terça-feira, fevereiro 10, 2009

Ataques de há um ano "sem explicação racional"

*** Pedro Rosa Mendes, da Agência Lusa ***

Díli, 09 Fev (Lusa) - Um ano após o duplo ataque contra a liderança de Timor-Leste, o 11 de Fevereiro de 2008 continua “sem explicação racional” e sem acusação formada.

“Não encontro nenhuma explicação racional para o que se passou”, resumiu um dos responsáveis do Centre for Humanitarian Dialogue (CHD), Léon de Riedmatten, numa entrevista recente à Agência Lusa em Díli.

A CHD, uma organização de mediação suíça, estava envolvida desde 2007 no processo de paz com o major fugitivo Alfredo Reinado e os peticionários das Forças Armadas liderados pelo ex-tenente Gastão Salsinha.

“Tudo estava encaminhado para uma solução do problema”, acrescentou o responsável do CHD à Lusa, em Novembro de 2008, por ocasião da assinatura de um protocolo com a Presidência da República timorense.

O Presidente da República, José Ramos-Horta, ficou gravemente ferido na manhã de 11 de Fevereiro de 2008 junto à sua residência, na sequência de um ataque pelo grupo do major Alfredo Reinado, no qual o próprio ex-comandante da Polícia Militar viria a morrer.

A Lusa confirmou junto da equipa do CHD em Díli que um encontro “definitivo” entre o Presidente da República e Alfredo Reinado podia acontecer tão cedo como 13 ou 14 de Fevereiro.

Um leque alargado de líderes políticos, elementos das forças de segurança timorenses e internacionais e vários observadores ouvidos nas últimas semanas pela Lusa concordam que “não faz qualquer sentido” que Alfredo Reinado escolhesse matar o chefe de Estado, a pessoa que mais se esforçou por uma resolução pacífica do problema.

“José Ramos-Horta era o único interlocutor em quem Reinado confiava. Alfredo considerava o Presidente o único líder timorense que não tinha culpas na crise de 2006”, afirmou à Lusa uma fonte que acompanhou os contactos do Estado timorense com o major fugitivo.

“Alfredo tinha um lado gaiato e um grande ego, às vezes a roçar a insolência. Mas não era maluco. Era um militar treinado e metódico que, se quisesse causar confusão, o poderia ter feito em muitas oportunidades”, comentou uma fonte internacional que contactou com o major Reinado desde 2006.

“A incógnita é saber se um homem assim pode ser influenciado por uma mulher ao ponto de fazer um disparate como atacar o seu único aliado objectivo na liderança timorense”, acrescentou o mesmo observador.

A má influência feminina em Alfredo Reinado é um tema recorrente, em geral, mas não em exclusivo, tendo por alvo Angelita Pires, ex-funcionária da Procuradoria-geral da República, companheira do major nos últimos meses de vida e co-arguida no processo do 11 de Fevereiro.

“Alfredo gostava muito do Presidente da República”, afirmou Angelita Pires à Lusa, defendendo-se das acusações em praça pública, insistindo na tese de uma “conspiração” para atrair Reinado a uma cilada.

O pai adoptivo de Reinado, o empresário e conselheiro de Estado Vítor Alves, reafirmou à Lusa que “há um ano que não há solução para o caso”.

“As autoridades não deviam bater mais na tecla do atentado. Deviam limpar o nome do menino”, frisou, recordando que “a injustiça provoca ressentimento” na juventude que apoiava o major Reinado.

Para as autoridades timorenses, no entanto, a intencionalidade criminosa de Alfredo Reinado, em concertação com Gastão Salsinha numa emboscada ao primeiro-ministro, não oferece dúvidas.

“Os propósitos do grupo liderado por Alfredo Reinado não era, como referiram os arguidos, visitar o Senhor Presidente”, escreveu um dos magistrados que instruiu o processo, num documento a que a Lusa teve acesso.

Reinado e Salsinha pretendiam “levar a cabo os actos que acabaram por praticar”, segundo o mesmo despacho.

“Talvez este caso demore a desvendar. Ou talvez o mistério fique para sempre, como os assassínios dos irmãos John e Robert Kennedy”, comentou uma fonte envolvida nos derradeiros contactos com Reinado.

Lusa/fim

Guarda presidencial "disparou primeiro", dizem arguidos do 11 de Fevereiro

*** Pedro Rosa Mendes, da Agência Lusa ***

Díli, 09 Fev (Lusa) - A guarda presidencial foi “a primeira a disparar” quando o major rebelde Alfredo Reinado entrou armado na residência do Presidente timorense, José Ramos-Horta, no atentado de há um ano, segundo documentos a que a Agência Lusa teve acesso.

“Os primeiros a disparar naquele dia foram os seguranças do Presidente da República”, afirmaram vários arguidos no processo sobre o duplo ataque contra o chefe de Estado e o primeiro-ministro, Xanana Gusmão.

José Ramos-Horta ficou gravemente ferido na sequência do ataque à sua residência pelo grupo de Alfredo Reinado, na manhã de 11 de Fevereiro de 2008, no qual morreram o major rebelde e um dos seus homens.

Xanana Gusmão escapou, pouco depois, a uma emboscada montada pelo grupo do ex-tenente Gastão Salsinha na estrada de Balíbar, a sul de Díli, onde residia então o primeiro-ministro.

O filme dos acontecimentos, segundo os documentos processuais consultados pela Lusa, começa com o trajecto do grupo do major Reinado desde Lauala, Ermera (oeste), de madrugada, e a chegada à residência de José Ramos-Horta pouco depois das 06:00.

“O Alfredo perguntou aos seguranças onde estava o Presidente, tendo estes respondido que tinha ido para a ginástica”, contou um dos suspeitos às autoridades.

“Em seguida, o Alfredo, o Leopoldino (Exposto), o (Gilberto Suni) Mota e o (Egídio) Lay entraram para o interior do quintal da casa do Presidente, (e) estavam todos armados”, acrescentou o mesmo arguido.

“Após o Reinado e os outros três terem entrado no interior do quintal, passados 3 a 5 minutos ouviram-(se) tiros. O primeiro foi um tiro a tiro seguido de rajada”, segundo o mesmo arguido, um dos nove elementos que acompanharam o major naquele dia.

A inquirição dos suspeitos confirma que Alfredo Reinado morreu cerca de 30 a 40 minutos antes de José Ramos-Horta ter sido atingido a tiro, um dos primeiros dados a emergir no próprio dia dos ataques.

“Após os tiros, o Mota e o Lay saíram a correr e nessa altura todos os que estavam cá fora, com excepção do ‘Aimeu’ e do Lay, disparam em direcção do quintal do Presidente. Dispararam tiro a tiro e rajadas”, contou ainda o mesmo arguido.

Segundo o mesmo testemunho, “surgiu na estrada em frente à casa do PR um jipe das F-FDTL” (Falintil-Forças de Defesa de Timor-Leste), proveniente de Metinaro (a leste da capital), que foi apanhado no fogo cruzado.

Os homens de Reinado, então, “puseram-se em fuga em direcção à ribeira (na encosta em frente) e depois para Fatuahi”.

Uma testemunha, que se encontrava na casa do Presidente disse que “reconheceu o Alfredo Reinado” e que major rebelde a ameaçou de morte.

“(um dos militares da segurança) pegou na sua arma e disparou em direcção aos dois elementos do grupo, tendo atingido o Reinado e o Leopoldino”, lê-se nos autos de interrogatório.

Um dos principais suspeitos do 11 de Fevereiro, do grupo que entrou no recinto com Alfredo Reinado, relatou “que ninguém falou que o PR tinha sido atingido e que só ouviu falar nisso no dia 13 de Fevereiro”.

Após a morte do major Reinado, o resto do grupo juntou-se a Gastão Salsinha e só em Abril a maioria dos fugitivos se entregou às autoridades.

O antigo líder dos peticionários das F-FDTL, com uma dezena de co-arguidos, aguarda desde então, em prisão preventiva, a conclusão da investigação.

PRM.

Lusa/fim

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

AGINDO DE GOLPE EM GOLPE ENCHE A AMP O PAPO

Segunda-feira, 9 de Fevereiro de 2009

Blog Timor Lorosae Nação
Por TIBÉRIO LAHANE

O que se passou com o juiz Ivo Rosa volta a indiciar que existem elementos da AMP empenhados em jogar sujo e tudo fazer para conseguir absoluto poder e controlo nas decisões dos órgãos de justiça. As investidas são demasiadas para que não percebamos isso.

Desde anos passados que os atropelos e invasões ao Poder Judicial tem sido prática dos apaniguados de Xanana Gusmão e até mesmo de Ramos Horta, incluindo na qualidade de Presidente da República – basta recordar os salvo-conduto para o grupo de Alfredo Reinado, incluindo o próprio, em contra-deliberação das autoridades judiciais que haviam emitido mandados de captura para cerca de uma dezena dos desse grupo de rebeldes e contraventores das leis e da ordem constitucionalmente vigente.

Os antagonismos de “estimação” manifestados pelos que apoiaram o golpe de estado de 2006 relativamente ao juiz Ivo Rosa e demais agentes judiciários que dedicadamente têm labutado para que as leis sejam cumpridas têm sido mais que evidentes. Uma vez mais isso mesmo foi e está a ser revelado na reprovação e denúncia da deliberação do “CSMJ de 13 de Novembro de 2008 que decidiu não renovar o contrato do requerente juiz Ivo Nelson de Caires Batista Rosa”, tal qual como é referido em Acordão do Tribunal de Recurso, que devido à sua extensão nos dispensamos de aqui publicar na íntegra remetendo-vos para o efeito ao Timor Online, que publicou o referido documento.

Naquele documento percebe-se que a deliberação de afastar o juiz Ivo Rosa e a sua ilegal decisão por parte do alegado CSMJ comportou expedientes reveladores de quanto a subserviência de ditos “homens de lei” são capazes de cometer para servirem certas manobras ilícitas de comparsas ao serviço dos tais “malandros e oportunistas” referidos em tempos pelo engenheiro Mário Carrascalão.

Infelizmente, é um facto, o CNRT e a AMP só têm evidenciado que Mário Carrascalão tinha imensa razão, falta provar a inocência de Xanana Gusmão em todas estas maquiavélicas práticas. Na falta de absolutas certezas ele já passou a ser tão malandro quanto aqueles por que se fez rodear. O tempo dirá aos timorenses e ao mundo se este sentimento e raciocínio está certo ou errado.

Viúvas "loromonu" azedas com Ramos-Horta

*** Pedro Rosa Mendes, da Agência Lusa ***

Díli, 08 Fev (Lusa) - A vida de Natália Bonifácio ficou tão marcada pela morte de Alfredo Reinado que todas as semanas ela põe flores ao major rebelde, em Díli, Timor-Leste.

Na campa de Reinado, num quintal do bairro Marconi, repousa também o marido de Natália, Leopoldino Exposto. O major e o soldado da Polícia Militar morreram juntos no ataque à residência do Presidente da República, José Ramos-Horta.

"Venho aqui todas as quintas-feiras porque foi esse o dia do funeral, no 14 de Fevereiro de 2008", dia de São Valentim e também o dia de aniversário de Natália. A viúva vai fazer esta semana 22 anos.

Natália Bonifácio olha para o 11 de Fevereiro de 2008 de um ângulo oposto ao de José Ramos-Horta, a principal vítima e o principal sobrevivente dos acontecimentos.

É um olhar muito azedo.

"O Presidente fez muitas reuniões e muitas comissões para amansar as pessoas. Qual foi o resultado? Essas pessoas acabaram mortas, como o meu marido", acusou a jovem Natália em entrevista à Agência Lusa.

O azedume de Natália Bonifácio é partilhado por outras dezassete viúvas de militares e polícias mortos, desde 2006, em diferentes incidentes protagonizados por Alfredo Reinado, pelo ex-tenente Gastão Salsinha e pelos peticionários das Forças Armadas.

Os incidentes que deixaram estas mulheres viúvas formam a narrativa "loromonu" (designação dos originários dos distritos ocidentais de Timor-Leste) desde a crise de 2006.

