terça-feira, novembro 28, 2006

ARTIGO DE XANANA GUSMÃO - 4ª Parte - Jornal Diário Nacional

(Quarta Parte)

Teoria das conspirações

(continuação)

Estimados leitores

Desculpem, não ter podido fazer uma revisão ao que foi escrito na semana passada, e havia umas gafes ortográficas, falta de nomes como do Senhor Lucas, membro do Comité Central, do Grupo de Rai Los, UNMIT, em vez da UNOTIL, etc..

A continuação de hoje é sobre os pontos do n.º 4, que não foram examinados por mim, na semana passada, e são:

vi) desferir um golpe contundente ao partido no poder, argumentar a favor da ilegitimidade da sua liderança, para criar maior margem de manobra no estabelecimento do novo Governo

ix) assim, deixar pairar um sentimento de injustiça e de ilegitimidade governativa

x) no cômputo geral, provocar a crise de Liderança a todos os níveis, decepando-a da nação, induzir a quebra de autoridade do Estado e a hipoteca da soberania

vi) desferir um golpe contundente ao partido no poder, argumentar a favor da ilegitimidade da sua liderança, para criar maior margem de manobra no estabelecimento do novo Governo

1. Quando analisamos um processo em desenvolvimento, isto é, analisamos um processo no seu fenómeno de crescimento, podemos encontrar fases bruscas de mudança que ressaltam aos olhos e nos pedem uma indagação, nem que seja por questões de curiosidade... perceptiva. O desejo de indagação provém da necessidade de responder aos porquês que surgem à nossa cabeça, sobre essa mudança.

Mesmo em fenómenos da natureza, tentamos sempre buscar uma explicação, se não científica, que pelo menos, satisfaça a nossa vontade de olhar e compreender as coisas. Quando se trata de fenómenos sociais, as coisas são um bocado mais complexas, mas por essa razão, as análises têm que ser ‘exaustivas’ quanto possível, para não cairmos no subjectivismo das nossas (in)conclusões, como normalmente acontece aos que analisam para seu próprio contento. E quando se trata de fenómenos políticos, eu diria que não é tão complicado assim, porque a medida normalmente é entre o que se pensa serem princípios, serem valores, e o que se faz, se pratica, em termos de defesa desses princípios e desses valores (- isto... é na minha pobre opinião, de uma pessoa que não percebe nem aprendeu política, a não ser o Manual Político da Fretilin, de 1975 a 1985).

Com a crise, aparecem pessoas, como eu, a tentar dar um ar da sua graça, como pretensiosos decifradores da Constituição, numa ousada aventura de nos colocarmos em bicos de pés, para parecermos mais altos, mais competentes, do que as distintas pessoas que escreveram essa Constituição, durante a Assembleia Constituinte! Com a crise, um pedaço do nosso mundo tem vindo a proclamar, alto e bom som, o ‘estado de direito democrático’, como o fino menú na sua ... invariável... linguagem política! E o termo ‘estado de direito democrático’ é ‘despejado’ sobre todo o resto do mundo, como a arma fundamental da defesa da Constituição, que eles escreveram e só eles entendem!

Mas, como disse, em análises do desenvolvimento político de uma sociedade, uma coisa é clara: se há compromisso, na prática, para com os valores e princípios que sabemos recitar, ou se não há! O ‘se não há’, é no sentido de, que não praticamos, que vamos violando, que vamos simulando respeito, que vamos enganando, que vamos aproveitando as oportunidades para distorcer o sentido e a essência desses princípios e desses valores.

Em todas as sociedades, é sempre muito mais fácil ‘conhecer-se’ um mau político, um político ambicioso, um político desonesto, um político arrogante, um político corrupto, um político insensível, em suma, os políticos que pensam que os governados ...são todos uma cambada de cegos, de iletrados, de pobretanas de espírito... como eles, esses políticos e governantes, às vezes são! Ainda bem e graças a Deus, que isto não acontece aqui no nosso Estado... de direito democrático, onde as pessoas são honestas e vão à missa, todos os domingos!


E, normalmente, nessas sociedades de ‘direito democrático’, o dom de interpretação, daquilo que eles próprios escrevem, é pertença, é património, é patente desses sumos e das sumas - (não se trata aqui de nenhuma mixórdia frutícola, que sabemos importar, nem daquelas obesidades humanas que, em Japão, ganham muito dinheiro a empurrar uns aos outros)! Ser ‘sumo’, aqui, é pertencer ao nível mais alto que deve ser reconhecido aos políticos de relevo, quanto mais não sejam, históricos, com experiências do além do mar... que nos cerca! Nisto, eu curvo-me, perante a suma sapiência dos doutores do CCF e seus afins!

No processo de desenvolvimento do ‘histórico partido’, salta-nos aos nossos assombrados olhos uma particularidade muito importante: no Congresso de Maio de 2006, foi expressa pelos Organizadores do Congresso, a vontade de modificar o mecanismo das eleições, de voto directo e secreto para o de braço no ar. E que, para essa possibilidade se tornar real, bastava que 10% dos delegados ao Congresso aceitassem. Inquestionável, tanto no que respeita à vontade da alteração quanto aos votos pela alteração!


Antes de aparecer a Lei dos Partidos, o I Congresso do Partido optou pelo voto secreto e directo, dando um magnífico exemplo político na questão de direitos dos cidadãos e democracia. A Lei dos Partidos é feita, por eles, aprovada pela maioria deles, e todos nós aplaudimos a defesa dos princípios democráticos. E a Lei foi publicada... mas para regular os outros partidos.


O que nos espicaçou a curiosidade, de meros observadores, é do porquê dessa mudança! Porquê, de repente, houve a necessidade de alterar os Estatutos do Partido? Existem outros factores de relevância que, se tivessem sido tomados em conta, não advogariam pela alteração dos Estatutos.

1- A Fretilin provou, nas eleições para chefes comunitários, que têm não só bases sólidas em todo o território, mas que os quadros do Partido trabalharam intensa e intensivamente nessa consolidação.

2 -O Partido tinha já o Governo, tinha a maioria dos funcionários, tinha os administradores de Distrito e dos sub-distritos, tinha a maioria esmagadora dos chefes de suco, conselhos de suco e chefes de aldeia.

Qual foi a necessidade de alterar o mecanismo de voto?

A) Será que os dirigentes máximos do Partido não acreditavam na estrondosa vitória, nas recentes eleições para chefes comunitários?

B) Será que os dirigentes máximos do Partido não apreciaram o incansável trabalho, a profunda dedicação e a inexcedível entrega dos quadros médios e inferiores do Partido, que permitiram essa retumbante vitória? E esses quadros médios foram os... delegados ao Congresso!!!

C) Ou será que o grupo da mudança era uma séria ameaça?

D) Ou será que os delegados ao Congresso não eram pessoas para se confiar?

E) Uma última pergunta seria: Será que os líderes máximos do Partido histórico estavam já a ver, dentro da Fretilin, ‘algum plano bem traçado e que vinha sendo implementado’, ‘com acções próprias de uma conspiração muito bem urdida e bem executada’... ‘decepar a Liderança’?

E, para isso, houve a absoluta necessidade de se fazer uma ‘pressão política’ sobre os ‘servidores do Estado’, que constituíam a maioria dos Delegados? Politicamente, chama-se a isso: insegurança! Politicamente também, se pode chamar a isso: medo de perder, em competições com meios honestos.

Mas, o mais intrigante para a nossa diminuta capacidade de voar para as mesmas alturas de análise... dos sumos e das sumas, é o Estatuto ‘plasmar’ que ‘de futuro, as eleições para Presidente e Secretário-Geral’ virem a ser por voto directo e secreto dos militantes. Como, neste País, ninguém sabe do seu próprio futuro, podemos aventar que no III Congresso do Partido histórico, em 2011, haverá uma outra alteração histórica aos Estatutos do Partido histórico. Porque, a conclusão a que podemos chegar é a de que os Estatutos podem ser modificados, segundo as necessidades de momento.

