quinta-feira, outubro 09, 2008

Discurso de S.E. O Presidente da Republica José Ramos Horta proferido no Parlamento Nacional no dia 9 de Outubro de 2008

Excelentíssimos Senhores
Presidente do Parlamento Nacional,
Primeiro-Ministro,
Presidente do Tribunal de Recurso,
Membros do Governo,
Deputados,
Autoridades Civis e Religiosas
Representante Especial do Secretario-Geral da ONU,
Membros do Corpo Diplomático e Consular,

Bem Amado Povo de Timor-Leste,
Excelências,
É com muita satisfação que volto hoje a esta Magna Casa do Povo para vos falar.
Uma nova sessão legislativa é um sinal importante do funcionamento regular das nossas instituições democráticas.
Os trabalhos do Parlamento Nacional constituem uma mensagem de confiança nas instituições e no nosso sistema político depois dos desafios exigentes que enfrentámos nos últimos anos – e que soubemos vencer com a generosa ajuda dos verdadeiros amigos do povo de Timor-Leste, em particular as Nações Unidas.
O povo sabe como trabalhámos para enfrentar a crise, porque o viu com os seus olhos, me viu perto, sentiu a minha presença física, ou as minhas frequentes comunicações ao País, nos momentos mais difíceis das suas vidas. Lembro as noites em que a nossa cidade capital estava completamente deserta, sem um único carro a circular - não se via uma única alma nesta nossa cidade, testemunha e vítima de tanto sofrimento.
Eu era a única figura solitária a percorrer a cidade, todas as noites, com o único elemento do Corpo de Protecção Pessoal que não me abandonou.
Em minha casa recebi centenas de deslocados, mulheres e crianças. Entre eles estavam também sete elementos da PNTL, da guarnição de Gleno. Entrei nos bairros em pleno fogo. Falei com as mulheres em pânico e a chorar. Falei com os jovens que incendiavam casas. Visitei os locais de recepção dos deslocados.
Percorri a nossa fronteira terrestre de Sul a Norte, inspeccionando todos os postos de fronteira, inspirando coragem e disciplina nos guardas de fronteira, estes abandonados, sem recursos.
O Estado parecia ter ruído. Estava ausente. A minha presença era a ilusão de que o Estado estava ali com o povo, em todo o lado.
A pouco e pouco o Estado reafirmou-se. Vieram as eleições de 2007. O meu irmão Xanana me persuadiu a concorrer às eleições presidenciais. Como sempre, ouvi-o. Aceitei o desafio e a cruz. Durante o período da campanha eu dizia ao povo:
“Qualquer que seja a vossa decisão nas urnas, eu serei sempre vitorioso. Se me rejeitarem, serei vencedor porque ganhei a minha liberdade. Se votarem em mim, serei vencedor porque ganhei a Presidência da Republica – e uma cruz de madeira pesada”.

O nosso bem-amado povo entregou-me a Cruz, uma pesada Cruz que hoje transporto e quero levar para o bem do país e do povo. O peso desta Cruz não parece tão grande, porque o partilho convosco, Irmãos Xanana, Fernando La Sama, Taur Matan Ruak, Lu’ Olo, Mari Alkatiri, membros do Governo, Deputados, os nossos venerados Bispos, a comunidade internacional.
No dia 11 de Fevereiro, Deus fez-me um teste. Fui baleado. Estive na fronteira entre a Vida e a Morte. Vi o Vale da Morte. Mas Deus quis que eu regressasse a Ramelau, o Monte da Vida desta grande Terra – e dali contemplei a Esperança do nosso povo.
A todos vós, com quem tenho partilhado o transporte desta Cruz só posso agradecer com sincera humildade.

Excelências,
A consolidação das condições de estabilidade no nosso amado país é a minha primeira prioridade desde que tomei posse como Presidente da República.
Defini-me como Presidente dos pobres e dentro dos limites dos poderes constitucionais reais que possuo ou que derivam da autoridade moral da mais alta função no país, tenho procurado sempre mobilizar os recursos nacionais e internacionais para a luta contra a pobreza do povo que considero ser um imperativo moral e condição “sine qua non” para a paz e a estabilidade nacionais e internacionais.
A minha preocupação em ajudar os pobres levou-me a lançar em 2000 um dos primeiros programas de micro-crédito no nosso país, o “JRH Micro-Credit for the Poor”, gerido pela NGO “Timor Aid”.
Em 2005, convidei o Prof. Muhamad Yunis, pioneiro do conceito de micro-crédito, fundador do Grameen Bank de Bangladesh, também conhecido como o Banco dos Pobres, a visitar o nosso país.
Convicto de que a luta contra a pobreza é também uma luta pela justiça e pela paz, propus o Prof. Yunus para o Prémio Nobel de Paz – prémio que ele veio a receber em 2007.
Sei que não sou o único defensor dos pobres. Os senhores Primeiro-Ministro e Presidente do Parlamento Nacional, os senhores deputados, os ilustres ex-titulares dos órgãos de soberania, a nossa Igreja e outras confissões religiosas, a sociedade civil, a comunidade internacional, estamos todos motivados pela nossa consciência de servirmos a causa dos pobres para que as centenas de milhões de pobres, no nosso país e no mundo, venham a ter uma vida melhor.

Como sabem, acabo de regressar de uma viagem que me levou a Nova Iorque para participar nos trabalhos da 63.ª Sessão da Assembleia Geral da ONU, na qual fui acompanhado pelo Sr. Ministro de Negócios Estrangeiros, Dr. Zacarias Costa.
Como sabem, temos uma Missão Permanente junto as Nações Unidas desde 2002, a qual funcionou inicialmente num espaço generosamente cedido pela Missão Portuguesa junto a ONU. A partir de 2005 pudemos arrendar um espaço próprio e digno para albergar a nossa Missão, chefiada pelo actual Vice-Primeiro Ministro Sr. José Luís Guterres, figura muito estimada por todos. Foi sucedido por um diplomata de carreira, o Sr. Embaixador Nelson Santos, o qual em pouco tempo granjeou o respeito e amizade de muitos dos seus colegas diplomatas e dos funcionários da ONU. Temos uma modesta Missão em termos de recursos humanos, mas todos são muito dedicados e competentes granjeando respeito e simpatia pelo nosso País.
A minha presença em Nova Iorque foi também a resposta a um convite do Secretário-geral Ban Ki-Moon para participar na Cimeira do Millenium Development Goals. A Sra. Ministra de Finanças Dra. Emília Pires esteve presente, tendo tido uma agenda rica com muitos contactos úteis.
A minha participação na 63.ª Sessão da Assembleia Geral da ONU, - assim como na abertura dos Jogos Olímpicos de Beijing e em outros grandes encontros internacionais em que se reúnem líderes de todo o mundo -, foi uma ocasião importante não só pelo facto de me ter dado a oportunidade de falar directamente para os representantes de alto nível presentes quando discursei na Assembleia Geral, mas sobretudo também pela oportunidade de rever velhos amigos, estabelecer novos contactos, informa-los pessoalmente dos progressos registados no nosso país e trocar impressões sobre a situação internacional, como, entre outros assuntos, a situação na Birmânia, que para Timor-Leste e os nossos vizinhos constitui uma prioridade.

Depois de Nova Iorque fiz uma visita de trabalho a Berlim para participar no programa anual da Fundação Quadriga que todos os anos reúne centenas de personalidades alemãs, de todos os sectores, assim como alguns convidados internacionais.
(Dei instruções aos meus assessores para que no prazo de duas semanas após o meu regresso ao país, seja enviado um relatório dessa viagem ao Senhor Primeiro-Ministro para distribuição a todos os membros do governo e para o Senhor Presidente do Parlamento Nacional para distribuição aos senhores deputados, em particular aos membros da Comissão B. Este procedimento aplica-se também às minhas deslocações no país).

I. Promoção do diálogo
A acção que tenho desenvolvido ao longo dos primeiros 16 meses do meu mandato de Presidente da República (assim como quando fui Primeiro Ministro nos meses muito difíceis de 2006) tem sido sempre dirigida para promover o diálogo, para resolver ou prevenir conflitos sociais e políticos no nosso país, restaurar a paz e a segurança, estabilizar as nossas instituições, sarar as feridas na nossa sociedade. Estou absolutamente determinado a continuar este caminho.
Quando olhamos para a situação no país nos anos 2006 e 2007, percebemos facilmente os passos muito positivos que já demos. O pesadelo de 2006 passou.

II. Peticionários
Vejo com satisfação que algumas soluções para resolver o problema dos peticionários, que eu próprio defendi e ajudei a negociar quando ainda exercia as funções de Primeiro-Ministro do II Governo Constitucional, estão a ser aplicadas pelo IV Governo, promovendo o equilíbrio entre o interesse dos peticionários e a necessidade de paz da grande família timorense.

III. Deslocados
No mesmo sentido, saúdo e manifesto-vos o meu apoio ao importante esforço que está a ser realizado para a normalização da vida dos timorenses deslocados das suas casas e dos seus bairros.
Os passos que estão a ser dados e que eu próprio promovi quando era Primeiro-Ministro mostram como a situação do país evoluiu, positivamente, nos últimos 16 meses.
Quero aqui felicitar o Senhor Primeiro-Ministro pelo seu empenhamento pessoal, directo, na resolução da questão dos peticionários e dos deslocados.
Uma palavra muito especial para a Senhora Ministra da Solidariedade Social, a nossa irmã Micató, pelo seu profissionalismo, generosidade e dinamismo no processo de regresso dos deslocados a suas casas e a uma vida mais digna. A nossa irmã Micató é um modelo e exemplo a seguir por todos, incluindo por mim.
Mas permitam-me aqui uma referência merecida ao excelente trabalho, dedicação e profissionalismo do ex-Ministro Arsénio Bano, que serviu comigo no II Governo Constitucional. Trabalhámos juntos quase diariamente a acudir às vítimas da violência de 2006, a desenvolver um processo de diálogo, o chamado Simu Malu, em condições extremamente difíceis. Para si, Senhor Deputado Arsénio Bano, o meu sincero agradecimento pelo que trabalho que desenvolveu em apoio às vítimas da crise.
Quero também referir o empenho dedicado e competente dos meus dois Vice-Primeiro Ministros, Eng. Estanislau da Silva e Dr. Rui Araújo, e de todos os nossos ministros, assessores nacionais e internacionais e dos funcionários públicos, os quais apesar da crise e no meio dela souberam fazer funcionar o aparelho do Estado, garantindo o funcionamento dos serviços básicos e indispensáveis em Díli e no resto do país.
Se hoje elogio o Senhor Primeiro-Ministro Xanana Gusmão pela sua dedicação, capacidade de liderança, pela sua intervenção pessoal e directa para resolver os bloqueios na governação, a forma serena como enfrentou o desafio resultante do irracional atentado de 11 de Fevereiro, não seria justo que esquecesse a acção dos membros do I e II Governo Constitucionais naqueles meses mais difíceis da nossa vida colectiva.
As condições mudaram a tal ponto que permitiram, finalmente, implementar as soluções que eu sempre propus para ultrapassar dois problemas graves, que eram problemas sociais, mas que tinham uma forte carga política e uma influência muito negativa na confiança da população, dos agentes económicos e até dos parceiros de Desenvolvimento, como o caso dos Deslocados e dos Peticionários.

IV. Defesa e Segurança
Esta mudança positiva só foi possível depois da participação empenhada, competente e cuidadosa das nossas forças de Defesa e de Segurança, apoiadas pela UNPOL e pelas Forcas Internacionais de Estabilização (ISF).
Mas igualmente e acima de tudo, mais do que os meios de intervenção repressivos, foi a nossa própria população que face aos trágicos e tristes eventos de 11 de Fevereiro disse um NÃO claro e firme à violência, contribuindo assim para este período de muita tranquilidade e segurança, de optimismo e esperança, que vemos hoje na nossa capital e nos rostos dos seus habitantes.
Os efectivos das F-FDTL e da PNTL, sob a liderança política do Senhor Primeiro-Ministro e a liderança operacional firme e profissional do comando conjunto, souberam trabalhar com grande maturidade política e com grande capacidade operacional para – quase sem disparar um tiro – isolar e depois neutralizar a ameaça à segurança após os trágicos e tristes eventos de 11 de Fevereiro.
Quero aproveitar esta oportunidade para sublinhar o meu reconhecimento aos homens e mulheres das F-FDTL, da PNTL, ao Comando Conjunto e, igualmente, ao Governo que soube promover a solução e supervisionar a sua realização, plena de êxito.
As F-FDTL e as Falintil que lhes deram origem são há mais de 30 anos um exemplo para toda a nossa nação.
O país que temos hoje nasceu da inteligência, da maturidade e da dedicação e espírito de sacrifício de milhares de homens e mulheres que fizeram a resistência. Muitos tombaram antes de ver o resultado vitorioso da sua luta, mas são hoje um exemplo e uma inspiração para todos nós. Sem todos eles, não estaríamos hoje aqui.
E mesmo depois da libertação, nos últimos 10 anos, têm sido ainda as F-FDTL a garantirem equilíbrio e segurança e paz, mesmo nos difíceis momentos das crises porque passámos.
O comandante das Falintil-FDTL, o General Taur Matan Ruak, personifica o espírito de humildade, coragem e grande seriedade que conquistaram para as forças armadas a admiração e o respeito de todos nós. Em nome do povo, quero reiterar-lhe o meu agradecimento sentido.
Temos todos de pensar no futuro e em criar ao país as melhores condições para que esta geração de militares patriotas e empenhados possa gradualmente passar o testemunho da sua capacidade e experiência à nova geração.
O sacrifício que lhes pedimos e continuamos a pedir tem naturalmente limites e estes homens e mulheres merecem usufruir de uma vida familiar e pessoal, depois de terem subordinado tudo aos interesses do país.
Mas a verdade é que essa passagem de testemunho tem de ser preparada e não se faz, nem pode fazer-se de um dia para o outro, sem um investimento e um compromisso permanente com a formação dos efectivos e os planos de modernização e desenvolvimento das nossas forças.
A urgência de desenvolver esse investimento e de prosseguir esse compromisso é um apelo que aqui deixo, como prioridade para todos os níveis do nosso Estado.
Quanto à PNTL, por outro lado, é importante lembrar que, em 2006, nem toda a PNTL em Díli se desmoronou.
Testemunhei pessoalmente a coragem de um grupo de homens e mulheres da UIR que não abandonaram os seus postos e que não se envolveram na irracional e falsa dicotomia loro monu-loro sae.
Fui visita-los ao Quartel da UIR no dia 26 de Junho de 2006. Vi-os chorar, homens e mulheres, ante a dramática situação na nossa cidade. Ao inspector Armando Monteiro que me recebeu uma palavra de reconhecimento pela atitude que soube assumir naquela altura.
Nunca esquecerei também aquele momento, como tantos outros de drama, numa noite em que visitei os feridos no Hospital Nacional Guido Valadares, homens e mulheres das F-FDTL e da PNTL, filhos do mesmo povo, ali gravemente feridos acolhidos no mesmo hospital, enquanto os seus familiares vertiam lágrimas de dor. Foi um pesadelo.
Quero elogiar também aqui o Director da Academia de Policia Inspector Júlio Ornai que soube com profissionalismo e coragem manter a Academia em pleno funcionamento e acolhendo centenas de deslocados. No dia 24 de Julho 2006, em plena crise e como Primeiro-Ministro, fui testemunhar a graduação dos agentes da Academia de Polícia. Vi a dignidade e a seriedade com que essa cerimónia foi realizada, apesar dos momentos de instabilidade e incerteza que vivíamos. Os meus parabéns ao Inspector Júlio Ornai e aos que o acompanharam e souberam enfrentar as dificuldades.
Outro bom exemplo de disciplina e de seriedade é o da unidade de reserva de polícia que se manteve no cumprimento dos seus deveres, sob a direcção do Inspector Apolinário da Purificação. A URP soube manter-se em Aileu sem divisões e responder profissionalmente aos pedidos do poder político, contribuindo dessa maneira para a segurança num momento de instabilidade.
E quero lembrar ainda os homens e mulheres dos serviços de Emigração da PNTL que não abandonaram os seus deveres e contribuíram com dedicação para manter a segurança das fronteiras e o respeito pela soberania do país. A estes e a todos os efectivos da PNTL que souberam portar-se à altura da sua farda, mesmo nos momentos mais difíceis, deixo aqui uma palavra de elogio.
A recordação destes factos, ajuda-nos a perceber como estamos hoje perante condições novas e diferentes que é muito importante saber aproveitar em favor do desenvolvimento do país e da melhoria da vida do povo.
A estabilização da situação de Segurança foi um passo essencial para criar a confiança do povo e para atrair, no futuro, o interesses e o investimento dos empresários mas não é, só por si, suficiente. É também necessária a estabilidade política.
V. Cooperação institucional
Desde que tomei posse como Presidente da República, promovi e estimulei a coordenação da acção dos órgãos de soberania na esfera do Sector da Segurança.
Eu, o senhor Presidente do Parlamento Nacional e o senhor Primeiro-Ministro acordámos num mecanismo simples e flexível de consulta sobre as iniciativas a desenvolver nesta área sensível e prioritária da vida nacional.
A experiência tem-se revelado positiva e deve continuar a desenvolver-se, em todos os aspectos da Reforma do Sector da Segurança, sobretudo, no que respeita ao Desenvolvimento das F-FDTL, de acordo com a orientação geral do Plano 2020, e à reforma, consolidação e formação da PNTL.
As novas condições de Segurança têm de ser acompanhadas de condições de estabilidade institucional ao nível do funcionamento do Estado.
Uma cooperação sã entre os órgãos do Estado é indispensável para consolidar e desenvolver a confiança no futuro do país e nas possibilidades da nossa economia por parte do povo, dos empresários e dos parceiros do Desenvolvimento.
A consolidação da confiança nas instituições do Estado é, agora, uma chave para o nosso futuro. Sem essa chave, não é possível abrir a porta do investimento, da criação de empregos e da construção de infra-estruturas que conduzam a uma melhoria real da vida do povo.
Presidente da República, Governo, Parlamento, Justiça – temos todos a responsabilidade de contribuir, em diferentes níveis e em cada passo da nossa actividade, para a estabilidade institucional e para as boas relações entre os órgãos de soberania.
Temos de trabalhar permanentemente para melhorar a comunicação entre órgãos de soberania.
Cada órgão de soberania, de acordo com a Constituição, tem as suas competências próprias. Isso, evidentemente, não está nunca em causa.
Cada um deve assumir plenamente as suas competências. Mas isso não impede o dever de uma permanente abertura ao diálogo institucional.
Os órgãos de soberania não se afirmam em competição uns com os outros. Pelo contrário, a coordenação entre órgãos do Estado é indispensável para conseguirmos obter bons resultados. As instituições ainda jovens do nosso Estado só podem afirmar-se, quando conseguirem trabalhar em conjunto ao serviço do povo.
A colaboração entre líderes e o diálogo entre órgãos do Estado são um exemplo que é necessário dar a toda a Nação. São o sinal, ao mais alto nível, da aceitação entre timorenses e do caminho da reconciliação nacional.
Esta é uma elevada responsabilidade que recai sobre cada um de nós. Saber encontrar as melhores formas de comunicação entre instituições e saber adoptar uma cultura de articulação e de humildade: essa é a única maneira de remarmos todos para o mesmo lado, para reduzir a pobreza e melhorar a vida do povo.
A credibilidade das instituições terá de ser o principal capital do Estado timorense e é esse capital que devemos em cada acto do Estado tentar acumular e aumentar.
Quero felicitar o Governo pelas iniciativas que está a promover no âmbito do combate à corrupção. Temos de ter em atenção que as alegações de corrupção aumentaram e é necessário que o governo, através das instituições existentes, investigue todas as alegações e encaminhe os respectivos resultados para a Procuradoria-Geral da República.
Essa é a forma mais eficaz de combater o fenómeno e também de combater os boatos e as insinuações de má-fé dirigidas à credibilidade dos que exercem o poder. Temos de ser inflexíveis contra a corrupção, para promover uma cultura de honestidade na sociedade, conquistar o respeito do povo e aumentar o capital de credibilidade e de rigor das nossas jovens instituições.

