bairro Pité, o facto é que maioria dos nossos alunos continua a vir às aulas e os funcionários têm vindo sempre. Às vezes, há funcionários ou alunos que não conseguiram dormir durante a noite, mas vêm sempre."
Colocado há dois anos em Timor-Leste, João de Carvalho Roseiro, que é membro da comissão executiva da Escola Portuguesa, sabe os riscos que corre. Até porque já viveu uma situação bem pior em Maio do ano passado, quando os confrontos entre polícias e militares provocaram vários mortos, junto ao quartel de Taci Tolo. "Nessa altura, tivemos mesmo de fechar. Mas foi a única vez."
Uma responsabilidade acrescida para quem tem sob a sua responsabilidade 500 alunos, distribuídos entre o pré-escolar e o 8.º ano do ensino secundário. Sabendo, à partida, que muitos dos seus alunos podem transformar-se, de um momento para o outro, em alvos fáceis numa situação de crise.
"Temos cá os filhos de todos os ministros. E há um ano também tínhamos os filhos do Presidente Xanana Gusmão."
Não são os únicos. Na Escola Portuguesa de Díli, situada na confluência perigosa dos bairros de Santa Cruz e de Taibesse, também há crianças de famílias desprotegidas, a quem queimaram as casas. São essas crianças que dão conforto aos professores portugueses nas horas mais difíceis. "Muitas vezes são os pais deles que nos avisam disto ou daquilo. O que nos obriga a ter alguns cuidados. Especialmente ao fim da tarde, quando escurece e a maioria dos alunos abandona a escola para voltar para casa. Mas até hoje, ninguém nos ameaçou. Talvez por isso, esta escola seja considerada já uma referência de paz e de estabilidade em Timor-Leste."
Agência Ecclesia Com Agência Fides - 06/03/2007, 17:03
Bispos de Timor Leste pedem experiência de perdão e solidariedade
Mensagem para a Quaresma dos Bispos de Timor Leste
"Na Quaresma 2007, todos os fiéis são chamados a redescobrir o perdão e a experimentar a solidariedade com quem sofre", assim pedem os Bispos de Timor Leste numa mensagem divulgada para toda a nação. D. Ricardo da Silva, Bispo de Dili, e D. Basílio Do Nascimento, Bispo de Baucau, recordam a Mensagem quaresmal de Bento XVI, que convida a “reconhecer as feridas infligidas à dignidade da pessoa humana” e afirmam: “Em nome de Deus, que durante o tempo da Quaresma nos chama a realizar a viagem de uma autêntica conversão ao amor de Cristo, nós fazemos um apelo especial para que triunfe a não-violência”.
A mensagem convida “os filhos e as filhas de Timor Leste a promover o perdão e a reconciliação em todos os níveis”, nas famílias, nos locais públicos, na sociedade. “Deste modo, toda a nação evitará toda forma de violação da vida e da dignidade humana e poderá construir uma cultura da vida e da paz”, afirma o texto, encorajando toda a nação a perseguir o bem comum do povo timorense.
A mensagem foi divulgada por ocasião da conclusão da primeira visita pastoral do novo Núncio Apostólico na Indonésia e Timor Leste, D. Leopoldo Girelli. O pequeno Estado asiático aproxima-se de um momento decisivo da sua jovem história: as eleições presidenciais que estão marcadas para o mês de Abril. Uma altura também em que a violência volta a inundar as ruas de Timor.
The Jakarta Post - Wednesday, March 7, 2007
General's warrant not Australian government
Australian Foreign Minister Alexander Downer has said that the federal government had nothing to do with the decision to issue a warrant for the arrest of a retired Indonesian general.
Downer said Tuesday that an arrest warrant for Lt. Gen. (ret) Yunus Yosfiah in relation to the deaths of five journalists in Balibo, Timor Leste, in 1975, was an independent decision made by the New South Wales state coroner.
"This is not something that we are involved in... that's a matter for the New South Wales state coroner and (is) not being done with a request from the Australian government," Downer said in a press conference after a meeting with President Susilo Bambang Yudhoyono.
Downer met with Yudhoyono to discuss various issues, including efforts to tackle terrorism, a prisoner exchange agreement and the bilateral security Lombok agreement.
The New South Wales state coroner issued the warrant for Yunus after he failed to appear at an inquest into the death of British-born journalist Brian Peters, one of five Australia-based reporters killed during an attack by Indonesian troops on the town of Balibo, Timor Leste, on Oct. 16, 1975.
Deputy State Coroner Dorelle Pinch issued the warrant after Yunus failed to respond to a series of letters requesting he testify before the inquiry, but she conceded the order had no power outside Australia.
Yunus, a lawmaker from the United Development Party, declined to respond to the warrant and questioned the Australian court's authority to issue it.
Yunus said he did not have to detail why he refused to attend the inquest because he had already explained everything to then foreign minister Alwi Shihab and the House of Representatives.
The Foreign Affairs Ministry said that it would not respond to the arrest warrant, saying that the case had long been closed.
The ministry said that the warrant was not enforceable inside Indonesian territory because the Australian court has no jurisdiction here.
Indonesia maintains the reporters were killed accidentally in crossfire, but several witnesses testified before Sydney's Glebe Coroner's Court this month that Yunus ordered his troops to open fire on the unarmed journalists and burn their bodies.
The five journalists were killed as Indonesian special forces attacked a local militia that had claimed sovereignty after Portugal abandoned its former colony. The attack was a prelude to the Indonesian invasion of Timor Leste in December that year.
The inquiry was reported to have been called by Peters' family.
UFC Notícias - 07/03/2007 - 00:51
UFC recebe primeiros bolsistas de pós-graduação do Timor Leste
Pela primeira vez, a Universidade Federal do Ceará (UFC) recebe estudantes do Timor Leste, no âmbito do Programa Estudantes-Convênio de Pós-Graduação (PEC-PG), mantido pelo Governo brasileiro.
Os três timorenses que chegaram na última segunda-feira são professores da Universidade Nacional de Timor Lorosae e vieram fazer cursos de mestrado, com financiamento da Capes/MEC.
Duarte da Costa Sarmento tem interesse especial pela área do petróleo e cursará o mestrado em Engenharia Química. Henrique Mau Doben da Costa fará mestrado em Agronomia - Solos e Nutrição de Plantas e Silvério dos Santos Soares cursará o mestrado em Economia Rural.
"Meu objetivo é conhecer bem a Língua Portuguesa, conhecer bem o Brasil como um país irmão, quero aprender mais, aumentar minha capacitação para ajudar a desenvolver o meu país", diz Silvério.
A disposição em contribuir com a reconstrução daquele país no sudeste da Ásia é presente em todos eles. Depois de 450 anos como colônia portuguesa e outros 24 anos sob o domínio da Indonésia (1975 a 1999) e sangrenta luta pela libertação, o Timor Leste é um país em construção.
Duarte reconhece que, mesmo com o regime de opressão, houve avanços no Timor, durante a ocupação pela Indonésia, mas com a guerra de libertação tudo foi destruído e a população teve de começar do zero. As áreas onde há mais carência, segundo ele, são as de educação, saúde, agricultura e administração.
Duarte chama a atenção para a questão do petróleo, uma das riquezas do país, cujos campos são explorados pela Austrália, China, Coréia, Canadá e Noruega.
Na área da educação superior, a Universidade Nacional de Timor Lorosae tem sete faculdades: Agricultura, Ciências Sociais e Políticas, Educação, Economia, Engenharia, Medicina e Direito, que, no total, matriculam 12 mil alunos.
No ensino básico, há uma grande carência de professores de português, idioma que passou a ser oficial depois da independência. Outras línguas faladas no Timor são o Tetum, o Níkidi e o Kairu.
quarta-feira, março 07, 2007
Notícias - 7 de Março de 2007
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Reinado must die !
areamilitar.net
por Paulo Mendonça
04.03.2007
Quando em 2006, despontaram os primeiros recontros em Timor, entre o que pareciam ser conflitos étnicos entre habitantes da região oriental e outras da região ocidental do país, uma figura apareceu na ribalta.
O «Major» Alfredo Reinado, nasceu em Timor em 1967, foi recrutado pelos indonésios, foi posteriormente refugiado na Austrália, para onde conseguiu fugir em 1990, viveu naquele país até ao ano 2000, altura em que voltou a Timor.
Vindo da Austrália, onde terá tido algum treino militar, dado pelos australianos, Reinado foi imediatamente integrado nas Forças Armadas de Timor Leste. Inicialmente, foi colocado na pequena força naval timorense, composta por dois pequenos patrulhas da classe Oecusse, modernizados e oferecidos a Timor pela marinha portuguesa.
O seu comportamento truculento e a sua dificuldade em aceitar ordens, não lhe granjearam muitos amigos, mas conseguiram-lhe alguns seguidores, num país onde a truculência e a demonstração pública de «valentia» são vistas como forma de escolher líderes. Por onde passava, Reinado criava problemas, e nunca foi homem de ficar muito tempo num lugar.
Foi enviado várias vezes para a Austrália. Esteve naquele país em Outubro de 2003, Agosto de 2004 e em 2005. com o fito de o disciplinar, mas a tentativa não resultou.
Não se sabe muito sobre os contactos que estabeleceu com os australianos, mas sabe-se que quando voltou a Timor em 2004, foi despromovido da força de defesa e colocado na Policia Militar, como comandante de um pelotão.
Para Reinado, foi a humilhação. Provou nas brigas e nos desacatos de rua a sua coragem, e não compreendeu que essa foi a razão da sua despromoção.
A partir daí as suas relações com os seus superiores tornaram-se cada vez mais azedas. O seu comportamento violento, desordeiro e indisciplinado levou à sua deserção das Forças Armadas em 2006.
Em 4 de Maio, juntamente com um grupo de 20 membros do seu pelotão de policia militar, roubou dois veículos cheios de armas e juntou-se a um grupo de soldados em rebelião por razões de pagamento de salários, alegadamente em solidariedade para com ex-militares em protesto, que terão sido atacados pelo exército.
A partir de aí, embora claramente fora do controlo quer do Primeiro Ministro quer do Presidente da República, Reinado não foi tocado. Quando as forças internacionais da Australia e da Nova Zelândia chegaram, Reinado não foi preso, molestado ou sequer intimado a entregar as armas roubadas que tinha em seu poder.
Reinado conviveu amigavelmente com as tropas australianas durante semanas, sabendo-se e sendo público que detinha armamento militar roubado. As forças australianas, que chegaram a ameaçar militares portugueses da GNR, exigindo que não andassem armados nas suas áreas de intervenção, nunca fizeram nada para desarmar Reinado, que estava armado com armas de calibre 7.62 e 12.7mm a 10 metros de instalações militares australianas.
Só em 26 de Julho, quando começava a ser claro que Reinado estava a ser protegido pelos australianos, e após uma operação de forças da Guarda Nacional Republicana em que se apreenderam armas, finalmente os australianos prenderam Reinado e entregaram-no as autoridades.
Mas pouco depois, em 30 de Agosto, e quando as pretensões australianas de controlar completamente o processo de paz em Timor, excluindo completamente as Nações Unidas tinham falhado, o Major Reinado consegue fugir miraculosamente da prisão, juntamente com cinquenta e seis outros prisioneiros.
O pouco empenhamento das forças australianas na sua captura, saltou à vista e os responsáveis Neozelandeses pela guarda da prisão, estranhamente não mostraram o seu tão tradicional profissionalismo e apego ao «dever»
A dúbia posição da Austrália no conflito timorense.
A posição da Austrália e a sua relutância em agir contra Reinado, levantam várias suspeições.