Assim, na pobre compreensão deste humilde servidor do Estado (servidor, porque recebe dinheiro do Estado), quando a Lei diz que ‘os titulares de todos Órgãos da Direcção serão eleitos, por voto directo e secreto, pelos filiados ou pela assembleia que os represente’:

a) Voto directo e secreto pelos filiados, é o que os Estatutos da Fretilin dizem: ‘De futuro, as eleições... serão por voto secreto e directo dos militantes’ e,

b) como regra democrática básica, o voto directo e secreto ‘pela assembleia que represente’, seria no II Congresso de Maio de 2006. Costuma-se dizer que ‘não há regras, sem excepções’, mas esta excepção de ‘braço no ar’ não estava nem implícita na Lei dos Partido políticos, porque dizia respeito às regras democráticas fundamentais. Os Estatutos aprovados, no Congresso de Maio de 2006, tornaram peremptória, explícita, esta ‘excepção’... às regras democráticas básicas... de voto directo e secreto.

Por isso, eu argumentei a ‘favor da ilegitimidade da sua liderança’! Todos sabemos que o Tribunal de Recursos argumentou a favor da legitimidade da Liderança da Fretilin, decisão a que me curvo com respeito pela independência, idoneidade e imparcialidade deste Órgão de Soberania, nesta República Democrática. Eu, Kay Rala Xanana Gusmão, sou um cidadão livre que expresso as minhas opiniões, desde que o meu pobre raciocínio seja molestado por atrivos de desonestidade dos actos políticos de órgãos de soberania.

2. Fui eu quem desferiu esse golpe! Ainda bem que os ilustres doutores do CCF classificaram de ‘contundente’, porque realmente eu até duvidava se a mensagem levava algum peso político. Agora, fico satisfeito, porque foi... contundente!

Os senhores doutores do CCF esquecem-se de que nós, os outros, vivemos em Timor, desde 1974! E os senhores doutores, uns já estavam fora a estudar ainda, outros foram uns dias antes do 7 de Dezembro de 1975! E só voltaram em fins de 1999! Eu conheço alguns que, em 2001, foram chamados a fazer parte do Governo de transição e a resposta foi de ‘só regressaria/m, se fosse/m ministro/s!’

Não sabem, coitados, que o povo percebe as manobras políticas dos políticos! Para o Povo é também... uma experiência histórica de 24 anos! Mas o mais desolador é o facto de muitos veteranos e históricos, que andaram a resistir (se andaram!) durante 24 anos, em Timor-Leste, tivessem pura e simplesmente esquecido os sofrimentos e os sacrifícios de todo o Povo.


Ficaram encantados com o poder! O ‘Partido no poder’ garantiu-lhes, a cada um, a migalha do poder. Podem mandar, podem ter condutores, podem ser respeitados, podem ser importantes, podem ter bisnis! E é incrível: esses, que sempre estiveram cá dentro, não têm ideia de que o Povo acompanha os seus passos, o povo analisa a sua trajectória política (que faz saltos impressionantes), o povo percebe os seus sonhos e segue as suas ambições, tanto individuais como colectivas em termos de Partido.

O Poder cega! – é um ditado antigo, e porque é antigo, tem a garantia histórica da irrefutabilidade! O ‘Partido no poder’ cegou as pessoas, pelo menos num sentido! Essas pessoas só sabem olhar para outros, porque ficaram impedidas, pela disciplina partidária, de olharem para si mesmas!

O ‘Partido no poder’ concebeu um conceito revolucionário: O Governo é o Partido, o Estado é o Partido! O Partido no poder tem que ser forte, porque só assim, o Governo é forte, e só assim o Estado é forte! E o Partido no poder só pode ser a Fretilin, porque é histórica!

Senhores doutores do CCF! Não brinquemos a politiquices de bem-me-queres e mal-me-queres, pensando que o resto dos timorenses não sabe olhar para mais de um palmo do nariz. O Povo desdenha os belos ‘narizes afunilados’ de sobranceria intelectual e o povo fica impressionado com outros narizes, e são em maior número, que só cheiram posições e... não fazem muita coisa, em resposta à confiança política, que se lhes emprestou.

Não trabalham, porque trabalham para o partido!.... Estão no poder ou, no mínimo, sentem que pertencem ao ‘partido no poder’ e eles todos vestem a história, na sua pele!

Estimados leitores

Eu sei que os ilustres doutores do CFF tomaram a minha ‘Mensagem à Fretilin’, como o ‘golpe contundente’ que desferi ‘ao partido no poder’. A responsabilidade é TODA MINHA!

A minha Mensagem foi para dizer aos timorenses que todos devemos respeitar, isto é, não distorcer o longo e difícil processo político histórico que teve lugar em Timor, depois do 25 de Abril de 1974. No diálogo de Alto Nível, realizado em 22 de Novembro, no Hotel Timor, um participante teve a ligeireza do pensamento de recordar o processo político da história recente de Timor. E falou de conflitos, citando o de 1975, o de 1977 e o de 1984.

Ele não foi profundo nessa análise, porque um analista não indica apenas os acontecimentos como se de uma contagem numérica de eventos se tratasse. Um analista indica os motivos, as razões, as causas e foi isso que faltou ao analista, que teve a amabilidade de me proporcionar mais este pormenor, para hoje juntar aqui.

1 - O conflito de Agosto de 1975, foi político e que descambou em militar, porque só, com armas, se podia impôr os objectivos políticos e ideológicos. Foi provocado pela UDT, motivada pela necessidade de contêr o esquerdismo revolucionário da Fretilin. A ASDT foi criada em Maio de 1974, os jovens universitários em Portugal, envolvidos com o MRPP e ideologicamente marxistas, por influência da situação política de então em Portugal e sobretudo das lutas de libertação na África, voltaram a Timor e ‘pressionaram’ pela mudança, em 11 de Setembro ainda de 1974, da ASDT para Fretilin, onde a palavra ‘revolução’ era a moto da luta!

A UDT, anunciou na meia-noite do dia 10 de Agosto de 1975, o ‘GOLPE REVOLUCIONÁRIO ANTI-COMUNISTA’! A bandeira era o ‘anti-comunismo’.

2 - O conflito de Julho de 1977 não apareceu por si mesmo, como que de repente. Eu fui membro do Comité Central da Fretilin e participei em todas as reuniões do CCF, desde Março de 1976. Para se compreender o Julho de 1977, não se deve perder de vista as outras duas reuniões, onde se via o distanciamento entre os militares e os civis/políticos e do Presidente da Fretilin dos restantes membros da DOPI (Departamento de Orientação Política e Ideológica), que eram os membros do Comité Central mais seniores, os que percebiam da política e, sobretudo, tinham decoradas, na boca, as máximas doutrinárias para impressionar os outros.

O Senhor Xavier do Amaral foi enxovalhado, ideologicamente, na reunião de Soibada, de Maio de 1976, onde se organizou a Resistência Político-Militar, em termos estruturais e de comando, tanto no campo político como sobretudo no militar. Em Maio de 1977, para a Reunião de Laline, ele, Senhor Xavier do Amaral não quis pura e simplesmente aparecer, para evitar estar presente na Declaração pelo Comité Central da Fretilin, de que a Ideologia da Fretilin seria a partir dali, o Marxismo-Leninismo, mas de tendência Maoísta.

Depois da Reunião de Laline, teve que se ir buscar as razões que o povo podia entender para o prender: TRAIDOR DA PÁTRIA! Não se disse ao Povo que o Xavier era anti-marxista, disse-se ao Povo que o Xavier era reaccionário e, portanto, inimigo do Povo!

(Na Ponta-Leste, Aquiles não era pró-integração, apenas não queria que o forçassem a ser revolucionário. O Pai do Nunura, foi espancado de tal ordem em Baguia, que perdeu a vista, ficou cego... supostamente elemento da rede do Aquiles!)

