segunda-feira, julho 17, 2006

Ana Pessoa pede entendimento para Timor-Leste

A representante de Timor-Leste na Cimeira da CPLP afirmou hoje em Bissau esperar que a reunião permita aclarar a situação no seu país, tendo em conta não só as fraquezas, desafios e insucessos, mas também as suas potencialidades.

Ana Pessoa, ministra da Administração Territorial timorense, falava numa entrevista conjunta à Agência Lusa, Rádio Renascença e RDPÁfrica, realizada em Bissau, no âmbito da VI Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), que decorre segunda-feira na capital guineense.

"Espero que se saia daqui com uma ideia mais clara da situação de Timor-Leste, que se entenda melhor o que é Timor-Leste, quais as nossas fraquezas, os nossos desafios e os nossos insucessos, mas também as nossas potencialidades, a nossa força", afirmou.

Ana Pessoa, que representa na cimeira o chefe de Estado de Timor-Leste, Xanana Gusmão, sublinhou ser necessário que a questão timorense não caia no esquecimento, sendo esse o propósito da análise da situação político-militar no país.

Agastada com o "rude golpe" na democracia, provocado pelos confrontos militares que levaram à demissão do primeiro-ministro, Ana Pessoa lembrou que "é sempre bom que haja momentos em que todos se sentam e reflectem" num espaço de concertação, como a CPLP.

"Foi um duro golpe, porque todos nós o sentimos na carne.

Quanto a um revés, isso só acontecerá se não formos capazes de tirar as devidas ilações e aprender com os nossos erros, naquilo que é um passo atrás certamente em relação a alguns ganhos que conseguimos ao longo destes intensos anos de trabalho", defendeu.

"Penso que Timor-Leste tem também uma coisa a dar. Pelo espaço que ocupa regionalmente, mas também pela diferença que pode fazer na região e como espaço de entrada para outras que não estão naquela região. Acho que tudo isso pode trazer à CPLP uma mais-valia", acrescentou.

Ana Pessoa defendeu que a acção da CPLP, bem como da União Africana (UA) possam ajudar o país a sair da crise e dar "o salto em frente", sublinhando ser essa uma das vantagens da globalização.

"Num mundo globalizado, impõe-se a reafirmação de identidades.

A globalização pode ser muito positiva. Se formos capazes de nos inserir melhor na CPLP e no mundo creio que será uma oportunidade para saltarmos em frente", sustentou.

"Por essa razão, ou pela falta dela, Timor-Leste é ainda vulnerável a pressões internas e também externas. Vulnerável ao cultivar de vícios de divisionismo, a expectativas elevadíssimas quanto à independência", disse, lembrando ainda a questão do petróleo no Mar de Timor.

No seu entender, a "questão de fundo" do petróleo, que "envolve algumas centenas de milhões de dólares", também levanta o tema da "ganância e de outras ambições".

"Confirma-se que temos petróleo e o petróleo faz gerar muito dinheiro e o dinheiro faz acicatar ambições e ganância. Com uma gestão criteriosa do nosso petróleo, recurso não renovável, podíamos fazer muita coisa no cumprimento dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio", sustentou.

Sobre a questão da Defesa e Segurança em Timor-Leste, Ana Pessoa afirmou que Díli está a pensar em apostar na cooperação nesse domínio com Angola, Brasil e Portugal, "contributos que, a nível da CPLP, serão insubstituíveis" para os Estados membros mais debilitados.

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19 comentários:

Anónimo disse...

Sobre a questão da Defesa e Segurança em Timor-Leste, Ana Pessoa afirmou que Díli está a pensar em apostar na cooperação nesse domínio com Angola, Brasil e Portugal, "contributos que, a nível da CPLP, serão insubstituíveis" para os Estados membros mais debilitados.

Se Xanana permitir.

Xanana está apostadíssimo na Austrália e Estados Unidos.
Até já queria construir instalações definitivas para 3000 militares australianos em Timor.

Não tenham grandes ilusões...

Anónimo disse...

Se Ana Pessoa estica a corda vai ter e continua a contrariar Xanana na escolha dos países amigos que vão dar formação à FDTL e PNTL vai ter o mesmo fim que Alkatiri.

O que teria feito Xanana sem os militares formados pela Austrália?

Não o contrariem muito senão o homem "veste a farda" e vai de novo para a "guerra".

Anónimo disse...