Ali estão "representados" os ataques do grupo de Alfredo Reinado em Abril e Maio desse ano, em Fatuahi e Tíbar, o massacre de polícias em Caicoli, o cerco pelas tropas australianas em Same, em Março de 2007, e os acontecimentos do 11 de Fevereiro de 2008.

"É tudo o mesmo caso", resumem as viúvas ouvidas pela Lusa.

Quatro viúvas, representando quatro datas em nome das outras datas e dos outros mortos, foram recebidas na Presidência da República, em 11 de Novembro de 2008.

"Correu muito mal e o Presidente tratou-nos muito mal", segundo as viúvas, incluindo Natália, entrevistadas pela Lusa em Díli.

"Fomos agradecer a colaboração do Governo pela boa intenção de nos dar apoio em dinheiro. Fomos também perguntar a razão da diferença de compensação entre várias de nós, umas com três e outras com quatro mil dólares, e o que foi recebido pelos peticionários, que levaram oito mil dólares", explicou Laurinda Gomes de Fátima à Lusa.

"Os que morreram já não prestam e os que estão vivos é que são bons?", resumiu Natália.

"Perguntámos também qual era o significado da compensação pela viuvez. Queria dizer que os nossos maridos fizeram bem ou que fizeram mal?", contou Laurinda.

A reunião começou então "a dar para o torto", recorda Laurinda, viúva do soldado Deolindo, um dos quatro homens de Alfredo Reinado mortos no assalto à vila de Same por tropas australianas.

"O Presidente disse-nos que os nossos maridos mereceram morrer porque pegaram em armas contra a nação e por isso eram criminosos", acrescentou a viúva de Deolindo.

"A reunião correu mal assim que a Natália tocou no 11 de Fevereiro", recordou outra das jovens viúvas, Olga do Carmo.

"É uma grande dor e uma grande ferida que não fecha. A nossa última esperança era o Presidente, que é a autoridade superior. Se ele tratou mal viúvas como nós, a quem vamos pedir justiça?", interroga Olga, cujo marido, Isidoro de Jesus Chaves, "que não era peticionário", morreu no confronto em Tíbar, em Maio de 2006.

Olga do Carmo "deu um murro na mesa" na discussão com o Presidente, contam as suas companheiras.

"Os nossos maridos não tiveram culpa pela crise de 2006. Foi culpa dos líderes que criaram o divisionismo", afirmou Olga à Lusa.

"O 11 de Fevereiro foi uma manobra arranjada para os matar. E quero que o Governo pelo menos respeite o nome deles", frisou Natália Bonifácio na entrevista.

"Quero que o governo reconheça que eles morreram pela paz", acrescentou.

Além do grupo das 18 viúvas, há outro grupo organizado com viúvas de civis e com mulheres de arguidos do 11 de Fevereiro, como a de Gastão Salsinha.

A Lusa não obteve resposta a um pedido de entrevista ao Presidente da República sobre os acontecimentos de há um ano.

Lusa/fim

Salsinha "tem coisas para contar", diz a mulher

Díli, Timor-Leste 08/02/2009 09:16 (LUSA)
Pedro Rosa Mendes

Díli, 08 Fev - Gastão Salsinha "ainda tem coisas para contar", afirmou a mulher do ex-tenente à Agência Lusa, antes de uma visita ao antigo líder dos peticionários das Forças Armadas de Timor-Leste.

Joaquina Lemos diz também que "o silêncio é desinquietante" sobre o que se passou há quase um ano no duplo ataque ao chefe de Estado e ao primeiro-ministro.

Joaquina Lemos vive em Ermera (oeste), no coração montanhoso do país "loromonu", nome dos dez distritos ocidentais de Timor-Leste.

Às quartas-feiras, Joaquina desce a Díli para visitar o marido na prisão.

Acompanha-a o filho do casal Salsinha, um menino pequeno que bebe café forte, "como qualquer criança de Ermera".

Gastão Salsinha é o principal arguido no processo do 11 de Fevereiro de 2008, por ter liderado o ataque à caravana onde seguia o primeiro-ministro, Xanana Gusmão.

Um outro ataque, na mesma manhã, foi dirigido pelo major rebelde Alfredo Reinado contra a residência do Presidente da República, José Ramos-Horta.

O major e um dos seus homens foram mortos no local.

Salsinha e a dezena de sobreviventes do grupo de Reinado aguardam em prisão preventiva, em Becora, em Díli, a conclusão do inquérito judicial e a acusação no "caso 11 de Fevereiro".

A poucos dias do aniversário do duplo ataque, e no dia de aniversário de Gastão Salsinha, Joaquina Lemos declarou à Lusa que José Ramos-Horta chamou há poucos dias o ex-tenente ao seu gabinete na Presidência.

"Falaram de um indulto mas o meu marido recusou porque não aceita sair em silêncio da prisão sem fazer uma declaração sobre o que aconteceu na verdade", afirmou Joaquina Lemos.

O encontro no gabinete do chefe de Estado aconteceu há semana e meia, explicou a mulher de Gastão Salsinha.

Esta semana, o Presidente da República declarou em Díli à imprensa nacional que não vai conceder indultos aos rebeldes que o atacaram a tiro, recordando que sabe a identidade do homem que disparou sobre ele.

Para Joaquina Lemos, esta declaração contraria a "oferta" que a liderança timorense sugeriu ao marido dias antes.

"Há uma ou duas pessoas que iam ficar satisfeitas com o silêncio do meu marido e dos outros. Mas para o grupo e para o povo em geral, é mais importante que falem", acrescentou a mulher de Gastão Salsinha.

Segundo a mulher de Gastão Salsinha, o ex-tenente "não tinha escolha e apenas cumpriu ordens" do major Reinado quando desceu de Ermera a Díli na madrugada do 11 de Fevereiro.

Sobre o futuro de Gastão Salsinha, Joaquina Lemos gostaria que ele não tentasse voltar às Falintil-Forças de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL).

"Como mulher, não aceito que ele volte a vestir aquele uniforme que causou a morte de tanta gente", afirmou à Lusa.

"E se ele voltasse a ser militar, será que iriam tratá-lo bem? Ou será que os colegas aproveitariam outra vez para criar problemas?", interroga.

No início de 2006, Gastão Salsinha liderou cerca de seiscentos peticionários "loromonu" que alegaram ser vítimas de discriminação pelos militares "lorosae" (originários dos três distritos orientais). A petição redundou, meses depois, em crise política e militar.

Sobre a possibilidade de uma amnistia geral que abranja a violência de 1975 a 2006, várias vezes defendida pelo Presidente da República, Joaquina Lemos é peremptória sobre "a grande diferença" de situações.

"Essa amnistia seria uma vergonha", defende Joaquina Lemos.

No imediato, a mulher de Salsinha pretende que o nome do marido seja limpo e que a justiça "diga a verdade".

"Os homens pegam em armas mas as mulheres é que são boas conselheiras", conclui a mulher do ex-tenente Gastão Salsinha. "Prefiro que o Gastão seja varredor a que ele volte a pegar numa arma".

A Lusa não obteve resposta a um pedido de entrevista ao Presidente da República sobre o 11 de Fevereiro de 2008.

Lusa/fim

Political interference in judicial processes in East Timor

East Timor Law Journal

ETLJB 5 February 2009 - It was reported in the East Timor newspaper Timor Post on 3 February 2009 that President Jose Ramos Horta had held a meeting with with former rebel leader, Gastao Salsinha, and other followers of slain rebel leader Alfredo Reinado Alves, including Marcelo Caetano who, according the the President's brother last year, was named by President Horta as his would-be assassin on 11 February 2008. On 4 February, Timor Post further reported that the President had called for the fomer rebels to reveal the identity of the man who shot him on that date.

In the common law world, such interventions by the Head of State in the judicial process constitute a grave violation of the doctrine of the separation of state powers and the independence of the judicial process from political interference. Such interventions erode the rule of law and strike at the very heart of democracy.

As common law jurists know, the victory of the English common law began with the abolition of torture in England long before other countries and paved the way for the fairer treatment of political enemies of government when brought to trial. Above all, the victory of the common law over the Prerogative Courts preserved the medieval conception of the supremacy of law as a thing that could not be brushed aside for the convenience of government and could only be altered in full Parliament, not by the King alone.

This great principle, that law is above the executive, was violated in England during the revolutionary period of the Commonwealth and Protectorate. But it re-emerged at the Restoration and was confirmed in the revolution of 1688 which was effected against James II precisely to establish the principle that the law was above the King.

That English medieval idea of the supremacy of law as something separate from and independent of the will of the executive, disappeared in continental countries where the civil law system developed. But in England, it became the palladium of the common law liberties and had a profound effect on English society and habits of thought. These ideas are the foundation of the great democracies of the contemporary world.

What hope then, does East Timor, which implements what is essentially a civil law system based on the contintental European colonial law codes, have for the triumph of the rule of just law over the caprices of the political organs of the post-independence state while there are unquestioned phenomena such as the blatant manipulation of the judicial process that is demonstrated in the media reports of President Horta's entirely inappropriate interventions in the 11 February cases?

In so far as the United Nations mission in East Timor (UNMISET) remains silent on these matters, it becomes complicit in the destruction of the constitutional principles of the rule of law and the separation of powers and will no doubt stand impotently by wringing its hands when the next collapse of the legal order in East Timor brings calamitous sufferings to the people.

Donors should be wary of contributing vast funds through UNDP to the so-called development of the fundamentally dysfunctional judicial system in East Timor that is doomed to certain relapses of the disintegration of the rule of law if the problematic behaviors of the executive in relation to the judicial system continue and respect for basic legal principles is not pursued.

One part of the solution to this problem is the strengthening and empowerment of civil society. Civil society programs that are focused on the judicial system should be prioritised by the funding agencies. Particularly, credible and established East Timorese organisations such as the Judicial System Monitoring Program (JSMP), the Rights Association (HAK) and the East Timor Lawyers Association should be strongly supported by the donors.
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East Timor Law Journal - Towards the rule of law in Timor-Leste!

http://easttimorlegal.blogspot.com/2009/02/political-interference-in-judicial.html

Companheira de Reinado diz que "Alfredo gostava muito do Presidente"

Pedro Rosa Mendes, da Agência Lusa

Díli, 08 Fev (Lusa) - Angelita Pires, ex-companheira do major Reinado, afirmou numa entrevista à Agência Lusa em Díli que "Alfredo gostava muito do Presidente da República".

Alfredo Reinado "preocupava-se muito quando tinha reuniões com o Presidente" José Ramos-Horta, recordou Angelita Pires numa longa entrevista.

"Quantas vezes o Alfredo me ligava?, 'Honey (sic) eu preciso de cinquenta dólares para comprar café e bolachas, ele (José Ramos-Horta) não pode beber água da torneira ou lá do rio'", recorda Angelita Pires.

"Alfredo estava à espera de uma resposta (no dia 10 de Fevereiro). Se ele tivesse intenções de magoar (José Ramos-Horta), poderia tê-lo feito em Maubisse, no Suai, nos distritos", nota a ex-companheira do major rebelde.

Alfredo Reinado foi morto a 11 de Fevereiro de 2008 na residência de José Ramos-Horta, em Metihaut, Díli, pouco depois de entrar no perímetro com um grupo de homens armados.

Angelita Pires, ex-intérprete e funcionária da Procuradoria-geral da República, "estudante de Direito", é co-arguida no processo aberto na sequência do ataque de Metihaut e de um outro, na mesma manhã, contra a caravana do primeiro-ministro Xanana Gusmão, a sul da capital.

Angelita Pires insiste que "Alfredo não foi a Metihaut para eliminar ninguém mas para ser eliminado". Afirma também que "o Presidente da República foi vítima da mesma conspiração".

É, no entanto, em relação ao chefe de Estado que Angelita Pires tem mais ressentimento, porque diz ter sido acusada e condenada na praça pública por José Ramos-Horta.

"Quem vai responsabilizar-se pela morte do meu filho?", pergunta Angelita Pires, que afirma ter perdido uma gravidez de "um bebé planeado com Alfredo" Reinado, em Abril de 2008.