VI. Valorizar o Parlamento Nacional
Neste processo de consolidação e maturidade institucional, temos de valorizar cada vez mais o trabalho do Parlamento Nacional, a começar pelas condições de que os deputados da Nação dispõem para desempenhar bem as suas funções.
A melhoria das condições de trabalho e da qualidade dos seus debates prestigia o Parlamento Nacional e aumentará o respeito que a Nação sente pelos seus representantes eleitos.
Todas as iniciativas do Parlamento Nacional, em articulação com o Governo, para melhorar a qualidade do debate parlamentar, a influência dos trabalhos do Parlamento e para aumentar a consideração e o respeito do povo pelos representantes eleitos terão sempre o meu apoio.

VII. Luta Contra a Pobreza
Tenho-me batido igualmente pela convergência de vontades no campo das políticas do Estado para o alívio da pobreza e para o desenvolvimento local.
Esta é uma prioridade nacional fundamental, com impacto na Segurança, na legitimação institucional e na coesão social e nacional.
Nenhum timorense deve ficar à margem desta prioridade nacional. Esta é uma área em que o diálogo e a comunicação entre órgãos de soberania deverá desenvolver-se, rapidamente, envolvendo, o governo, o parlamento e a Presidência da República, porque não resta qualquer dúvida de que essa coordenação é essencial e indispensável para uma maior eficácia dos esforços do Estado para alívio da Pobreza.

VIII. Parlamento da Juventude
No mesmo sentido, devemos desenvolver a articulação entre órgãos de soberania em torno das políticas de Juventude. A conciliação harmoniosa entre os valores tradicionais timorenses e os valores da abertura ao mundo e da modernização da nossa sociedade requerem políticas de Juventude que mobilizem o empenhamento de todo o Estado no seu êxito. Por isso, a comunicação e coordenação de iniciativas entre órgãos de soberania nesta área serão um contributo importante para atingir bons resultados.
Estarão lembrados todos da iniciativa que lancei de promover a criação de um Parlamento da Juventude, a qual foi saudada pelo Senhores Presidente do Parlamento Nacional e pelo Senhor Primeiro-Ministro.
Agradeço aqui o apoio muito importante da UNICEF. Tem havido muitas consultas sobre este projecto o qual poderia ser inaugurado no Verão de 2009.
Um Parlamento da Juventude, eleito directa ou indirectamente por jovens, órgão que funcionaria uma ou duas vezes por ano, com a duração de duas semanas cada, seria uma excelente escola de formação de líderes para além de constituir um fórum importante de diálogo e fonte de recomendações construtivas para o Governo e Parlamento Nacionais.
Quero sublinhar de novo, que as competências próprias de cada órgão do Estado ao nível das diferentes políticas não estão em causa. Mas a convergência de esforços e de vontades entre órgãos de soberania têm um poder multiplicador nos bons resultados das políticas sectoriais e reforçam a confiança do povo na acção das instituições e dos líderes. Temos o dever de trabalhar em conjunto para não falhar.

IX. Reconciliação e Justiça
Um outro campo dos esforços para a estabilidade da nossa nação está no trabalho para a pacificação das comunidades e a reconciliação entre todos os timorenses.
Para isto devemos revisitar as várias iniciativas de reconciliação que foram sendo acolhidas em Timor-Leste, nomeadamente através de um debate sério e alargado das suas Recomendações, contribuindo para tratar de forma idêntica as situações que sejam idênticas e tratar de forma diferente as situações que sejam diferentes.
É o que a justiça (que nos faz olhar uns para os outros como iguais no mesmo destino) nos manda fazer.
A preocupação de fazer Justiça levou à criação de uma Unidade de Crimes Graves e de uma Comissão de Acolhimento, Verdade e Reconciliação.
As ofensas menos graves foram objecto do trabalho da Comissão e, portanto, do regime legal de uma justiça restaurativa, adequada para promover o bom entendimento futuro com os agraciados.
Mas as ofensas mais graves não puderam ter o mesmo tratamento sob pena de injustiça e de ser factor de desconfiança, perda de harmonia e da paz social.
A comunidade internacional acolhe e aconselha esta diferença de abordagem da Justiça e de tratamento dos diferentes tipos de ofensa.
No caso de Timor-Leste, os crimes de guerra, os crimes contra a humanidade, os homicídios premeditados e os crimes sexuais, foram enviados à Unidade de Crimes Graves criada pela UNTAET, mas não foi possível obter a colaboração das autoridades indonésias nesse domínio punitivo. Apenas foram condenados timorenses.
A UNTAET como entidade legal que administrava Timor-Leste sob mandato do Conselho de Segurança podia ter requerido a este mesmo órgão da ONU a criação de um Tribunal Internacional especial para julgar os crimes de 1999. Mas não o fez. E não o não fez pelas mesmas razoes que o Estado democrático renascido em 2002 decidiu não requerer a criação de um Tribunal Internacional para julgar os crimes de 1999 ou de 1975-1999 como tem sido exigido por alguns e como consta na longa lista de recomendações do Relatório da CAVR.
A minha postura nesta matéria já foi muitas vezes articulada e conhecida de todos. Aliás a minha postura era a politica do então Presidente da Republica e do I, II e III Governo Constitucionais e é hoje política do IV Governo Constitucional.
É importante e positivo salientar que apesar de as nossas instituições serem jovens, tem havido sentido de Estado, tem-se conseguido criar consensos, tem havido previsibilidade, continuidade e estabilidade em muitas questões de interesse nacional.
Quero aqui, uma vez mais e em definitivo, com total franqueza, repetir o que já o disse várias vezes, desde quando era Ministro de Negócios Estrangeiros: Não apoiarei a recomendação de sectores da nossa sociedade ou da CAVR para se requerer a criação de um Tribunal Internacional para Timor-Leste. Explico as razões desta minha postura.

X. A Indonésia e a transição para a democracia
O regime do Gen. Suharto que se instalou após os eventos trágicos de 1965-66 foi apoiado por todos os países do Ocidente dada a importância da Indonésia no período da guerra fria, importância estratégica acrescida, aliás, no pós-guerra do Vietname.
Como todos nós sabemos alguns dos maiores amigos e aliados do regime foram os EUA, a Inglaterra, a Austrália, a Alemanha, o Canada, o Japão.
Em 1997-1998 uma grave crise económico-financeira abalou o Sudeste Asiático, começando pela Tailândia. A Indonésia foi o país afectado mais duramente e, na sequência de manifestações estudantis, o regime do Gen. Suharto chegou ao fim, abrindo as portas para o diálogo e a resolução do conflito de Timor-Leste.
Em Maio de 1995 numa entrevista à CNN (Programa “Diplomatic Licence”, com Richard Roth) eu prognostiquei que o regime de Suharto não duraria mais dois ou três anos, e que cairia sob o peso da corrupção, da má governação e da perda de credibilidade. E o regime caiu no dia 21 de Maio de 1998.
O povo indonésio libertou-se pela segunda vez. E no dia 30 de Agosto de 1999 o nosso povo foi às urnas e - com coragem e sabedoria – votou pela independência.
As consequências trágicas dessa coragem são de todos conhecidas. Foi mais um preço que foi preciso pagar para a libertação do povo.
O povo indonésio foi vítima da Guerra Fria, assim como o nosso povo, do confronto ideológico e estratégico entre as duas super-potencias que vitimou milhões de seres humanos em muitas regiões do mundo, desde o Sudeste Asiático, à África Austral e do Corno da África à América Central.
A transição para a democracia na Indonésia foi difícil, complexa, violenta. Mas em pouco tempo a sociedade Indonésia soube ultrapassar esse período extremamente difícil e a democracia parece estar consolidada. Uma das importantes reformas na Indonésia tem sido no sector de Defesa e Segurança, verificando-se cada vez mais a limitação do poder dos militares em questões políticas e económicas.
Mas os desafios e ameaças externos e internos continuam a existir. Os movimentos extremistas e terroristas como Al Qeida e Jemal Islamiah continuam a apresentar uma ameaça ao país apesar dos sucessos alcançados pelas forças de lei e ordem.
No Timor Ocidental milhares de famílias timorenses foram acolhidas com generosidade em 1975 e depois em 1999 e ali continuam a viver em total tranquilidade. Em Java e Sumatra residem outros milhares de timorenses e mais de 4 mil estudantes.
A nossa fronteira terrestre comum é pacífica, graças à excelente cooperação entre as nossas forcas de fronteira, apesar de, no nosso lado, as condições de infra-estrutura e logística serem extremamente precárias. Devíamos até reconhecer que quem garante a segurança na fronteira para as duas partes tem sido o exército indonésio TNI.
A Indonésia retirou-se de Timor-Leste respeitando o Acordo de 5 de Maio de Nova Iorque e não porque ela tivesse sido derrotada militarmente. Os Tribunais Internacionais ad hoc foram sempre criados, e só, para julgar aqueles que foram derrotados militarmente. Isto é o exemplo dos Tribunais de Nuremberga, Tokio, ex-Jugoslávia, Ruanda, etc.
E logo a seguir à sua saída, que foi traumática para todos, os novos dirigentes indonésios imediatamente caminharam ao nosso encontro para a reconciliação e a normalização de relações.
A Indonésia não virou as costas a Timor-Leste. Podia tê-lo feito. Mas optou por uma atitude de Estado e tem procurado sempre apoiar-nos.
Por tudo o exposto, pesando as relações de extrema importância que Timor-Leste goza com a República da Indonésia e pesando todas as consequências politicas que possam pôr em causa os nossos interesses nacionais, eu sempre me opus a requerer ao Conselho de Segurança a criação de um Tribunal Internacional ad hoc para Timor-Leste.

XI. A Justiça como um Direito Colectivo
A Justiça não se realiza apenas em actos individuais. A Justiça pode ser também como um manto colectivo, que abarca toda uma comunidade, e muitas vezes só se obtém verdadeira Justiça desta forma.
A ocupação de Timor-Leste de 1975 a 1999, a repressão e os abusos, os crimes perpetrados, as cumplicidades internacionais na negação da justiça aos timorenses, constituíram actos de injustiça colectiva.
Por outro lado, em 1999, deve considerar-se que um acto de Justiça restaurativa colectiva teve lugar, com o reconhecimento pela Indonésia e pela comunidade internacional do mais elementar direito dos povos – o direito a autodeterminação. Esta é a justiça suprema – o reconhecimento e o respeito pela nossa liberdade.
Entretanto, as recomendações da Comissão de Acolhimento, Verdade e Reconciliação (CAVR) ainda não foram discutidas aqui no Parlamento Nacional, debate que importa venha a ocorrer o mais brevemente possível.

