quinta-feira, junho 15, 2006

Dos leitores. E nós apoiamos.

Obrigado pelo esforço Margarida. Timor agradece e a comunidade lusófona em particular.Timor tem de caminhar o caminho...
Bem haja.
O Caminhante


E nós aproveitamos, para uma vez mais agradecer à Margarida que tem traduzido muitos artigos.

OBRIGADO, MARGARIDA!
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American Doctor Feels Pain of East Timor

Niagara Gazette
15.06.2006
By ROD McGUIRK The Associated Press
DILI, East Timor

Dan Murphy came to help East Timor's people as they built a nation, and watching the country's return to violence and chaos has been painful.

The Iowa-born doctor opened a medical clinic in Dili in 1999, at the height of the scorched-earth aftermath of East Timor's independence ballot. It has given him a unique vantage point to follow the country's progress after decades of Indonesian rule.

"I used to say things have improved; I'm not doing any more bullet wounds," the lanky 61-year-old told The Associated Press while examining a patient for a chest complaint. "But now we've seen more bullet wounds over the last couple of weeks, so that's a little bit disconcerting."
Murphy wears a baseball cap as he sees patients in his clinic, now the busiest in East Timor with 300 patients a day.

Despite his relaxed demeanor and informal bedside manner, Murphy has been dismayed as violence surged in the last month with clashes between dismissed soldiers and loyalist forces that gave way to gang warfare. At least 30 people have been killed and tens of thousands have been forced to flee.

The University of Iowa graduate hopes the violence is an aberration, but he can't be sure.
"I wish that this hadn't happened. This is a big setback for East Timor," said Murphy. "When you know the people, it hurts. These are people who have suffered enough."

"It's painful because you hope that doesn't become an established pattern," he said.

Murphy gave up his medical practice treating heroin addicts, immigrant factory workers and other poor patients in Cedar Falls, Iowa, in 1998 after the fall of Indonesian dictator Suharto gave him hope for change in East Timor, an Indonesian province since a bloody invasion in 1975.
His charity Bairo Pite Clinic was built in a neighborhood razed by the retreating Indonesian military and their proxy militias in a frenzy of violence after the U.N. independence ballot in 1999.

The neighborhood has been hit hard by the recent violence, much of it between gangs of young men from the country's east against those from the west.

The government's response to the crisis has also pitted President Xanana Gusmao against Prime Minister Mari Alkatiri, as many have blamed the prime minister for sparking the violence by firing 600 soldiers who claimed discrimination and later took up arms.

Murphy believes the regional divides in East Timor are no more bitter than petty parochial rivalries around the world.

But he suspects that the tensions have been exploited for political purposes. And he also believes the oil and natural gas reserves under the sea bed between East Timor and Australia partly explain the international interest in finding a solution.

"Oil drives everybody," Murphy said.

The doctor chooses not to blame any individual, but he says the country needs good leadership to keep the violence from becoming an intractable problem.

"We want East Timor to be an example for the rest of the world of how people can get along," Murphy said. "That's the dream of people like me who come into a place like this."

© 2005 Associated Press.

Obrigada, Margarida

Tradução:

Calorosa recepção a RAMOS-HORTA em SAME e ALAS

O Ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Dr José Ramos-Horta, acompanhado pelo Secretário Geral do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Nelson Santos, visitou hoje as cidades de Same e Alas onde foi calorosamente recebido pelas autoridades locais e populações.
Os funcionários do Ministério dos Estrangeiros, Licínio Branco e Roberto Nunes, viajaram para essas localidades no dia anterior, para ajudar a organizar a visita.

Em Same, uma região rica em café com enorme potencial agrícola, ele encontrou-se com o Administrador do Distrito Filomeno Tilman e membros locais de partidos políticos chave.
Dadas as tensões políticas correntes a nível nacional, é compreensível que haja alguma tensão a nível local entre os membros dos partidos Fretilin, PD e PSD, que levam a acusações mútuas de conduta inconveniente,” disse o Ministro Ramos-Horta.

Um assunto particular, foi a alegação contra alguns membros da Fretilin que tinham recebido armas durante o Congresso da Fretilin que teve lugar em Dili e que as trouxeram para Manufahe (Same).

O Dr Ramos-Horta que é também o fundador da Fundação Paz e Democracia (PDF) uma organização não-governamental, não-partidária, atribuiu ao coordenador do PDF do distrito, Quintano Massa, um respeitado membro da comunidade na região, a tarefa de facilitar a discussão entre as autoridades do Estado, os Chefes Tradicionais e os partidos políticos locais.

A seguir ao encontro com funcionários e membros dos partidos, o Ministro Ramos-Horta dirigiu-se mais de mil pessoas que, como em todo o lado que ele tem visitado em tempos recentes, deram-lhe as boas-vindas entusiasticamente.

Na sua intervenção o Ministro apelou à unidade nacional, à rejeição das acções de alguns com o objectivo de dividir a sociedade Timorense e congratulou as autoridades locais, incluindo a PNTL (Polícia Nacional de Timor-Leste) por manter o funcionamento dos serviços e em geral a tranquilidade da área.

“Só um diálogo permanente, especialmente nesta fase critica, permitirá clarificar dúvidas, dissipar rumores e aliviar tensões no interior da sociedade de Same,” Dr Ramos-Horta sublinhou à multidão.
Depois da visita a Same, o Ministro viajou para o sub-distrito de Alas, uma das regiões mais isoladas e bonitas de Timor-Leste. As boas-vindas em Alas foi entusiastica e dada com muita genuína afeição humana.

“Pode ser a primeira vez na minha vida que visitei esta localidade, mas não será a última e prometo regressar em breve,” o Ministro disse ao povo.

O Ministro Ramos-Horta disse que tanto em Same como em Alas as preocupações levantadas foram idênticas.
“As pessoas estão preocupadas com a situação em Dili, querem que a verdade seja dita, e querem que as pessoas assumam a responsabilidade para o que está a acontecer,” Dr Ramos-Horta said.

Na sua intervenção ele explicou o processo para o diálogo inclusivo; o estabelecimento de uma Comissão Especial de Inquérito independente pela ONU para investigar e relatar sobre alegações de violações criminais e de direitos humanos durante o período de Abril, Maio, com referência aos incidentes particulares de 28-29 Abril, 23-24-25 Maio; a presença de forças militares internacionais em Timor-Leste e a próxima nova missão da ONU a seguir à da UNOTIL.

O Dr Ramos-Horta disse que como em todos os lugares que visitou como Ministro dos Negócios Estrangeiros e Ministro da Defesa, a população deu as boas-vindas calorosas às forças internacionais militares e policiais e que aconteceu o mesmo em Same e Alas.

