quarta-feira, julho 26, 2006

Pedido de esclarecimento


De um leitor:


Não percebi umas coisas:

1. Como é que o JSMP estava no tribunal a ouvir as declarações do ex-M.Int. se as mesmas eram feitas à porta fechada!?!?!?!
2. Quem autorizou o JSMP a assistir a declarações feitas no âmbito do inquérito?
3. A que título se considerava o JSMP autorizado a ouvir as declarações feitas no âmbito do inquérito?
4. Conhecem a lei processual penal em vigor em TL?
5. Onde encontram fundamento para isto?????

6. NB: não sou contra nem a favor do ex-M.Int., mas a lei processual penal tem um propósito e um fundamento que são obviamente postos em causa pela sua violação. Aliás, o presente caso é a mais cabal demonstração disso. Talvez não seja má ideia dar a ler aos juristas (???) do JSMP as declarações de Direitos Humanos e outros instrumentos internacionais, para além da lei timorense, claro está. Pede-se aos senhores do JSMP que, pelo menos, leiam, estudem.

P.S. Caro Malai Azul, pedia-lhe destaque para estas palavras, uma vez que também se vê por esta via o mal que fazem algumas ONG's a Timor-Leste.

.

13 comentários:

Anónimo disse...

nao esta mt famoso este blog hoje...

Anónimo disse...

Por fim foi preso amigo de Xanana,
Ladrao, assassino, Reinado desertor
pela Guarda Nacional Republicana
verdadeiros amigos do nosso Timor

Agora nem cartas brancas te safam
nem amigos de terra Australiana
os teus amigos tambem nao escapam
a honesta forca policial Lusitana

O teu tempo de liberdade acabou
As VBes e o bilhar estao pra traz
Calado fica Banana que te cobicou
E so pena nao termos uma ALCATRAZ

Cheers do Mau Beick

Anónimo disse...

SOS SOS SOS SOS
XANANA ALEM DE ESTAR COM UMA DOR DE COSTAS HORRIVEIS, TAMBEM ESTA SOFRENDO, DADO AOS ACONTECIMENTOS RECENTES (DETENCAO DE REINADO), A SOFRER DE MUITA INSONIA!!! POR FAVOR ACORRAM AO HOMEM COM UNS COMPRIMIDITOS DE VALIUM, ALMAS BOAS! ELE VOS PAGARA COM UMA CASITA, MESMO EM FRENTE DO QUARTEL DOS BISPOS!

Fote Make Riba

Anónimo disse...

ASEAN de olhos postos na segurança

ASEAN de olhos postos na segurança

A recusa da Junta Militar da Birmânia (Myanmar) a realizar uma reforma democrática, ao mesmo tempo em que o país fortalece a sua relação militar com a Coreia do Norte, será o centro da reunião anual dos ministros da Associação de Nações do Sudeste Asiático, que teve ontem a sessão de abertura

Os ministros da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN, em inglês) começaram a chegar ontem a Kuala Lumpur, capital da Malásia para a 39ª reunião anual da Associação de Nações do Sudeste Asiático, a que se segue o 13º Fórum Regional da organização.
Durrante os trabalhos vão tentar pressionar novamente o Governo militar birmanês para que liberte os presos políticos e demonstre que realmente possui planos de implantar a democracia em Myanmar.
Na ASEAN, cresce o mal-estar pelos danos que a postura de Myanmar está a causar à difusa imagem desta organização regional desde o seu ingresso, em 1997.
"A ASEAN chegou a um ponto em que não pode continuar a defender Myanmar se o país não cooperar connosco ou ajudar-se a si próprio, implementando um progresso claro das reformas políticas e económicas", afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros malaio e anfitrião da reunião, Syed Hamid Albar, em artigo no "Wall Street Journal".
Esta postura de Myanmar parece tornar-se mais firme à medida que estreita os laços militares com o regime da Coreia do Norte.
O intercâmbio entre os dois regimes inclui a venda de armas, a transferência de tecnologia e o envio de equipas de analistas norte-coreanos a Pyinmana, a nova capital que o Governo birmanês constrói a 400 quilómetros norte de Yangun.
Esta nova capital está a ser construída com o objectivo de criar uma intrincada rede de túneis a fim de se proteger de um eventual ataque aéreo.