"O Presidente da República causou-me muito sofrimento mas não sou rancorosa. Tenho que entender que ele também foi vítima e que sofreu bastante e continua a sofrer", afirmou Angelita Pires à Lusa.

"Só queria era o meu nome de volta. E a verdade", frisa Angelita Pires, que vai ser "acusada de 'low level conspiracy' (sic)" (conspiração de baixo nível), segundo informações que recebeu através da embaixada da Austrália em Díli.

Angelita Pires tem dupla nacionalidade australiana e timorense. Ambos os passaportes foram apreendidos por ordem judicial. Tem também naturalidade portuguesa.

Para Angelita Pires, "chegou o tempo de rectificar". É sua convicção que "algo se passou naquela noite" que fez Alfredo Reinado descer de madrugada da aldeia de Lauala, distrito de Ermera, a duas horas de jipe a sudoeste de Díli.

Angelita Pires, nesse domingo 10 de Fevereiro, subiu a Lauala para almoçar com Reinado e encontrou o major "nervoso" e a casa movimentada com elementos da organização MUNJ.

O major terá perguntado a esses elementos "is it on or is it off?" ("há ou não há?"), aludindo a um possível encontro com o Presidente da República, cuja caravana estava imobilizada pela chuva em Maliana (oeste).

Angelita Pires diz desconhecer tudo o resto e nega ter sido "uma má influência" sobre Alfredo Reinado.

"Isso é uma forma de lavar as mãos. Eles (os líderes) viram uma mulher e decidiram usá-la como bode-expiatório. Não digo que sou bastante atraente, mas fica tudo muito 'exciting' na imprensa", acusa Angelita Pires sobre as inúmeras histórias que circulam sobre ela.

"Escreveram que eu era uma Mata-Hari. Eu nunca dormi com qualquer político. Nunca. Sou uma pessoa muito privada", afirma a ex-companheira de Reinado.

"Muita acoisa aconteceu em 2006. Muita coisa", acrescenta..

"As F-FDTL e a PNTL foram utilizadas como instrumentos para servir ambições privadas. O Alfredo também, conforme ele contou abertamente.
Foi usado ao serviço daqueles interessados em desmontar o Governo da Fretilin. Depois foi traído", disse Angelita Pires.


"Tenho convicção de que o 11 de Fevereiro (de 2008) foi consequência de 2006", conclui a mulher que tinha "planos de casamento" com Alfredo Reinado para o final de 2008.

A Lusa não obteve resposta a um pedido de entrevista ao Presidente da República sobre o 11 de Fevereiro de 2008.

Lusa/fim

sábado, fevereiro 07, 2009

ENTRE CONVICÇÃO E PAIXÃO

6.02.2009
Por António Guterres

Actualmente vemos um Timor-leste divido entre convicção e paixão. Quando se fala da convicção fala-se do princípio, da responsabilidade e da defesa dos direitos de um povo. Sem a convicção, é impossível haver mudança, é difícil transformar uma pessoa ou mesmo uma nação, o que significa que a convicção é a chave para a transformação.

A história de Timor passou de geração para geração. Eu pessoalmente tenho um enorme respeito pelo passado. O nosso passado constitui por uma geração de coragem, uma geração que se mantém firme até hoje, quando o mundo inteiro estava contra ela. São os nossos heróis que serão lembrados para sempre. Os grandes homens são aqueles que resistem nos momentos difíceis, não aqueles que vivem sobre o sofrimento dos outros.

Após a restauração da independência, o país enfrenta uma nova realidade, essa realidade faz com que a nova geração do país dá mais prioridade à paixão do que à convicção. Quando se fala da paixão fala-se da admiração pelas pessoas independentemente do que eles fazem ou pensam. É muito triste mas é uma realidade, o país está diante uma geração que recebeu a educação baseada nas mentiras.

A paixão faz-nos esquecer quem somos nós realmente, é uma sensação que enfraquece a nossa identidade e o nosso raciocínio.

Aos irmãos e irmãs timorenses levantem-se, e lutem pela vossa convicção. O nosso direito está centralizado, falo isso porque vejo um país governado não pela convicção mas sim pela paixão.

A nossa liberdade foi uma conquista, não foi uma oferta. Foi pela convicção que vemos um Timor-leste independente, por isso, a luta continua.

Concurso de Bolsas de curta duração para projectos de investigação

EMBAIXADA DE PORTUGAL EM DILI

Infomacao Imprensa

A Biblioteca Nacional de Portugal e a Fundação Oriente promovem um concurso de bolsas de curta duração para projectos de investigação, cuja pesquisa esteja centrada nas colecções bibliográficas e noutros fundos documentais da Biblioteca Nacional, Este concurso decorre até ao próximo dia 15 de Abril de 2009.

O regulamento e a formalização de candidaturas estão acessíveis em http://www.bnportugal.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=336%3Abolsas-de-investigacao-2009&catid=37%3Aleitores&Itemid=170

Timor-Leste: PR tem "cem por cento de certezas" sobre quem disparou

Díli, 04 Fev (Lusa) - O Presidente da República de Timor-Leste tem "cem por cento de certezas" sobre quem disparou sobre ele a 11 de Fevereiro de 2008.

José Ramos-Horta identificou o atirador, sem o nomear, quando visitou a prisão de Becora, em Díli, no passado dia 26 de Dezembro, dia do seu aniversário.
"Agora tenho cem por cento de certezas, não tenho mais dúvidas", revelou o Presidente da República no regresso de uma viagem a vários países do Sudeste Asiático, há uma semana.
"É pena que esse senhor continue sem confessar", sublinhou o chefe de Estado.
A identidade do atirador tem sido matéria de polémica nos últimos meses, após a imprensa timorense e internacional indicar que seria o ex-militar Marcelo Caetano, um dos co-arguidos do caso 11 de Fevereiro.
José Ramos-Horta, porém, negou várias vezes que alguma vez tenha referido Marcelo Caetano como o homem que disparou sobre ele.
"Eu sempre desconfiei de um determinado elemento porque quando ele me apontou a arma para me apontar eu vi a cara dele", disse na semana passada.
A poucos dias do aniversário do ataque, José Ramos-Horta revelou que identificou claramente o atirador na sua visita natalícia aos presos de Becora.
É lá que está detido o ex-tenente Gastão Salsinha e os restantes co-arguidos no processo do duplo ataque do 11 de Fevereiro de 2008 contra o chefe de Estado e o primeiro-ministro, Xanana Gusmão.
"No dia (28 de Abril) em que eles se entregaram, no Palácio do Governo, eu reparei nele. Mas sempre muito prudente quando se trata de questões de justiça, não quero ser induzido em erro", explicou o Presidente.
"Às vezes, a vítima não é a pessoa mais adequada para testemunhar, até por causa das emoções", adiantou José Ramos-Horta sobre o seu silêncio quanto à identidade do atirador.
"Não vou influenciar a justiça, de forma alguma. Espero que o senhor confesse ao tribunal que foi ele e (que) explique por que o fez", insistou o Presidente da República.
"Mas repito: ao fim e ao cabo tenho pena deles", declarou José Ramos-Horta.
"Eu, quando vi o senhor Salsinha e os outros em uniforme de prisão, fiquei com pena, porque eles são pessoas pequenas. Não são graúdos. Não são pessoas que têm poder", disse o chefe de Estado.
"O problema de 2006 resultou de falhas de liderança política que causou vítima no próprio chefe de Estado. Mas eles também foram vítimas, ao terem que ser os únicos a apanhar penas de prisão", acrescentou.
Gastão Salsinha liderou em Janeiro de 2006 o movimento dos peticionários nas Forças Armadas, que meses depois resultou numa crise política, militar e institucional.
Um dos actores principais da crise foi o major Alfredo Reinado, comandante da Polícia Militar.
Em Fevereiro de 2008, Alfredo Reinado viria a protagonizar o ataque à casa do Presidente da República, com Gastão Salsinha a atacar a coluna onde seguida o primeiro-ministro.
"Por mim, como ser humano, perdoo-os. Como chefe de Estado, colaboro com a justiça para que a justiça seja feita", afirmou José Ramos-Horta.
O chefe de Estado manifestou o seu agrado com o curso da "investigação muito paciente, durante meses", conduzida pela Procuradoria-geral da República.
Ao fazer o balanço das mudanças no país, José Ramos-Horta considerou o ataque de que foi alvo "o sacrifício supremo" que permitiu a paz em Timor-Leste.
"Em muita sociedades, foram precisos acontecimentos dramáticos para que as pessoas acordassem", referiu também o Presidente timorense.

PRM.
Lusa/fim

Direitos Humanos: D. Ximenes Belo destina prémio à formação de crianças em Timor-Leste e de jovens na Indonésia

Viseu, 06 Fev (Lusa) -- O Prémio Nobel da Paz D. Ximenes Belo vai destinar o montante do galardão que recebeu hoje da Fundação Mariana Seixas, de Viseu, à formação de crianças em Timor-Leste e de jovens da Ilha das Flores, na Indonésia.

D. Carlos Filipe Ximenes Belo, bispo titular de Lorium (Itália) e administrador apostólico emérito de Díli, recebeu o Prémio Dr. João Madeira Cardoso, destinado a reconhecer e incentivar acções e obras na defesa dos direitos humanos nos países de língua oficial portuguesa.

Durante a cerimónia, em Viseu, D. Ximenes Belo considerou que o Prémio, com o valor pecuniário de cinco mil euros, foi dirigido não tanto a si mas mais "ao povo de Timor-Leste".

Nesse âmbito, anunciou que irá repartir o dinheiro, sendo uma parte destinada a 1.305 crianças de Timor-Leste e outra à construção de um centro para formação de jovens na Ilha das Flores.

D. Ximenes Belo contou que, de Timor-Leste, "chegou um pedido de que cada criança precisa de 10 euros por ano para este ano lectivo".

No que respeita à Ilha das Flores, lembrou que foi evangelizada em 1556 pelos portugueses, contando que ainda hoje "as pessoas continuam a rezar em português antigo".

O bispo timorense defendeu que, neste início do século XIX, deve haver "um compromisso de trabalho pela paz e pelos direitos humanos, especialmente na formação das novas gerações".

Lembrou que apesar da proclamação dos direitos se vive "uma dolorosa realidade de violações, ocorrência de guerras e violência de todo o tipo", como o tráfico de seres humanos, a exploração dos trabalhadores e os "rapazes soldados".

"Para a sociedade, é importante não só falar dos direitos mas sobretudo de como fornecemos formação adequada para que possam ter uma identidade pessoal", frisou.

D. Ximenes Belo defendeu que "a educação para os direitos humanos deve ser uma educação para a cidadania honesta, activa e solidária", sublinhando que "os direitos humanos são um meio para o desenvolvimento pessoal e colectivo dos povos".

Presente na cerimónia esteve o bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto, que realçou "o grande carácter" do Prémio Nobel da Paz e o considerou "um dos grandes homens do século XX e início do século XXI".
Frisando a "arma poderosíssima" que é "a força da palavra", lembrou que D. Ximenes Belo se ergueu sempre "em defesa dos oprimidos e da identidade de um povo, que estava descaracterizado".

O presidente da Fundação Mariana Seixas, Francisco Peixoto, lembrou que apesar de o regulamento do Prémio estipular que este deve ser atribuído preferencialmente a um advogado, tal não aconteceu em duas edições.
D. Ximenes Belo segue-se ao presidente da Assistência Médica Internacional (AMI), o clínico Fernando Nobre, e ao Bispo Emérito de Goiás (Brasil), D. Tomás Balduíno, que foram os primeiros a receber, ex-aequo, este prémio.

O Prémio Dr. João Madeira Cardoso - que tem o nome de um advogado já falecido que, no exercício da profissão, se distinguiu na defesa dos direitos humanos - foi instituído em 2006 pela Fundação Mariana Seixas, em colaboração com o Conselho Distrital de Coimbra da Ordem dos Advogados.