Na sua chegada a Dili, a meio da tarde, o Ministro dos Negócios Estrangeiros, visitou as novas instalações do jornal Suara Timor Lorosae para observar as condições de segurança pedidas pela administração do jornal.

Esta manhã o Ministro Ramos-Horta encontrou-se com um grupo de comandantes da força conjunta, a que também assistiu o Ministro do Interior Alcino Barris para acompanhar a situação em certas áreas de Dili e discutir algumas iniciativas operacionais.

Obrigada, Margarida

Tradução:

A Austrália rejeita o controlo de Timor pela ONU
The Sydney Morning Herald

Mark Coultan Herald Correspondent in New York and agencies
June 15, 2006

A Austrália assinalou a sua oposição a uma força da ONU que tome o lugar da missão de manutenção de paz das quatro-nações mas defendeu que um oficial de polícia internacional tome o comando do policiamento no país com problemas.
O Embaixador da Austrália na ONU, Robert Hill, disse ao Conselho de Segurança que seria melhor para a ONU focalizar-se noutros assuntos, tais como as necessidades de longo–termo de Timor-Leste, enquanto que a força multinacional, liderada pela Austrália, tomaria conta da segurança.
O Ministro dos Negócios Estrangeiros de Timor-Leste, Jose Ramos Horta, num dicurso que foi lido em seu nome no Conselho de Segurança, disse que uma força da ONU era essencial para "reduzir tensões politicas e diplomáticas ".
E disse que devia haver mais países envolvidos, tais como as Ilhas Fiji, Singapure e a Tailândia.
O SG da ONU, Kofi Annan, disse que havia uma lição para ser aprendida na recente violência acerda da retirada demasiado cedo de democracias frágeis.
Washington tinha pressionado o Conselho de Segurança para reduzir as suas operações de manutenção de paz em Timor-Leste.
"Para o médio termo, temos de co-habitar o teatro com as forças internacionais de quatro países e nós, e eventualmente trabalhar um arranjo onde uma força transformada da ONU tome a liderança," disse Mr Annan.
Ele disse que a Austrália tinha indicado que " provavelmente ficaria lá de seis meses a um ano ", mas com os Timorenses a indicar que tal seria requerido por ao menos essa duração, a Austrália viu a necessidade para um " limite de tempo para [a sua] estadia".
Mr Annan disse que, em termos militares, não esperava ver forças da ONU no terreno por outros seis meses.
Mr Hill disse que em vez de liderar uma força de segurança, a ONU deveria concentrar-se em tentar uma reconciliação entre facções em guerra, investigando as mortes que ocorreram e tentando restaurar a confiança do povo, particularmente dos que estão nos campos de refugiados.
A longo termo, as forças de segurança terão que ser reformadas, com consideração cuidadosa dado que uma força de polícia liderada pela ONU terá que interagir com a força local.
Ele disse que era um caso para nomear um estrangeiro como chefe da polícia e ter a ONU a gerir o sistema prisional.
No seu primeiro discurso no parlamento desde que Timor-Leste foi atingido por violência de rua, o Presidente de Timor-Leste, Xanana Gusmão, pareceu distanciar-se da campanha para afastar o seu rival politico, o Primeiro Ministro, Mari Alkatiri, comprometendo-se a sustentar a constituição até o seu mandato expirar no próximo ano. [Mas lá tinham que insistir que PR e PM são rivais políticos...]
Mr Gusmão declarou que como Presidente ele era "um guardião da constituição".
"Continuarei a exercer o dever sagrado de salvaguardar o Estado democrático, com base na regra da lei, até ao fim do meu mandato em Maio de 2007, e fá-lo-ei sem hesitações, e o povo pode estar certo disso," disse.

Dos leitores

Post no Arre Macho. Abraço para todos vós.

Pois é meus amigos, ainda "há mais vida" para além do Mundial de futebol, ainda há Timor...
As coisas vão-se esclarecendo:

1 - Uma linha de força é dizerem mal do Alkatiri. Mesmo entre os jornalistas com mais pruridos, fica bem dizer que no mínimo Alkatiri não teve jeito, não soube lidar com a situação e não tem apoio popular...

Pois bem, de uma forma directa: Alkatiri é culpado de ter negociado as questões do petróleo sem corrupção, sem tirar nenhum proveito pessoal, apenas a pensar no seu povo. É culpado de ter defendido o mar de Timor e o governo da Austrália não gostou. É culpado de ter feito um concurso público para a concessão das explorações petrolíferas (que foi elogiado pelo Banco Mundial... pasme-se!) mas esse concurso não atribuiu nenhuma concessão às companhias petrolíferas australianas e estas não gostaram...

Em 2005, durante semanas houve manifestações organizadas pelos católicos, com apoio do bispo de Dili, contra o Alkatiri, foram no máximo 5.000 pessoas. Nessa altura também se dissse "Abaixo Alkatiri" e também se perguntou onde estava o apoio ao Governo e à Fretilin e ao Alkatiri. Quando acabaram essas manifestações realizou-se um comício da Fretilin (em 20 de Maio de 2005 - há fotos) de apoio ao Governo e a Alkatiri. QUANTOS ERAM? 40.000. Porque não foi mais cedo? para evitar confrontos...

2 - a segunda questão é que a Austrália se assume como força ocupante!
Não é novo, já o fez no passado nas Ilhas Fiji e há bem pouco tempo nas Ilhas Salomão, mas está lá tão longe da Europa que nem reparamos e as notícias dão o que dão... por exemplo ainda alguém se lembra da intervenção americana em Granada e alguém ouviu falar em eleições depois disso?

A Austrália sempre apoiou a ocupação pela Indonésia e com a Indonésia discutia a partilha do petróleo até... que tudo mudou...

A Austrália quer decidir o futuro de Timor, substituir o Governo e o Parlamento, suspender parte da Constituição, liderar todas as forças militares dos diversos países que aí se encontram...
Já se sabe que as tropas Australianas protegem os chamados rebeldes...

Já se sabe que as tropas Australianas queriam pôr em respeitinho a GNR de Portugal...
Já se sabe que agora as tropas australianas invadiram uma casa onde estavam médicos... cubanos...

Já se sabe que querem um outro tipo de leis em Timor... A Austrália, mais a Inglaterra e os Estados Unidos têm um tipo de justiça diferente do resto do mundo (os juristas que expliquem), não têm o direito romano... e Timor seguiu os critérios da justiça internacional, fez a sua constituição, está a fazer os seus códigos, civil, penal, etc...mas não é à moda da Austrália, também por isso (mas não só) o governo australiano quer "substituir o aparelho judicial em Timor", os tribunais em Timor e juristas (que por acaso até estão lá em missão da ONU e são portugueses e brasileiros...e etc.)...