A mais comum, é a de que durante as suas permanências na Austrália, Reinado terá estabelecido contactos com os serviços secretos australianos, aceitando «trabalhar» para eles, a troco de protecção para membros da sua família que vivem na Austrália.
Reinado, sería assim uma espécie de «Homem de mão» dos australianos, que seria colocado em campo quando fosse necessário criar condições de instabilidade que permitissem à Austrália entrar no território para condicionar a política timorense. Essa é aliás a estratégia tradicional da Austrália para a região, onde normalmente utiliza este «modus operandi», para garantir o controlo político sobre os pequenos países vizinhos.
Esta forma de actuação, já foi utilizada pelos australianos na Papua Nova-Guiné e nas ilhas Fidji, normalmente consideradas como sub-departamentos australianos. A Austrália envia forças de «interposição», mas não aprisiona os membros das forças rebeldes, limitando-se a controla-las. De seguida pressiona o governo, ameaçando com a saída das tropas, o que inevitavelmente implicará a volta da instabilidade.
Em Timor, o mesmo método parece ter sido utilizado, e Reinado poderá ter sido o instrumento chave, na implementação desta política australiana de intervenção, disfarçada de apoio ao governo.
Na imprensa australiana, foi mesmo criada a imagem de que Alfredo Reinado era um combatente pela Liberdade, uma espécie de Che-Guevara asiático, que lutava para defender os pobres e os oprimidos.[1]
Terá a Austrália falhado ?
Os planos da Austrália no entanto podem ter encontrado algumas pedras no sapato.
A primeira pedra foi o pedido inicial de apoio militar por parte do governo de Timor, endereçado não só à Austrália e Nova Zelândia, mas também à Malásia e a Portugal.
Com este tipo de tropas no terreno, imediatamente a estratégia australiana ficou algo comprometida. Os australianos entenderam isso de imediato, e tentaram garantir o controlo sobre as forças portuguesas e malaias, o que lhes foi recusado.
Depois disto, tentaram garantir que não haveria intervenção das Nações Unidas e que a operação Timor, se transformaria numa operação entre os governos de Timor e da Austrália, mas também aqui, os seus planos não tiveram consequências.
Presentemente, Reinado transformou-se de vantagem, em encargo, e é provável que Reinado saiba demais.
Se for verdade que Reinado não só foi protegido pelos australianos como que ainda por cima agiu por instruções directas do governo ou de empresas australianas, com o objectivo de criar instabilidade política em Timor, para remover o então Primeiro Ministro Mari Alkatiri, então Reinado tem os dias contados.
Se for aprisionado, poderá não ter outra oportunidade para fugir, e se revelar tudo o que tiver para revelar, deixará a Austrália e o governo australiano em maus lençóis.
Por tudo isto, não restam muitas opções a Reinado, e restarão ainda menos ao governo e às autoridades australianas.
Reinado, ou desaparece de circulação e tenta esconder-se nas montanhas de Timor até cair no esquecimento, ou então está condenado à morte.
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[1]A necessidade de inventar um herói popular, ficou expressa nas noticias na imprensa australiana em que se falava na sua resistência durante a invasão indonésia, em 1975, quando Timor era uma província portuguesa. Reinado tinha na altura oito anos de idade.
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Este texto é da autoria de Paulo Mendonça e foi publicado em 04.03.2007.
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Rogério Lobato condenado
Rogério Lobato condenado a 7 anos e 6 meses, pelos crimes de 4 homícidios com dolo eventual e distribuição de armas.
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Notícias - 6 de Março 2007
Timor-Leste: Comando australiano recuperou corpo de outro elemento do grupo de Reinado
Díli, 06 Mar (Lusa) - O comando australiano recuperou hoje o corpo de um quinto elemento do grupo de Alfredo Reinado morto em combate no domingo, em Same, Timor-Leste, afirmou à
Agência Lusa fonte oficial das Forças de Estabilização Internacionais (ISF).
"O corpo deste elemento do grupo de Reinado só foi encontrado hoje porque estava numa área de difícil acesso" dentro do perímetro que estava cercado pelas tropas australianas, acrescentou.
A fonte do comando australiano declarou ainda à Lusa que "um dos homens de Alfredo Reinado foi ferido durante a operação e está a receber assistência médica sob detenção".
No entanto, a mesma fonte não revelou o local em que este ferido está a ser assistido.
Durante a noite, a situação esteve mais calma em Díli e em vários pontos da cidade elementos das FALINTIL-Forças de Defesa de Timor-Leste garantiram a segurança de edifícios públicos.
Na madrugada de domingo, tarde de sábado em Lisboa, tropas das ISF apoiadas por helicópteros lançaram o ataque contra as posições do grupo de Alfredo Reinado, usando reforços de tropas de elite chegadas da Austrália nas últimas 48 horas.
As ISF fizeram um número indeterminado de detenções.
Pouco depois, numa questão de minutos, vários incidentes estalaram em simultâneo em diferentes bairros de Díli, com estradas cortadas por pneus em fogo, pedras ou árvores abatidas, apedrejamento de viaturas, casas incendiadas e combates de rua entre grupos rivais.
O bairro de Vila Verde, em pleno centro da cidade, foi um dos mais afectados, com instalações do ministério da Educação (um auditório e o armazém) a serem consumidas pelas chamas até ao amanhecer, sem que ninguém acudisse.
Cerca das 05:00 (20:00 em Lisboa), Alfredo Reinado escapou do cerco de Same "depois de dividir os seus homens em três grupos e ter feito avançar dois deles, saindo pela retaguarda", contou à Lusa uma fonte que acompanhou a operação de captura.
PRM-Lusa/fim
Reuters - Tuesday, March 6, 2007
East Timor Capital Tense After Protests
DILI (Reuters) - The capital of tiny East Timor was quiet but tense on Tuesday, a day after thousands of supporters of rebel leader Alfredo Reinado burnt tyres and threw stones to protest a raid by international troops on the fugitive's hideout.
"The situation is getting normal. Government vehicles have cleared the locations (of roadblocks)," a Reuters witness in Dili said.
He said New Zealand troops, part of an international peacekeeping force in the country of one million since last year, were patrolling areas considered riot prone.
Australian troops continued to comb the southern part of East Timor for Reinado, who escaped the weekend raid that sparked Monday's protests. Four people died in the raid.
Reinado was involved in fighting last year when the sacking of some of the army and regional differences plunged the fledgling nation into chaos.
Britain issued a new travel advice on Monday for East Timor warning against all travel there and advising British nationals in the country to leave.
"The security situation in East Timor remains uncertain and could deteriorate at short notice," the advisory said.
Australia and the United States have issued similar warnings, and Australia has announced it would evacuate non-emergency staff and families from its Dili embassy.
WEAPONS STOLEN
On Monday Reinado's supporters gathered in the heart of Dili, shouting "Long Live Alfredo", and denouncing President Xanana Gusmao, who had ordered security forces to arrest Reinado following accusations the former army major led a raid on a police post last month and made off with 25 automatic weapons and ammunition.
The protest broke up in the afternoon and Gusmao called on East Timor's people not to do anything that could destroy the nation's unity.
"We have seen many demonstrations lately that are not conveying positive messages in solving the myriad problems this country faces and on the contrary have contributed in provoking divisions among the society when this country needs unity," he said in a speech broadcast on television and radio.
He asked international and East Timorese authorities to take all legal actions needed to enforce order, warning that if "normal measures reveal themselves to be in sufficient" stronger steps may be necessary, "such as the state of siege".
Reinado has been on the run since he escaped from jail in Dili in August along with 50 other inmates.
The standoff between Reinado and the troops has raised fears of violence ahead of East Timor's April presidential election.
East Timor voted in a 1999 referendum for independence from Indonesia, which had annexed it after Portugal ended its colonial rule in 1975. The country became fully independent in 2002 after a period of U.N. administration.
Canberra Times - Tuesday, 6 March 2007
Botched battle brings home mission's failings
Nicholas Stuart
Events in Timor at the weekend demonstrate why our strategic focus must immediately be brought back to the immediate region. Although it's nice to be allowed to play with the big boys the US and Britain in their Middle Eastern sandpit, we are not actually accomplishing anything over there.
It is the height of conceit to think that we could crystallise a vague dream of democracy into reality. This country just doesn't have the strategic weight to achieve anything lasting over there. And while Prime Minister John Howard becomes increasingly shrill and hectoring about events half a world away, our own region is disintegrating.
If there was any doubt that Timorese rebel Alfredo Reinado had spent time in Australia, it was put to rest when he taunted the Australian troops supposedly surrounding him. "Tell the Aussie troops to stick surrender up their arse" he said. "There will be a civil war if anything happens to me." Our troops moved in at 2am.
Unfortunately, Reinado had left an hour earlier. The early-morning attack resulted in the deaths of four rebels, Brigadier Malcolm Rerden describing the raid as a "success". As the original mission was to capture Reinado, Rerden is apparently making up his own way of defining the word's meaning. He's not the only one. President Xanana Gusmao pretends "the operation was only to try and force Reinado to surrender". As if you normally ask someone to surrender by staking out their base for a week and then using special forces in a pre-dawn assault with helicopters and armoured vehicles in support. Oh, and killing four armed men for "posing an unacceptable threat".
No, the problem was not that the attack occurred. The failures were, firstly, that an assault was required and secondly, with its execution. Somehow, Reinado escaped. The cordon around the rebel "base" was obviously porous. This was an operational deficiency. Only those on the ground know how it occurred, however stuff-ups like this give the politicians good cause to wonder if the military can be trusted any more.
Although the snatch raid failed miserably, soldiers can't be blamed for the disintegration of East Timor. Interference in the internal affairs of another country is not Australia's job. But things cannot be allowed to deteriorate so far that military action is required to resuscitate the legitimate government of one of our neighbours.
The tiny island nations that surround us urgently require real support with the central functions of government if they are to survive. The Australian Strategic Policy Institute recently put forward the excellent suggestion that we could host some sort of college of governance. This would be an immediate way of genuinely building institutions. This is far more worthwhile than waiting for the complete collapse of a state, and then sending in troops. We could even call it something like the Australian School of Pacific Administration (or ASOPA for short). Sorry, that's a joke of course, because we got rid of ASOPA in 1972.
That establishment obviously wasn't required any more, because it was designed to train patrol officers. But the dramatic and urgent need to build institutions in our own region is blindingly obvious. A program would be simple to start. It would only require two streams one to train Australians to work for and with our neighbours; the second to encourage people from the region to gain experience, knowledge and familiarity with Australia, and the way we do things. This is an urgent strategic necessity.
Through one lens, what's happening in Timor today can be seen as an extension of what happened there in 1975. A small country, where the main business is government, is being ripped apart as different groups fight to determine who will get to control the place. When Portugal pulled out, small bands of political activists used the language of global revolutionaries to legitimise their own petty aspirations. Then Indonesia moved in to "provide stability". Today, our diggers are in there "providing stability" in the run-up to next month's election.
Times like this always get a bit tense in small island countries, where the spoils are suddenly up for grabs. There's one other point about the force deployment. As our soldiers patrol the streets they are the butt of continued attacks from hooligans, the disaffected, and worse. The dirt roads are looking increasingly as the streets of Northern Ireland did in the midst of the "troubles".
Unless the political situation is sorted out fast, it is just a matter of time before more people are killed. The other lesson from this debacle has been obvious to some people for a long time. It probably represents a degree of naivete to even be bothered restating that Defence can't be trusted. Lindsay Murdoch, an experienced correspondent in Timor, reported on Friday what anyone could see at Dili airport that a rapid troop build-up was occurring. The story quickly ricocheted back to Australia, where the probability of military action against the rebels appeared imminent.