Aqui, quero lembrar a todos os que, mesmo estando mais de 24 anos no mato e eu só estive 17 anos, não tinham a mesma capacidade que eu de acompanhar o processo, porque eles não eram membros do CCF e eu era membro do Comité Central da Fretilin, desde Setembro de 1975. Na Reunião do CCF em Laline, em Maio de 1977, o Nicolau Lobato passou por uma grave crise e não aparecia nas reuniões. Felizmente, soube ultrapassar a crise e acomodou-se à Revolução! Se não fosse isso, eu posso garantir que o Nicolau teria sido também, como foi o Xavier do Amaral, apelidado de traidor. Os marxistas não aceitavam que ele, Nicolau, ainda rezasse antes de comer; os marxistas ficaram escandalizados, porque em Soibada, durante aquela semana de reuniões, às vezes o Nicolau ia à missa e comungar! E colocaram a ele, para escolher entre: ser crente ou ser marxista! Ultrapassada a crise, no dia do anúncio oficial de que a ideologia da Fretilin era o Marxismo-Leninismo, todos aplaudiram quando, solenemente, Nicolau declarou que ‘as suas plantações de café, a partir daquele dia, passariam para o Estado!’

E, portanto, em 1977, o conflito foi também ideológico mas já dentro do próprio Partido e a bandeira era ‘Morte aos reaccionários e traidores do Povo’! Por isso é que todos assistimos ao enorme ‘desmantelamento’ da rede do Xavier, imaginária, deve-se dizer! TÃO IMAGINÁRIA, COMO A CONSPIRAÇÃO QUE O CCF, do Congresso de Maio de 2006, ESTÁ A MANIPULAR!

3 - Em 1984, as causas remotas eram a inactividade das forças, a falta de planeamento de actuações, na Região Central, onde estava o Estado-Maior General das Forças e o Comando da Brigada Vermelha! O Ten-Cor. Falur e o Major Ular podem desmentir-me se, depois da saída deles de Loi Huno e de Krarás, em Agosto de 1983, se praticou uma só acção militar contra o TNI, por iniciativa nossa! Nenhuma! E foram morrendo os guerrilheiros e perdendo armas.

Quando eu passei para a Região Central, para discutir sobre a reestruturação das Forças, quem me foi receber em ....... foi o Cmdt. Mau Kalo (agora Major Mau Kalo), informando-me de que os membros superiores do Comando tinham dispersado e movimentado para a Fronteira. Sucedeu que, também imediatamente a seguir, o TNI, com vários batalhões, desencadeou uma grande operação em toda a área, que paralisou todos os nossos movimentos, por semanas.

Houve a reunião de Março, no litoral sul, onde se procedeu à Restruturação do Comando das Forças, em toda a Região Central, para se dar maior iniciativa de acção aos comandantes de companhias, a fim de se quebrar aquele clima, de descrença e desmotivação, no seio do comando e das forças. Dessa reestruturação, é que também assegurei a Chefia do Estado-Maior, ficando o (então colaborador do EMF) Vice-Chefe do Estado Maior. Acabou-se com a ‘Brigada Vermelha’, que só dava segurança ao seu Cmdt. Mauk Moruk, ao invés de actuar sobre o inimigo.

A reacção do Kilik e do Mauk Moruk, seguido depois de Olo Gari, em resposta à reestruturação, onde foram ‘despromovidos’, optou por uma confrontação ideológica entre ‘revolução e não revolução’, entre ‘marxismo e não marxismo’, porque pensaram, era a única maneira de ‘obter apoio dos guerrilheiros’, na oposição à reestruturação.

Doutra forma, em termos de operacionalidade das forças, a sua oposição não tinha bases nenhumas.

Este ‘conflito’, que foi motivado por reestruturações que tinham que ser tomadas, que não podiam ser adiadas, incluindo passar o ‘Comissário Lere’ para ‘Comandante Lere’, já que o problema era ‘cuidar das nossas forças’ vs ‘cuidar dos nossos quadros’, tomou o carácter ideológico, apenas, por conveniência dos intervenientes.

Eu aqui, quero expressar o meu total apreço aos quadros civis e militares, que de uma ou doutra forma, estiveram envolvidos em defesa da unidade das forças, desde o António Campos a Sibi Sama, desde Konis a Ruak, mas sobretudo ao Cmdt da Companhia Fera Lafaek, em cujo agrupamento aconteceu o drama, que felizmente não produziu uma só gota de sangue.

Conflito que não era, mas que se encapou de carácter ideológico, porque, em todo o período de cessar fogo, nas nossas reuniões, começámos a dar ideia de que o pluripartidarismo deveria ser o nosso sistema político, depois da guerra, de preferência ao monolitismo ideológico que nos fazia reféns e nos tornava inimigos uns dos outros.

ix) assim, deixar pairar um sentimento de injustiça e de ilegitimidade governativa

Peço aos estimados leitores para regressarem para a edição anterior, para verem os pontos:

vii) camuflar, tanto quanto possível, de modo a que o derrube do Primeiro Ministro não fosse entendido como um golpe mas sim um acto em conformidade com os poderes constitucionais do Presidente da República

viii) para isso, a) pressionar no sentido do Primeiro Ministro apresentar o seu pedido de demissão e b) simular respeito pela Constituição na formação do novo Governo, chamando-o mesmo de II Governo Constitucional

Portanto, o ponto ix) é fase, apenas, da estruturação analítica do ‘plano bem traçado e que vinha sendo implementado’ para ‘derrubar o Governo constitucional, eleito democraticamente’. Depois daqueles actos todos cometidos , nos pontos anteriores vii) e viii), deixei pairar, na sociedade e no ambiente violento e prenhe de manifestações, um ‘sentimento de injustiça’.

Isto tudo significa que o que o Presidente da República devia ter feito era entrar, imediatamente, em compromissos políticos com o ‘partido no poder’. Teríamos resolvido tudo, imediatamente! Teria satisfeito os governantes, ao declarar que nada aconteceu de especial, que estava tudo perfeito, que o respeito pela ordem constitucional democrática estava garantido, com as F-FDTL a sair dos quartéis em defesa da Constituição e que a PNTL estava a cumprir as ordens do Ministro do Interior, para a defesa das instituições democráticas.

E o Presidente da República acrescentaria que o êxodo da população para o interior era apenas em ‘piquenique’, que as pessoas entenderam fazer, para não se envolverem em políticas. E que um esforço global do Estado... de direito democrático... era para assegurar a lei e ordem e reestabelecer a estabilidade no país.

Caríssimos leitores

Se quiserem ter a paciência de repassar os olhos para aquele ‘estado de crise’, todos podemos ver que, das instituições do Estado, só o (celebérrimo) Gabinete da Crise funcionava, já que as reuniões eram em casa do Primeiro Ministro, para além de - e a verdade seja dita - o Ministério de Trabalho e Solidariedade! Também só os Tribunais continuaram a trabalhar, sem interrupção, conforme o comunicado do Tribunal de Recurso, aquando da petição do grupo de mudança da Fretilin. E, felizmente para os doutores do CCF poderem incluir nas suas análises, o golpista do Presidente da República, que trabalhava para os interesses do ‘plano bem traçado e que vinha sendo implementado’ para ‘derrubar o Governo constitucional, eleito democraticamente’!

Nesse compromisso político, o Presidente da República diria, ao mundo, que as instituições do Estado estavam a funcionar normalmente e o ‘partido no poder’ estava com o controle sobre tudo e sobre todos! (Eu não teria tido a carga de trabalho de ter que chamar os partidos, um por um, para apelar para retomarem as actividades, já em Junho!!!)

E tudo teria ficado sem nenhum ‘sentimento de injustiça’ a pairar nas mentes das pessoas! As lições que estou a aprender dos ilustres doutores do CCF, não me valerão muito, na medida em que só tenho uns parcos 7 meses de mandato! Mas o próximo Presidente da República terá que ser capaz de responder às exigências do ‘partido no poder’.

x) No cômputo geral, provocar a crise de Liderança a todos os níveis, decepando-a da nação, induzir a quebra da autoridade do Estado e a hipoteca da soberania.