AMF.
Lusa/fim

Antiga estância turística foi Timor por uma manhã

Correio da Manhã
Vítor Mota

Os militares de ordem pública da GNR enfrentaram o arremesso de cocktails molotov durante o exercício
07 Fevereiro 2009 - 00h30

GNR: Sétimo contingente do subagrupamento bravo treina no Seixal

No meio de protestos estridentes, uma alta entidade prepara-se, escoltada por militares da GNR, para discursar à multidão. O atirar da primeira pedra desencadeia o motim, que culmina com a tentativa de esfaqueamento do político. Controlados os distúrbios, a GNR depara-se com um engenho explosivo por inactivar e com uma refém tomada num edifício abandonado.


A manhã está chuvosa e húmida, num cenário semelhante ao que a GNR trabalha, desde 2006, em Timor-Leste. Mas não estamos em Timor. Sessenta militares do sétimo contingente do subagrupamento Bravo aproveitam as ruínas da antiga estância balnear do Muxito, na Cruz de Pau, Seixal, para aperfeiçoar procedimentos. O CM assistiu ao treino de anteontem, com a partida para Díli agendada para dia 26 deste mês.

Quase todos os militares que anteontem participaram no exercício são da recém-constituída Unidade de Intervenção. Alguns deles são ‘repetentes’ em missões no estrangeiro.

O resgate da ‘alta entidade’ recria, de resto, uma situação por que a GNR já passou. Em Fevereiro de 2008 a vida do presidente timorense Ramos-Horta foi salva, ajudando depois no controle dos tumultos que varreram o país.

No Muxito, a GNR voltou a ‘salvar’ uma alta entidade. "Recriámos um cenário com a utilização das quatro valências do contingente", descreveu o capitão Nuno Simões, comandante do contingente.

OPERAÇÕES ESPECIAIS SALVAM 'SECRETÁRIA'

Salva a ‘alta entidade’, um novo problema surge para a GNR resolver. A ‘secretária’ do político foi feita refém por um manifestante encapuzado, que grita exigências ao mesmo tempo que aponta uma arma à cabeça da vítima. A solução encontrada passa por uma intervenção das forças especiais. O sequestrador está no segundo piso de um prédio abandonado. Pelas escadas sobe uma equipa de ataque, que começa as negociações. Sem que o criminoso se aperceba, uma segunda equipa desce em rapel pelo telhado do edifício, preparando-se para surpreender o alvo. A intervenção final é conjunta, com os militares que entram pela janela a disparar uma Taser, que imobiliza o sequestrador. A refém é libertada e a detenção consumada.

PATRULHAS PORTUGUESAS FIZERAM 120 QUILÓMETROS EM 8800 HORAS

Em 2008, militares de dois contingentes distintos do subagrupamento Bravo efectuaram o equivalente a 120 mil quilómetros de patrulha em Timor-Leste. Perto de 300 militares da GNR trabalharam 8800 horas no país, efectuando 110 inactivações de engenhos explosivos. "A GNR é a única força em Timor com esta valência e o trabalho é muito, já que engenhos explosivos convencionais (granadas, morteiros e minas) estão ainda espalhados pelo país", disse ao CM o capitão Nuno Simões, comandante do sétimo contingente do subagrupamento Bravo. Ainda no ano passado, os militares da GNR efectuaram 47 buscas preventivas em território timorense, formando 200 agentes da Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL).

PORMENORES

ORDEM PÚBLICA

Enquanto militares de Ordem Pública dispersam os manifestantes, elementos com formação em segurança a altas entidades colocam o ‘político’ a salvo.

COCKTAILS MOTOLOV

O dramatismo do tumulto encenado é acentuado com o arremesso de cocktails molotov. A multidão quer agredir o político.

CONVULSÕES SOCIAIS

O capitão Nuno Simões adiantou que o ambiente em Timor é agora calmo. "Outros contingentes contribuíram para acalmar a sociedade", explicou.

INACTIVAÇÃO REGRESSA

O sétimo contingente do subagrupamento Bravo volta a ter militares especializados em inactivação de explosivos. De resto, a GNR é a única força estrangeira estacionada em Timor que tem esta valência e dá formação sobre ela.

Miguel Curado

East Timor to get first shopping mall

Macau Daily Times
Saturday, 07 February 2009

The tiny Asian nation of East Timor will have its first shopping mall by the end of the year after a ground breaking ceremony was held in the sleepy capital yesterday.

East Timorese President Jose Ramos-Horta, Prime Minister Xanana Gusmao and Australian Ambassador Peter Heyward were at the ceremony to mark the beginning of the 10-million-dollar Timor Plaza project.
Ramos-Horta said the mall, which is expected to employ 300 people during construction and be 23,000 square metres (248,000 square feet) when completed, would "help this country awaken and give employment and training to the Timorese".

Developer Jape Kong Su said the development would boost the economy of one of the world's poorest countries.

"[The mall will] promote the re-emergence of local industries such as handicrafts, printing and textiles as internationally, Timor-Leste's [East Timor's] rich and diverse history, spectacular landscapes, unspoiled beaches and coastal waters are being discovered," he said in a press release.

East Timor gained formal independence in 2002 after a bloody 24-year occupation by neighbour Indonesia.

Ainda sobre o caso do Juiz Ivo Rosa - Acordão do Tribunal de Recurso

T R I B U N A L D E R E C U R S O

Acordam os juízes Maria Natércia Gusmão Pereira, Antonino Gonçalves e Jacinta Correia da Costa que constituem o Colectivo do Tribunal de Recurso o seguinte:

I - RELATÓRIO
Nos presentes autos de providência cautelar não especificada, em que é requerente
Ivo Nelson de Caires Batista Rosa,
E é requerido
o Conselho Superior da Magistratura Judicial,
veio o primeiro pedir a declaração de suspensão de eficácia da deliberação proferida pelo CSMJ a 13 de Novembro de 2008, que decidiu não renovar com o United Nations Development Programme (UNDP/PNUD), o contrato relativo ao requerente.
Para tanto, alega o requerente:
A 11 de Setembro de 2006, o requerente assinou com o UNDP uma letter of apointment pelo período de seis meses, a qual foi renovada por iguais períodos em 10 de Março de 2007 e 10 de Setembro de 2007;
Por deliberação do CSMJ, datada de 20 de Setembro de 2006, o requerente foi nomeado juiz de Tribunal Distrital, tendo tomado posse, nessa qualidade, no dia 28 de Setembro do mesmo ano;
Exerceu as funções de juiz no Tribunal Distrital de Díli até ao dia 24 de Maio de 2008;
Por deliberação do CSMJ, datada de 7 de Março de 2008, o requerente foi nomeado juiz do Tribunal de Recurso, na sequência de concurso curricular e entrevista, tendo tomado posse, nessa qualidade, no dia 23 de Maio de 2008;
Entre 28 de Setembro de 2006 e 21 de Junho de 2007, o requerente exerceu também as funções de juiz formador dos sete juízes nacionais que actualmente prestam serviço no Tribunal Distrital de Díli;
Desde 15 de Março de 2008 que o requerente é formador dos dois juízes estagiários nacionais, estando o termo do estágio previsto para o dia 15 de Março de 2009;
O CSMJ e a UNDP, a 10 de Março de 2008, celebraram um acordo denominado letter of agreement, identificado pelo número 0014955, como uma forma de implementação do Programa para o Fortalecimento da Justiça;
Nos termos de tal acordo, a UNDP assumiu, perante o CSMJ, a obrigação de proceder ao pagamento mensal do vencimento do requerente;
Também nos termos desse acordo, o CSMJ comprometeu-se a assegurar os seus melhores esforços para garantir que o recrutamento do Juiz Internacional obedeça aos mais altos padrões de eficiência, competência e integridade pessoa;
O requerente não tomou parte no referido acordo;
Desde a nomeação para o cargo de juiz do Tribunal Distrital até ao presente, o requerente sempre gozou de boa reputação técnica e moral, tendo recebido avaliações positivas por parte do Presidente do Conselho Superior da Magistratura;
No dia 21 de Novembro de 2008, a solicitação da UNDP, o Presidente do Conselho Superior da Magistratura Judicial entregou àquela o resultado da avaliação do requerente enquanto juiz do Tribunal de Recurso e juiz formador;
Nessa avaliação, o Presidente do Conselho Superior da Magistratura Judicial realçou as qualidades técnicas e humanas do requerente, afirmando a relevância das mesmas para o fortalecimento e consolidação do sistema de justiça de Timor-Leste, e solicita a extensão do contrato entre o CSMJ e a UNDP por mais 12 meses;
O requerente, enquanto juiz do Tribunal de Recurso, entre o dia 9 de Junho de 2008 e a data da propositura da presente providência, proferiu 63 acórdãos, todos dentro do prazo legal, inexistindo pendências que lhe sejam imputáveis;
A UNDP sempre reconheceu a qualidade do serviço prestado pelo requerente, e o seu contributo para o fortalecimento do sistema de justiça e consolidação do Estado de Direito;
O requerente foi o relator do acórdão proferido no Proc. n. 4/2008, que declarou a inconstitucionalidade e ilegalidade, com força obrigatória geral, de várias normas da Lei n. 12/2008, de 5 de Agosto (Lei Rectificativa do Orçamento de Estado);
Aquele acórdão foi notificado ao Parlamento Nacional no dia 13 de Novembro de 2008;
Segundo notícias publicadas na comunicação social, o CSMJ teria decidido afastar o requerente das funções de juiz do Tribunal de Recurso;
O Vice-Presidente do Conselho Superior da Magistratura Judicial, segundo declarações prestadas ao Jornal Expresso, admitiu que a decisão de afastamento do requerente foi tomada no dia da notificação daquele acórdão, sem que a questão fizesse parte da ordem de trabalhos da reunião, e sem o conhecimento de Cláudio Ximenes;
Nessas mesmas declarações, referiu o Vice-Presidente do Conselho Superior da Magistratura Judicial que “não estou a pôr em causa a competência do juiz, mas foi uma proposta de dois conselheiros e, apesar de polémica, acabou por ser votada por unanimidade”;
Na reunião do dia 13 de Novembro de 2008, deliberou o CSMJ renovar os contratos dos outros juízes internacionais que exercem funções no Tribunal de Recurso;
O CSMJ decidiu ainda solicitar à UNDP o recrutamento de um novo juiz para substituir o requerente;
Entre o requerente e o CSMJ não existe nenhum contrato de prestação de serviços a termo certo;
A decisão do CSMJ afastar o requerente do exercício da função que exerce assentou em questões de natureza política, representando uma manifesta interferência na independência dos Tribunais;
O Vice-Presidente do Conselho Superior da Magistratura Judicial é Secretário-Geral do CNRT, partido político que integra o Governo;
O Vogal do Conselho Superior da Magistratura Judicial, Cirilo Cristóvão, é assessor do Gabinete do Primeiro-Ministro;
A decisão em apreço representou uma represália ao relator do acórdão que julgou inconstitucional as normas referidas;
O requerente tem como rendimento, apenas, o vencimento que aufere por parte da UNDP;
O cumprimento da decisão em causa acarretará a imediata cessação do pagamento dos seus vencimentos, retirando-lhe o único meio de subsistência que possui;
O cumprimento da decisão implicará também que o Tribunal de recurso seja privado do número mínimo de juízes necessários ao seu regular funcionamento;
O afastamento ou substituição do requerente das funções de formador na fase final de estágios acarretará prejuízo para o processo de avaliação dos estagiários;
A manutenção dos efeitos da deliberação em causa é um factor de instabilidade do normal funcionamento do poder judicial e do Estado de Direito Democrático.