Mas é bom que se tenha em consideração que o qur a Ana Pessoa defende está COMPLETAMENTTE dentro do espírito e da letra da Constituição da RDTL que diz no seu Artigo 8.º
(Relações internacionais)

1.A República Democrática de Timor-Leste rege-se nas relações internacionais pelos princípios da independência nacional, do direito dos povos à autodeterminação e independência, da soberania permanente dos povos sobre as suas riquezas e recursos naturais, da protecção dos direitos humanos, do respeito mútuo pela soberania, integridade territorial e igualdade entre Estados e da não ingerência nos assuntos internos dos Estados.

2.A República Democrática de Timor-Leste estabelece relações de amizade e cooperação com todos os outros povos, preconizando a solução pacífica dos conflitos, o desarmamento geral, simultâneo e controlado, o estabelecimento de um sistema de segurança colectiva e a criação de uma nova ordem económica internacional, capaz de assegurar a paz e a justiça nas relações entre os povos.

3.A República Democrática de Timor-Leste mantém laços privilegiados com os países de língua oficial portuguesa.

4.A República Democrática de Timor-Leste mantém laços especiais de amizade e cooperação com os países vizinhos e os da região.

Anónimo disse...

Concordo perfeitamente que a CPLP ajude Timor-Leste na segurança do país.

Mas convém que essas forças não se coloquem ao serviço de nenhum partido. Seria a mesma vergonha. Não façam isso à CPLP que não vale a pena.

E na verdade se os australianos não estivessem por perto talvez já tivessemos assistido a coisas muito mais graves, ou não teria sio assim?

Os tiros "cruzados" em Balibar foram o quê? Quem pretendiam atingir.

Juízo

Anónimo disse...

E as suas bocas são o quê, Anónimo das 9:17:50 PM? Se tem alguma coisa para desembuchar, desembuche, mas deixe-se de foleirices, está?

Anónimo disse...

JA NOTARAM O QUE A ANA PESSOA DISSE, SENHORES AINDA COM DUVIDA:
ELA DISSE:
"FOI UM DURO GOLPE...
ENTAO HOUVE GOLPE OU NAO?

Anónimo disse...

Que giro, a margarida a perder as estribeiras!...
O verniz estala com muita facilidade. Será quando ouve verdades que não gosta?

Não baixe o nível, menina!
Assim não vale...

Anónimo disse...

Oportuna e consistente são as reflexões de Ana Pessoa. Oxalá proporcione bons frutos.
AC
Br.

Anónimo disse...

Deem um desconto a margarida porque nao e timorense e nao sabe que em Balibar vive o Presidente da Republica, Xanana Gusmao.
O anonimo das 9:17:50 PM perguntou porque houve tiroteio na proximidade da residencia do Presidente Xanana?

Anónimo disse...

Anónimo das 10:46:54 PM: eu sou um tanto do tipo “dá forte mas passa depressa”, só tenho é a preocupação de não ofender gratuitamente. Quanto ao resto…habituem-se!

Mas acho pertinente a pergunta do Anónimo das 11:24:31 PM. Não quer o Anónimo das 9:17:50 PM responder? É que também li por aqui – e ninguém contestou – que era hábito o ausente comandante da PNTL vir de lá de Balibar, à noite, em carrinhas com “amigos” para dar uns tiritos por Dili.

Não quer mesmo desembuchar o que sabe, Anónimo das 9:17:50 PM?

Mau Seran disse...

Como Timorense não admito que se faça esse tipo de comentários a haver com passaportes à quem quer que seja, seja ele(a) timorense ou estrangeiro, esse tipo de comentário demonstram a pequenez do seu raciocínio e vontade de contribuir neste blog com argumentos e ideias próprias.