Depois uma outra iniciativa, a CVA, foi inaugurada pelo presidente Xanana Gusmão e Dr. Mari Alkatiri, pelo lado timorenses, e pelo presidente Susilo Bambang Yudhoyono, pelo lado indonésio, em 2005. Trata-se de outro processo único, inovador, corajoso, visionário de revelação da verdade e da justiça. Foi ditado pelas complexidades das situações internas de Timor Leste e da Indonésia.
A minha presença aqui hoje nesta Casa do Povo serve também para formalmente entregar ao Parlamento Nacional o Relatório Final da Comissão de Verdade e Amizade.
Este documento foi entregue aos dois Chefes de Estado, de Timor-Leste e da Indonésia, com a presença do Senhor Primeiro-Ministro e Ministros de Negócios Estrangeiros dos nossos dois países, numa cerimónia simples mas solene em Denpassar, Bali, no dia 15 de Julho passado.
Informei então a Indonésia do meu compromisso de entregar estas conclusões a este Parlamento e de promover sobre elas o mais amplo debate nacional.
É importante levar por diante um debate coordenado e sistemático sobre as recomendações que resultaram do trabalho de ambas as comissões - a CAVR e a CVA.
Ambas propõem a criação de uma instituição para o acompanhamento da implementação das suas conclusões.
Considero indispensável que esse acompanhamento seja feito de modo integrado e sistemático, se queremos que ele conduza ao curar de feridas ainda existentes na comunidade.
Eu não ignoro o cepticismo e críticas aos trabalhos da CVA, quer no plano interno, quer da comunidade internacional.
Mas, é necessário não perder nunca de vista que o relatório da CVA representa um progresso e passo muito importante no caminho das relações entre Timor-Leste e a Indonésia.
A CVA e as suas conclusões mostram, sobretudo, o caminho árduo percorrido, entretanto, pela República da Indonésia num processo de democratização desse grande país – um processo que é relevante também para nós.
O trabalho corajoso e digno da CVA é ilustrado pelas afirmações corajosas dos líderes, reconhecendo responsabilidades das autoridades, em particular responsabilidades institucionais militares e policiais.
A declaração conjunta, em que os líderes das nossas duas nações manifestaram remorso por um passado ainda recente prova o empenho, a dignidade e o esforço sincero dos dois Estados no caminho da consolidação de relações de amizade, depois de tantos anos de violência.
Devemos assim tomar com a maior seriedade e atenção as recomendações da CVA. Algumas já começaram a ser implementadas – tanto na Indonésia como entre nós.
É o caso da recomendação talvez mais importante - a reforma do sector da segurança, um projecto prioritário cuja coordenação e acompanhamento, no caso de Timor-Leste, eu próprio assumi desde o início do meu mandato.
A importância desta recomendação da CVA é central na consolidação democrática e no desenvolvimento das relações de amizade entre os nossos dois países. Ela abrange desde logo o problema da segurança nas fronteiras e do fortalecimento dos mecanismos de gestão fronteiriça.
Caminhamos para a criação de zonas de paz na fronteira entre Timor-Leste e Timor Ocidental, por recomendação da Comissão em convergência com uma ideia que venho defendendo há muito tempo.

XII. O longo caminho da Paz
Acredito, por dura experiencia própria, que a paz em qualquer região do mundo exige um processo longo e complexo, de visão, sábia liderança e muita paciência, por parte de todos os maiores interessados: não há atalhos para a paz.
Tem de ter raízes na comunidade, estar entre todos, crescer dentro de nós, nos nossos lares, nas nossas escolas, aldeias e vilas.
É deste modo que as várias tentativas de nos reconciliarmos com o passado têm sido testemunho de um bom compromisso com a construção da paz: encaremos com determinação e liberdade de palavra as recomendações da CAVR e CVA.
Já lá vai muito tempo e, agora, o nosso horizonte é o de uma caminhada para o bom entendimento e as tarefas exigentes do desenvolvimento, do investimento, do combate à pobreza e da melhoria gradual do nível de vida do nosso povo.
Povo Amado de Timor-Leste!

No sexto aniversário da Constituição da nossa República e primeiro aniversário da minha posse nas funções de Presidente, eu utilizei uma das competências que a constituição me confere – a competência para Perdoar – ao serviço deste objectivo nacional de reconciliação e de amizade, perdoando uma parte das penas que estavam a ser cumpridas por elementos das antigas milícias.
Aqueles perdões, na sequência, aliás, de outros perdões que o presidente Xanana Gusmão concedeu, foram cuidadosamente avaliados e ponderados.
Os agraciados que cumpriam penas por crimes mais graves tiveram, em todos os casos, de cumprir 8 anos de prisão consecutivos, pelo menos.
Não houve esquecimento da violência dos crimes revoltantes que alguns dos perdoados tinham cometido: em todos esses casos eles ficaram assinalados como graves violações dos direitos humanos.
Mas, infelizmente, não houve outras condenações relevantes, em especial dos principais autores da violência.
É importante julgar e condenar os autores dos crimes. Essa é a minha atitude e a minha posição, desde o início e mantenho-a.
Mas, quando falamos da reconciliação e amizade entre Timor-Leste e a Indonésia, seria Justiça não dar uma segunda oportunidade de redenção aos poucos timorenses que enfrentaram a Justiça do Tribunal e foram condenados?
Devemos lembrar-nos de que os elementos das milícias cujas penas eu perdoei foram pessoas que - ao contrário dos outros todos - pagaram alguma parte da sua dívida à sociedade.
Seria Justiça transformá-los em bodes expiatórios de todos os outros crimes que eles não cometeram e que as investigações e os tribunais deixaram até agora na impunidade?
O perdão que o Presidente da República concedeu não diminui em nada a censura pelo mal que foi feito. Mas o perdão convida a sociedade de Timor-Leste a um gesto de grandeza: desistir de vinganças, perdoar o mal que sofremos (mesmo sem o esquecer) e dar uma segunda oportunidade aos nossos irmãos desorientados.
Aquilo que os perdoados farão com esta segunda oportunidade eu não sei. Mas convido todos os timorenses a rezarem para que seja uma oportunidade de arrependimento. O resto, está nas mãos de Deus, não está nas nossas.
Às famílias das vítimas eu deixo aqui o meu testemunho de solidariedade. Eu sei o que é esse sofrimento, nenhuma família timorense – infelizmente – o desconhece, porque todas perderam entes queridos em décadas de violência e abusos.
Mas, ao mesmo tempo, peço-lhes um gesto de caridade cristã, um gesto de humildade, de perdão.
É no desafio de perdoar ao nosso irmão, que Deus mais nos põe à prova.
É difícil de aceitar. Os valores de Cristo não são fáceis de acompanhar e, se o fossem – quem sabe – não teriam o mesmo valor redentor. Mas eu apelo a todos os timorenses para fazerem esse gesto de caridade e perdão, nas suas vidas, nas suas comunidades.
Só o perdão e o fim da violência podem ajudar o nosso país a avançar e a ter um futuro melhor.
Só o perdão pode provar que a paz e a reconciliação são mais fortes que a violência.
Em todo este contexto, eis o sentido favorável do perdão presidencial que procurou ir ao encontro das necessidades da justiça que governam o sentimento do povo, que aspira a um futuro de convívio e união, ultrapassadas as fricções e as roturas do passado.
As responsabilidades depois de serem assumidas no colectivo, deixaram para trás as culpas pessoais: como lidar com justiça, então, nos poucos casos em que houve condenação, senão através do perdão?
Previno: também não podemos confundir os acontecimentos de 1999 com a crise de 2006. Nesta, há uma enorme diferença, porque não existe qualquer dever jurídico internacional do Estado de Timor-Leste julgar crimes de dimensão nacional.
Em 1999, sim, perante violências e infracções conscientes do direito internacional.
Em 2006, precisamente por não terem ocorrido eventos de tão severa gravidade, deve avançar-se séria e rapidamente para uma solução de Justiça restaurativa.
As medidas de justiça restaurativa adequam-se melhor às aspirações quotidianas da maioria, ao seu desejo de paz e tranquilidade e aos compromissos do reatar das suas vidas.
O sentimento do perdão e de reconciliação beneficia o bem comum e a felicidade dos que são nossos e nos pertencem.
Esta diferença tão clara e marcada entre a natureza dos acontecimentos de 1999 e de 2006 justifica que já não haja no presente apreensões de ordem internacional em relação a Timor-Leste. E por isso mesmo os timorenses podem dar livre curso às soluções político-sociais que preferem e que melhor correspondem ao seu sentir para refazer a sociedade que é nosso e só nosso.

XIII. Relações Internacionais
Começo por partilhar convosco as minhas preocupações sobre a grave crise económica e financeira que está a afectar os EUA e alguns países europeus. Esta é maior crise financeira desde os anos 30.
Os mercados financeiros estão em crise. Não há crédito, logo não há novos investimentos. Bancos e agências de investimento fecharam as portas. O pânico instalou-se em todos os mercados internacionais.
Esta crise vai afectar inevitavelmente as grandes economias da região como a China e a Índia. Havendo uma drástica redução de consumo nos EUA e Europa haverá afrouxamento do crescimento económico da China, Índia e outros países que tem tido um grande crescimento de para cima de 7% ano. Milhões de pessoas perderão os seus empregos. A instabilidade pode instalar-se em muitos países.
O preço de petróleo que atingiu os US$140/ barril desceu entretanto para menos de US$90.
As consequências para Timor-Leste não têm de ser totalmente negativas. A descida do preço do petróleo e a crise financeira mundial vai provocar baixa de preços de praticamente todos os produtos que nós importamos. Por outro lado, verifica-se uma pequena apreciação do dólar.
O governo tem de estar atento às implicações para o nosso país desta crise financeira e tomar medidas adicionais que visem prevenir impactos negativos maiores em Timor-Leste.
A criação do Fundo de Estabilização foi uma medida oportuna mas deve o governo ser extremamente prudente na sua gestão e aplicação. Qualquer mecanismo para a sua gestão deve envolver elementos dos partidos da oposição assim como personalidades qualificadas da nossa sociedade civil, uma vez que se trata de um instrumento especial para fazer face a circunstâncias extraordinárias e de interesse nacional.

Minhas Senhoras, meus Senhores.
O nosso país goza de relações privilegiadas com muitos países do mundo. Foi minha preocupação e missão como Ministro de Negócios Estrangeiros executar a política de Estado, traçada pelo então Presidente da República e Primeiro-Ministro, no sentido de normalizar relações com a Austrália e a Indonésia, desenvolver novas relações, com prioridade para a nossa região, mas não esquecendo a Europa e os EUA e consolidar as velhas relações com os países da CPLP, com quem construímos relações fortes. Quero reiterar aqui o reconhecimento do nosso povo pela sólida amizade com todos os irmãos da CPLP e em primeiro lugar pela ajuda generosa disponibilizada pelos nossos irmãos portugueses e brasileiros.
Do trabalho de integração do jovem Estado timorense na comunidade das nações nasceu também uma amizade com a República de Cuba, a cujos líderes agradeço a pronta disponibilidade para nos ajudarem com o conhecimento técnico sólido e solidário dos seus quadros em áreas tão importantes como a saúde pública e a alfabetização.
Timor Leste é hoje um país respeitado, firmemente alinhado com o campo da democracia e da liberdade e com relações internacionais sólidas em todos os quadrantes.
Como Presidente da República continuo a seguir a mesma política, existindo total sintonia entre o Presidente da República e o Primeiro-Ministro.
Depois da recuperação da minha saúde e de retomar as minhas funções, tenho desenvolvido um intenso programa de visitas aos países nossos amigos e aos parceiros de desenvolvimento, que com a sua assistência ajudam ao nosso desenvolvimento e contribuem para que Timor-Leste dê um salto para uma nova fase do nosso destino colectivo.
Por outro lado, assinalando de forma notável o rápido restabelecimento da normalidade e da segurança no país, Timor-Leste acolheu também importantes visitas de Estado e reuniões multilaterais igualmente importantes para o nosso futuro.
Todos estes contactos internacionais têm sido uma oportunidade fundamental para reafirmar aos nossos parceiros e amigos as prioridades do país e a manutenção do nosso rumo.
A todos tenho podido explicar que a nossa prioridade é: aliviar a pobreza, aliviar a pobreza, aliviar a pobreza.
Conseguir maior desenvolvimento e melhorar a vida do povo é o objectivo do nosso Estado, para o qual aqueles parceiros e amigos contribuem.
XIV. Austrália
Já falei da extrema importância das nossas relações com a Indonésia.
Falo agora das relações com a Austrália. Estas relações são igualmente importantes. Temos dois grandes vizinhos e bons vizinhos que muito têm feito para viabilizar o nosso Estado democrático. A Austrália é o nosso maior parceiro de desenvolvimento, orçamentando para Timor-Leste $50 milhões/ano. Alem disso mantém no nosso país, em parceria com a Nova Zelândia, outro país amigo, desinteressado, uma força de segurança cujo comportamento tem sido exemplar.
As ISF empregam mais de 300 timorenses e adquirem muitos géneros alimentícios produzidos pelos nossos agricultores.
Temos uma activa cooperação na área de defesa e segurança. A Austrália é o nosso parceiro natural nesta área.
Na área de defesa marítima, defendo que Timor-Leste, Austrália e Indonésia devem explorar formas de cooperação trilateral pois as nossas fronteiras marítimas se encontram e os nossos mares atraem actividades ilegais, as quais cada país individualmente não tem meios humanos e materiais para combater.
Mas a Austrália terá que ser mais sensível aos nossos interesses legítimos em trazer para Timor-Leste o gasoduto de Greater Sunrise.
O projecto do gasoduto não é um projecto político. É um projecto comercial e qualquer projecto comercial deve assentar em estudo técnico e económico, sério e aprofundado, com total isenção e neutralidade.
Aguardamos a conclusão dos estudos realizados pela Petronas da Malásia. Com base neste estudo Timor-Leste poderá melhor definir a sua posição e defender os seus interesses. Empresas com interesses comerciais no Greater Sunrise deveriam abster-se de fazer declarações prematuras que revelam falta de vontade de encontrar soluções mutuamente satisfatórias.
Cabe ao nosso governo e à Austrália definirem as áreas prioritárias de apoio ao desenvolvimento de Timor-Leste.
Mas atrevo-me a sugerir que um terço daquela ajuda seja investida em programas de desenvolvimento rural, como o apoio à agricultura familiar, captação de águas, melhoria das estradas que vão dos sub-distritos para os sucos, fornecimento de energia solar para as aldeias remotas e apoio a pequenos projectos de desenvolvimento comunitário como por exemplo a criação de animais.
Esta assistência poderia transformar a vida de uma grande parte da nossa população que nunca beneficiou da ajuda ao desenvolvimento.

XV. O papel da ONU
No início da crise de 2006 desloquei-me a Nova Iorque. Saí de Díli precisamente no dia 1 de Maio de 2006. No dia 5 de Maio discursei perante o Conselho de Segurança apelando para que uma nova missão mais robusta fosse activada para intervir em Timor-Leste. Não houve decisão imediata. Só em Agosto o Conselho de Segurança autorizou a UNMIT.
Dado o agravamento da situação em Díli na última semana de Maio, os líderes timorenses decidiram pedir apoio directo a alguns países amigos, a Austrália, Malásia, Nova Zelândia e Portugal, que não hesitaram e em tempo recorde (sobretudo para Portugal dada a distância de 20 mil kms) fizeram desembarcar no nosso país efectivos consideráveis para restaurar a ordem e segurança em Díli.
A presença de uma nova missão da ONU com uma forte componente policial e de forças internacionais que estavam no posso país a nosso convite exigiam um quadro legal criativo, flexível e claro, que respeitando a soberania timorense, permitisse optimizar a operacionalidade das forças no terreno, a coordenação a nível político e operacional. Houve reservas e receios. Mas a experiência destes dois anos e meio tem sido muito positiva.
Em nome do nosso povo agradeço ao Secretário-geral e através dele a toda a família das Nações Unidas pelo apoio que tem sido dado ao nosso país. O Secretário-Geral segue com atenção especial a evolução da situação no nosso país.
Através do seu Representante Especial em Timor-Leste, o nosso amigo Dr. Atul Khare, quero agradecer em especial a todos os homens e mulheres que servem em Timor-Leste sob a bandeira azul de paz da ONU, pela sua dedicação e sacrifício.
O Dr. Atul Khare e os seus colaboradores mais directos, em particular o Sr. Finn Riske Nielsen, têm sido verdadeiros amigos do nosso povo, respeitadores dos seus líderes, dedicados e profissionais, trabalhando sempre muitas horas, incluindo fins-de-semana. A todos o meu sincero agradecimento.
Depois dos grandes desafios porque passamos todos, em Timor-Leste, sobretudo em 2006 e em 2007, podemos agora concentrar-nos de novo na prioridade nacional de melhoria da vida do povo, de alívio da pobreza e de atracção do investimento e criação de emprego.
Estes objectivos só poderão ser alcançados com perdão, reconciliação, paz social, tranquilidade nas comunidades e, é claro, políticas correctas e responsáveis por parte do Estado.
Ao Presidente dos timorenses cumpre portanto assumir, promover e contribuir para aquilo que é - e só é – dos timorenses: a vida colectiva, pacífica e esperançosa de Timor Leste, no perdão, na reconciliação e no refazer dos laços ancestrais que só a nós próprios dizem respeito.
Eu trabalhei dezenas de anos para termos liberdade de opinião e crítica. Por isso, eu respeito quem tem opinião diferente da minha. Mas o respeito afirma-se pelo exemplo.
Apelo a todos os timorenses e, em primeiro lugar, aos políticos e aos líderes para saberem medir – no exercício da sua liberdade e da sua responsabilidade – as suas diferenças de opinião, as suas críticas e as suas discordâncias.
Temos todos a mais alta responsabilidade moral, na maneira como escolhemos dar o exemplo ao país e ao povo.
É por isso que o perdão como elemento da estabilidade e dos esforços para a pacificação das comunidades reconciliadas de todos os timorenses está nas nossas leis, ao darem o sinal e serem o símbolo dos valores de um povo que se quer a olhar cara a cara na amizade, na solidariedade e na justiça.
Mas no rigor e na severidade do direito, distinguindo as intensidades negativas das diferentes injúrias e das violências. Sentido de medida que é nacional e prudência que vamos buscar em sintonia com toda a historia social da paz.