Em sede de oposição à providência, veio o Conselho Superior da Magistratura alegar, invocando as seguintes questões prévias e excepções, bem como impugnando a matéria de facto:
A providência cautelar em causa está sujeita ao pagamento de custas, não beneficiando o requerente de qualquer isenção objectiva ou subjectiva, pelo que deve o mesmo proceder ao pagamento da respectiva taxa de justiça;
O CSMJ não possui personalidade jurídica, pelo que não possui a capacidade de ser parte, não sendo uma pessoa colectiva, mas tão somente um órgão administrativo dos Tribunais;
A providência cautelar deveria ter sido proposta contra o Estado, sob representação do Ministério Público;
A letter of agreement a que o requerente se reporta tem um termo certo final, caducando nessa data, excepto se houver acordo das partes na sua prorrogação;
Ainda que a decisão do CSMJ viesse a ser suspensa, o fim do exercício das funções do requerente em Timor sempre ocorreria, pelo decurso do prazo normal de vigência daquele acordo;
As letter of agreement não são de renovação automática;
A deliberação do CSMJ é apenas um acto informativo de que não pretende exercer a faculdade de prorrogar aquele acordo;
Assim, a suspensão ou não da deliberação do CSMJ é irrelevante, por via da caducidade daquele acordo, sendo a decisão a proferir inútil;
A relação entre o juiz e o CSMJ tem natureza contratual de prestação de serviço;
Nenhuma das partes contratantes está obrigada a contratar ou a prorrogar a vigência de determinado contrato;
O Estatuto dos Magistrados Judiciais aplica-se aos juízes internacionais, com as devidas adaptações;
Assim, existe falta de interesse em agir, uma vez que a acção é inútil;
Os artigos de jornal mencionados no requerimento inicial em nada correspondem à deliberação tomada pelo CSMJ;
O nexo de causalidade entre o facto do requerente ter relatado o acórdão que declarou a inconstitucionalidade e ilegalidade de certas normas da lei rectificativa do orçamento, e a deliberação tomada pelo CSMJ, constitui pura especulação jornalística;
O processo n. 4/2008, no qual foi proferido o acórdão em causa ainda não está findo, já que o Ministério Público invocou a nulidade de todo o processado posterior à petição inicial, por falta de citação;
O acórdão em causa não produzirá qualquer efeito prático, já que a lei orçamental rectificada pela lei cujas normas foram declaradas inconstitucionais ou ilegais, cessará a sua vigência a 31 de Dezembro de 2008;
O requerente não é o primeiro juiz internacional a quem não é renovado o contrato;
A decisão do CSMJ foi deliberada por unanimidade;
A composição do Conselho Superior da Magistratura Judicial é heterogénea, não sendo aceitável que, sempre que um juiz se sente prejudicado por uma decisão do Conselho, alegue motivação política para a mesma;
Não existe qualquer incompatibilidade legal relativamente aos membros do Conselho Superior da Magistratura;
Os juízes internacionais integram provisoriamente a organização judiciária timorense;
Já antes da celebração do acordo (letter of agreement) de 2007, as decisões do requerente eram objecto de controvérsia, sem que tal tenha impedido a sua permanência em Timor;
O Tribunal de Recurso não fica impedido de funcionar na ausência do requerente, estando em curso o recrutamento de quatro juízes portugueses, que previsivelmente entrarão em funções no próximo mês;
A formação e avaliação dos juízes estagiários não ficam prejudicadas com a saída do requerente, na medida em que tais tarefas serão asseguradas pelos juízes internacionais que continuam em Timor;
É pública e notória a entrada e saída de juízes internacionais em Timor nos últimos anos, sem que se tenha colocado em causa o normal funcionamento do poder judicial e do Estado de Direito Democrático;
A conduta do requerente é objecto de comentários e controvérsia;
Apesar do requerente não ter participado na negociação e celebração da letter of agreement, aderiu ao seu conteúdo, aceitando-o;
O requerente litiga de má-fé, na medida em que não é verdade que o vencimento pago pela UNDP seja o seu único rendimento;
O requerente, desde Setembro de 2008 que aufere o seu salário em Portugal;
Sendo juiz em Portugal, terminadas as funções em Timor, regressará ao serviço naquele país.

SANEAMENTO:
O Tribunal é competente em razão da nacionalidade, da matéria e da hierarquia – art. 104, n. 1 da Lei n. 8/2002, de 20 de Setembro, na versão decorrente da Lei n. 11/2004, de 29 de Dezembro (de agora em diante mencionada como Estatuto dos Magistrados Judiciais ou EMJ).

A - Da personalidade jurídica do CSMJ
Nos termos do disposto no art. 8 do EMJ, o Conselho Superior da Magistratura Judicial é o órgão de gestão e disciplina dos magistrados judiciais, competindo-lhe nomear, colocar, transferir e promover os juízes (no que constitui uma reprodução do disposto no n.1 do art. 128 da Constituição da República Democrática de Timor-Leste – CRDTL). O elenco das demais competências do CSMJ constam, entre outros, do art. 15 do Estatuto.
O seu modo de composição consta do art. 9 do EMJ.
A forma das decisões que toma encontra-se prevista no art. 17.
O meio e processo de impugnação das suas decisões estão regulados nos art. 104 e seguintes da mesma Lei. Nos termos do disposto no art. 107, n.3 do EMJ, “Quando o recurso deva prosseguir, o relator ordena o envio de cópias ao Conselho Superior da Magistratura Judicial, a fim de responder no prazo de 10 dias e no mesmo prazo remeter o processo ao Supremo Tribunal de Justiça”.
Analisado o regime legal acima mencionado conclui-se que não há necessidade de se averiguar da natureza jurídica do Conselho Superior da Magistratura Judicial. Seja o CSMJ uma pessoa colectiva autónoma e com personalidade jurídica, seja um mero órgão do Estado representado pelo Ministério Público nos termos gerais previstos pelo art. 23 do Código de Processo Civil (CPC), a verdade é que, no processo de recurso para impugnação das decisões que toma, estabelece a lei expressamente que a parte passiva é o CSMJ, cabendo a tal órgão o direito de responder.
De todo o modo, e sem se entrar na discussão, por desnecessária, sempre se dirá que num Estado de Direito Democrático, sujeito ao princípio da separação de poderes, e onde os Tribunais constituem órgãos de soberania independentes, conforme sucede em Timor-Leste (art. 1, n.1; 69; 118, n.1; e 119, todos da CRDTL), dificilmente se poderá defender, como faz o CSMJ, que o Conselho Superior da Magistratura Judicial, dadas as competências que possui, seja um órgão da administração do Estado, a representar em juízo pelo Ministério Público.
No entanto, tenha ou não o CSMJ personalidade jurídica, para efeitos do recurso judicial de impugnação das suas decisões, tem o CSMJ personalidade judiciária.
E conforme vem disposto nos art. 10 e seg. do CPC, o pressuposto processual da acção é a personalidade judiciária e não a personalidade jurídica, sendo que todo aquele que possui personalidade jurídica tem igualmente personalidade judiciária, mas nem todo o que possui personalidade judiciária tem, necessariamente personalidade jurídica.
Sendo a presente providência cautelar um procedimento preliminar àquele recurso, tem de se considerar, necessariamente, que aquela personalidade judiciária para a acção principal se estende aos procedimentos cautelares ou executivos com ela conexos.
Logo, o CSMJ não tem razão quando afirma que a acção deveria correr os seus termos contra o Estado, mediante representação do Ministério Público.
Termos em que se julga improcedente a invocada excepção de falta de personalidade judiciária do CSMJ.
As partes dispõem de personalidade e capacidade judiciárias.

B - Da falta de interesse em agir
O CSMJ alega também que não há interesse em agir que justificasse esta providência.
Mas também aqui não tem razão.
O requerente tem interesse directo em demandar por que da procedência da providência terá como consequência a neutralização da decisão do Conselho de não lhe renovar o contrato, com todas as consequências daí resultantes. O CSMJ tem interesse directo em contradizer esta providência cautelar porque da procedência do pedido do requerente resulta a neutralização da execução da sua decisão de não renovação do contrato deste. Por isso, nos termos do artigo 29º do CPC, o requerente tem interesse directo em demandar e o CSMJ tem interesse directo em contradizer. Não se pode dizer que o requerente ou o CSMJ não tenham interesse em agir.
Existe, pois, interesse em agir, uma vez que da decisão podem resultar efeitos jurídicos úteis para a parte que a propôs.
Termos em que se julga improcedente a invocada excepção dilatória inominada de falta de interesse em agir.
*******
As partes são legítimas.
Não ocorrem nulidades, ou outras excepções, que cumpra conhecer, e que obstem a apreciação do mérito da causa.


C - Da falta de pagamento da Taxa de Justiça
Alega o CSMJ que a presente providência cautelar está sujeita a custas, e como tal, às regras de pagamento de taxa de justiça previstas pelo DL n. 15/2003, de 1 de Outubro (Código das Custas Judiciais, ou CCJ).
Não restam dúvidas que sim, tanto mais que o art. 108 do EMJ prevê expressamente o valor das custas susceptíveis de serem cobradas. Recorde-se que este artigo, embora decorra da primeira versão do Estatuto (Lei n. 8/2002, de 20 de Setembro), não foi revogado pelo Código das Custas Judiciais, nem foi revogado pela primeira alteração ao Estatuto (Lei n. 11/2004, de 29 de Dezembro). Deve portanto entender-se que as custas dos recursos de impugnação de decisões do Conselho Superior da Magistratura Judicial continuam a regular-se por aquele preceito. Importa, no entanto, averiguar se aquelas custas estão sujeitas às regras de pagamento previstas no CCJ.
Entendemos que não. Em primeiro lugar, o art. 7 do CCJ prevê como estando sujeitos ao pagamento de taxa de justiça os processos de natureza cível e os processos de natureza crime. Por seu turno, o art. 10 estipula que o preparo inicial a pagar pelas partes corresponde a 1/4 do valor total da taxa de justiça da acção.
O recurso de impugnação de determinada decisão do CSMJ não é, seguramente, uma acção de natureza cível, uma vez que as relações jurídicas susceptíveis de serem afectadas por aquelas decisões, revestem sempre natureza pública, sendo reguladas pelo direito administrativo. Logo, tais recursos, não estão sujeitos a taxa de justiça (o que aliás, é confirmado pelo já mencionado art. 108 do EMJ, que apenas se reporta às custas finais). E se assim é, não estão sujeitos ao pagamento de qualquer preparo inicial, sendo o montante global de custas fixado e pago a final, se a parte vencida não beneficiar de uma qualquer isenção subjectiva.
A presente providência, sendo um preliminar daquele recurso, segue, naturalmente, as mesmas regras de tributação (ainda que, por falta de disposição de direito processual administrativo que a preveja, se lhe apliquem as regras dos procedimentos cautelares comuns previstas no Código de Processo Civil).
Pelo que, conclui-se, a presente providência cautelar não está sujeita ao pagamento de preparo inicial.
Termos em que se julga improcedente a invocada questão prévia.

Não se vislumbram outras questões prévias que cumpra conhecer.