Defence then issued a statement denying the SAS had been sent to the island. How stupid. Every commander has something called a "deception plan". This is developed to fool the enemy, because if you can confuse them about your intentions, then chances are they won't be able to anticipate what you're going to do next. But after one particular tactic is used once, it can't be used again. And that's the problem with what Defence did at the weekend.
The public relations machine became part of the war, churning out spin and the occasional direct lie in an attempt to keep a lid on the operation.
The military prostituted whatever remained of its good name, as part of an effort to deny what anyone in Timor could see was obviously the truth. In one stunning blow, the entire edifice has become redundant. By replacing the unit with a simple recorded message "no comment" a considerable amount of money could be saved.
When our troops first deployed to Timor, ordinary Australians were proud of the way they behaved and the mission that was accomplished. Since that high point, the mood has changed. First to apathy and then to antagonism. The increasing politicisation of Defence has not, as yet, led to a resurgence of the sort of divisions that stalked the relationship at the time of the Vietnam War. It is unfortunate, however, that a trend in this direction can already be detected.
- Nicholas Stuart is a Canberra writer. nicstuart@hotmail.com
AP/ Hong Kong Standard -Tuesday, March 06, 2007
Timor teeters on brink
Guido Goulart
President Xanana Gusmao invoked emergency powers to quell unrest Monday as hundreds of young men blockaded roads in East Timor with burning tires in support of a fugitive rebel leader.
Australia will evacuate non-essential government personnel, and the United States issued a travel warning.
Security in the tiny Asian nation deteriorated after international troops backed by helicopters launched a pre- dawn raid Sunday on Alfredo Reinado's mountain hideout, killing four insurgents and sending others fleeing into the jungle.
Reinado, heavily armed and wanted on murder charges, was among those who escaped.
"The state will use all legal means, including force, to stop violence and prevent destruction of property and killing, and to restore law and order," said Gusmao in a national address, giving peacekeepers and police the right to carry out arrests and searches without warrants and to break up public gatherings.
East Timor, one of the world's youngest and poorest nations, is struggling to regain stability after factional fighting in May between armed forces killed at least 37 people and sent more than 150,000 fleeing from their homes.
Order was largely restored with the arrival of 2,700 Australian-led troops and the installation of a new government, but fighting between rival gangs has flared in recent weeks raising concerns that presidential elections next month could turn violent.
Australian soldiers last month shot dead two Timorese men, exasperating tensions, and rock-hurling protesters demanded Monday that international forces leave.
Rádio Renascença - 06-03-2007, 3:16
Major Tara apela ao fim das hostilidades
Quebrou-se o grupo de ex-militares que iniciaram a revolta há cerca de um ano em Timor-Leste. Um ex-revoltoso apela à entrega das armas.
Ouvido esta noite pela Renascença, o ex-major Augusto Tara, um dos militares que iniciaram a revolta nas forças armadas timorenses, afirma que se desligou do ex-tenente Gastão Salsinha e do ex-major Alfredo Reinado depois do recente assalto a esquadras da polícia.
Em declarações à agência EFE, Reinado afirma que vai manter a luta pela justiça, enquanto Salsinha ameaça usar o apoio da juventude para iniciar uma guerrilha.
Augusto Tara, por seu lado, apela aos antigos companheiros para que entreguem as armas e evitem mais mortes em Timor.
Transcrição da entrevista conduzida por Dora Pires/Rádio Renascença:
Rádio Renascença: [Pergunta não audível]
Augusto Tara: Exactamente. Estão a andar juntos. Há dois dias que eu telefonei a eles; antes daquela situação de Same, telefonei a eles, quando ouvi falar de que estão cercados [pelas] forças internacionais eu telefonei a eles para retirar imediatamente daquela situação e para não provocar conflitos entre as forças internacionais e o grupo do major Alfredo. Mas, depois disso me responderam, mas depois não saíram daquele sitio, não ... portanto, não querem sair daquele sítio, querem provocar uma situação que está a piorar e uma situação que confusa a população e uma situação que nunca podemos aceitar que vai dar mortos nesta actual situação. Porque não é tempo de dar as pessoas para morrerem. Isto é uma situação que nunca posso aceitar com a posição deles.
Público – Terça, 6 de Março de 2007
Rebelde fala em desencadear guerrilha em Timor-Leste
Adelino Gomes
Xanana ameaça com estado de sítio e Salsinha com guerrilha. Ramos-Horta, ao PÚBLICO, menoriza o apoio da juventude a Reinado
Dois dias depois da tentativa falhada de capturar Alfredo Reinado, em Same, seguida de manifestações de apoio ao major rebelde em Díli, o presidente timorense, Xanana Gusmão, ameaçou instaurar o estado de sítio "caso medidas normais não sejam suficientes para aliviar a pressão criminal actualmente existente".
Ao mesmo tempo que o governo australiano autorizava o pessoal diplomático não essencial a abandonar o país, o porta-voz dos ex-peticionários, tenente Gastão Salsinha, falou, pela primeira vez, na possibilidade de desencadear uma luta de guerrilhas "para combater a injustiça".
Salsinha, um dos líderes da luta dos 595 peticionários que abandonaram as FDTL (forças de defesa de Timor-Leste) há cerca de um ano, logrou também escapar ao cerco das forças internacionais que ontem continuavam a caça ao homem na zona sul do país.
"O que vamos fazer é tentar reagrupar-nos e estabelecer um novo plano de acção que seja apoiado pela juventude da selva e de Díli, para combater com guerrilhas a injustiça, as pessoas que tem o poder em Díli e que cometem coisas tão injustas como a expulsão de soldados e do comandante Alfredo Reinado ", disse Salsinha, num contacto telefónico com o correspondente da agência espanhola efe, Florentino Goulart.
Gastão Salsinha revelou que se encontrava próximo da posição do seu "aliado" Alfredo Reinado no momento em que forças australianas atacaram, "com quatro helicópteros Black Hawk e helicópteros de vigilância", mas conseguiu escapar com quatro seguranças "e alguns amigos de Same".
Num contacto telefónico separado com a mesma agência, Reinado disse, por seu turno, que luta pela justiça "junto ao povo". O seu "poder", acrescentou, "vem do povo e está com o povo", afirmou.
O aviso de Xanana
Numa declaração ao país, transmitida ontem pela rádio e televisão timorenses - a segunda em 24 horas -, Xanana Gusmão anunciou que "o Estado vai utilizar todos os mecanismos legais disponíveis, incluindo o uso da força, quando necessário, para pôr fim à violência, à destruição de bens e à perda de vidas e restabelecer rapidamente a ordem pública".
"O país está a assistir a uma certa anarquia e a uma falta de vontade de certos segmentos da sociedade em contribuir para a estabilização do país. (...) não se pode permitir que se continue a perder bens e vidas e que os cidadãos continuem a viver num clima de insegurança", disse o presidente da república.
A deterioração da situação de segurança "é um assunto de séria preocupação" para o governo da Austrália, considerou, por seu lado, o ministro dos negócios estrangeiros, Alexander Downer, ao anunciar que o pessoal não essencial da representação diplomática em Díli foi autorizado a abandonar Timor-Leste. "A situação é volátil" e os australianos podem ser "especialmente visados" por actos de violência, justificou.
O ministro australiano manifestou-se especialmente preocupado com a situação dos jornalistas do seu país que tentam atingir a região de Same, onde prosseguem as operações de busca de Alfredo Reinado.
Embora manifestando-se de acordo com as considerações do seu homólogo, o ministro Luís Amado disse ontem em Bruxelas não ver "nenhuma necessidade" de tomar medidas com vista à retirada de cidadãos portugueses do país (ver caixa nesta página).
A escola portuguesa de Díli esteve encerrada ontem e a embaixada manteve a recomendação para que os membros da comunidade efectuassem apenas as deslocações estritamente necessárias.
Apoiantes de reinado têm vindo a responder às operações contra o antigo comandante da polícia militar com apedrejamentos, barricadas, corte de ruas, queima de pneus e ataques a algumas residências e edifícios do governo, em Díli, especialmente nos bairros de Taibessi (onde no final da semana passada apareceram os primeiros cartazes de apoio ao major rebelde), Vila Verde, Colmera e bairro Pité.
100 dólares por Isaac
Além de Reinado e de Salsinha - os dois nomes mais conhecidos entre os militares em fuga -, ontem, a meio de madrugada (menos oito horas em Portugal), continuava igualmente "em parte incerta" o deputado independente Leandro Isaac, que se encontrou "por acaso" com Reinado em Same e passou a funcionar como uma espécie de seu porta-voz político.
Leandro Isaac garantiu à Lusa que não tem contacto neste momento nem com Alfredo Reinado nem com Gastão Salsinha. "Estou sozinho com a juventude", declarou lacónico sobre o seu paradeiro.
"Estou bem, na medida em que se pode estar bem nesta situação. Estou numa caverna, num buraco", acrescentou.
O deputado conseguiu escapar de Same porque os australianos não o reconheceram, segundo contou. "Eu vi soldados australianos oferecerem cem dólares à minha frente por informações sobre o meu paradeiro. Eles não conheciam a cara do Leandro Isaac e os jovens protegeram-me não dizendo quem eu era e levando-me com eles."
"Tenho muito pouco tempo", disse à agência noticiosa portuguesa, temendo ser denunciado pelo sinal do seu telemóvel.
Eleito deputado nas listas do PSD, de Mário Carrascalão, com quem entrou depois em dissidência, Leandro Isaac foi uma das vozes da Resistência para o exterior, durante a fase final da ocupação Indonésia de Timor.
Público – Terça, 6 de Março de 2007
Entrevista com José Ramos-Horta: Eleições não estão "necessariamente" em perigo
Adelino Gomes
À frente nas sondagens, Ramos-Horta desvaloriza as manifestações de apoio da juventude ao major rebelde Alfredo Reinado
O primeiro-ministro timorense, José Ramos-Horta, diz que as manifestações de apoio a Reinado não têm nada de político. "É mais entre elementos de artes marciais." Na bolsa de sondagens presidenciais, feita por um jornal de Díli, conta, vai em primeiro lugar e o candidato da Fretilin em último. Breve entrevista por e-mail.
PÚBLICO - Como foi possível tropas especiais deixarem escapar Reinado e o comandante australiano dizer que a operação foi "um sucesso"?
JOSÉ RAMOS-HORTA - A operação policial continua a decorrer na região de Same e redondezas.
PÚBLICO - O tempo joga a favor dele e contra o Governo e o Estado. Se ele não for capturado nos próximos dias, a campanha eleitoral não estará em perigo?
JOSÉ RAMOS-HORTA - Não necessariamente. Uma coisa é alguém estar confortavelmente instalado nalgum local sem ser incomodado, sem ser perseguido, outra é ter uma força especial atrás... Mas continuamos empenhados em fazer prevalecer a justiça pela via pacífica. As forças internacionais só reagem quando são atacadas. Foi o que aconteceu em Same.
PÚBLICO - Como se compreende que Reinado seja já um herói para jovens em Díli? Não significará isso que há realmente bastante desilusão por parte dos mais jovens em relação ao que a liderança que vem da Resistência fez nestes quatro anos?
JOSÉ RAMOS-HORTA - A pergunta peca logo pelo exagero quando fala nos "jovens" de Díli. Quem? Quais? A esmagadora maioria dos jovens é boa, pacífica, não está envolvida nos desacatos e não apoia quem usa a violência. O grupo a que está a referir-se é o mesmo que tem estado ao longo de meses envolvido em saques de armazéns, assaltos nos bairros, etc. Não tem nada de político. Primeiro foi a alegada divisão loromonu vs lorosae. Eu sempre disse que é um problema falso. O tempo veio a desmentir essa dita rivalidade entre gente do Oeste e do Leste. Nos últimos meses os problemas têm sido mais entre elementos de artes marciais rivais.