Inteligente descrição! Isto, caríssimos leitores, não é praticar políticas de meia-tigela! Esta gesta política histórica é de primeira qualidade!

1. ‘Provocar a crise de Liderança’!!! Liderança de quê? Do Partido? Não, porque não houve mexidas, até houve reforço de Liderança, com a eleição gratuita de um Vice-Presidente do Partido! Do Estado, claro que, por medo de perder a cadeira presidencial, o Presidente da República continua a receber o seu salário! Dos Tribunais, o Presidente do Tribunal de Recurso esteve sempre activo e ninguém o incomodou! O Parlamento Nacional está tal como está, porque o Presidente do Partido recusou ser ‘Presidente da República, interino’, por vacatura do lugar, que lhe foi oferecido por mim!

Liderança do Governo... oh!, sim!, aqui está a chave do problema! Mas o Secretário-Geral do Partido devia estar mais satisfeito, porque apesar de estar em descanso temporário até Maio 2007, recebe todos os dias os seus Ministros, que vão em consulta, pelo que continua a deter os cordelinhos do processo!

De todos os níveis....! Em 31 de Agosto, tive o prazer de ir a Maubara, convidado pelo Governo, para também falar aos administradores de distritos e subdistritos e, contei, estavam todos lá, não faltou nenhum! A reunião foi frutífera, porque no dia 1 de Setembro, a Senhora Dra. Ana Pessoa, Ministra de Estado e de Administração Estatal, teve a oportunidade de anunciar: ‘Camaradas! Eu não podia dar este encontro de trabalho por terminado, se não cumpro o que prometi ao camarada Secretário Geral do Partido, que iria passar um ‘CD’ para vós verdes o documentário, que prova a inocência do nosso camarada Secretário-Geral do Partido’. E os camaradas administradores aceitaram rigorosamente a disciplina do partido e apreciaram o CD, que tinha como ‘entré’ as delícias da festa do aniversário do Rogério Lobato. Os camaradas administradores prometeram passar também nos distritos e sub-distritos, para que a população venha a saber que o camarada Secretário-Geral do Partido foi derrubado, num golpe, como Primeiro Ministro e tudo foi produto de ‘um plano bem traçado e que vinha sendo implementado’ e o ‘actor interno’ principal de ‘uma conspiração bem urdida’ é o Presidente da República!

2. ‘Decepando-a da nação’! Eu cada vez sinto que tenho razão nas minhas lucubrações políticas! Com o ‘partido (ainda) no poder’, com o Parlamento ainda com a maioria constitucional automática, com o Governo, ainda cheio dessas velhas caras todas... decepou-se a Liderança da Nação!!! Como pôde isso acontecer?

A resposta é só esta: segundo os Estatutos, aprovados no Congresso de Maio de 2006, o Secretário-Geral é indigitado para Primeiro Ministro, e porque o actual Primeiro Ministro nem é membro do Partido, o Governo é inconstitucional, porque... o actual Governo não tem cabeça, isto é, não tem Chefe! O Primeiro-Ministro inconstitucional, Dr. Ramos-Horta, sabe desse problema político, porque disse no Diálogo do Alto Nível, em 22, no Hotel Timor: De todos os que estão aqui, eu sou o que menos legitimidade tenho, não fui eleito, não pertenço ao Partido eleito, fiz parte do I Governo constitucional, por generosidade apenas do ex-Primeiro Ministro!

Quem decepou a Nação da sua Liderança? Eu fui ao dicionário do ‘português escolar’, e decepar é cortar a cabeça! Eu fiz um ‘golpe constitucional’, nas palavras do Dr. Abrão Vasconcelos, eu ‘derrubei o Governo’, eu ‘simulei respeito pela Constituição’ e, portanto, eu ‘Decepei a Nação da sua Liderança’! Cortei a cabeça da liderança da Nação; mas, aquí, é preciso notar-se: a liderança é uma pessoa singular! O Secretário-Geral da Fretilin!

3. ‘Induzir a quebra da autoridade do Estado e a hipoteca da soberania’!!!

Eu sinceramente, não consigo acompanhar os ziguezagues da análise dos ilustres membros do CCF! Os estimados leitores podem todos concordar comigo, porque lembram-se bem de que o Estado esteve sempre no controle das operações. O plano operacional do Gabinete da Crise estava sendo posto em prática, no terreno, com um Chefe de Operações comandando todo e qualquer único participante dessas operações... desde o ‘dia primeiro’ ao ‘dia último’! O Gabinete da Crise estava a funcionar maravilhosamente durante toda a Crise, em representação do Estado!

dia 24 de Maio, o Estado estava lá em Caicoli, no Palácio das Cinzas: O Presidente do Parlamento, o Primeiro Ministro, o Ministro dos Negócios Estrangeiros, o Ministro da Defesa e o Ministro do Interior! Não havia nenhuma quebra... da autoridade do Estado! Só no dia 25 de Maio, é que, RECONHEÇO, ‘induzi a quebra de autoridade’ do Governo, porque esse Governo não conseguiu, afinal, evitar que as duas instituições andassem aos tiros. Devia ter sido isso mesmo, nesse fatídico dia 25 de Maio. (Fatídico, não por aquilo que aconteceu, mas porque eu ‘induzi a quebra da autoridade do Estado’.)

Reunimos, em 24 como disse atrás, para ver se havia necessidade ou não de chamar pela intervenção das forças internacionais! Havia autoridade.. do Estado! Depois, concordámos que devíamos pedir! Havia autoridade... do Estado!

Quem hipotecou a soberania? Não foi o Estado todo? E porquê só depois se chegou a esta conclusão? Porquê não me ouviram? Eu não tinha dito que eu não concordava com pedido de intervenção de forças estrangeiras? E não tinha dito e repetido que, como Estado, devíamos saber resolver os nossos próprios problemas?

QUEM HIPOTECOU A SOBERANIA? Só os ilustres doutores do CCF é que devem responder a esta pergunta! E eu posso ajudar: Foi o vosso camarada Presidente do Partido, Senhor Lu Olo, foi o vosso camarada Secretário-Geral do Partido, Dr. Mari Alkatiri, foi o vosso camarada Vice-Presidente do Partido, Sr. Rogério e o vosso camarada Dr. Roque Rodrigues. Eles HIPOTECARAM A SOBERANIA DO PAÍS!

Se não foram eles, eu sou o Chefão do Estado e aceito as responsabilidades: Eu hipotequei a soberania nacional, ao chamar sòzinho, os meus ‘cunhados australianos’, como um participante teve a gentileza de se referir, numa das Sessões do Diálogo do Nível Médio, no Hotel Timor.

Estimados leitores

E o documento prossegue assim: Por isso, a crise por nós vivida resultou de acções conjugadas e próprias de uma conspiração muito bem urdida e bem executada. O objectivo central do plano de conspiração reduz-se na investida contra a liderança nacional histórica de modo a decepar a Nação da mesma e assim, induzir a quebra da autoridade do Estado e a hipoteca da soberania nacional.

A arma fundamental utilizada foi, e é, a desinformação e a contra-informação, por um lado, usando rumores, boatos e alegações de toda a natureza e, por outro, actos de violência contra pessoas e bens de modo a aprofundar o conflito intergrupais ou interregionais, falsamente entendido como inter-étnicos.”

1 - Neste palavreado barato dos ilustres doutores do CCF, se não vivêssemos em Timor, teríamos pensado que somos uma sociedade sofisticadíssima nos nossos actos, nos nossos comportamentos, nas nossas intenções. O Governo, esse tal I Coverno constitucional, sim tinha um método sofisticado de informações, utilizando o Telcom, auscultando as conversas de ‘adversários’ , implementando um mecanismo de mensagens, não sei se pagas, como qualquer outro contribuinte ou ‘grátis’ (pelo menos, muitos receberam ‘mobiles’e cartões) para se comunicarem directamente com o ‘partido no poder’.