O Tribunal de Recurso e os outros Tribunais de Timor foram destruídos e vandalizados, o que não foi furtado foi destruído! E por exemplo foram roubados os PROCESSOS DOS CRIMES DE 1999 que ocorreram após o referendo! e a tropa australiana deixou ocorrrer esse saque e destruição... porquê? adivinhem!

Acho que a questão essencial que agora se decide é se as tropas internacionais vão ficar sob a direcção da ONU ou sob a direcção da tropa que já está no terreno, isto é Austrália - há uma grande diferença e uma profunda influência quanto ao futuro...

Antes de terminar quero ainda referir duas notas:

- o profundo apreço pelos portugueses que estão em Timor e que nenhum saiu voluntariamente! Mas queriam que saissem, reparem que logo nos primeiros incidentes os Estados Unidos fizeram deslocar um avião para retirar os americanos e ofereceram lugares à embaixada portuguesa para saírem portugueses...depois eram as imagens dos australianos a sair... e os portugueses aguentaram bem. Parabéns para o pessoal que está por lá!

- os jornalistas estão a baralhar muitas notícias, por exemplo dizia o Público que alguns rebeldes tinham ocupado a fazenda Algarve "de Mário Carrascalão", bem a fazenda é do João Carrascalão ( a quem foi assassinado um filho em 1999 e está enterrado nessa herdade), o seu irmão Mário foi o último Governador pelos Indonésios, e os dois irmãos nem se falavam por esse motivo. Será por acaso essa confusão entre Mário e João? O João não é Fretilin mas tem cooperado com o Governo, por exemplo foi nomeado Presidente do Comité Olímpico de Timor...

O texto vai longo, acho que vale a pena continuar a esclarecer e a denunciar o que se passa em Timor, se acharem que o texto vale alguma coisa, divulguem por favor.

Um abraço.
Vasco Paiva

Obrigada, Margarida

Tradução:
O rapinanço de Timor-Leste

AGORAVOX
14.06.2006

Se foi alguma vez a Timor-Leste sabe como o país é pobre.

Eu fui lá depois de passar algumas semanas na hedonistica Kuta, e o choque cultural é quase tanto se voar de Singapura para Jakarta.

Colonizado pelos Portugueses e depois mais tarde pelos Indonésios, os Timorenses sobrevivem basicamente da agricultura de subsistência. Não há indústria de que se possa falar. O GDP per capita é somente de US$400, e isso vê-se. A maioria dos Timorenses vestem-se com farrapos e pode-se ver má-nutrição em todo o lado.

E depois há US$30 biliões sentados no Mar de Timor que separa Timor-Leste e a Austrália.

Mas adivinhem?

Timor-Leste não vai obter a parte justa que lhe compete.

E porquê? Porque os Australianos reivindicam que a fronteira marítima entre os dois países está muito mais perto de Timor-Leste do que da Austrália.

Mas como é que isso pode ser justo? Certamente que qualquer pessoa com o mínimo de senso concordaria que a fronteira marítima deve ser traçada equidistantemente entre os dois países de acordo com a lei internacional

Mas Howard não segue tal lógica. E então o governo Australiano reconhece Timor-Leste como uma nação soberana mas só aceita a fronteira marítima que traçou com a Indonésia em 1972.

E porquê?

Por causa do petróleo, obviamente.

Porque somente 20.1 por cento da reserva chave da Greater Sunrise cai dentro da conjunta área de desenvolvimento petrolífero inserida no acordo interino de 2002 do Tratado do Mar de Timor entre a Austrália e Timor-Leste. Os outros 79.9 por cento é a parte do Mar de Timor sobre o qual a Austrália reclama jurisdição exclusiva.

Agora dê uma olhada ao mapa outra vez, e pode ver que se a fronteira marítima fosse desenhada equidistantemente entre os dois países então a reserva de Greater Sunrise devia na verdade pertencer a Timor-Leste.

Portanto os Aussies estão basicamente a roubar dos Timorenses empobrecidos.

Até aonde pode ficar doente?

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Obrigada, Margarida

Timor-Leste deixado ao abandono

AnnanHerald Sun

Adam Harvey
New York15jun06

A comunidade internacional não devia ter saído tão depressa de Timor-Leste, disse ontem o SG da ONU Kofi Annan.

Antes, Mr Annan anunciou planos para uma maior nova missão para a nação com problemas

Mas uma missão da ONU maior do que a força de 2000 guiada pela Austrália levará pelo menos seis meses a preparar, disse Mr Annan.

"Os tristes eventos das recentes semanas reflectem insuficiências não só da parte da liderança Timorense, mas também da parte da comunidade internacional em ter inadequadamente sustentado o processo de construção da nação de Timor-Leste," disse Mr Annan ao Conselho de Segurança da ONU.

Estes comentários vieram quando o governo Timorense deixou claro que não aceita a missão de manutenção de paz guiada e dominada pela Austrália, urgindo em vez disso que peacekeepers doutros países vizinhos sejam enviados para a jovem nação com problemas.

Num discurso lido ao Conselho de Segurança, Jose Ramos-Horta, Ministro dos Negócios Estrangeiros e da Defesa de Timor-Leste, disse que uma força de manutenção da paz da ONU deve substituir a força guiada pelos Australianos, dizendo que tal acção é essencial para reduzir tensões políticas e diplomáticas.

Mr Ramos-Horta disse que a força deve ser alargada para incluir outras nações da Ásia e do Pacifico, tais como as Ilhas Fiji, Singapura e Tailândia.

A sua declaração urgindo um papel mais pequeno dos Australianos chegou quando o nosso Embaixador na ONU, Robert Hill, disse ao Conselho de Segurança que a Austrália esperava "ter um papel chave na liderança " numa futura missão da ONU.

No final de ontem o Presidente de Timor-Leste, Xanana Gusmão, pareceu ter-se distanciado duma campanha para afastar o seu rival político, o Primeiro Ministro Mari Alkatiri.

Mr Gusmão disse ao parlamento que suportaria a constituição até o seu mandato expirar no próximo ano.

Obrigada, Margarida

Tradução:

Gusmão bloqueia pedidos para a remoção do PM
ABC
PM – 4ª feira, 14 Junho , 2006 18:25:13
Reporter: Anne Barker

MARK COLVIN: O Presidente de Timor-Leste Xanana Gusmao parece ter bloqueado pedidos para a remoção do Primeiro Ministro Mari Alkatiri.

O Presidente Gusmão tem resistido a pressões para suspender a constituição do país, para dissolver o Parlamento e instalar um governo de transição.

Numa declaração no Parlamento da nação esta manhã, o Presidente declarou que sustenta a constituição para salvaguardar a democracia, pelo menos até ao fim do seu termo no próximo ano.Como relata Anne Barker, o anúncio chega quando Timor-Leste começa as suas próprias investigações criminais nas muitas mortes das recentes semanas.