Razões militares para mudar capital
Segundo diplomatas, o temor do Governo militar birmanês a um possível ataque por parte dos EUA foi o principal motivo da decisão de transferir a capital administrativa para Pyinmana, cidade situada em uma região montanhosa controlada pelas Forças Armadas.
A Administração do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, tem condenado frequentemente o regime militar de Myanmar pela falta de respeito aos direitos humanos. Washington disse recentemente que o regime é "um reduto da tirania".
Essas relações no âmbito militar entre os dois regimes mais autoritários da Ásia foram notadas por diplomatas ocidentais em Julho de 2003, quando vários técnicos norte-coreanos foram enviados a Myanmar.
Os especialistas tinham a missão de construir um enorme refúgio subterrâneo próximo a Taungdwingyi, cidade localizada na região central do país, próxima a Pyinmana.
Os EUA suspeitam que há centenas de túneis e refúgios subterrâneos para uso militar por toda a Coreia do Norte, até mesmo para encobrir algumas indústrias de defesa.
As crescentes relações entre os regimes de Pyongyang e de Pyinmana preocupam o resto dos países da ASEAN, que aparentemente não aceitão passivamente a presença militar norte-coreana no Sudeste Asiático.
Durante os últimos meses, alguns países-membros da ASEANsugeriram que a organização deve começar a estudar a opção de expulsar Myanmar do bloco face às fracassadas tentativas de convencer a Junta Militar a encaminhar o país para a democracia.
A Coreia do Norte já descartou uma possível negociação multilateral na reunião ministerial anual da ASEAN, disse ontem o ministro de Relações Exteriores da Malásia, Syed Hamid Albar.

ASEAN apoia Surakiart Sathirathai a sectretário-geral da ONU
O organismo regional reafirmou ainda ontem o apoio ao vice-primeiro-ministro da Tailândia, Surakiart Sathirathai, como candidato à Secretaria-Geral da ONU.
A decisão foi adoptada numa sessão especial que os ministros de Relações Exteriores dos dez países-membros da ASEAN mantiveram com Sathirathai em Kuala Lumpur, sede da conferência anual que a organização realiza esta semana.
"Ele (Sathirathai) é o candidato da ASEAN e não só um candidato da Tailândia. Não deve haver dúvida alguma nem se pode questionar o apoio da ASEAN", disse Hamid Albar.
A ASEAN é formada por Brunei, Camboja, Indonésia, Laos, Malásia, Birmânia, Filipinas, Singapura, Tailândia e Vietname.


.Críticas a Israel e apelos ao cessar-fogo
"Preocupa-nos gravemente a deterioração da situação no Médio Oriente, particularmente o desproporcional, indiscriminado e excessivo emprego da força por parte de Israel nos territórios palestinos ocupados e no Líbano", indicaram os ministros dos Negócios Estrangeiros da ASEAN, em comunicado emitido pouco antes do início da reunião anual. "Pedimos que um cessar-fogo seja declarado imediatamente, e que a comunidade internacional e o Conselho de Segurança das Nações Unidas consigam a adesão de todas as partes do conflito".


.Primeiro-ministro malaio condena ataques de Israel
O primeiro-ministro malaio, Abdullah Badawi, criticou a violência usada por Israel no Líbano e na Faixa de Gaza e pediu à ASEAN que adopte uma postura conjunta de condenação.
"Acho que a ASEAN deve fazer ouvir, alto e claro, que nós não podemos continuar a tolerar que Israel subjugue e reprima o povo palestiniano", afirmou o chefe do Governo malaio no seu discurso de inauguração da reunião anual de ministros de Relações Exteriores da organização regional.
Abdullah, que ocupa a Presidência rotativa da Organização da Conferência Islâmica (OCI), pediu aos 10 membros da ASEAN que condenem duramente "as excessivas represálias de Israel contra o Líbano".
"A situação expõe a ineficiência da diplomacia mundial. Mas a comunidade internacional não pode continuar a fugir à responsabilidade de encontrar uma solução justa e duradoura", acrescentou o dirigente malaio.