PÚBLICO - Estas manifestações não constituem, por outro lado, também, uma espécie de "moção de desconfiança" no actual governo e no seu chefe?
JOSÉ RAMOS-HORTA - Continuo a percorrer a cidade sem problemas. No sábado meti-me num minibus comercial, o famoso mikrolet, e percorri muitos locais, bairros. Almocei numa "tasca" numa das zonas quentes. Fui sempre recebido muito bem. A primeira sondagem à opinião pública feita telefonicamente pelo maior jornal diário de Díli deu-me 40 por cento de preferência dos eleitores; em segundo lugar ficou o candidato Xavier Amaral com 14 por cento; em terceiro lugar ficou Fernando Araújo, do Partido Democrático, com 12 por cento. O candidato da Fretilin ficou em quarto lugar com 11 por cento. Claro que é ainda muito cedo para termos uma apreciação correcta da preferência eleitoral. Matematicamente, o candidato da Fretilin deveria ganhar facilmente. Mas continuo a dizer: se o eleitorado, na sua maioria jovem - os tais jovens que diz estarem "desiludidos" com o meu governo -, votar por um dos outros seis candidatos, eu honrarei esse veredicto e até fico muito feliz pela escolha sábia do povo.
Público – Terça, 6 de Março de 2007
Crónica: Reinado é um Rambo louco?
Maria Ângela Carrascalão,
Há coisas que não consigo entender.
Reinado juntou-se aos autores ou é ele mesmo o obreiro da crise que eclodiu no país em Abril passado, resultante de outros tantos incidentes anteriores que nunca foram resolvidos?
Reinado, o desconhecido, metamorfoseou-se (ou metamorfosearam-no) em Reinado o herói: foi tratado como fugitivo de primeiríssima classe, foi recebido pelo presidente da república, dialogou com o primeiro-ministro, esteve guardado pelos militares australianos, passeou-se armado pelo país, assistiu à missa, falou para convidados sem que ninguém lhe deitasse a mão...
É certo que teve uma passagem fugaz pela prisão de Becora. Mas, também aí, Reinado encontrou a porta aberta, num tácito convite para o seu regresso à liberdade. e de passeio em passeio almoçou, riu, bebeu e juntou as armas de oferta de um posto da polícia de fronteira. Por causa de Reinado, o país está a ferro e fogo.
E o homem que ninguém conhecia soma agora seguidores por todo o país. Os jovens cortam o cabelo à Reinado, os mais (pouco) musculados, tal como Reinado, usam t-shirts sem mangas para que melhor se vejam os seus músculos; nalgumas ruas até já se vêem faixas vitoriando Reinado.
Se Reinado está por detrás de tudo, então não é apenas um rambo louco e tem qualidades de liderança, de organização e de persuasão de que ninguém suspeitava. O que não quer dizer que manobre sozinho...
Se Reinado não passa de um desgraçado alcandorado aos píncaros da fama por quem tinha o dever de pensar o país, então quem lhe deu força é ainda mais louco que ele. Se Reinado for preso, a paz volta ao país?
Reinado, o foragido, desertor, bem-falante de língua inglesa, perdida a costela portuguesa, odiado, amado, admirado, quem será este homem que obrigou até o presidente Xanana a comparar os perfis biográficos de ambos?
Que terá acontecido que tenha escapado aos timorenses e tenha levado a que se transforme o herói - bandido bom, simpático, de sorriso fácil - em alvo a abater com a máxima urgência?
Precisamos mesmo de um mártir?
Estamos transformados num país sem rei nem roque, onde até já se ouvem alguns à boca cheia e despudoradamente recordar em tom nostálgico os bons velhos tempos da ocupação indonésia; reduzidos a espectadores assustados de um triste capítulo da história da nossa curta independência, resvalamos perigosamente para o caos total. Não tarda nada, estamos a pedir que tomem conta de nós... quem virá ocupar Timor-Leste?
Os timorenses têm o direito de saber...
Diário de Notícias – Terça, 6 de Março de 2007
Xanana critica passividade perante a violência de Díli
Armando Rafael*
O Presidente timorense admitiu ontem poder vir a decretar o estado de sítio, caso as "medidas normais não sejam suficientes para aliviar a pressão criminal" no país. Uma intenção que, a ser concretizada, implicaria o adiamento das presidenciais de 9 de Abril, uma vez que a limitação da liberdade decorrente desta medida de excepção dificilmente poderia ser compatível com uma campanha eleitoral.
Razão pela qual o discurso de Xanana Gusmão parece apontar noutro sentido, introduzindo críticas às forças internacionais que não têm conseguido conter a violência dos últimos dias. Designadamente em Díli, já que o resto do país parece tranquilo, com excepção das escaramuças registadas em Gleno e Ermera.
"O país está a assistir a uma certa anarquia e a uma falta de vontade de certos segmentos da sociedade em contribuir para a estabilização do país", frisou Xanana, sublinhando que os timorenses "não podem permitir que se continuem a perder bens e vidas" ou a viver "num clima de insegurança."
Num discurso transmitido pela rádio e pela televisão, o Presidente apontou as manifestações dos últimos dias como um exemplo da intolerância que se vive no país, garantindo que "o Estado vai utilizar todos os mecanismos legais disponíveis, incluindo o uso da força, para pôr fim à violência, à destruição de bens e à perda de vidas e restabelecer rapidamente a ordem pública".
Um discurso que não parece deixar grandes dúvidas sobre a apreciação que Xanana faz acerca do comportamento de quem só tem actuado a posteriori para conter os distúrbios. Com excepção da GNR, que parece ser o único contingente internacional que se atreve a entrar nos bairros onde vivem alguns dos jovens que têm apoiado as posições do major Alfredo Reinado, que conseguiu escapar ao cerco que os australianos lhe tinham montado em Same, a 80 quilómetros de Díli.
Como se isto não fosse suficiente, Camberra vai começar a retirar hoje alguns australianos e outros estrangeiros de Timor-Leste, temendo novos focos de violência. Nomeadamente os que poderão ocorrer amanhã, quando for conhecida a sentença que deverá condenar o ex-ministro do Interior Rogério Lobato por ter distribuído armas a civis durante a crise do ano passado.
Sem que Portugal adopte, para já, esta posição das autoridades australianas, com as quais o ministro dos Negócios Estrangeiros esteve ontem em contacto, à margem de uma reunião da União Europeia.
Luís Amado adiantou ainda estar a acompanhar os acontecimentos com preocupação, considerando, no entanto, que a situação em Timor-Leste ainda está sob controlo. "Mas é tudo muito volátil", reconheceu o ministro, adiantando que a embaixada em Díli está preparada para ajudar os portugueses que quiserem abandonar o território timorense.
*Com Fernando de Sousa, em Bruxelas
EFE/Estadão (Brasil) - 06 de março de 2007, 02:35
Presidente do Timor assume controle das Forças Armadas
Forças Armadas usarão ´todos os meios necessários´ para deter rebelde, diz Gusmão
Díli - O presidente do Timor Leste, Xanana Gusmão, lançou mão nesta terça-feira, 6, de seus poderes de emergência para assumir o controle das Forças Armadas, que usarão "todos os meios necessários, inclusive a força" para deter o militar rebelde Alfredo Reinado.
Gusmão fez o anúncio na noite de segunda-feira, 5, depois de centenas de jovens partidários de Reinado se manifestarem diante da Embaixada da Austrália em Díli para exigir a retirada dos soldados australianos do Timor Leste. Trinta deles atacaram com paus, facções e pedras um café da capital.
A violência exigiu a intervenção da Polícia das Nações Unidas, que deteve três jovens, segundo o comandante do distrito, António Leitão. Assim, o presidente voltou a assumir os poderes de emergência a que já havia recorrido no ano passado para conter a onda de violência de Abril e Maio.
O primeiro-ministro, José Ramos Horta, disse aos manifestantes que uma retirada das forças australianas era um "sonho inútil". Ele ressaltou que estava disposto ao diálogo e a pedir a Gusmão que retirasse a ordem de detenção se Reinado se entregasse.
No entanto, Nino Pereira, porta-voz do Movimento de União Nacional para a Justiça (MUNJ), insistiu na saída dos soldados estrangeiros. Ele afirmou que o presidente não era seu comandante-em-chefe e portanto não tinha que obedecer a suas ordens.
Gusmão ordenou na semana passada às forças estrangeiras presentes no país a detenção imediata de Reinado. O ex-militar foi um dos 599 militares expulsos por insubordinação do Exército em Março de 2006.
EFE - 06 de Março de 2007, 06:38
Líder rebelde destrói casa de outra irmã do presidente do Timor
Díli - O comandante rebelde Alfredo Reinado destruiu hoje a casa de outra irmã do presidente do Timor Leste, Xanana Gusmão, em represália à ordem dada à força internacional para sua detenção.
Policiais da ONU e da Guarda Nacional Republicana chegaram ao local logo depois de saber da agressão à casa da deputada Armadina Gusmão e de seu marido, Gilman dos Santos, em Taibesi.
Na véspera, Reinado e seus homens haviam destruído a casa da irmã mais nova do líder, Manuela Gusmão, em Vila Verde.
"Chegou o momento de o presidente Xanana Gusmão e sua família receberem o que merecem como consequência da decisão de capturar o comandante Alfredo", declarou Quitiliano Nakrakat, de 26 anos, um dos seguidores do militar rebelde.
Quintiliano chamou Reinado de "herói" e condenou a operação militar de domingo que tentou de capturar o insurgente na localidade de Same, cerca de 80 quilómetros ao sul de Díli. A acção acabou com um saldo de cinco mortos, pelo menos quatro deles abatidos por tropas australianas.
"O presidente deve retirar a ordem de capturar o comandante Alfredo ou sua família viverá ameaçada", afirmou Quintiliano.
O líder mandou capturar Reinado depois de ele assaltar dois postos fronteiriços e roubar 25 armas de fogo.
"Se Xanana não tiver guarda-costas, morrerá. Ele traiu a população de Timor Leste e o comandante Alfredo", acrescentou o rebelde.
As eleições presidenciais no Timor Leste estão marcadas para 9 de Abril. Gusmão não concorrerá.
Reinado foi um dos 599 militares expulsos por insubordinação do Exército em Março do ano passado. Ele foi detido por posse ilegal de armas, mas fugiu em Agosto.
AAP - March 06, 2007 05:20pm
Reinado supporters threaten Gusmao family
Supporters of East Timor's rebel leader Alfredo Reinado have threatened to murder President Xanana Gusmao's family as punishment for asking Australian troops to hunt down the renegade major.
Australia today told its citizens to get out of East Timor and also moved to evacuate embassy staff and their families who wanted to leave.
Defence Minister Brendan Nelson also said Canberra would review its troop deployment of 800 if widespread violence flared.
The homes of two of Gusmao's sisters have been attacked since Australian forces stormed Reinado's mountain stronghold on Sunday, killing five of his supporters, one of the women said today.
Reinado escaped and Australian troops continue to search for him in the countryside around the town of Same, south of Dili, where the raid took place.
The deadly assault by the Australians touched off street violence across Dili, but authorities said a relative calm had returned to the capital today.
However, there are fears of another outbreak of widespread violence, with Reinado supporters urging East Timorese to attend a "demonstration for justice" on Thursday.
Another trigger point could come tomorrow, when a court verdict is expected for former interior minister Rogerio Lobato, accused of going behind the Government's back to arm civilians loyal to Reinado last year.
Reinado is wanted for leading a band of breakaway soldiers last April and May, when battles between rival security factions degenerated into rampant violence across East Timor.