País precisa de "um verdadeiro diálogo", defende D. Ximenes Belo

Valongo, 08 Out (Lusa) - O bispo D. Ximenes Belo defendeu hoje, em Valongo, que Timor-Leste precisa de "um verdadeiro diálogo" para resolver os seus problemas e aconselhou os dirigentes políticos locais a "trabalhar mais pelo povo".

"Pessoalmente tenho esperança que as coisas se resolvam com diálogo e em paz", disse Ximenes Belo à Agência Lusa, no final da conferência que proferiu na Biblioteca Municipal do Valongo, intitulada Ecos do Oriente e centrada na "situação da língua portuguesa" no antigo território português.

O prelado falou da Marcha da Paz, convocada pela Fretilin (Frente Revolucionária do Timor Leste Independente), o maior partido da oposição, para data ainda não especificada.
"Creio que o Governo e o povo timorense estão atentos", salientou, sem se alongar em grandes considerações.

O primeiro-ministro timorense é que já tomou posição sobre a marcha, tendo dito terça-feira, em Díli, que não vai permitir que surja "uma nova onda de instabilidade".

"Vamos permitir que haja manifestação porque é um direito constitucional, mas estamos preocupados com o risco de uma nova onda de instabilidade", frisou Xanana Gusmão.

O presidente timorense também já se pronunciou sobre a iniciativa anunciada pela Fretilin, a força política que venceu as eleições legislativas de 30 de Junho de 2007, sem maioria absoluta, tendo, no entanto, ficado fora do governo entretanto constituído.

"Se a Marcha da Paz é para falar de novo da alegada inconstitucionalidade do 4º Governo, é grave", comentou José Ramos Horta.

"Os problemas devem ser encarados com cabeça fria", defende D. Ximenes Belo.

"Mas por outro lado, com cabeça fria também podemos e devemos pensar que se as manifestações trazem problemas é melhor dialogar", afirmou.

Ximenes Belo é da opinião que "vai levar tempo" até haver paz na sociedade timorense.

"Há muito trauma e é preciso muita educação para que haja reconciliação, diálogo, paz e respeito pelos direitos humanos e por isso vai levar tempo", sustentou, insistindo sempre na necessidade de os dirigentes políticos locais dialogarem entre si.

Sobre a língua portuguesa em Timor Leste, tema de que se ocupou na conferência que deu em Valongo, o bispo lançou alguns avisos.

"Hoje, a implementação da língua portuguesa depara-se com muitos obstáculos, porque há sectores da sociedade timorense que são contra o seu uso", destacou.

O português, uma das línguas oficiais do país, juntamente com o tétum, compete não só com esta mas também com o indonésio e o inglês, sendo estas as "línguas de trabalho", como explicou o homem que chefiou a igreja católica timorense entre 1983 e 2002 e que, em conjunto com Ramos Horta, recebeu o Prémio Nobel da Paz em 1996.

Ximenes Belo diz que "há insuficiência de professores, de livros, de rádios" e de outros meios de difusão da língua portuguesa.

"Exige-se maior empenhamento dos governantes de lá, de Timor-Leste" na divulgação e promoção da língua portuguesa, defendeu também, especificando que o indonésio ainda prevalece porque "tem uma estrutura mais fácil do que o português".

A boa notícia é que "o governo timorense actual quer que até 2.012 todos os professores usem a língua portuguesa" nas suas escolas.

AYM.
Lusa/Fim

Chefe das Forças Armadas e ex-ministro pretendem rejeitar imunidade

Noticias Lusófonas

O chefe das Forças Armadas e o ex-ministro da Defesa de Timor-Leste pretendem ser inquiridos no processo de entrega de armas em 2006, "rejeitando" a sua alegada imunidade, afirmou hoje à Agência Lusa um dos seus advogados.


A equipa de defesa do Estado-Maior alega que "a imunidade nem sequer existe neste caso e neste momento do processo".

"A troca de declarações entre a Procuradoria-geral da República (PGR) e a Presidência da República não faz sentido", adiantou a mesma fonte à Lusa.

"Por isso e porque não têm nada a esconder, Taur Matan Ruak e Roque Rodrigues querem ser ouvidos no processo das armas de 2006", declarou à Lusa um dos seus advogados.

O Brigadeiro-General Taur Matan Ruak, chefe do Estado-Maior-general das Falintil-Forças de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL) e o ex-ministro Roque Rodrigues são indicados como suspeitos no relatório final da Comissão Especial Independente de Inquérito (CEII) para Timor-Leste.

A CEII recomenda a abertura de uma investigação judicial a várias pessoas ligadas à distribuição de armas, incluindo o CEMGFA e o ex-ministro.

Três oficiais superiores do Estado-Maior timorense foram já inquiridos pelo Ministério Público no caso da entrega de armas a civis em Maio de 2006: os coronéis Lere Anan Timor e Falur Rate Laek e o major Mau Buti.

A PGR pediu há quatro meses à Presidência da República o levantamento da imunidade de Taur Matan Ruak e Roque Rodrigues, membros do Conselho Superior de Segurança e Defesa Nacional (CSSDN).

"Este facto não impede que eles sejam ouvidos, como se tem dito", explicou à Lusa um dos advogados que defende os oficiais das F-FDTL neste caso.

"A imunidade dos membros do CSSDN existe apenas quando existe uma acusação e este processo ainda não chegou sequer a essa fase, pois está ainda na fase de inquérito", salientou a mesma fonte.

"Só quando e se houver uma acusação definitiva é que a imunidade deverá ser levantada", acrescentou o advogado, citando a lei que cria e regula o CSSDN.

"Mesmo nessa situação, quem levanta a imunidade é o CSSDN, não é o Presidente da República", argumenta ainda o advogado das F-FDTL e de Roque Rodrigues.

O jurista explicou também que "os membros da CSSDN estão imunes das suas opiniões emitidas enquanto elementos do Conselho".

No entanto, relativamente a outros crimes que venham a cometer, os membros do CSSDN "podem ser presos em flagrante delito ou quando são acusados de crimes com pena superior a três anos de prisão".

Nestes casos, é o tribunal que pode levantar a imunidade.

Em Maio de 2006, tanto Taur Matan Ruak como Roque Rodrigues eram membros do CSSDN por inerência de funções. Actualmente, o ex-ministro da Defesa está no Conselho por nomeação presidencial.

Roque Rodrigues, que está na Presidência da República no âmbito do Grupo de Trabalho para a Reforma do Sector de Segurança, deverá abordar com o chefe de Estado, José Ramos-Horta a questão do processo das armas.

Aguardava-se hoje ainda um encontro, não anunciado oficialmente, do chefe de Estado com o CEMGFA.

José Ramos-Horta defendeu terça-feira que "há outras prioridades do Procurador-geral da República e da nação" que não passam pelo processo da entrega de armas.

"As recomendações de uma comissão internacional não são necessariamente vinculativas ao Estado timorense", sublinhou também o Presidente da República.

quarta-feira, outubro 08, 2008

DOM XIMENES BELO DEFENDE USO DO PORTUGUÊS EM TIMOR

08/10/2008 11.38.56

Dili, 08 out (RV) - O Administrador Apostólico Emérito de Díli, dom Ximenes Belo, afirmou ontem, em Valongo, que Timor-Leste precisa de um diálogo verdadeiro para resolver seus problemas e aconselhou os dirigentes políticos locais a trabalharem mais por seu povo.

“Espero que as coisas se resolvam com diálogo e em paz”, disse dom Ximenes Belo, no final de palestra na Biblioteca Municipal de Valongo. “É preciso muita educação para que haja reconciliação, diálogo, paz e respeito pelos direitos humanos, e por isso vai levar tempo”, afirmou, insistindo sempre na necessidade de os dirigentes políticos locais dialogarem entre si.

Em seu pronunciamento, “Ecos do Oriente” o bispo abordou a situação da língua portuguesa no ex-território português: “Hoje, a implementação da língua portuguesa encontra muitos obstáculos, porque setores da sociedade timorense são contrários a seu uso”, advertiu. Além do português, uma das línguas oficiais do país, em Timor fala-se o tétum, o indonésio e o inglês, considerados ‘línguas de trabalho’ - explicou o bispo, que liderou a Igreja católica em Timor entre 1983 e 2002 e que recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1996, com José Ramos Horta.

Dom Ximenes Belo disse também que há insuficiência de professores, livros, rádios e de outros meios de difusão da língua portuguesa. Ao mesmo tempo, a boa notícia é que o governo timorense atual - anunciou - quer que até 2012 todos os professores usem a língua portuguesa nas escolas. (CM)

UNMIT-MEDIA

(International news reports and extracts from national media. UNMIT does not vouch for the accuracy of these reports)

Govt should reshuffle the cabinet now, says President of PSD - Suara Timor Lorosae, 7 October

Social Democrat Party’s President Mário Viegas Carrascalão said Monday(6/10) that it is now the time for the government of the Majority Parliamentary Alliance to reshuffle the cabinet as it has ruled for more
than one year.

“To my point of view, it is already more than a year and one year assessment would be enough to know who works well and who don’t,” said Carrascalão.

“Those who don’t work well should be substituted because there are a lot of capable Timorese out there,” he added.

Carrascalão stressed that it is the responsibility of the Prime Minister to reshuffle his cabinet.

He added there are some ministers who do not work well and if the reshuffle is done by the Prime Minister, the Prime Minister himself would fall down together with such ministers.

MP Adérito Hugo of CNRT said that reshuffle of cabinet is a normal thing in any government in the world and he thinks that it is also the right time to reshuffle the cabinet.

Meanwhile President of the National Parliament, Fernando de Araújo ‘La Sama’ said that it is the competence of the Prime Minister to reshuffle his cabinet.

F-FDTL – PNTL should avoid personal interest, says Brigadier Ruak - Timor Post, 7 October

Timorese Defense Force Commander, Brigadier General Taur Matan Ruak has called on the country’s security forces, the Timorese Defense Force (-FDTL) and National Police (PNTL) to put national interest as their top priority, so that stability within the country could remain calm.

The commander said if both F-FDTL and PNTL’s works were strengthened and that stability of the country could be reached, people would move forward with the development.

Ruak therefore said the two country’s security forces ought to take responsibility by restoring peace and stability.

Ruak was referring to the current rumors mongering that there would be another petition makers appeared within the police force if the
Government would not appoint candidate from the country’s west.

He added during the recent meeting at the office of Foreign Ministry, he had spoken to the two security forces’ commanders and other officers to cooperate well and should prioritize national interest.

Zero tolerance to violence, says Defense Secretary - Suara Timor Lorosae, 7 October

East Timor’s Secretary of State for Defense, Júlio Tomás Pinto, said Monday (6/10) that the East Timor’s National Police (PNTL) will have a maximum collaboration with the East Timor’s Defense Force (F-FDTL) to guarantee the security for the forthcoming peace march and the two institutions will employ zero tolerance to violence during the march.

He also added that the government would not allow violence to happen from any group or any party as the people want stability in the country.

“I hope that the activity of the party will not negatively affect the stability of the country.

He also stressed that it is the responsibility of the party organizing peace march to ensure stability of the country and that the party has to work closely with law enforcement institutions in mobilizing the people for the peace march.

State secretary blames Manitoba Company over power outage - Timor Post, 7 October

State Secretary for Electricity, January Pereira, said the blackout of city power in the capital was the responsibility of the Manitoba
Company, because this company was the one that supplied fuel for the power.

The state secretary said the Manitoba Company had no proper policy in providing electricity to the residents in the Capital Dili.

Pereira denied the recent allegation by the MPs in the Parliament that the outage of power was 100% the Government’s fault.

“We cannot do anything, as based on the contract made by the former government with Manitoba Company, the government has no right to put hands into the works of the company,” He added.

Police in pursuit of an arson suspect: Police officer - Televizaun Timor-Leste, 7 October

Dili district police are currently chasing up a suspect who has set blaze to the internally displaced people’s camps in Matuana of Vilaverde, suburb of the Capital Dili.

Police officer, Alarico Cristovão said the police was currently investigating this case and would try to arrest the suspect.

Cristovão said they were little bit late responding the situation and the victims had escaped to safer places.

An IDP, Jose Henrique said he was shocked with the incident and asked the Government for a help by looking at problem they were facing.

He added the arson had left two wounded and they were now living in Audian with their relatives.

Immigration police officers detain foreign nationals - Radio Timor-Leste, 7 October

Timorese Police Operation Commander, Mateus Fernandes, said the police immigration officers have detained 28 of foreign nationals at the bars in the Capital Dili, because they have no proper travel documents and
involving in prostitution.

The commander said his police officers detained those foreign nationals, as they also missed used their visa for doing other things.

Fernandes added the suspects were currently being detained in the police station for investigation purposes.

Fretilin to mobilize mobs about 200.000 - Diario Nacional, 6 October

Deputy Prime Minister Jose Luis Guterres, said every citizen in the country had the right to express their opinions and hold rally, yet should follow the law being applied in the country.

Guterres was referring to Fretilin’s plan of mobilizing mobs to hold peace really in the capital Dili in the upcoming November.

According to information, Fretilin would mobilize 200.000 mobs throughout the country to hold long march urging responsibility of the Government led Prime Minister Xanana Gusmão during the office tenure.

“For me all people have the right to express their thoughts and hold long march as laws allow it,” Guterres said.

PNTL has not got official request from FRETILIN - Suara Timor Lorosae, 7 October

PNTL’s Operational Commander Inspector Mateus Fernandes said Monday (6/10) that up to date there is no official request from the Fretilin party to the PNTL in relation to the upcoming peace march.

“We see the issue as a rumor because there is no formal letter yet for us”, said Fernandes. He added that once they get the letter, the PNTL will call the organizing committee to decide on the venue for the march.

He explained that everyone has the right to demonstrate and the police are ready to provide security but it has to be in accordance with the applicable laws.

Meanwhile, Fretilin bench leader at the National Parliament Aniceto Guterres said that it is the responsibility of the government along with
PNTL and F-FDTL to ensure security for those who want to stage peace march.

However, he added that it is not correct for the government or any of security and defense institution to threaten people to attend such peace march.