Fórum sobre Segurança junta americanos e norte-coreanos
Os ministros da ASEAN, na sexta-feira, reúnem-se no 13º Fórum Regional sobre Segurança, onde conversarão com os representantes de algumas das maiores potências do mundo, entre as quais China, Rússia, e Estados Unidos, e que contará com a presença do ministro dos Negócios Estrangeiros znorte-coreano, Paek Nam Sun, e da secretária de Estado americana, Condoleezza Rice.
Entretanto, Pyongyang deu mais um passo na sua retórica anti-americana ao chamar, nesta segunda-feira, "imbecil" à secretária de Estado americana, Condoleezza Rice.
Rice qualificou a Coreia do Norte como um estado "irresponsável" e "perigoso" por ter realizado testes com seis mísseis de curto e médio alcance e um sétimo intercontinental. A agência de notícias oficial norte-coreana KCNA acusou a secretária de Estado de ter tido como "único objectivo justificar a política de hostilidade americana" em relação à Coreia do Norte. "As suas declarações não passam de uma pura distorção da realidade que não pode convencer ninguém", considerou a agência. "Isso somente pode ser interpretado como um ataque histérico de uma imbecil política", prosseguiu a agência.


.Timor vai pedir adesão à ASEAN
O primeiro-ministro timorense vai apresentar o pedido formal de adesão de Timor-Leste à ASEAN. A apresentação formal do pedido de adesão à Associação das Nações do Sudeste Asiático, um processo que deverá prolongar-se pelo menos por cinco anos, será feita no decorrer da 13ª Conferência Ministerial do Fórum Regional da ASEAN, de que Timor-Leste já é membro desde 29 de Julho de 2005.
No plano regional, Timor-Leste integra já o espaço de concertação Diálogo do Sudoeste do Pacífico, de que fazem parte a Austrália, Filipinas, Indonésia, Nova Zelândia e a Papua Nova Guiné, e tem o estatuto de observador no Fórum das Ilhas do Pacífico.
Antes de Kuala Lumpur, Ramos-Horta é recebido hoje em Jacarta pelo presidente Susilo Bambang Yudhoyono, com quem concertará decisões relativas à cooperação bilateral. Esta será a primeira visita oficial de Ramos-Horta enquanto primeiro-ministro.
Em Jacarta, vão discutir-se os acertos finais para a conclusão, em Agosto, do documento que formaliza a demarcação na totalidade da fronteira terrestre comum, completados que estão 99 por cento dessa linha divisória.
Na delegação timorense que se desloca a Jacarta figura o ministro dos Recursos Naturais e Política Energética, José Teixeira, enquanto o chefe da diplomacia, José Luís Guterres, que seguiu domingo para a Malásia, apenas integrará a comitiva em Kuala Lumpur.


.China e Japão em encontro paralelo
Os ministros de Relações Exteriores da China e do Japão vão reunir-se à margem do encontro, informou ontem a agência "Xinhua".
Segundo o Ministério de Relações Exteriores chinês, o ministro Li Zhaoxing vai encontrar-se com o japonês Taro Aso na quinta-feira. Os dois vão discutir "as relações sino-japonesas e temas regionais como a situação do nordeste asiático". Será o segundo encontro entre os dois desde a nomeação de Aso para o cargo, no fim do ano passado, depois de Aso ter proferido diversos comentários negativos sobre a China.
Os dois países mantêm relações tensas há anos, principalmente devido às divergências sobre o papel desempenhado pelo Japão durante o seu passado colonialista na Ásia.
Dois factores têm aumentado os atritos. O primeiro é a insistência do primeiro-ministro do Japão, Junichiro Koizumi, em visitar o santuário de Yasukuni, onde, segundo a China, são homenageados criminosos de guerra. O segundo é o conflito territorial pelas ilhas Diaoyu (em mandarim) ou Senkaku (em japonês), reivindicadas pelos dois países. Ambas ficam no Mar da China Oriental e acredita-se que têm valiosas jazidas de gás.