II - FACTOS A CONSIDERAR

Em face das posições assumidas pelas partes nos respectivos articulados, e considerando os documentos juntos aos autos, não se mostra necessário produzir mais prova, podendo conhecer-se desde já o pedido formulado – art. 310, n.1 do CPC.
Para tanto, consideram-se provados os seguintes factos:

1. A 11 de Setembro de 2006, o requerente assinou com o UNDP uma letter of apointment pelo período de seis meses, a qual foi renovada por iguais períodos em 10 de Março de 2007 e 10 de Setembro de 2007;
2. Por deliberação do CSMJ, datada de 20 de Setembro de 2006, o requerente foi nomeado juiz de Tribunal Distrital, tendo tomado posse, nessa qualidade, no dia 28 de Setembro do mesmo ano;
3. Exerceu as funções de juiz no Tribunal Distrital de Díli até ao dia 24 de Maio de 2008;
4. Por deliberação do CSMJ, datada de 7 de Março de 2008, o requerente foi nomeado juiz do Tribunal de Recurso, na sequência de concurso curricular e entrevista, tendo tomado posse, nessa qualidade, no dia 23 de Maio de 2008;
5. Entre 28 de Setembro de 2006 e 21 de Junho de 2007, o requerente exerceu também as funções de juiz formador dos sete juízes nacionais que actualmente prestam serviço no Tribunal Distrital de Díli;
6. Desde 15 de Março de 2008 que o requerente é formador dos dois juízes estagiários nacionais, estando o termo do estágio previsto para o dia 15 de Março de 2009;
7. O CSMJ e a UNDP, a 10 de Março de 2008, celebraram um acordo denominado letter of agreement, identificado pelo número 0014955, como uma forma de implementação do Programa para o Fortalecimento da Justiça;
8. Nos termos de tal acordo, a UNDP assumiu, perante o CSMJ, a obrigação de proceder ao pagamento mensal do vencimento do requerente;
9. Também nos termos desse acordo, o CSMJ comprometeu-se a assegurar os seus melhores esforços para garantir que o recrutamento do Juiz Internacional obedeça aos mais altos padrões de eficiência, competência e integridade pessoa;
10. O requerente não tomou parte no referido acordo;
11. Desde a sua nomeação para o cargo de juiz do Tribunal Distrital que o requerente tem recebido avaliações positivas do Presidente do Conselho Superior da Magistratura;
12. Por parte do UNDP foi reconhecida a qualidade do serviço prestado pelo requerente e o seu contributo para o fortalecimento do sistema de justiça e consolidação do Estado de direito;
13. No dia 21 de Novembro de 2008, a solicitação da UNDP, o Presidente do Conselho Superior da Magistratura Judicial entregou àquela o resultado da avaliação do requerente enquanto juiz do Tribunal de Recurso e juiz formador;
14. Nessa avaliação, o Presidente do Conselho Superior da Magistratura Judicial realçou as qualidades técnicas e humanas do requerente, afirmando a relevância das mesmas para o fortalecimento e consolidação do sistema de justiça de Timor-Leste;
15. O requerente, enquanto juiz do Tribunal de Recurso, entre o dia 9 de Junho de 2008 e a data da propositura da presente providência, proferiu 63 acórdãos;
16. O requerente foi o relator do acórdão proferido no Proc. n. 4/2008, que declarou a inconstitucionalidade e ilegalidade, com força obrigatória geral, de várias normas da Lei n. 12/2008, de 5 de Agosto (Lei Rectificativa do Orçamento de Estado);
17. Aquele acórdão foi notificado ao Parlamento Nacional no dia 13 de Novembro de 2008;
18. Segundo notícias publicadas na comunicação social, o CSMJ teria decidido afastar o requerente das funções de juiz do Tribunal de Recurso;
19. O Vice-Presidente do Conselho Superior da Magistratura Judicial, segundo declarações prestadas ao Jornal Expresso, admitiu que a decisão de afastamento do requerente foi tomada no dia da notificação daquele acórdão, sem que a questão fizesse parte da ordem de trabalhos da reunião, e sem o conhecimento de Cláudio Ximenes;
20. Nessas mesmas declarações, referiu o Vice-Presidente do Conselho Superior da Magistratura Judicial que “não estou a pôr em causa a competência do juiz, mas foi uma proposta de dois conselheiros e, apesar de polémica, acabou por ser votada por unanimidade”;
21. O Conselho Superior da Magistratura Judicial, constituído por Dionísio Babo, Vice-Presidente, Napoleão Soares, Guilhermino da Silva, Nelson de Carvalho, membros efectivos, e Cirilo Cristóvão, membro substituto de Dionísio Babo, decidiu em 13 de Novembro de 2008, por unanimidade, não renovar o contrato do requerente enquanto juiz do Tribunal de Recurso;
22. Na mesma reunião de 13 de Novembro de 2008 o CSMJ decidiu renovar os contratos dos outros juízes internacionais que exercem funções no Tribunal de Recurso e que constituíram com ele o Tribunal Colectivo que proferiu o acórdão mencionado supra, e decidiu ainda dar início ao recrutamento de um novo juiz para substituir o requerente;
23. O CSMJ não indicou na decisão qualquer fundamento para justificar a não renovação do contrato do requerente;
24. A letter of agreement a que o requerente se reporta tem o seu termo a 31 de Dezembro de 2008, podendo ser prorrogada se houver acordo das partes nesse sentido;
25. O cumprimento da decisão do CSMJ implicará a redução do número de juízes do Tribunal de Recurso para apenas dois e a necessidade de se desencadear o processo de selecção e recrutamento de um outro juiz em substituição do requerente;
26. Com a não renovação do contrato o requerente deixará de ser formador dos actuais dois juízes estagiários na fase final do estágio deles, fase em que o formador deveria elaborar relatório informativo acerca do desempenho dos formandos e opinativo acerca da aptidão dos mesmos para serem nomeados como juízes de direito.



III - FUNDAMENTAÇÃO DE DIREITO

1. Irregularidade na composição do Conselho Superior da Magistratura Judicial

Aplicando a lei aos factos provados, encontramos em primeiro lugar uma irregularidade na composição do CSMJ que tomou a decisão de não renovação do contrato do requerente. Com efeito Cirilo Cristóvão é apenas membro substituto do membro Dionísio Babo e, como tal, nos termos do artigo 9º, nº 3, do Estatuto dos Magistrados Judiciais, só poderá intervir em substituição deste e nos casos da sua ausência ou impedimento e nunca simultaneamente com ele. No caso Cirilo Cristóvão participou como membro do CSMJ, simultaneamente com o membro efectivo Dionísio Babo, na decisão, sem que este estivesse ausente ou impedido. O membro Dionísio Babo não se podia considerar ausente ou impedido só pelo facto de ser Vice-Presidente do Conselho ou ser substituto do Presidente; ele não estava ausente porque estava presente na reunião, nem estava impedido porque participou na decisão. A participação indevida de Cirilo Cristóvão na decisão do CSMJ de não renovação do contrato do requerente torna essa decisão um acto anulável, nos termos do artigo 52º do Decreto-Lei 32/2008, de 27 de Agosto, que estabelece as normas do procedimento administrativo.

2. Interesse juridicamente protegido

Vejamos a seguir se o requerente é titular de direito ou interesse juridicamente protegido que mereça protecção através da providência requerida.

Verificamos pelo que está provado que o requerente tem exercido primeiro as funções de juiz do Tribunal Distrital de Díli e depois as de juiz do Tribunal de Recurso e as de formador dos juízes nacionais, tendo o seu trabalho ao longo desse tempo sido avaliado positivamente pelo Presidente do Conselho Superior da Magistratura Judicial e pelo UNDP e o seu contrato sido renovado sucessivamente; apesar disso, por decisão de 13 de Novembro de 2008, o CSMJ decidiu não renovar o contrato do requerente enquanto juiz do Tribunal de Recurso e dar início ao processo de recrutamento de um novo juiz para substituir o requerente.
Sendo o contrato renovável periodicamente e por termo certo, temos que concluir que, em caso de não renovação, o contrato termina decorrido o prazo da sua vigência; por outro lado, não estando provado que tivesse sido estipulado a renovação automática do contrato, não podemos dizer que o requerente tem direito sem mais à que lhe seja renovado o contrato.
Contudo, diz o artigo 111º, nº 2, do Estatuto dos magistrados judiciais que os dispositivos deste diploma se aplicam, com as devidas adaptações, aos juízes internacionais que exerçam funções na organização judiciária de Timor-Leste. Tal quer dizer que, tirando aquelas normas que, por natureza, só se aplicariam aos juízes nacionais, as disposições desse diploma legal se aplicam também aos juízes internacionais em funções na organização judiciária timorense.
As disposições destinadas a garantir a independência e imparcialidade dos juízes aplicam-se necessariamente aos juízes internacionais.
Mais concretamente a norma do artigo 6º desse diploma que diz que “os magistrados judiciais não podem ser transferidos, suspensos, promovidos, aposentados, demitidos ou por qualquer modo mudados de situação, senão nos casos previstos neste Estatuto” também se aplica aos juízes internacionais com as devidas adaptações. Isso quer dizer que os juízes internacionais só podem ser suspensos, demitidos ou por qualquer forma mudados de situação nos casos previstos na lei; nomeadamente não podem ver cessado o exercício das suas funções por força do termo da vigência do seu contrato, caso se mantiver a necessidade e a conveniência da sua permanência na organização judiciária timorense, sob pena de se violar o princípio de inamovibilidade.
O facto de o contrato estabelecer uma duração temporal para a permanência do juiz internacional no sistema judiciário timorense não pode de maneira nenhuma conferir ao CSMJ a faculdade de, sem mais, fazer cessar o exercício de funções ao juiz internacional quando ainda se mantém a necessidade e conveniência dessa permanência e não haja outra razão que impossibilite tal permanência (como o próprio juiz não estar interessado em continuar ou não obter autorização do seu serviço de origem para continuar ou não haver verba para lha pagar). A interpretação de artigo 111º, nº 2, no sentido de que essa norma permite ao CSMJ, sem fundamento válido, decidir não renovar o contrato naqueles casos em que a permanência do juiz internacional em causa é conveniente e necessária viola o princípio da inamovibilidade dos juízes previsto no artigo 6º do Estatuto dos magistrados judiciais e no artigo 121º, nº 2, da Constituição. Tal interpretação permitiria que o exercício das funções jurisdicionais por juízes internacionais fique vulnerável a pressões e perseguições de vário género, nomeadamente, de natureza política, e que os juízes internacionais estejam em permanente risco de não verem renovado o seu contrato caso tomem decisões contrárias a interesses com influência junto do Conselho Superior da Magistratura Judicial (no caso de este órgão ser influenciável por tais interesses). Isso seria totalmente contrário ao objectivo pretendido pelo citado artigo 111º de permitir que Timor-Leste recorra a juízes não nacionais para manter o bom e regular funcionamento do seu sistema judiciário, funcionamento esse dependente necessariamente da independência e imparcialidade dos juízes que trabalham nos tribunais timorenses.
Daqui decorre que é legítimo ao juiz internacional cujo contrato chegue ao seu termo ter a expectativa jurídica de que venha a ser renovado o seu contrato, caso se mantenha a necessidade e a conveniência da sua permanência no sistema judiciário timorense.
Assim, temos que reconhecer que o requerente tem uma expectativa jurídica de ver renovado o seu contrato, considerando que a sua permanência se mantém necessária e conveniente, expectativa que, a ser violada merece a tutela do direito.

3. Falta de fundamentação da decisão

Vemos também que a decisão de não renovar o contrato do requerente não tem qualquer fundamentação.
Contudo, nos termos do Decreto-Lei 32/2008, deve constar do acto a sua fundamentação, quando necessária (artigo 42º, nº 1, alínea e), devem ser fundamentados os actos que neguem, extinguem, restrinjam ou afectem por qualquer modo direitos ou interesses legalmente protegidos ou imponham sanções, ou decidam de modo diferente da prática habitualmente seguida na resolução de casos semelhantes, ou na interpretação e aplicação dos mesmos princípios ou preceitos legais (artigo 43º, nº 1, alíneas a) e e)), a fundamentação deve ser expressa, através de sucinta exposição dos fundamentos de facto e de direito da decisão, embora possa consistir apenas em mera declaração de concordância com os fundamentos de anteriores pareceres, informações ou propostas que constituem neste caso parte integrante do respectivo acto (artigo 44º, nº 1).
É irrelevante que o CSMJ venha agora na oposição à providência indicar uma lista de razões como fundamentos da decisão que não foi fundamentada; a fundamentação deve constar do próprio acto, como diz o artigo 44º, nº 1 citado.

O CSMJ defende-se dizendo que se limitou a exercer um poder discricionário e, por isso, não tinha que fundamentar o acto.
Contudo, esse entendimento é totalmente contrário ao que diz a lei. As normas atrás citadas não excluem o dever de fundamentação dos actos praticados no exercício de um poder discricionário; pelo contrário, com consta do nº 2 do citado artigo 43º, só as ordens dadas pelos superiores hierárquicos aos seus subalternos em matéria de serviço e com a forma legal não tem que ser fundamentadas, e, mesmo aqui, só nos casos em que a lei não diz o contrário. Como diz o Professor Rui Machete citado pelo Professor Freitas do Amaral, o dever de fundamentar os actos administrativos destina-se: em primeiro lugar à defesa do particular – que só consegue estruturar cabalmente uma impugnação graciosa ou contenciosa se conhecer os motivos que levaram a Administração a decidir em determinado sentido; em segundo lugar ao autocontrolo da Administração – uma vez que o dever de fundamentação equivale a um convite à ponderação de todos os factos que possam interessar à decisão e, por outro lado, a explanação dos motivos da prática de um acto facilitam o respectivo controle pelos órgãos dotados de poderes de supervisão; em terceiro lugar à pacificação das relações entre a Administração e os particulares – posto que estes últimos tendem a aceitar melhor decisões eventualmente desfavoráveis se as correspondentes razões lhes foram comunicadas de forma completa, clara e coerente; em quarto lugar à clarificação e prova dos factos sobre os quais assenta a decisão – o que se prende com o cumprimento de exigências de transparência da actuação administrativa (v. Diogo Freitas de Amaral, em Curso do Direito Administrativo, II vol, Almedina, 2002, pág. 350 a 351).