Marcha da Paz da FRETILIN

NINGUÉM DEVE ESTAR ACIMA DA LEI
LA IHA EMA IDA BELE TU’UR IHA LEI NIA LETEN


Artº1 da Constituição da RDTL diz o seguinte:
Artº 1 Konstituisaun RDTL hatete:

“A RDTL é um estado de direito democrático……….”
1. “RDTL estadu direitu demokrátiku…. “

Artº. 42 – Liberdade de reunião e de manifestação
Artº 42 – Liberdade ba halibur no halo manifestasaun

A todos é garantida a liberdade de reunião pacífica e sem armas, sem necessidade de autorização prévia.
1 Hotu-hotu iha liberdade ba halao reuniaun ho dame, la kaer kilat, no la presiza husu autorizasaun molok halao knaar ne’e.

A todos é reconhecido o direito de manifestação, nos termos de lei.
2. Hotu hotu iha direitu ba halo manifestasaun, tuir lei.

Artº 70 Partidos políticos e direito de oposição
Artº70 Partidus polítikus no direitu ba opozisaun

2 É reconhecido aos partidos políticos o direito à oposição democrática…..
2 Partidus polítikus iha direitu ba halo opozisaun…..


No noticiário da TVTL, em língua portuguesa, de 7 de Outubro de 2008, extraí o seguinte comentário de Sua Excia. o Presidente da República, Dr. Ramos Horta

“…se a alegada Marcha da Paz é para ser politizada, partidarizada, trazer novos receios, eu, como , Presidente da República, rejeito totalmente”.

Iha notisiáriu TVTL , iha lian tetun, tatoli iha loron 7 Outubro 2008, Prezidenti Repúblika, Dr. Ramos Horta, koalia hanesan ne’e:

“…atu halo Marcha de Paz, maibé atu sai fali Marcha Partidária, atu kritika IV governu nia konstitusionalidade, ne’e hau sei la simu…”


Tendo em conta as leis em vigor no nosso país , Sua Excia, o Presidente da República não tem o direito de proibir os outros cidadãos de expressarem as suas aspirações desde que façam nos termos da lei.

.
A FRETILIN é um partido político com maturidade política estando assim ciente da sua responsabilidade de cumprir as leis e de contribuir para a paz e a estabilidade no nosso país.

Espero que Sua Excia. reconsidere a sua posição tendo em conta as leis vigentes no nosso país.

Tuir lei ne’ebé iha iha ita nia rain, SuaExcia. Prezidente Repúblika la iha direitu ba hasai sidadaun sira seluk nia direitu atu ható sira ninia aspirasaun, bainhira halao tuir lei.

FRETILIN , partidu ida ho maturidade polítika ne’e duni hatene ninia responsabilidade atu hakru’uk ba lei no kontribui ba paz no estabilidade iha ita nia rain.

Hau hein katak PR sei rekonsidera nia pozisaun tuir lei ita nia rain nian.


Filomena de Almeida
Militante FRETILIN

JN - Xanana diz que não permitirá instabilidade

http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Mundo/Interior.aspx?content_id=1023734

00h30m

O primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, afirmou, esta terça-feira, em Díli que não vai permitir "uma nova onda de instabilidade em Timor-Leste" como a crise de 2006. Xanana Gusmão referia-se à realização da Marcha da Paz, anunciada pela Fretilin, o maior partido da oposição, para data ainda não especificada.

"Vamos permitir que haja manifestação porque é um direito constitucional, mas estamos preocupados com o risco de uma nova onda de instabilidade", afirmou Xanana em conferência de Imprensa. "Não vou autorizar nova onda de instabilidade e era isso que queria dizer quando falei à população em Ainaro", no sudoeste do país, no passado dia 28 de Setembro, explicou o primeiro-ministro.

Xanana Gusmão foi acusado a semana passada pelo presidente da Fretilin, Francisco Guterres "Lu Olo", de ameaçar a população com "cadeia" se alguém viesse até Díli para participar na Marcha da Paz. Ontem, Xanana clarificou as suas declarações e o contexto em que foram proferidas. "Rejeito a acusação", respondeu o chefe de Governo. "Dirigi-me à população e aos grupos de artes marciais, como sempre fiz", disse.

Xanana acrescentou que a sua declaração foi deturpada e deu o exemplo de quando se dirige directamente a oficiais da Polícia Nacional. "É como quando eu digo aos inspectores que, se os apanho outra vez com pistolas nas lutas de galos, os mato a todos. É claro que não quero dizer que os vou matar, mas que os vou sancionar", explicou o primeiro-ministro.

Timor - Literacy and governance - Bob Boughton reports

http://vensol.blogspot.com/2008/05/timor-literacy-and-governance-bob.html

Bob Boughton, senior lecturer in Adult Education has just returned from Timor Leste where he goes regularly as a government consultant for their Adult Literacy campaign. While the campaign was showing signs of great promise Bob sees progress hamstrung by sudden switches in government policy on the administrative side of things. The campaign has gone backward since Xanana's AMP colition initiated a restructuring of the Public Service. Bob was also in Timor Leste when the Social Democrat party split, and announced its commitment to support Fretilin in the next elections.

FRETILIN Statement in national Parliament: Opening of Gender Study Centre and International Rural Women's Day

Fretilin Media

Translation of Statement by FRETILIN Parliamentary Group Secretary, Josefa Pereira dos Santos MP, on the occasion of the Ceremony to Open the Centre for Gender Studies in the National Parliament, and International Rural Women's Day Celebrations, National Parliament,

Dili, 7 October 2008.

Mr. President of the National Parliament,

Distinct Members,

Invited Guests to this Parliament,

Dear Fellow Women Representatives of Sucos and Suco Councils,

All Guests invited to this Parliament.

FRETILIN would today like to express our appreciation to the efforts, which the National Parliament has made to establish the Centre for Gender Studies and also the opening of the International Day for Rural Women.

The whole world is dedicating this special day to rural women, but we hope that this does not merely become a theme for the calendar as "dead words" but that useful programs are implemented to improve the lives of women.

Despite having attained equality of rights before the constitution, many times women who make up to 75% of the population in rural areas in Timor-Leste, are still neglected, treated as an inferior class and are marginalized, are not given due importance for their existence; but many times their existence merely becomes a project to increase the interests of some groups.
FRETILIN in this parliament maintains the principle of the struggle for emancipation of the woman in all its aspects, which began in 1975 with the emergence of OPMT (Timor-Leste Womens' Popular Organization). Because of this FRETILIN welcomes all programs that contribute to the improvement of the rights and conditions of rural women.

It is true that rural women are yet to fully attain, know, to be informed of their rights. Their lives are in a pessimistic condition, in economic, social and cultural terms, and still exist under oppression from the patriarchic cultural system they live under. These are big challenges for the full implementation of the CEDAW Convention.

These practices have an extremely negative impact on their lives and on attempts to improve their lives.

This highlights the need to undertake studies and promote the participation of men in sharing the load in the everyday lives of the traditional family, starting from children at school, so as that we can put into practice what we term "Gender Equality".

Finally, FRETILIN, in this parliament, as a sovereign institution, we cannot just talk, but we have to actually do what is necessary to implement the CEDAW Convention. Because recently a serious allegation of sexual harassment by a fellow woman in her workplace. We demand that the Office of the Secretary of State for the Promotion of Equality provide assistance to the victim to attain the justice she is entitled to.

All of us, men and women alike, express our support and solidarity for women in remote areas of our country, in the efforts to eliminating all forms of discriminations that presently persists in our communities.

Thank you.


FOR MORE INFORMATION PLEASE CONTACT JOSE TEIXEIRA ON +670 728 7080

terça-feira, outubro 07, 2008

Polícias instados a deixarem as armas no quartel

Oct 6, 2008 8:53 PM
TVNZ

A Polícia de Timor Leste recebeu ordens para criar ‘postos de controlo’ e para intensificar as patrulhas oficiais, a fim de evitar que os funcionários policiais continuem a levar as armas para casa, depois dos crescentes sinais de tensão naquela força policial.

Foi ordenada uma operação policial que visa a busca de armas ilegais em automóveis, com o objectivo de fazer com que os agentes policiais deixem de levar as suas armas para casa, ilegalmente, quando não estão de serviço.


Esta ordem surge na sequência de um folheto inflamatório, posto a circular, apontando para um reacendimento das tensões regionais entre os funcionários policiais, semelhante à brecha que se abriu entre as forças armadas, há dois anos, e que culminou nas acções de violência e morte já conhecidas.


Timor-Leste foi dilacerado, em 2006, quando as tensões Leste-Oeste provocaram profundas divisões nas forças armadas, que desencadearam uma onda de violência da qual resultaram 37 mortes e cerca de 150.000 deslocados.


O folheto ameaça com acções "contra o governo" se alguém do Leste de Timor-Leste for nomeado como comandante da Polícia Nacional.


O Comandante interino da polícia, Afonso de Jesus, disse hoje que os polícias haviam sido expressamente avisados, para se certificarem de que os funcionários não estavam a levar as suas armas para casa.


"O regulamento em vigor ordena que, quando os polícias cessam as suas funções, as suas armas devem ser depositadas no arsenal", disse Afonso de Jesus. Contudo, alguns vão para casa e continuam a levar as armas consigo."

Foi dada uma ordem, aos polícias operacionais, exigindo a criação dum posto de verificação perto da residência do Secretário de Estado da Segurança, que foi incumbido da nomeação do novo comandante da polícia.


A Polícia da ONU dizia, na semana passada, que estavam a tomar muito a sério o aparecimento do folheto e que iriam tentar confirmar a sua fonte.

"Estamos atentos a qualquer informação, independentemente da sua classificação," afirmou o comandante da polícia da ONU Juan Carlos Arevalo.


O Grupo de Crise Internacional (ICG), afirmou na semana passada que o folheto era "profundamente preocupante".
"Como vimos antes, se deixamos avolumar esse sentimento de discriminação e ressentimento, podem advir daí sérios problemas", disse a analista do ICG, em Timor-Leste, Anna Powles.

Foram ainda detectados outros sinais da existência de problemas no seio da força policial.

Recentemente, membros da Unidade ‘Task Force’ ameaçaram com uma greve, baseada numa disputa salarial, originando um confronto acalorado na Sede da Policia.


E o Procurador-Geral Longuinhos Monteiro revelou, na semana passada, que Afonso de Jesus, o comandante interino da polícia, estava a ser interrogado relativamente a questões disciplinares.


Fonte: AAP
Tradução livre de: LenaLorosae

AS TRÊS IRMÃS TRANCADAS

por Carlos Correia Santos

Essa é a história esquisita de três irmãs que viviam trancadas em casa. Altiva, Irana e Solita. Três criaturas realmente estranhas. O maior sonho que acalentavam? Chegar ao patamar de seres mais sábios do mundo. Por isso, viviam reclusas. Não queriam perder tempo com as bobagens da vida. Viviam cercadas por pesquisas e mais pesquisas. Pesquisas sobre como ficar mais e mais inteligentes. Pesquisas sobre como vencer seus concorrentes. Estudos sobre segredos para o sucesso.

Altiva passava o tempo inteiro com o queixo erguido. Só se interessava pelas informações que vinham do alto de suas estantes. Não olhava nunca para baixo. Não admitia nada que viesse de um nível inferior. Irana enchia-se de ira quando era interrompida em suas leituras. Gritava. Bradava. Não suportava ter de parar suas preciosas consultas para fazer qualquer outra coisa. Solita, por sua vez, pedia sempre para ficar só. Detestava ter que dividir suas descobertas. Odiava partilhar.

Três irmãs estranhas que só queriam uma coisa: sabedoria! Viviam tão mergulhadas em suas próprias idéias que não ouviam. Sim, não ouviam as batidas que se repetiam na porta trancada. Desde que se recolheram ali, alguém passava horas sem fim batendo à porta daquela assustadora casa. Alguém que queria entrar e se juntar a elas. Mas as três faziam questão de não ouvir. Havia tempo em que as batidas se tornavam nervosas. Havia tempo em que eram frágeis. Noutros, alegres. Em outros mais, tristes, muito tristes. Altiva, Irana e Solita ignoravam. Não davam a mínima. Não davam a menor importância. Tanto insistiu a quarta criatura, tanto bateu que, um dia, puiu a madeira e a porta desabou.

As irmãs apenas então resolveram perceber a situação. Tomaram um grande susto diante do incidente. Apenas então viram. Viram que quem passara estas épocas todas batendo e batendo era uma mulher com longuíssimos cabelos brancos. Cabelos que caiam pelos pés e faziam pelo chão rios de idéias, conceitos e noções. Uma mulher inteira vestida com fatos, circunstâncias e ideais. Uma mulher tão idosa quanto o universo e, ainda assim, aparentemente tão jovem quanto uma criança que ainda nem nascera. As irmãs olharam para aquela outra com fascínio e perguntaram num só tom de voz: “Quem és tu, belíssima?”. A outra sorriu inteligências e respondeu com luz: “Eu sou quem vocês tanto queriam encontrar. Sou a Sabedoria”.

Em meio a profundo espanto e emoção, o trio voltou a falar em uníssono: “Entre, portanto. Venha ser nossa companheira por todo o destino”. A Sabedoria de novo riu. Agora, no entanto, com mistério e poemas. Riu e disse: “Só fico com quem me abre a porta. A porta do coração. Não permaneço com quem se perde por si mesmo e não me ouve”. E foi-se a Sabedoria. Para nunca mais voltar.

*Carlos Correia Santos é poeta, contista e dramaturgo, autor selecionado no Edital Curta Criança do Ministério da Cultura e premiado pela Funarte na categoria teatro infanto-juvenil.

Contatos: carloscorreia.santos@gmail.com / contista@amazon.com.br

Relíquia de Santo Antônio é levada a franciscanos do Timor

Díli, 5 out (Lusa) - Um fragmento do osso do braço direito de Santo Antônio está desde sábado num convento franciscano na capital do Timor Leste, afirmou à Agência Lusa o padre Vítor Melícias.

Segundo o sacerdote português, o fragmento "foi retirado do osso do braço segundo todas as regras e é a maior relíquia que os franciscanos têm".

A relíquia permanece desde sábado no Convento de São Francisco de Fatuberliu, em Alas, Manufahi, no sudoeste do país, depois de uma cerimônia dirigida pelo bispo de Díli, Alberto Ricardo da Silva.

A oferta da relíquia teve como pretexto a instalação no Timor Leste da Fundação de Santo Antônio de Lisboa, explicou Vítor Melícias.

Há atualmente três frades franciscanos em Díli, no bairro de Becora, um deles timorense (que é o superior) e dois brasileiros.

Melícias ressaltou que a oferta tem especial significado porque a evangelização do Timor começou com um frade franciscano, frei António Taveira, que chegou a Oécussi em 1556 e batizou os primeiros timorenses com o sobrenome "da Cruz".

O sacerdote, que é o superior dos franciscanos portugueses desde abril de 2007, foi nomeado há um mês como delegado-geral da Ordem para a Fundação de Santo Antônio de Lisboa e é nessa qualidade que visita o Timor Leste.

O ex-comissário português para Apoio à Transição no Timor Leste se encontra na segunda-feira com o primeiro-ministro, Xanana Gusmão, e visita um terreno para possível construção de um novo imóvel para os franciscanos no país.

Santo Antônio, com o nome de batismo de Fernon Martin di Bulhon y Tavera Azeyedo, nasceu em Lisboa em 1195 e morreu em Pádua, na Itália, em 1231.