.Formar mercado comum até 2020

Durante o encontro, os ministros vão estudar também o desenvolvimento das iniciativas aprovadas pelos chefes de Estado e do Governo para formar até 2020 um mercado comum sem grandes desequilíbrios económicos entre seus 10 países-membros: Brunei, Camboja, Birmânia (Myanmar), Filipinas, Indonésia, Laos, Malásia, Singapura, Tailândia e Vietname.
"Devemos aprofundar a nossa integração rapidamente para poder enfrentar os novos desafios, não só económicos, sociais e internos, mas também estratégicos e de natureza global", disse o primeiro-ministro malaio, Abdullah Badawi, no seu discurso de abertura.

http://www.pontofinalmacau.com/

Anónimo disse...

http://sistema-asia.blogspot.com

SISTEMA disse...

Timor-Leste: Uma Nova Guerra Fria

Ásia e Pacífico
14/06/2006
Timor Leste: Uma Nova Guerra Fria
Maryann Keady *
New Matilda

“Novo vizinho, novo desafio”, um documento emitido pelo Instituto de Política Estratégica Australiano em 2002, sublinha a importância da Austrália para a segurança de Timor Leste. Também reflecte a importância de Timor Leste para a segurança da Austrália, e fornece um prisma para ver os últimos desenvolvimentos:

«A Austrália tem muito em jogo no futuro do nosso novo vizinho. Altruisticamente esperamos que o povo de Timor Leste possa ter um futuro próspero e pacífico. Considerando mais os interesses próprios, o seu sucesso ou falhanço afectará directamente as próprias perspectivas da Austrália sobre a segurança. Sérios problemas em Timor Leste minarão os interesses estratégicos duradoiros da Austrália na estabilidade da nossa vizinhança próxima.»

No momento, o que preocupa a Austrália são as rotas marítimas e as reserves marítimas de petróleo e de gás à volta de Timor Leste, bem como a entrada visível de um jogador regional: a China.

Quando o aliado da Austrália, os Estados Unidos, fizeram da Ásia­‑Pacífico a sua prioridade estratégica máxima no Quadrennial Defence Review de 2001, ficou claro para todos os analistas de defesa que o “competidor principal” era a China.

O recentemente emitido relatório anual do Pentágono sobre o poder militar da China diz que o reforço militar da China «já alterou o equilíbrio militar na Ásia-Pacífico e poderia constituir uma ameaça para as forças armadas regionais». O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros Chinês, Liu Jianchao, acusou os EUA de exagerar a força militar da China dizendo que é baseada numa «mentalidade de Guerra Fria».

E uma “Nova Guerra Fria” é exactamente o que emergiu.

Timor Leste é apenas um dos países da região apanhados no fogo­‑cruzado entre dois competidores estratégicos poderosos: China e os EUA. Infelizmente para Timor Leste, está na vizinhança de algumas das rotas marítimas mais cruciais do Pacífico – principalmente os estreitos de Ombai­‑Wetar, uma passagem de águas­‑profundas entre os Oceanos Índico e Pacífico, importante para a passagem submarina, que será um vital ‘ponto de estrangulamento’ marítimo em qualquer conflito futuro.

Políticos e comentadores de todo o espectro têm sido cândidos acerca do que vêem como dilemas de Timor Leste em tentar equilibrar-se entre dois gigantes. Da mudança rápida de aliança da China para Taiwan em Kiribati, ao alvejamento dos habitantes de etnia chinesa nos distúrbios de Abril em Honiara, o “factor China” está a causar caos na região. Os locais receiam que as potências hegemónicas regionais – China, EUA e Austrália – joguem um papel maior nesta instabilidade do que qualquer desassossego civil orgânico.

A imprensa australiana escolheu ignorar a maior, contenda estratégica até muito recentemente, permitindo que o governo australiano se “empenhasse” no Pacífico com muito pouco criticismo ou análise independente.

A Austrália continuará a afirmar-se no Pacífico — e dum ponto de vista de defesa racional, isto parece perfeitamente aceitável. O que pode ser contestado é a sabedoria de não interferir antes do conflito, mas somente depois de os chamados “estados falhados” caírem no caos. Tanto a missão RAMSI nas Ilhas Solomão como a Operação Astute em Timor Leste reflectem isso.