(som de Xanana Gusmão a falar)ANNE BARKER: Foi somente uma curta declaração ante o Parlamento de Timor-Leste, mas as palavras de Xanana Gusmão podem ter implicações de muito maior alcance para esta pequena e frágil nação.

Em Português, ele dirigiu-se aos 88 parlamentares pela primeira vez desde que Timor-Leste caiu no caos mais de um mês atrás.O Presidente Gusmão comparou a crise ao derramamento de sangue de 1999, apesar de numa menor escala.

Ele disse que as semanas de violência tinham causado inaceitável sofrimento e medo e tinham paralisado as instituições do Estado. Mas ficou claro que o Presidente não suporta os que acreditam que a única solução é suspender a constituição de Timor-Leste e dissolver o Parlamento.(som de Xanana Gusmão a falar)

"Incube-me a mim ser o guardião da constituição," disse, "e ser o guardião da constituição significa basicamente salvaguardar o Estado democrático baseado na regra da lei."

"Para a felicidade de alguns e o descontentamento de outros, continuarei a cumprir este dever sagrado até ao fim do meu mandato em Maio de 2007. E fá-lo-ei," disse, "sem receio, e o povo pode ter a certeza disso."

A decisão de Xanana Gusmão será, nas suas próprias palavras, a causa de descontentamento para os muitos oponentes de Mari Alkatiri. (esqueceram-se de dizer que o PR também disse "e contententamento para outros!)

Há alargado ressentimento na comunidade pelo modo como o Primeiro Ministro tem conduzido a crise, e continuadas alegações de que ele esteve envolvido nalgumas das mortes.

Os seus oponentes podem agora só arranjar conforto nas notícias de investigadores da ONU começaram uma investigação criminal às várias mortes.

O Representante Especial da ONU em Timor-Leste, Sukehiro Hasegawa, diz que quatro investigadores ligados ao Gabinete do Procurador-Geral de Timor-Leste examinarão as circunstâncias que rodeiam as mortes de 10 oficiais da polícia num tiroteio no mês passado, e pelo menos de cinco manifestantes em 28 de Abril.

SUKEHIRO HASEGAWA: E eles começaram as suas investigações criminais. Eles fá-lo-ão com o objectivo de estabelecer a responsabilidade dos que são responsáveis.

ANNE BARKER: O que é que acontecerá aos que se descobrir serem os responsáveis pela violência?

SUKEHIRO HASEGAWA: Penso que não podemos presumir o resultado número um das investigações. Penso que a ONU está totalmente comprometida com o princípio da justiça, portanto não me incumbe colocar hipóteses sobre o que poderá acontecer.

ANNE BARKER: Serão julgados?

SUKEHIRO HASEGAWA: Penso que a justiça terá que seguir o seu curso; este é um país com princípios democráticos.

ANNE BARKER: A Comissão de Direitos Humanos da ONU, baseada em Geneva, está a montar o seu próprio inquérito às mortes, e parece (parece? onde é que ele diz isso?) que Mr Hasegawa confirmou hoje que haverá uma investigação às alegações contra Mari Alkatiri de que ele esteve por detrás deste surto de assassinatos.

MARK COLVIN: Anne Barker.

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Obrigada, Margarida.

Tradução:

Singapura espera que a ONU guie a Missão em Dili

The AustralianPatrick Walters
Junho 15, 2006

SINGAPURA considerará alinhar com qualquer nova operação de manutenção de paz da ONU para ajudar à reconstrução das forças de segurança de Timor-Leste.

Mas em conversações com John Howard ontem, o Primeiro Ministro de Singapura Lee Hsien-Loong deixou claro que qualquer compromisso depende do alcance do mandato da ONU, incluindo o número de países contribuintes para a missão de manutenção de paz.

Não se espera que Singapura contribua para o destacamento liderado pelos Australianos em Timor-Leste, preferindo considerar a participação da ONU.

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Singapore awaits UN lead on Dili mission

The Australian
Patrick Walters
June 15, 2006

SINGAPORE will consider signing up to any new UN peacekeeping operation to help rebuild East Timor's security forces.

But in talks with John Howard yesterday, Singaporean Prime Minister Lee Hsien-Loong made it clear that any commitment would depend on the scope of the UN mandate, including the number of countries contributing to the peacekeeping mission.

Singapore is not expected to contribute to the Australian-led military deployment in East Timor, preferring to consider participation under the UN.

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Gusmao blocks calls for PM's removal

ABC
PM - Wednesday, 14 June , 2006 18:25:13
Reporter: Anne Barker

MARK COLVIN: East Timor's President Xanana Gusmao appears to have stymied calls for the removal of the Prime Minister Mari Alkatiri.

President Gusmao has resisted pressure to suspend the country's constitution, to dissolve the Parliament and install a transitional government.

In an address to the nation's Parliament this morning, the President declared he would uphold the constitution to safeguard democracy, at least until his term ends next year.

As Anne Barker reports, the announcement comes as East Timor begins its own criminal investigations into the many violent deaths over recent weeks.

(sound of Xanana Gusmao speaking)

ANNE BARKER: It was only a short address before East Timor's Parliament, but Xanana Gusmao's words could have far-reaching implications for this tiny fragile nation.

In Portuguese, he addressed the nation's 88 parliamentarians for the first time since East Timor descended into chaos more than a month ago.

President Gusmao compared the crisis to the bloodshed of 1999, albeit on a smaller scale.

He said the weeks of violence had caused unacceptable suffering and fear and paralysed state institutions. But it's clear the President did not support those who believe the only solution is to suspend East Timor's constitution and dissolve the Parliament.

(sound of Xanana Gusmao speaking)

"It is incumbent on me to be the guardian of the constitution," he said, "and to be a guardian of the constitution basically means to safeguard the democratic state based on the rule of law."

"To the happiness of some and to the discontent of others, I will continue to fulfil this sacred duty until the end of my mandate in May 2007. And I will do so," he said, "unwaveringly, and the people can be sure of that."

Xanana Gusmao's decision will, in his own words, be a cause of discontent to the many opponents of Mari Alkatiri. There's widespread resentment in the community at the way the Prime Minister has handled the crisis, and continuing allegations that he was involved in some of the deaths.

His opponents can now only take solace in news that United Nations prosecutors have begun a criminal investigation into the various killings.

The UN's Special Representative in East Timor, Sukehiro Hasegawa, says four investigators attached to the Office of East Timor's Prosecutor-General will examine the circumstance surrounding the deaths of 10 police officers in a gunfight last month, and at least five protesters on April the 28th.

SUKEHIRO HASEGAWA: And they have commenced their criminal investigations. They will do so with the view to establishing the accountability of those who are responsible.

ANNE BARKER: What will happen to those who are found to be responsible for the violence?