Na cidade italiana, está a outra relíquia de Santo António, "a língua incorrupta", como lembrou o padre Vítor Melícias.

sábado, outubro 04, 2008

FRETILIN MPs denounce threats by Prime Minister

FRENTE REVOLUCIONÁRIA DO TIMOR-LESTE INDEPENDENTE
FRETILIN
Media Release
Dili, 3 October 2008

On September 28, 2008, Timor Leste's de facto Prime Minister, Xanana Gusmao, declared in Ainaro that a proposed 'March of Peace' sponsored by the largest party in the parliament, FRETILIN, would be crushed when it arrived in Dili. FRETILIN's leadership denounced this threat as illegal and dictatorial, in a media conference in Dili yesterday.

The Prime Minister's threat was also broadcast nationwide on radio and television. His exact words were: "I hear that you from here are preparing a March of Peace to Dili. I will wait for you there, and put you all in jail!"

FRETILIN President Francisco (Lu Olo) Guterres said, "I and many who heard those threatening words simply wish to ask why Mr Gusmao feels the need to threaten people who wish to demonstrate their political conviction and express their constitutional rights to undertake a march with totally peaceful intentions, to show peace, with a spirit of democracy.

Why are they the subject of threats from our nation's leaders to 'put you in jail'?"

"I remind Mr Gusmao that according to our Constitution, in a state under the rule of law, it's not he who 'puts people in jail'", said Mr Guterres. "In a democratic state under the rule of law, only a court of law can 'put people in jail' and then only if it is proven in a court that they have breached the law. But it is certainly not the Prime Minister, or even the President or a Liurai (traditional feudal King) who can just do so because that is his wish. Not even the Army or the Police or the UN Police can jail anyone without a court order or warrant, and then only if the law is being broken.

"Only in a dictatorship like the old Portuguese Colonial dictatorship and the Suharto regime can a Prime Minister simply jail people without a trial as he wishes. But not in a sovereign, constitutional and democratic Timor-Leste," declared Guterres.

Clause 42 of the Constitution of the RDTL gives everyone the freedom and right to demonstrate within the law. Timor-Leste has ratified the UN Charter and Conventions that also guarantee these rights and freedoms.

According to Guterres, the people persistently demand the Peace March to affirm Peace and Democracy and Justice in the country. "It is a March that, when it happens, will be peaceful, in a spirit of democracy, respecting the rights of other citizens and the law and all State institutions," he said.

"The planned Peace March by FRETILIN, its allies and communities, will be done to take this country in a better direction, not as our history shows, especially in 2006, to mobilize people to take this country in a worse direction.

"We ask all relevant State institutions to assure that those participating in a lawful Peace March will be able to so exercise their rights and freedoms without threats of incarceration, and especially call on the police to protect them as they do so," Guterres insisted.

"We ask the State, especially the government, not to politicise the police against the people who wish to march in the planned March of Peace, because we also heard last Saturday the de facto Prime Minister in Ainaro say that 'I have told the police that I will not permit any small group to lie to the people'. FRETILIN is not a small group of people, but whether the group is large or small, we all have a right to lawfully carry on our political activities," said Guterres.

He argued that the people feel the need to reaffirm a democratic state under the rule of law because in just one year the country had fallen more and more towards a dictatorship, with increasing breaches of human rights.

Guterres noted the arrest and beating of journalists, and the arrest without warrant of Opposition MPs, during the state of siege following the shootings on February 11 this year, and the recent repression of student protests about the state budget and the purchase of luxury 4WD Prados for MPs. So far there has been no substantive response to the reports on these violations by the Ombudsman for Human Rights and Justice.
"So these are not just threats from our recent experience," noted Guterres.

Guterres urged national leaders not to threaten the people with jail, and not to use words like 'cannons', 'armored tanks', or 'battalions', which the Prime Minister used in his Ainaro speech. "It is better if you all start to speak of the constitution, peace, democracy, tolerance, freedom, justice, the rule of law and the rights our people have to live in peace and express their political views free from fear or threats," Guterres said.

Guterres also asked people not to be affected by the threats against their rights. "When all of us walk this lawful path of peace and democracy, there will be no jail big enough to incarcerate us all," he concluded defiantly.

For information contact:

José Teixeira MP +670 728 7080
Nilva Guimarães (media officer) +670 734 0389

FRETILIN sublinha não alterar planos da Marcha da Paz

Jornal da Madeira / Internacional / 2008-10-03

Em Díli nos próximos meses

A FRETILIN "não muda uma vírgula" no plano de realizar a Marcha da Paz em Díli nos próximos meses, segundo afirmou, ontem, o presidente do maior partido da oposição, Francisco Guterres "Lu Olo".

O líder da FRETILIN respondeu, em conferência de imprensa, a declarações do primeiro-ministro, Xanana Gusmão, num discurso em Ainaro, a 28 de Setembro.

"Lu Olo" acusou Xanana de ter dito à população que "tinha ouvido que se preparava a Marcha da Paz" para Díli, mas que "não valia a pena" as pessoas descerem à capital.

"O primeiro-ministro disse que estaria à espera de quem se manifestasse e que os meteria a todos na cadeia", acusou o líder da FRETILIN.

Agência Lusa

quinta-feira, outubro 02, 2008

PARLAMENTO DE TIMOR-LESTE DESEJA ESTABELECER COMISSÃO DE VIGILÂNCIA ANTI-CORRUPÇÃO

COMUNICADO DA FRETILIN


1 de Outubro de 2008

O aumento alarmante da corrupção a nível do governo em Timor-Leste provocou uma reacção imediata de vários partidos que pretendem assim criar uma comissão de vigilância que possa lutar contra a corrupção na administração pública.

O maior partido de Timor-Leste no Parlamento, FRETILIN, anunciou hoje que iria associar –se a outros partidos e até mesmo alguns deputados dos partidos no governo para apoiar a criação de uma comissão parlamentar para combater a corrupção.

O Parlamento debateu ontem sobre o agravamento da corrupção a nível do governo após a publicação do relatório da Transparency International sobre o Índice Global de Corrupção de 2008.

(veja hhtp: www.transparency.org/policy_research/surveys_indices/cpi/2008)

O índice revelou que , Timor-Leste, sob o governo da “ Aliança da Maioria Parlamentar”, liderado por Xanana Gusmão, registou a deterioração mais significativa do que qualquer outro país.

A posição de Timor-Leste desceu 22 lugares caindo de 123º para o 145º lugar – atrás do Cazaquistão e um lugar à frente de Bangladesh – para o período compreendido entre Agosto 2007 e Agosto 2008. Este foi o segundo ano consecutivo do declínio do índice, tendo no ano correspondente de 2006-2007 caído de 112a para 123a posição quando Dr. José Ramos Horta ainda era Primeiro-Ministro.

O lider da bancada da FRETILIN, Aniceto Guterres, disse hoje que o inquérito da Transparency International acompanhou uma série de casos de corrupção e de má administração por parte do governo da “AMP” e que a deterioração da situação de Timor-Leste provocara “ um debate quente a nível nacional” .

Guterres disse que os representantes da maioria dos partidos políticos, muitas missões estrangeiras e parceiros multilaterais tinham manifestado as suas preocupações em público ou em privado sobre a deterioração da corrupção.

“Mesmo aqueles que estavam calados e foram cúmplices em relação ao fluxo de alegações estão agora a levar a situação a sério , especialmente as agências multilaterais e as representações estrangeiras. Finalmente estão a compreender o que a FRETILIN, a sociedade civil e os media têm vindo a alertá-los”, disse Guterres.

Ele (Guterres) mencionou escândalos especificos, designadamente:

O Vice-Primeiro Ministro empregou a sua esposa ( uma não - diplomata) na Representação de Timor-Leste em Nova Iorque com um salário três vezes superior ao de um diplomata.


O Primeiro Ministro Gusmão autorizou um contrato de fonte única no valor de US$14.4 milhões para o fornecimento do arroz. O contrato foi concedido à companhia de Três Amigos encabeçada por Germano da Silva, um amigo de Gusmão e membro do CNRT (partido do Gusmão).


A administração de Gusmão concedeu um duvidoso contrato de fonte única para a aquisição de dois barcos de patrulha para uma companhia chinesa intimamente associada a um aliado politico de Gusmão, Abílio Araújo.


Estabelecimento de acordos sem transparência negociados secretamente entre o governo de Gusmão e companhias estrangeiras para a concessão de 100,000 hectares – um quarto de terra afrável de Timor-Leste – para culturas destinados à produção de bio-combustíveis.


A Administração de Gusmão propôs a compra de carros de luxo com tracção às quatro rodas como recompensa política para os deputados;

Alegações persistentes feitas pelos órgãos de comunicação social e pela sociedade civil em matéria de contratos celebrados pelos empreiteiros com os Ministérios em que os conjugues dos ministros tem interesses nas empresas que fornecem mercadorias e serviços para esses Ministérios.


Aniceto Guterres mencionou a reclamação de Mário Carrascalão, Presidente do Partido Social-Democrata esta semana , um aliado de Xanana Gusmão, dizendo que ele estava “farto de ouvir os embaixadores e os empresários estrangeiros falarem de corrupção deste governo”, e que estava “cansado de sentir-se envergonhado todos os dias por causa da corrupção deste governo”.

Guterres disse que o Mário Carrascalão, os representantes do partido PUN e alguns deputados da própria Aliança de Gusmão tinham apelado para a criação de uma Comissão Parlamentar para averiguar sobre as alegações de corrupção no governo.

Para mais informações, contacte com: José Teixeira, 728 7080 ou

Nilva Guimarães ( responsável pelos media) , +670 734 0389

O povo timorense é a nossa missão

Agência Ecclesia - Lisboa,Lisboa,Portugal


O povo timorense é a nossa missão

Se se fizesse uma lista de pessoas profundamente conhecedoras da história dos últimos 30 anos de Timor-Leste, dois padres jesuítas portugueses apareceriam, com certeza, a encabeçar essa lista. A passar um tempo de descanso em Portugal, o padre João Felgueiras (JF) e o padre José Martins (JM) contaram ao Diário do Minho (DM) algumas experiências vividas no decurso da longa missão em Timor-Leste.
O padre João Felgueiras é natural das Caldas das Taipas, Guimarães, e nasceu no dia 9 de Junho de 1921. O padre José Martins é natural de São Romão do Neiva, Viana do Castelo, onde, no passado dia 7, celebrou as bodas de ouro sacerdotais.
Os desafios colocados a Timor e à Igreja timorense são, para estes dois sacerdotes, vários e urgentes. Mas também concordam que «Timor pode muito bem ser uma jóia da Igreja e da comunidade internacional». Num país marcado pela guerrilha interna, pela invasão indonésia, por referendos, pelo processo moroso que levou à independência, os dois jesuítas missionários são unânimes em afirmar que «a morrer e a morrer» morriam em Timor. Porque, explicam, o povo timorense é a sua missão.

DM - Como se deu a ida para Timor?
JF - Estava no Colégio da Companhia de Jesus, em Cernache, e o Padre Provincial propôs-me ir para Timor. Isto em Maio de 1970. Fiquei surpreendido e, então, pedi um tempo para reflexão. Em Dezembro desse ano, parti de Cernache rumo a Timor. Neste tempo, entre o pedido do Provincial e a minha partida, li muitos livros sobre Timor a fim de criar uma visão mais objectiva daquele País. Li praticamente todos os livros que havia e que estavam na biblioteca do colégio e isso enriqueceu a minha visão. Preparei-me para partir, com consciência renovada da minha missão de cristão, de sacerdote e de jesuíta. Tomei esta missão a sério, não apenas como uma aventura cega. Inseri-me no espírito dos grandes missionários, sabendo da responsabilidade que era e da própria beleza da missão em si.

JM - A minha ida para Timor foi muito diferente da do padre João, porque eu nunca tinha pensado, durante a minha formação, ir para terras de missão, nem nunca tinha pedido isso aos meus superiores.
Estava a fazer os meus estudos em Roma, no último ano da licenciatura em Teologia Espiritual, quando o Provincial me perguntou se eu tinha alguma objecção de ir a Timor por dois anos, no máximo três. Acabado esse período viria para Portugal trabalhar. Claro que não me opus e, acabados os estudos, em 23 de Setembro de 1974, embarquei para Timor.

DM - Como decorreu a viagem?
JF - Procurei aproveitá-la o melhor possível, no sentido de me informar e de conhecer mais o País. Antes de ir para Timor, passei por Roma, onde passei o Natal de 1970, e lá encontrei o ainda estudante de Teologia José Alves Martins. De Roma, parti para outra etapa bíblica e Paulina – Atenas –, antes de me dirigir para Jerusalém. Foi uma experiência espiritual única na minha vida. Fiquei na casa dos Franciscanos e, com uma família argentina, percorri todos os lugares santos de Jerusalém.
A passagem por estes locais ajudou-me ainda mais a fortalecer a consciência da missão que abraçava e que se chamava Timor. A Jerusalém seguiu-se Goa, por onde andou São Francisco Xavier. Depois, Hong Kong, onde um atraso ocasional permitiu que contactasse com os focolarinos, com quem estava já bem relacionado porque tinha participado numa Mariápolis, em Fátima. Nesse encontro, contactei com vários estudantes de teologia timorenses, entre eles o actual Bispo de Díli. Seguiu-se Macau e entrar lá foi para mim uma alegria imensa.
Todo este tempo foi uma espécie de curso preparatório de ambientação para entrar em Timor. Quando parti de Macau rumo à minha missão, recordo que me atrasei para o avião. Ao chegar ao aeroporto, mandaram-se ir a correr para conseguir entrar ainda no avião, mesmo sem revistar as malas.
A primeira vez que sobrevoei Timor foi muito emocionante. Tinha a consciência que estava a sobrevoar terras “virgens” que me iam acolher para desempenhar a missão. Aterrei no aeroporto de Baucau e daí parti noutro avião, pequeno, que me levou a Díli. Lá, estava à minha espera a comunidade que me ia receber. A alegria, ao encontrar os meus novos companheiros foi muito grande. Contactei com os sacerdotes que trabalhavam em Timor e, depois, fui saudar o Bispo de Díli, D. José Joaquim Ribeiro, que tinha sido meu companheiro como seminarista em Évora.

DM - Qual era a missão?
JM - A minha missão era ser director espiritual no Seminário de Díli e professor. Chegado a Timor, comecei imediatamente a cumprir a minha missão. Não tive uma longa preparação como o padre João Felgueiras e o processo da minha ida decorreu rapidamente. Claro que o objectivo, aparentemente, era diferente. Eu ia a Timor, o padre João foi para Timor. Encarei a minha ida como uma espécie de estágio, embora já fosse sacerdote. A circunstância que me fez continuar até aos dias de hoje foi a guerra civil, em 1975, entre os dois maiores partidos timorenses – a União Democrática Timorense e a Frente Revolucionária de Timor-Leste. Mesmo aí não tinha intenção de ficar para sempre. Em 7 de Setembro desse ano, a Indonésia invade Timor e eu fiquei como que retido. Não quis sair e fui continuando, continuando, até hoje.
Entre 1986 e 1990, por causa de umas férias do padre João, fiquei como reitor do seminário. No meio das dificuldades, dos perigos e da tensão, houve espaços de tempo felizes.