Lembro ao caro anónimo das 11:24:31 PM, que o facto ‘de este ou aquele’ não serem Timorenses não significa absolutamente nada. Neste curta vida, (apesar dos enganadores cabelos brancos que se penduram nesta cabeça despenteada) encontrei muito não timorense que muito fez por Timor-Leste, ou talvez se tenha esquecido de tal facto? Por isso essa tentativa baixa que usar passaportes não funciona e nem sequer pode ser contado como argumento credível, chamo a atenção a uns quantos funcionários do Ofício de sua majestade que apesar de serem timorenses usavam o passaporte Australiano em visitas oficiais à Australia mas enfim, de passaportes e demonstrações de patriotismo barato, demagogia e popularismo estou eu farto (Leio Jornais que falam nas caminhadas de JRH, visitas aos campos de refugiados que no final não se traduzem respostas eficazes ao problema e a lista continua…infelizmente continua)

Abraços a todos Timorenses, que usam ou não usam o passaporte, aos Timorenses que ainda não tem passaporte, aos que usam o ‘Cartaun de Registo’ do tempo da UN, (digo já que ainda me vem os enjôos quando olho para o meu cartaun de registo) aos que como eu, reclamaram quando receberam o cartaun de eleitor, (Meu Deus, um colosso, nem sequer cabe na minha carteira ou no bolso das calças) e em especial a todos não timorenses 'de papel' mas timorenses de alma que tem estado a contribuir no blog com suas ideias e opiniões.

Mau

Anónimo disse...

"No seu entender, a "questão de fundo" do petróleo, que "envolve algumas centenas de milhões de dólares", também levanta o tema da "ganância e de outras ambições".

Tera sido tambem essa ganancia e ambicao que os levou a tracar um plano maquiavelico para perpetuar o seu poder?

Anónimo disse...

Anónimo das 1:16:25 AM: está certamente a referir-se ao Xanana e ao Longuinhos quando refere "um plano maquiavelico para perpetuar o seu poder", não é verdade?

Anónimo disse...

Pois claro que ser timorense ou não ser, para esta questão é indiferente.
Esta luta é de todos os povos, viva a Internacional operária.

Como diz o poema:
"Cuba no esta sola
Todo el mundo esta
con Cuba socialista
Cuba vencera

E comprende el inimigo
esta axioma que repito
mientras maior el delito
mas grande el castigo"

A Austrália que se cuide, a onda da Internacional vem a caminho. Passou em Portugal com resultados notáveis e segue rumo ao Sudeste Asiático.

Esta gente não se enxerga, julgam que a história do mundo começou em 1917.

Anónimo disse...

E este anónimo das 9:38:23 AM pensa que a história acabou com o triunfo dos USA. Mas repare só o que se passa no seu quintal: Venezuela, Colômbia, Brasil, Argentina, Chile e o que já vai no México. E mesmo por aí na Ásia: olhe para o China, a Ìndia, o Nepal e mesmo nas duas Coreias. Acha mesmo que os USA - que enterraram 150 mil soldados no Iraque e não sabem como sacá-los de lá - acha mesmo que as suas ideias estão a ter a popularidade que tinham há 20 anos? E os "exemplos" de direitos humanos: Guantánamo, Abu Graib, as prisões ilegais, ilegítimas e clandestinas pelo mundo fora - na Europa, no Iraque, no Afeganistão e sabe-se lá por mais onde, acha que são exemplos que dignificam a humanidade? Que os povos lutem pelos seus direitos e que tenham a paz para viverem como bem entendem, sem senhores e sem mestres é tudo o que eu desejo, para todos os povos do mundo. E isto já é imenso! Isto, a liberdade de decidirem por si próprios e de viverem conforme as constituições que eles próprios aprovaram e fizeram.

Anónimo disse...

o margarida cerre la o punho para vermos se fica-lhe bem ou nao.

Anónimo disse...

Nada como uma pequena provocação e a cassete entra logo em modo "play".

Além de que a Margarida faz uma tremenda confusão. Chile? Brasil?
Oh querida, que tem o rumo do Chile ou o do Brasil a ver com a desgraça que se passa na Venezuela e na Colômbia?

Por falar na Venezuela, lembra-se daquele co-piloto que ficou preso mais de 1 ano e foi libertado por estar inocente? As autoridades judiciais venezuelanas sempre souberam que ele era inocente.
Só que, para poderem confiscar o avião, um dos tripulantes teria que ser implicado no crime.
Ainda o desgraçado não tinha ido a julgamento, e já o avião tinha sido desviado para um hangar militar e estava a ser pintado e rematriculado como avião particular de um General da Fuerza Aérea Venezuelana.

Colômbia? Como diz um amigo meu colombiano, toda a gente tem uma carta de condução com fotografia idêntica. É uma nota de 10 Dólares americanos.

Bolívia? Um Presidente que é chefe da associação dos "cocaleros", e a tão proclamada nacionalização do petróleo afinal não passa de renegociação dos contratos (provavelmente com novos titulares de rendimentos paralelos). A população continua na mesma miséria.