SUKEHIRO HASEGAWA: I think we cannot presume the outcome of number one the investigations. I think United Nations is totally committed to the principle of justice, therefore it is not incumbent on me to hypothesise what would happen.

ANNE BARKER: So would they be tried?

SUKEHIRO HASEGAWA: I think the course of justice has to take place; this is a democratically principled country.

ANNE BARKER: The United Nations Human Rights Commission, based in Geneva, is setting up its own separate inquiry into the deaths, and Mr Hasegawa appeared to confirm today that there will be an investigation into the allegations against Mari Alkatiri that he was behind the spate of killings.

MARK COLVIN: Anne Barker.

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Onde é que o Hasegawa diz isso?!

Obrigado, Margarida.

Tradução:

Timor-Leste: Uma Nova Guerra Fria
por: Maryann Keady
4ª feira 14 Junho 2006

‘Novo Vizinho, Novo Desafio,’ um documento emitido pelo Austrálian Strategic Policy Institute em 2002, sublinha a importância da Austrália para a segurança de Timor-Leste. Também reflecte a importância de Timor-Leste para a segurança da Austrália, e fornece um prisma para ver os últimos desenvolvimentos:

A Austrália tem muito em jogo no futuro do nosso novo vizinho. Altruisticamente desejamos que o povo de Timor-Leste possa ter um futuro próspero e pacífico. Considerando mais os interesses próprios, o seu sucesso ou falhanço afectará directamente as próprias prospectivas da Austrália sobre a segurança. Sérios problemas em Timor-Leste minarão os interesses estratégicos actuais da Austrália na estabilidade da nossa vizinhança próxima.

No momento, o que preocupa a Austrália são as rotas marítimas e as reserves marítimas de petróleo e de gás à volta de Timor-Leste, bem como a entrada visível de um jogador regional: a China.

Quando o aliado da Austrália, os USA, colocaram a Asia Pacific no topo da sua prioridade estratégica no seu Quadrennial Defence Review de 2001, ficou claro para todos os analistas de defesa que o ‘competidor principal’ era a China.

O recentemente emitido relatório annual do Pentagono sobre o poder militar da China diz que o reforço militar da China ‘já alterou o equilíbrio militar na Asia-Pacifico e pode ser uma ameaça para as forças armadas regionais.’ O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros Chinês, Liu Jianchao, acusou os USA de exagerar a força militar da China dizendo que é baseada numa ‘mentalidade de Guerra Fria’

E uma ‘Nova Guerra Fria’ é exactamente o que emergiu.

Timor-Leste é apenas um dos países da região apanhados no fogo-cruzado entre dois competidores estratégicos poderosos: China e os USA. Infelizmente para Timor-Leste, está na vizinhança de algumas das rotas marítimas mais cruciais do Pacifico – a mais notável das quais o Estreito de Ombei Wetar Straits, uma passagem de águas-profundas entre os Oceanos Índico e Pacífico, importante para a passagem submarina, que será um vital ‘ponto de estrangulamento’ marítimo em qualquer conflito futuro.

Politicos e comentadores de todos os cambiantes têm sido cândidos acerca do que vêem como dilemas de Timor-Leste em tentar equilibrar-se entre dois gigantes. Da mudança rápida de aliança da China para Taiwan em Kiribati, ao alvo dos habitantes de etnia Chinesa nos distúrbios de Abril em Honiara, o ‘factor China’ está a causar o caos na região. Os locais receiam que as potências hegemónicas regionais - China, USA e Austrália – jogam um papel maior nesta instabilidade do que qualquer desassossego civil orgânico.

Os media Australianos escolheram ignorar a maior, questão estratégica até muito recentemente, permitindo que o Governo Australiano ‘interferisse’ no Pacifico com muito pouco criticismo ou análise independente.

A Austrália continuará a afirmar-se no Pacifico — e dum ponto de vista de defesa racional, isto parece perfeitamente aceitável. O que pode ser contestado é a sabedoria de não interferir antes do conflito, mas somente depois de os chamados “Estados falhados” caírem no caos. Ambas as missões, RAMSI nas Ilhas Solomão e a Operação Astute em Timor-Leste reflectem isso.

Muitas dessas comunidades do Pacifico são pequenas, e é fácil encontrar mãos cheias de testemunhas (ou no meu caso, ser uma testemunha) de distúrbios que podiam ter sido facilmente contidos e tratados. É impossível no caso de Timor-Leste compreender como um gang de jovens desempregados desordeiros protestando contra o seu despedimento das forças armadas puderam emergir como dois gangs rebeldes (com conselheiros da ONU e Australianos presentes durante a confusão) exigindo a remoção do Primeiro Ministro.

Muito tem sido dito na imprensa Australiana acerca de divisões étnicas entre o Leste e o Oeste de Timor-Leste que inflamaram a violência — uma divisão conveniente se se quer usar o caos civil como um pretexto para mandar forças militares e deixar o país debaixo da sua esfera de influência Mas pouco se ouviu acerca desta ter sido a terceira vez que forças internacionais falharam em evitar o povo de Timor-Leste de ser aterrorizado por uma terceira parte. Primeiro, houve o ataque Indonesio em 1999. O Segundo, os distúrbios de 4 de December de 2002 (que levaram aos primeiros apelos da imprensa Australiana para a demissão de Alkatiri, imediatamente antes das negociações do petróleo e do gás). E agora, o caos civil em 2006.

Imediatamente depois do desassossego de 2002, entrevistei testemunhas locais bem como o líder da ONU e das forças Australianas acerca de queixas de que nada tinham feito para parar o caos. Depois de muita investigação, foi-me dito que um representante da ONU foi ‘não-oficialmente’ ao gabinete do Primeiro Ministro Alkatiri pedir-lhe para se demitir, uma resposta interessante a distúrbios civis – e uma que faz uma anedota dos pretensos e apolíticos esforços humanitários da ONU.

Desta vez, a ONU disse que enviará Ian Martin (que foi o Representante Especial da ONU em 1999 quando o pessoal internacional foi evacuado, deixando os Timorenses nas mãos dos militares Indonésios). A questão que não tem sido respondida é como é que a situação pôde ter escalado até aqui? Irão os Timorenses outra vez ouvir palavras vazias dos burocratas acerca de ‘limitações’ para ‘assegurar a sua segurança’?

A grande questão é se a Austrália escolhe permitir que Timor-Leste caia na anarquia ao estilo das ilhas Salomão, possibilitando assim que as suas tropas sejam depois destacadas para este local estratégico.

Richard Woolcott, que foi o Embaixador Australiano em Jakarta na altura da invasão de Timor-Leste em 1975, disse recentemente na ABC Radio que um membro sénior da Administração Bush Administration lhe contou em 2000, que ‘Timor será o vosso Haiti.’

Graças a Sean Leahy.