JF - A minha missão era o Seminário de Díli, numa encosta da cidade. Quando cheguei, a comunidade reuniu-se para me dar as boas-vindas e numa das primeiras conversas que tive com um seminarista, perguntando-lhe se sabia o motivo de eu ter ido para Timor, ouvi uma frase que ainda hoje não esqueci. Disse-me esse rapaz: “O padre veio, porque acreditou”. Fiquei impressionado com aquela frase, vinda da boca do primeiro seminarista timorense com quem falei.
Esse rapaz acabou por ser preso pelos indonésios e veio a falecer na sequência dos maus tratos. No tempo que fui reitor, de 1971 a 1975, tínhamos uma vida normal de seminário. Os rapazes tinham um excelente índice intelectual. Contudo, o 25 de Abril aqui em Portugal perturbou muito o ambiente de Timor. Já não era o Timor que eu tinha encontrado quando cheguei. O Seminário não foi excepção a essa perturbação e instabilidade, por causa das movimentações políticas.
Alguma coisa estava a fervilhar e isso sentia-se. Os fundadores dos partidos, se não todos uma grande parte, tinham sido seminaristas, que eram das pessoas mais cultas do país. O Seminário organizou, em Agosto de 1975, por ordem do prelado, uma peregrinação a Nossa Senhora de Aitara. Mas, o golpe de 9 de Agosto e o consequente contra-golpe criou grande perturbação e guerrilha entre os timorenses.
Estávamos na montanha, em peregrinação, quando tudo isso aconteceu. Porque ia dar-se um conflito armado, nós tivemos que sair para as montanhas. Na incerteza, fomos para Baucau. Nos postos administrativos éramos avisados que os clérigos deviam sair de Timor. Efectivamente, as religiosas tinham ordens superioras para abandonar o País. Para os padres, não havia essa ordem de saída. Eu também não podia sair deixando os seminaristas dispersos.
Regressei, então, para a casa dos Salesianos onde estavam os seminaristas à minha espera. Ficámos por lá. Estávamos reunidos no trabalho e na oração até que o Bispo informou que a Indonésia estava a invadir Timor. Com o domínio indonésio não havia guerra no interior mas apenas nas fronteiras, para onde se dirigiam diariamente milhares de homens soldados. Mas, a invasão alastrou.
O Seminário foi bombardeado e totalmente destruído. Durante este ataque, lembro que estávamos no interior da capela, estendidos debaixo dos bancos, para evitar os estilhaços.
Estávamos persuadidos de que os indonésios iriam respeitar os lugares da Igreja e até tínhamos posto bandeiras brancas, mas mesmo assim fomos bombardeados. Quando parou este ataque saímos de lá. Instalámo-nos numa casa de um timorense que nos deu guarida, no relevo da encosta da cidade. Começámos a cavar buracos e valas no chão para nos protegermos dos bombardeamentos, que aconteciam diariamente, de canhões, morteiros e metralhadoras.
Foi uma época terrível. As pessoas quando viram que nem os lugares da Igreja haviam sido respeitados pelos indonésios fugiram todas dizendo: “Vieram para nos matar a todos”. Nesse preciso momento, a Indonésia perdeu todas as hipóteses de simpatia dos timorenses. Este ambiente de violência decorreu até ao referendo de 1999, que foi favorável à independência de Timor.

DM - No meio de tanta tensão e perigo, consegue escolher o melhor momento?
JM - O melhor momento que vivi em Timor foi, efectivamente, no primeiro ano que cheguei, entre 1974 e 1975, porque foi um ano de paz. Os tempos de paz são sempre bons momentos. Também a fase seguinte ao referendo foi um bom momento que passei, assim como a reabertura do Seminário em Díli, no ano de 1978.

DM - E o pior?
JM - Houve concretamente dois momentos em que senti a vida por um fio muito ténue. Quando estávamos refugiados nas montanhas, por causa da invasão da Indonésia, no dia 18 de Dezembro, vim ao Seminário Menor diocesano e fui atingido na anca por um estilhaço de morteiro. Apesar da profundidade da ferida, consegui chegar ao seminário. Também, em Setembro de 1999, com Díli debaixo de fogo pelas milícias, um dos padres que estava connosco foi morto a tiro. Ao que parece queriam roubar os nossos carros. Foi um momento providencial, porque sentimos a morte muito perto, morte essa que chegou, infelizmente, para esse padre alemão que estava connosco. Faltam catequistas, seminaristas e sacerdotes...

DM - Quais são os desafios de Timor?
JM - A estruturação do país é essencial, mas convém que os líderes políticos sejam pessoas bem formadas. Neste momento, parece-me que Timor não tem isso. Até tem pessoas formadas, mas falta-lhes experiência de governação. São três os departamentos a necessitar de acção imediata: Agricultura, Saúde e Educação. Timor tem recursos e meios, no entanto falta-lhe projectos. Ao nível da educação, o desafio é tremendo. A Língua Portuguesa, que é oficial desde o referendo, só é falada por pessoas com mais de 35 anos. É importante apostar na aprendizagem do Português, que está nos programas apenas até ao 6.º ano. Ao nível do turismo, faltam todos os projectos.

DM - E os desafios da Igreja timorense?
JF - Antes de mais, manter a lealdade e o respeito para com o povo timorense, porque as suas características deviam ser mantidas, preservadas e respeitadas. A Igreja tem um papel importante na defesa e na promoção da dignidade dos timorenses. Por isso, é essencial que a hierarquia crie consciência para pensar no futuro de Timor. Em Timor faltam catequistas, seminaristas e sacerdotes... Mas falta também, formação, catequese. Apostar na qualidade. Timor pode muito bem ser uma jóia da Igreja e da comunidade internacional.

JM Os missionários que vão para Timor devem aprender o Tétum e o Português. Infelizmente, isso não acontece. Por exemplo, na nossa comunidade falámos Inglês. Tem havido brandura por parte do Ministério da Educação e da Igreja a esse respeito.

DM - Regressam a Timor no dia 20 de Outubro para fazer o quê?
JF Faremos o que sempre fizemos: o povo timorense é a nossa missão. Durante todos estes anos fomos leais ao povo e à missão. Ambos temos a consciência de que fomos e vamos continuar a ser operários fiéis do Senhor. Criámos a Escola “Amigos de Jesus” que tem alguns laços com a Companhia de Jesus, mas é autónoma. Pretende favorecer e dar valores humanos e religiosos que a criança precisa para o seu lento e gradual crescimento.
Este ano, a escola conta com 512 alunos. Apesar de já existir há dez anos, o edifício foi benzido em Maio deste ano. Fica situado junto à casa dos Jesuítas em Díli. A escola precisa de ajuda monetária principalmente para o pagamento aos professores. Para isso, as pessoas podem enviar os seus donativos para uma conta que foi criada com essa finalidade. Sabemos que os portugueses, e os bracarenses em particular, são generosos. Por exemplo, a Igreja de Braga ofereceu, há poucos anos, todos os livros litúrgicos para todas as paróquias timorenses. Bíblias, rituais das celebrações, o Vaticano II, os volumes da Liturgias das Horas, tudo foi oferecido pela Arquidiocese. A escola é outro projecto que quer contribuir para o futuro de Timor, do País e da Igreja. Os interessados podem ajudar com donativos para a conta com o NIB 0033 0000 0001 6073 2880 8.
Entrevistas Diário do Minho 01/10/2008 15:26 12643 Caracteres 105 Timor Leste

Escalating tensions among East Timor police

Updated October 1, 2008 09:18:53
ABC Radio Australia

Tensions are brewing in East Timor's national police force as the government works to weed out corruption and rehabilitate the force. The administration in Dili hopes it can eventually farewell the 1,500 UN police, who've taken responsibility for internal security for the past two years. But a series of incidents in recent weeks suggest efforts on police reform may not be going as smoothly as the government would wish.

Presenter: Stephanie March Mari Alkatiri, former prime minister and leader of Fretilin opposition party; International Crisis Group analyst Anna Powles; State Secretary for Security Francisco Gutteres

Listen:
Windows Media
MARCH: Last week members of East Timor's Police Task Force Unit threatened to strike in protest against pay issues. Their anger led to a confrontation at police headquarters. The prosecutor general Longinious Montiero also confirmed that the interim head of the police, Alfonso de Jesus, has been questioned over disciplinary issues.

But the most worrying element for civil society groups in the series of drams surrounding the local police, is an undated, unsigned flyer being passed around Dili about the government's plan to appoint a new commander in November. An excerpt from it is read here by an actor:

LETTER EXCERPT: There is a lot of discrimination in the government structure, as the majority are from the east. If a person is appointed to commander from east we will make a petition in our institution and also organize people from districts to against the government, and we will demand the president call early elections.

MARCH: It was words like those that ignited the crisis of 2006 and tore the nation's military and police apart along regional lines - loro mono from the west, and loro sae from the east. Mari Alkatiri was prime minister in the lead up to the 2006 crisis, and is now the president of the opposition party, Fretilin.

ALKATIRI: This is the repetition of 2006, even in 2006 they started with this kind of thing, the pamphlets and letters accusing, dividing the people into loro mono and loro sae.

MARCH: State Secretary for Security Francisco Gutteres and a United Nations official believe members within the police force are responsible for the flyer. Anna Powles from the International Crisis Group says it's "deeply concerning".

POWLES: I think the government and international community should certainly be cognisant of this and take it seriously because as we have seen before if this sense of discrimination and resentment is left to fester it can cause serious problems down the track

MARCH: The UN police say they are taking the matter seriously and trying to confirm who wrote and distributed it. State Secretary for Security Francisco Gutteres.

GUTTERES: I am not really concerned about it. This letter comes from someone who is concerned about the program that this government is trying to do about the rank adjustment. Maybe some people, when it comes to rank adjustment, they may be affected.

MARCH: Francisco Gutteres says past promotions in the force - known as the PNTL - have often been influenced by nepotism or corruption. The government is now establishing clear criteria for moving up the ranks.

GUTTERES: Many people that probably feel by having these new rules, new systems, they may be affected. They may say, 'well in the past I was undisciplined, I have not much capacity, I became a leader of PNTL because of my closeness to someone, and if this system is established means I will have not have many chance of being promoted.'

MARCH: He plans to appoint foreign police officers to the promotions board that will ultimately choose the new commander to give legitimacy to the controversial position.

GUTTERES: I am quite sure that more than 80 of the PNTL members are quite supportive of these new measures and are not trapped in this kind of issues.

MARCH: While both the UN and government are working to rehabilitate and restructure the politicized and factionalised PNTL, Anna Powles from the International Crisis Group says serious issues still remain.

POWLES: Certainly the major problems seem to be ill-discipline, a lack of professionalism, issues around unity in the force because of the number of different units in the force, issues over pay and moral.

MARCH: She says changes to the force - such as the rank adjustment process- are necessary but are controversial given the current environment.

POWLES: All processes like that have the potential to be both positive and negative, they can be potentially divisive if not handled carefully. Hopefully they will solve issues but rehabilitation of PNTL is extremely complex task and if not handled correctly is going to create resentment among certain parties.

MARCH: The UN said earlier this year it will hand responsibility for internal security to local forces by early next year, but remain in East Timor in a supporting role.

© 2008 Australian Broadcasting Corporation

Mari Alkatiri greets President Yudhoyono on Eid Al Fitr

10/02/08 00:25

Jakarta (ANTARA News) - Former Timor Leste`s prime minister Mari Alkatiri came to an open house at the State Palace here on Wednesday to greet President Susilo Bambang Yudhoyono on the occasion of the Islamic holy day of Idul Fitri.

He arrived at the palace in the company of his wife at 10.49 am and after queueing for a while along with other guests he got his turn to shake hands and chat for less than 10 minutes with President Yudhoyono.

Besides the cabinet ministers also seen attending the open house were House Speaker Agung Laksono, the chairman of the Regional Representatives` Council, Ginandjar Kartasasmita, the chairman of the Consitutional Court, Jimly Asshidiqie, the chairman of the Supreme Court, Bagir Manan and the chairman of the Corruption Eradication Commission, Antasari Azhar.

On the occasion President Yudhoyono was flanked by first lady Mrs Ani Yudhoyono, second son Agus Harimurti and first son Edhie Baskoro and his wife, Anissa Pohan.

Before receiving the guests President Yudhoyono received greetings from family members led by Mrs Ani Yudhoyono. (*)

COPYRIGHT © 2008

Former Prime Minister of East Timor Visit President Yudhoyono

Wednesday, 01 October, 2008 13:49 WIB

TEMPO Interactive, Jakarta: Former East Timor Prime Minister Mari Alkatiri visited President Yudhoyono during the Idul Fitri gathering at the presidential palace on Wednesday, after attending the Idul Fitri prayer at the Istiqlal Mosque.

The deposed prime minister did not explain the purpose of his visit and left the presidential palace after greeting the president continuing his visit to Vice President Kalla at the vice presidential office.

Alkatiri currently holds the post of Secretary-General of the Revolutionary Front for an Independent East Timor (Fretilin) the rival party of National Congress for Timorese Reconstruction (CNRT) led by Xanana Gusmao.

Alkatiri was forced to resign from office in June 2006 after weeks of political unrest sparked by rebelling East Timor troops. A parliamentary election one year later brought Xanana Gusmao to the Prime Minister post.

Kurniasih Budi Ninin Damayanti

Timor police tensions worry authorities

October 1, 2008 - 6:42PM

Worrying signs are emerging of tensions within East Timor's police force, similar to the rift among armed forces that sparked deadly violence in 2006.

Authorities are preparing to appoint a new police commander amid a new push to rid the force of corrupt and undisciplined officers.

But evidence of a flare-up in regional tensions, between those from the country's east and west, have authorities concerned.

An inflammatory leaflet has been circulating in the capital, Dili, warning: "If a person from the east is appointed as commander, we will petition and organise people from districts to go against the government".

East Timor was torn apart in 2006 when east-west tensions sparked deep divisions in the armed forces and ultimately triggered violence that left at least 37 people dead and around 150,000 displaced.

The unrest prompted countries including Australia to send in troops to restore order.

Government sources and one UN official believe the leaflet was written by a group of officers within the police force. It includes threats of violence and calls for early elections if anyone from the east is appointed police commander.

The International Crisis Group (ICG) said the development was "deeply concerning".

"As we have seen before, if this sense of discrimination and resentment is left to fester it can cause serious problems down the track," ICG analyst in East Timor Anna Powles said.

Former prime minister Mari Alkatiri, who now leads the opposition Fretilin party, said the threats mirrored the kind of tensions that led to the 2006 violence.

"In 2006 they started with this kind of thing - the pamphlets and letters dividing the people," he said.

But unlike in 2006, there are 1,500 UN police and almost 1,000 Australian and New Zealand troops deployed in East Timor.

UN police are taking the emergence of the leaflet seriously and trying to confirm its source.

"We pay attention to any information regardless of classification," Acting UN police commander Juan Carlos Arevalo said.

State Secretary for Security Francisco Gutteres believes the leaflet was written by officers who will be hurt by a new promotions system aimed at wiping out corruption and nepotism.

"I am quite sure that more than 80 per cent of the police are quite supportive of the new changes," he said.

But there are other signs of problems within the police force.

Members of the Task Force Unit recently threatened to strike over a pay dispute, leading to a heated confrontation at police headquarters.

And the Prosecutor-General Longuinhos Monteiro last week revealed that the interim head of the police, Alfonso de Jesus, was being questioned in relation to disciplinary issues.

AAP

Timor abre terceiro inquérito para julgar repasse de armas

Por Pedro Rosa Mendes, da Agência Lusa

Díli, 1° out (Lusa) - O processo de transferência de armas, que na quinta-feira tem o terceiro inquérito em Díli, capital do Timor Leste, é a mais recente “assombração” da crise de 2006 para a estabilidade frágil do país.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) marcou para quinta-feira o interrogatório do coronel Falur Rate Laek, depois de ontem inquirir o coronel Lere Anan Timor e o major Mau Buti.

Os três oficiais superiores são membros do Estado-Maior das Falintil-Forças de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL) e comandantes históricos da resistência timorense.

A PGR pretende também chamar à justiça o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas (CEMGFA) timorense, Brigadeiro-General Taur Matan Ruak, e o ex-ministro da Defesa Roque Rodrigues, membros do Conselho Superior de Segurança e Defesa Nacional.

Na origem do processo está a distribuição de armas a civis pelas F-FDTL, em 24 de Maio de 2006.

O episódio aconteceu após quatro semanas de instabilidade desencadeada pelos chamados peticionários das F-FDTL, a partir de 28 de Abril daquele ano.