É sabido de todos, que o ‘partido no poder’ tem utilizado as facilidades ‘do poder’ para desencadear tudo quanto, hoje, tenta acusar outras pessoas de fazer. Mas os ilustres doutores do CCF julgaram que impressionaram a sociedade com a linguagem estilizada que possuem, quando escrevem em sua defesa!!! Só posso garantir é uma coisa: podem ter impressionado os vossos doutores de segundo grau, que estão no Parlamento Nacional e no Governo, os doutores de terceiro grau que vos ‘adoram’, porque lhes destes emprego sem pedir nada em troca, sem pedir que eles trabalhem para o Povo e eles estão satisfeitos com a única missão de vos informar sobre as actividades de outros partidos políticos nas suas áreas e se os comandantes e agentes da polícia são fiéis ao vosso Partido ou não.

Sois, ilustres doutores do CCF, eleitos transparentemente em Maio de 2006, em social-política timorense, demasiado ingénuos – vós não reparais que os que dizem ‘sim’ nas vossas reuniões, fazem-no ou porque não percebem as vossas demasiado altas dissertações insossas, as quais só têm como único objectivo, reforçar a carcaça de cágado, de que vos revestis, ou porque querem assegurar os privilégios que vós concedestes a eles, fazendo-os sentir-se dentro do ‘partido no poder’. O mal destes últimos doutores, vossos camaradas, é esquecerem-se de que o povo os tem sob os seus olhos e a ‘justiça popular’ não será o enforcamento nem o ‘rama ambon’. Eles sabem disso e eu quero lembrar a eles que eles nunca se esqueçam da frase que todos, quanto estivemos aqui, em Timor, sabemos: os ‘pegawai ABS’ (‘asal bapak senang = basta que o chefe fique satisfeito’), porque eles pertencem a esta categoria de funcionários ‘abs’... do partido!

2 – ‘Contra a liderança nacional histórica’! Isto só revela que, contra tudo e contra todos, o Partido deve defender, a bem ou a mal, esse ‘estatuto’ de liderança nacional histórica! A melhor defesa deste estatuto é assumirem com clareza e transparência, os princípios e valores, por vós ‘plasmados’, na Constituição. Só necessitais desta condição, para continuares a ser ‘liderança nacional histórica’. Nunca pensem que por serdes ‘liderança nacional histórica’, nós os outros devemos aguentar com os vossos excessos, as vossas intolerâncias, as vossas manobras, os vossos erros. Vós conspirastes contra vós mesmos! Vós estais a exigir de outros uma avenida asfaltada e larga, sem obstáculos para as vossos desvairos políticos. O povo timorense não é povo que deixastes em 1975! E, vós, os doutores de segundo grau, que hoje sentis que estais ‘no poder’, porque também ‘vestis’ a camisola da história, queremos dizer apenas que as camisolas podem ficar sujas, podem ficar velhas, podem ficar rotas, quando não tomais cuidado em lavar, em cerzir os pequenos buracos. A vossa história está a ser escrita por vós mesmas, não por outros. Só conhecereis a vossa história, se fordes humildes o suficiente para reconhecer que a conspiração é vossa... sobre vós mesmos!

A etapa fundamental na execução do plano passa pela necessidade de, em primeiro lugar, desacreditar as instituições de defesa e segurança do país e dividir a liderança nacional, colocando uns contra outros.

Para dividir a Liderança usaram-se todas as armas. Deu-se a entender que a luta pelo poder era a razão fundamental do conflito. Por fim, goradas todas as tentativa anteriores, recorreu-se a alegações sobre práticas de crimes para lançar a ‘semente de desconfiança’ num terreno já de si fértil de profunda crise institucional,

Devemos diferenciar ‘a luta pelo poder’, quando não se está ainda no poder e ‘a luta pelo poder’, quando já se está no ‘poder’ e se tenta ‘consolidar’ esse ‘poder’, por quaisquer meios. Os que não estamos no ‘poder’, podemos perceber que houve ‘utilização de meios’ menos lícitos, para ‘consolidar o poder’. Mas, eu sei que estou apenas a ‘lançar’ mais uma ‘semente de desconfiança’... no ‘terreno... já fértil de profunda crise institucional’. Bom, admitem que houve já ‘profunda crise institucional’... em que instituição, precisamente, é isto que não nos foi dado saber!

Tudo isto ficou como uma simples retórica, uma simples demagogia, que servem para serem encadernados como ‘lições da história e fases de evolução histórica do Partido histórico’, para os militantes do Partido.

Não existindo crimes, eles foram criados pelos serviços de contra-informação, utilizando a média nacional e estrangeira. Como exemplo, temos o dito ‘massacre’ de Tasi Tolu, ‘os esquadrões de morte’, ‘a importação ilegal de armas e distribuição de armas pela Fretilin’, etc., factos esses que encheram páginas de jornais e tempos de antena de televisões e rádios, que invadiram as nossas mentes, mas que hoje se provaram ser absolutamente falsos.

Aqui, deixo que tanto a Provedoria de Justiça e dos Direitos Humanos e a Justiça, que se tem ùltimamente, afirmado imparcial, independente e soberana, nos seus actos, podem fazer as melhores conclusões.

Só posso fazer uns comentários sobre:

a) importação ilegal de armas – este é um assunto que compete ao Governo responder e não ao Presidente da República. Na reunião do Conselho de Estado, de 21 de Junho de 2006, interpelei o Primeiro-Ministro sobre o assunto. O Primeiro-Ministro respondeu, mais ou menos, nestes termos: ‘Quando eu soube dessa notícia, mandei imediatamente o Ministro Roque Rodrigues fazer uma investigação, mas até hoje, ele ainda não me entregou nenhum relatório sobre isso!’. Que mais é que eu posso acrescentar a isso?

b) distribuição ilegal de armas pela Fretilin – fui eu que fiz esta acusação! O Grupo de Rai Lós e o Grupo do Gleno, são os casos (mais) conhecidos. Deve-se dizer que foi o I Governo constitucional que distribuiu ou o Partido? Os ilustres doutores do CCF definam claramente e eu pedirei desculpas, tanto ao I Governo constitucional como ao Partido histórico. A história do Partido (histórico) está prenhe destas violentas histórias, tenhamos isso em muito boa conta!

Mas, deixemos que a Provedoria de Justiça e dos Direitos Humanos e a Justiça, que ultimamente se tem reafirmado, alto e bom som, que é independente, imparcial e soberana nos seus actos poderá vir a provar. Eu estou pronto a ir à prisão, por difamação ao ´histórico Partido’.

Mais uma vez, a média, em particular, certa média australiana, teve aqui um papel determinante na acção concertada própria de uma conspiração.

Mas os objectivos dessas acções não foram totalmente atingidos. Queriam:

i. derrube do Governo

ii. a dissolução do Parlamento Nacional

iii. o controle do Judiciário, colocando todo o sistema ao serviço dos conspiradores

iv. o estabelecimento de um ‘Governo de Unidade Nacional’ e adiamento das eleições

v. a desagregação das F-FDTL

vi. a domesticação da Fretilin, colocando na sua liderança elementos mais manipuláveis

OBJECTIVOS DA CRISE, em suma! É preciso ter-se estômago para digerir isto. Caríssimos leitores, tenho andado com diarreia, nos últimos tempos. Fui ao médico e ele disse-me que não havia vírus de nenhuma espécie, era mais resultado de pressões psicológicas! Pedi um medicamento e o bom homem disse-me: ‘Resigna e o seu estômago vai trabalhar normal’! Eu vou pensar nisso muito seriamente.