The unrest sparked the intervention of the international peacekeeping force, including 800 Australians given the job of preventing a repeat of the chaos.
The president's sister Armandina Gusmao today told how her family had been threatened with death and said her home, and that of her sister Manuela, had been attacked following the Australian raid on Reinado's base.
She said a pro-Reinado mob surrounded her home overnight, saying they would kill her president brother's family "to the third generation".
She said the mob hurled objects at her house and harassed her family for hours after earlier ransacking Manuela's Dili home.
"They took everything," Armandina Gusmao said of mob raid on her sister's property.
"The only reason they didn't burn it was because they wanted to steal the contents. It's just like Indonesian times," she said, referring to the violence that occurred during Jakarta's occupation of East Timor.
"What hurts me most is that Timorese are doing it."
Meanwhile, the tiny nation's oldest human rights group was warning of the potential for civil war today, stemming from the Australian troops' raid on Reinado's Same base.
Jose Luis Oliveira, of the HAK Foundation, said Gusmao had violated East Timor's constitution by calling on international troops to settle what was an internal affair, paving the way for an insurgency.
"The president gave the order and the Australian force implemented it, but it was the wrong decision," Oliveira said.
Australia had acted "as an instrument of the political elites of Timor," and "the barricades in the streets of Dili are a reaction" to that.
"The population supports Alfredo and is capable of prolonged resistance."
An international forces spokesman today said a fifth body was recovered from the site in Same where Australians stormed Reinado's base.
Families gathered at the main hospital in Dili, where the bodies of the other four men are reportedly being kept.
But Oliveira said relatives were distraught because officials were refusing to release the names of the dead men.
Mr Gusmao has warned of a security crackdown, saying: "The state will use legal mechanisms, including force if necessary, to halt violence, damage to private property, killings, and to re-establish general order as soon as possible."
Prime Minister John Howard today said a mix of military operations and local political will was required to bring the situation in East Timor under control.
"It's a reminder that this country is still fragile and still needs our help and still needs our investment of people and military and police capacity," Mr Howard said.
There are fears the latest unrest could derail presidential elections set down for April 9. Gusmao has said he will not seek re-election, and is believed to be forming his own political party to take a tilt at national elections due later in the year.
AKI - 6 March 2007, 11:02
East Timor: Rebels Threaten President's Family
Dili - The homes of President Xanana Gusmao's sisters have been attacked by protesters and rebels loyal to renegade Major Alfredo Alves Reinado in a sign of increased tension and polarisation among the country's population. In an interview with Adnkronos International
(AKI), Quintiliano Barros, 26, a supporter of Reinado, threatened to kill Gusmao whom he slammed as a traitor.
"It is time for President Gusmao and his family to receive what they deserve after Gusmao’s decision to capture Major Alfredo,” said Quintiliano, whose younger brother, Deolindo, was killed during the raid against Reinado on Sunday.
“President Gusmao has no choice but to withdraw his order to arrest Major Alfredo. If he does not do it, his family will live in danger and if he walks without bodyguards we will kill him,” she added stressing that the president is now considered a “traitor.”
President Gusmao, the undisputed hero of East Timor’s fight for independence against Indonesia, ordered the arrest of Major Reinado last week, after months of talks aimed at bringing the rebel back into the fold peacefully. On Sunday, a raid conducted by Australian troops left four people dead while Reinado escaped.
The raid was followed by riots in Dili, the tiny country's capital, where young people chanted “Long live Alfredo.”
On Tuesday, the house of the president's sister, Armandina, an MP, was severely damaged during a protest by supporters of Reinado. Reports in Dili say the situation did not degenerate further thanks to the intervention of the Portuguese contingent within the United Nations paramilitary police. The previous day, the president's younger sister Manuela's home was looted in the village of Vila Verde, on the outskirts of the city.
Gusmao enjoys a very large following in East Timor and the protests against his family risk further dividing the local population, bringing back the spectre of a civil war.
Reinado abandoned the army on 4 May 2006 to join approximately 600 former soldiers who had been dismissed two months before, after complaining of ethnic discrimination over promotions.
The sacking sparked nationwide clashes in a crisis that left 37 people dead, forced 155,000 to flee their homes, brought down the government of former prime minister Mari Alkatiri, and resulted in an Australia-led peacekeeping troops being deployed to the tiny Southeast Asian nation.
Reinado was arrested for his role in the violence and accused in connection with the murder of five people.
East Timor voted in a 1999 referendum for independence from Indonesia, which had annexed it after Portugal ended its colonial rule in 1975. The country became fully independent in 2002 after a period of United Nations administration.
ABC – Transcript ‘The World Today’ - Tuesday, 6 March , 2007 12:14:00
Travel warnings as East Timor violence continues
Reporter: Mark Willacy
ELIZABETH JACKSON: More countries are advising their nationals to stay clear of East Timor, because of the risk of violence.
New Zealand and Britain have become the latest governments to issue travel warnings, and have advised all non-essential staff already in the country to consider leaving.
The Australian Government yesterday authorised the voluntary departure of dependants and non-emergency embassy staff from Dili, after clashes involving rock-throwers and demonstrators who burnt tyres in the capital.
Some of the unrest is being blamed on supporters of the former army officer, Alfredo Reinado, who escaped capture by Australian troops on the weekend.
Mark Willacy is in Dili and he joins us now.
Mark, what's been happening this morning. Have there been any more clashes?
MARK WILLACY: No Elizabeth, what we understand is that there have been a few random checkpoints thrown up by armed youths. When I say armed, they're normally armed with just sticks and rocks.
Also, there's been a lot of tyre-burning on the streets, which has created this pall of smoke and fumes hanging over Dili and basically, it's forced many people to cover their faces to ward off the pollution, so that's caused an inconvenience to basically everyone.
But in terms of actual clashes or violence, most of that happened overnight.
ELIZABETH JACKSON: Have there been any Australians leaving the country that you're aware of?
MARK WILLACY: We understand that there may have been a couple of Australians, who were over here either on business or other activities not associated with government activities, who have left. We understand that the first batch, which is family members of people working at the embassy, may be leaving later this afternoon or tonight, and that charter planes have been booked.
The embassy apparently has been speaking to staff there. It's informed them of what has been said by the Australian Government in relation to non-essential staff being allowed to leave.
People in the embassy are now making up their minds whether they want to stay or whether they want to go.
ELIZABETH JACKSON: How is the UN and the International Security Force coping with the situation there?
MARK WILLACY: Well, out on the streets this morning there are a lot more UN personnel out on the streets. We were just at the Australian Embassy. There was some UN personnel there, Pakistani UN soldiers protecting it. It was all quiet at the embassy. But there are certainly a lot of patrols of UN police out on the street.
But given that it's quiet, they are just cruising around the streets, looking for trouble, basically shooing away anyone who wants to set up a makeshift checkpoint or roadblock. And at this stage, that's all they're doing today.
Last night, we understand they were kept a little bit busy arresting several youths who were involved in throwing rocks at cars.
ELIZABETH JACKSON: Now, the UN has said that it was going to extend its mission in East Timor by sending in more international peacekeepers. Is there any information Mark, about the arrival of those extra forces?
MARK WILLACY: Well, there are 1,550 UN forces here at the moment, but we understand that on the slate is another 140 troops and police from Portugal.
Now, there is no word from the UN on when they're due in. They've been due in, they were slated to come in some time for a while now, but they may be now rushed in to help with the security situation. But as I say, those 140 Portuguese troops and police were slated to come in before this happened. Now that the violence has flared, it could be that they will be rushed over here to help with operations.
ELIZABETH JACKSON: Has East Timor's President declared a state of emergency to restore law and order? I know that was on the cards last night.
MARK WILLACY: Not yet. He did come on national television and told the nation that he was considering announcing or imposing a state of emergency if the violence continued or flared up even more.
We did see more violence overnight, but we haven't heard anything from the President, Xanana Gusmao, as yet about a state of emergency.
Obviously, that's a very serious turn of events. It would possibly mean curfews for the city of Dili at least. It would probably involve checkpoints of East Timorese security forces and probably international forces for that matter as well, and possibly martial law, we don't really know.
Obviously, the state of emergency, when it's called and just how severe or strict it is, is up to Xanana Gusmao and so far we haven't heard from him at all today.
ELIZABETH JACKSON: Now, what of the whereabouts of Alfredo Reinado? Have there been any developments in the hunt for him?
MARK WILLACY: No, he's basically melted off into the thick jungle areas around Same, which is south of Dili. That was where he was holed out when the Australian troops came to get him.
He obviously slipped through the net there and has fled into rugged bushland, as I said. That is making it probably very difficult for the troops chasing him.
There's obviously helicopters up in the air and vehicle patrols, but they're probably relatively limited scope, because there is very little you can do if you can spot someone from the air, if you're lucky enough, from a helicopter, there's very little you can do about it.
But there are, we understand, foot patrols by Australian troops through that area. They are still searching for him, but he probably has the upper hand, given that he's got a greater knowledge of that area than the troops who are hunting him.
ELIZABETH JACKSON: Now Mark, you mentioned earlier that things had been relative quite this morning, considering the circumstances. Are there fears that the security situation will deteriorate throughout the afternoon, or have those concerns been overstated, do you think?
MARK WILLACY: No, I was speaking to an Australian who is serving with the UN police force over here, and he was saying that the night is the time they dread the most.
It seems to be when the supporters of Reinado or the gangs seem to come out onto the street. But he's saying that they're starting to fear that there will be more daylight activity.
He said there were a couple of incidents late yesterday afternoon in daylight involving dozens of youths armed with stones, rocks and a couple with machetes.
So, there is certainly a feeling of great wariness here among the UN police staff, and they are certainly bracing themselves, you would say, for possible trouble later today, but also, as we've seen the last few nights, after the sun sets.
ELIZABETH JACKSON: Mark Willacy, thank you.
Our reporter, Mark Willacy, joining us from Dili.
ABC – Tuesday, March 6, 2007. 6:12pm (AEDT)
Australians arrive home from 'volatile' E Timor
Australian volunteers who were working in the East Timorese capital Dili have arrived at Darwin airport after being ordered home.
The Department of Foreign Affairs is advising Australians in East Timor to consider leaving because of the volatile security situation and the risk of civil unrest.
A volunteer with the Alola Foundation, Meridith Budge, says her office in Dili will be closed for the rest of the week because of the threat of violence.
"We're closing the office from Wednesday to Friday just because of a range of different things," she said.
"There's the Fretelin Congress, there's threats of the protest from the young people who were killed last week and demonstrations on the Rogerio Lobarto case, the outcome of that.
"Whether or not people see that, justice has been carried."
The Department of Foreign Affairs says people looking to leave East Timor should contact their airline directly but warns flights could be heavily booked and access to the airport may be disrupted.
The Department says the situation in East Timor could get worse without warning and notes there is an increasing likelihood that Australians could be targeted.
The Government has authorised the voluntary departure of non-emergency staff, and dependents from East Timor because of the violence.
The Department also strongly advises Australians outside of East Timor not to travel there.
'Help needed'
An Australian school principal in East Timor says the Australian Embassy has not done enough to help its citizens there.
The Principal of Dili International School, Lyndal Barrett, says she has not received any information from the Embassy apart from a warning on the Department of Foreign Affairs website.
She says she has not been given help in making travel arrangements and is preparing to flee the country for Darwin on a friend's yacht.
Ms Barrett says Australians have been targeted because of the campaign by Australian forces to capture rebel leader Alfredo Reinado.
"It hit home last night, my local cafe where I go for pizzas was stoned last night with all East Timorese standing out the front throwing rocks through the doors saying 'Aussies go home we hate you'," Ms Barrett said.