A implosão da Polícia Nacional (PNTL), a deserção do major Alfredo Reinado, comandante da Polícia Militar, a existência do grupo de Vicente Conceição “Railós”, armado pelo então ministro timorense do Interior, Rogério Lobato, e incidentes como o ataque à residência de Taur Matan Ruak foram analisados pela Comissão Especial Independente de Inquérito (CEII) das Nações Unidas.

A CEII, que apresentou o seu relatório final em Outubro de 2006, concluiu que, “ao armarem civis, o ministro da Defesa e o chefe da Força de Defesa actuaram sem base legal e criaram uma situação de perigo potencial significativo”.

“No dia 17 de Maio, o Brigadeiro-General Taur Matan Ruak escreveu ao primeiro-ministro (Mari Alkatiri) solicitando uma auditoria ao depósito de armas das F-FDTL em resposta a alegações segundo as quais pessoas civis teriam sido vistas a andarem com armas das F-FDTL”, recorda o relatório da CEII.

“As provas perante a Comissão estabelecem que as F-FDTL começaram a armar civis no dia 24 de Maio de 2006. Isto foi feito sob ordens do Brigadeiro-General Matan Ruak e com o conhecimento do ministro da Defesa”, diz o documento.

“Foram feitas listas contendo nomes e os correspondentes números de série das armas entregues, mas as pessoas não assinaram em como receberam as armas”, apurou a Comissão.

Apreensão

A Comissão mostra sua preocupação pelo grau de distribuição ilegal e irregular de armas no Timor Leste e pela inércia demonstrada pelo Governo para fazer face à falta de controlo de armas no seio das suas forças armadas perante informações e análises credíveis relativamente à ilegalidade e/ou irregularidade da posse de armas, sua movimentação e uso.

A CEII concluiu que “as armas foram distribuídas com o conhecimento e aprovação das seguintes pessoas: Roque Rodrigues; Taur Matan Ruak; Tito da Costa Cristóvão, também conhecido por Lere Anan Timor; Manuel Freitas, também conhecido por Mau Buti; e Domingos Raul, também conhecido por Rate Laek Falur” (sic).

A Comissão recomendou que estas pessoas sejam processadas judicialmente por transferência ilegal de armas.

O International Crisis Group, que analisou a crise num relatório que precedeu o da CEII, disse que, “em contraste com a transferência secreta e ilegal de armas da Polícia a civis, esta (das F-FDTL) foi relativamente ordenada e bem documentada, tornando mais fácil a recolha das armas após a chegada de tropas internacionais”.

Timor-Leste Parliament pushes for anti-corruption watchdog

FRENTE REVOLUCIONÁRIA DO TIMOR-LESTE INDEPENDENTE
FRETILIN


MEDIA RELEASE
Dili, 1 October 2008

Timor-Leste Parliament pushes for anti-corruption watchdog

An alarming increase in government corruption in Timor-Leste has prompted a cross-party push to establish a parliamentary watchdog to fight graft in public administration.

The biggest party in Timor-Leste's parliament, FRETILIN, announced today it would join with other parties and even some government MPs to support the setting up of a parliamentary commission to tackle corruption.

Parliament debated the issue of worsening government corruption yesterday, following the release of Transparency International's 2008 international Perceived Corruption Index report (see http://www.transparency.org/policy_research/surveys_indices/cpi/2008 )

The index showed Timor-Leste under the leadership of Xanana Gusmao's 'Parliamentary Majority Alliance' (AMP) government registered the most significant deterioration of any country.

Timor-Leste's position fell 22 places from 123rd to 145th – behind Kazakhstan and one place ahead of Bangladesh – for the period August 2007 to August 2008. This was the nation's second successive year of decline in the index, following a drop from 112th to 123rd place in the corresponding period for 2006-2007 when Dr. Jose Ramos-Horta was Prime Minister.

FRETILIN's parliamentary leader Aniceto Guterres said today Transparency International's survey followed a steady flow of reports of corruption and maladministration by the AMP government and had 'caused a raging national debate' on Timor-Leste's worsening status.

Guterres said representatives of most political parties, many foreign missions and all multilateral partners publicly or privately had expressed concern over worsening corruption.

'Even those who remained quiet and complicit in regard to the stream of allegations are now taking the situation seriously, especially the multilateral agencies and foreign missions. They have finally grasped what FRETILIN, civil society and our media have been warning about,' Guterres said.

He said specific scandals included:

The Deputy Prime Minister employing his wife (a non-diplomat) at Timor- Leste's New York mission at a salary three times that of a diplomat.

Prime Minister Gusmao authorising a single source contract worth US$14.4 million for the supply of rice. The contract went to the Tres Amigos ("Three Friends") company headed by Gusmao's friend and fellow party member Germano da Silva.

The Gusmão administration's awarding of a dubious single source contract for the purchase of patrol boats from a Chinese company closely associated with Gusmao's political ally Abilio Araujo.

Secretly negotiated and non-transparent agreements between the Gusmão government and foreign companies to give away 100,000 hectares – one quarter of Timor-Leste's arable land – for bio-fuels crops.

The Gusmão administration's proposed purchase of 4 Wheel Drive luxury vehicles as a political pay off for MPs.

Persistent allegations made in the media and from civil society regarding contractors being awarded contracts by ministries where the spouses of the ministers in the very same ministries have an interest in the company supplying the goods and services to that ministry.

Aniceto Guterres pointed to complaints in parliament this week from Mario Carrascalão, the President of the Social Democratic Party, an ally of Gusmão's AMP, that he was 'sick of hearing from ambassadors and foreign businessmen about corruption in this government', and that he was 'tired of feeling embarrassed every day because of the corruption in this government'.

Guterres said Mr. Carrascalão, representatives of the PUN party and some MPs from Gusmão's own alliance had also called for a parliamentary commission to inquire into allegations of corruption against the government.

For information contact: Nilva Guimarães (media officer) on +670 734 0389



FRENTE REVOLUCIONÁRIA DO TIMOR-LESTE INDEPENDENTE
FRETILIN


MEDIA RELEASE
Dili, 1 October 2008

An alarming increase in government corruption in Timor-Leste has prompted a cross-party push to establish a parliamentary watchdog to fight graft in public administration.

The biggest party in Timor-Leste's parliament, FRETILIN, announced today it would join with other parties and even some government MPs to support the setting up of a parliamentary commission to tackle corruption.

Parliament debated the issue of worsening government corruption yesterday, following the release of Transparency International's 2008 international Perceived Corruption Index report (see http://www.transparency.org/policy_research/surveys_indices/cpi/2008 )

The index showed Timor-Leste under the leadership of Xanana Gusmao's 'Parliamentary Majority Alliance' (AMP) government registered the most significant deterioration of any country.

Timor-Leste's position fell 22 places from 123rd to 145th – behind Kazakhstan and one place ahead of Bangladesh – for the period August 2007 to August 2008. This was the nation's second successive year of decline in the index, following a drop from 112th to 123rd place in the corresponding period for 2006-2007 when Dr. Jose Ramos-Horta was Prime Minister.

FRETILIN's parliamentary leader Aniceto Guterres said today Transparency International's survey followed a steady flow of reports of corruption and maladministration by the AMP government and had 'caused a raging national debate' on Timor-Leste's worsening status.

Guterres said representatives of most political parties, many foreign missions and all multilateral partners publicly or privately had expressed concern over worsening corruption.

'Even those who remained quiet and complicit in regard to the stream of allegations are now taking the situation seriously, especially the multilateral agencies and foreign missions. They have finally grasped what FRETILIN, civil society and our media have been warning about,' Guterres said.

He said specific scandals included:

The Deputy Prime Minister employing his wife (a non-diplomat) at Timor- Leste's New York mission at a salary three times that of a diplomat.

Prime Minister Gusmao authorising a single source contract worth US$14.4 million for the supply of rice. The contract went to the Tres Amigos ("Three Friends") company headed by Gusmao's friend and fellow party member Germano da Silva.

The Gusmão administration's awarding of a dubious single source contract for the purchase of patrol boats from a Chinese company closely associated with Gusmao's political ally Abilio Araujo.

Secretly negotiated and non-transparent agreements between the Gusmão government and foreign companies to give away 100,000 hectares – one quarter of Timor-Leste's arable land – for bio-fuels crops.

The Gusmão administration's proposed purchase of 4 Wheel Drive luxury vehicles as a political pay off for MPs.

Persistent allegations made in the media and from civil society regarding contractors being awarded contracts by ministries where the spouses of the ministers in the very same ministries have an interest in the company supplying the goods and services to that ministry.

Aniceto Guterres pointed to complaints in parliament this week from Mario Carrascalão, the President of the Social Democratic Party, an ally of Gusmão's AMP, that he was 'sick of hearing from ambassadors and foreign businessmen about corruption in this government', and that he was 'tired of feeling embarrassed every day because of the corruption in this government'.

Guterres said Mr. Carrascalão, representatives of the PUN party and some MPs from Gusmão's own alliance had also called for a parliamentary commission to inquire into allegations of corruption against the government.

For information contact: Nilva Guimarães (media officer) on +670 734 0389

segunda-feira, setembro 29, 2008

O aldrabão do costume...

"Falta agora a maturidade e consciência moral das pessoas de respeitarem os órgãos de soberania competentes. Na PGR não podemos interferir e exigimos o mesmo dos outros órgãos", afirmou Longuinhos Monteiro.

Mas Longuinhos Monteiro nunca se pronunciou sobre as interferências do Presidente da República no processo de Alfredo Reinado, que mandou "cancelar" os mandados de captura emitidos pelo Tribunal.

"Acusar é fácil, justificar é difícil", diz PGR Longuinhos Monteiro

Dili, 29 Set (Lusa) - O Procurador-geral da República de Timor-Leste, Longuinhos Monteiro, declarou hoje em Díli à Agência Lusa que "acusar é fácil mas justificar é difícil", acusando a classe política de "falta de maturidade".

Longuinhos Monteiro foi entrevistado pela Lusa horas antes da primeira inquirição de um elemento do Estado-Maior das Forças Armadas sobre a transferência de armas em 2006.

"Fazer justiça não é tão fácil como acusar as pessoas publicamente. Acusar é fácil, justificar é difícil", afirmou Longuinhos Monteiro à Lusa.

"O nosso trabalho é justificar. Mas não para satisfazer ninguém. Trabalhamos segundo a lei", explicou.

O Procurador-geral timorense reagiu às críticas e ameaças de que tem sido alvo, considerando que a PGR "está entre a espada e a parede".

"A verdade é a verdade e tem de ser esclarecida", afirmou Longuinhos Monteiro.

A inquirição do coronel Lere Anan Timor, um dos comandantes das Falintil-Forças de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL) envolvido no processo da transferência de armas em 2006, estava prevista para as 14:30 (06:30 em Lisboa).

Foram também notificados no mesmo processo o coronel Falur Rate Laek e o major Mau Buti.

Em paralelo, a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu ao Presidente da República o levantamento da imunidade do chefe do Estado-Maior-general das F-FDTL, brigadeiro-general Taur Matan Ruak, e do ex-ministro da Defesa, Roque Rodrigues.

"O pedido foi feito há quatro meses e até agora não tivemos nenhuma notícia", afirmou Longuinhos Monteiro.

Taur Matan Ruak e Roque Rodrigues gozam de imunidade por serem membros do Conselho Superior de Segurança e Defesa Nacional (CSSDN).

"Não se pode dizer por enquanto se Taur Matan Ruak vai a tribunal ou não", explicou Longuinhos Monteiro na entrevista à Lusa.

"Só agora iniciámos este processo, que foi aberto porque estes são citados no relatório da Comissão Especial Independente de Inquérito para Timor-Leste" aos acontecimentos de 2006, acrescentou Longuinhos Monteiro.

"A população tem que perceber que não se pega nas pessoas para as colocar directamente no tribunal. Há um processo e nós trabalhamos segundo a lei", afirmou o Procurador-geral da República.

"Chegou a altura de chamar os nomes citados pela CEII para prestarem algumas informações, para depois podermos decidir e fazer um despacho no processo" da transferência de armas, explicou ainda Longuinhos Monteiro.

"Somos criticados por fazer e por não fazer. As pessoas não sabem qual é a justiça que está a ser aplicada em Timor-Leste", acusou o Procurador-geral.

Questionado sobre se a classe política não entende o papel da PGR, Longuinhos Monteiro respondeu que tem "outra impressão".

"Compreendem, claro. Foram políticos durante seis anos (desde a independência), com a Constituição na mão", comentou.

"Falta agora a maturidade e consciência moral das pessoas de respeitarem os órgãos de soberania competentes. Na PGR não podemos interferir e exigimos o mesmo dos outros órgãos", afirmou Longuinhos Monteiro.

Sete dos processos resultantes da CEII já conheceram decisão em tribunal, segundo o procurador-geral.

"Alguns foram arquivados por não termos indícios", incluindo o processo contra o ex-primeiro-ministro Mari Alkatiri. Outros terminaram com condenações, como o do ex-ministro do Interior, Rogério Lobato.

Três processos sobre a crise de 2006 estão em investigação, adiantou Longuinhos Monteiro.

PRM

MARCHA DA PAZ É UMA AMEAÇA AO GOVERNO?

Eu creio que não, bem pelo contrário, é um acto livre que acontece em qualquer parte do mundo. O governo não deve ter medo e fazer propagandas falsas para impedir a realização desta demonstração, se bem que isto aconteça, então, posso dizer que o governo tem mesmo problemas com o seu próprio povo, assim é bem provável que se questione a capacidade governativa deste governo.

Como um adepto da democracia, manifesto o meu total apoio a Fretilin por esta iniciativa, é uma acção legítima que me parece essencial no esforço da consolidação da nossa democracia.

Muitos analistas timorenses parecem estar muito preocupados, até questionaram; o que está na origem desta marcha? Não há guerra no país! Bom, as vezes é necessário recuar para trás e ir buscar o passado. Eu sempre disse que não concordo com a forma como o governo AMP chegou ao poder. A crise 2006 aconteceu, não foi por acaso, eu acho que os governantes que estão no poder sabem muito bem o que estava realmente por detrás de tudo isto. Mas não se preocupem, a Fretilin não vai e nunca irá usar a violência para concretizar os seus objectivos políticos, bem pelo contrário, a Fretilin quer ser um elemento activo que contribua para consolidar a nossa democracia como um estado de direito.

O povo tem o direito de questionar a politica deste governo, ninguém o pode impedir. O país passou por muitas coisas, o povo precisa de ser informado e esclarecido, não podemos deixar passar o que está mal para que depois cometemos outros erros. Não é assim que se governa, o povo é a coluna dorsal do país. O país pertence ao povo, o governo é formado porque quer servir o seu povo, por isso, como um adepto da democracia, vejo esta iniciativa como uma acção legítima, e nada posso dizer, a não ser apoiar a iniciativa.

Por: António Guterres

Traduções

Todas as traduções de inglês para português (e também de francês para português) são feitas pela Margarida, que conhecemos recentemente, mas que desde sempre nos ajuda.

Obrigado pela solidariedade, Margarida!

Mensagem inicial - 16 de Maio de 2006

"Apesar de frágil, Timor-Leste é uma jovem democracia em que acreditamos. É o país que escolhemos para viver e trabalhar. Desde dia 28 de Abril muito se tem dito sobre a situação em Timor-Leste. Boatos, rumores, alertas, declarações de países estrangeiros, inocentes ou não, têm servido para transmitir um clima de conflito e insegurança que não corresponde ao que vivemos. Vamos tentar transmitir o que se passa aqui. Não o que ouvimos dizer... "
 

Malai Azul. Lives in East Timor/Dili, speaks Portuguese and English.
This is my blogchalk: Timor, Timor-Leste, East Timor, Dili, Portuguese, English, Malai Azul, politica, situação, Xanana, Ramos-Horta, Alkatiri, Conflito, Crise, ISF, GNR, UNPOL, UNMIT, ONU, UN.