Eu vou perguntar aos cientistas se o cérebro também tem estômago! Porque há pessoas que pensam com a barriga! Agora também percebo porque é que muitos timorenses, sobretudo os que governam, não resistem à tendência à obesidade... pensam com a barriga! Quando a barriga está cheia, exultam de satisfação porque ‘está tudo sob controle’, mas se a barriga ficou um bocado vazia, ‘as pessoas conspiram’.

A utilização da expressão ‘elementos mais manipuláveis’ faz rir! Nós, de fora do Partido, sentimos isso mesmo da categoria de doutores instrumentalizados de segundo e terceiro grau do ‘partido no poder’ – como constatação que temos do... resultado da fraqueza dos timorenses quando se encontram no ‘poder’. Fazem tudo para ‘poder’ manter a posição de ‘confiança política’, que mereceram por... capacidade profissional, que não têm.

Acredita-se na possibilidade da entrada em execução do ‘Plano B’ que se crê ser de acção mais selectiva de terrorismo, por um lado, e de utilização mais cuidadosa e extensiva de medidas políticas, administrativas e económicas e de justiça para reduzir ainda mais a autoridade do estado, decepar a nação da sua liderança histórica, incitar as populações para obter a sua reacção generalizada e criar um clima de instabilidade social e política de modo a declarar Timor-Leste um estado falhado e assim intervir com mais forças ainda em nome das necessidades humanitárias e da segurança regional e internacional.”

A análise terminou com a chave de ouro! Isto faz lembrar também que, no Diálogo de Alto Nível, de 22 de Novembro, no Hotel Timor, um participante colocou surpreendentemente esta questão: OBJECTIVOS DA CRISE! Sòmente, não houve causas; houve apenas Objectivos! Estamos todos a aprender e devo confessar, eu aprendi imenso: a conhecer as pessoas, a conhecer os cometimentos, a conhecer os compromissos, a conhecer o carácter, a conhecer as astúcias, a conhecer a linguagem, a conhecer os sentimentos, a conhecer as inteligências e o seu oposto, as contra-inteligências. Enfim, a vida é uma constante aprendizagem!

Em todo este pequeno trabalho, de humilde tentativa de rebate à importantíssima Análise dos ilustres doutores do CCF, fiquei sob um estado psicológico tremendo e agora, devo confessar, vivo intensamente a Teoria da Conspiração e ando sob uma pressão tão ‘contundente’ que, só me sinto livre, se afirmo assim: CHEGUEI Á CONCLUSÃO QUE A TEORIA DA CONSPIRAÇÃO EXISTE E QUE EU SOU ACTOR PRINCIPAL!

Por causa disso, por esta experiência pessoal, eu posso dizer que compreendo o porquê de os ilustres doutores do CCF estarem tão certos de que havia uma ‘conspiração bem urdida’. Sabem porquê, caríssimos leitores?

Eles assumem que a Teoria existe! Eles necessitam de viver artificialmente essa conspiração, porque só assim eles se ilibam de qualquer pequeníssimo reparo! Faz lembrar da história de uma pessoa do campo que veio à cidade e que, andando pelas ruas, a apreciar o movimento das pessoas, sentiu que a barriga lhe estava a dar sinal de expulsão daquilo que comera na noite anterior. Não sabia onde ir, mas era urgente tomar uma decisão, para não borrar as calças. Sentou-se na valeta próxima e fechou os olhos... sentiu-se sòzinho, livre dos olhos da multidão de transeuntes! Os nossos ilustres doutores pensam que nós, os ocasionais transeuntes da história deles, não vemos, só porque eles decidiram que não somos providos da capacidade de ver! E, em política, casos assim acontecem amiúde!

Díli, 25 de Novembro de 2007.

O Presidente da República,

Kay Rala Xanana Gusmão

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Xanana diz que se está a perder a noção de respeito pela vida

Díli, 28 Nov (Lusa) - Os timorenses estão a perder a noção de respeito pela vida e os actos de violência que levam a cabo contribuem para enxovalhar internacionalmente o nome de Timor-Leste, denunciou hoje em Díli o Presidente Xanana Gusmão.

"O nosso país não pode continuar a ser enxovalhado desta maneira, por causa do comportamento de alguns", frisou Xanana, que interveio na cerimónia que assinalou hoje na capital timorense a passagem do 31º aniversário da declaração de independência.

Perante as poucas dezenas de pessoas que acorreram ao Estádio Municipal de Díli, e apesar da cerimónia ter sido transmitida em directo pela rádio e televisão públicas, Xanana Gusmão não escondeu a sua preocupação pela situação que se está a viver actualmente nos distritos do interior.

"No início da crise, também nós apreciámos o facto de no interior não ter havido violência mas, ultimamente, enquanto Díli regressa à paz, no interior assiste-se a incêndios e matanças, como se estivéssemos a matar moscas ou mosquitos . Parece que perdemos a noção de respeito pela vida uns dos outros", frisou.

Na sua mensagem à nação, Xanana Gusmão salientou que a passagem do 31º ani versário da declaração de independência "devia ser um dia de celebrações mas em vez disso é um dia em que todos nós nos sentimos preocupados".

Para ajudar a combater os efeitos violentos da crise, Xanana Gusmão salientou ter já solicitado ao governo para acelerar o processo de triagem da Polícia Nacional de Timor-Leste e para ponderar a eventual utilização das forças armadas no "processo de erradicação dos apedrejamentos, da provocação e das mortes".

"Têm que parar! E parar o mais rapidamente possível! Parar já", exigiu.

"Tem que se prender aqueles que estão envolvidos na incitação dos jovens, tem que se prender aqueles grupos que fazem uso da violência para resolver os seus problemas, criando mais problemas para toda a Nação", insistiu.

O Presidente aproveitou a mensagem à nação para divulgar o que o Estado está a fazer para reconhecer a dedicação e a militância dos que participaram na resistência contra a ocupação indonésia.

Nesse sentido, anunciou que na cerimónia iria ser feito, simbolicamente, o reconhecimento dessa dedicação e militância, com a entrega dos títulos honoríficos de duas ordens recém criadas: a Ordem D. Boaventura, para os combatentes fundadores do Movimento de Libertação Nacional, e a Ordem Nicolau Lobato, para os combatentes que participaram na resistência enquanto civis.

Foi perante membros do governo, deputados e corpo diplomático, que foram entregues os primeiros títulos, a timorenses constantes de uma lista de 220 nomes, entre os quais os dois primeiros Presidentes da República: Francisco Xavier do Amaral e Nicolau Lobato, este já falecido. Outras cerimónias, a realizar a 07 de Dezembro deste ano, 03 de Março e 05 de Maio de 2007, servirão para homenagear militares, mártires, cidadãos estrangeiros e jovens que de uma maneira ou de outra participaram na luta de libertação nacional.

EL-Lusa/Fim
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De um leitor

Comentário sobre a sua postagem "Direcção da FRETILIN hipotecou soberania nacional - PR Xanana":

"E é incrível: esses que sempre estiveram cá dentro, não têm ideia de que o povo acompanha os seus passos, o povo analisa a sua trajectória política (que faz saltos impressionantes), o povo percebe os seus sonhos e segure as suas ambições, tanto individuais como colectivas em termos do partido", salienta."

E mesmo incrível, Xanana, que voce proprio esqueceu os que sacrificam no lado de Povo. Os como o nosso verdadeiro patriotas Camarada Nicolau Lobato, Camarada Sahe, Camarada Mahudo, Camarada Konis Santana, e ouros membros do CCF homens e mulheres que sacrificam tudo para o Timor. Conheces bem o CCF Xanana? quantos de 1975 que hoje estao vivo para ver a sua brincadeira sujas?

Para nos de FRETILIN tu es ja, NADA, nao representa ninguem, so os que invejam. O nos de FRETILIN temos, o que perdemos e mais de um Xanana. Temos historia, temos sacrificios, temos martires do nossa patria.

Nao sozinho Xanana que ficava lado do nosso povo em tempos mais dificies, ja esquece os nossos camaradas no mato em 1975 ate 1999.