AAP – March 6, 2007 - 2:54PM
Aussies could be targeted in Timor: govt
Australians in East Timor could be targeted by supporters of fugitive rebel leader Alfredo Reinado, Foreign Affairs Minister Alexander Downer warned.
Australians were urged to leave East Timor as a massive man hunt continued for Reinado, after he escaped a raid by Australian troops on his hideout in Same, south of Dili, on Sunday.
The federal government is also evacuating East Timor Australian embassy staff and their families who want to leave as security in the fledgling nation deteriorates.
New violence and protests have erupted in Dili, including outside the Australian embassy, since Australian troops killed five of Reinado's armed supporters in Sunday's clash.
Australians in East Timor, and those who have fled to Darwin, said Australians were being targeted because of the role Australian troops had played.
"It hit home last night, my local cafe where I go for pizzas was stoned last night with all East Timorese standing out the front throwing rocks through the doors saying 'Aussies go home, we hate you'," the principal of Dili International School, Lyndal Barrett, told ABC radio.
Downer, speaking in Jakarta, said Australia was concerned about the instability in East Timor.
"In this environment, there are some disruptions, protests from strident political opponents of the East Timor government," he said. "Obviously people are entitled to protest so long as they do so peacefully ... (but) we have some concerns about the stability at the moment. We have recommended to Australians there that they leave. We think that Australians could be targeted by protesters and sympathisers of Major Reinado and we don't want them to get into harm's way. We are concerned about the situation and we are doing our best to calm it down."
The Department of Foreign Affairs and Trade issued a fresh travel advisory for East Timor on Tuesday. "We advise Australians in East Timor to depart," it said.
Prime Minister John Howard echoed Downer's concerns.
"Those evacuations are precautionary, I don't hold deep fears but I do hold some concerns," he said in Canberra. "The security situation has got worse and Reinado and his followers are a threat to the peaceful situation and the stability of the country."
Howard said a mix of military operations and local political will was required to bring the situation in hand. "It's a reminder that this country is still fragile and still needs our help and still needs our investment of people and military and police capacity," he said.
Australia's Defence Minister Brendan Nelson again urged Reinado to hand himself in or face the Australian-led forces hunting him. "The operation where we have been asked to capture Major Reinado ... is proceeding," Nelson told reporters.
If widespread violence does flare in East Timor, Nelson said Australia would review its troop deployment, currently about 800.
"We review all of our deployments ... on a day-to-day, week-to-week basis depending on the circumstances on the ground," Nelson said.
Chief of the Defence Force Air Chief Marshal Angus Houston denied the unsuccessful attempt to capture Reinado was a failure. "The operation the other night was actually a success," he said. "We captured all of his equipment, we've taken out a number of his force and essentially he's lost total effectiveness."
Reinado is believed to be on foot somewhere in East Timor's southern highlands.
"He was very lucky to escape," Houston said. "It was a very high risk operation. It was a very challenging operation and it was conducted very professionally and very effectively."
AAP – Tuesday Mar 6 08:48 AEDT
NZ not pulling East Timor diplomats
New Zealand is not following Australia's lead in pulling out its non-essential diplomatic staff from troubled East Timor.
Timorese supporters of fugitive rebel leader Alfredo Reinado staged a violent demonstration in the capital Dili to protest an Australian-led raid on his hideout, which left four people dead on Saturday.
The protesters made particular threats against Australians, prompting authorisation for non-emergency Australian embassy staff to evacuate with their families.
Ministry of Foreign Affairs spokeswoman Helen Tunnah said New Zealand was not in the same position as Australia.
Authorisation to leave had not been given to the embassy's three New Zealand citizen staff, she said.
However, security was under constant review for the 18 registered New Zealand citizens who were neither embassy staff nor defence forces.
Ms Tunnah said these people were a mixture of aid workers, non-governmental staff and others. They had already been advised not to travel anywhere within the country, which was upgraded to an "extreme risk" classification across all areas.
The ministry was advising anyone who felt unsafe to make immediate arrangements to leave the country, she said.
Ministry of Foreign Affairs and Trade - Tuesday, 6 March 2007, 12:18 pm
Timor-Leste Travel Advisory: Extreme Risk
Revised 6 March 2007
There is extreme risk to your security in all parts of Timor-Leste and we advise against all travel. The security situation remains extremely volatile and could deteriorate further with little warning. New Zealanders currently in Timor-Leste concerned for their safety should consider departing. New Zealanders seeking to depart Timor-Leste should contact their airline directly at the earliest opportunity. Flights may become heavily booked and access to the airport could be disrupted.
There is extreme risk to your security in the city of Same and the surrounding area and we advise against all travel there. The International Security Force and the UN Police in Timor-Leste are recommending that foreign nationals leave Same.
There has been an increase in violence, including looting, robbery, arson, assault and attacks on vehicles, since the beginning of February 2007. There has been an increase in the frequency and scale of disturbances, particularly around the IDP (internally displaced persons) camp in the airport vicinity. Extreme caution should be exercised around Comoro airport and the road to the airport as well as around the food storage sites. We recommend you avoid, as much as possible, the areas from Comoro to Fatuhada and Marconi as well as Pantai Kelapa. Disruptions to flights and airport operations could occur.
New Zealanders are advised to steer clear of protests, demonstrations and street rallies as they could turn violent with little warning. The election period in Timor-Leste, which begins with the Presidential elections on 9 April 2007, could lead to demonstrations and protests. Government buildings should be avoided and New Zealanders should also avoid all unnecessary travel, especially at night.
On 27 February 2007 Indonesia temporarily closed its border with Timor-Leste.
The Australian Government has advised that Australians and Australian interests may be specifically targeted and that all Australians should exercise extreme caution. We advise New Zealanders to do the same.
New Zealanders are advised to regularly monitor the media and local information sources to keep up to date on the security situation.
New Zealanders resident in Timor-Leste should have comprehensive medical and travel insurance policies that include provision for medical evacuation by air.
New Zealanders resident in or travelling to Timor-Leste are strongly urged to record their details with the Ministry of Foreign Affairs and Trade and to maintain regular contact with the New Zealand Embassy in Dili.
The New Zealand Embassy
Rua Alferes Duarte Arbiro,
Farol, Dili, Timor-Leste.
Telephone: +(670) 331 0087) Facsimile: +(670) 332 4982
Email: nzembassydili@gmail.com or chrisday220@gmail.com
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domingo, março 04, 2007
Timor-Leste: mortos e feridos no ataque australiano, Alfredo Reinado ferido e preso
04.03.2007 - 00h19 PUBLICO.PT
O ataque australiano contra o major Alfredo Reinado, em Same (Timor-Leste), fez mortos e feridos, em número indeterminado, segundo informação do deputado Leandro Isaac, que se encontra no local.
Alfredo Reinado ficou ferido e foi capturado pelas forças australianas, segundo adiantou fonte policial à TSF.
Em declarações à rádio TSF, Leandro Isaac disse que há militares australianos na rua em Same, no sul do país, e que o ataque envolveu helicópteros, aviões, tanques de guerra e forças especiais.
Manifestou-se convicto de que a situação “vai complicar-se”. Segundo Issac, "a guerra foi declarada" por Ramos-Horta.
Há também relatos de tensão em Díli após o ataque a Same. Ataques com armas de fogo, apedrejamentos e barreiras de estrada começaram em vários pontos da cidade, pouco depois do início da operação das tropas australianas contra Alfredo Reinado, noticia a Lusa citando fonte policial.
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Recebido no forum-loriku
"Carissimos
Acabo de receber telefonema de Same informando que por ordem de X e RH o tiroteio comecou em Same por volta das duas e trinta da madrugada, havendo ja feridos. A guerra cicil e agora uma realidade quase eminente, alem de naturalmente se iniciar uma guerra contra os soldados australianos pois ha muito povo e muita gente armada com o Alfredo.
Um abraco
JVCarrascalaoBEGIN:VCARDVERSION:2.1N:Carrascalao;JoaoFN:Joao CarrascalaoEMAIL;PREF;INTERNET:joaocarrascalao@bigpond.com
REV:20070303T175133ZEND:VCARD"
NOTA DE RODAPÉ:
Com o Alfredo não estão mais de 60 pessoas. À excepção de Díli e Ermera, não houve distúrbios a noite passada.
E a esta hora em Díli e Ermera a situação é de tranquilidade.
Mas parece haver muita gente a gostar da ideia de uma guerra civil...
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População de Same ilesa
O ataque australiano em Same não provocou baixas ou feridos na população.
As tropas australianas assumiram o controlo do mercado de Same a poucos metros das posições onde se encontram Reinado, Leandro Isaac e cerca de 60 membros do grupo.
Segundo últimas informações, os seus movimentos estão controlados e a operação deverá estar prestes a terminar.
Mas corre o boato em Same de que Reinado fugiu.
Em Dìli a situação acalmou, não se ouvem tiros e helicópteros sobrevoam a cidade.
Ontem à noite o armazém do Ministério da Educação em Vila Verde e o edifício Distrital do Ministério da Educação em Ermera arderam.
Aguarda-se o discurso do Presidente à Nação.
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Operação australiana pode ter provocado mortos
TSF
A operação levada a cabo pelas tropas australianas contra o major Alfredo reinado terá provocado mortos segundo fonte policial em Dili contactada pela TSF. Na capital timorense, o ambiente é de tensão, depois de ataques com armas de fogo, apedrejamento e barreiras de estrada terem começado após o início da operação das tropas australianas.
( 23:19 / 03 de Março 07 )
A operação das tropas australianas contra o major Alfredo reinado, em Same, terá provocado vítimas mortais segundo fonte policial em Dili contactada pela TSF.
Também o deputado Leandro Isaac, que se encontra junto das forças do major Reinado, contactado pela TSF, confirmou a existência de mortos sem, no entanto, confirmar números.
Recorde-se que ao início da madrugada de domingo em Timor (17:00 de sábado em Lisboa), as tropas australianas iniciaram um ataque contra Alfredo Reinado, que desde terça-feira estava sitiado em Same, com o objectivo de capturar o major rebelde.
Pouco depois do início da operação das tropas australianas, a capital timorense foi assolada por ataques com armas de fogo, apedrejamento e barreiras de estrada.
Os ataques em Díli foram desencadeados em vários pontos da cidade em simultâneo, aparentemente sem ter um alvo específico, adiantou fonte policial.
Até ao momento, não há notícia de incidentes envolvendo a comunidade portuguesa mas há registo de vários cidadãos nacionais e estrangeiros estarem abrigados no quartel da GNR em Díli.
Às 04:15 da madrugada (hora local), as Nações Unidas difundiram uma mensagem escrita (SMS) pela missão internacional, com ordens para «todo o pessoal ficar em casa, luzes apagadas, longe de portas e janelas, devido a distúrbios em Díli».
O chefe de Estado timorense, Xanana Gusmão, faz este domingo (11:00 locais) uma comunicação ao país sobre a situação de crise provocada pelo major Reinado.
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Ataques com armas de fogo em Díli
Timor-Leste: mortos e feridos no ataque australiano contra Alfredo Reinado
04.03.2007 - 00h19 PUBLICO.PT
O ataque australiano contra o major Alfredo Reinado, em Same (Timor-Leste), fez mortos e feridos, em número indeterminado, segundo informação do deputado Leandro Isaac, que se encontra no local.
Em declarações à rádio TSF, Leandro Isaac disse que há militares australianos na rua em Same, no sul do país, e que o ataque envolveu helicópteros, aviões, tanques de guerra e forças especiais.