Muito tem sido escrito acerca de Haiti e da demonização pela imprensa Americana do Presidente Jean-Bertrand Aristide em 2004. A Austrália embarcou numa campanha similar contra Alkatiri. A imprensa Americana chamou a Aristide e ao seu Partido esquerdistas não-reconstruídos cujo modelo era a Revolução Cultural Chinesa. Alkatiri é acusado de ser um ‘Marxist Moçambicano’ – e o seu partido Fretilin ‘comunista’ – apesar do seu modelo ser mais o do Primeiro Ministro da Malásia, Mahathir bin Mohamad do que de mais alguém.

No Haiti, a Oposição teve o apoio do International Republican Institute (IRI) apoiado pelo governo dos USA. O papel dos USA em Timor-Leste não é menos interessante. O IRI, o National Endowment of Democracy e o National Democratic Institute, criaram todos eles programas de ‘democracy’ que financiam a oposição local em Timor-Leste — a mesma oposição que tem boas relações com a Austrália.

A Igreja Católica uma corpo influente em Timor-Leste, também tem estado por detrás da campanha anti-Alkatiri. Os seus protestos em 2005 contra as tentativas de Alkatiri para tornar não-obrigatória a instrução religiosa foram uma indicação perigosa de quanto poderosas essas forças se tinham tornado.

O comentário de Richard Woolcott sobre o Haiti chegou ao mesmo tempo de relatos de testemunhas de tropas Australianas falharem em assegurar a segurança dos locais e inflamou acusações que a Austrália é um actor importante no caos. Fontes locais relatam que antes do pedido de ajuda à Austrália, chegaram dois aviões com pessoal Australiano em roupas não-civis. Conselheiros Australianos foram vistos em encontros com rebeldes e os seus conselheiros locais. Estas acusações requerem mais investigação se se quiser dissipar a suspeita do envolvimento Australiano.

Enquanto que muitos Timorenses compreendem as preocupações de defesa da Austrália na Asia-Pacifico, preocupa-os também que a ‘defesa da Defesa’ permitirá à Austrália dominar esses pequenos países — no caso de Timor-Leste, um país com substanciais reservas de petróleo e de gás que foram o foco de difíceis negociações bilaterais.

Em 7 de Maio, Marí Alkatiri chamou ao recente desassossego um ‘golpe’ — dizendo que ‘os estrangeiros estavam a vir para controlar e dividirTimor-Leste outra vez’ com ‘conselheiros estrangeiros a reunir-se com políticos e a irem às montanhas’ para encontros com os rebeldes. Ele acusou os media Australianos de espalharem rumores de que ele já não era Primeiro Ministro. Numa entrevista comigo na semana passada, ele reiterou-me outra vez que não havia dúvidas que forças ‘no interior e no exterior’ de Timor-Leste estavam por detrás da agitação, e que ninguém o ia forçar a demitir-se com métodos violentos. Ele afirmou que 200,000 o apoiariam nas ruas.

Desde 2002, que a retórica de Alkatiri tem sido ‘eles que tentem’ e ‘não sem o acordo da Fretilin’ Em entrevistas, ministros do seu Gabinete têm declarado abertamente que outros países ‘querem levantar uma outra bandeira sobre esta nação.’ A implicação tem sido sempre dirigida à Austrália.

Mas quando funcionários dos USA começaram a encontrar-se com funcionários judiciários de Timor-Leste em 2003, ficou claro que maiores esforços internacionais vinham a caminho. O Primeiro Ministro disse na altura que os funcionários judiciários estavam a interferir ‘politicamente’ no país. Privadamente, oficiais de Alkatiri declararam no mês passado: ‘eles tentaram com os protestos da Igreja, agora estão a tentar desalojá-lo via Fretilin. Isso não vai resultar. Eles não conhecem este país.’

Os media Australianos não fizeram segredo do que acreditavam devia acontecer em Timor-Leste — em editoriais e em comentários tanto na imprensa como na rádio e televisão pediram a resignação de Alkatiri. Contudo pouco se ouviu da imprensa ou dos apoiantes dos “direitos humanos” de Timor-Leste sobre as consequências de desalojarem Alkatiri inconstitucionalmente.

No interior de Timor-Leste, as pessoas estão cientes dos jogos políticas que estão a ser jogados e o Presidente Xanana Gusmão é visto como um ‘homem da Austrália.’ Se Alkatiri é desalojado através de meios violentos, Gusmão ficará com a indesejável herança de ter expulsado inconstitucionalmente o primeiro líder de Timor-Leste, com o apoio tácito da Austrália.

Isso seria um desastre para Timor-Leste, porque se podia seguir uma guerra política do tipo da do Haiti. Timor-Leste então tornar-se-ia na verdade parte do ‘arco da instabilidade,’um rótulo conveniente para líderes políticos internacionais que esconde a devastação do sofrimento dos locais.

Se a luta actual de Timor-Leste faz parte das políticas da Nova Guerra Fria, então os povos da Asia-Pacifico têm muito a recear — e Canberra tem muito para responder.
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Díli a uma só voz defende GNR e critica a Austrália

DN
14.06.06
Cadi Fernandes

Díli quer "reduzir as tensões políticas e diplomáticas" causadas pela força militar liderada pela Austrália.

Nesse sentido, defende a presença de um contingente das Nações Unidas, com 870 membros, durante 12 meses, pelo menos, em vez dos soldados australianos. Neste contexto, Portugal terá um papel preponderante, através da GNR.

Estas são, segundo o Financial Times, as principais ideias da mensagem de Ramos-Horta, ministro dos Negócios Estrangeiros timorense, dirigida ao Conselho de Segurança da ONU (lida, ontem, pelo embaixador José Luís Guterres) e, também, da carta enviada ao secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, pelo Presidente da República, Xanana Gusmão, primeiro-ministro, Mari Alkatiri, e presidente do Parlamento, Francisco Guterres "Lu-Olo".

Numa súmula dos dois textos, a ONU (que administrou o país entre 1999 e 2002) e a GNR (que lá tem 127 agentes) são as entidades mais elogiadas pelos responsáveis timorenses, ao contrário das forças australianas. As respectivas presenças são apontadas como imprescindíveis para "manter a lei e a ordem".

Lisboa já respondeu "presente" a este repto. Como disse António Costa, ministro da Administração Interna português: "Caso venha a ser criada uma missão da ONU, estamos disponíveis para reforçar os efectivos da GNR em Timor-Leste."

Ou seja, após uma fase em que a GNR estava como que subalternizada perante os soldados australianos, é agora elogiada unanimemente em Díli. A comprová-lo, também, refira-se que os deputados timorenses adoptaram uma moção, ontem, defendendo que as forças australianas, malaias e neozelandesas devem retirar-se para um perímetro de segurança à volta da capital, deixando que a GNR actue em toda a Díli "de forma eficiente e sem impedimentos". Tudo porque, como disse o embaixador Guterres, a GNR é "uma força efectiva que a população respeita".