FRETILIN e um so, sommos um grande familia dentro ou fora do nosso terra.

Nao e mais um symbolo de unidade Xanana mas um symbolo de odio e de disunidade. Ontem foi o lorosae loromonu hoje falas de os que ficavam e os que sairam mas continuem trabalhar e lutar para o nosso pais.

Eu acho que tu Xanana mereces nem um resposta, ja perdeu o respeito.

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De um leitor

Comentário sobre a sua postagem "Aqui não há auto-stops da UNPOL...":

This last photograph is of an anti tank rocket launcher. It is not the equipment of the F-FDTL or the PNTL. Either this was obtained from one of the international contingents in Timor-Leste, most likely the Australian or New Zealand contingent to do have such a weapon or it was brought into the country by the "Kopassus man" Rui Lopes who goes across the border often and consorts with TNI generals and such. Either way its bad news for Timor-Leste, because these would not be the only weapons coming in anad across the border. The hand of Indoensia has been identified. The International Crisis Group has identified that armaments recently manufactured by the Indoensian Military Arms manufacturer were found and identified as such in locations where there had been firefights during the recent crisis.

Alfredo by the way is staying at Suai, at Rui Lopes' cattle stud.

Convenient to be so close to the border.

Alfredo will never surrender. he will never surrender his arms. He has always intended starting a revolt and tried to effect a coup but it did not work for various reasons.

Alfredo and others have the measure of not only the Australians but the other international forces here. The only ones who can take and should take him are the F-FDTL. He has no chance. All the paint ball bush warfare skills he learnt in the Perth hills and Western Australian outback with ultra right wing paramilitary groups such as the Croatian Ustasha and National Action and the League of Rights etc will bne of no match to the Falintil veterans who defeated a numerically and technologically superior TNI. Let them moose Mr Horta and save your country and its people. But you can't can you? Xanana will not let anyone loose on Alfredo. he knows too much and can tell too much can't he? What a mess, but I hope Falintil can stand up and defend the nation.

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De um leitor

Comentário sobre a sua postagem "Notícias - em inglês": "

''Australia supports increased maritime co-operation with East Timor and we intend working with the East Timorese Government to identify ways in which the DCP (defence co-op program) can provide this enhanced assistance'', said a defence spokesman in reply to The Australian.

Prime Minister Jose Ramos Horta has frequently warned of the vulnerability of his country's coastline to illegal fishermen and people smugglers, concerns shared by Canberra."


Here we go! Everybody knows Dodd has always been the mouthpiece of the Australian Government. If he is writing this, then watch out. The next battle ground for the Timorese will be the Timor Sea again. The Australian government has been unable to impose its will over the Timorese with respect to the Timnor Sea, and has found it especially difficult to impose its will that it become an Australian Zone of military surveillance. remember when tey tried to place surveiallance equipment on abandoned oil rigs.

The truth is the Timorese actually have a claim over the vast area of the Timor Sea up to the midway point with Australia, In fact, under the terms of the treaty signed in january this year, the Timorese will have exclusive rights to fishing and exploitation of the water collum, which would mean no Australian military operations such as surveillance without timor-Leste's accord.

They should be very careful where they push on this. timorese already have resentment for the Australian stance on the petroleum resources, perceived as theives in fact. Public controversy over the Timor Sea again will undoubtedly rearouse ill feelings from the other negotiations and questions of sovereignty will again come to the fore.

We all know someone in canberra briefed Dodd to start floating this issue, but it will not fly.

A final point. PM Horta has never had an issue or expresse concerns about people smuggling, "illegal fishermen" yes, even Australian fishermen.

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Senhor Presidente

De um leitor:

Senhor Presidente,

Eu sou timorense
Nasci em Timor-Leste em plena invasão
Indonésia
Cresci no mato
ao lado do saudoso Nicolau
capturado pelos Indos
após a morte do Nicolau
vivi em Dili no seio dos bapas
nos inícios dos anos 80

Senhor Presidente,
Parti para países estrangeiros
escapando das garras dos ABRI
pus me na escola
no fim era graduado na engenharia
ao mesmo tempo passei
a vida gritando na rua
pela paz, pela justiça
para o povo Maubere
enquanto na pátria
homens e mulheres
tombavam de dia a dia
mas hoje gozo o nascer do sol
o brilho da lua cheia
no país amado Timor-Leste.

Senhor Presidente,
Hoje não há heróis no solo Timorense
Os heróis são todos mortos
ao fim de nós gozarmos esta nação independente

Senhor Presidente,
Ninguém lutou mais do quê alguém
Ninguém ama o povo mais do quê alguém
Por os que lutaram mais, e lutaram muito
não estão hoje a gozar desta nação Maubere
Os que mais amam o povo, e amaram-no muito
não estão hoje a gozar da vida como um povo independente
Nem guerreiros, nem doutores,
nem intelectuais, nem homens sábios
nem presidentes, nem ministros
nem josés, nem marias,
enquanto vivos podem clamar
a medida de quem lutou mais
de quem amou mais a nação e o povo

Porque eu sei, e cada um de nós sabe
Ninguém lutou mais e ninguém amou mais
do Povo e da nação Maubere
como os que deram a vida
pela nossa libertação!!!

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Timor-Leste: UK Launch of Timor Justice Report

Joint Press Release by the Parliamentary Human Rights Group, TAPOL the Indonesia Human Rights Campaign, Amnesty International, Progressio, and Human Rights Watch - 27 Nov 2006

British parliamentarians who campaigned for human rights in Timor-Leste (then East Timor) are urged to press the UK government for action on key recommendations of a landmark report on violations committed in Timor-Leste.

The All-Party Parliamentary Human Rights Group (PHRG), TAPOL the Indonesia Human Rights Campaign, Human Rights Watch, Amnesty International and Progressio is hosting the UK launch of the report at the Houses of Parliament on November 28, 2006.

The report includes a number of specific findings and recommendations on the UK's role in the Timor-Leste conflict. In particular, it calls for a UK contribution to reparation payments to victims of the conflict and greater control over the arms trade To date there has been no formal response from the British government about the report or its recommendations.

'It is astonishing that the British government, as a major funder of the CAVR, has yet to respond to the report's comprehensive findings and recommendations, since it was presented to them in February this year' said Paul Barber, advocacy officer for TAPOL.

The 2,500-page report by Timor-Leste's Commission for Reception, Truth, and Reconciliation (known by its Portuguese acronym, CAVR), entitled Chega! (Enough!), was presented to the national parliament exactly a year ago on November 28, 2005. It documents widespread and systematic violations of human rights perpetrated by all parties in Timor-Leste between 1974 and 1999, immediately before and during Indonesia's occupation of the territory.

'The critical lessons of the report must be learnt and acted upon so that the suffering of the East Timorese people during the occupation is not repeated,' said Dr Steve Kibble, Progressio's Timor-Leste Advocacy Coordinator.

The CAVR report states that at least 102,800 Timorese people died from conflict-related causes in this period, and that Indonesian authorities committed crimes against humanity and war crimes in the country.

'Despite the fact that crimes of the gravest kind were committed in Timor-Leste no Indonesian officer has been held responsible,' said Charmain Mohamed, Indonesia and Timor-Leste researcher for Human Rights Watch. 'This lack of accountability makes it hard to build a society based on respect for human rights and justice.'

The groups said that a lack of justice for past crimes in Timor-Leste was a contributing factor to the serious unrest that destabilised the country earlier this year. The culture of impunity for past crimes has eroded current initiatives on the rule of law. The failure to address impunity is likely to undermine efforts to stabilize the country.

Chega! recommends that its findings are widely distributed and discussed, especially by the Timorese government, foreign governments, including the UK, and the UN. It calls for the development of a culture of respect for human rights and the rule of law, and the establishment of effective and accountable governance, judicial and civil society institutions in Timor-Leste.