Desconhecia no entanto o estado de Alfredo Reinado e manifestou-se convicto de que a situação “vai complicar-se”. Segundo Issac, "a guerra foi declarada" por Ramos-Horta.
Há também relatos de tensão em Díli após o ataque a Same. Ataques com armas de fogo, apedrejamentos e barreiras de estrada começaram em vários pontos da cidade, pouco depois do início da operação das tropas australianas contra Alfredo Reinado, noticia a Lusa citando fonte policial.
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Reinado pode já não estar em Same, noite de violência em Díli
Díli, 04 Mar (Lusa) - O major Alfredo Reinado poderá ter fugido de Same ou sido retirado por tropas australianas, que, segundo o deputado Leandro Isaac, dispararam três mísseis e provocaram várias baixas.
"Morto ou vivo, o major Alfredo é sempre a vitória do nosso povo nesta guerra do Prémio Nobel da Paz, José Ramos-Horta", declarou o deputado independente à Lusa.
"A luta continua", acrescentou Leandro Isaac num contacto telefónico, cerca das 07:00 (22:00 de sábado em Lisboa), depois de quatro horas em que os números de telemóvel dele e do major Alfredo respondiam apenas com a gravação da Timor Telecom, "desligado ou fora da área de cobertura".
Leandro Isaac disse que há vários mortos e feridos, sem especificar se se trata de civis ou de homens do grupo que está desde o início da semana com o major Alfredo Reinado, em Same.
O deputado contou que helicópteros Black Hawk australianos dispararam três mísseis, entre a 01:30 e as 04:30 locais, hora a que abandonaram Same.
As tropas australianas mantêm o cerco no terreno, ainda segundo Leandro Isaac.
"Não há assistência médica nenhuma, não há nada aqui", referiu Leandro Isaac mais adiante, desabafando: "os nossos feridos já estão todos mortos!".
O porta-voz das Forças de Estabilização Internacionais não prestou qualquer confirmação ou desmentido sobre o ataque a Same, remetendo todas as informações para uma conferência de imprensa do brigadeiro Mal Rerden.
O comandante das ISF falará à imprensa às 10:00 locais, uma hora antes de uma anunciada comunicação ao país do Presidente de Timor-Leste, Xanana Gusmão.
Em Díli, a notícia do ataque contra Alfredo Reinado desencadeou uma série de incidentes, embora não haja nenhuma declaração oficial que leia esta coincidência.
Os distúrbios, com disparos de armas de fogo, apedrejamentos, barreiras de estrada e ataques a algumas casas, eclodiram cerca da 01:00 local.
Nas sete horas seguintes, o subagrupamento Bravo da GNR teve os seus três batalhões operacionais em simultâneo na rua, o que, segundo um oficial contactado esta manhã pela Lusa, dá uma dimensão da dificuldade da situação.
As zonas mais afectadas foram as de Taibessi, Bairro Pité, a área do Cemitério Chinês, Vila Verde e a rua do quartel-general das Nações Unidas, as Obrigado Barracks.
À medida que os vários focos de violência foram sendo controlados, as forças da GNR concentraram-se junto ao Obrigado Barracks, onde a situação foi mais difícil de resolver.
A Lusa confirmou que o chamado Bairro da Cooperação, em Vila Verde, não foi afectado pelos incidentes e nenhum professor português correu perigo nessa ou noutra área da cidade.
O único caso relacionado com um cidadão português ocorreu com um funcionário da embaixada de Portugal que, por viver numa área isolada, teve de ser retirado da sua residência por elementos do Grupo de Operações Especiais.
Uma volta de carro por toda a cidade, ao princípio da manhã, mostrou as sequelas de uma noite violenta.
Instalações de um armazém e do auditório do Ministério da Educação continuam a ser consumidas pelas chamas, e no recinto do edifício principal há três viaturas carbonizadas.
Em Banana Road, a sudoeste da cidade, um grupo de jovens concentrava-se em torno de cartazes e de um grande retrato de Alfredo Reinado, com slogans de glorificação do militar e contra a "Fretilin Maputo".
"Nós somos defensores do major Reinado, herói da justiça", explicou um dos manifestantes, diante de um retrato pintado em Ermera. "Estamos prontos para morrer para o defender".
PRM-Lusa/Fim
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Ataques em Dili após início operação militar contra major Reinado
Díli, 03 Mar (Lusa) - Ataques com armas de fogo, apedrejamento e barreiras de estrada começaram em vários pontos da cidade de Díli pouco depois do início da operação das tropas australianas contra Alfredo Reinado, em Same, no sul do país, confirmou à Lusa fonte policial.
Os ataques na capital foram desencadeados "em vários pontos da cidade em simultâneo, aparentemente sem ter um alvo específico", disse à Lusa uma fonte da polícia internacional a meio da madrugada de domingo (fim da tarde de sábado, em Lisboa).
Os disparos e apedrejamentos começaram antes das 02:00 (17:00 em Lisboa) em bairros diferentes da periferia e do centro da cidade, como Bidau, Taibessi, Mandarim, Colmera e Becora, confirmou a Lusa junto de vários residentes.
O Ministério da Educação timorense, no bairro central de Vila Verde, foi um dos alvos atacados.
Tanto quanto foi possível confirmar numa ronda de contactos telefónicos, não há registo de nenhum incidente envolvendo a comunidade portuguesa residente em Díli.
às 04:15 da madrugada (hora local), as Nações Unidas difundiram uma mensagem escrita (SMS) pela missão internacional, com ordens para "todo o pessoal ficar em casa, luzes apagadas, longe de portas e janelas, devido a distúrbios em Díli".
Tanto as forças de segurança como os civis contactados pela Lusa foram unânimes na identificação da hora a que se iniciaram os distúrbios: "à hora do ataque a Alfredo Reinado", embora não haja nenhuma confirmação oficial de que os incidentes na capital são uma resposta ao avanço das Forças de Estabilização Internacionais em Same.
Desde terça-feira que Alfredo Reinado e o seu grupo estavam cercados por tropas australianas, em Same, depois de o Presidente de Timor-Leste, Xanana Gusmão, ter autorizado uma operação de captura.
O chefe de Estado faz dentro de algumas horas, às 11:00 locais, uma comunicação ao país sobre a situação de crise provocada pelo major Reinado.
PRM-Lusa/Fim
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Leandro Isaac diz que o ataque a Same está iminente
Diário Digital / Lusa
03-03-2007 17:32:00
Helicópteros Black Hawk e aviões australianos sobrevoam a baixa altitude as posições do major Alfredo Reinado e o ataque a Same está iminente, segundo o deputado Leandro Isaac.
Em dois contactos telefónicos muito curtos com a Lusa, cerca da 1:45 de domingo (16:45 de sábado em Lisboa), o deputado independente afirmou que «as tropas australianas reduziram o perímetro e estão a apenas 200 ou 300 metros» do local onde está refugiado o major Alfredo Reinado.
Em fundo podia ouvir-se o barulho de helicópetros e o ruído (familiar aos residentes de Díli em dias de confronto de rua) distinto de barras de metal a bater.
«É o povo indefeso de Same a desafiar o grande exército australiano, que foi enviado pelo Prémio Nobel da Paz, digo, pelo Prémio Nobel da Guerra, senhor José Ramos-Horta», respondeu Leandro Isaac quando questionado sobre o que se estava a passar.
Depois, o contacto por telemóvel com o deputado caiu.
Alfredo Reinado e os seus homens, entre os quais se encontrava «por acaso» desde segunda-feira o deputado Leandro Isaac, segundo o próprio disse à Lusa, estão cercados há seis dias pelas Forças de Estabilização Internacionais (ISF).
O Presidente da Republica, Xanana Gusmão, faz um anúncio à nação às 11 horas da manhã, sobre a crise provocada pelo major Reinado.
Nas últimas 48 horas, cerca de uma dezena de aviões Hércules C-130 australianos aterraram em Díli, onde ao longo da tarde e noite de sábado se registou um movimento intenso de aviões e helicópteros militares, que continua neste momento.
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Governo de Lisboa garante que portugueses estão em segurança
Lisboa, 02 Mar (Lusa) - O secretário de Estado das Comunidades português, António Braga, garantiu hoje à Agência Lusa que os portugueses residentes em Timor-Leste estão em segurança, não sendo necessário para já activar qualquer plano de evacuação.
"A presença das Nações Unidas garante toda a segurança aos portugueses" que vivem em Timor-Leste, disse António Braga, salientando que Portugal "está permanentemente a acompanhar a situação" através da embaixada e dos diplomatas portugueses no país.
O responsável pela pasta da Emigração salientou que "para já não há razão" para planos de retirada de portugueses.
No entanto, o secretário de Estado adiantou que Portugal tem "permanentemente um plano de emergência" preparado para actuar em situações que o justifiquem.
A Austrália actualizou hoje os seus alertas de viagem para Timor-Leste, que estão no nível máximo de risco, e cidadãos australianos em Díli receberam a indicação de "fazer uma mala" para uma eventual retirada do país.
Analistas australianos e das Nações Unidas receiam acções de violência, ou mesmo uma possibilidade de guerra civil, no caso de soldados australianos ferirem ou matarem o militar rebelde Alfredo Reinado.
Reinado e cerca de 150 dos seus seguidores, "fortemente armados, estão actualmente cercados por tropas australianas na cidade de Same, a sul de Díli.
O major rebelde advertiu hoje que "milhares de pessoas" se "levantarão violentamente" no caso de lhe acontecer qualquer coisa.
"As pessoas vão começar a matar-se umas às outras se alguma coisa me acontecer. Haverá guerra civil", ameaçou Reinado, antigo comandante da Polícia Militar de Timor-Leste.
CMP/LAS-Lusa/Fim
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Ainda se ouvem tiros em Díli e em Same
A operação de captura de Reinado continua em Same, ouvindo-se disparos de vez em quando.
Em Díli também se ouvem tiros, apesar de ter baixado a intensidade dos mesmos.
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Dos leitores
Comentário sobre a sua postagem "Pm Likely New President Says Expert":
I'll await the people's verdict rather than accept anything pre-ordained by Kingsbury, who claimes that Indonesian is more widely spoken than Tetum. If that is so, then why did the PD, of which he thinks so highly, publish a versions of its manifesto in Tetum, Portuguese, English, even Chinese but not Indonesian?
On the one hand, he rails against the 'Jakarta Lobby', yet on the other, he spouts their propaganda.
Tradução da Margarida:
Esperarei pelo veredicto popular em vez de aceitar seja o que for pré-ordenado por Kingsbury, que afirma que o Indonésio é mais falado do que o Tétum. Se fosse assim, então porque é que o PD, de quem tem tão boa opinião, publica a versão do seu manifesto em Tétum, Português, Inglês, até em Chinês mas não o Indonésio?
Por um lado ele ataca o 'lobby de Jacarta ', contudo por outro ele espalha a propaganda deles.
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"Sinais não são bons" em Same, PR fala domingo sobre Reinado
Díli, 03 Mar (Lusa) - O deputado independente Leandro Isaac, que acompanha o grupo do major Alfredo Reinado, cercado há cinco dias por tropas australianas em Same, Timor-Leste, admitiu hoje que o conflito poderá terminar com "sangue a correr".
"Os sinais não são bons sobre a existência de bom- senso e a vontade de resolver a crise de forma pacífica", declarou à Agência Lusa Leandro Isaac.
O deputado disse que um dos pedidos apresentados sexta-feira por Reinado para ajudar a desbloquear a situação, durante o encontro com o Procurador-Geral da República, Longuinhos Monteiro, foi a livre circulação da população de Same, o que não está a acontecer.
"Os australianos continuam a apertar o cerco", afirmou hoje ao fim da tarde em Timor-Leste (início da manhã em Lisboa) o deputado Leandro Isaac, que se encontra desde terça-feira com o grupo de Alfredo Reinado, na região interior Sul do país.