Muitas dessas comunidades do Pacífico são pequenas, e é fácil encontrar mãos cheias de testemunhas (ou no meu caso, ser uma testemunha) de agitação que podia ter sido facilmente contida e tratada. É impossível no caso de Timor Leste compreender como um bando de jovens desempregados desordeiros protestando contra o seu despedimento das forças armadas puderam emergir como dois bandos rebeldes (com conselheiros da ONU e australianos presentes durante a confusão) exigindo a remoção do primeiro­‑ministro.

Muito tem sido dito na imprensa australiana sobre as divisões étnicas entre o leste e o oeste de Timor Leste terem inflamado a violência — uma divisão conveniente se se quer usar o caos civil como um pretexto para mandar forças militares e deixar o país debaixo da sua esfera de influência. Mas pouco se ouviu acerca desta ter sido a terceira vez que forças internacionais falharam em evitar que o povo de Timor Leste fosse aterrorizado por uma terceira parte. Primeiro, houve o ataque indonésio em 1999. Em segundo lugar, os distúrbios de 4 de Dezembro de 2002 (que levaram aos primeiros apelos da imprensa australiana para a demissão de Alkatiri, imediatamente antes das negociações do petróleo e do gás). E agora, o caos civil em 2006.

Imediatamente depois da agitação de 2002, entrevistei testemunhas locais bem como o líder da ONU e das forças australianas acerca de queixas de que nada tinham feito para parar o caos. Depois de muita investigação, foi-me dito que um representante da ONU foi “não­‑oficialmente” ao gabinete do primeiro­‑ministro Alkatiri pedir-lhe para se demitir, uma resposta interessante a distúrbios civis – e uma que faz uma anedota dos pretensos e apolíticos esforços humanitários da ONU.

Desta vez, a ONU disse que enviará Ian Martin (que foi o Representante Especial da ONU em 1999 quando o pessoal internacional foi evacuado, deixando os timorenses orientais nas mãos dos militares indonésios). A questão que não tem sido respondida é como é que a situação pôde ter escalado até aqui? Irão os timorenses orientais outra vez ouvir palavras vazias dos burocratas acerca de “limitações” para “assegurar a sua segurança”?

A grande questão é evidentemente se a Austrália escolhe permitir que Timor Leste caia na anarquia ao estilo das ilhas Salomão, possibilitando assim que as suas tropas sejam depois destacadas para este local estratégico.

Richard Woolcott, que foi o embaixador australiano em Jakarta na altura da invasão de Timor Leste em 1975, disse recentemente na ABC Radio que um membro sénior da administração Bush lhe contou em 2000, que “Timor será o vosso Haiti”.

Muito tem sido escrito acerca do Haiti e da demonização pelos media americananos do presidente Jean­‑Bertrand Aristide em 2004. A Austrália embarcou numa campanha similar contra Alkatiri. A imprensa americana chamou a Aristide e ao seu Partido esquerdistas não-reconstruídos cujo modelo era a Revolução Cultural Chinesa. Alkatiri é acusado de ser um “marxista moçambicano” – e o seu partido Fretilin “comunista” – apesar do seu modelo ser mais o do primeiro­‑ministro da Malásia, Mahathir bin Mohamad do que de outros.

No Haiti, a oposição teve o apoio do International Republican Institute (IRI) apoiado pelo governo dos EUA. O papel dos EUA em Timor Leste não é menos interessante. O IRI, o National Endowment for Democracy e o National Democratic Institute, criaram todos eles programas de “democracia” que financiam a oposição local em Timor Leste – a mesma oposição que tem boas relações com a Austrália.

A Igreja Católica, um corpo influente em Timor Leste, também tem estado por detrás da campanha anti­‑Alkatiri. Os seus protestos em 2005 contra as tentativas de Alkatiri para tornar não­‑obrigatória a instrução religiosa foram uma indicação perigosa de quão poderosas essas forças se tornaram [1].