'The people of Timor-Leste are still waiting for justice. Timely and serious consideration of this report by relevant governments and international institutions is an important step towards that goal,' said Dr. Purna Sen, Asia-Pacific Programme Director at Amnesty International.

Speakers at the launch included CAVR national commissioner, Father Jovito de Araujo, Timor-Leste's Ambassador to the EU, José Amorim Dias, and a representative of REDE Feto, Timor-Leste's women's national network, Ivete de Oliveira. Ann Clwyd MP, Chair of the PHRG chaired the event. A specially-recorded message by Timor-Leste's Prime Minister José Ramos-Horta was also screened.


Note to editors:
For further information, please contact:
Paul Barber at TAPOL, 01420 80153 or 07747 301739
Charmain Mohamed at Human Rights Watch on 07769 893 856

For interviews with Progressio workers in East Timor - Advocacy Coordinator Dr Steve Kibble or Asia Advocacy Officer Alison Ryan - or with people from Timor Leste, please contact clarej@progressio.org.uk or call 020 7354 0883.

The full report and an executive summary is available at: http://etan.org/news/2006/cavr.htm
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TIMOR: NGO's say rebel leader Reinardo should be brought to justice

Radio Australia, Asia Pacific - 27/11/2006, 8:49:35 PM

East Timor's rebel leader and murder suspect Major Alfredo Reinardo has emerged from hiding, he addressed a public seminar in the town of Suai on Friday. Before the seminar, Prime Minister Jose Ramos Horta was urging the international military forces to arrest him.

But now he says Major Reinardo is getting another chance.


Presenter/Interviewer: Joanna McCarthy
Speakers: John Miller, spokesman for the East Timor and Indonesia Action Network; Arsenio Bano East Timor's Minister for Labor and Solidarity

McCARTHY: It's three months since East Timor's renegade soldier Major Alfredo Reinardo escaped from Dili's main jail and last week the government was given a prime opportunity for his arrest. When unconfirmed reports on Friday said Major Reinardo would speak at a public seminar, Prime Minister Jose Ramos Horta urged international military forces to arrest him.

But when Major Reinardo appeared at the seminar, Australian and Portuguese forces took no action. The Prime Minister now says the government is giving Major Reinardo another chance. Arsenio Bano is East Timor's Minister for Labor and Solidarity:

BANO: I think Major Reinardo has been given the possibility of coming back to Dili and hand over guns proceed with judicial process. There is confusion as to his interpretation as to what he should be followng. And I think the state, the judicial court, the police has given him a lot of possibility that he should come to Dili and the government itself wants to solve the problem peacefully.

McCARTHY: Prime Minister Ramos Horta says Major Reinardo's reprieve comes at the wishes of army chief Brigadier General Taur Ruak.

It's nearly 8 months since Major Reinardo abandoned the military to join rebel soldiers during the unrest that bought down then Prime Minister Mari Alkatiri. While Reinardo remains at large, Ramos Horta faces an enormous challenge as his government tries to restore stability among the armed forces, the police and the disaffected youth for whom Major Reinardo remains a hero.

BANO: It's not an embarrassment. I think the approach the prime minister is taking is dialogue and also not to have people killed in solving the problem. I hope Reinardo understand that because a lot of people have tried to convince him to Dili including Bishop Bello. The government still has that line. But as I said he's running out of time.

MCCARTHY: How much longer are you going to give Major Reinardo to surrender?

BANO: I'm not sure. His problem is complicated. Because he has escaped from prison. he is also under investigation. He says he should be criminally prosecuted. So he has those allegations. I think I'm not very sure, sooner or later, we all need to decide what we need to do with major Reinardo.

McCARTHY: But not everyone agrees with the government's conciliatory line. John Miller is the National Co-ordinator of the US-based East Timor and Indonesia Action Network.

MILLER: I think this continuing encouragement of dialogue rather than prosecution has led to impunity. We feel in this instance that a judicial approach is best. It needs to decide and needs to be clear that there's civilian supremacy over the military. And whatever civilian commanders wants the military have to know they have to take the orders from and take second place to whatever the civilian leadership decides.

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Combatentes da libertação homenageados em aniversário independência

Díli, 27 Nov (Lusa) - Os primeiros combatentes da libertação de Timor-Leste são homenageados terça-feira em Díli, por ocasião das celebrações do 31º aniversário da independência, anunciou hoje o gabinete do primeiro-ministro.

No total serão homenageados 220 combatentes, alguns dos quais já falecidos, como o segundo Presidente da República Democrática de Timor-Leste (RDTL), de Julho 1977 a 31 de Dezembro de 1978, Nicolau Lobato.

Na cerimónia, a realizar no Estádio Municipal de Díli, o Presidente Xanana Gusmão entregará o Título Honorífico da Ordem D. Boaventura a 61 antigos combatentes, cuja lista é encabeçada por Francisco Xavier do Amaral, proclamador da RDTL e primeiro Presidente da República.

Aos restantes 159 antigos combatentes, Xanana Gusmão entregará o Título Honorífico da Ordem Nicolau Lobato.

A cerimónia de terça-feira encerra o capítulo iniciado com o recenseamento dos combatentes da libertação nacional, em que foram registados 74.925 pessoas.

A crise político-militar desencadeada em Abril atrasou o processo de reconhecimento nacional da nação aos timorenses que participaram nas frentes armada e clandestina contra a ocupação indonésia, que se prolongou durante 24 anos.

Do total recenseado, um quarto já morreu, segundo os dados compilados pela Comissão de Consolidação de Dados da Resistência Timorense e dos Combatentes da Libertação Nacional (CCD), criada pelo presidente Xanana Gusmão a 31 de Janeiro deste ano.

Com o final do trabalho da CCD, abre-se agora finalmente caminho ao reconhecimento da nação em cerimónias que chegaram a ser marcadas para datas relacionadas com a história de Timor-Leste, mas que a evolução da crise obrigou a adiar.

A Ordem D. Boaventura homenageia os cidadãos timorenses que organizaram e lideraram a resistência contra a invasão indonésia, entre meados de Agosto de 1975 e fins de Maio de 1976.

O segundo título honorífico a atribuir terça-feira é a Ordem Nicolau Lobato e a ela têm direito os combatentes com oito ou mais anos de militância nas estruturas político-civis da resistência.

O Estado timorense criou mais três ordens, cujas datas de atribuição não foram ainda divulgadas.

Trata-se dos títulos honoríficos da Ordem da Guerrilha, Ordem Funu Nain e Ordem de Laran Luak.

A Ordem de Guerrilha será entregue aos combatentes com oito ou mais anos de participação na luta, quer como militares quer como tendo desempenhado funções como quadros militares da Base de Apoio.

A Ordem Funu Nain destina-se aos Mártires da Libertação Nacional, e a Ordem de Laran Luak aos cidadãos estrangeiros reconhecidos como Combatentes da Libertação Nacional.


EL-Lusa/Fim
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Traduções

Todas as traduções de inglês para português (e também de francês para português) são feitas pela Margarida, que conhecemos recentemente, mas que desde sempre nos ajuda.

Obrigado pela solidariedade, Margarida!

Mensagem inicial - 16 de Maio de 2006

"Apesar de frágil, Timor-Leste é uma jovem democracia em que acreditamos. É o país que escolhemos para viver e trabalhar. Desde dia 28 de Abril muito se tem dito sobre a situação em Timor-Leste. Boatos, rumores, alertas, declarações de países estrangeiros, inocentes ou não, têm servido para transmitir um clima de conflito e insegurança que não corresponde ao que vivemos. Vamos tentar transmitir o que se passa aqui. Não o que ouvimos dizer... "
 

Malai Azul. Lives in East Timor/Dili, speaks Portuguese and English.
This is my blogchalk: Timor, Timor-Leste, East Timor, Dili, Portuguese, English, Malai Azul, politica, situação, Xanana, Ramos-Horta, Alkatiri, Conflito, Crise, ISF, GNR, UNPOL, UNMIT, ONU, UN.