"Tudo está dependente do encontro de ontem [sexta- feira]", explicou.
"Se o Estado se consciencializar que a solução pacífica seria o melhor caminho, a crise resolve-se".
"Mas se o Estado ou o Governo consideram que não podem voltar atrás nas suas decisões, não posso prever o que pode acontecer", acrescentou o deputado, alertando que "sangue pode correr".
O Presidente da República, Xanana Gusmão, faz domingo, às 11:00 (02:00 em Lisboa) uma declaração sobre a crise desencadeada por Alfredo Reinado.
Xanana Gusmão autorizou segunda-feira a realização de uma operação militar para capturar Alfredo Reinado, evadido da cadeia de Becora desde finais de Agosto quando cumpria prisão preventiva por alegada posse de armas de guerra.
A decisão do chefe de Estado timorense surgiu depois de o major e o seu grupo de revoltosos terem assaltado três postos da Polícia de Fronteira no sudoeste do país, no final da semana passada.
As tropas australianas das Forças de Estabilização Internacionais (ISF) foram reforçadas sexta-feira com a chegada de 100 elementos da unidade de elite SAS (Special Air Service).
Em Díli continuaram hoje a aterrar aviões de grande envergadura, incluindo, durante a tarde, três Hércules C- 130.
Desde quinta-feira à noite e durante a madrugada e dia de sexta-feira, aterraram em Díli pelo menos cinco destes aviões de transporte de tropas e material.
Jornais australianos do grupo Fairfax noticiaram na sua edição de hoje a chegada dos SAS, adiantando que o reforço de tropas foi decidido numa reunião de alto nível em Camberra.
O Governo australiano receia que o desfecho do caso Reinado, no caso de ele ser morto ou capturado, desencadeie uma escalada de violência que, vista de Camberra, pode acabar numa nova guerra civil.
PRM/AB-Lusa/Fim
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Tropas apoiam alerta de segurança máxima
(Tradução da Margarida)
SMH – Março 3, 2007
Lindsay Murdoch em Dili
O Governo Federal enviou um contingente de soldados SAS para Timor-Leste no meio de receios crescentes de que a violência irrompa outra vez e alveje Australianos.
Quatro aviões das Forças de Defesa Australiana aterraram em Dili transportando cerca de 100 soldados, destacados a seguir a uma reunião em Camberra do comité de segurança nacional.
A chegada de tropas adicionais, que apoiarão os 800 Australianos e as 120 tropas da Nova Zelândia que já cá estão, chegam quando a Austrália aumenta o seu alerta de segurança para cinco, o nível mais alto, para as centenas de Australianos em Timor-Leste.
Oficiais de segurança Australianos e da ONU em Dili receiam que a violência alastrada, possivelmente mesmo a guerra civil, pode rebentar se soldados Australianos matarem ou ferirem o líder amotinado, Alfredo Reinado, apanhado numa cilada com outros 150 homens pesadamente armadas numa cidade nas montanhas do centro onde se cultiva o café.
Reinado, que se tornou um herói de culto, disse ontem que se alguma coisa lhe acontecer "pessoas levantar-se-ão violentamente aos milhares ". Afirma que comanda 700 soldados amotinados cujo despedimento no ano passado desencadeou um levantamento violento que deixou dúzias de pessoas mortas e forçou 100,000 pessoas das suas casas. Várias centenas de jovens apoiantes pelo país estavam também à espera de ordens suas, disse.
"As pessoas vão começar a matar-se umas às outras se alguma coisa me acontecer," disse Reinado por telefone da cidade de Same, que está bloqueada por dúzias de soldados Australianos. "Haverá uma guerra civil."
Reinado, o antigo responsável da polícia militar de Timor-Leste treinado pelos Australianos, disse que os seus apoiantes não estavam prontos a lutar por causa da sua popularidade mas por causa "daquilo por que luto ".
Reinado, procurado por homicídio e rebelião, afirma que o governo Timorense é corrupto e que a presença de tropas Australianas e da Nova Zelândia é uma invasão ilegal.
Uma nova tentativa pos líderes de Timor-Leste para convencer Reinado a render-se falhou ontem quando soldados Australianos recusaram autorizar o Procurador-Geral do país, Longuinhos Monteiro, a entrar em Same.
Reinado enfureceu-se quando o Sr Monteiro lhe telefonou dizendo que queria encontrar-se com ele para lhe passar uma mensagem do Governo para se render, mas que não tinha autoridade para negociar um acordo.
"Não queria falar com um carteiro, queria falar com o Procurador-Geral," disse Reinado. "Estão todos a tentar manipular-me."
O comandante das tropas Australianas em Timor-Leste, Mal Rerden, declinou comentar ontem sobre adicionais tropas SAS em Dili. O Brigadeiro General Rerden repetiu o seu pedido anterior para Reinado entregar as armas e apresentar-se ao sistema judicial de Timor-Leste.
Mas disse que as suas tropas estão a "apoiar o Governo … em todas as maneiras possíveis para encontrarem uma resolução pacífica para a situação."
O General Rerden descreveu o elevar do alerta de segurança da Austrália como uma "medida prudente".
Foi justificado pelas acções de Reinado que tinha rompido as negociações com o governo e liderou assaltos a postos de polícia da fronteira no último fim-de-semana, capturando 25 armas de alta potência, disse.
"Os seus actos foram deliberados e bastante significativos e isso cria naturalmente preocupações," disse o General Rerden.
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CRISE - Major Reinado e militares australianos preparados para a luta
Expresso - Sábado, 3 de Março de 2007
Timor: No alto do cerco
Pedro Rosa Mendes, em Same, Exclusivo Expresso/Lusa
Same, no litoral sul timorense, deu uma ironia topográfica ao cerco das tropas especiais australianas ao major Alfredo Reinado. Same é um buraco; o ar é mais respirável do que em Dili e até há o luxo de um arrepio nocturno. Mas é um facto penoso que Same fica a mais de quatro horas de Díli, num bom jipe.
Os militares australianos tiveram, portanto, que descer bastante, com os seus jipes cor de «Outback», depois de o Presidente Xanana Gusmão autorizar diante da nação a captura do evadido mais famoso de Timor-Leste (porque há outros, e muitos estão com o major desde a evasão prisional de 30 de Agosto de 2006). Same, é sombra de um pico de dois mil metros de altitude, tem uma colina a que Reinado conseguiu agarrar-se durante a semana. O militar chegou a Same depois de ter passado no domingo por três esquadras de fronteira, na região de Maliana, e ter levado 25 pistolas automáticas e alguns polícias. Este é o monte onde fica a antiga casa do administrador de posto do tempo colonial e uma antena de transmissões. De lá domina-se a localidade e os acessos: com uma arma adequada, faz-se mira directa à estrada que sai do coração da montanha com as 'microletes' vergadas de gente na estrada do norte. Ou outros perigos.
É claro que a topografia é sempre uma verdade relativa (como provou a Resistência). Assim: se Reinado se manteve quatro dias acima dos SAS e dos veículos blindados, os helicópteros de combate e vigilância zurziram quatro dias em cima de Reinado. Vigiando do alto e enervando de perto.
“Estamos à beira da guerra civil!”, gritava, terça-feira, no início do cerco, o deputado independente Leandro Isaac, apanhado “por acaso", disse, na companhia de Reinado e do seu grupo quando os australianos apertaram a tenaz. Montado o cerco, ninguém saiu nem entrou de Same. Incluindo os jornalistas. “Não se pode passar. Há uma coisa grande a acontecer”, explicava na quarta-feira o oficial da patrulha que impedia a passagem na entrada norte da vila.
A uma distância respeitável das barreiras australianas, os residentes da periferia aglomeravam-se no segundo dia e lamentavam o impasse do quotidiano: “Não nos deixam ir ao mercado nem as crianças podem ir à escola”.
Durante o cerco, em entrevistas telefónicas para órgãos timorenses, portugueses ou australianos, Reinado deixou o seu programa. O major é tão directo a falar como tem fama de ser no gatilho: promete atirar sobre qualquer ISF a quem possa ver o branco dos olhos; desgosta de Xanana Gusmão, de Mari Alkatiri, um pouco também de José Ramos-Horta; gosta da Austrália, mas tem vergonha disso também; da GNR gostaria mais se o subagrupamento Bravo estivesse em Portugal; da Fretilin, passe a expressão, “talvez só à bala”.
Para um número indeterminado de timorenses, seguramente para muitos jovens, Alfredo Reinado não é o renegado ou o homem que traiu uma negociação pacífica, mas o herói que teve a coragem de resistir ao “Governo dos comunistas”. “Já reparou quantos jovens em Díli usam o cabelo cortado à Reinado?”, pergunta-se num café da capital, na véspera de o procurador-geral da República, Longuinhos Monteiro, ir a Same (de helicóptero) para comunicar ao major as condições de rendição. O comandante das ISF, brigadeiro Mal Rerden, é muito explícito: “Em qualquer situação de ameaça, tenta-se conter a ameaça. Tendo feito isso, decide-se como lidar com ela”. O que é claro para um militar é menos límpido para os políticos. Em Same, na 'Hamburguer Hill' do major Reinado, o país vive suspenso de uma situação em que nem tudo, ou muito pouco, será resolvido por um gatilho australiano. Mesmo os seus inimigos concordam: Alfredo é um inevitável vencedor, agora ou no futuro. “A menos que o matem, o que é pouco provável”, comenta um militar ocidental em Díli. “Ninguém precisa de um mártir”.
Alkatiri copia Durão e Santana
O ex-primeiro-ministro de Timor-Leste decidiu convidar Einhart da Paz, especialista brasileiro em «marketing» político, para dirigir a sua campanha nas próximas eleições legislativas, que deverão ocorrer entre Maio e Junho deste ano. Einhart confirmou ao Expresso que esteve em Díli antes do Carnaval para preparar uma proposta, aguardando a resposta final de Mari Alkatiri já esta semana. “Tendo em conta que não existem meios de comunicação de massas em Timor, vai ser um desafio interessante”. Em Portugal, Einhart da Paz foi o director de campanha de Durão Barroso (em 2002) e de Santana Lopes (em 2001 e em 2004).
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Começou ataque australiano a Reinado
Diário Digital / Lusa
03-03-2007
As tropas australianas lançaram o ataque contra Alfredo Reinado e ocuparam cerca das 2:00 de domingo (17:00 de sábado em Lisboa) o antigo mercado no centro de Same, afirmou à Lusa o deputado Leandro Isaac.
«O ataque começou com helicópteros e infantaria», contou o deputado independente.
«Dispararam um míssil de um helicóptero contra a área onde estamos». Alfredo Reinado, fugido de uma prisão de Díli desde 30 de Agosto, encontra-se desde terça-feira cercado em Same, ocupando com os seus homens a colina onde se situa a antiga casa do administrador de posto.
A área do mercado que, segundo Leandro Isaac, foi atacada pelas Forças de Estabilização Internacionais, «era onde estava concentrada a população». 17:56:00
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Traduções
Obrigado pela solidariedade, Margarida!
Mensagem inicial - 16 de Maio de 2006
"Apesar de frágil, Timor-Leste é uma jovem democracia em que acreditamos. É o país que escolhemos para viver e trabalhar. Desde dia 28 de Abril muito se tem dito sobre a situação em Timor-Leste. Boatos, rumores, alertas, declarações de países estrangeiros, inocentes ou não, têm servido para transmitir um clima de conflito e insegurança que não corresponde ao que vivemos. Vamos tentar transmitir o que se passa aqui. Não o que ouvimos dizer... "