O comentário de Richard Woolcott sobre o Haiti chegou ao mesmo tempo que relatos de testemunhas de tropas australianas a falharem em assegurar a segurança dos locais e inflamou acusações de que a Austrália é um actor importante no caos. Fontes locais dizem que chegaram dois aviões com pessoal australiano em roupas não­‑civis antes do pedido de ajuda à Austrália. Conselheiros australianos foram vistos encontrando­‑se com rebeldes e os seus conselheiros locais. Estas acusações requerem mais investigação se se quiser dissipar a suspeita do envolvimento australiano.

Enquanto que muitos timorenses orientais compreendem as preocupações de defesa da Austrália na Ásia­‑Pacífico, preocupa-os também que a “defesa da Defesa” permitirá à Austrália dominar esses pequenos países — no caso de Timor Leste, um país com substanciais reservas de petróleo e de gás que foram o foco de difíceis e prolongadas negociações bilaterais.

Em 7 de Maio, Mari Alkatiri chamou ao recente desassossego um «golpe» — dizendo que «os estrangeiros estavam a vir para controlar e dividir Timor Leste outra vez» com «conselheiros estrangeiros a reunir­‑se com políticos e a irem às montanhas» para se encontrarem com os rebeldes. Ele acusou os media australianos de espalharem rumores de que ele já não era primeiro­‑ministro. Numa entrevista comigo na semana passada, ele reiterou outra vez que não havia dúvidas de que forças «no interior e no exterior» de Timor Leste estavam por detrás da agitação, e que ninguém o ia forçar a demitir-se com métodos violentos. Ele afirmou que 200.000 pessoas o apoiariam nas ruas.

Desde 2002, a retórica de Alkatiri tem sido “eles que tentem” e “não sem o consentimento da Fretilin”. Em entrevistas, ministros do seu governo têm declarado abertamente que outros países “querem levantar uma outra bandeira sobre esta nação”. A implicação tem sido sempre dirigida à Austrália.

Mas quando funcionários dos EUA começaram a encontrar-se com funcionários judiciários de Timor Leste em 2003, ficou claro que maiores esforços internacionais estavam a caminho. O primeiro­‑ministro disse na altura que os funcionários judiciários estavam a interferir «politicamente» no país. Privadamente, funcionários de Alkatiri declararam no mês passado: «eles tentaram os protestos da Igreja, agora estão a tentar desalojá­‑lo via Fretilin. Não vai resultar. Eles não compreendem este país».


Os media australianos não fizeram segredo do que acreditavam devia acontecer em Timor Leste — em editoriais e em comentários tanto na imprensa como na rádio e televisão pediram a demissão de Alkatiri. Contudo pouco se ouviu da imprensa ou dos apoiantes dos “direitos humanos” de Timor Leste sobre as consequências de desalojarem Alkatiri inconstitucionalmente.


No interior de Timor Leste, as pessoas estão cientes dos jogos políticas que estão a ser jogados, e o presidente Xanana Gusmão é visto como “o homem da Austrália”. Se Alkatiri for desalojado através de meios violentos, Gusmão ficará com a indesejável herança de ter expulsado inconstitucionalmente o primeiro líder de Timor Leste, com o apoio tácito da Austrália.


Isso seria um desastre para Timor Leste, porque se poderia seguir uma guerra política do tipo da do Haiti. Timor Leste então tornar-se-ia verdadeiramente parte do “arco de instabilidade”, um rótulo conveniente para líderes políticos internacionais que esconde a devastação do sofrimento local.

Se a luta actual de Timor Leste faz parte das políticas da Nova Guerra Fria, então os povos da Ásia­‑Pacífico têm muito a recear — e Canberra tem muito para responder.

______

* Maryann Keady é uma jornalista e produtora de rádio australiana que tem feito a cobertura de Timor Leste para a ABC e a SBS e que regressou recentemente de Dili. Ela está actualmente no Instituto Weatherhead da Universidade de Columbia ocupando­‑se da política externa dos EUA e da China. O seu primeiro livro de entrevistas, China conversations, será publicado em 2007.

[1] Miriam Lyons, Rumour and reality in East Timor. New Matilda, 18/05/2005.


­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­posted by SISTEMA

SISTEMA disse...