Acha mesmo que é isso que os povos querem?

Não confunda os USA com a administração americana. Veja o acórdão do Supremo Tribunal em relação a Guantanamo, veja o talk show de Jay Leno.

Acha que estes exemplos eram possíveis na sua querida Cuba ou URSS ou democrática, livre e próspera Coreia do Norte?
Sabia que em Pyongyang não se vê um único deficiente físico ou mental? Criaram cidades só para eles. Foi um gesto humanitário para que não se sintam discriminados em relação ao resto da sociedade. Lá, são todos iguais.

E quanto à China, mas valia estar caladinha e meter a viola no saco. Ou já se esqueceu de Tienamen? Carros de combate a esmagar manifestantes deitados no chão como quem esborracha tomates?

E a organização da força de trabalho nas chamadas "zonas económicas especiais"? Proibição de sindicatos, inexistência de leis laborais, inexistência de qualquer forma de segurança social, salários ridículos para já não falar da manutenção do partido único.

Ou está a tentar dizer-nos que devíamos importar a forma de trabalho chinesa para o nosso país?

Olhe que não é isso que o seu camarada da CGTP tem defendido, veja lá se não está ser divisionista.

Espanto-me não ter citado o exemplo de Robert Mugabe no Zimbabue. Que progresso notável tem tido aquele país desde a ascenção desse democrata. O país passou de exportador alimentar à mais absoluta miséria. Os líderes da oposição são presos durante as campanhas eleitorais.

É essa a diferença. O que está em causa e em dicotomia é serem sistemas que têm mecanismos de auto correcção ou não.

Não, as democracias ocidentais não são perfeitas. Mas são sem qualquer sombra de dúvida as menos imperfeitas.

E voltamos à vaca fria. Aquilo que a FRETILIN estava a fazer em Timor foi o mesmo que o PCP quis fazer em Portugal nos idos de 1975. A diferença é que nas eleições para a Constituinte o PCP não teve 57% dos votos para poder armadilhar a Constituição e perpetuar-se no poder.

Graças à lucidez do povo português.

Anónimo disse...

"Aquilo que a FRETILIN estava a fazer em Timor foi o mesmo que o PCP quis fazer em Portugal nos idos de 1975".

Esta afirmação não podia reflectir mais ignorância relativamente a Timor-Leste.

O Governo de Mari Alkatiri tinha uma política de economia de mercado, nunca pensou em nacionalizar nada, pelo contrário, abriu à iniciativa privada a empresa de electricidade, e apostava em políticas económicas altamente apoiadas e elogiadas pelo Banco Mundial.

Qualquer semelhança entre este Governo e um Governo vermelho á pura mentira e intoxicação de quem, de uma forma patética e ridicula, chama comunista a Mari Alkatiri.

Anónimo disse...

Anónimo das 8:18:23 PM: são ainda resquícios da guerra fria, mas note-se que também ensaiaram o novo labéu de "terrorista". Não é inocentemente que falam do "muçulmano" e do "bin". Mas essa de o rotularem de "comunista" ainda é de sucesso garantido, particularmente junto da burguesia local. E eles sabem muito bem porquê. Quatrocentos e tal anos de colonização, o último século vivido sob férrea endoutrinação anti-comunista deixam muitas marcas. Mas não tantas mesmo assim que permitisse à Fretilin ganhar a simpatia maioritária em Timor-Leste. E é isso que eles pretendem minar, por isso tentam fazer reviver fantasmas antigos.

Traduções

Todas as traduções de inglês para português (e também de francês para português) são feitas pela Margarida, que conhecemos recentemente, mas que desde sempre nos ajuda.

Obrigado pela solidariedade, Margarida!

Mensagem inicial - 16 de Maio de 2006

"Apesar de frágil, Timor-Leste é uma jovem democracia em que acreditamos. É o país que escolhemos para viver e trabalhar. Desde dia 28 de Abril muito se tem dito sobre a situação em Timor-Leste. Boatos, rumores, alertas, declarações de países estrangeiros, inocentes ou não, têm servido para transmitir um clima de conflito e insegurança que não corresponde ao que vivemos. Vamos tentar transmitir o que se passa aqui. Não o que ouvimos dizer... "
 

Malai Azul. Lives in East Timor/Dili, speaks Portuguese and English.
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