Comissão de inquérito

Numa altura em que, no terreno, os ânimos estão mais aplacados, a ONU encarregou a Alta Comissária para os Direitos do Homem, Louise Arbour, de criar uma comissão de inquérito independente sobre a violência que assolou Timor. Este um pedido de Ramos-Horta e do enviado especial da ONU, Ian Martin, a que Kofi Annan deu, ontem, luz verde.

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East Timor left in the lurch: Annan

Herald Sun
Adam Harvey
New York
15jun06

THE international community should not have pulled out of East Timor so quickly, UN Secretary General Kofi Annan said yesterday.

Mr Annan earlier announced plans for a major new mission to the troubled nation.
But a UN mission substantially larger than the 2000-strong Australia-led force would take at least six months to prepare, Mr Annan said.

"The sad events of recent weeks reflect shortcomings not only on the part of the Timorese leadership, but also on the part of the international community in inadequately sustaining Timor-Leste's (East Timor's) nation-building process," Mr Annan told the UN Security Council.

Those comments came as the Timorese Government made it clear it would not accept a peacekeeping mission led and dominated by Australia, urging instead that peacekeepers from other neighbouring countries be sent to the troubled young nation.

In a speech read to the Security Council, Jose Ramos-Horta, East Timors foreign and defence minister, said a UN peacekeeping force must replace the Australian-led force, calling such a move essential to reduce political and diplomatic tensions.

Mr Ramos-Horta said the force should be broadened to include other nations from Asia and the Pacific, such as Fiji, Singapore and Thailand.

His statements urging a smaller Australian role came as our ambassador to the UN, Robert Hill, told the Security Council that Australia was looking forward to "undertaking key leadership roles" in a future UN mission.

Late yesterday East Timor's President, Xanana Gusmao, appeared to distance himself from a campaign to oust his political rival, Prime Minister Mari Alkatiri.

Mr Gusmao told parliament he would uphold the constitution until his term expired next year.

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The East Timor rip-off


AGORAVOX
14.06.2006

If you’ve ever been to East Timor you’ll know what a poor country it is.
I went there after spending a few weeks in hedonistic Kuta, and the culture shock is almost as much as flying from Singapore to Jakarta.

Colonized by both the Portuguese and then later the Indonesians, the Timorese basically survive from subsidence agriculture. There is no real industry to speak of. Per capita GDP is only US$400, and it shows. Most Timorese dress in rags and malnourishment is everywhere to be seen.

And then there is US$30 billion sitting in the Timor Sea separating East Timor and Australia.

But guess what?

East Timor ain’t gonna get its fair share.

And why is that? Because the Australians claim that the maritime boundary between the two countries is a lot closer to East Timor than it is to Aus.

But how can that be fair? Surely any reasonably minded person would agree that the maritime boundary should be drawn equidistant between the two countries in accordance with international law.

But Howard ain’t having any logic. So the Aussie governmentt does acknowledge East Timor as a sovereign nation but will only accept the maritime boundary it drew up with Indonesia back in 1972.

And why is that?

Because of the oil of course.

Because only 20.1 percent of the key Greater Sunrise reservoir falls within the joint petroleum development area set out in the 2002 Timor Sea Treaty interim agreement between Australia and East Timor. The other 79.9 percent is in a part of the Timor Sea over which Australia claims exclusive jurisdiction.

Now take a look at the map again, and you can see that if the maritime boundary were drawn equidistant between the two countries then the Greater Sunrise reservoir should indeed belong to East Timor.

So the Aussies are basically stealing from the impoverished Timorese.

How sick can you get?

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Declarações de José Luís Guterres

O embaixador junto das Nações Unidas, José Luís Guterres, que desistiu de concorrer à liderança da Fretilin no Congresso, agradece a ajuda humanitária da Indonésia e diz que a demissão de Mari Alkatiri não contribuiria para resolver a situação de Timor-Leste.

Ver artigo no Antara News.

(não é possível fazer copy/paste deste artigo)
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Dos leitores

"I wish to place on public record a sincere thank you to the SRSG H.E. Sukehiro Hasegawa, for his good work during the current crisis. Mr. Hasegawa has also served the people of Timor-Leste in an exemplary and selfless manner and he has a special place in our hearts, as indeed do our friends from Japan, Mr. Hasegawa’s home country, who have made a great contribution to our country."

Não será um pouco excesivo depois dos "afirmados sucessos" pelo Sr. Hasegawa na formação da PNTL?!

O próprio Kofi Annan admite que a ONU tem que reconhecer a parte da sua responsabilidade no falhanço do funcionamento das Instituições?

Ou o Sr. Ministro está a tentar tapor o sol com a peneira e assegurar o "lugarzito" do Senhor Hasegawa?

A permanência do Senhor Hasegawa como SRSG em Timor talvez inspire a designação da nova missão que mais uma vez será INUTIL!

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Austrália rejeita capacetes azuis para Timor-Leste

Australia rejects UN Timor control
The Sydney Morning Herald
Mark Coultan Herald Correspondent in New York and agencies
June 15, 2006

AUSTRALIA has signalled its opposition to a United Nations force taking over the four-nation peacekeeping mission but has called for an international police officer to take over the running of policing in the troubled country.

Australia's ambassador to the UN, Robert Hill, told the Security Council it would be better for the UN to focus on other issues, such as East Timor's longer-term needs, while the multinational force, led by Australia, took care of security.

East Timor's Foreign Minister, Jose Ramos Horta, in a speech read on his behalf to the Security Council, said a UN force was essential to "reduce political and diplomatic tensions".

He said there should be more countries involved, such as Fiji, Singapore and Thailand.

The UN Secretary-General, Kofi Annan, said there was a lesson to be learnt in the recent violence about withdrawing too early from fragile democracies.

Washington had pressured the Security Council to scale back its peacekeeping operations in East Timor.

"For the medium term, we will have to cohabit the theatre with the international forces from the four countries and us, but eventually work out an arrangement where a transformed UN force takes over," Mr Annan said.

He said Australia had indicated it would " probably be there for about six months to a year", but with the East Timorese indicating it would be required for at least that long, Australia saw a need for a "time limit for [its] stay".

Mr Annan said that, in military terms, he did not expect to see UN forces on the ground for another six months.

Mr Hill said that instead of leading a security force, the UN should concentrate on attempting a reconciliation between warring factions, investigating the deaths that had occurred and trying to restore the confidence of the people, particularly those in refugee camps.

In the longer term, the security forces had to be reformed, with careful consideration given to how a UN-led police force would interact with the local force.

He said there was a case for appointing a foreign national as police chief and having the UN run the prison system.