Rumour and reality in East Timor
By: Miriam Lyons
Wednesday 18 May 2005

When I first arrived in East Timor two years ago, to take up a position with the NGO Internews, I was plunged straight into a series of security briefings. It was 16 May, four days before the anniversary of independence, and 'sources' in the US Embassy were expecting violent protests. I sat through a two-hour staff meeting in which my boss passed on the embassy's advice to celebrate Timor's first birthday by staying at home, avoiding demonstrations, and above all, steering clear of any events involving the prime minister, who was considered a potential target.

When 20 May arrived, I experienced nothing more dangerous than a dose of heatstroke. There were no signs of the busloads of rock-toting rebels I had been warned about. This was the beginning of my education in the difference between rumour and reality in Timor.


Prime Minister of Timor-Leste Mari Alkatiri

Two years later, Dili is once again buzzing with rumours of people plotting to 'bring down' the government. But this time the protests are real, and the protestors have the church on their side, a powerful force in a country with an estimated 96 per cent Catholic population.

In February this year the government floated a plan for religious education to be optional rather than compulsory in the primary school curriculum. There was immediate outcry from church leaders, and it didn't take long for opposition parties to jump on the bandwagon.

In February the few NGO workers and public servants who have internet access were printing out the latest emails about the government's plan and bringing them to lunch. Email lists were dominated by arguments over the Catholic Church's role in the independence movement. Meals of rice and tempeh were accompanied by heated discussions about the separation of church and state.

Over two months the widespread public debate evolved into a tense confrontation between the church and Prime Minister Mari Alkatiri. In late April, Church leaders demanded that the prime minister resign, and mobilised thousands of people to demonstrate in Dili under banners reading 'end the dictatorship.'

A week-long stand-off ensued. The president of the ruling party, Fretilin, condemned 'the profoundly political and pre-insurrectional demonstration organised by the church hierarchy', and church leaders refused to participate in dialogue to resolve the issue.

The protests finally came to an end when both parties signed a 'joint declaration' to end the conflict on 7 May, although it was unclear whether the government had actually agreed to any of the church's requests.

During the protests, President Xanana Gusmao and members of civil society spoke out against the church's demand for Alkatiri's resignation, and an association of former political prisoners wrote an open letter to the church, stating that such demands were 'unconstitutional'. One of the authors, Virgilio Guterres, says that while he believes the church was genuinely concerned about the issue of religious education, 'it is impossible to deny that the final taste of this religious move was very political.' Guterres spent two years in prison with Xanana Gusmao, and is now the chairman of the public broadcasting service.

'I believe many of the demonstrators were not well informed … some were manipulated' says Guterres. Most of the demonstrators were told that the protest was about religion, but only the organisers knew of the demand to remove the prime minister, he says.

Jose Luis, executive director of the respected human rights group Perkumpulan Hak says the church 'engineered' the protests by instructing Catholic schools and parish priests to bring their students and congregations to the protests.

For outside observers, the transformation of a minor disagreement over the school curriculum into a call for the prime minister to resign is perplexing. Media reports have ascribed support for the protests to public opposition to the recent agreement by the president and prime minister to set up a 'truth and friendship' commission with Indonesia, which will pave the way for pardoning the perpetrators of crimes against humanity committed in 1999. This may be true, although the organisers of protests on this issue during the Indonesian President's visit to Timor last month have distanced themselves from the church's actions.

Guterres says the original issue of religious education was 'transformed into a political stepping-stone' by Alkatiri's opponents. This is echoed by Jose Luis, who says that even though he agrees with the church's opposition to impunity for Indonesian war criminals, he did not support the protests because the demand to replace Prime Minister Alkatiri, who is Muslim, 'smells of racism and sectarianism'.

This is not the first time the prime minister has been the target of protests – his house was burned to the ground during the Dili riots in December 2002. To this day the true causes of the riots remain unclear. Some critics claim that Alkatiri's 'authoritarian' personality has caused widespread public resentment. Jose Luis says this is unfair: 'they don't understand the cause of Mari Alkatiri's stubbornness.' He thinks Alkatiri's strict approach is necessary to protect East Timor from being 'carried away' by the influence of powerful foreign interests.