O CSMJ alega também que, tratando-se do exercício de um poder discricionário, era livre de decidir entre renovar ou não o contrato do requerente, sem mais nada.
Mas essa concepção de poder discricionário está errada. O exercício do poder discricionário não pode ser puramente arbitrário, dependente do arbítrio da entidade decisora. Como diz o Professor Freitas do Amaral “na discricionariedade a lei não dá ao órgão administrativo competente liberdade para escolher qualquer solução, antes o obriga a procurar a melhor solução que respeite o fim da norma, antes o obriga a procurar a melhor solução para a satisfação do interesse público de acordo com os princípios jurídicos de actuação”, “a lei, ao conferir a determinado órgão um poder discricionário, não contemporiza com qualquer escolha que respeite o fim, antes deliberadamente pretende e espera que seja procurada e perfilhada aquela que, ponderados todos os factos e as circunstâncias que apenas em concreto podem ser descobertos, e observados os imperativos que decorrem dos princípios da proporcionalidade, da igualdade, da boa fé e da imparcialidade, o órgão administrativo tiver por ajustada” (v. Diogo Freitas de Amaral, em Curso do Direito Administrativo, II vol, Almedina, 2002, página 82 e 81, respectivamente).
No caso concreto, por um lado, o CSMJ decidiu não renovar o contrato do recorrente sem ponderar as circunstâncias do caso concreto. Por outro lado, considerando os factos provados, nomeadamente, que desde a nomeação para o cargo de Juiz do Tribunal Distrital até a presente data o Requerente tem recebido avaliações positivas por parte do Presidente do Conselho Superior da Magistratura Judicial, que na avaliação por parte da UNDP sempre foi reconhecido a qualidade do serviço prestado pelo requerente e o seu contributo para o fortalecimento do sistema de justiça e consolidação do Estado de Direito, que o requerente, enquanto Juiz do Tribunal de Recurso, em acumulação de funções como Juiz formador, entre o dia 9 de Junho de 2008 e o momento actual proferiu 63 acórdãos, todos dentro do prazo legal, inexistindo pendências que lhe sejam imputáveis, a melhor solução para a satisfação do interesse público seria a renovação do contrato do requerente. Considerando as referidas circunstâncias e o facto de a posição continuar a ser necessária, visto que o CSMJ ao mesmo tempo decidiu que se tomassem diligências para contratação de outro juiz para substituir o requerente, mais uma vez vemos que a decisão não foi motivada por razões de interesse público. Além disso, considerando que o CSMJ decidiu renovar o contrato aos outros dois juízes do Tribunal de Recurso sem que haja motivo para justificar essa diferença no tratamento, a decisão do CSMJ violou também o princípio de igualdade de tratamento e o princípio de justiça e imparcialidade previstos nos artigo 3º e 5º, respectivamente, do Decreto-Lei 32/2008. A decisão tomada é manifestamente arbitrária e contrária à lei que confere ao CSMJ a competência de gestão e disciplina dos juízes com o objectivo de garantir o bom funcionamento do poder judicial, nomeadamente de assegurar que os tribunais tenham juízes com preparação humana, profissional e técnica para tomar decisões com independência e imparcialidade. As circunstâncias e a forma como a decisão foi tomada permitiram que ela aparecesse aos olhos da comunicação social, e fosse por esta transmitida, como sendo motivada por razões políticas, ligadas à decisão tomada pelo requerente, o que afecta a boa imagem do próprio CSMJ enquanto órgão que tinha por obrigação garantir que os juízes não fossem penalizados pelas suas decisões de modo a exercerem as suas funções com independência e imparcialidade.

Por essas razões, é de esperar que no recurso contencioso a interpor pelo requerente venha a ser declarada a nulidade da decisão do CSMJ, nos termos dos artigos 52º e 53º do Decreto-Lei 21/2008.

4. O periculum in mora

Perante o que está provado, a execução da decisão do Conselho de não renovar o contrato do requerente, dando origem ao recrutamento de outro juiz em substituição dele, inviabilizaria irremediavelmente a realização da sua expectativa jurídica de ver renovado o seu contrato.
Por sua vez a execução da decisão do CSMJ tornaria inútil a decisão favorável que o requerente venha a obter nesse recurso. Com a execução acarretará a contratação de outro juiz para o Tribunal de Recurso e inviabilizará a renovação do contrato do requerente, tal como é sua expectativa. Isso para além de implicar a redução do número de juízes do Tribunal de Recurso para apenas dois e fará com que o requerente deixe de ser formador dos actuais dois juízes estagiários na fase final do estágio deles, fase em que o formador deveria elaborar relatório informativo acerca do desempenho dos formandos e opinativo acerca da aptidão dos mesmos para serem nomeados juízes de direito, tarefa que só poderá ser feita de forma conscienciosa e justa por quem os tivesse de facto acompanhado durante a fase do estágio.
Assim, estão preenchidos todos os requisitos previstos no artigo 305º, nºs 1 e 2, do CPC para se conceder a providência cautelar requerida.

Não há qualquer fundamento para se condenar o requerente como litigante de má fé, como é alegago pelo CSMJ.

IV - DECISÃO

Pelas razões expostas, deliberam os juízes do Tribunal de Recurso suspender a execução da deliberação do CSMJ de 13 de Novembro de 2008 que decidiu não renovar o contrato do requerente juiz Ivo Nelson de Caires Batista Rosa e desencadear o processo de selecção e recrutamento de um outro juiz para o substituir como juiz do Tribunal de Recurso.
Sem custas, visto que o CSMJ, aqui vencido e, portanto, por elas responsável, goza de isenção delas nos termos do artigo 2º, nº 1, alínea a), do Código das Custas Judiciais.
***
- Notifique o requerente, o CSMJ e o UNDP.
Díli, 31 de Dezembro de 2008

Os juízes do Tribunal de Recurso

Maria Natércia Gusmão Pereira, Presidente e Relatora

Antonino Gonçalves

Jacinta Correia da Costa

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

Dos Leitores

H. Correia deixou um novo comentário na sua mensagem "Freedom (of speech) fighter":

"East Timor's own code, which would decriminalise defamation, has not been enacted."

Nem vai. Este crime de difamação, tão maltratado pelos falsos defensores dos jornalistas durante o Governo da Fretilin, continua de pedra e cal durante o mandato da "AMP", pois serve lindamente os seus interesses. Assim mantêm-se os jornalistas calados e aqueles que não quiserem calar a boca vão parar à prisão.

Xanana já havia avisado.

Para essa gente, o Código Penal indonésio serve que nem uma luva, tal como outras coisas indonésias.

Para Ramos Horta, o Código Penal indonésio não está certamente incluído no rol da tal legislação timorense copiada da legislação estrangeira. É que o CPI É MESMO estrangeiro.

Mas pelos vistos, não o incomoda aplicar um código estrangeiro em TL, quase 7 anos depois da independência. Só as leis "copiadas". O CPI não o incomoda, pois é genuinamente estrangeiro, não é cópia. E este é que deve respeitar as "tradições timorenses"...

Este artigo resume bem o estado de impunidade e arbitrariedade que se vive atualmente em TL.

Muito oportunamente, cita as promessas que Xanana fez em 2007, que agora não passam de meras palavras ocas.

Este comportamento hipócrita já é habitual - o de fazer discursos bonitos, às vezes regados com lágrimas. Mas sabemos que depois a prática segue sempre o caminho oposto àquele que essas palavras apontavam.

Qualquer semelhança entre TL e Portugal, onde curiosamente a imprensa está também comentando um eventual caso de corrupção envolvendo o PM, é pura coincidência...

O meu abraço de solidariedade para o José Belo

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

GNR: Contingente para Díli parte no dia 26. O para Sarajevo ainda está em aprontamento

Correio da Manhã
02 Fevereiro 2009 - 00h30

Missões renovadas em Timor e Bósnia

Está pronto para partir para Timor-Leste o sétimo contingente do subagrupamento Bravo da GNR. Após quatro semanas de aprontamento, os 140 militares que integram a missão voarão para Díli a 26 deste mês. Em período de treino está ainda o terceiro contingente da missão da Guarda na Bósnia-Herzegovina, que deverá chegar a Sarajevo (capital daquele país ) na primeira semana de Abril.

A nova Unidade de Intervenção da GNR, constituída a 1 de Janeiro, dá a principal ‘fatia’ de militares para estas missões. O actual contingente sediado no bairro de Caicoli, em Díli, será rendido por 140 militares (106 operacionais e 34 elementos de apoio).

Integrado na missão das Nações Unidas para Timor (UNMIT), o subagrupamento Bravo da GNR será comandado pelo capitão Nuno Simões, um oficial de Infantaria que já tinha cumprido uma missão em Díli.

O aprontamento para a missão ocorreu em Dezembro de 2008, e os militares do sétimo contingente herdarão do trabalho das anteriores seis missões. Recorde-se que a 11 de Fevereiro de 2008, a vida do presidente Ramos-Horta foi salva pelos militares da GNR, que evitaram o homicídio do chefe de Estado e do primeiro-ministro, Xanana Gusmão.

Em fase mais atrasada de aprontamento está o terceiro contingente da GNR, que vai integrar a missão Althea em Sarajevo, Bósnia. Requisitada pela União Europeia à Eurogendfor (força europeia de polícias militarizadas), a missão Althea integra a GNR. O novo contingente, comandado pelo tenente Rui Pereira, integrará 21 militares, entre os quais estão investigadores criminais. Esta valência da GNR ajudou ao esforço nternacional para a detenção de Radovan Karadzic, criminoso de guerra sérvio-bósnio que está a ser julgado no tribunal europeu dos direitos humanos, em Haia, Holanda.

EXPERIÊNCIA A POLICIAR FUTEBOL

Nuno Miguel Oliveira Simões tem 29 anos e é capitão de Infantaria. O comando-geral da GNR escolheu-o para comandar o sétimo contingente do subagrupamento Bravo, sediado em Díli, Timor-Leste. De resto, o capitão Simões já esteve naquele país em missão, onde foi segundo-comandante de um dos contingentes iniciais do mesmo subagrupamento. Na GNR desde 2002, tem experiência no policiamento de jogos de futebol. Foi um dos oficiais destacados na operação de segurança Euro’2004 e do Europeu de Futebol de sub-21, em 2006.

UM ANO SEGUIDO EM TIMOR

Rui Miguel da Silva Pereira é tenente de Infantaria e vai comandar o 3º pelotão da GNR na missão que a Eurogendfor desempenha, desde finais de 2007, em Sarajevo, capital da Bósnia-Herzegovina. Tem 26 anos e terminou a formação na Academia Militar em 2005. Colocado no extinto Regimento de Infantaria, Rui Pereira não demorou até ter a sua primeira experiência internacional. Voluntariou-se para servir em Timor-Leste, onde trabalhou um ano seguido no subagrupamento Bravo. É recém-casado e não tem filhos.

CONDECORAÇÃO PARA 700

O presidente da República de Timor-Leste, Ramos-Horta, deve anunciar em breve a intenção de condecorar os mais de 700 militares que, desde 2006, já prestaram serviço no subagrupamento Bravo da GNR. Não foi ainda escolhido o modelo de imposição das condecorações, mas o CM apurou que, directamente, só serão impostas medalhas aos militares que, na data marcada para a cerimónia, estiverem em comissão de serviço em Díli.

Os restantes integrantes do subagrupamento Bravo, entretanto já regressados a Portugal, deverão receber as respectivas medalhas por intermédio do embaixador timorense em Lisboa. A a 26 de Fevereiro parte para Timor o sétimo contingente do subagrupamento Bravo da GNR. A missão não tem ainda fim previsto.