In his first speech to parliament since East Timor was hit by street violence, East Timor's President, Xanana Gusmao, appeared to distance himself from a campaign to oust his political rival, the Prime Minister, Mari Alkatiri, vowing to uphold the constitution until his term expired next year. [Mas lá tinham que insistir que PR e PM são rivais políticos...]

Mr Gusmao declared that as President he was "a guardian of the constitution".

"I will continue to fulfil the sacred duty of safeguarding the democratic state, based on the rule of law, until the end of my mandate in May 2007, and I will do so unwaveringly, and the people can be sure of that," he said.

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Dos leitores

Vamos lá a ver se nos entendemos.

Estamos em Timor-Leste, há que compreender o meio.

Toda a gente fala ao telefone, toda a gente manda SMSs, que logo à partida podem ser forjados.(*)

E toda a gente é de algum modo familiar de alguém.

Passamos a rectificar.

A fazenda onde estava (ou ainda está) o grupo do Rai Los é a fazenda Abrantes que pertence ao Mário Carrascalão, e não a fazenda Algarve, que pertence a todos os irmãos Carrascalão.

O irmão de Mari Alkatiri não forneceu armas ao governo, como diz a reportagem da RTP.Quem forneceu armas ao governo, (por ter ganho o respectivo concurso público) foi um sobrinho do Mário Carrascalão (Presidente do PSD), João Carrascalão (Presidente da UDT), Natália Carrascalão (ex-deputada em Portugal do PSD) e Ângela Carrascalão(semanário Lia Fon e militante da UDT) e dos outros irmãos e irmãs Carrascalão.

Este sobrinho é noivo (ou já marido) da filha do dono do restaurante Maubere, que é irmão da Lígia de Jesus, que é chefe de gabinete do Ministro Ramos-Horta.

Confuso? Não.

Mas aqui há muito fumo nem fogo, infelizmente ao contrário do que se passa em muitos bairros de Dili.

São é todos parentes o que não se presta a conclusões fáceis como as da RTP...

(*) Para se alterar o remetente de uma mensagem de SMS basta utilizar o serviço de alguns sites menos escrupulosos. Ou então utilizar no corpo da mensagem de texto um código. *XXX# seguido do nº que se quer que apareça como remetente.

(por razões óbvias e para evitar o caos que seria, omito o código correcto.)

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Comunicado à Imprensa - MNE

REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DE TIMOR-LESTE

MINISTÉRIO DOS NEGÓCIOS ESTRANGEIROS E COOPERAÇÃO
MEDIA RELEASE
13 June 2006


WARM WELCOME FOR RAMOS-HORTA IN SAME AND ALAS

The Minister for Foreign Affairs and Cooperation, Dr José Ramos-Horta, accompanied by the Secretary General of the Ministry of Foreign Affairs, Nelson Santos, today visited the cities of Same and Alas where he was warmly received by the local authorities and populations.

Foreign Ministry Officials, Licínio Branco and Roberto Nunes, travelled to those localities the previous day, to help organise the visit.

In Same, a coffee-rich region with enormous agricultural potential, he met with the District Administrator Filomeno Tilman and local members of key political parties.

“Given the current political tensions at national level, it is understandable there was some tension at local level between the party members of Fretilin, PD and PSD, which led to mutual accusations of unbecoming behaviour,” Minister Ramos-Horta said.

One particular issue, was the allegation against some Fretilin members that they had received weapons during the Fretilin Congress held in Dili and took them back to Manufahe (Same).

Dr Ramos-Horta who is also the founder of the non-government, non-partisan, Peace and Democracy Foundation (PDF), assigned the district PDF coordinator, Quintano Massa, a well respected community member in the region, to facilitate discussion between State authorities, Traditional Chiefs and the local political parties.

Following the meetings with officials and party members, Minister Ramos-Horta addressed more than one thousand people who, like everywhere where he has visited in recent times, enthusiastically welcomed him.

In his address the Minister appealed to national unity, rejection of actions by some designed to divide the Timorese society and congratulated the local authorities, including PNTL (National Police of Timor-Leste) for maintaining the services functioning and in general tranquility in the area.

“Only a permanent dialogue, specially in this critical phase, will be able to clarify doubts, dissipate rumours and clear tensions in the midst of the Same society,” Dr Ramos-Horta stressed to the crowd.

After the visit to Same, the Minister traveled to the sub-district of Alas, one of the most isolated and beautiful regions of Timor-Leste. The welcome in Alas was enthusiastic and given with much genuine human affection.

“It might be the very first time in my life that I have visited this locality, but it won’t be the last and promised to return soon,” the Minister told the people.

Minister Ramos-Horta said that in both Same and Alas the concerns raised were identical.

“People are concerned about the situation in Dili, they want the truth to be told, and they want people to assume responsibility for what is happening,” Dr Ramos-Horta said.

In his addresses he explained the process for the all inclusive dialogue; the establishment of an independent Special Inquiry Commission by the UN to investigate and report on allegations of criminal and human rights violations during the period of April, May, with reference to particular incidents of 28-29 April, 23-24-25 May; the presence of the international military forces in Timor-Leste and the next new mission of the UN following on from UNOTIL.

Dr Ramos-Horta said that as in all places he has visited as Minister for Foreign Affairs and Minister for Defence, the population has warmly welcomed the international military and police forces and it was the same in Same and Alas.

On his arrival at Dili, mid afternoon, the Minister for Foreign Affairs, visited the new headquarters of the newspaper Suara Timor Lorosae to observe the security conditions required by the management of the newspaper.

This morning Minister Ramos-Horta met with a group of commanders from the joint task force, also attended by Interior Minister Alcino Barris to assess the situation in certain areas of Dili and to discuss some operational initiatives.

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Traduções

Todas as traduções de inglês para português (e também de francês para português) são feitas pela Margarida, que conhecemos recentemente, mas que desde sempre nos ajuda.

Obrigado pela solidariedade, Margarida!

Mensagem inicial - 16 de Maio de 2006

"Apesar de frágil, Timor-Leste é uma jovem democracia em que acreditamos. É o país que escolhemos para viver e trabalhar. Desde dia 28 de Abril muito se tem dito sobre a situação em Timor-Leste. Boatos, rumores, alertas, declarações de países estrangeiros, inocentes ou não, têm servido para transmitir um clima de conflito e insegurança que não corresponde ao que vivemos. Vamos tentar transmitir o que se passa aqui. Não o que ouvimos dizer... "
 

Malai Azul. Lives in East Timor/Dili, speaks Portuguese and English.
This is my blogchalk: Timor, Timor-Leste, East Timor, Dili, Portuguese, English, Malai Azul, politica, situação, Xanana, Ramos-Horta, Alkatiri, Conflito, Crise, ISF, GNR, UNPOL, UNMIT, ONU, UN.