This is a common refrain among Alkatiri supporters, who see him as the only politician capable of protecting Timor's national interests. While they may criticise his leadership style, they tend to unite behind the prime minister the moment there is any hint of what they perceive as 'foreign interference'.

And foreign interference is a concern in Timor. During the recent protests a local newspaper published a photograph showing US Ambassador Joseph Rees in the middle of the demonstration. Foreign Minister Ramos Horta summoned the ambassador to explain his position, and Rees quickly told local media that 'the US supports everybody's rights for freedom of expression. Accordingly, the US does not support or oppose the current demonstration in Timor-Leste.'

Meanwhile, while the country has been looking the other way, a new criminal code has been drafted which includes, among other things, three year jail terms for defamation, with higher sentences for criticism of public officials. In the past few years the Fretilin majority parliament has passed a range of laws curtailing some of Timor's hard-won freedoms, including freedom of assembly and freedom of speech.

With elections on the way next year, it won't be long until the prime minister's true standing in the community is tested at the ballot box, and it is quite likely that his party, Fretilin, will be returned for another term. Well-informed, unsensationalist public scrutiny is Timor's best guarantee that a Fretilin government won't confuse the 'best interests of the nation' with the 'best interests of the ruling party'. Sadly, as the latest round of protests has illustrated, this is precisely the kind of scrutiny that is most lacking in East Timor.


About the author

Miriam Lyons worked with local media in East Timor from 2003 to 2004, as an employee of the international media-training NGO Internews. She visited the country again at the beginning of this year.

Anónimo disse...

Em relação à primeira dúvida: é muito fácil deixar um telemóvel relativamente eficaz ligado.

o mesmo para as dúvidas seguintes.

he he he ! ! !

Anónimo disse...

Pois é.

A tendência totalitária não se perdeu no tempo:
"Meanwhile, while the country has been looking the other way, a new criminal code has been drafted which includes, among other things, three year jail terms for defamation, with higher sentences for criticism of public officials. In the past few years the Fretilin majority parliament has passed a range of laws curtailing some of Timor's hard-won freedoms, including freedom of assembly and freedom of speech."

E depois admiram-se das consequências.

Já não estamos nos anos 70, cambada.

Anónimo disse...

bullshit

Anónimo disse...

Anónimo das 9:11:49 PM: mas foram os xananistas quem atacou o edifício da rádio e televisão de Timor-Leste e quem atacou, perseguiu e ameaçou os seus trabalhadores, lembra-se e nem ainda há muito tempo, só porque esta passou uma reportagem do comício da Fretilin em Metinaro.

Anónimo disse...

La porque apoiam Xanana nao quer dizer que fazem isso por ordem de dele. Tenho a certeza absoluta que o PR nao e quem ordena essas accoes. So faltava agora o PR assumir responsabilidades por tudo que oa que se dizem apoia-lo fazem ou deixam de fazer.
Seria a proposicao mais ridicula de todas.

Anónimo disse...

Anónimo das 3:15:50 AM: conhece aquele dito 'quem cala consente', não conhece? Porque é que ele se calou?

Traduções

Todas as traduções de inglês para português (e também de francês para português) são feitas pela Margarida, que conhecemos recentemente, mas que desde sempre nos ajuda.

Obrigado pela solidariedade, Margarida!

Mensagem inicial - 16 de Maio de 2006

"Apesar de frágil, Timor-Leste é uma jovem democracia em que acreditamos. É o país que escolhemos para viver e trabalhar. Desde dia 28 de Abril muito se tem dito sobre a situação em Timor-Leste. Boatos, rumores, alertas, declarações de países estrangeiros, inocentes ou não, têm servido para transmitir um clima de conflito e insegurança que não corresponde ao que vivemos. Vamos tentar transmitir o que se passa aqui. Não o que ouvimos dizer... "
 

Malai Azul. Lives in East Timor/Dili, speaks Portuguese and English.
This is my blogchalk: Timor, Timor-Leste, East Timor, Dili, Portuguese, English, Malai Azul, politica, situação, Xanana, Ramos-Horta, Alkatiri, Conflito, Crise, ISF, GNR, UNPOL, UNMIT, ONU, UN.