PORMENORES

INTENDENTE CARRILHO

Quando for empossado como chefe da Polícia das Nações Unidas em Timor-Leste, o intendente Luís Carrilho, da PSP, coordenará o trabalho da GNR no país.

NÃO HÁ RENOVAÇÕES

O comando-geral da GNR impede a renovação das comissões de serviço dos militares que se voluntariam para missões no exterior.

PORTUGUÊS NO COMANDO

A missão da Eurogendfor, na Bósnia, é desde o Verão comandada pelo coronel António Oliveira, da GNR. Antigo segundo-comandante da extinta Brigada Territorial n.º 2, o oficial superior comanda militares de vários países europeus.

Miguel Curado

Dos Leitores

Olá! Aqui estão eles (os dois temas que podem ser do vosso interesse):

1. As Bonecas de Ataúro esta semana estão em Portugal: http://bonecasdeatauro.blogspot.com

2. Vozes de digital citizens sobre internet em timor no dia do aniversario da primeira ligaçao: http://globalvoicesonline.org/2009/02/02/one-only-isp-and-one-big-digital-gap-in-east-timor/

Cumprimentos,
Sara

--BLOG: http://saritamoreira.blogspot.com
GLOBAL VOICES Author: http://globalvoicesonline.org/author/sara-moreira/

domingo, fevereiro 01, 2009

Freedom (of speech) fighter

The Age
January 31, 2009

Jose Antonio Belo Photo: Pat Scala

A crusading journalist intent on exposing official corruption faces the prospect of being sent back to the prison where he was brutalised by his country's Indonesian occupiers, writes Tom Hyland.

JOSE Antonio Belo knows a lot about prison walls, inside and out. All up, he's spent about three years imprisoned behind them. One time he was thrown onto the back of a police truck and thrashed and stomped. The beating was so violent that a witness said the truck rocked wildly, like a washing machine.

He's been shackled, hung upside down, bashed, electrocuted and burnt. Tortured.

Belo won't say much about what happened to him in jail, except this: "If you enter these places, and you get a mirror and see your face, you're not going to recognise yourself. But I am lucky. I am alive."

These days Belo is a journalist, founder and director of an East Timorese newspaper known for hard-hitting investigative reporting, the kind of reporting that now risks sending him back to jail — to the same prison, in fact, where he was once tormented.

Belo's story, like that of his homeland, is one of tragic twists and triumphant turns. It's also one of curious ironies.

What's landed him in trouble is an article published by his paper, alleging ministerial corruption in granting government tenders. One of the tenders was to rebuild the walls of Belo's former prison. Another was to provide uniforms for prison guards.


In response, he has been hit with a government-initiated charge of criminal defamation, which could lead to a jail term of up to six years.

To compound the irony, he has been prosecuted under the laws of Indonesia, the former occupiers who once persecuted Belo and his compatriots. East Timor's own penal code — which will abolish the offence of criminal defamation — has yet to be enacted.

If Belo's story mirrors East Timor's recent past, it also highlights key issues confronted by its efforts to build a democracy from the ashes of occupation. It involves corruption, press freedom and a struggling judicial system.

Belo was three years old when Indonesia invaded East Timor, then a Portuguese colony, in December 1975. Like much of the population, his family fled to the hills. The early years of the occupation were the harshest — a time of famine, bombardment and military encirclement.

At the end of the 1970s his family was captured and returned to their home town, Baucau, where Belo went to school before attending university in Dili. There he was part of the clandestine resistance movement, giving political support to the pro-independence fighters still in the mountains.

In January 1995, aged 23, he was arrested when 30 students staged a peaceful demonstration calling for the release of independence leader — and now Prime Minister — Xanana Gusmao, and to remind delegates to UN-sponsored talks between Indonesia and Portugal that the East Timorese themselves deserved a say in their future.

The demonstration was met by 200 police and soldiers and it was here foreign witnesses saw Belo thrown into the back of a police truck. He spent the next 18 months in jail.

Released, but facing continued persecution, he went back to the mountains in August 1996, where he joined guerillas led by David Alex, a famed resistance fighter and a man Belo calls "my hero".

In their mountain camps they would talk of the future and what they would do when their country was free. Belo's dream, inspired by Alex, was to become a journalist.

"In the bush we discussed our struggle and our fight, and the struggle East Timor was going to face after independence," says Belo.

"David Alex said: 'The struggle for independence is very tough, but in some ways it's also easy. The struggle to serve the people is the hardest.' "

They talked of the role of journalists: how after 1975, when six Australian-based reporters were killed by the invading Indonesian army, East Timor's story was untold, "in the darkness"; and how in 1991, filmmaker Max Stahl's footage of the Dili massacre put the country's plight "back on the map".

Belo's main task in the resistance was to act as an interpreter for visiting foreign journalists, and to smuggle out documents, tapes and videos.

His nom de guerre in the resistance was a local word for sandalwood. Just as sandalwood was a precious export from Timor, so too was the news he sent to the outside world.

Belo and Alex also talked about the plight of Indonesians, then under the Suharto dictatorship, and how they suffered because of the corruption and greed of their leaders.

So in a guerilla camp, Belo resolved that after independence he would become a journalist, "a bridge between our leaders and the people".

Freedom, at this stage, was two trying years and a final vengeful cataclysm away.

In June 1997 Indonesian troops captured Belo, while Alex "disappeared" — killed. Belo spent another year in various military detention centres.

Released, he resumed his work with the resistance and the foreign media in the run-up to the 1999 UN-organised vote on independence.

When the vote went against Jakarta, the Indonesian armed forces and their local militias took revenge, laying waste to the country and murdering up to 1500 civilians.

Belo and a handful of foreign reporters refused to be evacuated and provided graphic footage of Dili burning — footage that helped compel Australia to send an intervention force.

From late 1999 until 2006 he worked as a correspondent and cameraman with Associated Press, the ABC, SBS and Channel Seven.

In 2006, with $500 of his own money, a $1000 donation and one computer, he founded his own weekly newspaper, Tempo Semanal. Now, with rising circulation and foreign support, including from staff at Fairfax Media, it employs 20 staff.

"We focus on investigative reporting," Belo says.

"We annoyed the (former) Fretilin government and now we annoy the (current coalition) Government, and other organisations, like the World Bank and foreign embassies," he says.

"They think we're troublemakers, and the Government says we're trying to bring them down. But no, that is not what we do."

A particular focus has been widespread corruption, which spreads from the lowest levels of bureaucracy to, it appears, ministerial offices.

It's a problem acknowledged by foreign agencies, including the World Bank and watchdogs such as Transparency International, which rate East Timor among the world's worst offenders.

The story that has landed Belo in his latest trouble was published on October 12 last year.

Tempo Semanal had a page one scoop, the result of months of investigation, interviews and a stunning leak of ministerial mobile phone text messages.

The story alleged Justice Minister Lucia Lobato had improperly awarded government contracts to friends and business contacts, relating to rebuilding the walls at Dili's Becora prison and supplying uniforms to prison guards.

The story cited leaked text messages on Lobato's ministerial phone, including exchanges with a company that ultimately won the $US1 million prison wall contract. Some of the exchanges took place before tenders were officially called.

Lobato, who has denied any wrongdoing, lodged a formal complain with the prosecutor-general.

She accused the paper of violating her privacy and breaching the journalists' code of ethics, and attacked Belo, saying he was trying to bring down the Government.

On December 12 Belo received a formal notification of charges, which would be prosecuted under Indonesia's Penal Code, parts of which are still in force while East Timor's own code, which would decriminalise defamation, has not been enacted.

Prosecutors have told Belo he faces charges under articles 310, 311, and 312 of the Indonesian code. The cumulative penalty is up to six years' jail and fines.

Two weeks ago he was questioned for three hours by prosecutors, who denied him access to relevant documents and asked him to name the source of the leak.

He is unclear when the charges will go to court.

"I'm quite pessimistic about this case, because the minister has a lot of power," Belo says. "We are like an ant trying to fight against an elephant."

Belo sees the prosecution as a test of Prime Minister Gusmao's stated commitment to stamp out corruption and uphold press freedom — two issues Gusmao mentioned in his 2007 inaugural speech.

Promising to act against corruption, Gusmao vowed to create "a culture of integrity, rigour, and professionalism in public administration".

On the role of the press, he declared: "An integral part of a democratic state is the right to be informed and it is in this sense that we assume the commitment to guarantee freedom of the press and the independence of the public media, before economic and political power."

Belo says it is also a test of the independence of prosecutors and the judiciary in ending a culture of official impunity for senior figures accused of wrongdoing, including instigating the politically motivated violence that racked the country in 2006.

"In my country a chicken thief can go to prison, but those who were responsible for the deaths of people, they are having holidays in Bali and flying off abroad," he says.

He says that if he has to go to jail "I'm ready for that", but he worries about the future of his paper and the type of journalism it will produce.

"Some of my friends are starting to ask if we can do this type of story in the future. Some say we could do soft stories, so we won't get into trouble. It will cost something."

He recalls his talks in the guerilla camp with David Alex, who defined corruption as when state money disappears and the people are made poor.

"This will affect journalists very much. How will they come out with strong stories?

"And the Government? It's a test case. Will they respect or implement the freedom of the media?

"That is their commitment and promise. Or is it only like a pop singer, singing a sweet song but not really meaning it?"

quinta-feira, janeiro 29, 2009

Viatura de Xanana Gusmão atacada com fisga

Díli, 29 Jan (Lusa) - A viatura do primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, foi hoje atacada com uma fisga junto ao Palácio do Governo em Díli.

O ataque, sem consequências para Xanana Gusmão, foi confirmado à Agência Lusa por testemunhas oculares e pelo gabinete do primeiro-ministro.

“O carro foi atacado quando entrava no parque do Palácio do Governo por um homem que usou uma fisga para atirar uma pedra”, contou à Lusa uma pessoa que se encontrava no local.

O incidente aconteceu poucos minutos depois das 08:00 (23:00 de quarta-feira em Lisboa).

“O homem parecia embriagado ou com distúrbios”, acrescentou a mesma testemunha.

O atacante “foi de imediato controlado pela segurança do primeiro-ministro, levado para junto do edifício principal e espancado”, ainda segundo o mesmo relato.

Contactado pela Lusa, um porta-voz do primeiro-ministro relatou o ataque por um homem “que tinha uma fisga e um saco com pedras”.

O gabinete de Xanana Gusmão afirmou, no entanto, ignorar o espancamento do agressor pelos elementos do Corpo de Segurança Pessoal (CSP) da Polícia Nacional de Timor-Leste, e a posterior hospitalização do indivíduo.

Segundo a mesma fonte do gabinete do primeiro-ministro, “o homem tinha uma intenção, mas não sabemos qual, e é conhecido por andar aos gritos na rua e ter comportamentos desses”.

O primeiro-ministro timorense sofreu uma emboscada há um ano, 11 de Fevereiro de 2008, quando descia da estrada de Balíbar, a sul de Díli, para a capital.

Essa emboscada com armas automáticas, de que Xanana Gusmão saiu ileso, ocorreu pouco depois de um grupo liderado pelo major Alfredo Reinado atacar a residência do Presidente da República, José Ramos-Horta.

O chefe de Estado foi atingido a tiro e foi evacuado nesse mesmo dia, em coma, para Darwin (Austrália).

PRM

Lusa/fim

Traduções

Todas as traduções de inglês para português (e também de francês para português) são feitas pela Margarida, que conhecemos recentemente, mas que desde sempre nos ajuda.

Obrigado pela solidariedade, Margarida!

Mensagem inicial - 16 de Maio de 2006

"Apesar de frágil, Timor-Leste é uma jovem democracia em que acreditamos. É o país que escolhemos para viver e trabalhar. Desde dia 28 de Abril muito se tem dito sobre a situação em Timor-Leste. Boatos, rumores, alertas, declarações de países estrangeiros, inocentes ou não, têm servido para transmitir um clima de conflito e insegurança que não corresponde ao que vivemos. Vamos tentar transmitir o que se passa aqui. Não o que ouvimos dizer... "
 

Malai Azul. Lives in East Timor/Dili, speaks Portuguese and English.
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